sexta-feira, janeiro 05, 2007

Super-Heróis e a Filosofia

Verdade, Justiça e o caminho socrático
Coordenação: William Irwin
Coletânea de: Matt Morris e Tom Morris

Qual a relação entre os personagens dos quadrinhos e a filosofia?
Esta é a pergunta central que é explorada neste livro, que terminei ontém. Trata-se de uma série de ensaios, escritos por diferentes autores, filósofos e autores de quadrinhos, que analisam os atos e personagens de acordo com o ponto de vista filosófico.
Alguns temas que são debatidos:
  • O que é um super-heróis? O que o define? Não seria esta palavra um oxímoro? Pode alguém com super-poderes, praticamente invulnerável, ser considerado um herói já que praticamente não corre riscos? Ou os heróis seriam justamente aqueles que não possuem poder e se arriscam seriamente para realizar um feito?
  • Podem os combatentes do crime e vigilantes inflingirem a lei ou o processo legal para prender ou punir criminosos? Estariam acima das instituições do estado?
  • Como é considerado Deus nas histórias de super-heróis? Por que Ele normalmente está ausente nestas histórias?
  • Como é tratado a questão da sabedoria nos quadrinhos? A própria sociedade ocidental já não seria cética em relação ao assunto?
  • Por que os super-heróis se esforçam para ser bons? Seus poderes não o colocariam acima da julgamento e capacidade punitiva da sociedade? Por que muitas vezes ser incompreendido pelo desejo de ser bom?
  • Quais seriam os deveres morais de um super-herói? Pode o Super-Homem mentir para Louis Lane sobre sua real identidade? Não seria esta mentira uma falta de confiança nela?
  • Como tratar a identidade dos super-heróis? O que é esta identidade? O Super-Homem é o Super-Homem ou é Clark Kent?
O livro é muito legal e gostei particularmente de dois ensaios:
  1. O Capítulo 9 baseia-se no Batmam para discutir os níveis de amizades definidos por Aristóteles: a amizade de utilidade, a amizade de prazer e a amizade de virtude. Segundo o autor do ensaio, apesar de sempre em companhia de muitos ajudantes e amigos, o cavaleiro das trevas nunca chegou no terceiro nível, pois se privou dele para dedicar-se ao combate ao crime.
  2. O Capítulo 16 trata da obra O Reino do Amanhã, onde é explicitada a semelhança da história do Super-Homem com o Cristianismo. Interessante que revi o filme Supermam outro dia e os roteiristas também foram neste sentido. Nessa obra, o autor vai mais longe, coloca a ação no futuro onde o Super-Homem volta após longo retiro, fazendo uma analogia bastante interessante com o que seria a segunda vinda de Cristo.

3 comentários:

Anônimo disse...

Na verdade, o criador do Superman falou milhares de vezes que o seu grande inspirador era HERCULES, na verdade, todos estão se enganando ao comparar Jesus c/ Superman, o certo é a semelhança lendaria Hercules c/ Jesus( Como os antigos romanos já falavam...), algo que vc pode ver em Lord Raglan e seu livro The Hero e em Campbell e o Heroi de Mil Faces ;)

Hugohan disse...

Reino dos Céus????

Você não quis dizer Reino do Amanhã (Kingdom Come)??

...

Marcos Guerson Jr disse...

Realmente. Passou batido. Já corrigido, valeu!