sábado, dezembro 30, 2006

12 Homens e uma Sentença

Título Original: 12 Angry Men (1957)
Direção: Sidney Lumet
Roteiro: Reginald Rose
Elenco: Henry Fonda, Lee J. Cobb, Ed Begley Sr

Este é um filme que adoro, e já vi várias vezes. Trata-se de um filme de tribunal pouco convencional, em que se passa praticamente todo na sala do júri em tempo real. Não assistimos o julgamento, e vemos o réu apenas uma vez.

Nos filmes usuais já sabemos de antemão se o réu é culpado ou não, ou temos uma idéia formada que depois vira ao contrário. Neste filme é impossível saber se é culpado ou não, o que é discutido é se existe uma dúvida razoável para inocenta-lo, ou em outras palavras, se existe certeza de sua culpabilidade.

Mas não é na parte jurídica o melhor do filme. O melhor é o psicológico da relação entre 12 homens que não se conhecem e que ficam presos em uma mesma sala, no dia mais quente do ano, discutindo a vida de um jovem.

As atuação são excelentes mas é o roteiro e o estilo de filmagem de Lumet que o transforma em um clássico. A cada vez que assisto me surpreendo com mais um detalhe, mais uma nuance que antes não tinha reparado. Os argumentos e principalmente os contra-argumentos são incríveis. Principalmente quando a própria tese que baseia um argumento é utilizado no contra-argumento por vezes até de questões diferentes.
Antes de iniciar a discussão os jurados tem uma rápida conversa entre si, mostrando cordialidade e procurando se conhecer um pouco. Aos poucos, durante a tensão dos debates vão se revelando um a um. E percebemos a hipocrisia que vivemos no dia a dia, e como não podemos confiar na primeira impressão das pessoas.

Grandes temas como a velhice, o preconceito, a violência e a própria democracia.
Em uma das minhas cenas favoritas, o jurado nr 9 (não ficamos conhecendo nem o nome deles, exceto dois na última cena) faz um discurso que exprime seu preconceito contra as pessoas criadas nos cortiços __ que poderia ser nossas favelas. Um a um os jurados se revoltam e deixam a mesa, com exceção de um, justamente o que aparenta ser o mais aristocrático e bem de vida entre todos. O nr 9 pergunta a ele finalmente se está escutando que ele está dizendo. Ele responde simplesmente que sim, e que não abra a boca para falar mais nada, mostrando a repulsa pelo que escutou.

Um filme maravilhoso. Com um roteiro tão rico que criei uma página só com os melhores diálogos do filme (clique aqui). Nota 10.

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