sábado, outubro 07, 2006

Sobre o Acidente da GOL

Não vou entrar nesta discussão. Tenho verdadeiro horror a acidentes aéreos. E qualquer outro por sinal. Não sou daqueles que quando passa ao lado de um acidente tenta espichar o olho na curiosidade mórbida de conseguir ver alguma coisa, e se possível um cadáver. Cada um com suas curiosidades.
Mas tenho escutado muita bobagem por aí. A imprensa então no afã de conseguir manchetes sensacionailistas, publica qualquer opinião debilóide que contribua para aumentar a comoção.
Sou totalmente leigo no assunto (ei Alan, me ajude aqui hein?), mas por enquanto tudo aponta para erro dos pilotos do Legacy. O que parece confirmado:
  • O avião da GOL estava dentro do plano de vôo. Altitude 37 mil pés (rota Manaus-BSB).
  • O Legacy estava previsto para baixar de 37 mil pés para 36 mil em BSB. A 400 km do local de impacto deveria subir para 38 mil pés (sempre valores pares). Não o fêz. Atingiu o boing a 37 mil pés.
  • O Legacy não respondeu contato rádio. O transcoder (que informa a posição do avião no radar) estava desligado ou inoperante.
  • Imediatamente após a colisão o transcoder voltou a funcionar informando a posição e localização da aeronave.
Versão do Legacy: perdeu contato rádio e o trascoder entrou em pane. Não tinha como mudar de altitude sem autorização. O problema é que qualquer caso em aviação tem um procedimento padrão. No caso de falta de contato o procedimento é igual no mundo inteiro: mantenha rigorosamente o plano de vôo. Por que não fez? Teria o Legacy baixado para 36 mil em BSB e teria colidido quando estava subindo para 38 mil? Neste caso por que o fez depois da localização prevista? No caso de falta de contato rádio, e mudança de altitude em localização não prevista no plano as autoridades informam que o avião deve necessariamente sair da rota, fazer a mudança e retornar ao eixo. Por que não foi feito?
Os indícios estão todos contra os pilotos americanos, apesar da bobagem dita pelo jornalista do NYT sobre a falta de segurança em vôos sobre a Amazônia. Falta apenas a caixa preta do boing para fechar a investigação.
Por último: a imprensa questiona por que a torre não orientou o boing a mudar de rota se estava sem contato com o Legacy?
Aí nem precisa ser autoridade, basta o bom senso. Se não sabiam onde estava o Legacy para onde mandariam o boing? O fato de não saber onde estava o avião não significa concluir que estava em rota de colisão. A torre só tinha uma coisa a fazer: manter o boing na rota e confiar que os pilotos do Legacy cumpririam os procedimentos e plano de vôo.
Infelizmente, não foi o que aconteceu.

2 comentários:

Alexandra disse...

Acho que vou dar uma de advogada do diabo. Sei não, desde o início isso me cheirou muito a erro do pessoal responsavel pelo trafego aereo. Eu acho que houve uma combinação de erro da torre de controle com alguma pane no avião da Embraer, que estava saindo da fábrica e provavelmente poderia ter algo que não estava funcionando bem. Em geral, piloto nenhum em uma rota de aviaçao civil faz nada sem consultar com o controle de trafego aereo. Esse é o procedimento padrão.
A maneira como começaram a atacar o piloto americano imediatamente me parece um pouco suspeita - acho que a agencia que controla a aviacao civil está tentando cobrir suas imperfeições. O amigo do alan que esteve recentemente no Rio disse que o pessoal da ANAC - um bando de oficiais aposentados da força aérea - eram prepotentes, ignorantes e arrogantes. Ele não sabe como eles conseguiram a posição que ocupavam. Um perigo para a aviação.

Mas tudo não passa de especulação. Só vamos saber realmente o que aconteceu quando revelarem o que foi gravado na caixa-preta. Acho estranho que até agora não tenham revelado o que estava na caixa-preta do Legacy....

Alexandra disse...

PS: ponto a favor da Aeronáutica: decidiram enviar as caixas-pretas para o Canada para garantir a neutralidade das investigações. Muito bom. Agora vamos ver...