Depois de dois anos a espreita, consegui finalmente achar no Sebo Virtual o livro "O Século do Nada" de Gustavo Corção.
Para quem não sabe, Corção foi uma das maiores mentes que o Brasil já teve. Por que nunca ouviram falar dele? Porque o homem era ao mesmo tempo católico e conservador. A esquerda, que passou a dominar o mercado editorial brasileiro ainda na década de 70 (pode-se chamar de ditadura um regime que permite tal coisa?), resolveu jogá-lo no anonimato tamanho era o ódio que tinha pelo velho intelectual(no melhor sentido do termo).
Já li a introdução deste livro na biblioteca da UNB ano passado. Foi de cair o queixo. Que estilo! Que visão! Que caráter! Ainda lembro de sua narrativa lamentando que os soviéticos tivessem chegado antes de Berlin; reclamava que tínhamos vencido a guerra mas perdido a paz. Como podia-se sair nas ruas comemorando o fim de um regime que no fim das contas foi derrotado por um regime ainda mais cruel e desumano?
Este era corção. Estou lendo um livro dele agora, também encontrado depois de muita procura em um sebo aqui em Brasília. Chama-se A Tempo e Contra Tempo. Fala, entre outras coisas, de sua tristeza com a onda progressista dentro da Igreja Católica e a influência nefasta dos padres socialistas. Sobre ele, falo depois.
Que venha mais este livro do mestre!
Sexta-feira, Julho 10, 2009
Quinta-feira, Julho 09, 2009
Leitura de gente grande
Ontem, às 22:00, comecei a leitura de El Ingenioso Hidalgo Don Quixote de la Mancha. Em espanhol.
Tarefa de gente grande.
Veremos por quanto tempo vou ler as aventuras de um homem que se recusava a ver a realidade do mundo.
Um precursor dos modernistas.
Tarefa de gente grande.
Veremos por quanto tempo vou ler as aventuras de um homem que se recusava a ver a realidade do mundo.
Um precursor dos modernistas.
Segunda-feira, Julho 06, 2009
Nada mais triste...
...do que ver o presidente dos Estados Unidos correndo para se alinhar com Hugo Chávez, Rafael Corrêa, Cristina K. e Daniel Ortega.
Um verdadeiro circo de aberrações.
Barack Hussein Obama faz questão de deixar aberto diálogo com gente como estes esquerdistas de miolo mole, além de gente do estirpe do presidente iraniano e da Coréia.
No entanto, não quer papo com as autoridades de Honduras que cumpriram a constituição e afastaram do poder um presidente, eleito sim, mas que conspirava (ele não nega) para mudar as leis do país e conseguir a re-eleição, o que é frontalmente proibido pela carta. Tão proibido que qualquer autoridade deve ser imediatamente de ousar propor qualquer medida neste sentido, o que aconteceu com o presidente hondurenho.
Tem muito mais coisa em jogo do que a pequena Honduras. Existe um princípio que vai se firmando nas Américas, inclusive ao norte do México, que se existe eleição então a democracia está garantida. Não foi a toa que o governo americano, através de Hilary Clinton, comprimentou Chávez por sua vitória em um referendo para lá de duvidoso. Este negócio de obedecer constituição e, principalmente, princípios democráticos como alternância de poder, causa calafrios na esquerda do continente. Não pode haver limites para o poder.
Quando Rafael Corrêa usou seu país para abrigar terroristas das FARCs e o governo colombiano os bombardeou impiedosamente e o circo latino americano se levantou contra Uribe, George Bush, o odiado, foi praticamente o único (só lembro do presidente peruano), que se colocou ao lado de um governo democrático contra um bando de sanguinários.
Agora, o pacifista Obama corre para defender um presidente que tramava um golpe de Estado.
Esse é o change que tanto prometeu. Ninguém pode reclamar que não foi avisado.
Receita para sair da barbárie
Pouco mais é exigido para que um estado, saindo do maior barbarismo, seja levado ao mais alto grau de opulência, do que paz, impostos simples e uma tolerável administração da justiça.
Adam Smith
El Informe de Brodie - Jorge Luis Brodie
Já há algum tempo eu planejava ler um livro no idioma espanhol. Resolvi começar por um de contos e escolhi este do argentino Jorge Luis Borges, seguindo dica sempre proveitosa do peruano Mario Vargas Llosa.
Os contos que constituem El Informe de Brodie caracterizam-se pela simplicidade e pela fluidez com que Borges apresenta suas situações, além da elegância do estilo, coisa de quem sabe. Como todo grande escritor, percebe que vida e morte são os grandes assuntos da literatura, e a última sempre vence a primeira.
Situações triviais acabam por encontrar um desfecho muitas vezes surpreendente, como nos excelentes El Evangelio según Marcos e El Otro Duelo. Muitas vezes a solução é bem simples, como no conto que abre o livro, La intrusa, que chega ao leitor como um soco no estômago, de forma inesperada.
Borges mostra todo seu talento como contista, figurando na galeria dos mestres. Consegue aliar o simples ao profundo e arrancar do leitor o espanto, a reflexão; além de um panorama dos tipos que fizeram a América Latina no século passado.
Domingo, Julho 05, 2009
Eugênia Grandet - Honoré de Balzac
Publicado pela primeira vez em 1833, Eugênia Grandet é uma das genuínas grandes obras literárias da história. Impressiona a concisão e escolha de palavras de Balzac para narra sua estória. O leitor fica sabendo de toda a avareza do Sr Grandet quando ele anuncia com uma simples frase:
"Como é aniversário de Eugênia, vamos acender o fogo!"
Que palavras a mais precisa quando o pai de uma única filha diz que precisa de uma ocasião especial, o aniversário dela, para acender a lareira? Balzac mostra o poder que o dinheiro tem sobre os que cobiçam, sobre os pobres de espírito. Toda uma corte se reúne em volta do velho, conspirando para conseguir a mão de Eugênia e, com ela, a fortuna que apenas especulam.
Contrastando com eles, um trio de mulheres mostram-se a expressão do valor moral, da solidariedade, do desapego a tudo que for material. Trata-se da jovem, sua mãe, a senhora Grandet, e a criada Nanon.
Eugênia apaixona-se pelo primo, Carlos, criado em Paris, em quem reconhece uma alma semelhante a sua, um jovem que sofre pela perda do pai. Entretanto, em sua inocência, ela não percebeu que já existia nele as sementes do amor ao dinheiro e da frouxidão moral. Balzac já visualizava o caminho que o relativismo levaria a humanidade: "À força de rolar entre homens e países, observando-lhes os costumes contraditórios, suas idéias se modificaram, tornou-se um cético. Passou a não mais ter noções fixas sobre o justo e o injusto, vendo tachar de crime num país o que em outro era virtude".
Balzac mostra que o amor ao dinheiro leva a um paradoxo final, a morte. Por mais ouro que acumule, o Sr Grandet e seus semelhantes só possuem um final, mas cedo ou mais tarde, a morte. O desespero de um avaro quando depara-se com seus últimos dias, e sabe que não pode levar com ele o que possui, é uma triste lembrança que temos que ter mais na vida do que bens materiais. Grandet não chega nem a aproveitar para si o que possui, o conforto que o dinheiro pode dar; ao contrário, obcecado por seu tesouro, sofre por gastar cada moeda. A posse do dinheiro vale mais do que o que ele pode comprar. Grandet esquece que o dinheiro não tem nenhum valor em si mesmo quando separado de seu poder de compra.
Eugênia, uma heroína autêntica, mostra que só a um caminho para uma vida digna, o comprometimento com os valores mais elevados como a honestidade, o amor, a solidariedade. O mesmo dinheiro que para o pai é tudo, para ela não tem significado nenhum. A vida em uma sociedade que se destrói por sua própria cobiça lhe é penosa, e anseia o dia que se libertará dela. A morte, para Eugênia, assim como sua mãe, não é o fim, não é para ser temida; é a libertação de um mundo mesquinho que lhes trás apenas sofrimento.
Eugênia Grandet é um livro que mostra que no final, só podemos carregar o que temos dentro de nós. O resto é pura ilusão.
Flamengo 2 x 1 Vitória
Falta de profissionalismo
Pode uma vitória deixar o torcedor injuriado? Pois aconteceu ontem, no jogo em que o Flamengo bateu o Vitória por 2 x 1. Ficou claro, pelo menos para mim, que para o clube voltar a ser grande de fato e disputar um título brasileiro depois de duas décadas, é preciso um profissionalismo que efetivamente perdeu.
Como pode um time, vencendo apertado por 2 x 1, utilizar uma cobrança de penalti para homenagear um jogador? O que foi aquele sorriso de Ibson antes de bater mal a cobrança que poderia garantir um final tranquilo de jogo? Se o jogo tivesse 4 x 0, vai lá, mas 2 x 1?
Para completar a lambança, Pet resolve fazer uma brincadeira na saída de bola e a jogada acaba com a expulsão de Kleberson, além de sua suspensão para o próximo jogo. O que acontece no Flamengo para que as coisas sejam assim? Salários atrasados? Clima eterno de festas?
Pois o torcedor está começando a ficar cansado disso e quer ver o time campeão brasileiro novamente. Não pode um time com a torcida que tem, a história que tem, ficar mais de 15 anos sem disputar para valer o principal título nacional.
Ontem o Deus dos estádios evitou punir o Flamengo pela falta de respeito. Não vai ser sempre assim, infelizmente.
Sexta-feira, Julho 03, 2009
Poucos posts
Nas últimas semanas, estive voltado para minha volta do Haiti e o nascimento de mais uma filha, a Heloísa. Por isso as coisas andaram meio devagar por aqui, com o blog quase as moscas.
Voltei para casa na sexta passada, dia 26. A desmobilização foi tranquila e agora posso dizer que enfim acabou. Em termos. Ainda sonho bastante com o Haiti, mas acho que com o tempo estes sonhos vão desaparecendo. Brinco com minha família, agora sou veterano de guerra. He He He.
A Heloísa nasceu ontem com seus 2,935kg e 47cm. Seja bem vinda minha querida! Só de sacanagem, ela esperou os avós irem para o aeroporto para dar as caras. Só para espezinhar. De qualquer forma eles voltam dia 15 para conhecer a netinha.
Dentro em breve, o blog volta à ativa.
Quarta-feira, Julho 01, 2009
Literatura e Política - George Orwell
George Orwell é chamado igualmente de esquerdista e direitista por ambos os lados até hoje, o que só mostra o quando foi incompreendido e a necessidade de se rotular um autor. A confusão começa pelo fato de Orwell ter sempre se intitulado socialista mas ter sido um dos autores que mais veementemente condenou o regime implantado na Rússia, isso quando ainda os crimes do regime Stalinista eram em grande parte desconhecidos. O que seus críticos não conseguem compreender, é que Orwell era comprometido com a verdade, mesmo que contrariasse suas próprias idéias. Ele não tinha compromisso com o erro.
Literatura e Política reúne artigos que escreveu no Observer durante a II Guerra Mundial e os anos que se seguiram ao fim do conflito. Mais do que os acontecimentos em si e as obras retratadas, os artigos possibilitam entender um pouco as convicções do jornalista, entender como foi possível obras como 1984 e A Rebelião dos Bichos.
Sim, Orwell era um crítico do capitalismo, achava que haveria uma outra solução para a humanidade, uma baseada na solidariedade. No entanto, essa solução jamais poderia vir pela força, pela submissão do indivíduo ao estado. Orwell rejeitava inteiramente a solução totalitária, uma convicção que só cresceu diante da carnificina da II Guerra Mundial.
No conjunto, os artigos mostram uma mente arguta, sempre atenta aos acontecimentos e às possíveis repercussões. Seu compromisso com os fatos, com a verdade, mostram como faz falta nos dias de hoje uma mente como a sua, independente de posições políticas.
Domingo, Junho 14, 2009
Machado de Assis - Lúcia de Miguel Pereira
Em uma de suas últimas aulas, Bruno Tolentino disse que se Machado de Assis foi possível, então o Brasil era possível e sugeriu um livro, a biografia do maior autor brasileiro, de autoria de Lúcia de Miguel Pereira. Para ele, três livros eram fundamentais para entender o Brasil: Raízes do Brasil, Casa Grande e Senzala e Machado de Assis. Fiquei curioso, Tolentino substituía na lista usualmente apresentada, Caio Prado Júnior por "tia Lúcia".
Depois de ler "Machado de Assis" entendi o porque. Ao invés de uma análise econômica pelo viés marxista, Tolentia colocou o indivíduo em sua melhor acepção. Um mulato pobre, nascido ainda no período da escravidão, criado de favor, epilético e autodidata tornou-se o grande nome da literatura brasileira. Criou uma sombra tão poderosa que nenhum outro tentou fazer-lhe sombra, fugindo de qualquer comparação com este gênio. Machado mostra que o homem pode superar o meio em que vive e foi criado, superar os preconceitos e pelo próprio esforço e talento. Quer melhor resposta ao marxismo, esta doença que ainda nos aflinge, do que uma biografia de Machado de Assis?
Lúcia de Miguel Pereira mostra por que só podemos entender a pessoa de Machado por sua obra, o quando se desnudou nas páginas de seus livros. Na poesia, nos contos, na crônica, nos romances, Machado mostrou suas incertezas, sua angústias, suas culpas, seus receios. Tratou com extrema sensibilidade e paixão o tema que mais o impressionava, o homem, o indivíduo. O homem não era uma categoria, uma representação de um grupo. Era único, completamente imprevisível, cheio de nuances e vontade própria.
Apesar de pessimista, a visão de Machado era fundamentalmente irônica, mostrando pelo ridículo as imperfeições da condição humana. Imperfeições que pare ele não teria cura. Não existe um novo homem a ser construído e o mundo não é um lugar sério para se viver.
Quando vejo que cada vez mais querem banir a ironia do mundo, começo a entender por que. A ironia é a chave para desmascarar os absurdos, a falta de senso comum, a idiotice que assola o mundo de hoje. Não é a toa que os grandes reformadores querem bani-la de qualquer forma, temem ser desmascarados quando o observador reparar no ridículo de suas pretensões.
Através de sua ficção, Machado nos deu o caminho para entender melhor nossa condição e o mundo a nossa volta. Um santo remédio para as ilusões que nos são vendidas a cada dia e com maior rapidez.
Retomando Bruno Tolentino, "Machado de Assis" é um sopro de esperança. Se acreditarmos que o homem é possível, mesmo na imperfeição que se encontra, podemos acreditar que assim somos todos. A pergunta é: o quando de Machado de Assis temos em cada um de nós?
As 10 mais do Haiti
Chegando ao fim, é hora de registrar as músicas que marcaram esta época da minha vida. Se ainda é difícil fazer um balanço dos 9 meses de missão (contando desde a apresentação em Aquidauana para a preparação), fica esta lista, com seus significados.
A Matter of Time - Los Lobos
Primeiro fim de semana da missão; fomos para Campo Grande. Alugamos um carro em Aquidauana. Como tinha um rádio, acabei comprando alguns cds. Não sei bem por que, mas acabei comprando um coletânea do Los Lobos, banda que nunca tinha escutado. Nos rendeu momentos bastante divertidos andando pelas ruas da capital do Mato Grosso do Sul.
Como Ser Feliz Ganhando Pouco - O Bando do Velho Jack
Banda de Campo Grande, fez um show neste mesmo final de semana. Chegamos a ir no local, mas não tinha mais ingresso; estava lotado. Um monte de gente ficou do lado de fora, bebendo e escutado músicas. Eu e o Jair conhecemos o Bando pelo pouco que dava para escutar, do lado de fora do bar. No dia seguinte comprei um cd no shopping. Escutei o som do Bando praticamente durante todo o preparo. Além de lembrar de um amigo dos tempos de Santarém, que agora mora em Aquidauana, e que primeiro tinha me falado sobre a banda.
Seven Nation Army - The White Stripes
Outra banda que não tinha parado para escutar. Quando escuto Seven Nation Army, lembro do caminho para a praia, em um dos primeiros finais de semana em Porto Príncipe. Não foi um programa que se repetiu muito porque os domingos foram mais dedicados ao "nadismo", ou seja, a ficar morgado esperando o tempo passar. E recuperando das ressacas dos sábados.
Funk #49 - The James Gang
Esta foi uma presença constante nas corridas ao redor da base. No início até que tive empolgação, depois as corridas se transformaram em caminhadas sem som, normalmente conversando com o Jair. Tinha feito planos no Brasil de fazer algum plano de treinamento e usar o Haiti para entrar em forma; deu tudo errado. Só no final, nas últimas semanas, que usei a página da nike para montar um programa de 11 semanas e até agora, na quarta, segui a risca. Antes tarde do que nunca.
Going Up The Country - Kitty, Daisy and Lewis
De tanto escutar Donnas, Blondie e Jefferson Airplane, bandas com vocais femininos, acabei dando uma "googlada" para procurar coisas novas. Através de um site fiquei sabendo de uma banda formada por irmãos, ainda garotos, que tocavam... rockabilly! Fiquei curioso e assim descobri Kitty, Daisy and Lewis. O fato da banda ser uma família __ eles tocam com os pais acompanhando __ em um momento que estava longe da minha, acabou criando uma conexão interessante.
Where to Now St Peter - Elton John
Nunca dei a devida atenção para Elton John. No meu primeiro leave, teve o show do Rio de Janeiro e lembro que assisti, da televisão, junto com o Luan. Na volta, passando por Miami, comprei dois discos. Esta música, pela temática e letra, casou muito com as coisas que andei refletindo no período que passei aqui no Haiti.
Back to Black - Amy Winehouse
Esta é para lembrar das farras de sábado a noite. Por farra, entendam ficar bebendo, batendo papo e escutando música. Tinha um colega que depois de algumas doses, usando todo seu inglês, começava a pedir algo como: coloca Amy westwesthouse. Sempre rendeu boas gargalhadas. A música acabou virando hit dos fins de noite.
Somebody to Love - Jefferson Airplane
As corridas do início de missão também foram importantes para escutar mais Jefferson Airplane. Somebody to Love é uma daquelas músicas que não saem da cabeça e ficava constantemente cantarolando-a pela companhia.
It's a Mistake - Men At Work
Hino da República Dominicana. Não tem como esquecer eu, Jair e Bertoldo andando em um Corola de câmbio automático pelas ruas de Santo Domingo, muitas vezes perdidos. Uma das brilhantes idéias foi ir a um shopping no domingo rendendo-nos uma volta ao mundo para chegar lá. O pior é que o shopping era um grande m... Mas as lembranças foram as melhores possíveis, principalmente da noite do Hard Rock Cafe.
Maria - Blondie
Esta é a música que estou mais escutando no momento, o hit de final de missão. Enfim, acabou. Dentro de 9 dias estou voltando para o Brasil e retomando minha vida. Valeu a pena? Ainda é cedo para dizer, tenho que me livrar da carga emocional que ainda está muito presente para refletir com um pouco mais de isenção.
Segunda-feira, Junho 08, 2009
Sobre patriotismo
A Petrobrás é uma empresa pública. Deve prestar contas para a sociedade dentro da lei vigente.
É papel do poder legislativo fiscalizar o executivo. É papel da oposição a qualquer governo fiscalizá-lo. Para isso a constituinte instituiu a Comissão Parlamentar de Inquérito, instrumento que tornou possível expulsar um presidente da república corrupto, esmiuçar um esquema de corrupção do orçamento e desvendar um sistema de compra de votos no Congresso.
Defender que a Petrobrás não pode ser investigada é inaceitável. Defender que investigá-la é um ato anti-patriota é estupidez. No sentido mais rigoroso do termo.
Patriota é defender a sociedade brasileira, mesmo contra a opressão de um estado perdulário e ineficiente e um governo corrupto. Patriota é desejar que os brasileiros possam, por seus próprios métodos, melhorar suas condições de vida, de norte a sul do país.
Engraçado que os mesmos que defendem que todos os políticos são corruptos, são os mesmos que defendem que as riquezas de uma nação devem ficar no comando... dos políticos!
Será tão anti-patriótico tirar a carga de um estado incompetente de nossas costas para que possamos produzir?
Tirar os incompetentes da burocracia estatal da direção de um dos piores sistemas educacionais do mundo?
Desejar algo mais para nosso povo do que uma compra de votos na forma de esmola oficial?
Defender a liberdade de imprensa?
Defender a alternância de poder?
Defender que o partido do governo entenda que não possui direitos sobre o estado por que ganhou a eleição?
Defender que a constituição e as leis sejam cumpridas?
Defender que o público esteja separado do privado?
Quando foi que defender uma nação, e não o estado, tornou-se tão anti-patriota?
É papel do poder legislativo fiscalizar o executivo. É papel da oposição a qualquer governo fiscalizá-lo. Para isso a constituinte instituiu a Comissão Parlamentar de Inquérito, instrumento que tornou possível expulsar um presidente da república corrupto, esmiuçar um esquema de corrupção do orçamento e desvendar um sistema de compra de votos no Congresso.
Defender que a Petrobrás não pode ser investigada é inaceitável. Defender que investigá-la é um ato anti-patriota é estupidez. No sentido mais rigoroso do termo.
Patriota é defender a sociedade brasileira, mesmo contra a opressão de um estado perdulário e ineficiente e um governo corrupto. Patriota é desejar que os brasileiros possam, por seus próprios métodos, melhorar suas condições de vida, de norte a sul do país.
Engraçado que os mesmos que defendem que todos os políticos são corruptos, são os mesmos que defendem que as riquezas de uma nação devem ficar no comando... dos políticos!
Será tão anti-patriótico tirar a carga de um estado incompetente de nossas costas para que possamos produzir?
Tirar os incompetentes da burocracia estatal da direção de um dos piores sistemas educacionais do mundo?
Desejar algo mais para nosso povo do que uma compra de votos na forma de esmola oficial?
Defender a liberdade de imprensa?
Defender a alternância de poder?
Defender que o partido do governo entenda que não possui direitos sobre o estado por que ganhou a eleição?
Defender que a constituição e as leis sejam cumpridas?
Defender que o público esteja separado do privado?
Quando foi que defender uma nação, e não o estado, tornou-se tão anti-patriota?
Hitler e os Alemães - Eric Voegelin
Mais do que esmiuçar as condições que permitiram que o nazismo fosse implantado na Alemanha, o que faz com extrema maestria, Voegelin mostra como um pensamento totalitário toma conta de uma sociedade no nível individual, através da perda de contato com a realidade. Hitler não tomou o poder por acaso ou por ter iludido toda uma nação, ele se tornou poderoso porque seu povo o aceitou e tolerou. A história do nazismo é uma história do desprezo pela sorte do próximo, da perda da noção fundamental que o que atinge a meu semelhante também me atinge.
A riqueza deste livro, a compilação de um seminátio dado por Voegelin na década de 60, está no diagnóstico da corrupção moral de uma sociedade, condição essencial para que aceitasse o nacional-socialismo e seus crimes. Vogelin ignora tanto a tese da culpa coletiva, a que toda a sociedade seria responsável por seu destino, o que implicaria na absolvição individual, quanto a que Hitler teria sido um gênio que a todos enganou. Na verdade, tratava-se de um estúpido __ termo que aplica com rigor filosófico __ mas com suficiente desejo de poder para conseguir representar os desejos dos alemães. A assenção dele ao poder foi a maior evidência da falência da própria sociedade que vivia.
É um livro fenomenal porque não se trata apenas de história; na verdade, é mais presente do que nunca. As ideologias estão aí, mais vivas do que nunca, afastando os homens do mundo real para viver um mundo idealizado por aqueles que não conseguem, ou não querem, viver o que herdaram. A personificação deste homem moderno, divorvidado da realidade, está em Dom Quixote. Sancho Pança é a sociedade que lentamente deixa-se levar pelo mundo fantástico do pretenço cavalheiro e abandona o mundo real para viver das promessas e esperanças dos ideólogos.
Hitler e os Alemães é um destes livros de utilidade pública. Para quem não quer ser arrastado pela massa e perder a capacidade de pensar por si próprio. Voegelin foi uma dessas pessoas que soube identificar o maior perigo das ideologias, a desumanização do homem.
Hitler e Os Alemães - Resenha Completa
A riqueza deste livro, a compilação de um seminátio dado por Voegelin na década de 60, está no diagnóstico da corrupção moral de uma sociedade, condição essencial para que aceitasse o nacional-socialismo e seus crimes. Vogelin ignora tanto a tese da culpa coletiva, a que toda a sociedade seria responsável por seu destino, o que implicaria na absolvição individual, quanto a que Hitler teria sido um gênio que a todos enganou. Na verdade, tratava-se de um estúpido __ termo que aplica com rigor filosófico __ mas com suficiente desejo de poder para conseguir representar os desejos dos alemães. A assenção dele ao poder foi a maior evidência da falência da própria sociedade que vivia.
É um livro fenomenal porque não se trata apenas de história; na verdade, é mais presente do que nunca. As ideologias estão aí, mais vivas do que nunca, afastando os homens do mundo real para viver um mundo idealizado por aqueles que não conseguem, ou não querem, viver o que herdaram. A personificação deste homem moderno, divorvidado da realidade, está em Dom Quixote. Sancho Pança é a sociedade que lentamente deixa-se levar pelo mundo fantástico do pretenço cavalheiro e abandona o mundo real para viver das promessas e esperanças dos ideólogos.
Hitler e os Alemães é um destes livros de utilidade pública. Para quem não quer ser arrastado pela massa e perder a capacidade de pensar por si próprio. Voegelin foi uma dessas pessoas que soube identificar o maior perigo das ideologias, a desumanização do homem.
Hitler e Os Alemães - Resenha Completa
Enquanto isso, na corte de Obama...
Os EUA estudam recolocar a Coreia do Norte na lista de Estados patrocinadores do terrorismo, declarou ontem a secretária de Estado Hillary Clinton.
George W Bush deve estar gargalhando em seu retiro. Lista de patrocinadores do terrorismo? Deve ser bem diferente da "lista do terror" de Bush, né? Afinal, agora a Coreia é apenas "patrocinadora". Com armas nucleares, claro.
Chaaaaange!!!!!
Sexta-feira, Junho 05, 2009
Para reflexão
"A Corte Constitucional alemã acaba de dar um duro golpe no voto eletrônico, ao proibir seu uso. Seus defensores não convenceram os juízes de que a antecipação e seguranças compensavam o perigo de softwares manipulados para gerar fraude eleitoral. Ou que a economia com funcionários eleitorais compensasse. Os juízes entenderam que o voto eletrônico debilita o caráter público da eleição e o eleitor comum não entende o processo e não vê garantias que o voto emitido seja o mesmo do captado pelo computador. A Corte afirma algo que muitos políticos e consultores esquecem: ‘Na República, a eleição é coisa de todo o povo e assunto comunitário de todos os cidadãos e que a função do processo eleitoral é a delegação de poder do Estado à representação popular’. Por isso, a sua legitimidade não pode ser sacrificada em função da comodidade dos funcionários e da ansiedade dos políticos. A sentença teve amplo respaldo da opinião pública".
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