sábado, dezembro 16, 2006

Sobre Ditaduras

Antes que fique um mal-entendido vou ser bem claro: sou totalmente contra ditadura, seja com que cor se manifeste. Defendo sempre a liberdade do indivíduo e o fortalecimento das instituições do país, que são sempre os primeiros a serem violentados no Estado-policial.
O progresso chileno poderia ter sido conseguido tranquilamente sem uma ditadura. Infelizmente não foi assim. Claro que o regime de Pinochet, com suas reformas liberais, tem influência no crescimento chileno de hoje. Mas não precisaria de um Pinochet para isso. Basta que se pare de maltratar as instituições.

Um dos motivos para o Brasil ser o que é hoje é a fragilidade das instituições. O justiça eleitoral teve que fazer marabalismo para aprovar as contas de Lula pois a opção seria ainda pior. Rejeitá-las e não ter força para cumprir a lei, pois o presidente eleito pelo voto é mais importante no país do que as instituições.

O congresso nacional, como instituição, encontra-se indefeso diante da ganância e falta de caráter de grande parte dos parlamentares. É constantemente atropelado pela presidência da república com suas medidas provisórias.

A justiça com sua lentidão ainda não foi capaz de colocar atrás das grades um criminoso confesso e já condenado como Pimenta Neves, que recebe um tratamento do STF que não é dispensado a um criminoso comum.

O Brasil já teve uma época de instituições fortes, mais até do que os Estados Unidos. Mas foi a muito tempo, na época do Império. Tenho dúvidas __ no mínimo __ cada vez maiores sobre nos "proclamação da república", que trocou o regime mais liberal das américas pelo caudilhismo dos coronéis.

A ditadura não salvou a Argentina, aliás a levou ao desastre das Malvinas. Não resolveu os problemas do Brasil, apesar do evidente mérito de ter impedido a guinada comunista de Jango com um número surpreendente pequeno de mortes. E muito menos Cuba, que levou o país do 4º lugar nas américas para o 29º.

O Chile pagou um preço altíssimo para tomar o caminho certo. Existem duas maneiras de tomar este caminho. Democraticamente, dentro do regime constitucional vigente, como fez a Inglaterra __ e como tinha esperança que o Brasil fizesse, ou rompendo com as regras democráticas, com enormes custos, como fez o Chile.

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