terça-feira, setembro 26, 2006

Entrevista Paulo Brossard

O Programa Roda Viva da TV Cultura completou 20 anos ontém chamando novamente seu primeiro entrevistado: Paulo Brossard.
Em 1986 Brossard era o primeiro ministro da justiça da redemocratização e esbanjava otimismo, acreditando junto com seus entrevistadores, que com um choque de democracia o Brasil caminhava finalmente para um novo patamar histórico.
Este otimista desapareceu na entrevista de ontém. Era patente sua desilusão com o atual estágio da política brasileira e o próprio destino do país. Segundo ele, nestes vinte anos muitas coisas melhoraram e outras pioraram, mas no fim do programa teve dificuldade de mostrar o que de fato havia melhorado. Infelizmente não conseguia concluir seus raciocínios pois toda hora era cortado por jornalistas impacientes que desejavam respostas curtas e mais dinâmicas. Brossard é um jurista e sabe que as explicações nem sempre são curtas e simples. Para explicar a situação atual tentou mostrar a evolução dos partidos no Brasil, no intuito suponho __ porque não deixaram que continuasse __ e concluir por que não existiam partidos fortes, com identificação filosófica e ligação com os eleitores.
A mídia de esquerda se mostrou presente quando a todo momento Rodolpho Ganberini tentava associar Serra a Afif e Serra a Quércia. Claro que é uma inverdade. Realmente teve um grupo dentro do PSDB que imaginou Quércia como vice de Serra, mas o próprio candidato do PSDB afastou de imediato esta hipótese. Também não lembrou que o PT tentou oferer o lugar de Suplicy para o senado ao ex-governador. E repetiu um dos chavões da esquerda: não adianta construir presídios para combater o crime.
Brossard respondeu de pronto esta última: existem uma série de medidas na guerra contra o crime, e uma destas é sim construir presídios.
Um dia o Brasil já teve juristas como ministro da justiça. Hoje tem um advogado criminalista.
Não existe melhor símbolo do que este para o atual governo.

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