quinta-feira, dezembro 28, 2006

Manual do Perfeito Idiota (V)

Capítulo V - O Remédio que Mata

Este é um dos capítulos em que mais me identifiquei por representar bem o meu pensamento atual. Os autores contestam a afirmação que o Estado representaria o bem comum, ao contrário dos interesses privados que só buscam o próprio enriquecimento.

A história do século mostra que ao invés de corrigir desigualdades, o Estado as intensifica cegamente. A tese é que o espaço ocupado anteriormente pela sociedade civil passa a ser ocupado pela corrupção e desperdício. Os beneficiários são poucos: uma oligarquia empresarial superprotegida da concorrência, uma oligarquia de políticos clientelistas, uma oligarquia sindical e uma burocracia parasita.

Mostra que este ideal vence a lógica histórica pela utopia do socialismo, que em certo momento tornou-se dono do futuro. É a crença que o socialismo representa o “bem absoluto” e o capitalismo o mal.

Apresenta o denominado “desenvolvimento para dentro”, em que barreira alfandegárias são erguidas para proteger a economia nacional, que passa a ser ditada e controlada por um Estado tentacular e poderoso. A história mostra que este modelo não favorece a criação de riqueza e sim o inverso. Ao dar ao funcionário público um poder ilimitado sobre o empresário, gera um tráfico de influência que no final do caminho apresenta sua fatura na corrupção.

Neste modelo o Estado pratica preços, tarifas e impostos elevados, prestando sempre péssimos serviços, extorquindo da sociedade civil os recursos da nação, que em suas mãos não encontram caminhos para se multiplicarem.

O resultado do Estatismo e o desenvolvimento para dentro pode ser visto na Argentina de Perón, no Chile de Allende, no Peru de Alan García e na Cuba de Castro.

Argumenta que no mundo inteiro não se discute mais a democracia e a economia de mercado. Nos países desenvolvidos toda discussão entre esquerda e direita pode ser feita, mas dentro do liberalismo.

O Brasil é descrito em todas as letras na afirmação de Carlos Rangel: a reação espontânea de um chefe de governo, herdeiro da tradição mercantilista espanhola, será sempre a de intensificar controles, multiplicar restrições e aumentar impostos. Nenhuma frase resume melhor o atual governo brasileiro do que esta.

O cerne da questão é a idéia religiosa e medieval do que o lucro é o mal, que trata-se da apropriação indébita e expressão da cobiça.

Por fim faz uma interessante comparação entre o Chile e suas reformas liberais e Cuba com a implantação do socialismo. O resultado é definitivo: o Chile é o único país em que pobreza diminuiu de forma constante desde o início dos anos 80. Ainda existe pobreza no Chile, mas ela é herança do longo período de Estatismo que só foi interrompido com as reformas de Pinochet.

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