segunda-feira, dezembro 18, 2006

Resenha: A Matter Of Life And Death

Ano de Lançamento: 2006

Tenho uma teoria sobre o rock. Os grandes álbuns da banda encontram-se nos primeiros anos após o lançamento de seu primeiro. Normalmente entre o 3º e 6º discos. A partir daí, é raro uma banda lançar um daqueles discos mágicos, que são citados na ponta da língua como obra-prima. É claro que existe um ou outro caso que foge a esta regra, mas normalmente é o que acontece.

A banda não morre após o 5º ou 6º álbum. Ainda consegue lançar bons trabalhos, eventualmente até um excelente trabalho, mas é raro.

Por isso não espero mais um daqueles álbuns inesquecíveis do Iron Maiden, ainda mais que já está no 14º lançamento. Mas confesso que já estava meio amuado por uma seqüência de bons álbuns, um tanto irregulares, com músicas muito boas e outras preenchendo os espaços.

Pois A Matter of Life And Death é um destes excelentes álbuns que de vem em quando as bandas veteranas nos brindam. É um disco que não fica nada a dever aos já distantes Seventh Son e Somewere In Time, os últimos grandes álbuns da banda na verdadeira acepção da palavra.

Não é perfeito. Houve um exagero de introduções lentas, que funcionam em algumas músicas, mas repetidas vezes já dá uma sensação de já escutei isto antes. Os refrões por vezes se repetem demais pela teimosia de Steve Harris em esticar as músicas (é o disco mais longo do Iron). Mas no geral o resultado superou minhas expectativas.

Inicialmente pelo excelente trabalho de Bruce nos vocais. Fazia tempo que não nos brindava com uma performance tão inspirada. As três guitarras finalmente acertaram no entrosamento e nos brindam com solos muito bons. Mas é na força das composições que está o maior acerto da banda.

As músicas funcionam muito bem, desde a temática __ o álbum é focado nas guerras e intolerâncias religiosas __ até a construção instrumental. Gostei particularmente de Different World (simples mas com um refrão que lembra o saudoso Thin Lizzy), These Colours Don’t Run, Out of The Shadows e The Legacy que fecha o álbum com chave de outro, com um curioso toque progressivo.

As outras canções não ficam muito atrás, o que dá uma boa consistência ao trabalho e passa a vontade de escuta-lo inteiro, o que não aconteceu nos trabalhos anteriores.

Steve Harris declarou recentemente que sua idéia sempre foi lançar 15 álbuns em estúdio. Como este é o 14º ficamos próximos do possível fim da banda. Enquanto este fim não chega vamos curtindo seus lançamentos, que se não são sempre no nível deste último trabalho sempre apresenta um certo padrão Iron de qualidade.

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