quinta-feira, outubro 12, 2006

Os Irmãos Karamazovi

O livro gira em torno do estranho núcleo familiar de Fiódor Pavlovitch. Os três filhos deste personagens representam o conflito de idéias que havia na Rússia no final do século XIX. Todos eles foram criados sem conhecer as mães e com total ausência, desprezo e falta de valores religiosos e morais do pai.


O mais velho, Dmítri ou Mítia, é uma contradição em pessoa. Capaz de demonstrar elevados valores em algumas situações é constante vítima de suas falhas morais em outras. Representa a dualidade, a incapacidade do indivíduo lutar contra o destino que vai se firmando à sua frente. Disputa com o pai o amor de uma cortesã, Grutchenka, o que trará trágicas conseqüências para os personagens.

O filho do meio, Ivã, representa o ateísmo, o nilismo. Ivã não apresenta nenhuma religiosidade, e como Dmítri possui genuíno ódio à figura do pai. Os irmãos, no entanto, também se odeiam.

O filho mais novo é o único a inspirar sinais de afeto do pai, e é o herói do romance. Profundamente religioso, estuda em um mosteiro, e após a morte de seu mentor intelectual, o ancião Zózima, deixa a batina e procura ser o elo de união na família. Incapaz de odiar, representa o efeito salvador da religiosidade.

Uma tragédia abate esta família, obrigando todos a passar por uma análise íntima de suas individualidades, e é aí que se encontra a riqueza desta reforma.

Outro ponto forte do livro é o julgamento que ocorre ao final, onde promotor e advogado fazem a ligação desta família com a própria transformação que a Rússia estava passando, descrevendo psicologicamente estes personagens.

Ao longo da obra, uma série de personagens secundárias são apresentadas, todas analisadas profundamente, destacando-se as duas fortes mulheres que disputam o amor de Mítia, Gruchenhka e Catierina __ que decidirão o julgamento __ e um possível quarto filho de Fiódor, o tortuoso Smierdiákov.

8 comentários:

Anônimo disse...

Efetivamente Os Irmãos Karamázovi é uma obra ímpar da literatura universal. Muito citada é a famosa frase do ateu Ivan Karamázov, de que "se Deus não existe, então tudo é possível". Discordo profundamente da afirmação, que vincula a moral da humanidade à crença em Deus, ou a uma religião especificamente. Realmente, no meu entender, a moral humana, a capacidade de distingüir o bem do mal, independe da fé em Deus. Ela existe em função da própria evolução cultural humana. Se não for assim, é preciso convir em que a moral do ser humano é bastante tênue, por se basear somente no sobrenatural.

Agnes Martha da disse...

Eu digo...
Irmãos Karamazov talvez retrate a cena da época em que foi escrito mas com certeza não há algo tão cero para a atualidade quanto este, talvez pelo ser indivíduo tenha mudado tanto em suas "modernidades e contradições (talvez credos psicológicos)" mas ser tão eterno em sua mais profunda essencia. A natureza do ser não muda só se regenera se não ele deixa de ser...
"se deus não existe, tudo é possível"

Agnes Martha da disse...

Eu digo...
Irmãos Karamazov talvez retrate a cena da época em que foi escrito mas com certeza não há algo tão cero para a atualidade quanto este, talvez pelo ser indivíduo tenha mudado tanto em suas "modernidades e contradições (talvez credos psicológicos)" mas ser tão eterno em sua mais profunda essencia. A natureza do ser não muda só se regenera se não ele deixa de ser...
"se deus não existe, tudo é possível"

frbarcellos disse...

O nome correto da obra é IRMÃOS KARAMAZOVI, não KARAMAZOV como está na capa da obra aqui presente. Em russo, o plural se dá com o I no final.
É uma obra de difícil leitura, mas que prende aquele leitor que se dispor a enfrenta-la.

Brunno Mariano disse...

Impressiona a análise que o personagem Ivan Karamazov faz do cristianismo e das suas instituições, mormente das Igrejas Católica e Ortodoxa Russa. Trata-se de uma visão cínica, porém, abalizada, contundente. A passagem sobre a aparição de Cristo frente ao inquisidor evidencia a dicotomia entre a mensagem cristã e os valores da igreja. Formidável.

Brunno Mariano disse...

Impressiona a análise que o personagem Ivan Karamazov faz do cristianismo e das suas instituições, mormente das Igrejas Católica e Ortodoxa Russa. Trata-se de uma visão cínica, porém, abalizada, contundente. A passagem sobre a aparição de Cristo frente ao inquisidor evidencia a dicotomia entre a mensagem cristã e os valores da igreja. Formidável.

Anônimo disse...

eu nunca li.

Obrigado!

Anônimo disse...

Este é um dos mais belos livros que já li. É um livro que deve ser degustado como uma iguaria fina, sem pressa, sorvendo cada pedaço, extraindo o máximo desse prazer.
Ele vem recheado de incursões filosóficas, o que nos oferece a oportunidade de transitarmos por um amplo leque de dissertações.
É um livro que instiga, que emociona, que enternece. É de fato uma verdadeira obra-prima.