domingo, outubro 01, 2006

Dever Cívico Cumprido

Hoje cumpri meu dever cívico de votar. Já que é obrigatório considero um dever. Um dia poderei, quem sabe, exercer meu direito cívico de votar.
Em 2002 não votei. Estava fora do meu domicílio eleitoral. Estava indiferente à eleição. Tinha um leve esperança em Ciro Gomes, que hoje dou graças de não ter ganho, mas de modo geral estava desanimado. Nunca gostei do José Serra, talvez porque ele também nunca gostou de militar. E o Lula era o Lula. Nunca acreditei em discurso de esquerda e hoje sou mais convicto a este respeito do que antes.
Achava que o melhor para o país era a vitória do PT. Seria a oportunidade do partido deixar de ser uma atirador de pedras e passar a ser vitrine. O partido tinha uma áurea meio mística, de diferente, de acima da política mundana. Nunca acreditei nisto, e tinha a esperança que no poder revelasse a sua verdadeira face.
O engraçado é que sempre achei que o que se tornaria mais evidente seria a incopetência que o partido apresentaria para governar o país. Aquele papo de honestidade até que tinha colado, confesso. Não achei que fossem corruptos, talvez um caso aqui, outro acolá. Sobretudo achava que a visão esquerdo-socialista se mostraria um fracasso administrativo gigantesco.
Passado quatro anos constatei que não tivemos um governo de esquerda. Tivemos um governo populista da pior espécie. Discurso e bolsa-esmola para o povão e juros altos para os banqueiros.
Nossa política externa foi jogada no ralo. Diplomatas de carreira estão vendo impassíveis toda uma tradição histórica ser arruinada por Celso Amorim e o nefasto Marco Aurélio Garcia. Coitado do Barão do Rio Branco!
Mas foi efetivamente no campo da ética que realmente me surpreendi. O PT conseguiu mostrar-se pior do que os outros. Tanto é verdade que no auge no escândalo do mensalão vários líderes passaram a repetir, em sua defesa, que faziam o que todos os outros faziam. Se era esta a versão pública é porque com certeza a verdade é bem pior.
Hoje conclui o meu papel neste primeiro turno. Dei um basta nesta gente. Sei que é só um voto, mas é um voto também que o PT nunca terá. Sei que mais gente pensa como eu e assim os votos vão sendo computados.
O que nunca vou esquecer é como o PT matou sua militância, e o voto festivo de antes passou a ser escondidinho, na urna, sem falar para ninguém.
O voto de vergonha.

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