quarta-feira, novembro 08, 2006

Um Pouco de Economia

Vou me arriscar um pouco nesta área, só para repetir o óbvio que tenho lido.

O presidente Lula afirmou na campanha que a prioridade para o segundo governo é o crescimento econômico. Realmente o Brasil tem crescido bem abaixo da média mundial, principalmente quando compararo aos países emergentes. O Vietnã por exemplo cresceu mais de 7% no último ano contra nossos 2,9%.

Qual são nossos principais entraves?
  1. Gasto público: enquanto o PIB cresceu 2,9%, o gasto público cresceu 6%. Não tem como fechar esta conta, estamos gastando bem mais do que o crescimento econômico. O próprio neo-petista Delfim Netto já alertou para o problema. Na campanha Lula defendeu o gasto público do seu governo. Após eleito sinalizou com sua redução. É bom mesmo.
  2. Impostos: uma vez li um estudo dizendo que embora os países desenvolvidos tenham carga tributária alta, com correspondente serviços públicos, no período de desenvolvimento esta carga era baixa. Funciona assim: enquanto não são ricos, e o estado não tem como antender com qualidade, os impostos são mantidos baixos para permitir o desenvolvimento. Depois aumenta-se os impostos. A verdade é que a carga tributária inibe o crescimento à medida que impede as empresas de investir na produção de riquezas, impede a formação de poupanças e freiam o consumo. Nossa carga tributária chegou no governo Lula (mantendo o rítmo do governo tucano) a 39% do PIB. E os sinais são de que ultrapassará 40%.
  3. Educação: existe um consenso que para o país crescer a mão de obra tem que ter qualidade. Estudos mostram que o salário relaciona-se com o nível de educação do trabalhador, e o nossos índices educacionais são pífios, para ser bondoso.
  4. Infra-estrutura: a nossa estrutura(?) de transportes é vergonhosa, ainda mais para um país deste tamanho que precisa movimentar cargas, seja para exportação ou mercado interno. O grande salto americano deu-se em grande parte à sua obcessão por uma rede de transportes eficiente. Paramos no tempo. Nossas rodovias estão apenas 10% asfaltadas, a maior parte em mal estado. O quadro também é preocupante na geração de energia. Mantendo o rítmo atual de crescimento baixo, já há quem aponte um novo apagão em 2009. Se crescer os 5% prometido por Lula a coisa piora ainda mais. É bom os investimentos sairem rápidos do papel. Para isso um dos pontos fundamentais é resolver os problemas com o Ministério do Meio Ambiente.
Em resumo, os problemas são vastos e de difíceis soluções. A diminuição do gasto público, por exemplo, passa por uma reforma da previdência. Diminuição de impostos? Difícil quando a principal preocupação do governo hoje é a prorrogação da CPMF.

Parece que vamos crescer menos de 3% este ano. Se isto de fato se confirmar, o crescimento econômico do primeiro governo Lula será igual ao crescimento econômico do primeiro governo FHC. Só que os últimos 4 anos foram ímpares para a economia mundial e perdemos este trem.

Lula tem que decidir qual o papel que entrará na história, pois livre das idologias, os futuros historiadores serão implacáveis ao retratar seu governo.

Como gosta de metáforas futebolísticas aqui vai uma: a bola está com o seu governo.

Resta saber como vai jogar o jogo.

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