Segunda-feira, Novembro 23, 2009
As Virtudes Cardeais
O Padre Livio Fanzaga nasceu em 1940, em Bérgamo, na Itália. Laureou-se em Teologia na Pontifícia Universidade Gregoriana (Roma) e depois em Filosofia na Universidade Católica (Milão). É diretor da Rádio Maria e escreveu também As Virtudes Teologais: fé, esperança e caridade.
Foi Aristóteles quem primeiro chamou atenção para a existência de quatro virtudes que seriam os eixos cardeais para as demais. Posteriormente, Tomás de Aquino incorporou-as ao catolicismo e deu-lhes maior amplitude, ligando-as ao campo teológico. Livio Fanzaga mostra que longe de perder a importância, estar virtudes são cada vez mais necessárias em um mundo onde a globalização é uma realidade e se dispõe de meios materiais como nunca antes na história. Infelizmente, estas virtudes se perderam ou encontram-se profundamente deturpadas no entendimento atual.
Fanzaga faz um chamamento para a vida virtuonõsa, reiterando a mensagem dos filósofos clássicos, posteriormente confirmada pelos padres da Igreja, de que apenas uma vida em busca da virtude pode ser a receita para uma vida feliz. O contrário apenas carrega o homem para a infelicidade pois o objeto do vício jamais é suficiente para aplacar os apetites. Não é a rendição aos prazeres que sacia o homem e sim o seu domínio sobre eles. Fanzaga defende também que a virtude orientada apenas para a razão é insuficiente, embora muitas vezes louvável. A ligação com o divino é fundamental para orientar corretamente as virtudes. No caso das cardeais, estas devem estar subordinadas às virtudes teologais (que trata em outro livro): fé, esperança e caridade.
A sociedade na qual vivemos, onde até os cristãos arriscam-se a ser condicionados, não percebe mais a necessidade da formação moral do ser humano, recebida sempre da grande tradição grega da paideia (educação) ... Desde os mais tenros anos da vida é preciso educar o ser humano para o uso da razão, da liberdade e da responsabilidade.
Não é que a maioria dos educadores modernos não percebam a necessidade da formação moral, eles a desprezam. A escola moderna, verdadeiro instrumento de doutrinação do Estado, está preocupada apenas com o ensino da cidadania, o termo bonito que usam para ensinar a devoção ao sistema político existente. Razão, liberdade e responsabilidade ficam longe do que se prega em sala de aula, virtude então nem se fala. Afinal, se tudo é relativo, quem pode dizer que prudência, justiça, fortaleza e temperança tenham algum valor absoluto?
Uma Gota de Sangue
Demétrio Magnoli é sociólogo e doutor em geografia humana e um dos raros acadêmicos da USP que não é refém da idiotia esquerdista que tomou conta da Universidade, especialmente nas Ciências Sociais. Conhecido também por seus livros de geografia para o segundo grau, excelentes por sinal, especialmente o que faz um panorama do último século e pelos seus artigos sobre política externa, que inclusive rendeu um outro livro, não menos excelente, chamado O Nome do Jogo.
Magnoli é um acadêmico que não se limita ao superficial, ao contrário, busca aprofundar o estudo do problema em busca da verdade, muitas vezes escondidas sobre camadas de imposturas. Nunca li um texto seu que não estivesse ancorado em conhecimentos sólidos o que indica que só escreve sobre o que tem conhecimento, sem procurar evitar as polêmicas sempre que necessárias. Pode-se discordar de conclusões suas, mas elas estão sempre assentadas sobre trabalho sério, não são opiniões jogadas ao vento.
Uma Gota de Sangue se refere às primeiras leis raciais americanas que determinaram que qualquer cruzamento de um branco com um negro geraria um negro pois este teria uma gota de sangue negro. Seria uma espécie de contaminação, bem de acordo com as primeiras teorias raciais da ciência que colocavam a raça negra como inferior. Magnoli mergulha na história do pensamento racial, tanto nas américas quanto na África, sem deixar de tocar no problema típico do oriente e suas castas. A histórias do apartheid na África do Sul, Luther King e Malcon X, entre outros, na América, a questão indígena, o nazismo, os conflitos étnicos africanos, tudo é tratado com cuidado e embasamento por um autor que leva a sério seu trabalho. Ao final do livro, entrega o que promete, a história do pensamento racial e suas vertentes.
É bastante interessante que depois do início do século XX, quando a ciência afirmava a diversidade racial, mais que isso, a superioridade racial, levando alguns países, como os Estados Unidos a adotar a regra da gota de sangue única, estejamos voltando ao ponto inicial com os programas racialistas, mesmo com a ciência mostrando que inexistência da divisão racial. As diversas leis de cotas querem estabelecer o que não existe na natureza, a separação do homem por sua cor. Martin Luther King em seu discurso histórico, chamou os Estados Unidos nos brios com a constituição na mão, clamando pelo resgate da proposta histórica de sua nação, a da igualdade entre os homens:
Eu tenho o sonho de que meus quatro pequenos filhos viverão um dia numa nação na qual não serão julgados pela cor da sua pele, mas pelo conteúdo de seu caráter.
Não sobra muito de Luther King nos dias de hoje em que a palavra-chave se chama multiculturalismo. Um país deixou de ser uma nação para se tornar um conjunto de nações, com a raça como critério de divisão, cujas relações devem ser reguladas por lei e a igualdade entre elas buscadas por força coerciva dos estados nacionais. Por igualdade não se entende oportunidades e sim resultados, levando à adoção das inúmeras leis racialistas, também chamadas de cotas.
Magnoli revela o papel da Fundação Ford na promoção do multiculturasimo ao redor do mundo, inclusive no Brasil, onde Fernando Henrique Cardoso tomou uma participação ativa, inclusive em sua presidência. Interessante observar que contrariando o senso comum, coube a um presidente americano republicano, Richard Nixon, o grande avanço do emprego das cotas raciais nos Estados Unidos. Magnoli mostra também que os critérios americanos são impossíveis de serem aplicados no Brasil, um país de intensa miscigenação. Como estabelecer uma linha divisória entre negros e brancos em um país onde os pardos caminham para se tornarem a cor predominante em poucos anos?
Para que o pensamento racial prosperasse no Brasil, foi necessário atacar em duas frentes. Primeiro, matar Gilberto Freyre. O pensamento do sociólogo que mostrou a miscigenação como uma grande contribuição do Brasil para a humanidade tinha que ser desmontado e transformado em uma forma mais dura de racismo, o racismo escamoteado. Para os arautos do racialismo, é preferível a existência de leis raciais explícitas e o confronto das raças do que uma forma de racismo não declarada que segundo eles existe no Brasil. Após a morte de Freyre, era preciso matar também o abolicionismo. A abolição dos escravos no Brasil não mais seria a obra que uniu jovens liberais, ricos e pobres, pequenos e grandes comerciantes, Igreja, políticos e tantos outros em talvez um primeiro projeto nacional, levando o Império a ceder a um desejo realmente popular, para se tornar a obra das elites econômicas para explorar ainda mais os negros através de uma falsa liberdade.
O lançamento deste livro foi cercado de protestos de grupos de pressão racialistas acusando-o de negar a existência de racismo no Brasil. Li algumas declarações de seus líderes, muitos afirmando que não leriam a obra por sua conotação preconceituosa. Não há debate possível com quem se recusa a ler o pensamento que julga se opor, que condena um pensador sem conhecer seus argumentos. Verdadeiras correntes foram montadas na internet para impedir a divulgação do livro, muitas para explicitamente impedir a participação de Magnoli em debates sobre o tema.
Parafraseando Martin Luther King, eu também tenho um sonho, um sonhe de que um filho meu jamais tenha que preencher um campo escrito "raça" em qualquer documento público ou privado. Infelizmente estamos caminhando na contramão deste meu sonho pois tornou-se obrigatório declarar a raça ao matricular um filho na escola. Houve um homem que viveu na Galiléia, que entre outras coisas, ensinou que somos mais espírito do que carne, e que espírito não tem cor. Prefiro continuar acreditando nele, até porque sua proposta de mundo é infinitamente melhor do que o que nos prometem todos os dias os reformadores sociais. Ninguém deve ter orgulho de ser negro. Nem de ser branco. Nem de ser índio. Aliás, o orgulho costuma ser mais um vício do que uma virtude. Se tivermos que ter orgulho de ser alguma coisa é de nossas obras concretas, obras de um indivíduo, independente da cor que carrega.
Sexta-feira, Novembro 13, 2009
Tia Célia, até breve.
Convivi especialmente com ela nos meus quatro anos como Cadete em Resende. Praticamente passei em sua casa quase todos os fins de semana. Talvez tenha sido o momento mais feliz em sua vida, estava casada com um homem muito bom e criava seus dois filhos, ainda muito pequenos. O Eduardo passava a semana viajando, vendendo queijos. Quando chegava na sexta feira era uma alegria na casa, tanto dos dois pequenos, Paulinha e Rafael, quanto de minha tia que se deixava contagiar com a alegria fácil do marido. Várias vezes fui com eles para um sítio que tinham na Fumaça e o que vi foram momentos de intensa felicidade de uma família que tinha o amor como elo de ligação muito forte.
Ela não tinha muitos amigos, mas os que tinham faziam a diferença. Ela daquelas pessoas que quando abaixava suas defesas, era porque abria sua alma. Lembro especialmente do Nei e da esposa, que passaram muitos destes fins de semana no Sítio. As angústias do dia a dia ficavam para trás e aproveitavam tudo que uma amizade podia oferecer.
Outra virtude sua era a facilidade como ela se sacrificava para as pessoas que amava. Sejam os filhos, o marido, os parentes ou mesmo os amigos. Eles estavam sempre em primeiro lugar na sua vida e esse é um dos ensinamentos que ela me deixou. Tento me esforçar para chegar perto do que ela era capaz, mas é difícil, o que só mostra que possuía grande desprendimento e fortaleza moral. No meio de uma vida muitas vezes difícil, era incapaz de negar uma mão a quem precisava. Todos sabíamos disso, que poderíamos contar com ela, sempre. Além disso, possuía um forte senso moral, sabia distinguir o certo do errado, mostrando que as dificuldades não são motivo para a falta de ética e que basta coragem para fazer o bem.
Tia Célia sempre foi um refúgio. Podíamos correr para ela sempre que tínhamos um problema ou que sentíamos tristeza porque ela nos acolhia e nos dava sua compreensão e dividia conosco um pouco de sua força. O que me lembra outra virtude sua. Ela não julgava as pessoas e nem as condenava. Ela podia saber muito bem julgar os atos, mas sabia separá-los de quem os praticava. Sua humanidade se mostrava na capacidade que tinha de entender o próximo, evitar julgá-lo e esperar sempre o melhor de cada um. Muitos dizem que isso é ingenuidade, pois digo que chama-se caráter. Minha tia foi uma das pessoas de maior caráter que tive a oportunidade de conviver.
Agora que ela nos deixa, seguramente para um repouso merecido, só posso tentar guardar todas as bonitas lições que deixou para todos nós. Quando uma pessoa que amamos nos deixa e conseguimos lembrar com mais facilidade de suas alegrias do que suas tristezas, é talvez uma mostra de como devemos encarar a vida, não como uma sucessão de obstáculos e sofrimentos, mas sim como oportunidades para provarmos nosso valor e crescermos como indivíduos.
No fim, é o que conta.
Que descanse em paz.
Segunda-feira, Novembro 09, 2009
O caso da UNIBAN
Quando li a notícia do que tinha acontecido na UNIBAN, a minha primeira reação foi de perplexidade. Achei que era uma destas notícias falsas que circulam pela internet pois custava-me a crer que algo assim era possível, mesmo acreditando que o comportamento de um indivíduo em massa pode ser bem distinto de quando isolado. A questão era que o caso todo era absurdo demais; consigo entender que se escondam dentro do espírito de manda, mas não a ponto do que se viu na dita universidade.
O que se viu depois foi ainda mais bárbaro e mostra porque ficou difícil distinguir nas imagens espalhadas pelo youtube se estávamos diante de uma instituição de ensino ou uma rebelião de presídio. Chamou-me atenção primeiro a quantidade de comentários em diversos blogs justificando o que aconteceu e colocando a culpa na vítima e seu vestido curto. Depois, pessoalmente escutei amigos praticamente defendendo a mesma opinião. Sempre começavam com "não justifica o que aconteceu...", tentando dizer que não queriam justificar mas na prática estão sim tentando livrar a cara daqueles vagabundos morais que tentaram agredir a moça, embora muitas vezes sem perfeita consciência desta defesa.
Outra coisa que chamou-me atenção foi a manifestação das mulheres contra Geisy, canalizando na estudante um profundo incômodo com o comportamento abertamente provocativo de outras mulheres. Na verdade, aquelas mulheres ressentem-se da impossibilidade de reação a um estado de coisas que é francamente hostil para quem ainda fala em algo como "bons costumes", uma espécie de palavrão na nova língua contemporânea. O que vale é a permissidade total em nome de um conceito deturpado de tolerância e uma o aprisionamento da mulher em uma categoria dentro de uma visão equivocada de feminismo. A mulher de hoje tem o dever de procurar sucesso profissional, ser independente e se igualar ao homem em tudo, principalmente no que ele tem pior. Já desviei do assunto, volto ao caso de Geisy.
O comportamento da sociedade organizada deixou-me ainda mais perplexo. Nos dias que se seguiram ao acontecido, nenhuma manifestação. Nenhuma ONG, nenhuma organização de direitos humanos, nada. Quando um policial mata um bandido nos morros do Rio a reação é imediata, mas para o azar de Geisy ela não é de nenhuma comunidade, não é de nenhuma minoria e, principalmente, não faz discurso de oprimida. Já imaginaram se fosse negra? O mundo já teria vindo abaixo mostrando tudo que aconteceu como mais uma prova de um país racista. Parece que só agora, começaram a surgir algumas manifestações tímidas em defesa da moça, um tanto quanto envergonhadas. No fundo, acham que ela fez bem por merecer.
Para terminar a barbárie pós-fato, temos o comportamento da própria universidade. Depois de flertar com justificativas mil para a ação de alguns de seus estudantes, a instituição de ensino (?) resolveu partir para a expulsão. Tomou uma atitude firme e mandou para a rua não os potenciais molestadores, mas a própria vítima. Além de estúpida, a decisão é de uma idiotia sem precedentes. Longe de defender a reputação (???) da UNIBAN, só arrastou ainda mais seu nome para lama, se é que isso é possível.
Quanto a Geisy, pouco me importa o caráter da moça, se ela provocou ou não os outros alunos, ou o tamanho de sua mini-saia. Acho que toda instituição deve ter um código de comportamento e ao que mostra a UNIBAN não tem nenhum já que prefere graduar agressores a portadoras de mini-saias. Também não me interessa se vai pousar nua, se vai para um reality show ou dar entrevista no Faustão. Na minha visão de mundo, o indivíduo é um fim em si mesmo, é inviolável. Nada que ela tivesse feito, mesmo que seja culpada de tudo que lhe acusam, justificam nada parecido com o que aconteceu.
Não julgo por categorias, penso sempre em indivíduos. Não há culpa coletiva dos estudantes, cada um seguiu sua própria consciência ao partir para cima da moca. Cada um deve ser individualmente responsável por seus atos. Aderir ou não a uma turba é decisão individual; nenhum ser humano é todo mundo. Uma das muitas coisas que minha mãe me ensinou, e muito bem, é que não sou todo mundo, que tenho nome. Isso acontecia sempre que eu tentava justificar um comportamento errado com a desculpa que todo mundo fazia. Aprendi minha lição, parece que aqueles alunos não.
O caso de Geisy é mais importante do que parece, revela toda a doença moral de boa parte de uma sociedade. Desde os que se comportaram como animais até os que buscam justificativas para o comportamento animalesco. No fundo o que está em jogo é a tese que o homem é produto do meio e por isso a esquerda está em silêncio completo. Condenar o comportamento dos bárbaros é reconhecer que o homem tem um livre arbítrio e um papel ativo no seu comportamento. Pode parecer estranho que muitos conservadores estejam do lado de uma moça que use saia curta em uma universidade mas este estranhamento deixa de existir quando se consegue enxergar através das blumas e ver a essência do problema. A capacidade de uma pessoa de pensar, decidir, agir e arcar com as consequências do seus atos, o fato de que não somos passageiros em um veículo chamado existência, que podemos nos elevar acima do meio que vivemos ou dos conceitos majoritárias. Por isso estou em defesa desta moça, independente de quem seja.
Segunda-feira, Novembro 02, 2009
Vícios privados, benefícios públicos? - Eduardo Gianetti
Companhia de Bolso, 1993
Despertei para o papel da ética no desenvolvimento econômico a partir de um artigo do papa Bento XVI que li no início do ano. Até então, via o problema econômico pelo foco da luta entre o livre mercado e a planificação econômica e, neste contexto, posicionei-me sempre pela mão invisível Smithiana contra o dirigismo socialista. Através das reflexões do papa eu comecei me questionar se o foco da discussão estava errada, ou seja, se o modelo econômico, por si só, seria capaz de garantir qualquer prosperidade pois é isso, em síntese, que se discute nos dias de hoje. Livre mercado ou economia planificada? Ou o meio termo da social-democracia? Bento XVI colocava que o livre mercado por si só não pode garantir prosperidade pois necessitaria ser assentado na ética de uma sociedade.
Eduardo Gianetti, economista e com formação em filosofia, segue as mesmas reflexões de Bento XVI e coloca em discussão o papel da ética na riqueza das nações. É possível obter-mos a prosperidade econômica defendida pelos liberais ou mesmo a igualdade distributiva dos socialistas, assim como a prosperidade com igualdade dos sociais-democratas, sem levar em consideração princípios éticos? Gianetti responde que não através deste livro interessantíssimo que mostra a história das idéias sobre a ética na sociedade e procurar levantar as questões e paradoxos sobre sua influência.
Para Gianetti, a ética lida com aquilo que pode ser diferente do que é, a diferença do mundo como é do mundo como poderia ser. Cada ação nossa poderia ser diferente? Poderíamos ter optado por outro caminho? Só tem sentido falar de ética quando existe a livre escolha, só se pode decidir pelo bem diante da possibilidade do mal. Se formos obrigados, por forças externas a nossa pessoa, a escolher sempre o bem, o homem estaria esvaziado de todo seu valor.
A primeira questão objetiva que Gianetti coloca é sobre o que chamou de neolítico moral, a tese de que um extraordinário avanço da ciência teria se desconectado do avanço moral gerando um hiato entre o que somos e o que podemos ser, pois o homem não estaria a altura de sua capacidade. Seria o progresso a causa do atraso moral ao transformar o caráter do homem, ao desperta-lhe a cobiça e o egoísmo? Ou seria o atraso moral um obstáculo que emperra o progresso? Gianetti refuta a tese do neolítico moral ao considerar que cada época é considerada única e diferente, sendo o passado e futuro vistos pelas categorias do presente e pelo descontentamento moral que o homem tem consigo mesmo. Não existe uma régua que se possa medir o progresso moral de uma sociedade pois são considerações que fogem ao escopo e capacidades das ciências, tanto exatas quanto sociais.
Gianetti passa a analisar o papel da ética como fator de coesão social e como fator de produção. No primeiro caso, argumenta que uma sociedade formada de homens preocupados apenas com a moralidade individual não conseguiria sobreviver, a moralidade cívica é essencial para a convivência social. Há uma tensão constante entre a moralidade individual e a cívica, entre a liberdade do indivíduo e o bem comum da sociedade. Nesta relação, o equilíbrio é essencial. Uma sociedade com a liberdade individual levada ao extremos, se desentegraria; uma sociedade sem liberdade individual seria desprovida de valor. Para ele, o valor de uma sociedade está nos indivíduos que a compõe e portanto deve haver um limite para a intervenção do aparato estatal (leis e governos) ou da moralidade cívica (opinião pública). A adesão a ao código moral não se pode dar apenas por coerção; além da submissão, esta adesão pode ser dar por identificação (desejo de dar exemplo e ser reconhecido) ou interiorização (reflexão ética).
O ponto central da obra de Gianetti, entretanto, é o papel da ética como fator de produção. Para ele, tanto os seguidores do livre mercado (Smith, Mandeville e a escola de Chicago) quanto do socialismo ocuparam-se de maneira bastante simplificada nas regras do jogo e deixaram de lado a qualidade dos jogadores. Para eles, as regras do jogo seriam suficientes para garantir a prosperidade pois esta se daria apesar da falta de ética (Smith) ou por causa dela (Mandeville). Já para os socialistas, adeptos do determinismo, a questão ética não teria sentido pois não haveria uma verdadeira livre escolha.
Gianetti rompe com esta dicotomia colocando como questão central da riqueza de uma nação a qualidade dos jogadores, sejam indivíduos, empresas ou governos. Jogar limitando-se apenas pelas leis, o que chamou de mínimo legal, é insuficiente; só através da interiorização da ética uma sociedade poderá avançar para a prosperidade. Rejeita, portanto, o egoísmo ético como condição para a riqueza.
Com enorme talento, Gianetti conseguiu escrever uma obra de leitura agradável e possui o grande mérito da honestidade intelectual. Apesar de ter suas opiniões, não deixa de mostrar com igual competência todas as faces do problema, com argumentações a favor e contra suas teses. Para ele, a discussão se o indivíduo deve servir ao estado ou o estado deve servir aos indivíduos está errada; ambos devem servir a um bem maior, ao desenvolvimento saudável da própria sociedade.
Quarta-feira, Outubro 28, 2009
Longa Ausência
Não pretendo ter respostas sobre tudo que acontece na humanidade, não anseio em ter opiniões sobre a complexidade de nossa história sobre a Terra e não acredito que alguém tenha esta capacidade, por melhor que seja. Desconfio sempre das pessoas que parecem saber de tudo, uma espécie de enciclopédia ambulante. Taxa de juros, democracia, aborto, educação, pena de morte, dieta alimentar, ecologia, consumismo, exercícios físicos, história, política, drogas, família, etc. Se você tem uma opinião formada sobre cada um destes temas, desconfie. Há alguma coisa de errada sobre você.
Pensar com clareza envolve um lento processo de juntar informações, entender o problema, compreender os argumentos existente e por fim chegar a uma conclusão pessoal. Não se faz isso da noite para o dia, nem temos tempo para isso. Quem tem um pensamento sobre tudo na verdade não tem pensamento sobre nada; apenas repete pensamentos que não são seus. É muito mais fácil escolher algumas referências e decorar a pregação que recebe como um ato de fé. Se você tem menos de 40 anos a coisa é ainda pior; não tem nem a experiência ao seu lado.
Pegue um assunto qualquer, por exemplo a descriminalização das drogas. Como formar um pensamento racional, próprio sobre o assunto? Primeiro temos que ter acesso a uma enormidade de informações tais como custos para a sociedade, motivação para o consumo, motivação para o tráfico, eficiência das diversas políticas públicas, exemplos de experiências sobre descriminalização, etc. Só então podemos começar a entender o problema e conseguir formular nossas perguntas tais como: o consumo aumentará? os traficantes deixarão o crime? a violência vai diminuir? o viciado será melhor assistido? o viciado é uma vítima ou uma das causas? qual a responsabilidade individual do consumidor? Temos que escutar com atenção os argumentos já existentes sobre o assunto, entender o estágio em que se encontra o debate. Por fim, utilizamos a razão, nossos conhecimentos nas mais diversas áreas, para conseguir chegar a nossas próprias opiniões. Observa-se que quanto mais se entender das diversas áreas do conhecimento, melhores condições teremos para refletir sobre as respostas que procuramos. Não existe muita mágica, precisamos suar um bocado para construir nossas idéias sobre um assunto.
Quanto tempo seria necessário para passar por um processo destes? Difícil dizer, mas provavelmente levaria mais do que um dia, ou uma semana, ou mesmo um mês. Isso com dedicação integral, mas temos que ganhar nossa vida, interagir com as pessoas a nossa volta, descansar, etc. Quanto tempo sobra em um dia para se dedicar a uma questão objetiva? E se tivermos pensando em várias coisas ao mesmo tempo?
Talvez devêssemos ser um pouco mais humildes antes de sairmos pregando tudo que escutamos como se fossem verdades evidentes ou fatos. Quantos conseguem dizer na hora de uma discussão, com sinceridade, que está apenas dando uma opinião, sem qualquer base que a apóie? Que muitas vezes está confundindo o que deveria ser com o que realmente é. Que pode estar completamente errado em suas suposições?
Por isso tudo, é preciso ter calma antes de chegar a conclusões. Uma boa dose de ceticismo é importante para quem quer raciocinar com clareza e formar um pensamento próprio. Escolher alguns modelos e segui-los é um caminho fácil, difícil é se perguntar: e se ele estiver errado? E se este pensamento em que acredito for uma fraude? Temos a humildade suficiente para reconhecer um erro ou pelo menos compreender que podemos estar sendo enganados?
Quando começo a ter opinião sobre tudo, a dar respostas para qualquer questionamento é sinal de que estou com um problema pois ninguém pode ter a resposta para tudo. Hora de parar, tomar uma boa dose de humildade e começar a questionar. Quem tem respostas antes de se fazer as perguntas é um mero repetidor, provavelmente de um grande número de bobagens.
Quem escreve textos públicos, principalmente em blogs e redes sociais, deve rever o que andou escrevendo. Quantos questionamentos existem nos textos? Quantos pontos de interrogação? Se não vir nenhum sinal deles é porque existe uma grande chance de ter se deixado dominar pela própria vaidade e considerar-se em alguma missão de iluminar a humanidade. Não seria este um caminho para a ignorância? Para o preconceito? Para o obscurantismo?
Afinal, o que desejemos em matéria de sabedoria? Estar certos ou entender a realidade? Queremos ilusão ou verdade? O que desejamos para nós?
São perguntas que deve estar no princípio de cada pensamento que desejamos formular. Pelo menos na opinião deste ignorante que volta e meia julga saber mais do que de fato sabe...
Quarta-feira, Outubro 21, 2009
Obama joga duro em política externa!
Com as negociações novamente estancadas em Honduras, os EUA voltaram a cancelar vistos de pessoas ligadas ao governo interino, de Roberto Micheletti, em apoio ao presidente deposto Manuel Zelaya.
A medida, adotada anteontem, foi anunciada pelo próprio Zelaya. "São membros muito próximos deste golpe de Estado, há vários grupos importantes de pessoas", disse, em entrevista anteontem à noite na embaixada brasileira em Tegucigalpa, quando divulgou um comunicado informando que o diálogo estava "bloqueado".
"Isso demonstra o mal-estar de Washington diante da intransigência no diálogo. Há outras atividades que, dentro do multilateralismo da OEA, os EUA também vão atuar", disse Zelaya, que mantém contato telefônico constante com o embaixador americano em Tegucigalpa, Hugo Llorens. Ele se recusou a especificar quais seriam as "outras atividades".
A legislação americana veta a divulgação do nome e do número de pessoas atingidas por medidas do tipo, mas, segundo a Folha apurou, desta vez entraram empresários pró-Micheletti e até estudantes filhos de membros do governo nos EUA.
Comento:
O mesmo governo que deseja conversa com tudo que tipo de democrata na face da terra(Irã, Sudão, Coréia do Norte, Cuba, etc) nega se entender com um terrorista que ameaça o mundo com seu arsenal de bananas, no caso o presidente de Honduras Roberto Micheletti. Seu crime? Cumprir a constituição do seu país e colocar para fora um vagabundo que desejava instalar o pacote boliviano à força. Aliás, nem foi Micheletti que o colocou para fora, foi a suprema corte de Honduras! Nunca se viu um golpe de estado assim! A suprema corte decidiu, o Congresso referendou, as forças armadas executaram a ordem (e depois voltaram para o quartel) e a linha de sucessão foi cumprida (o vice renunciou para não ficar inelegível). O novo ditador assumiu um governo com menos de um ano de mandato, não vai concorrer ao cargo em novembro nem nunca mais(a lei não permite) e pediu supervisão internacional para as eleições. Ah, e as pessoas podem entrar e sair do país sem problemas, exceto os chavistas por motivos óbvios.
Para Obama, democracia mesmo é a cubana.
Parabéns aos velhinhos de Oslo pelo merecido nobel da paz para um pacifista destes.
Simple Man - Lynyrd Skynyrd
Simple Man
Mama told me when I was young
Come sit beside me, my only son
And listen closely to what I say.
And if you do this
It will help you some sunny day.
Take your time... Don't live too fast,
Troubles will come and they will pass.
Go find a woman and you'll find love,
And don't forget son,
There is someone up above.
(Chorus)
And be a simple kind of man.
Be something you love and understand.
Be a simple kind of man.
Won't you do this for me son,
If you can?
Forget your lust for the rich man's gold
All that you need is in your soul,
And you can do this if you try.
All that I want for you my son,
Is to be satisfied.
(Chorus)
Boy, don't you worry... you'll find yourself.
Follow you heart and nothing else.
And you can do this if you try.
All I want for you my son,
Is to be satisfied.
(Chorus)
Segunda-feira, Outubro 19, 2009
Três Sermões do Padre Antônio Vieira
Padre Vieira posiciona-se de maneira firme e mostra como o cristianismo é incompatível com a escravidão. As palavras abaixo são belíssimas e mostram sua inspiração e talento:
Estes homens não são filhos do mesmo Adão e da mesma Eva? Estas almas não foram resgatadas com o sangue do mesmo Cristo? Estes corpos não nascem e morrem, como os nossos? Não respiram com o mesmo ar? Não os cobre o mesmo céu? Não os aguenta o mesmo sol? Que estrela é logo aquela que os domina, tão triste, tão inimiga e tão cruel?
Para falar da escravidão, Vieira trata do cativeiro da babilônia e apresentava uma mensagem de esperança aos negros escravos, nada acontece sem uma razão. O cativeiro dos filhos de Israel fez parte da conquista da liberdade que viria depois. Em uma mensagem bastante atual, lembra: David gerou a Salomão. David significa o guerreiro; Salomão o pacífico. "Nascer Salomão de David quer dizer que da guerra havia de nascer a paz; e assim foi". Vieira já entendia que muitas vezes a paz só pode ser assegurada pela guerra, um paradoxo mais vivo do que nunca nos tempos atuais.
Apesar da condenação que Vieira fazia à escravidão dos negros, sua crítica era mais profunda, referia-se ao conceito mais amplo. Para ele, haviam dois tipos de escravidão, a do corpo e da alma. O que usualmente considera-se como escravo é apenas um destes tipos, a do corpo. A segunda forma de escravidão era ainda mais profunda, a da alma. O mais interessante é que esta só ocorre por permissão do cativo, a escravidão da alma é opcional. "De que modo se cativam as almas? Quem são os que as vendem, e a quem as vendem, e por que preço? ... os que as vendem, é cada um a sua; a quem as vendem é ao demônio; o preço por que as vendem é o pecado".
Lembrei do martírio dos judeus na segunda guerra. Seus corpos foram escravizados pelos nazistas, mas suas almas permaneceram intactas ao caminharem com dignidade para os fornos crematórios. O mesmo vale para os camponeses russos dizimados pela engenharia social soviética, os escravos negros que vieram da África. O que mais me incomoda nos dias de hoje é que em nome de um progresso utópico se deseja a escravidão da alma, coisa que Orwell captou bem em 1984.
Padre Vieira conseguiu fazer um posicionamento claro contra qualquer tipo de escravidão e evidenciar que não havia lugar para a submissão de um homem ao outro dentro da doutrina de Cristo.
Sermão da Visitação de Nossa Senhora
Neste sermão, Vieira denuncia a enfermidade de todo um país, O Brasil. Para ele, o país carecia da privação da justiça. "É pois a doença do Brasil (...) falta da devida justiça, assim da justiça punitiva, que castiga maus, como a justiça distributiva, que premia os bons".
Vieira mostra que a justiça tem duas faces, uma punitiva e outra distributiva. Observando o debate(?) que existe no Brasil de hoje, há um clara confusão do conceito de justiça, contaminado por anos de contaminação cultural marxista. A justiça punitiva é rechaçada e busca-se um ideal utópico de inexistência do mal, de ausência do crime, de não responsabilização dos agentes. Por outro lado, muito se defende a mediocridade, a falta de valorização do bem, o nivelamento por baixo. Já escutei em um estabelecimento de ensino que não se deve premiar os bons alunos para não causar constrangimento aos medianos ou fracos, que um professor não pode ganhar uma bonificação por seu desempenho por ser uma injustiça com os menos competentes. Será que o diagnóstico de Vieira aponta ainda hoje para a raiz de nossos males? Será a falta de justiça o que temos de pior? Nas palavras do religioso:
.
.. e esta é a causa original das doenças do Brasil - tomar o alheio, cobiças, interesses, ganhos e conveniências particulares, por onde a justiça se não guarda e o Estado se perde.
Sermão do Espírito Santo
Este é um dos sermões de Vieira que possui uma mensagem evidente mas que pode revelar muito mais. Escrito como uma reflexão sobre a catequese dos Índios, serve para a relação do homem com a revelação da verdade divina ou mesmo para a educação em seu sentido mais completo.
Lembra que para ensinar não basta palavras e conhecimento, é preciso amor, "o mestre na cadeira diz para todos, mas não ensina a todos". Isto não vale apenas para quem ensina, mas para quem aprende também. Não basta apenas ouvir, é preciso que se deixe a luz penetrar no espírito. "Para converter almas, não bastam só palavras, são necessárias palavras e luz:.
Falando especificamente sobre o Brasil, Vieira lembra da lenda que São Tomé teria vindo ao país em sua viagem ao oriente. Deus teria dado esta incumbência para o mais incrédulo dos apóstolos porque aqui a carga seria mais pesada; no Brasil pregaria aos mais bárbaros. Quando os portugueses chegaram no século XVI teriam encontrado rastros do pregador, mas não rastros da pregação. E qual seria o grande problema dos índios brasileiros? A facilidade que tinham para crer. Esta facilidade traduzia-se também na grande rapidez para perder a crença adquirida. O índio brasileiro não opunha resistência ao evangelho, mas sua crença na verdade era uma incredulidade, uma falsa fé. Não seria o brasileiro de hoje um depositário da característica dos índios de ontem?
Sábado, Outubro 10, 2009
Miss Universo para o Nobel da Paz!
__ Sabe, eu acho que foi feito uma injustiça muito grande. Tem outra pessoa que também pede paz no mundo e não foi considerada.
__ Quem?
__ A Miss Universo!
__ ?!?
__ Não faça cara de assustado. Lembra daquele filme "Miss Simpatia"? Retrata bem isso, todas as candidatas a Miss clamam por paz no mundo quando é perguntado seu principal desejo.
__ Mas é da boca para fora! Não percebe que na prática elas não fazem nada neste sentido!
__ Ué, e tem que ter conecção com a prática? O próprio Obama disse ontem que seu nobel foi mais um convite a ação do que um reconhecimento, afinal, quando foi votado o prêmio não tinha nem 15 dias no cargo!
__ Você é um paspalhão. Não percebe que tudo na Miss Universo é falso! O sorriso protocolar, a beleza, é tudo falso!
__ ?!?
__ Por que a cara de espanto? Disse alguma besteira?
__ Não sabia que para receber um nobel tinha que ser autêntico...
Quinta-feira, Outubro 08, 2009
We're not Gonna Take It!
O fim justificaria toda a privação de liberdade com a nova condição, um futuro radioso é prometido a eles. No fim, eles se revoltam e bradando "We're not gonna take it" e literalmente quebram a banca.
É assim que vejo aqueles que defendem o Estado como grande transformador político. Em muitos casos, já passaram para o estágio de verdadeira adoração. Lembrei também de uma frase que li há pouco tempo em um artigo da Dicta e Contradicta: todo ser humano tem um mestre. O problema é o mestre que escolheu para si.
O mesmo problema já tinha abordado por Giovanni Reale em "O Saber dos Antigos". Quando Nietzsche evidenciou que o homem moderno tinha matado Deus, a pergunta que ficou foi: quem assume seu lugar? Reale aponta que a tragédia do homem passou a ser a substituição de Deus em sua vida. Uns escolheram o hedonismo, outros a ciência, outros a violência, a ideologia, o materialismo e assim vai. Está na morte de Deus, no niilismo, a raiz dos males atuais.
Vejo outros deuses atuando no coração dos homens e o Estado é um deles. Em um mesmo conceito foi concentrado nação, país, governo, virtude e futuro. Tudo que é importante para o homem deve ser gerido pelo Estado pois apenas este tem a superioridade moral necessária para lidar com nossos problemas. Nesta hora, enxergam-no como uma pessoa infalível esquecendo que na verdade não existe Estado, mas pessoas. Na verdade, nós somos o Estado. O que estamos transferindo é o nosso destino para um crescente grupo de burocratas profissionais e políticos, que agem sob o quarda-chuva de uma entidade divinificada.
Reparem como Tommy no início do vídeo abaixo, do filme de Ken Russel, corrige seus seguidores tomando de suas mãos bebidas, cigarros e mais interessante ainda, adverte uma pessoa que um "velho senhor normal" mostrando o ideal transformador de sua mensagem. Todos estes fogem do padrão que deseja estabelecer:
Hey you, gettin' drunk,
So sorry, I've got you sussed.
Hey, you, smokin' mother nature,
You missed the bus.
Hey, hung up old Mister Normal,
Don't try to gain my trust.
'Cos you ain't gonna follow me
Any of those ways,
Although you think you must!
Now you can't hear me,
Your ears are truly sealed!
You can't speak either,
'Cos your mouth is filled.
You can't see nothing,
And pinball completes the scene.
Here come willing helpers
To guide you to
Your very own machine!
Onde entra a máquina de Pinball? Não seria uma versão do famoso pão e circo? Ou de forma mais sutil, a máquina de Pinball é tudo aquilo que afasta do homem da compreensão do que está acontecendo, da privação que está se submetendo em favor de um ideal, por mais sem sentido que seja. Pete Towshend não estava condenando o Estado em sua obra, fazia uma crítica das falsas religiões. O fato do Estado encaixar perfeitamente em sua criação é mais uma evidência que o Estado, da forma que é visto hoje por grande parte das pessoas, tornou-se a maior delas. Não nos deixemos enganar, como diz a música, sempre terá ajudantes solícitos prontos para levar-nos para nossa "very own machine".
Parafraseando Marthin Luther King, eu tenho um sonho. Sonho com o dia em que as pessoas removerão as vendas de seus olhos, os tampões dos ouvidos, a rolha de suas bocas e bradarão como os seguidores de Tommy: we're not gonna take it! We're not gonna take it!
Quanto mais este dia demorar, maior será as dificuldades para eliminar o próprio monstro que a sociedade elevou a uma condição que nunca deveria ter alcançado.
Quarta-feira, Outubro 07, 2009
Discurso de Metafísica - Leibniz
Olimpíadas no Brasil
Terça-feira, Outubro 06, 2009
Segunda-feira, Outubro 05, 2009
Enfrentando a realidade

O gráfico acima é bem interessante. Mostra a taxa de desemprego nos Estados Unidos e compara com as previsões do governo Obama utilizadas para aprovar o pacote de "estímulo" no início do seu governo. Estímulo é o nome que foi dado à autorização do Congresso para gastar sem receitas, aumentando o déficit público, ou tirando mais da sociedade, aumentando impostos, para ser utilizado pelo governo em uma série de projetos que resultariam em um estímulo à economia. Muitos destes projetos são controversos pois buscaram apenas atender os interesses das bases de apoio de Obama e dos democratas. Cada vez mais acredito que David Goldman está certo e não há nenhuma medida econômica que a resolva.
Normalmente quando um plano governamental não dá certo, principalmente na economia, a solução é aumentar a dose do remédio. Aguardemos o próximo pedido de dinheiro para aumentar ainda mais o "estímulo".
O mundo real é bem diferente dos sonhos da obamamania. Como atesta o segundo reator nuclear dos iranianos, mais um para produzir energia nuclear para fins "pacíficos" por um país montado sobre petróleo.
