segunda-feira, dezembro 31, 2007

Melhores músicas de 2007

Minha lista das músicas que representam 2007 para mim. Como sempre, a maioria pertence aos anos 60 e 70, mas tem coisas mais recentes também.

All Right Now - Free
Este ano o Free esteve muito presente. Quando estive em Curitiba, gravei um video antigo com a banda tocando ao vivo. Esta música continua sendo um dos maiores riffs do rock'n'roll, e muito se deve à batida de Simon Kirke.

It Makes No Difference - The Band
Esta música já é uma das minhas prediletas. Tudo é perfeito aqui, a voz de Danko, as linhas de baixo, o solo de Robbie, o sax de Hudson. Escolhi a versão do Last Waltz porque este filme é simplesmente maravilhoso. E a entrada de Hudson ao final é arrebatadora.

What Is Life - Geoge Harrison
Do primeiro disco de Harrison, gosto particularmente do que era o primeiro disco (o disco saiu triplo). Neste ano, em que muito refleti, o título e a letra desta música já dizem muito: o que é a vida?

I Don't Want to Know (If You don't Want Me) - The Donnas
Energia pura. E letras ácidas que mostram que as mulheres também gostam de farrear.

Wait Until Tomorrow - Jimi Hendrix Experience
Foi difícil escolher uma música de Axis: Bold as Love, um disco que escutei e curti de ponta a ponta neste 2007. É o tipo da escolha que você se arrepende no minuto que fez ao pensar nas que ficaram de fora. Para mim, o melhor disco de Hendrix em toda sua curta carreira.

I Walk the Line - Johnny Cash
Nunca tinha escutado Cash, gostei. São lamentos, canções com muita alma.

Dance Tonight - Paul McCartney
Paul continua vivo, e nos brinda com esta pérola. A música evolui do bandolim ao rock mais tradicional, em uma seqüência bastante inspirada.

Cavern - Phish
Não há como definir esta banda dos anos 90 que foi totalmente despercebida no Brasil. Só cheguei a eles pela participação de Gordon no disco do Mule. A mistura de ritmos e estilos é fantástica. E olha que não costumo gostar deste tipo de mistura, mas no caso do Phish abro uma excessão. Ficou sensacional.

One - Ringo
Cada vez vejo como subestimei o baterista dos Beatles. Seus discos são muito legais, rock clássico, sempre com participações para lá de especiais. Vida longa ao Ringo!

Send Me a Postcard - Shocking Blue
Poderosa. Esta é a melhor definição que encontrei para os vocais de Mariska. Esta banda holandesa, anos 70, não fez sucesso por aqui. Apenas uma música é razoavelmente conhecida, incluída em algumas coletâneas da época. É uma pena, o som deles é muito bom mesmo.

She Knows - Thin Lizzy
Phill Lynnott e sua banda não poderia ficar de fora. Esta foi uma companheira constante no ipod.

Lookin'Out For No 1 - UFO
Classic Rock de primeira com Michael Schenker e cia.

25 or 6 to 4 - Chicago.
Confesso que sempre achei que o Chicago fosse uma banda mais pop, mais de baladas. Que nada, trata-se de uma banda de rock das boas. Esta música tem um solo de guitarra maravilhoso.

Walk Away - The James Gang Band
Este ano escutei muito esta banda, principalmente no início do ano. Joe Walsh é um gênio! Composições inspiradíssimas, um trabalho de guitarra fantástico. Um power trio que não teve o sucesso que merecia.

Ramblin' Man - The Allman Brothers Band
Escutei tanto os irmãos Allman que foi difícil escolher uma música. Descobri que os albuns dos anos 90 foram excelentes, e na dúvida entre os três discos da época acabei optando por um quarto, o primeiro album pós-Duane. Dickey Bets me conquistou com este contry rock, um registro raro seu nos vocais. O ritmo é contagiante, o solo sublime.

Banks Of The Deep End - Gov't Mule
Escutei tanto o Mule no primeiro semestre que considerei impossível que não pegasse meu primeiro lugar este ano. O disco tributo a Allen Woody é uma das maravilhas do mundo moderno do rock, e esta é a música símbolo do album.

The Weight - The Band
Pois é, mas fui assistir ao Last Waltz no meio do ano... e 90% do que escutei a partir daí foi da Banda. Nem tem como explicar, é paixão mesmo, uma destas ocasiões que você tem a certeza que o rock foi uma boa escolhar para musicar sua vida. Termino minha lista com um obrigado a Robbie, Rick, Hudson, Manuel e Helm por terem deixado um legado musical tão intenso como fizeram em apenas 7 anos. E The Weight é simplesmente mágica! Houve ocasiões em que escutei esta música 4 ou 5 vezes em seguida, além de tê-la tocado no violão outras tantas. É uma experiência espiritual, impossível de explicar.

sábado, dezembro 29, 2007

Reportagem na Veja sobre a Fé

Só agora fui ler a edição de Veja que saiu nas vésperas do natal e tinha por destaque a fé. Na capa, o título: "A Fé no terceiro milênio"; o sub-título: "A resistência da religiosidade em um mundo marcado pela descrença". Baseado na capa, que trazia a imagem de Maria com o menino Jesus, imaginei uma daquelas típicas matérias sobre a fé, celebrando a época de natal.

Enganei-me. A matéria se divide em três, todas de autoria de André Petry, colunista da revista. Na semana anterior fizera uma dura matéria contra a Igreja Católica pelo episódio do Bispo em greve de fome. Apesar de compartilhar com ele da mesma crítica, não concordei com os termos. Mas isto é outra estória.

Na primeira reportagem, não sei bem o por que, é feito uma comparação da rejeição do eleitor brasileiro a um candidato negro, mulher, homossexual ou ateu. Confesso que não entendi a relação, Petry refere-se a eles como minorias, tentando mostrar que existe um preconceito maior contra o ateu do que contra os outros. Não entendo porque não ocorreu ao jornalista se perguntar se o brasileiro entendia bem o que era ser ateu. Parece-me que não, e existe uma razão bem objetiva para este meu julgamento: elegeu e re-elegeu um ateu para a presidência duas vezes em primeiro turno e disputando contra ninguém menos que o atual presidente!

Depois, para argumentar que a moralidade não tem a ver com a condição de ateu, cita Hitler e Stalin. Dizendo que o primeiro se dizia religioso e Stalin, ateu. Não entendi também a associação de Hitler com a religiosidade, o que, em vida, nunca demonstrou. Existem vários exemplos de religiosos que cometeram e cometem atrocidades, por que não citar um deles? Por que procurar uma relação tênue que seja com um dos maiores monstros da modernidade? Parece que Petry precisava de um exemplo de peso.

A segunda parte da reportagem trata do confronto da ciência contra a fé. Aí acho que o autor foi ainda mais infeliz. Primeiro por que tratou da ciência como razão, são duas coisas distintas. A ciência que tratou no texto é aquela que se refere as experiências científicas, realizadas segundo um método aceito universalmente. O que Petry fez foi cientificismo, a crença de que nada está fora do campo da ciência, e o que não pode ser experimentada por seus instrumentos não é real. Deus não existe por não poder ser provado cientificamente.

Falar que a ciência tem um limite de atuação é considerado uma heresia por pessoas como Hawkins, Dawkins e talvez até Petry. Cita o exemplo de um biólogo descrito por Dawkins em sua pregação religiosa contra a religião "Deus, um Delírio", que ao constatar a incompatibilidade das escrituras com a teoria da evolução, abandonou a biologia e ficou com a fé, mas de forma triste.

Mais adiante coloca um lead que aponta que Igreja não gostou da idéia do átomo quando surgiu. Disse que a raiz do embate era histórica, que datava das primeiras idéias de Demócrito, descritas 5000 anos antes da era cristã! A Igreja Católica foi construída na crença da separação da alma do corpo, nada que a incompatibilize com a teoria atômica por esta tratar exclusivamente da matéria.

Petry também coloca a Teoria da Evolução como uma certeza científica, o que nunca foi.

Enfim, trata da religião segundo os critérios próprios da ciência, embora não faça o inverso. Pessoalmente acho que a religião considera muito mais as idéias da ciência experimental do que o contrário. Quem seria o intolerante então?

Outro ponto curioso, os ateus fundamentalistas (sim, eles existem) afirmam que nada prova a existência de Deus, por isso acreditar nele seria um ato anti-racional. Não vejo nenhuma prova, por outro lado, que Deus não exista. Por que esta certeza? O cientista ateu argumenta que a ciência exige a dúvida, e por isso é incompatível com a religião. Mas ele próprio não tem dúvida nenhuma em afirmar a inexistência de Deus.

Na última parte uma entrevista com o ateu do momento, o filósofo Sam Harris. Ele mesmo apresenta esta contradição, afirma que não há boas razões para acreditar em Deus e conclui que as pessoas mentem para si mesmas quando acreditam. Diz que a fé pode até ser benigna a nível pessoal, mas é prejudicial coletivamente. Nesta volto ao argumento de Reinaldo Azevedo: só conhecemos no mundo moderno um único exemplo de sociedade sem religião: o comunismo. O resultado, cada vez mais esquecido, são 20 milhões de cadáveres só na União Soviética. Mas o grande assassino da história foi a inquisição!

O impressionante é que estas reportagens tratam do embate da ciência contra religião, mas só retratam a Igreja Católica. Juro que não sabia que os católicos respondiam pela fé no mundo!

A ciência é absolutamente incapaz de tratar das questões metafísicas, mas os cientificistas consideram que por si só ela explique o mundo. Aristóteles, o precursor do próprio método científico, deixou em seus escritos que o conhecimento era construído por ligações lógicas precisas, mas a partir de premissas estabelecidas. A grande questão que colocou foi como escolher as premissas? Para o estagirita não havia como fazê-lo com absoluta certeza, mas segundo concepções mais prováveis, o que se buscava através da dialética. A ciência tira a dialética da jogada, considera tudo pelas suas ligações lógico-matemáticas. As premissas são estabelecidas absolutamente, como se fosse um consenso universal.

Não conseguem, assim, ter certeza sobre uma ameba. Mas pretendem ter a verdade sobre Deus.

quinta-feira, dezembro 27, 2007

Novo Blog

A política acabou tomando uma parte muito grande deste blog, que perdeu um pouco do seu caráter geral. Quando o criei, pretendia que fosse um registro de como vejo o mundo, de meus pensamentos, e da evolução de minhas próprias idéias.

De alguma forma, comecei a achar que não poderia conviver no mesmo espaço o aniversário de um filho com a última trapalhada do governo. Definitivamente não posso colocar no mesmo veículo, mesmo este humilde espaço, o lulismo e minha família.

Por isso resolvi escrever um outro blog, dedicado principalmente à política,com as com considerações sobre cultura, sociedade e pensamento, enfim, de tudo que ajude a entender os acontecimentos e desdobramentos da vida pública, principalmente brasileira.

De quebra, aproveito para testar um outro sistema, o Wordpress. Para quem se interessar, o blog chama-se Liberdade de Pensamento. Visitem!

terça-feira, dezembro 25, 2007

Como Vencer um Debate sem Precisar Ter Razão

(Dialética Erística)
Arthur Schopenhauer

"Daí vem que, em regra geral, aquele que entabula uma discussão não se bate pela verdade mas por sua própria tese pro ara et focis (no interesse próprio) e procede per fas et per nefas e, como acabamos de demonstrar, não poderia fazê-lo de outra maneira."
Schopenhauer escreveu este texto curto sobre a Dialética Erística, como forma de se opor a Hegel e sua dialética como a própria evolução da humanidade. Trata-se de um texto inacabado, que reduz a dialética a uma disputa de indivíduos que desejam apenas vencer o adversário no campo da discussão, independente da verdade.

O filósofo Olavo de Carvalho apresenta uma introdução que explica como o texto se coloca em relação a dialética de Aristóteles, que Schopenhauer pretendeu estender, e os erros na interpretação desta base filosófica.

Dentro da pobreza da discussão intelectual no Brasil, Olavo coloca a edição deste livro como 'um empreendimento de saúde pública'. Acrescenta:

"Privado de debates sérios há quase meio século, nosso público se tornou vítima inerme de sofistas e charlatães, que hoje imperam não somente na política __ onde sua presença é mal sem remédio __, como também nos altos postos da vida intelectual, de onde deveriam ser banidos a pontapés."

Olavo seleciona exemplos atuais para mostrar a aplicação dos estratagemas apresentados por Schopenhauer, mostrando a importância de reconhecer a falsidade intelectual de muitos pensadores brasileiros.

Um dos estratagemas apresentados, que achei bastante interessante, é a manipulação semântica, uma das principais armas utilizadas pelo discurso de esquerda. Trata-se de escolher palavras ou expressões pejorativas para designar opiniões que quer refutar. Muito do politicamente correto encontra-se ali. Aliás, explica o obsessão dos socialistas em controlarem o uso da linguagem e definir palavras e seus significados.

É um livro para ser lido várias vezes e ser colocado na estante na parte de consulta freqüente. É uma obra fundamental para aqueles que lutam contra a impostura intelectual existente no debate atual, uma vacina para não ser surpreendido em discussões em que o objetivo do adversário é um embate pela vitória, independente do surgimento de uma verdade.

A introdução escrita por Olavo chama atenção para a função da dialética como um instrumento investigativo, que se completa com a utilização da lógica. A perversão de seu significado leva ao abismo entre o mundo real e o conhecimento, uma das raízes do grande mal que é a ideologia.

Embora Schopenhauer tenha se equivocado enormemente na interpretação do discurso aristotélico, mostrou grande senso de observação e escreveu um texto que não perdeu sua força pela passagem do tempo, ao contrário, só ganhou importância devido a cada vez maior manipulação intelectual, um dos males da modernidade.

domingo, dezembro 23, 2007

Reflexão

Tendo em vista este último post, este blog entrará em período de reflexão. Ficam os votos de boas festas para todos que passarem por aqui. Que Deus ilumine a todos.

Luto

Na sexta-feira minha vó nos deixou, tinha 91 anos.

Nestas horas, é um grande consolo acreditar que a vida não termina. Esta é uma grande força das religiões cristãs, a crença na vida eterna. Não fosse pela fé na existência de Deus, a dor seria irreparável.

Minha vó foi uma pessoa de personalidade muito forte, que realmente viveu a vida. Esteve lúcida até o final, o que para ela tornava ainda mais difícil a velhice. Deve ser muito difícil para uma pessoa que sempre foi muito ativa, que nunca gostou de depender de ninguém, se ver em uma posição totalmente passiva, de dependência, como esteve nestes últimos meses.

Ela deixou para mim muitos exemplos, de correção, de fortaleza, de vontade. A estória de vida dela caberia perfeitamente em um livro. Não é fácil ter enfrentado toda a família para viver um grande amor como ela fez. Renunciou a muita coisa para seguir o caminho que escolheu, e este caminho foi a vida.

Criou 7 filhas, todas pessoas maravilhosas, ricas, cada uma com uma parte desta pessoa marcante, que sabia se impor em qualquer ambiente. Todas elas possuem esta herança, genética e emocional, que carregam por suas existências.

Durante uma parte muito importante de minha vida convivi bastante com ela. Era uma companhia fascinante, sabia contar estórias como ninguém, estava sempre pronta para defender suas opiniões. Quem a conheceu não a esquece.

Sou o primeiro neto, o que sempre foi uma ligação especial entre nós. Não há nada que não fizesse para me agradar, acho que para ela nunca deixei de ser alguém que precisava de seus cuidados, e ainda bem que nunca fiz nada para que pensasse de outra maneira.

Hoje ela vive em espírito, estará sempre olhando por nós; orientando nossos pensamentos. A memória que guardo dela é a de uma senhora forte, decidida, de valores morais bem definidos, de intensidade. Neste momento, fico pensando na transitoriedade da vida. Ontem estava entre nós, hoje nos deixou. Se não fosse a fé na palavra de Cristo, em seu exemplo, seria algo extremamente sem sentido. Não vejo lógica nenhuma em não acreditar na vida eterna, em não acreditar na divindade. Como essas pessoas conseguem superar esta passagem obrigatória de nossa vida?

Orei muito por ela nestes dias e, sobretudo, pensei muito nela. Pedi para que a acolhessem neste outro mundo que só conhecemos por sombras. Que ela se recuperasse das dores deste mundo e que nos guiasse pelo caminho que ainda temos pela frente. Nós, que a amamos em vida, precisamos dela ainda mais agora. Sei que nunca nos abandonará, e um dia estaremos todos juntos novamente.

Por isso, não digo adeus a minha vó, no máximo um até logo. A maior homenagem que podemos prestar a ela é passar adiante tudo que nos ensinou. Toda vez que contarmos uma de suas estórias; que mostrarmos a um de nossos filhos o caminho correto; que rezarmos por ela; estaremos mantendo-a viva neste mundo tão difícil e ao mesmo tempo tão extraordinário.

Que descanse em paz.

sexta-feira, dezembro 21, 2007

Em Belo Horizonte

Cheguei ontem em Belo Horizonte; época de festas, sempre uma correria. Estou saindo daqui a pouco, vou para o centro. Meu foco: sebos e a galeria do rock, na praça 7.

Estou preparando um novo blog, só de política. Criei no Wordpress, que tem a facilidade de importar posts do blogger. O problema é que importou todos os posts e não consigo apagar em massa, para que fique apenas os da categoria de Política.

Isso é possível, parece, através de um plug-in, mas para o Wordpress instalado na máquina, o que exige um pouco de conhecimento para configurar e instalar o aplicativo. Estou em fase de pesquisas, vamos ver.

quarta-feira, dezembro 19, 2007

Mestre!

Deu tudo certo na defesa... agora sou Mestre em Ciências!

Este título tem uma grande importância para este blog, que foi criado com a idéia de ser um diário sobre o dia a dia e pensamentos durante o curso de mestrado. Pretendia que ficasse como um registro destes dois anos... mas a coisa foi mais além. Agora é hora de dar uma parada e reavaliar seu prosseguimento. Foram mais de 1500 posts!

A idéia é separá-lo em dois, um sobre política (que cresceu bastante de espaço aqui dentro) e outro sobre o restante. O problema é que a separação não é tão simples, a política é muito mais abrangente do que imaginamos. Veremos como vai ficar.

domingo, dezembro 16, 2007

Defesa

Estou em reta final, terça defendo minha dissertação para obtenção do grau de mestre em Engenharia de Transportes. O blog ficará em silêncio até lá... preciso de um pouco de concentração.

Sem palavras

sexta-feira, dezembro 14, 2007

5 discos em 2007

Não se tratam dos 5 melhores discos "lançados" em 2007, até porque dificilmente acompanho os lançamentos do ano. Esta lista são dos 5 discos que foram mais importantes para mim este ano, os que mais curti. Em sua maioria são mais velhos do que eu, fazer o que, nasci um pouco tarde demais.

  1. The Last Waltz - The Band

  2. Foi extremamente difícil escolher um disco da "Banda" para colocar em primeiro lugar desta lista. Acabei optando pelo início de tudo, ou o fim, dependendo do ponto de vista. Sim, foi o último concerto que fizeram, mas foi o meu primeiro contado verdadeiro com o espírito desta instituição musical. E o veredito é: uau! Como vivi até meus 34 anos sem escutar Robbie Robertson, Rick Danko, Levon Helm, Richard Manuel e Garth Hudson?


  3. The Deep End - Gov't Mule

  4. O Gov't era barbada para o primeiro lugar deste ano, no primeiro semestre só deu Haynes e cia. Foi superado apenas por uma banda que só pode ser considerada transcendental. Não importa, o que aprendi com o Gov't é que ainda pode surgir bandas que honram o passado, uma esperança nos dias de tanta bobagem sendo chamada de rock'n 'roll. Este disco é ainda especial, gravado em homenagem ao ex-baixista Allen Woody, juntou monstros sagrados do baixo para gravar música a música um disco inesquecível.


  5. Brothers and Sisters - The Allman Brothers Band

  6. Os Allmans também estiveram fortes este ano. Descobri que os três discos dos anos 90, com Haynes e Woody, são sensacionais. Quando estava me descabelando para decidir o melher deles, escutei com mais carinho este antigão. Betts mostrou que a vida continuava, mesmo sem Duane e Berry.


  7. Axis: Bold as Love - The Jimi Hendrix Experience

  8. Este para mim é o disco do Experience. É uma beleza atrás da outra, não dá nem para citar todas. "Little Wing", "Castles made of Sand", "Spanish Castle Magic", "If 6 was 9". Uma obra prima.


  9. Free Live - Free

  10. Ao vivo o Free crescia uma enormidade. Kossoff se soltava na guitarra, improvisando e soltando solos maravilhosos. Rodgers dominava o palco, Andy Fraser era um diamante bruto e Kirke tinha um batida que transformava riffs de guitarra em marcos históricos. Uma banda que merecia ir muito mais longe do que foi, mas as drogas derrotaram Kossoff. Infelizmente.

quinta-feira, dezembro 13, 2007

Em estado de graça

Depois de uma longa espera, chegaram os três cds que encomendei na Amazon. São eles:
  • The Band(1969)
  • Rock of Ages(1972)
  • Nothern Lights - Southern Cross(1975)
Todos os 3 albuns do The Band. Estou ainda embasbacado. Desde que conheci o The Who em 1996 não ficava tão maravilhado com um grupo de rock. Eles são simplesmente fantásticos! Não existe uma única música ruim em todos os albúns que escutei. A meta é ter a coleção completa, como não é muito grande, a tarefa não é das mais difíceis. Faltam 3 em estúdio, ainda chego lá. Com calma para não apressar as coisas boas da vida, como degustar o repertório de Robbie Robertson e cia.

Um bom argumento

Tratei aqui sobre o projeto de lei que garante o pagamento de um salário mínimo para a vítima de estupro que resulte em gravidez, caso a mãe opte (vejam bem, opte) por não abortar.

Não entrei em nenhum momento no mérito do projeto. Apenas critiquei a posição de uma entidade em defesa das mulheres e a tentativa de colocar o aborto como a única opção nestes casos. Aliás fui xingado por uma leitora que me acusou, entre outras coisas, de ser favorável ao estupro!

Sobre o projeto em si, nem sabia que ele existia. Li hoje um argumento bastante válido para sua derrubada. Como evitar a simulação de estupro? Como evitar mais uma indústria de indenizações indevidas? Só faltava agora existir um processo para provar que foi estuprada.

Estupro é um crime hediondo, acho que ninguém poderia sair da prisão antes de cumprir pelo menos uns 20 anos efetivo atrás das grades. Infelizmente nossas leis colocam o facínora em liberdade em menos de 5, e não raro voltam a cometer o mesmo crime. Mais uma vez nossa legislação, na dúvida, é a favor do criminoso, nunca da sociedade.

Eu tenho uma curiosidade

Nas últimas semanas uma série de pesquisas eleitorais foram divulgadas. Várias simulações foram realizadas, por mais esdrúxulas que fosse. Até mesmo Lula apareceu, mesmo que a lei, atual, não permita sua candidatura. Por que Geraldo Alckmin não apareceu para presidente? Por que não foi incluído em nenhuma simulação?

O fato de ter perdido a eleição em 2006 não é motivo para retirá-lo de qualquer lista. Serra perdeu em 2002 e estava em todas as simulações para 2006. Como Alckmin, também negava que se lançaria candidato. Por que a rejeição sumária ao nome do ex-governador?

Eu tenho uma curiosidade. Gostaria de saber como se comportaria o nome de Alckmin em uma lista. Mesmo com todas as bobagens feitas na campanha passada, o nome dele foi lançado nacionalmente. Fico imaginando se por acaso ele aparecesse como candidato competitivo, e acho até razoável que apareça, como ficariam os Serristas?

CPMF: primeira derrota

O governo sofreu a primeira derrota política desde que começou a era Lula, em 2003. Essa é a natureza correta da derrota, pois foi assim que o planalto resolveu tratar a questão.

Havia espaço suficiente para uma negociação, mas a arrogância prevaleceu. Lula confiou que os governadores da oposição conseguiriam os votos que faltavam, ao mesmo tempo que demonizava seus adversário. A todo momento, táticas terroristas. Ignorando o aumento anual da arrecadação (sempre motivo para cantar vitória), e o aumento do gasto público (segundo o presidente, choque de gestão é gastar mais), colocaram o imposto como necessidade para o sistema de saúde.

A oposição pode se preparar para a carga do presidente. Cada problema da saúde será tratado a partir de agora como culpa da derrubada da CPMF. Cabe à oposição desconstruir este discurso. É difícil, o jornalismo é pautado por sua excelência, os tocadores de tuba __ expressão criada por Reinaldo Azevedo __ estarão em campo.

Não foi propriamente uma vitória oposicionista; juntos DEM e PSDB não possuíam votos para reprovar a CPMF, nem meios de atrair aliados. A derrota foi do governo, que não conseguiu segurar os seus votos. Faltaram 4 votos, 6 senadores da base aliada votaram contra o tributo. Aliás, não teve votação importante que não tivesse sido aprovada com votos da oposição. E o que fez Lula com esses votos? Não perdeu uma oportunidade de culpar seus adversários por tudo de ruim que existe no país.

Talvez seja um ponto de inflexão. Talvez a oposição tenha finalmente percebido que não pode ficar ajudando o governo e receber pedradas em resposta. Existe uma tese que o momento favorável a um segundo mandato é o primeiro ano. Depois, o jogo político se volta para a sucessão e não se vota mais nada importante no Congresso. Lula é uma caso a parte, mantém sua popularidade mesmo após o desgaste de 5 anos na presidência, e a frente de um governo manchado de lama por todos os lados.

Mas fica a sua primeira derrota política no parlamento, o que é bom para a democracia. Nenhum governante pode atropelar o Congresso como tem feito.

terça-feira, dezembro 11, 2007

Bolsa-Estupro?!?

Blog do Cláudio Humberto:

O Conselho Nacional dos Direitos da Mulher escreveu uma carta de repúdio ao projeto de lei em tramitação na Câmara dos Deputados que prevê assistência financeira à mãe e ao filho fruto de estupro. O manifesto foi entregue ao relator da matéria na Comissão de Seguridade e Família, deputado José Linhares (PP-CE), pela representante da Rede Feminista de Saúde no CNDM, Lia Zanotta. A carta também foi protocolada na Secretaria da Câmara e distribuída aos outros integrantes da comissão. Para o Conselho, a proposta é mais um retrocesso no processo de democratizar o país. De acordo com a carta, o projeto contraria o Código Penal de 1940 que garante a interrupção da gravidez em caso de estupro. "A Constituição Brasileira estabelece que ter filhos é uma decisão da cidadã e que o Estado deve fornecer os meios necessários para que se possa exercer esse direito com dignidade", destaca a carta.


Estou tentando encontrar algum sentido nessa carta, mas está, por deverás, difícil. Como é que é? Pelo que entendi o tal conselho, que se diz defensor dos direitos da mulher, protestou contra um projeto que prevê assistência financeira à mãe e filho fruto de estupro? Parem o mundo que eu quer descer!

A argumentação é ainda mais esdrúxula. Primeiro porque relaciona "democratizar o país" com liberação do aborto. É aquela velha história, defender o aborto é ser progressista, ser contra é ser reacionário. Faz parte do "estupro" semântico da linguagem.

O mais curioso é que afirmam que a lei garante a interrupção da gravidez em caso de estupro. Garante ou permite? Por que uma ajuda financeira tiraria o direito de realizar o aborto? A lei permanece, o direito é assegurado. Ah, mas não querem o incentivo para a mãe manter a gravidez. Por que? Por que ofende tanto a esse pessoal que uma mulher, mesmo vítima de um estupro, queira ter o filho?

Estou cansado de eufemismos, "exercer esse direito com dignidade" é o mesmo que realizar o aborto. Por que não tratam as coisas pelo nome? Por que abortar significa o mesmo que "direito da mulher de ter filhos"?

Eu sei que as democracias mais avançadas consideram o aborto um direito da mulher. Só que em nenhum desses países a prática é uma unanimidade, longe disso. Existem protestos contra o aborto em qualquer lugar do mundo, e ai dessas pessoas que não entendem esse "avanço" da civilização, são todas reacionárias!

Nessa história fico com a tradição cristã. Aborto é um atentado contra a vida, é uma escolha que um dia será cobrada. Pois façam suas apostas. Uns com o humanismo, com o progresso da ciência e da civilização. Eu fico com a tradição, com os reacionários.

Uma vez Pascal afirmou que não poderia provar que Deus existe. Mas que se tivesse que apostar, era melhor apostar em sua existência. Não preciso apostar, tenho minha fé, e minha razão. E as duas me mostram que o aborto pode não ser um crime pelas leis dos homens, mas seguramente é pelas leis do criador.

Cachorro vascaíno?

Dois amigos conversando:

- Acho que o meu cachorro é vascaíno! - diz um deles.

- Ah, pára com isso! Imagina se cachorro liga pra futebol!

- Tô te falando... Você precisa ver, toda vez que o Vasco perde pro
Flamengo em finais, ele se esconde na casinha e fica chorando.
Quando o Vasco empata com o Flamengo ele vai pra cozinha e não sai
mais; fica todo cheio de graça...

- E quando o Vasco ganha do Flamengo em finais? - perguntou o amigo,
começando a acreditar.

- Ainda não sei... o cachorro só tem 11 anos !

domingo, dezembro 09, 2007

Top 5: Power Trios

Essa é bem difícil, ainda mais que eu adoro power trios! Primeiro que para tocar com um baixo, uma bateria e uma guitarra, os músicos têm que ser muito bons. Depois, o som fica bem dividido, ficando bem fácil para identificar cada instrumento.

Para fazer minha lista, considerei power trio as bandas com três componentes. Parece redundância, mas não é. Musicalmente não existe diferença de uma formação com três componentes e outra com quatro, sendo um deles apenas vocalista. Assim, o som do The Who, Free, Bad Company, Led Zeppelin é essencialmente de um powertrio, pois possuem apenas um baixo, uma bateria e uma guitarra. Para facilitar minha lista, deixei-os de fora.

  1. Grand Funk Railroad: uma das melhores bandas americanas de todos os tempos, lançou seus principais trabalhos com Mark Farner (guitarra e voz), Don Brewer (bateria e voz) e Mel Schacher(baixo). Foi cada petardo!
  2. Rush: esta incrível banda canadense é um marco do rock'n'roll. Até hoje ainda me emociono escutando "Tow Sawyer", é de arrepiar. Três músicos excepcionais: Geddy Lee (baixo e voz), Alex Lifeson (guitarra) e Neil Peart (bateria).
  3. Motorhead: se tem uma coisa que sempre deixou Lemmy (baixo e voz) furioso foi ser chamado de banda de heavy metal. É rock'n'roll, com extrema velocidade, mas rock. Três obras primas em seqüência: Overkill, Bomber e Aces Of Spades. Na fase trio, contava com Eddie Clarke (guitarra) e Philty "Animal" Taylor (bateria).
  4. Jimi Hendrix Experience: sim, Hendrix era um gênio, mas contava com dois músicos fantásticos: Noel Redding (baixo) e Mitch Mitchell (bateria). É só comparar com o Band of Gypsys que veio depois.
  5. Gov't Mule: foi bom enquanto durou. Warren Haynes (guitarra e voz), Allen Woody(baixo) e Matt Abts(bateria) recuperaram com muito talento o conceito de classic rock. Infelizmente, Woody faleceu em 2000. Haynes continua sua cruzada, agora como um quarteto, mas a perda deste genial baixista foi irreparável.

The Police in Rio

Impecável a transmissão do concerto do Maracanã pelo canal Multishow. Mostrou como se faz. Transmissão ao vivo, sem intervalos comerciais, sem mala aparecendo a cada início de música para falar da emoção do público e anunciar qual a canção que está começando. O canal fez bem tudo que a Globo fez de ruim nos shows dos Stones e do U2. Ah! O principal: a qualidade do som estava excelente.

Gostei do show. Não sou um grande fã da banda, tenho só uma coletânea para escutar de vez em quando, mas estava muito bom. Não é daqueles shows de levantar estádio, simplesmente não é o estilo do Police. Seus temas são mais introspectivos, mais adequados para ouvir e curtir. Sting praticamente não interagiu com o público, para deleite de muitos que, como eu, acham o cara insuportável.

Gostei especialmente do Copeland. O cara fez de tudo com sua bateria, com muito bom gosto.

sábado, dezembro 08, 2007

TV do Lula

Sem vergonha de mentir

Lula ontem:

"Alguns senadores que não querem que o país dê certo querem abolir esse imposto, que é justo porque é distributivo, que só atinge 13 milhões de pessoas. É o famoso imposto do cheque. E 80% do povo brasileiro não tem cheque."

É uma mentira deslavada, por um único motivo: a CPMF incide na movimentação financeira das empresas, que naturalmente repassam para o preço dos produtos. Quem compra pão, paga CPMF. Simples assim.É só fazer uma conta, a arrecadação da CPMF é de 40 bilhões, como corresponde a 0,38%, quer dizer que incidiu sobre uma base de 10 trilhões de reais. Para ter uma idéia, o PIB brasileiro é de cerca de 2 trilhões. Dizer que só rico paga CPMF é uma mentira deslavada, própria de um mentiroso deslavado.

"Os que são contra são aqueles que adorariam sonegar, como sonegaram a vida inteira."

Uma vez me falaram que ao invés de ficar criticando o presidente, deveríamos ser construtivos, torcer para dar certo. É claro que a pessoa que falou comigo estava falando de Lula, porque de FHC nunca economizou adjetivos impróprios. O vagabundo(ver definição no aurélio, no sentido de vadio) me chama de sonegador e não tenho o direito de criticá-lo? Em um país mais ou menos civilizado, só essa frase já seria motivo para convocação do presidente para se justificar no congresso. Como não somos, e nem nosso congresso tem essa moral toda, fica por isso mesmo. Pergunta: se o FHC falasse a mesma coisa, o que estaria dizendo a imprensa?

"Sabemos que a hora em que tirar R$ 40 bilhões [do Orçamento], quem vai sofrer são prefeitos e governadores. Na hora de cortar R$ 40 bilhões, vamos ter que tirar de algum lugar".

Isso nada mais é do que chantagem explícita aos governadores do PSDB, que deveriam estar convocando entrevistas coletivas para perguntar, retoricamente, ao presidente o que quer dizer com a afirmação. Mas, como cordeirinhos, estão pressionando os senadores do seu partido a votar a favor da CPMF, um papelão, principalmente por parte de Serra e Aécio. A posição contra a CPMF é o único ato de oposição real em 5 anos de desastre petista e sua majestade reage dessa forma. O que quer? Nada mais do que uma oposição que não faça oposição. Isso tem nome, já foi testado no século XX, e os resultados falam por si só.

sexta-feira, dezembro 07, 2007

Novela da CPMF chegando ao fim

Está chegando ao fim a novela da CPMF, a única vez em que a oposição conseguiu, com as tucanadas de sempre, fazer a sua parte. Vai vencer? Improvável. Existem 53 senadores na base governista, o bufão brasileiro precisa de 49 votos. A tática de colocar com a oposição a responsabilidade pela aprovação do imposto (vamos chamar as coisas pelo nome) é mais uma tática guerrilheira de Lula II, no padrão rasteiro de sua forma de fazer política.

A investiga do governo em cima da oposição é devido a um único motivo: é mais barato conseguir um voto lá do que em seu bando. Os senadores governistas sabem que essa é a única lei que interessa nesse segundo mandato, aprovado a CPMF não vão arrancar mais nada de importante, daí estarem esticando a corda ao máximo para conseguir que o planalto pague o maior custo possível.

A oposição tem que votar unida contra o tributo. Do jeito que a coisa ficou, os 4 senadores que necessitam aderir à CPMF que o fizerem no fim de semana ficarão marcados por terem vendido caro seus votos. Que o governo pague o preço político por ser governo, é do jogo. Se fosse o contrário, como já foi, o plenário do senado já estaria uma balbúrdia com os apitadores de plantão. Como ficou evidente na semana, Lula (e o PT), são uma metamorfose ambulante.

Na espera

quarta-feira, dezembro 05, 2007

Coisas que não entendo

Hoje fui na comemoração de fim de ano da escola de minha filha. Ela está quase fazendo 4 anos, está no jardim I. A apresentação reuniu todas as crianças da chamada pré-escola, de 2 a 6 anos de idade. Apresentaram o tema do semestre: aquecimento global.

Durante uma hora fiquei vendo as crianças dançando coreografias sobre a camada de ozônio, desmatamento da amazônia, reciclagem, extinção de espécies, etc.

Devo ser um cara muito reacionário mesmo, pois não vejo o menor sentido de colocar crianças desta idade trabalhando um assunto que não conseguem ainda entender. E nem vou entrar no mérito que o aquecimento global está me parecendo mais religião do que ciência.

Nesta fase, ainda não tem consciência crítica, e nem poderiam ter. Minha filha chegou em casa cantando uma musiquinha sobre as virtudes dos ecologistas, sobre a corrupção e guerras... qual o sentido disso tudo? Fazer lavagem cerebral? Por que não esperar estas crianças terem um mínimo de entendimento para apresentar-lhe semelhantes "reflexões"? Qual o sentido de ficar repetindo para minha filha, de três anos!, que o mico leão dourado está em extinção? Que o homem está destruindo o meio ambiente?

Sei lá, não sou pedagogo, longo disso. Mas imagino que deveriam ter com tema coisas como as cores, a natureza, a água, os animais, qualquer coisa que estivesse no entendimento delas.

Reclamam que as crianças estão amadurecendo cedo demais, que desenvolvem sintomas de stress e nervosismos. O que vi hoje foi colocarem minha filha como uma espécie de "mini-adulto". Teve até uma turma dançando um "rap da periferia", que por sinal achei de um mau gosto terrível. Devo ser muito errado mesmo, foi a hora que a platéia mais aplaudiu!

Sinceramente, espero que os estudiosos estejam certos e eu errado, odeio pensar que estão fazendo um mal para um filho meu. O problema é constatar que temos uma das piores ensinos do mundo. Os resultados desta semana mostram com clareza espantosa a nossa miséria na área; estamos nas últimas posições dos países avaliados.

Para refletir.

terça-feira, dezembro 04, 2007

Poema do PT

Do blog do Cláudio Humberto:

Não é bem um poema, mas uma apropriação coletiva do célebre poema "Se" ("If"), do escritor anglo-indiano Rudyard Kipling (1865-1935), prêmio Nobel de Literatura. A obra dos internautas está em progresso e aceita sugestões para, quem sabe, criar o mais longo poema do mundo: "Se FHC fosse o presidente, o que faria o PT...

...Se a epidemia de dengue fosse incontrolável como agora? E a febre aftosa?

...Se ameaçasse faltar gás?

...Se os lucros dos bancos fossem tão vultosos como agora?

...Se houvesse tantos acidentes aéreos?

...Se houvesse o caos aéreo?

...Se o FHC comprasse um avião tão luxuoso?

...Se todos os amigos de FHC fossem corruptos?

...Se o FHC perdoasse a dívida de tantos países"amiguinhos"?

...Se tivesse um filhinho tão espertinho?

...Se as despesas do palácio aumentassem tanto?

...Se alguma ministra de FHC nos mandasse relaxar e gozar?

...Se a primeira-dama não fizesse p.. nenhuma, mas tivesse cartão de crédito ilimitado?

...Se FHC fosse o mentor do mensalão e dissesse que não sabia de nada?

...Se FHC aparelhasse o estado com milhares de empregos para os

"companheiros"?

...Se algum aspone do presidente nos mandasse tomar no c...quando caísse algum avião?

...Se a saúde pública estivesse um caos e FHC dissesse que estava "próxima da perfeição"?

...Se as escolas públicas fingissem que ensinam, e que os alunos fingissem que aprendem, e o presidente dissesse que pra ser presidente ou político não precisaria ter instrução, só intuição?

...Se FHC declarasse sempre que não sabia de nada?

...Se o FHC fosse amiguinho do presidente mais acusado que o Senado já teve?

...Se o governo FHC tivesse 37 Ministérios e Secretarias, tantos, que é difícil encontrar alguém que os cite (ministérios, secretarias e ministros) e esclarecesse suas finalidades?

...Se o Bolsa-família e suas variantes só servissem para compra de votos e incentivo ao crescimento da natalidade nas faixas carentes da população?

...Se FHC criasse uma nova TV pública para "a pluralidade da informação"?

Tudo muito tedioso na Banânia

O acordo foi fechado.

Renan Calheiros teve que renunciar, pois os valentes petistas não aceitaram sua palavra desta vez.

Horas depois foi absolvido no segundo processo, selando o acordo.

Agora vai ajudar na prorrogação da CPMF.

Tudo muito tedioso. E profundamente ético.

segunda-feira, dezembro 03, 2007

Fim do Brasileirão 2007

Como esperado, a grande emoção da última rodada foi a briga contra o rebaixamento. Estava envolvido o segundo time mais popular do país, o Corinthians, que acabou pagando o preço de todos os erros que cometeu nos últimos anos.

Muita choradeira contra a decisão da arbitragem de mandar voltar o penalti cobrado por Paulo Bayer, no jogo do Goiás, duas vezes. A reclamação não tem fundamento, se o atacante demorasse mais um segundo para cobrar, levava um carrinho de Clemer. O goleiro colorado adiantou muito, e se tivesse defendido a terceira cobrança, teria que voltar novamente, pois estava quase na linha da pequena área quando Elson decretou a vitória do time da casa.

A verdade é que o Goiás teve a sorte de enfrentar, na última rodada, um time que não disputava mais nada no campeonato, o Inter. O Corinthians enfrentava um que disputava ainda a Libertadores. Mas nem disso o timão pode reclamar. Os resultados no intervalo tiravam qualquer chance do Grêmio sequer sonhar com a vaga; no segundo tempo o time não jogou. E o Corinthians foi incapaz de se aproveitar da apatia tricolor.

Na parte de cima, o Cruzeiro ganhou a vaga que tentou jogar pela janela de tudo quanto foi jeito, graças ao Palmeiras, que perdeu em casa para o Atlético, em uma atuação inexplicavelmente sem qualquer vibração. Parecia que estavam mais preocupados em ver o rival afundar no Olímpico.

O Flamengo terminou em terceiro, contentando sua supersticiosa torcida que não gosta de vice-campeonatos, coisa de vascaíno.

O campeonato terminou com recorde de público desde a implantação do sistema de pontos corridos, mesmo com o campeão definido com muita antecedência. Na última rodada eram raros os times que não precisavam de resultados, mostrando que essa estória de tradição por mata-mata é conversa. Basta uma disputa justa, sem cartolagem, que o público comparece. Mesmo com o time lá embaixo da tabela.

domingo, dezembro 02, 2007

Esse Josias é uma comédia

Blog do Josias de Souza:

Pesquisa realizada pelo Datafolha constatou que 65% dos brasileiros rejeitar a idéia de alterar a Constituição para permitir que Lula concorra a um terceiro mandato consecutivo em 2010. O que mais chama atenção no levantamento, porém, é a revelação de que 31% dos brasileiros com direito a voto apoiariam a idéia.

Não é pouca coisa. Sobretudo considerando-se que Lula diz, em público, que não deseja permanecer no Planalto.


O que Josias não diz, é que Lula sempre teve um eleitorado cativo de 33% que votam nele em qualquer cenário. Existem outros 33% que nunca votam nele, e um terço restante que flutua. O que a pesquisa mostra, é que neste eleitorado que flutua, ele não tem praticamente nada. E dizer que Lula diz em público que não deseja permanecer no cargo é petismo puro. Nem vou dizer "petismo da pior espécie" porque isso implicaria na existência de um petismo da melhor espécie... o que é uma falácia.

A pesquisa é contundente: a tese da re-re-eleição é rejeitada pelo brasileiro. É um bom sinal, pois indica que apesar da popularidade de um presidente (que continua alta), não se aceita o solapamento das regras do jogo.

Outro sinal claro é a virada que Hugo Chávez está levando na Venezuela. Pode ganhar? Claro que sim, ainda mais com o controle da apuração de votos... mas ficou evidente que o país rachou. Para desespero de Marco Aurélio Garcia e seu séquito. O Foro de São Paulo vê a aventura chavista como o início da "socialização" da América Latina. Ela não virá por aclamação, como se imaginava. Parece que a Venezuela resolveu acordar e perceber que a democracia não é negociável.

E agora Ricardinho?

A situação para o levantador Ricardinho ficou muito complicada após o título da Copa do Mundo de volei disputada no Japão. Após a derrota na estréia para os EUA, a seleção venceu 9 partidas seguidas com apenas um set perdido, no último jogo, contra os donos da casa. A tese que sem Ricardinho o Brasil não teria como enfrentar de igual para igual as maiores potências do volei mundial desmoronou após a vitória implacável contra a Rússia e a Bulgária. O levantador pode ser o melhor do mundo, mas não é insubstituível. É bom começar a pensar nisso.

sexta-feira, novembro 30, 2007

TV Lula vem aí

A tal TV pública nem estreou e já está mostrando que de pública não tem nada, é do governo mesmo. Esta semanas vários fatos sucederam-se em seqüência:
  1. Franklin Martins, revoltado com a pergunta de um jornalista, afirma que ninguém pode dar-lhe lição de democracia. E, logicamente, não responde à pergunta. Martins lutou para instalar uma ditadura comunista no Brasil, mas na versão dos perdedores, é um democrata.
  2. Duas diretoras da TVE pedem demissão ao verem a emissora invadida por um grupo grande de gente da nova TV. Logicamente sem concurso, e provavelmente com muito pouca qualificação. Em nota, a diretora executiva da TV pública(?), Beatriz Sussekind afirma que as duas foram demitidas. Era um recado para quem fica.
  3. Um jornalista e professor da UFF, Felipe Pena, debatedor do programa Espaço Público, no intervalo de um dos blocos do programa, é confrontado pela apresentadora, Lúcia Leme, que o pede para "maneirar" nas críticas ao governo porque a TV Pública "vem aí", e ela seria demitida.
  4. No primeiro dia de programa, uma ode a uma personalidade histórica. Don João VI? D Pedro II? Caxias? Jucelino? Nada disso. Trata-se de Che, o porco fedorento. Tudo em nome da tal pluralidade.
É tudo tão previsível que chega a ser tedioso. São os mesmos métodos que Stalin implantou na União Soviética. O clima na TVE é de terror, quem não se alinhar vai para a rua. É hora das oposições fazerem seu papel e denunciar. É hora do conselho curador começar a trabalhar.

Antes que seja tarde.

quinta-feira, novembro 29, 2007

Liberdade: uma visão clássica

Para se entender a liberdade, primeiro necessita-se compreender a vontade. A vontade é o querer com a razão. Normalmente se confunde com desejo, é muito além. Quando se vai fazer um concurso, uma pessoa decide que precisa estudar. Esta é a vontade baseada na razão, que lhe diz que é necessário o estudo para ter sucesso no concurso.

A liberdade se apóia, sobretudo, no exercício da razão. É uma das marcas que define uma pessoa, define sua atuação. Só se é humano sendo verdadeiramente livre.

A liberdade tem 4 planos que se sobrepõem, que se interlaçam.

Liberdade constitutiva

É a liberdade interior, a que existe no nível mais profundo do homem. É a que o faz ser dono de si mesmo, é interior a própria consciência. Nem um cativeiro pode suprimi-la: é a liberdade de sonhar, de desejar, de ter uma opinião, de imaginar. Para tirá-la é necessário destruir o homem. É por isso que a lavagem cerebral é destrutiva, quer se agir na liberdade interior do homem. Filmes como "Sob o domínio do mal" e "Laranja Mecânica" mostram a tentativa de retirar esta liberdade, e a principal conseqüência desta ação: a desumanização do homem.

Fica evidente também o mal de uma sociedade totalitária, que não quer apenas aprisionar o homem, quer eliminar a liberdade de pensamento do homem, sua liberdade interior; é antinatural e violento.

Liberdade de escolha

É o livre arbítrio. Refere-se a poder realizar uma escolha. É o contrário do que prega o determinismo, segundo o qual nossas escolhas são apenas aparentes. Uma série de fatores anteriores como a cultura e os valores impostos por uma sociedade já nos levam a uma decisão, ficamos apenas com a sensação de estar escolhendo.

O que existe, na verdade, é um conjunto de valores, que nos servem de base, mas não definem nossas decisões. Estas podem ser certas ou erradas, porque podemos escolher bem, melhorando nossa condição, ou mal, nos enganando sobre o que nos convém.

Liberdade moral

Quando utilizamos nossa liberdade de escolha, se realizamos um ato bom, este ato reforça a possibilidade de repeti-lo, é a virtude. Se por outro lado, escolhermos um ato ruim, reforçamos nossos vícios.

A virtude é o fortalecimento da vontade, e permite ao homem aspirar a bens árduos e distantes. A liberdade moral é um ganho de liberdade que permite ao homem realizar coisas que antes não podia, é a realização da liberdade fundamental ao longo do tempo. É o delineamento da própria vida. Viver é a capacidade de criar projetos e realizá-los. A liberdade moral é viver a própria vida, completar a própria biografia.

As metas mais elevadas para um homem consistem em seus ideais, a liberdade moral se relaciona com a liberdade que o homem tem de realizar esses ideais.

Liberdade Social

É a liberdade da pessoa realizar seus ideais dentro da sociedade. Por exemplo, para se adquirir uma moradia é necessário que na sociedade haja moradias disponíveis, e que esta moradia tenha um preço que se possa pagar. Para ter liberdade social é necessário, em primeiro lugar, que exista um ambiente onde se encoraje o exercício da iniciativa na equação dos próprios ideais.

Dentro deste contexto, surge a miséria. É a situação em que o homem fica preso a um mecanicismo em que não consegue fugir e, principalmente, crescer. Vai além da pobreza e, por isso, não pode ser vencida pela esmola.

A miséria é a forma mais grade de ausência de liberdade, porque reflete na ausência de bens necessários para a realização da vida humana na sociedade. A conquista das liberdades acontece paralela à libertação da miséria, liberdade significa, antes de tudo, educação. Proporcionar meios para que a pessoa possa guiar sua própria vida.

É preciso dar ao homem liberdade para que realize o melhor de si mesmo.

terça-feira, novembro 27, 2007

A ameaça nuclear

Estudando a história parece incrível que a Europa não imaginou, em 1914, que estivesse as vésperas de uma carnificina humana. Mas estava.

Estudando a história, parece incrível que o mundo não imaginou, em 1939, que se envolveria no maior conflito bélico da história. Mas se envolveu.

Os indícios estavam todos presentes, a conclusão parece óbvia hoje, décadas depois. Alguns homens perceberam, tentaram fazer o alerta, foram ignorados.

Não tenho explicação para o que aconteceu. Acredito que a humanidade fechou os olhos diante de uma realidade que não desejava encarar. Preferiu ignorar os alertas, chamar de loucos homens como Churchill, que já apontava para o desastre eminente. Mas existiu sim uma seqüência de fatos que apontavam para a destruição, bastava abrir os olhos para ver.

Quando explodiram as bombas nucleares, não foi mais possível esconder o pessimismo. A guerra terminara com uma realidade ainda mais assustadora, um país, os Estados Unidos, dispunham de uma arma de destruição nunca antes imaginada, um verdadeiro prenúncio de um apocalipse.
Logo a União Soviética tinha a sua, seguido da China.

Desta vez não houve espaço para dúvidas, o perigo era real. Soviéticos e americanos basearam sua defesa em um ponto em comum: se atacados, a reação seria devastadora. Era o que ficou conhecido como doutrina da Destruição Mútua Assegurada. Não havia como evitar um primeiro ataque, garantiam-se com a certeza do segundo.

Com a queda do muro de Berlim, e fim da União Soviética, o mundo suspirou aliviado. Acabara a ameaça. Os Estados Unidos já não tinham o gigante do leste como adversário, agora seriam aliados em uma nova realidade de um mundo globalizado.

Seria este o fim da ameaça? Alguns indícios parecem preocupantes.

A Índia e o Paquistão, inimigos históricos, possuem a bomba. Pior, são vizinhos, e o segundo encontra-se em convulsão social.

A Rússia começa a dar sinais de totalitarismo renascente. Putin está armando uma forma de se perpetuar no poder, agora como primeiro ministro, com um presidente fraco. Acreditar que o governo russo está satisfeito com um papel menor na política global é ir longe demais no otimismo.

A China sempre será uma incógnita. Apesar de um capitalismo controlado, em áreas específicas, ainda é um regime totalitário, e socialista. Um regime que aponta por uma busca do lugar hegemônico hoje ocupado pelos americanos.

Regimes delinqüentes estão avançando, o Coréia do Norte já possui um artefato. O Irã busca desenvolver sua tecnologia, até a Venezuela quer entrar no jogo. O que será do mundo quando os loucos possuírem tecnologia nuclear?

De que serve a doutrina da Destruição Mútua Assegurada para um fundamentalista? Para quem acredita no suicídio como forma de santa de guerrear?

Outro ponto importante, que pouco foi falado até aqui, é lembrado por Jeffrey Nyquist, um sociólogo americano, especialista em geopolítica. Com a proliferação das armas nucleares, como saber de onde partiu um ataque? Como saber se a Rússia ou a China, ou ambos, realizaram um ataque a Nova Iorque contando com a provável culpa dos fundamentalistas? Impossível? São nações pacíficas? Não existe isso no totalitarismo, terá a humanidade esquecido as lições de Hitler, Lênin e Stalin? Terão os milhões de cadáveres caídos no esquecimento da história?

O ocidente está hoje muito mais vulnerável do que durante a Guerra Fria. O inimigo é incerto, a ameaça difusa. O próprio americano não acredita na hipótese nuclear, em uma futura destruição.
Os indícios estão aí, e novamente vejo a humanidade fechando os olhos para uma ameaça real. Assustadoramente real.

Lições de Abismo

Arrumei os livros escolhidos, ajeitei as rosas na jarra, e pus em ordem o armário de roupas, sentindo nisso o prazer do solteirão que se instala e um pouco do viajante que inventaria seu beliche. E agora, correndo os olhos em volta, a verificar ainda se alguma coisa destoa, sentei-me na poltrona, para esperar com decência, com ordem, a visitante anunciada pelo Dr. Aquiles.


Gustavo Corção foi um pensador, católico, que muito escreveu sobre o homem, principalmente sobre sua moral. Cientista, perdeu e encontrou sua fé, conforme descreveu em seu livro A Descoberta do Outro. Por seu pensamento divergir frontalmente das esquerdas e do progressismo, foi sepultado pelos editores brasileiros. Sua obra só pode ser encontrada em sebos.

Foi assim que cheguei neste livro, seu único romance. Conta a estória de José Maria, um professor universitário, em seus 50 anos, abandonado pela esposa há mais de dez anos, sem contato com o filho há dois. Após uma visita ao médico, o Dr. Aquiles, descobre que está com leucemia e restam-lhe não mais do que 3 meses de vida.

Narrado na forma de um diário, a obra apresenta as reflexões do professor, sua busca por algo em que se apegar para o momento que se aproxima. Vive só, afastado de todos, tem apenas suas lembranças e seus pensamentos para fazer-lhe companhia. Pouco narra de sua doença e seus efeitos, o foco está na observação do mundo, nas descobertas, na filosofia.

O que é o homem? O que é a morte? Existe sentido para tudo isso? O que nos define? São perguntas que atravessam as páginas reflexivas de José Maria, que dá voz aos pensamentos de Corção sobre a metafísica. O professor é um cético, como o autor um dia foi, lembra Kierkegaard "quanto mais me demonstrarem a imortalidade da alma menos creio nela".

Muitos temas são atuais como nunca. Passeando por uma praça, o narrador se depara com um bêbado, que exclama:
__ O petróleo é nosso!
Assim narra José Maria mais adiante:
"Mal dei conta da tese nacionalista que o meu homem com tanto ardor sustentava. Já tenho observado que os bêbados são quase sempre nacionalistas. Não sei por quê."

Comenta sobre a hipocrisia de um vizinho, um ministro, ao receber caminhões de flores por seu aniversário.
"Mas se assim é, como se explica a satisfação do homem de Estado diante de tão feio espetáculo? Ele sabe, evidentemente, e até por experiência própria, que a bajulação é uma coisa feia, uma coisa abjeta. Melhor do que ninguém o homem de Estado conhece o exato valor da lisonja. Como se pode então compreender seu gordo sorriso satisfeito diante de tão repuguinante significação que as rosas escondem?"

Apresenta o coletivismo como um grande mal: "Ah! como eu o detesto, esse câncer que estrangula a humanidade! (...) é a teoria do ajuntamento sem unidade; é a tentativa de encontrar significado na multidão, já que não se consegue descobrir o significado de cada um; é a conspiração dos que se ignoram; a união dos que se isolam; a sociabilidade firmada nos mal-entendidos; o lugar geométrico dos equívocos".

Em outra passagem interessante refere-se ao universo como a construção de dois princípios. O primeiro, de ordem e economia, a busca pela solução ou o caminho mais fácil para os problemas. O outro, de natureza diversa, o da desordem, o da aventura. Não entender ou desprezar essa segunda, estaria na raiz do pensamento dos racionalistas, deterministas, essencialistas.

Para o racionalista, tudo se explicaria pela lei do menor esforço, da economia. "A imprensa, por exemplo, foi inventada para poupar esforço; o que só é verdade depois de reconhecer a extravagante loucura que leva o homem a ler, e sobretudo a escrever". Sobre o marxismo: "é uma grande aventura que tem por objetivo purgar a história do homem do espírito de aventura. Será a última aventura para acabar com a aventura, o último ímpeto de fervor para matar o fervor, o último esforço de heroísmo para liquidar o heroísmo".

Já no fim, em uma conversa com o médico comenta que "a psicanálise não serve para um moribundo, justamente porque o moribundo, mais do que ninguém, precisa saber um sentido absoluto na vida".

É uma conversa em que tratam da religiosidade, de Deus, e de verdades absolutas. Era a última conversa séria que José Maria teria com alguém, seriam essas suas últimas reflexões.

Corção escreveu um romance em que o homem se prepara para a morte inevitável, mas trata o tempo todo de seu oposto, a vida. Uma obra tocante, que faz pensar, escrita com poesia, com lirismo, que existe um leitor atento às várias nuances e metáforas. Um livro que merecia ser sempre re-editado e lido, para lembrar-nos que a morte está logo ali, e que estamos vivendo, construindo nossa própria estória.

segunda-feira, novembro 26, 2007

Surpresa?

Qual é surpresa com o desenrolar da brilhante idéia de colocar um ditador como mediador entre uma nação democrática e um grupo político-terrorista marxista? É cada uma...

Notas sobre o domingo

Se tem uma coisa que ninguém aguenta mais é o choro de Caio Jr a cada derrota do Palmeiras. Será que um dia ele vai dizer que seu time mereceu perder? A falta que reclama de Iarlei foi lá no início do lance, achei no mínimo discutível. Na minha concepção, não foi. Mas mesmo que tivesse sido, a defesa palmeirense rebateu a bola duas vezes, a jogada reiniciou, o zagueiro alviverde falhou clamorosamente, e a culpa é do juiz?

O gol foi realmente mal anulado, o bandeirinha errou. Mas não foi um desses erros clamorosos que se vê por aí, foi um de jogo. E a responsabilidade do lance era inteiramente do auxiliar, não entendo porque se coloca na conta de Tardelli. Não entendo também porque o Juca Kfouri está sempre embarcando nesses choros de Caio Jr. A verdade é que o Inter foi muito mais time que o verdão, o resto é choro de perdedor.

Sobre a Fonte Nova, não há muito a dizer, ou há, mas não por mim. Se existia um laudo técnico, condenando as condições de segurança do estádio, cabe agora ao Ministérios Público fazer a sua parte e processar, criminalmente é claro, os responsáveis pela liberação da Fonte Nova. Ferragem oxidada, aparente, é o suficiente para interditar qualquer estrutura de concreto armado. Por que não foi? Quem são os responsáveis?

Flamengo 2 X 0 Atlético-PR


Libertadores, novamente!

Depois de anos em campanhas pífias, finalmente o Flamengo conseguiu terminar um campeonato brasileiro de forma digna. Lutará na última rodada para definir sua colocação, entre segundo e terceiro; de qualquer forma, já está assegurada a vaga na Libertadores do ano que vem.

Depois de um primeiro tempo bem amarrado, com apenas uma grande chance, em cabeçada de Léo Medeiros, Renato Augusto abriu o placar logo aos 4 minutos, depois de bonita tabela com Souza. Como dizia os antigos, estufou a rede. A festa do Maracanã lotado ficou completa com o gol de Juan, aos 16.

Quando o telão anunciou o gol do Sport, que garantia a classificação antecipada, o foco deixou de ser o gramado, já não havia mais nada a ser decidido ali. Era aguardar o fim do jogo na Ilha do Retiro e comemorar, com direito a taça e tudo, um feito e tanto para quem chegou a ser penúltimo colocado do campeonato.

O importante agora é fugir da quarta colocação, que não garante a vaga direta para a fase de grupos da Libertadores. Para tanto, basta um empate no último jogo nos Aflitos.

Um final para lavar a alma rubro-negra.

domingo, novembro 25, 2007

Sem condições

Estou bebendo desde as 10:30... e o Flamengo ganhou a vaga da Libertadores... sem condições de escrever qualquer coisa... até amanhã!

Ohhh meu mengão... eu gosto de você... quero cantar ao mundo inteiro ... a alegria de ser rubro-negro...

sábado, novembro 24, 2007

Uma definição vagabunda

Se tem uma coisa que todo esquerdista tem horror é a tal da classe média. Não por acaso é a primeira a desaparecer em regimes socialistas. Vejam como Josias de Souza definiu o segmento:
Resta o brasileiro de classe média. Divido entre o desejo de viver como rico e o pavor de ganhar como pobre, é esse cidadão médio que mais torce o nariz para Lula.

É a falácia oriunda da visão dialética do conflito de classes do marxismo vagabundo. Afinal, existem os pobres e os ricos, a classe média é uma coisa esquisita que aparece no meio. Nem passa pela cabeça desse indivíduo que a classe média deseja apenas viver com dignidade, sem ser extorquida pelo poder público e ganhar um salário justo por seu trabalho. Quer oportunidade de crescimento, pagar um bom estudo para os filhos e um bom plano de saúde para não depender do circo de horrores oferecido pelo governo.

Ser rico é uma expressão da maldade, no mesmo texto fala que o " milionário não precisa do governo para desfrutar de sua pobreza de espírito". Isso quer dizer que a classe média tem um desejo pela maldade?

Josias de Souza deve estar pensando nos seus termos, imagino que seja um representante do segmento, ou um novo rico, pobre com certeza não é. Se é dessa forma como se vê, o problema é dele. Mas achar que todos temos os seus mesmos desejos, aí já vai uma distância gigantesca.

Um único senão

Ainda não consegui entender porque o procurador geral da república fez o correto no caixa dois mineiro, pedindo o indiciamento de Azeredo, por ser o principal beneficiário do esquema, e deixou de fora o beneficiário do esquema do mensalão. Ainda mais que o segundo caso foi muito além de um caixa 2 eleitoral, que é crime, ao realizar a compra de parte do congresso nacional. Ficou com medo?

A substituição do Walfrido por José Múcio mostra, mais uma vez, o tamanho da banana em que vivemos. O cara foi um dos participantes do esquema que comprou o PL como aliado do PT. Mas a nomeação não deixou de ser a cara do atual governo.

Novas aquisições

Duas coletâneas para minha coleção:


Photograph, The Very Best of Ringo
Ringo Starr(2007)
A mais nova compilação de sucessos do baterista dos Beatles. O encarte está bem detalhado, com as informações faixa a faixa

The Very Best of Roy Orbison
Roy Orbison (1996)

Coletânea com as principais re-gravações que o próprio Roy realizou em meados da década de 80.


sexta-feira, novembro 23, 2007

Na locadora

Um grande amigo, como fazia periodicamente, encontrava-se devolvendo filmes que alugara em uma locadora. Sempre se queixara que ônibus que pegava para retornar demorava muito. Mas naquele dia deu uma sorte danada, mal saiu da locadora e já vinha o transporte.

Correu até o ponto e conseguiu embarcar a tempo. Enquanto tomava fôlego, ainda sorridente, procurava nos bolsos dinheiro para pagar a passagem.
Foi quando seus dedos tocaram um objeto que causou-lhe surpresa. Era um molho de chaves. De carro.

Foi então que se lembrou: tinha vindo com o Opala de seu pai!

quinta-feira, novembro 22, 2007

Eutífron

Por Zeus, Eutífron, julgas saber com tanta precisão a opinião dos deuses a respeito do que é e não é piedoso, que não receies que, havendo as coisas sucedido como afirmas, possas cometer uma crueldade movendo esse processo contra teu pai?


Eutífron é um dos diálogos de Platão que retratam os últimos episódios de Sócrates. Nele, o filósofo encontra um adivinho, que dá nome ao diálogo, em seu caminho para o fórum para tomar ciência da acusação de Meleto que o levariam à morte. Fica sabendo que Eutífron estava movendo um processo contra o próprio pai, acusando-o de ter matado um servo, que por sua vez teria matado um homem.

Sócrates se espanta com a decisão do adivinho, e questiona-o sobre sua decisão. Cabe ressaltar aqui, que o pai de Eutífron não teria o matado dolosamente. O servo morreu por falta de cuidados enquanto estava acorrentado. O acusado teria se ausentado para descobrir o que deveria ser feito e por algum motivo se atrasara. O próprio Sócrates mostra que era um homem honesto, ao se referir a ele como o "homem probo".

Eutífron retruca que era uma questão de justiça, independente de quem seja o praticante do ato, dando início a um diálogo sobre o sentido de piedade.

É um embate em que Sócrates deseja uma resposta, mas nos seus termos. Não quer exemplos, ou uma parte do significado, mas quer que lhe explique a verdadeira essência da piedade.

Uma rápida busca pela internet mostra que existem várias interpretações para o diálogo, teses de mestrado e doutorado, enfim, muito estudo de gente muito mais capacitada do que eu. O que vai aqui é minha impressão pessoal, o que entendi do texto.

Inicialmente Eutífron afirma que a piedade é uma imposição da aplicação da justiça, "a piedade impõe o castigo do culpado, seja este pai, mão, ou outra pessoa qualquer; não agir assim é ímpio". A piedade seria o ato que estava praticando.

Essa resposta não satisfaz seu interlocutor, pois limita-se a declarar que está sendo praticado um ato piedoso ao acusar o próprio pai. Sócrates quer saber o "algo característico que faz com que todas as coisas ímpias sejam ímpias, e todas as coisas piedosos, piedosas".

Eutífron então responde que é piedoso tudo que é agradável aos deuses, e ímpio o que não é. O que leva a uma nova refutação de Sócrates através de um novo questionamento: se os deuses divergiam sobre os mais variados assuntos, então existiriam coisas que alguns consideravam agradáveis e outros não, ou seja, existiriam coisas que seriam piedosas e ao mesmo tempo não.

Não pude deixar de pensar no relativismo, na crença que não existem valores universais.

O adivinho apresenta uma revisão de sua definição, colocando como piedoso o que é aprovado por todos os deuses. Sócrates faz a grande pergunta do diálogo: "o que é piedoso tem a aprovação dos deuses pelo fato de ser piedoso, ou é piedoso por ter a aprovação dos deuses?"

Essa pergunta revela muito mais do que uma leitura inicial, na verdade é raiz para muitas coisas atuais, e o motivo do diálogo ser conhecido também como "da Religiosidade".

Eutífron coloca a piedade, e vale para muitas outras virtudes, como uma expressão da religião. Colocando nos dias atuais: é assim porque Deus assim o considera. Um ato é piedoso porque dessa forma é considerado por Deus, e não por ser piedoso em si.

Sócrates na verdade questiona o dogmatismo. Eutífron não consegue explicar a essência da piedade, e por não conseguir a coloca como uma expressão da divindade. O filósofo usa a lógica, a teoria da causa e efeito. Se alguma coisa é produzida é por que algo a produz, e não o contrário. Assim algo é amado por ser piedoso, e não piedoso por ser amado. Sócrates inverte o pensamento de Eutífron, tentando fazê-lo concluir que os deuses aprovam um ato pelo ato em si, por sua essência. O ato não é bom por ser amado, mas é amado justamente por ter sido bom."O que é amado pelos deuses é amado por isto mesmo, e não por ser amado é que ama".

A responsabilidade pelos atos estariam no próprio homem que o pratica, e assim seria considerado por Deus. Uma ato não é justo porque é expressão da vontade de Deus. Isso vai de encontro a todos os radicais que comentem os atos mais absurdos e o justificam como sendo estes agradáveis a Deus, e portanto, justificáveis.

O diálogo prossegue, Eutífron coloca a piedade como expressão da justiça. Sócrates novamente o questiona, seria a piedade parte da justiça ou a própria justiça? Haveriam atos justos que não seriam piedosos? Dessa forma o ato do adivinho, de acusar o próprio pai poderia ser justo, mas seria piedoso?

É um soco no legalismo. Muitos o confundem com legalidade. São coisas diferentes, o legalismo pressupõe que a norma legal seja perfeita, e portanto deva ser aplicada implacavelmente. É mais uma questão controversa, onde estaria o limite da legalidade e do legalismo? Uma pessoa que rouba um pedaço de pão deve responder da mesma forma que um que rouba milhões? Uma mãe que protege um filho, escondendo-o da lei por um crime que ele cometeu, deverá responder por este ato?

Em mais um esforço, Eutífron coloca a piedade como um ato de veneração aos deuses. Um novo questionamento: a piedade teria então alguma utilidade para os deuses, teriam eles eles alguma vantagem? Sócrates acrescenta ainda mais, questionando os sacrifícios e as oferendas. E se o homem os oferece é porque alguma utilidade tem para os deuses e, em troca, estes concederiam benefícios aos veneradores. O filósofo conclui: "a piedade não se resumiria numa técnica comercial que regulasse as trocas entre os deuses e os homens"?

Sócrates critica, muitos anos antes de surgir, a idéia da moral de utilidade. O homem agiria sempre para conseguir benefícios de Deus, e a piedade seria a expressão de sua veneração. Eutifron ainda argumenta que na verdade as oferendas e preces não teriam utilidade aos deuses, mas apenas lhe seriam agradáveis. O que leva Sócrates afirmar "que piedoso é aquilo que agrada aos deuses, e não o que é útil ou amado por eles". Eutífron acrescenta que o que lhes agrada também é o que mais amam, ou seja, "o piedoso é o que é amado pelos deuses".

Sócrates consegue que Eutífron volte para o mesmo ponto que havia refutado no início do diálogo, que a piedade seria uma expressão do que é amado pelos deuses. Dessa forma a idéia do adivinho seria instável, girando em círculos sobre o mesmo lugar.

Sócrates diz então: "se não distinguias com firmeza o que é piedoso do que não o é, não havia razão para acusar de homicídio seu velho pai". O filósofo o convida para continuar refletindo e buscando a resposta, até que tenha a firmeza necessária. Eutífron apresenta uma desculpa, falta de tempo, e se despede.

Nesse último ato, Platão mostra que as verdades devem ser buscadas em nós mesmos, em nosso íntimo, e que não é uma tarefa fácil; exige empenho, estudo, dedicação. Não conseguiremos nunca nos aproximar delas se fugirmos de nos indagar e tentar descobrir a sua essência. Devemos recusar o dogmatismo, o utilitarismo, o relativismo, e procurar nossas próprias respostas.

Não está certo

Esta semana está sendo difícil no Rio de Janeiro. Primeiro um turista italiano é morto atropelado por um ônibus ao ser empurrado por um marginal que o assaltava. Depois um policial do BOPE é executado depois de ter seu carro roubado. O mesmo aconteceu com um capitão do exército. E ainda mais dois PMs. Diogo Mainardi, como sempre, resumiu um diagnóstico muito apropriado: isto não está certo.

Por mais simplório que possa parecer, e mais óbvio também, estamos num país tão doente que isto não é uma unanimidade. Algumas semanas atrás, Luciano Huck ousou escrever um artigo retratando a sua frustração em ter sido roubado. Foi um caos, teve gente até defendendo que era uma troca justa: o ladrão ficara com seu relógio e ele com a vida.

Existe no imaginário da intelectualidade brasileira, e boa parte da mídia, a figura do bom ladrão, tão em voga no cinema brasileiro da década de 70. Acreditam que eles roubam por serem oprimidos, por passaram fome. Poucos tem a coragem de colocar a questão no divido ponto: transgredir as leis sociais é uma questão de escolha. Seja rico ou pobre. Ter desprezo a vida humana é questão moral, não de falta de oportunidade.

Reinaldo Azevedo tocou em outro ponto interessante. Cadê a nota da OAB/RJ questionando estes valentes? Cadê as ONGs aparando as famílias destes militares? Cadê o delegado da ONU, o mesmo que admitiu ter assistido o DVD pirada de Tropa de Elite, denunciando o desrespeito aos direitos humanos? Mas policiais atirando em bandidos armados é violência, bandidos executando militares desarmados não. O que esperar de um país que tem o presidente que temos?

O capitão, Wander Cerqueira de Souza, era um colega e amigo; fica a angústia e a tristeza de vê-lo sem vida por causa da violência urbana.

Isso não está certo.

quarta-feira, novembro 21, 2007

Aniversário na escola

Fazer aniversário perto do natal tem várias desvantagens. Uma delas é ter a maioria dos colegas viajando de férias. Lá em casa minha esposa passou por isso, e a Lorena está descobrindo agora; ambas fazem aniversário nesta época. Para minimizar a situação, quase um mês antes, a Lory comemorou seu aniversário de 4 anos na escola. Infelizmente não pude ir, estava em um congresso aqui no Rio, mas Eliene e Luan estiveram com minha princesa.

Meus tesouros



Meus herdeiros





Felicidades minha princesa!

segunda-feira, novembro 19, 2007

Redentor

Um grande desperdício

O primeiro problema de Redentor é definir que tipo de filme ele é. Uma comédia? Drama? Crítica social? Aparentemente é uma mistura de tudo, com resultado que simplesmente não convence.

Como comédia é um fracasso. Possui uma ou outra cena que arranca um sorriso e mais nada. A presença da dupla Pedro Cardoso e Miguel Falabella parecia apontar nessa direção, mas nenhuma situação potencial se desenvolve nesse sentido.

Como drama um outro problema. A duração do filme. Com vários personagens secundários, alguns interessantes, o filme é muito curto para desenvolvê-los. Até o personagem de Falabella (Otávio Saboya), um dos protagonista é mostrado com um grau mínimo de profundidade.Personagens aparecem e desaparecem da tela sem dizer a que veio e para onde vão. Apenas Célio (Cardoso) apresenta alguma coisa de substância.

Crítica social? O problema aqui é que todos os personagens são completamente caricaturais, o banqueiro boliviano, o advogado desonesto, o chefe de redação irritado, o ministro, o líder do presídio flamenguista, o fotógrafo socialista, a mãe pobre. Não sobra nada. Para piorar a verossimilhança foi jogada às favas.

Ou querem que acreditemos que um pai de família compra um apartamento numa fronteira imobiliária para atender o capricho de um filho de 5 anos? E ainda se sente culpado! Que um corrupto empresário coloca toda sua fortuna nas mãos de um jornalista, e um que o odeia. Que para atender o pedido da esposa um ministro coloca todo seu dinheiro em um empreendimento fajuto. Que Célio entre em desespero e sofra mais pela morte de um preso que acabou de conhecer do que pela de seu próprio pai.

Na verdade o que resta é proselitismo vagabundo, da pior espécie. Todos os personagens com algum dinheiro são corruptos ou amorais. E todos os pobres, sem excessão, são a expressão da bondade, até mesmo os que estão cumprindo pena.

A mão de Célio ao dar a notícia da morte do pai afirma veemente: "a polícia matou seu pai". Na verdade ele teve um ataque cardíaco quando a polícia desalojava os habitantes ilegais do condomínio Paraíso. A propriedade privada é vista como o grande mal, a "entrevista" de Célio com morador do 808 é prova. O discurso pelo direito de quem pagou morar no apartamento é visto como o de um histérico, de um insensível. Já o do invasor é mostrado com simpatia, como um direito.

A redenção mística é ainda pior. Deus não pede que Célio faça Otávio se arrepender do que fez. Quer que o empresário, de espontânea vontade, doe todo seu dinheiro aos pobres. O arrependimento é colocado em último plano, tanto que só vem no último minuto, mas não é sincero, é o desespero de um homem que vai ser jogado do alto de um edifício. Não existe conversão ou reforma íntima para Otávio. Nem doação espontânea. Pedro se limita a seqüestrar e roubar o colega de infância. E pior que no fim a imagem que fica é que Deus queria exatamente isso. Ou seja, que o roubo, nessas circunstâncias, é justificado.

É a grande mensagem que fica nas entrelinhas. Se a causa for considerada justa, não existe lei, pode tudo para conseguir o que se deseja. O que fica é a sensação de que mais uma vez Deus foi usado para justificar a violência dos oprimidos.

Para fechar com chave de ouro, a cena simplesmente ridícula de Otávio Saboya na prisão, na mesma cela que Célio tinha sido preso. Um filme para esquecer. Nota 3.

domingo, novembro 18, 2007

Judô: quase que deu

Foi por muito pouco que o Brasil não levou a taça do mundo de judô por equipes em torneio disputado na China. Depois de passar pela Rússia e pelos donos da casa, enfrentamos o Japão na decisão do ouro. Infelizmente estávamos sem João Derly, Tiago Camilo e Flávio Canto, desfalques consideráveis para qualquer equipe. Ainda mais que nestas categorias, os judocas que se apresentaram estavam em nível bem abaixo dos japoneses.

A grande surpresa foi Hugo Pessanha, que não conhecia. Venceu o campeão mundial de 2005, Hiroshi Izumo, com um bonito vazari. Antes Pedro Guedes havia conquistado uma vitória também inesperada. Luciano Corrêam lutou como campeão mundial, vencendo sua luta por ippon.

Com o placar em 3 X 3, João Gabriel precisava da vitória, e quase conseguiu. Faltando 30 segundos o koka que daria o título ao Brasil ficou por muito pouco. A luta terminou empatada e o Japão conquistou o título no critério de desempate.

Considerando os desfalques, perder o título lutando de igual para igual com a fortíssima equipe japonesa, o Brasil foi muito bem. Estamos em boa rota para o jogos olímpicos; torço para apenas para que as contusões não nos atrapalhe.

Expurgo do IPEA

O expurgo do IPEA é muito mais grave e emblemático do que a maioria pensa. Em seu grande livro, A Revolução dos Bichos, Orwel narra que os animais da fazenda começaram a achar que estavam comendo menos do que no tempo do domínio dos homens. Foi então que Chalaça, o porco responsável pela proganda da revolução, trouxe uma série de gráficos e estatísticas mostrando que era o contrário: comiam mais ração do que antes.

Orwel criticava a propaganda oficial do regime soviético que produzia dados mentirosos para manter o controle da população. Observem qualquer dado oficial sobre Cuba: o regime caribenho é um sucesso completo. Regimes socialistas abominam a verdade sobre si mesmos, repetem mentiras sem o menor pudor.

O petismo não instalou uma república socialista no Brasil porque não pode. Mas não passa um dia sem avançar um pouquinho nesta linha, testando as reações, extendendo o limite do possível. Foi o que aconteceu no IPEA: o expurgo de 4 economistas não alinhados com o governo.

Por que a presença desses economistas tornou-se indesejada no instituto? O IPEA sempre se caracterizou por estudos sérios, estatisticamente bem fundamentados, produzindo panoramas e projeções econômicas para o Brasil. Seu trabalho sempre foi independente do governo da ocasião, e isto, no petismo, é intolerável.

A re-eleição de Lula, principalmente depois de todos os escândalos de corrupção de seu governo, revelou-se um verdadeiro cheque em branco. Se o eleitor aceitou tudo aquilo, não há nada que não posso aceitar. O governo é mais forte hoje do que no início do primeiro mandato. Daí a prepotência cada vez maior de seu chefe e a virulência com que seu governo atropela, uma a uma, as instiuições da república.

Os novos 4 economistas nomeados para o IPEA mostram a intenção do governo. São todos da denominada linha "desenvolventista", a que acredita que o importante é o crescimento econômico, mesmo se resultar no desequilíbrio das contas públicas, e na inflação.

Não é por acaso que o gasto público sobe a taxas três vezes maiores do que a arrecadação; a ordem do governo é ampliar cada vez mais, aumentando ao máximo o estatismo.

Giambiaggi, um dos economistas expurgados, apontou em livro recente as razões do atraso brasileiro. O principal vilão é o estado, que consome grande parte das riquezas do país, e sufoca a iniciativa privada, essa sim capaz de produzir geração de riquezas que tanto se precisa. Por suas idéias agora está fora.

É como muita tristeza que vejo esta caminhada rumo ao abismo inevitável; é uma política que sempre levou à ruína econômica. Quando o petismo deixar o poder, terá produzido a verdadeira herança maldita dessa nação. Minha geração e as futuras terão que lidar com essa herança, nosso futuro estará comprometido por tudo que está sendo feito hoje, com aplausos boa parte da intelectualidade brasileira, é bom que se diga.

A cada dia estou mais pessimista. É um pesadelo contínuo, que parece nunca chegar perto do fim. Toda euforia que senti nos anos de 94 a 96, com a constatação que pela primeira vez estávamos no rumo certo, acabou-se. Resta apenas a desilusão de ver meu país cada vez mais dominado por uma quadrilha, assaltando os cofres públicos à luz do dia, e jogando às favas o nosso futuro.

Fotos do casamento

O casamento foi muito bom, nos divertimos bastante. Deu para quebrar a rotina dessa reta final de dissertação de mestrado.


Com os noivos



Com minha metade

sexta-feira, novembro 16, 2007

Casamentos

Estou indo para um casamento agora. Adoro casamentos, acho a alegria dos noivos e suas famílias contagiantes. São duas estórias que se cruzam, agora diante da sociedade, dos parentes, e, normalmente, de Deus.


Sei que muita gente não acredita no casamento, acha apenas uma formalidade. Eu não. Acho um momento especial, revestido de uma importância muito grande, o marco inicial de uma família. Não importa se já existam filhos antes da data, o meu caso foi assim, mas o casamento é o início efetivo da família. Quem vive esse acontecimento, com intensidade que a data merece, sabe do que estou falando.


O casamento é uma instituição muito atacada nos dias de hoje, visto até como uma imposição religiosa. Não é. É a decisão de duas pessoas de compartilharem uma vida, dividirem alegrias e tristezas, se doarem umas as outras. É a base com que se constrói a família, o núcleo fundamental da sociedade.

Sim, o casamento é um papel, uma convenção; tudo isso pode acontecer sem a cerimônia. O acontecimento em si não é o que importa, mas a sua representação para aquelas duas pessoas. É uma data única, que não volta atrás, que fica para sempre na lembrança.

Associam o casamento com o fim do romance, com o tédio. Estou casado há 7 anos. Sou mais feliz hoje do que no dia em que subi o altar, mais completo, mais realizado. Seria também sem a cerimônia? Com certeza. Mas seria uma lembrança a menos, e que lembrança!

O casamento não deveria ser um decisão impensada, um rompante, uma aposta no escuro. O divórcio fast-food contribui para banalizá-lo. Casa-se e descasa-se em um único dia. Não acho que a humanidade é melhor por causa disso, na maioria dos casos só revela a falta de valores de um mundo perdido. Um mundo que não sabe para onde caminhar.

Já fui em casamento que durou um mês. Mas já fui nos que duram até hoje. E todos eles tiveram algum significado; todos remetem ao meu. E só por isso já fico feliz ao ver os noivos, ao ver as famílias, os amigos. Obrigado por me lembrarem do meu. Só isso já vale a noite!


Flamengo e Sport: por uma solução de bom senso

Esta polêmica entre Sport e Flamengo já se arrastou demais. Está na hora de dar uma solução definitiva, e de bom senso.

É direito do Sport pedir o título? Claro que é. A CBF é quem reconhece o título brasileiro e ela, de fato, provocou o ridículo cruzamento entre módulos amarelos e verde em 1987. O argumento que não era justo tirar o módulo amarelo da disputa do campeonato não procede. Em 1987 simplesmente não iria ter campeonato brasileiro, a CBF tinha reconhecido de público que não tinha condições de custear a disputa. Daí a solução do clube dos 13.

A insistência e até virulência com que os dirigentes do Sport rechaçam qualquer tentativa de divisão de título só mostra uma coisa: que de fato o Sport não foi o campeão. Pode ser por direito, mas se fosse de fato não precisaria estar agora gritando tanto e mostrando decisões judiciais.

A decisão atual também não é boa para o Sport. Explico: tirando talvez, os jornais recifenses, a grande maioria da imprensa nacional coloca como campeão o Flamengo com um asterisco. O asterisco vem com a explicação "A CBF considera o Sport campeão...". Ou seja, o Sport não figura no quadro de campeões, entra como um asterisco, no fim da página.

Não basta passar a vida bradando que é campeão, título reconhecido apenas por seus torcedores. É preciso ter reconhecimento nacional, e isso não tem. Talvez imagine que, quando toda a geração que viu o que aconteceu em 1987 desaparecer, possa virar campeão de fato. Acho a hipótese, no mínimo, arriscada.

Quanto foi, no campeonato, Sport x Vasco? Sport x São Paulo? Cruzeiro? Santos? Corinthians? Grêmio? Internacional? Fluminense? Não houve. Pode um time ser campeão brasileiro sem jogar nem uma vez com estes times? Por isso a necessidade de decisão judicial, de ficar bradando que o título é seu. Quem tem não precisa ficar mostrando para todo mundo.

Os dirigentes do Sport precisam entender que a solução de bom senso só pode ser uma: dividir o título. Longe de diminuir o clube, o tiraria do asterisco, do fundo de tabela, da alcunha de "campeão da CBF". Seu título deixaria de ser colocado em segundo plano pela imprensa esportiva, e até pelos torcedores dos outros clubes.

Aí sim poderia ser considerado campeão de fato e de direito. Por que de fato, o Flamengo é. Disputou um campeonato considerado nacionalmente como o campeonato brasileiro, e venceu depois de uma semi-final espetacular contra o grande time do ano: o Galo.

Negar isso é querer viver na irrelevância. Como vive o título do Sport.

quinta-feira, novembro 15, 2007

República?

O "moderado"

A maior parte da mídia brasileira, junto com os analistas americanos, consideram Lula um contraponto à Hugo Chávez. Outro dia, até Merval Pereira, que escreve bons artigos de opinião, classificou nosso presidente como "esquerda moderada". Volta e meia surgem pequenas notícias que dão conta que Lula estaria "irritado" com as diabrices do venezuelano.

Lula só não faz no Brasil o que Chávez está fazendo na Venezuela porque não pode. Simples assim. Até porque o Brasil é o país mais importante no mundo a afiançar o que acontece na Venezuela. Está claro nas palavras ditas ontem:

"Podem criticar o Chávez por qualquer outra coisa. Inventam uma coisa para criticar. Agora, por falta de democracia na Venezuela, não é."

Querem mais?

"O que não falta no país é discussão. Democracia é assim: a gente submete aquilo que acredita, o povo decide e a gente acata o resultado. Se não, não é democracia".

É a velha tese totalitária de que a democracia permite tudo. O nazismo e o fascismo foram amplamente populares em sues países enquanto duraram, isso os justifica? Se a maioria de um povo decidir exterminar uma minoria, pode? Se fizesse uma consulta popular sobre o destino de Renan Calheiros e a ampla maioria decidisse pela forca, tudo bem?

A esquerda, quando lhe é interessante, sempre defende a consulta popular, como se o Congresso não fosse uma expressão legítima para expressão da população. O brasileiro seguramente não é, por fatores culturais e, principalmente, por nossa forma eleitoral esdrúxula. Mas a solução não é eliminá-lo. Ruim com ele, pior sem.

O discurso de Lula II justifica uma ditadura. Não custa lembrar que Saddam Hussein era constantemente eleito por 100% dos votos. Era um exemplo de democracia o Iraque, não?

Esse é o presidente que disse há alguns anos que na Venezuela existe "democracia até demais". A imprensa preferiu dar a esta frase uma conotação de mais um ato falho, uma frase dita sem pensar. Pois está aí no discurso de ontem. Só falta lamentar que no Brasil exista menos democracia que na Venezuela.

Novamente defendeu o direito de Chávez perpetuar no poder, comparando-o com Thatcher, Mitterrand, Kohl. Todos, é claro, chefes de governo, não de estado. Um primeiro-ministro é eleito sem mandato fixo. Pode durar alguns meses, como já duraram, ou muitos anos. Tudo depende do seu desempenho, enquanto contar com a confiança do parlamento, que É expressão da vontade popular, permanece. No dia que perder, cai. Se fosse primeiro-ministro, Lula teria caído no mensalão. Teríamos tido novas eleições e um novo Congresso, menos petista.

Lula na verdade não defende só Chávez, defende também seu próprio direito de se perpetuar no poder. Como? Com uma mudança na constituição, via parlamento ou plebiscito. Por que não o faz? Porque não pode, ainda. Tudo que saiu até agora sobre o terceiro mandato é balão de ensaio, para ver a aceitação. Por enquanto os petistas percebem que não há condições políticas, a negociação da CPMF mostra o que seria no congresso a negociação por um terceiro mandato, e o preço que corresponderia.

Não, Lula não é um esquerdista "moderado". É um dos membros fundadores e atuantes do Foro de São Paulo, o que nunca negou. O objetivo é transformar a América Latina em um continente socialista, o lixo que a Europa rejeitou, finalmente, em 1989. Cada governo socialista avança, na velocidade que lhe é permitida, para alcançar este objetivo. Mas avançam.