quinta-feira, janeiro 18, 2007

A Globo e o Futebol


Dois episódios noticiados hoje em dois blogs diferentes mostram bem dois vícios do nosso futebol, em ambos a Rede Globo é protagonista.

A direção da Rede Record não perdoa o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, pela decisão de recusar a oferta para transmitir a próxima Copa do Mundo com exclusividade. A Rede Globo propôs US$ 240 milhões à Fifa pela exclusividade e a Record quase dobrou a oferta: US$ 400 milhões. Apesar disso, a CBF recomendou e a Fifa optou pela Globo, por considerá-la “parceira tradicional” e também a cobertura maior do território nacional.

Por Cláudio Humberto


Se a diferença fosse, sei lá, de 10 milhões vá lá. Mas quase o dobro? O que leva uma entidade privada como a CBF a atuar para impedir a venda do produto de seu interesse por quase o dobro do valor? A história de cobertura maior é balela. Através de acordos regionais existe como o sinal chegar nos rincões do país, mesmo que seja pela Rede Globo. A interesse da CBF só pode ser outro. A Record tem capacidade muito menor de lhe criar problemas. Desta forma Ricardo Teixeira mantém a Globo ao seu lado para a empreitada de cediar a copa de 2014. Pode-se experar qualquer isenção da Grande Emissora para tratar os negócios da CBF depois deste presente?

A lei que obrigaria os jogos de futebol profissional a começar até no máximo 9 da noite no município de São Paulo foi vetada pelo prefeito Gilberto Kassab.

As reações a ela, como previa o autor do projeto (vereador Tião Faria, do PSDB), foram extremadas. Mas algumas opiniões contrárias se baseavam em uma interpretação completamente distorcida da proposta.




Recomendo que leiam este texto completo da Soninha. Tenho minhas divergências com ela, principalmente política, mas gosto da maneira como ela vê o esporte. Neste caso está coberta de razão, a Globo compra o direito de transmissão de um evento esportivo. É diferente de ele mesmo produzir o evento. Que se faça pequenas adequações de parte a parte para arrumar a grade tudo bem, mas jogar o futebol para as 22:00 para não atrapalhar a novela já é demais. A cada dia temos os estádios mais vazios, principalmente nas rodadas noturnas. Colocar o início das partidas no máximo às 9 da noite é sim uma medida de bom senso, principalmente quando a própria polícia dos grandes centros é incapaz de dar total segurança ao torcedor durante a madrugada, principalmente na saída e deslocamentos para casa. Este deveria ser o papel do poder público, evitar os abusos econômicos por parte de empresas que prejudiquem o consumidor. Não competir com estas empresas, como é a prática no Brasil.

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