quarta-feira, fevereiro 28, 2007

Questão de fé

Em outubro de 2004 eu era o engenheiro membro de uma comissão responsável por uma obra do Exército, portanto pública. O recurso tinha acabado de sair e estávamos lançando a licitação para a construção de 3 edifícios de 3 andares e uma casa. A abertura dos envelopes seria em meados de novembro, e computado os recursos chegaríamos facilmente ao empenho nos primeiros dias de dezembro. Em reunião afirmei o óbvio: tínhamos que nos preparar porque ao final do exercício financeiro a obra provavelmente nem teria começado. O chefe comissão disse que era para terminar em dezembro. Com o apoio do responsável pela comissão de licitações argumentei que era impossível sequer começar, quanto mais terminar. Nunca esqueci as palavras do chefe:

__ Na minha vida aprendi uma coisa e espero que você aprenda também: temos que ter fé!

Naquele momento soube que não havia mais argumentos possíveis, contra a fé não se discute. Mas aprendi uma lição: quando em uma discussão de natureza técnica, ou financeira, alguém levanta o argumento da fé e porque você venceu o debate, embora não leve o prêmio.

Foi divulgado pelo IBGE finalmente o PIB do ano passado. 2,9%. Pela segunda vez superamos apenas o Haiti (que está em guerra civil) na América Latina. Não vou ser tão duro, existem dois resultados absolutamente inverossímeis que ninguém acredita (14% de Cuba e 10,5% da Venezuela). Vá lá, o venezuelano é até possível por causa do petróleo, embora os institutos daquele país já não sejam mais confiáveis, mas o cubano...

Pois a média do primeiro governo de Lula foi de 2,6%. O do primeiro governo de FHC foi de 2,57%. A diferença é que o crescimento mundial nos últimos 4 anos é o maior desde o fim da II Guerra. E estamos perdendo a onda, se já não a perdemos. E qual é a reação do governo:

O IBGE vai mudar a metodologia para cálculo do PIB! Não é uma canalhice? A culpa, vejam só, é do IBGE! Não dá nem para comentar um absurdo destes. E o presidente? Vejam o que ele afirmou hoje sobre o Brasil:

“vive um momento de solidez que pode significar um atrativo enorme para as pessoas de outros países que acreditem que o Brasil é um porto seguro para os seus investimentos.”


O que no governo FHC era fracasso econômico agora é momento de solidez. Até aí ainda estava no petismo normal. Mas o pior ainda estava por vir:

O ministro Paulo Bernardo (Planejamento) disse ter conversado, pelo telefone, com Lula. Achou-o otimista. E instou os jornalistas a seguirem o exemplo do chefe. "Vocês são jornalistas de pouca fé", disse o ministro.


E estamos reduzidos a isto. Uma questão de fé!

Estudo OEA sobre violência no Brasil

O Globo:

Os 556 municípios brasileiros com maiores taxas de homicídio de jovens, o equivalente a 10% das cidades do país, concentram 81,9% das vítimas de assassinato de 15 a 24 anos. De 1994 a 2004, o número de mortos nessa faixa etária subiu 64,2%, totalizando 175.548 óbitos. É o que mostra estudo divulgado ontem pela Organização dos Estados Ibero-Americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI).

O Estudo mostra que está havendo uma interiorização do crime. Mas é possível ver uma tendência nos dados apresentados. As cidades que se destacam no número de homicídios, por exemplo, situam-se nas fronteiras físicas do país ou nas fronteiras econômicas. Estar áreas tem em comum a ausência do Estado. Mais um dado que contraria os teóricos da criminalidade fruto dos problemas sociais. O principal fator para explosão da violência é que o Estado não está fazendo sua parte. Não prende, quando prende não julga, quando julga não condena, quando condena não cumpre a pena. É muito convite junto ao risco do crime. Muita coisa tem que dar errado para que acabe cumprindo uma pena, que em geral pode ser bem reduzida.

A interiorização é ainda mais preocupante porque mostra que o problema é federal, coisa que nenhum governo quer assumir. É melhor deixar a bomba estourar nas mãos dos governadores.

Pois os governadores, em sua grande maioria, não possuem recursos suficientes para um combate efetivo, e mesmo se possuíssem não seria o suficiente. O principal incitador da violência é o tráfico de drogas, que é assunto federal em qualquer país por suas conexões internacionais, menos aqui.

E novamente se fala em campanha de desarmamento. Tem índices por aí que indicam que diminuiu a criminalidade com a campanha de recolhimento de armas de 2003. Desconfio. Obviamente as mortes por disparo acidental, normalmente por crianças, podem ter efetivamente diminuídas. Mas é muita ingenuidade acreditar que um bandido venda sua arma para o governo.

PS: procuro sempre usar o termo bandido porque de uns tempos para cá ele ficou meio politicamente incorreto, o que é um grande motivo para usá-lo. Bandido é bandido em qualquer parte do mundo civilizado. Aqui é uma vítima da desigualdade social. Parece que os bandidos somos nós.

Retrato fiel de um líder

Mais violência

Vocês conhecem Bernado Cataldo Neto? Pois este senhor foi condenado em 1997 por estuprar uma menina de 14 anos. Foi condenado a 14 anos de prisão. Duvido quem encontre um país (decente) que condene a 14 anos o estuprador de uma menor. Mas isto não é o pior. Devido ao nosso regime de "progressão da pena" ele foi solto após cumprir metade da pena.

Foi preso na segunda-feira novamente. Estuprou uma menina de 3 anos! 3 anos! É a idade da minha filha. Pois além de ter a filha estuprada a família ainda é obrigada a conviver com o fato que o bandido deveria estar cumprindo sua pena na prisão (por menor que fosse).

Enquanto isso as ONGs de proteção aos menores faz pressão no congresso contra a redução da maioridade. Será que ninguém percebe a contradição? Estão se lixando para o menino João Hélio ou esta pobre menina. O que querem é continuar mamando no dinheiro público para supostamente fazer o papel que o Estado deveria fazer. Defendem que em vez de colocá-los na prisão devem ser cuidados com "amor e carinho".

Pois a pressão das ONGs está fazendo efeito. O Senado recuou ontem na questão e adiou a votação da matéria. A mesma coisa aconteceu na Câmara com novas leis contra a impunidade. Infelizmente devemos esperar mais uma tragédia para a questão andar.
E não vai demorar muito.

terça-feira, fevereiro 27, 2007

Bem Amigos

Curtas sobre o Bem Amigos de ontem na Sportv:

O Branco estava irreconhecível. Nem tanto por estar bem acima do peso da época de jogador, mas pela absoluta falta de clareza em seus raciocínios. Estava com a voz enrolada e com cara de tédio. A impressão que se tinha era que estava sob efeito de alguma droga. Que coisa. Mas foi bom relembrar seu histórico gol contra a Holanda em 1994.

Quando iniciou-se, de forma imprevista, uma discussão sobre as relações de trabalho jogador-clube-empresário Galvão Bueno ficou nervoso e procurou encerrar rapidamente a discussão. Chegou a ser deselegante algumas vezes.

Alberto Helena Júnior não gosta de ser contrariado e perde a linha algumas vezes. Ontem chegou a ser duro com Galvão que interrompia um raciocínio seu. Na época da copa fez um discurso idiota e totalmente ofensivo aos companheiros de mesa redonda em defesa de Cafú após o jogador ter batido o recorde de jogos pelo Brasil. Lembro que na época apenas Renato Maurício Prado retrucou. Desde este dia tenho uma certa antipatia por este comentarista.

Na discussão sobre o ato de Renato Gaúcho de sentar no banco e cobrir o rosto com as mãos como um torcedor comum gerou uma boa discussão. O melhor do programa foi a leitura da crônica de Armando Nogueira sobre o assunto. Armando é realmente o mestre da crônica esportiva brasileira, e por enquanto não tem sucessor.

Reformas...

Obina

Infelizmente o Flamengo perde Obina para boa parte da temporada. De tanto a torcida, folcloricamente, compará-lo com Eto'o acabou acreditando e foi vítima da mesma contusão. A identificação da torcida com o baiano lembra muito da que existia com Fio Maravilha, e o atacante vinha realmente correspondendo em campo. Agora é aguardar a sua volta e torcer para uma boa recuperação.

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Escritórios



Esta foi noticiado no blog do Cláudio Humberto, que por sua vez reproduzia post do blog Acerto de Contas. Este último é escrito por um jornalista e um doutor em finanças, ambos pernambucanos, e hospedados no Jornal do Comércio. Não há palavras para comentários e é um dos casos que reproduzo na íntegra os colegas pernambucanos.


Reparem nas duas fotos. Na imagem de cima, trabalha em seu humilde escritório de 2×3 metros um dos homens mais ricos do mundo, segundo a revista Forbes. Trata-se de Steve Balmer, sócio fundador da poderosa Microsoft. Na foto de baixo, vista panorâmica do gabinete do prefeito do Recife, João Paulo (PT), com seus 1.100 metros quadrados e que foi reformado recentemente ao custo nada singelo de R$ 1,2 milhão, oriundos dos nossos impostos.

Vamos fazer uma rápida comparação entre esses dois profissionais:

Steve Balmer não é tão conhecido como seu sócio, Bill Gates. Faz mais o estilo ‘low profile’ - que em bom português significa discreto. Até por isso poucos o conhecem, mas quem teve esse privilégio atesta que ele é a verdadeira mente por trás da Microsoft. Administra uma empresa com 63 mil felizes funcionários espalhados por todo o mundo, com faturamento de US$ 10 bilhões a cada três meses - cerca de R$ 84 bilhões ao ano.

O prefeito do Recife, João Paulo, tem personalidade oposta. É o chamado ‘arroz de festa’ - aparece em tudo quanto é evento e não pode ouvir duas latas batendo que já cai no passo do frevo. João Paulo comanda 35 mil servidores municipais mal remunerados e administrou, em recursos ordinários do Tesouro Municipal, R$ 1,3 bilhão em 2006.

Moral da história: nem todo mundo tem o escritório que merece.

Em tempo: nesta não faço distinção de partido político. Por acaso o prefeito é petista, mas a grande maioria dos políticos brasileiros adotam escritórios parecidos. Como com políticos assim uma nação pode dar certo?

Melhor ator...

Curtas

O ministro Guido Mantega foi mantido como refém junto com a esposa na casa de amigos em Ibiúma durante toda uma madrugada durante um assalto. Pois a esposa do ministro não disse que "os caras foram supergentis"? O que leva uma pessoa a passar a noite sob a mira de revólveres e terminar com uma dessas? Deve ser por ninguém ter morrido, mas daí a dizer que os marginais foram pessoas gentis vai uma tonelada de alfafa.

Engraçado. Não sei porque mas vários jornais e revistas começaram a cobrar uma promessa pública do Presidente da República de conceder entrevistas coletivas toda a semana. Até agora não convocou nenhuma. Queriam o que? Que o presidente desse satisfação do seu governo? Que país essa gente acha que vive?

A OAB tinha apresentado sugestões para a reforma política, que foi tratada com certo desdém pelo Presidente da Câmara. Até aí é discutível. O que não entendi foi o presidente da OAB declarar que era obrigação do congresso escutar o povo. Como assim? Que eu lembre a OAB é representante legal de uma classe, os advogados. Ou estou enganado? Não lembro de ter votado em nenhum membro da entidade para me representar. É bom esse tal de César Brito começar a aterrisar rapidinho pois no pouco tempo que está no cargo só tem falado besteira.

Oscar 2007


Confesso que este ano não prestei muita atenção no Oscar. Talvez porque não tivesse assistido nenhum dos filmes concorrentes. O fato é que achei a festa muito, mas muito chata. Ellen De Generis errou totalmente o tom, transformando a apresentação da festa em uma stand up comedy. Faltou alguém dizer que o show não era dela. A dúvida sobre quem venceria o prêmio de melhor diretor terminou quando foi divulgado a lista dos apresentadores. Spielberg, Coppola e George Lucas entregando o prêmio? E Jack Nicholson o de melhor filme? Só podia dar o que deu: Scorsese e seu "Os Infiltrados". Os vencedores principais:

Melhor filme: "Os Infiltrados"

Melhor diretor: Martin Scorsese ("Os Infiltrados")

Melhor ator: Forest Whitaker ("O Último Rei da Escócia")

Melhor atriz: Helen Mirren ("A Rainha")

Melhor ator coadjuvante: Alan Arkin ("Pequena Miss Sunshine")

Melhor atriz coadjuvante: Jennifer Hudson ("Dreamgirls - Em Busca de um Sonho")

Melhor filme estrangeiro: "A Vida dos Outros" (Alemanha)

Melhor filme de animação: "Happy Feet: o Pingüim"

Roteiro adaptado: "Os Infiltrados" (William Monahan)

Roteiro original: "Pequena Miss Sunshine"

domingo, fevereiro 25, 2007

Maracanã vazio

Chovem desculpas para o público ruim do jogo decisivo de hoje. A Globo e o portal G1 batem na tecla do preço do ingresso (R$ 40,00) que a primeira vista realmente espanta o público. No entanto este preço existe porque a grande parte dos torcedores vai aos jogos pagando meia-entrada, fruto da gigante irresponsabilidade do poder público que permite que a UNE distribua as carteirinhas para qualquer um.

O que a Globo não informou é que o jogo estava sendo transmitido para a praça onde se realizaria a partida. Esta prática só existia até algum tempo atrás quando os ingressos eram todos vendidos. A Globo a cada dia mostra um maior desrespeito ao esporte que transmite. Coloca os jogos em horários horríveis, como os de domingo às 16:00, horário este que sem manteve durante o horário de verão. E principalmente o de 21:45 nas quartas feiras, onde o torcedor é obrigado a voltar para casa de madrugada em cidades onde a prática não é recomendável. A Globo junto com os clubes que aceitam estas exigências têm grande responsabilidade pela ausência dos torcedores no estádio.

É claro que a violência também tem sua parte nesta situação. Tem que gostar muito de ir ao estádio enfrentando o medo quando tem a possibilidade de assistir ao jogo tranqüilamente em casa. O atual modelo está cada vez pior, falta aos promotores do espetáculo realmente sentarem e buscarem soluções efetivas para trazer o público de volta.

O poder público, principalmente estadual, também está faltando com a sua responsabilidade. Já deveriam ter colocado um limite no horário de início dos jogos. Pode sim se intrometer na questão pois é sua polícia que dá segurança às partidas. Atualmente nem os próprios policiais estão seguros nos estádios, o que dirá dos torcedores.

Vasco 1 x 1 Flamengo


Flamengo decide título com Madureira

Foi um clássico disputado palmo a palmo, com o Flamengo em uma tarde melhor. Talvez pelo gol relâmpago de Obina, que teve que sair pois se contundiu gravemente no lance, o time rubro-negro mostrou-se mais frio e lúcido durante a maior parte do jogo. Alguns jogadores do Vasco estavam muito nervosos, deixando Renato à beira de um ataque de nervos. O Vasco empatou ainda no primeiro tempo em boa jogada de Leandro para conclusão de Marcelinho, mas depois se fechou e fez o seu jogo de sempre: tentando os contra ataques.

O Flamengo mais uma vez mostrou que precisa melhorar as conclusões do time. Precisa sempre criar uma multidão de oportunidades para conseguir marcar, e quando elas são poucas como hoje o gol fica muito mais difícil. Os dois laterais foram novamente o destaque do time, junto com Paulinho na marcação e principalmente na cobertura dos dois primeiros. Falta Renato começar a temporada. Mas ano passado também foi assim, errou uma barbaridade no Campeonato Carioca e cresceu comandando o time na Copa do Brasil.

Nos penaltis deu Flamengo, justamente pela maior frieza de seus jogadores. O Vasco desperdiçou 3 cobranças em 4, o que não se faz em jogo decisivo.

A final é contra o Madureira em dois jogos (um desperdício), e apesar da derrota no sábado passado por 4 x 1 o Flamengo é o grande favorito, tanto pelo peso da camisa quanto pelo elenco, bem superior ao último ano.

É fundamental para o time da gávea vencer a decisão. Os dois jogos não terão coincidência com as Libertadores, e garantir a vaga na final do campeonato é a meta para que o time possa se concentrar na principal competição do ano, o torneio Sul-americano.

Que venha o Madureira!

Embriagado de Amor

Punch-Drunk Love(2002)
Direção: Paul Thomas Anderson.
Estrelando: Adam Sandler, Emily Watson, Phillip Seymour Hoffman, Luiz Guzman, Hazel Mailloux.

É muito difícil comentar este filme pois gostando ou não ninguém pode negar que é diferente. Lendo a sinopse, vendo a escalação do elenco liderado por Adam Sandler, imagina-se uma comédia romântica no estilo próprio de Hollywood. Só um detalhe já poderia colocar o público na espreita de algo diferente: a direção de P.T. Anderson.

Pois o criador de Boogie Nights e Magnólia concebeu mais uma vez um filme diferente. Ao contrário dessas produções com vários personagens principais, este é centrado totalmente em Barry (Sandler). Na primeira parte de um filme somos apresentando a um pequeno empresário que dirige um negócio de desentupidor de vaso sanitário. É sufocado pelas 7 irmãs e parece incapaz de conseguir assumir as rédeas de sua vida.

Quando entra Lena na sua vida meio que forçando passagem e Barry acaba apaixonado. É o estopim para estourar uma bomba humana de anos de repressão.

O grande mérito do filme é apresentar um personagem crível e real, longe da perfeição dos pares românticos do cinema, mas que consegue que torçamos por ele. Sim, existem símbolos como um piano abandonado na frente da empresa de Barry, e algumas situações exageradamente surreais que acaba desagradando muita gente.

É um filme para ser curtido, o que nem sempre é muito fácil. Nota 8,0.

Acordo Brasil-Bolívia

O editorial de hoje do Globo defende o acordo final entre o Brasil e a Bolívia. Argumenta que os dois países se beneficiam, a Bolívia com as divisas e o Brasil com o gás. Mas levanta os custos que o acordo acarretou.

O primeiro é a imagem do país. A politização da diplomacia, condescendentes com os países afinados ideologicamente, gerou uma nova situação. O Brasil inovou com a tese de que "é preciso ser compreensível com os mais fracos". Se o Itamaraty seguir sempre esta premissa o Brasil perderá em qualquer demanda internacional. "Descobriu-se a fórmula para a derrota permanente".

Outro preço a pagar envolve a Petrobrás. Os investidores estão descontentes com a submissão política de empresa ao Planalto e ao PT. E estão demonstrando isso com a venda das ações com efeito na depreciação da empresa. Centrar a empresa no PAC agrava ainda mais esta percepção. Só em 2007, até o último pregão antes do carnaval, o valor de mercado da Petrobrás encolheu em 11,3 bilhões. É mais do que vale, por exemplo, a Telemar.

É um alerta para a subordinação de questões técnicas do Estado à ideologias políticas e partidarismo rasteiro.

Brinquedinho perigoso

Mais sobre plebiscitos

Merval Pereira, em seu artigo de domingo no Globo, trata da questão da proposta de Tarso Genro de "exacerbação da consulta, do referendo, do plebiscito e de outras formas de participação", como já defendia em seu livro A Esquerda em Processo. Um grupo de parlamentares petistas apresentou um proposta concreta para que o Presidente da República possa propô-los, sem intermediação do Congresso.

O autor afirma que a crise que o Congresso se afunda favorece este tipo de questionamento da democracia representativa, que já está em curso em países como a Venezuela e a Bolívia. Apresenta também que os liberais estão insatisfeitos com a democracia da massa, que "seria passível de manipulação da massa, que seria passível de manipulação por políticos populistas". Para os liberais a idéia seria o fim do voto obrigatório.

A Suiça é sempre citada como exemplo e já foram realizados 150 consultas nacionais desde 1849. Nos Estados Unidos a prática é apenas local, tratando de diversos temas. "Quanto maior o país, menor a possibilidade de haver plebiscitos ou referendos nacionais" .

Merval cita o cientista político Bolívar Lamounier que afirma ter esta utopia muito pouco de "direta": "A possibilidade de manipulação é inerente ao instrumento, pois a autoridade incubida de propor os quesitos pode ficar muito aquém da neutralidade".

O autor conclui que antes de se decretar a falência da democracia representativa é preciso organizar o sistema político-partidário, e a volta da cláusula de barreira e a fidelidade partidária seria o inicio deste caminho.

sábado, fevereiro 24, 2007

Governo Lula: por que não acreditava e não acredito

Quando Lula conseguiu seu segundo mandato uma colega me disse que não podia ficar torcendo contra o país, que tinha que torcer para o Lula dar certo. Na época disse que não era questão de torcer, isto é para futebol, era questão de analisar o que aconteceu, o que o presidente pensa e constatar que seria um atraso (na melhor das hipóteses) a re-eleição de Lula.

Não é mais segredo para ninguém que o mandato de quatro anos se constrói no primeiro ano, mais precisamente nos 9 primeiros meses. É quando o presidente, respaldado pelo apoio popular, tem a boa vontade do congresso para aprovar as medidas cruciais para que seu governo funcione. Depois aumenta o desgaste, os parlamentares já miram as eleições municipais. No segundo e terceiro anos de governo só se pode fazer ajustes pontuais, corrigindo a direção que foi dada no primeiro ano.

No último não se faz mais nada. A máquina vira-se toda para as eleições, o que ainda é mais grave se o presidente já está no segundo mandato e não pode mais concorrer.

Portanto, para funcionar bem o governo tem que aproveitar os primeiros 9 meses para aprovar seus planos para o governo. Pois estamos entrando no terceiro mês e o que aconteceu?

Na principal promessa de campanha, o crescimento econômico, rigorosamente nada. Foi parido um plano pífio, mais propaganda de marketing do que qualquer outra coisa, denominado (com rara sabedoria) de PAC. É um dos trocadilhos mais bem bolado dos últimos anos. Usa-se para Empacado, Pactóide, etc.

A reforma política já foi engavetada de vez, e as propostas que estão por aí visam mais resguardar os grandes partidos das interpretações do STF e TSE que dão benefícios absurdos para legendas de aluguel. O que se imaginava que iria melhorar com a cláusula de barreira já foi para o brejo.

Nem o ministério está perto de ser formar. Parece besteira, mas não é. Quase todos os ministros estão parados preocupados em conseguir se manter nos cargos e jogando suas fichas nas negociações políticas. Suas pastas estão às moscas. E o presidente não parece preocupado.

Se alguém acreditava que o PT tinha aprendido com a crise do mensalão pode desistir. As mesmas práticas voltaram a tona com tudo na eleição do Presidente da Câmara e já se fala abertamente na volta de Dirceu. Para que não sei. Já está mandando uma barbaridade mesmo sem direitos políticos. Aliás os três partidos que compuseram o mensalão com o PT já estão juntos novamente. Agora com o PMDB.

O tempo está passando e nada de concreto se apresentou para avançar na solução dos problemas do Brasil. Aliás aconteceu ao contrário. O presidente já falou que não há problema com as contas da previdência (é questão social), aceitou o calote da Bolívia (ainda bem que o índio de araque não pediu o Acre), respaldou uma ditadura (Venezuela), disse que a violência se combate com empregos e educação e já tirou mais de vinte dias de férias em um período de menos de 2 meses.

A única coisa que vi funcionar até agora foi o convênio inédito entre o MST e a CUT. Já rendeu até invasões de terra e São Paulo e Minas Gerais. Com anuência do Ministro da Reforma Agrária.

Torcer como num quadro destes?

Só posso torcer para estes 4 anos passarem depressa e os brasileiros pensarem um pouquinho melhor em quem apostar sua fichas.

Mas que o atual governo vai ser um fracasso retumbante não tenho a menor dúvida.

Irã Atômico

A coisa está cada vez pior no Oriente Médio. E ficaria muito pior com armas nucleares na confusão. Digo ficaria, porque não ficará. Não existe a menor possibilidade de Israel deixar que os iranianos desenvolvam estes artefatos. Com ou sem sanção da ONU. É questão de sobrevivência.

Desde a criação de Israel que os estados árabes e o Irã (que não é árabe) tem como objetivo nacional permanente varrer o país judeu da face da terra. Não é recuperar os territórios palestinos, é varrer literalmente os israelenses do Oriente Médio. Como não há possibilidade de conseguir este objetivo com guerra convencional utilizam extensamente o terrorismo enquanto esperam ter nas mãos uma "bomba sagrada".

É claro que os Estados Unidos apoiarão Israel na empreitada. E parece claro que franceses, alemães e russos vão protestar, um pouco mais leve desta vez pois sabem que o Irã realmente não pode ter armas nucleares. As esquerdas mundiais farão uma cruzada contra o "imperialismo americano", com tudo que tem direito. Mas como sempre será incapaz de propor uma solução para o problema. Talvez porque desta vez não tenha.

A guerra é inevitável? Não. Mas depende mais do Irã do que da comunidade internacional e da ONU. Israel não tem escolha nesta. Não adianta devolver os terrenos palestinos como querem muitos, não resolve o problema. Ou o Irã desiste da bomba santa ou Israel ataca. O que mais podem fazer os israelenses? Apelar para o bom senso dos Aiatolás?

O Mossad já trabalha com a informação de que no ritmo atual a bomba estará pronta em 2009. A associação Internacional de Energia Atômica admite que o Irão não tem seguido as recomendações e pelo contrário, tem acelerado seu programa. Tem que ser muito iludido (ou não) para imaginar que os propósitos iranianos são pacíficos. Energia não é problema para uma nação montada sobre um reserva gigante de petróleo.

Estamos chegando numa encruzilhada. Desta vez França, Rússia, China e Alemanha vão ter que tomar uma atitude firme. É melhor para todo mundo que a questão seja mediada pelo Conselho de Segurança da ONU, embora quase destruído pela invasão americana no Iraque. Pois a alternativa é Israel e Estados Unidos bombardearem o Irã. E eles não têm outra escolha.

O Inferno é aqui...

Cara, está fazendo 35 graus por aqui. Está insuportável. Nem um ventinho para dar uma aliviada. Estou com um ventilador em cima de mim, mas o vento que ele está gerando é quente. Tentei dormir mas está impossível. O verão demorou, mas quando chegou veio com tudo. Só resta esperar um pouco de alívio.

Deixa o homem trabalhar...

Em Boa Companhia

In Good Company(2005)
Direção: Paul Weitz
Elenco: Dennis Quaid, Topher Grace, Scarlett Johanson


O filme conta a história do chefe do departamente de vendas de uma revista esportiva(Quaid) que é rebaixado de cargo quando a mesma é comprada por uma grande corporação. Seu novo chefe é um jovem executivo de 26 anos (Grace) com nenhuma experiência prática em revistas.
Para complicar inicia um romance escondido com a filha do subordinado (Johanson).

Grace e Johanson são estrelas em ascensão, a última já excelentes papéis no currículo, mas é Quaid quem dá as cartas. Está perfeito no executivo "ultrapassado" que precisa se agarrar ao emprego pois está para ser pai pela terceira vez.

A história levanta questões sobre o capitalismo das grandes corporações que em busca de índices de desempenho (lucro) passa por cima dos funcionários, demitindo-os impiedosamente. Neste ponto há um evidente exagero, levando todos os personagens e situações a limites extremos. Quaid é antigo mas brilhante (apesar da revista não vir bem das pernas), Grace é cheio de discursos vazios e nenhuma prática, o empregado demitido não consegue outro emprego e é abandonado pela esposa, etc. Não precisava exagerar tanto as questões para fazer uma boa crítica.

Mas o ritmo do filme é agradável, os atores estão bem, os personagens tem alguma profundidade e as soluções finais fogem dos padrões da indústria de cinema. O que já é um grande mérito. Nota 8,0.

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

Top 5 - Coisas Para Se Fazer no Carnaval

  1. Passar mais tempo com a família
  2. Viajar para qualquer lugar que não tenha carnaval
  3. Fazer um bom churrasco
  4. Assistir filmes
  5. Jogar computador

Retrato de Lula II

Combate à Violência

O Ministro da Justiça afirmou ontem que a violência se combate com empregos e educação. É uma destas teses que se gosta de repetir pela mídia, que a violência é fruto da grande desigualdade social que existe no país. Não parece que seja tão simples quanto MTB gosta de afirmar.

Os dados sobre a desigualdade social indicam que não houve muita variação nos últimos 30 anos. Estamos estagnados. Recente reportagem da Veja indica que a classe média cresceu muito pouco nos últimos 20 anos. Se houve alguma mudança, e muito pequena, foi para melhor. Nossos índices sociais melhoraram um pouco nas últimas décadas.

Quando se cruza estes dados com os índices de violência a incoerência se mostra de cara. Estes índices dispararam. Temos um quadro em que os índices sociais se mantém e a violência não para de aumentar. Onde está a relação de causa e efeito? Como explicar o caso em que jovens de classe média alta de Brasília atearam fogo em um índio para superar o tédio?

No início dos anos 90 os Estados Unidos estavam explodindo com a violência urbana em suas grandes cidades. Iniciou-se um processo para combatê-la. Atuaram também na prevenção, com palestras em escolas públicas, projetos de prática de esportes para jovens e coisa do gênero. Mas não foram estas as principais medidas para combater a violência. Estas foram as ações secundárias.

As principais foram modernização da polícia e agilização no combate ao crime. Novas penitenciárias foram construídas e a justiça passou a agir com mais rapidez e rigor. Na última década a população carcerária americana aumentou em cerca de 40%. O que deve causar surpresa para os sociólogos brasileiros é que a violência decresceu mais ou menos na mesma proporção. Não conseguem conceber que se diminua a violência simplesmente... prendendo os criminosos!

Quando os dados americanos foram divulgados em 2003 (se não me falha a memória) o mesmo Márcio Thomaz Bastos afirmou que este modelo não servia para o Brasil. Que o sucesso de um programa de combate à violência é medido pela diminuição da população carcerária e não ao contrário. Na lógica do Ministro para vencer o crime deve-se... soltar os criminosos! Não é à toa que é um advogado criminalista, dos bons.

Para não ficar só no exemplo dos States (que os brasileiros, na média, desprezam) vamos para São Paulo. Durante o governo Covas-Alckmin os presídios paulistas ficaram lotados, aliás superlotados. O que provocou rebeliões e os ataques do PCC. Falência do sistema? Nem tanto. Dados do próprio IBGE (que o governo segurou por causa das eleições) mostram que a violência recuou sensivelmente no estado.

Mas só sei citar exemplo do PSDB e dos Estados Unidos no combate ao crime? Queriam o que? Exemplos do governo do PT? Sorry.

De onde menos se espera é que não vem nada mesmo.

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

Civilization IV

Eu até que estava resistindo, mas na última semana passei sem querer na frente do computador do Danilo e ele estava jogando Civilization IV. Rapidamente ele me mostrou as novidades desta nova versão e não teve mais jeito. Aproveitei o carnaval para conhecer melhor a quarta versão do melhor jogo de todos os tempos.

Hoje as 3:30 da manhã terminei meu primeiro jogo. Com os gregos alcancei a vitória por tempo, ainda apanhando um bocado com as novidades. Só fui perceber a importância de fundar uma religião, por exemplo, lá pelo meio do jogo. Também era difícil priorizar as maravilhas do mundo a serem construídas, já que muitas foram bastante modificadas.

Enfim, gostei. Tem umas coisas muito legais e a expansão por guerra ficou um tanto quanto mais difícil. Os gráficos são bons e os combates ficaram mais legais com um novo sistema. Sinto que ainda haverá muitas noites perdidas!

Charge do Dia

Plebiscitos

Quem está atento aos noticiários percebeu que existe um movimento liderado pelo PT para aumentar o número de plebiscitos no país. É lógico que a primeira coisa que me veio a cabeça foi o exemplo de Hugo Chavez que usou a prática para se transformar em uma espécie de ditador democrático, se é que esta coisa existe. A suspeita aumenta ainda mais quando a idéia é que o presidente possa convocar plebiscitos sem a anuência do congresso. Lula II sabe que é mais fácil aprovar uma re-reeleição pelo voto popular do que no senado. O bolsa-família é uma moeda mais barata e segura, vide as últimas eleições.

Mas por outro lado, o plebiscito é sim uma expressão da vontade popular. A questão é até onde um povo pode diretamente decidir seu próprio destino. Até que ponto não estaremos dando a uma criança de 5 anos a decisão se deve comer balas o dia inteiro ou não. Por pior que seja a elite política, e a nossa é da pior espécie, ainda é uma elite. Resta um tiquinho de responsabilidade. O que daria no plebiscito a pergunta se devemos pagar impostos ou não?

Mas isto é questão filosófica, que dá muita discussão ainda. Vamos à prática. Citaram o Estados Unidos como exemplo da utilização em massa de plebiscitos. Toda vez que um petista cita os americanos como exemplo de alguma coisa fico preocupado. É como se desejassem dar uma aura de "direita", como para provar que não é um radicalismo. Normalmente o exemplo vem distorcido e esta não é uma exceção. Os plebiscitos americanos são locais e realizados durante as eleições. Argumentam que podemos fazer durante as eleições também. Junto com a eleição do Presidente, Governador, Senador, Deputado Federal e Deputado Estadual. Viram a confusão? Se nas últimas eleições eu, que procuro manter-me informado, não tinha um nome para este último cargo, imagina a galera? Vai tacar 5 xis e ainda vai decidir sobre uma questão importante?

Mesmo assim sei lá. Ir contra o plebiscito parece-me anti-democrático. Vamos supor que no final das contas seja uma boa coisa. Afinal o PT quer que o povo decida não é? Pois que tal o povo decidir as seguintes questões:
  1. Você é a favor do fim do regime de progressão penal para crimes hediondos?
  2. Você é a favor do pagamento da CPMF?
  3. Você acha que um membro do MST deva ser processado por invasão de propriedade privada e destruição de patrimônio público? E por assassinato?
  4. Você é a favor que o Estado continue pagando indenizações milionárias para perseguidos políticos que nunca passaram uma noite na prisão?
  5. Você é a favor da redução da maioridade penal? E da prisão perpétua? Morte?
  6. Você é a favor que o imposto sobre o combustível (CIDE) deva efetivamente ser utilizado no fim a que se destina: investimentos em infra-estrutura?
  7. Você é a favor do voto secreto no congresso?
  8. Aborto? Casamento de homossexuais? Cotas?
  9. Você acha mais importante utilizar recursos públicos para gerar empregos ou para promover filmes culturais?
  10. Você concorda que o governo possa contigenciar recursos para segurança pública?
Não pode? Por que? O povo não tem responsabilidade para decidir questões como esta? Mas pode decidir se o Lula II pode se transformar em Lula III? Tá bom.

A verdade é que a média do brasileiro não processa a ideologia das nossas esquerdas. Somos de certa forma um país de conservadores. O que é bom e é ruim, dependendo do aspecto. Mas o fato é que se o eleitor pudesse opinar diretamente muitos bastiões petistas cairiam por terra. Eles não querem o plebiscitos. Querem é o controle sobre plebiscitos. O que é bem diferente.

Flamengo 3 x 1 Maracaibo


Jogo mesmo foi no primeiro tempo. Concentrado o Flamengo foi extremamente eficaz contra a frágil equipe venezuelana e foi para o intervalo com três gols marcados. Um de Renato batendo de fora da área com ajuda do goleiro e dois de cabeça de Souza e Obina. Souza aliás perdeu grandes oportunidades, principalmente no segundo tempo quando chegou a ficar com o gol vazio a sua frente. Roni também perdeu um gol feito diante do goleiro e no fim o Maracaibo acabou descontando. Infelizmente os venezuelanos bateram uma barbaridade no segundo tempo diante de um juiz frouxo e perdido na parte disciplinar.

Agora é o Vasco pelas semi da Taça Guanabara.

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

Meus Pimpolhos no Carnaval

O Luan já passou da fase de usar fantasia, como ele mesmo disse este ano foi de Luan. Já a Lorena ainda tem muito para curtir. Este ano ela foi de bailarina. Na verdade queria ir também com a máscara da Emília (do Sítio do Picapau Amarelo). Uma espécie de Emília bailarina. Ela acabou esquecendo a máscara, e ninguém fez questão de lembrá-la...


Voltando ao normal

Aos poucos vai passando os efeitos do carnaval e o país vai começando a funcionar novamente. É impressionante que para tudo. Aqui em Resende o shopping fechou por todo o período, igual ao ano passado. O mais engraçado é o aviso no painel do cinema: estamos em reforma, abriremos dia 22 de fevereiro. É um país realmente empacado.

Identidade


(Identity, EUA, 2003).
Direção de James Mangold.
Roteiro de Michael Cooney.
Com John Cusack, Ray Liotta, Amanda Peet, John Hawkes, Jake Busay, Clea Du Vall, Willian Lee Scott, John C. McGinley, Bret Loher, Leila Kenzle e Alfred Molin
a.

10 pessoas ficam presas por coincidência (será ?) em um hotel de beira da estrada. Aí começam a morrer uma a uma. Agatha Christie? Não, apenas uma premissa aproveitada neste bom suspense. A montagem do filme é excelente. Utiliza uma estrutura fora do tempo linear e uma história paralela que pode ou não ter ligação com o que está acontecendo. Tinha tudo para ser um desses filmes marcantes que definem um gênero. Infelizmente o diretor e roteirista resolvem entregar a solução mastigada ao invés de exigir um pouco da inteligência do público. Nas mãos de um criador mais ousado tinha tudo para seguir os passos de O Sexto Sentido e Os Suspeitos, pois a premissa da história é realmente excelente. Do jeito que foi feito ainda carrega seus méritos, mas desperdiça a oportunidade de ser um filme excepcional. Nota 8,0

terça-feira, fevereiro 20, 2007

Degradante

By ClaudioHumberto

O tratamento solene de alguns dos principais veículos de comunicação do País aos bicheiros que controlam as escolas de samba do Rio de Janeiro, mencionados - com reverência - como "presidentes", revela um sintoma grave: a relação promíscua entre a sociedade carioca e os criminosos. O mesmo tipo de relacionamento que impede o Rio de Janeiro de chamar pelo nome correto o mais grave problema que aflige o Estado: o crescente domínio da criminalidade. Talvez por temor de ofender o vizinho, o amigo do filho, o tia da amiga. Mesmo após o cruel assassinato do garotinho João Hélio, em vez de denunciar os assassinos e exigir o combate ao crime e ao tráfico de drogas, os cariocas fazem passeatas babacas, convenientemente genéricas, "pela paz" e pelo fim "da violência". Meter o dedo na cara do crime, que é bom, nada.


Estava comentando isso antes. O desfile de escolas de samba do Rio de Janeiro é notoriamente um espetáculo de lavagem de dinheiro a céu aberto. O que fazemos? Transformamos este espetáculo em turismo e a principal rede de televisão do país o transmite na íntegra durante toda a noite.

O método mais eficaz de combater o crime organizado é começar pela lavagem de dinheiro. Se o criminoso não tiver como legalizar o produto de seu crime seu serviço se torna ineficaz. E na lavagem que se prenderam os grandes gangsters americanos (vide Al Capone) e a máfia italiana. Mas nosso fisco só sabe ir em cima dos pobres mortais.

Outro dia a receita autuou alguns mensaleiros. Vai dar em multa e fica por isso mesmo. Nos Estados Unidos seria o suficiente para colocá-los atrás das grades. Não precisaria nem provar o mensalão.

Mas no Brasil é assim. Celebramos o crime. Em rede nacional. Querem protestar contra violência, por que ao invés de fazer passeata inútil não boicotam o sambódromo? Seria muito mais efetivo e mais eficaz.

Mas quem quer trocar a diversão por uma boa causa?

segunda-feira, fevereiro 19, 2007

Carnaval do calor

A maior marca que vai ficar do carnaval este ano é o calor que está fazendo em Resende. Está simplesmente insuportável. Hoje aproveitei que a Casa e Vídeo estava aberta e comprei mais dois ventiladores (um para levar para o Rio). Pelo que tenho lido o Rio de Janeiro está sendo o Estado mais quente da federação, e a sensação é esta mesmo. Não posso esperar para esta onda passar logo e conseguir pelo menos dormir melhor.

Charge do Dia

Copa dos Campeões

Os melhores jogadores do mundo em confrontos pela Copa dos Campeões. Terminada a fase de grupos agora é para valer!

domingo, fevereiro 18, 2007

5 Dias Para a Morte

5 Days to Midnight, 2004 (EUA/Canadá) DIRETOR: Michael W. Watkins ELENCO: Timothy Hutton, Ranoy Quaid, Kari Matchett, Hamish Linklater

Este é um suspense de primeira qualidade. Na verdade foi feito para a televisão, na forma de uma mini-série de 4 capítulos. A premissa é genial: um professor de física recebe uma maleta futurística com seu nome gravado. Dentro um relatório policial sobre sua própria morte, que ocorrerá dentro de 5 dias. A partir do relatório tenta desvendar por que seria morto e principalmente como evitar a tragédia. A história é cheia de reviravoltas e ninguém parece ser quem realmente é. O final poderia ser um pouco melhor trabalhado mas não chega a comprometer. Algumas pontas acabam por ficar soltas mas é comum nos filmes do gênero. O ponto forte é a história bem interessante, ágil e muito bem desenvolvida. O filme é longo mas não dá nem para perceber de tão bom. Nota 8,5.

A Casa do Lago

The Lake House, 2006 Dir: Alejandro Agresti Elenco: Keanu Reeves (Alex Wyler), Sandra Bullock (Kate Forster)e Christopher Plummer (Simon Wyler)


Um romance diferente do que usualmente vemos no cinema. Baseada num filme coreano, a película conta a estória de um casal que se apaixona através da troca de correspondência. Só tem um detalhe. Estão em anos diferentes. Esta premissa de relacionamento temporal já tinha sido explorado antes, mas o diferencial aqui é que a diferença é de apenas 2 anos. Como moram na mesma cidade a possibilidade de se encontrarem é real. O detalhe é que se Alex encontra Kate em 2004 para ela é uma recordação. Se marcam um encontro em 2006 para ele a espera é de dois anos. O diretor planejou surpreender o público com o destino de Alex, mas ficou bem óbvio desde o início. Mas é um filme muito legal tanto no drama do relacionamento de um pai com o filho quanto no romance do casal. Nota 8,0.

Charge do Dia

PP ameaça se rebelar

O PP ameaça se rebelar se Lula der o Ministério das Cidades para a companheira Marta Suplicy. O líder do partido disse que se isto acontecer o partido sai da base. Por que? Porque ninguém vai confiar mais na palavra do presidente.
Não entendo. Depois dos 4 anos do Lula I ainda tem gente que acredita em uma palavra do presidente. Esta gente se merece. Ou se merece-se.

Ivete Sangalo


Parece que a sensação do primeiro dia de carnaval foi o "desempenho" de Ivete Sangalo em Salvador. O mais legal é a cara do sujeito na parte inferior direita da foto. Impagável.

sábado, fevereiro 17, 2007

Madureira 4 x 1 Flamengo

Perdeu quando podia. O Flamengo contou mais com os gols do Boa Vista contra o Botafogo do que com seu próprio time para passar para as semi-finais da Taça Guanabara. O time realmente não tinha pernas para aguentar o jogo inteiro debaixo do calor que fazia em Bangu. Só quem já andou por lá sabe do que estou falando. Mas facilitou demais com uma péssima atuação, a pior do ano, principalmente do goleiro Bruno. Excesso de confiança é um inimigo mortal de qualquer goleiro e o jovem arqueiro rubro-negro em dois lances bisonhos tornou muito mais difícil a tarefa do time.

O importante agora é recuperar forças pois agora não pode mais perder. Quarta feira tem de vencer o Maracaibo no Maracanão pela Libertadores e no fim de semana que vem passar para as finais no confronto com o América ou o Vasco. Uma tarde lamentável que deixou sim o torcedor preocupado. Mesmo com o calor e o cansaço.

Charge do Dia

Resolvido

Resolvi o problema da minha conexão da veloz. Vejam os passo.
  1. Conectei direto com o laptop. O problema não era no veloz.
  2. Liguei o cabo de rede direto no computador sem passar pelo roteador. Funcionou.
  3. Troquei o cabo de rede que liga o computador ao roteador. Continuou sem funcionar. Não era o cabo.
  4. Verifiquei as luzes do roteador. Tudo ok.
  5. Sem mais nada a fazer desliguei e liguei o roteador..
  6. Funcionou
Entra ano e sai ano e algumas coisas na informática não muda. Deus salve o "Boot"!

Um austríaco, um russo, um francês, um inglês e... um outro inglês!

O jornalista Kennedy Alencar defende que ceder as exigências da Bolívia foi uma atitude muito inteligente de Lula, mesmo sobre pressão da "oposição e parte da sociedade". Segundo ele, se Lula endurecesse na defesa dos interesses brasileiros estaria colocando Morales mais ainda na esfera de Hugo Chavez. Com a atitude que tomou demonstrou a liderança do Brasil na América Latina.

Confesso que cheguei a pensar se realmente não estaria eu totalmente errado. Foi só unir um pouco de bom senso que vi que não. Quer dizer que para evitar que Morales seja pior tem que se concordar com o que é ruim? Não faz o menor sentido.

A história ensina mais do que se imagina. Um dia um austríaco, líder de um outro país, assinou um pacto com um russo. Faz algum tempo. Um inglês e um francês ficaram preocupados. Parece que esse russo não era lá essas coisas. Em seguida esse austríaco começou a anexar países. Novamente o francês e o inglês se reuniram e resolveram que era melhor não fazer nada senão o austríaco ficaria mais amigo ainda do russo. Um outro inglês, fumante e beberrão não concordou. Começou a falar. Disse que se não parassem o austríaco naquele momento depois seria muito mais difícil. Falaram que ele estava gagá, que seu tempo tinha passado.

Anos depois chamaram este inglês. E pediram para que ele resolvesse o problema, pois realmente o apetite do austríaco não tinha se saciado. Aliás o francês tinha perdido sua casa. Até o russo já estava com medo. O inglês no meio da suas baforadas foi lacônico. Tudo bem. Resolveria a parada.

Mas a custa de sangue, suor e lágrimas.

Não, ainda bem que o índio boliviano não é o austríaco. Embora o coronel venezuelano lembre o russo. Mas o raciocínio é válido, e mostra que a tese de Kennedy Alencar não se sustenta. Infelizmente nos falta o inglês de charutos e garrafas de uísque.

E vamos em frente. A história realmente não nos ensina nada.

Novos Comandantes Militares

Cláudio Humberto:

O presidente Lula definiu em audiência hoje com o ministro da Defesa, Waldir Pires, os nomes dos três comandantes militares que serão anunciados oficialmente na próxima quarta-feira (21). O novo comandante da Aeronáutica é o brigadeiro Juniti Saito - conforme antecipara esta coluna, em 4 de janeiro. Ele entra no lugar do brigadeiro Luiz Carlos Bueno. No comando do Exército, assume o general Enzo Martins Peri, no lugar do general Francisco Albuquerque. E para o comando da Marinha, o nome escolhido foi o do almirante Júlio Soares Moura Neto, no lugar de Roberto de Guimarães Carvalho. Os três novos comandantes são os mais antigos na hierarquia de suas Forças.


Para não dizer que só critico. O presidente Lula foi o que menos interferiu no alto-comando das forças armadas. Inclusive, no dia em que o Ministro entrou em choque como o comandante do Exército, o Ministro teve que sair. Usou os mesmos critérios de 2002 e nomeará os mais antigos de cada força para a posição de Comandante. Parece-me o correto, pois evita a disputa política que poderia causar desarmonia nas instituições militares.

Fico especialmente feliz pela nomeação do General Enzo. Este é uma das pessoas que tive o privilégio de ter contato e caracteriza-se por ser extremamente sério e profissional, além de muito humano. Havia um certo movimento para eliminá-lo da escolha por ser Engenheiro. Besteira e preconceito. Prevaleceu o bom senso.

Boa sorte aos novos comandantes.

Problemas com minha rede

Estou desde ontem à tarde sem conexão com a veloz. Descobri que o problema é em algum ponto da minha rede, pois consegui conectar direto com o modem usando o laptop. Agora é testar e descobrir se o problema é na placa de rede do PC ou no roteador.

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

Charge do Dia

E era FHC que queria vender o país...

Durante as duas campanhas eleitorais o atual (im)presidente não cansou de repetir uma ladainha: FHC e o PSDB tinham que ser impedidos de vender o país. Pois estou estarrecido com o que disse o nosso chefe de Estado ontém:

“Eu não esqueço que somos chefes de Estado de países soberanos, que precisamos agir como chefes de Estado, cada um em defesa de seu país; mas, antes de ser presidente da República, tu, na Bolívia, e eu, aqui no Brasil, nós éramos companheiros no movimento sindical, e não podemos permitir que essa nossa primeira relação seja diminuída porque hoje somos presidentes".


Somos um país de araque. Com todas as letras. ARAQUE. Como admitir que o Presidente da República diga em público que não só o seu compromisso como líder sindical é maior que o juramento de presidente, como ainda tem o disparate de dizer que a presidência não pode diminuir o primeiro.

Tudo isso para justificar o aumento de 250% do preço do gás boliviano. Segundo alguns é justo que paguemos o mesmo que a Argentina está pagando. Besteira completa. A Bolívia só está vendendo o que está vendendo porque a Petrobrás investiu para isso. A Argentina não, é apenas compradora.

E em troca o Presidente, Petrobrás e Itamaraty não vêem nada demais em ter sua usina surrupiada e ainda aceita romper os contratos existentes. Um precedente que só aumenta a insegurança jurídica no Brasil e na própria Bolívia.

O presidente da Petrobrás ainda ficou irritadinho com os jornalistas que queriam saber quem pagará esta conta. E não respondeu. Esta é a empresa brasileira estatal que melhor funciona no país, uma potência. Sei porque já trabalhei com ela. Imagina as outras.

Pois ficamos assim. O presidente diz que seu compromisso sindical é maior que a defesa dos interesses do seu país, o presidente da Petrobrás acha que não deve satisfação para a sociedade e o carnaval está aí. Ah, quem vai pagar o assalto boliviano? Aguarde em breve a sua conta de gás e alguns cortes no orçamento.

Não existe almoço grátis e o Estado não produz dinheiro. Ele pega o seu em forma de impostos. Quando Evo Morales rouba a petrobrás ele está roubando você. E seu presidente já disse que não tem nada com isso.

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

Nota Oficial do Flamengo

1. Ontem à noite, Flamengo arrancou um empate heróico contra o |Real Potosi, em condições anti-desportivas e desumanas.

2. A presidência do clube faz questão de homenagear os profissionais que, em jornada épica, encarnaram o lema rubro-negro, segundo o qual, nossa glória é lutar.

3. E deseja também enaltecer a presença de uma torcida do Flamengo em Sucre, dado marcante da grandeza do clube e do tamanho nação rubro-negra.

4. Mas, torna público que vai comunicar oficialmente à CBF, à Confederação Sul-Americana e à FIFA que, doravante, não comparecerá a partidas em altitude superior aos limites recomendados pela medicina esportiva.

5. Por definição, o campo de jogo é um espaço que deve oferecer igualdade de condições aos oponentes que buscam a conquista esportiva, mediante esforço que engrandece a condição humana, contribuindo para a educação e a saúde.

6. Primeiramente, o campo de jogo, em altitude não recomendada pela medicina, não oferece igualdade de condições aos oponentes, ferindo o princípio da desportividade, o "fair-play".

7. Por fim, a prática esportiva, em condições não recomendadas pela medicina, faz do esforço físico um ato bárbaro, degrada a condição humana e coloca em risco a vida dos atletas. Não proibir jogos nessas condições é o mesmo que ser conivente com a dopagem.

8. O Flamengo, em nome do esporte, denuncia a responsabilidade que as entidades de administração, em especial a FIFA, têm com a preservação da prática esportiva em condições humanas e com a vida dos atletas e não jogará mais em altitude não recomendada pela medicina. O Flamengo é responsável.

9. Flamengo, Flamengo tua glória é lutar.

Rio de Janeiro, 15 de fevereiro de 2007

Márcio Baroukel de Souza Braga
Presidente

Geisel e o gasoduto

Pouca gente sabe, eu mesmo também não. Mas quando o ex-presidente Ernesto Geisel sempre foi contra a construção do gasoduto boliviano. Temia, vejam só, que o Brasil ficasse refém do governo boliviano. Como faltava visão ao general brasileiro...



"E quando aqueles bolivianos fecharem a válvula, o que eu faço? Mando o Exército lá abrir?"





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Roberto Malasi

Não sabem quem é este cara? Eu também não sabia.



Pois é um sujeito que matou uma mulher na Inglaterra, tinha 17 anos neste dia. Ficou preso até a maioridade e então foi julgado. Pegou prisão perpétua. A mulher assassinada estava com um bebê no colo. Nada que não possa, e não aconteça, no Rio ou em São Paulo. Só que lá os ingleses são bárbaros. Recusam-se a aceitar que a culpa é da sociedade que oprimiu o pobre rapaz. Acreditam, veja só o absurdo, que o culpado do crime é Malasi, e pior, que deve ficar para o resto da vida afastado do convívio com a sociedade. O que pode se esperar de uma nação que condena um homem a prisão perpétua e ainda quer que ele cumpra a pena! Sem indulto de natal! Desumanos! Sem progressão de pena! Cruéis! Bárbaros!



Se o presidente Lula fosse mais humano mandava para lá o Márcio Thomaz Bastos, um bispo da CNBB (serve qualquer um) e mais o presidente da OAB. Seria uma contribuição inestimável para salvar a Inglaterra. Quem sabe um dia eles cheguem a ser uma sociedade igualitária e justa. Como o Brasil.





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Real Potosí 3 x 3 Flamengo

Não dá para comentar futebol num jogo destes. O Flamengo estabeleceu um recorde: nunca um time brasileiro jogou em altitude tão alta. 3850 metros. Bateu o recorde do São Paulo em 1993 que jogou a 3700 metros. Besteira? Então porque o Flamengo tinha um cardiologista de plantão na beira do campo e metade dos jogadores tiveram que receber oxigênio antes mesmo do fim da partida? Obina e Juan tiveram que sair porque não aguentaram as dores de cabeça. O goleiro Bruno chegou a passar mal em campo. Para piorar estava um frio miserável e chovendo uma barbaridade. O gramado? Bariri é um tapete perto do que se viu ontem. E a FIFA permite um absurdo destes.

O Potosí fez 2 x 0 no primeiro tempo quando os jogadores do Flamengo visivelmente estavam mais preocupados em economizar forças do que jogar futebol. Em desvantagem não tiveram outra opção. Foram para frente e com gols de Roni e Obina empataram a partida. Aí acabaram as forças e a partida passou a ser uma questão de sobrevivência. Um bom resultado levando tudo isso em conta.

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

Pocilga é pouco

Lembram do The Economist chamando a Câmara de Deputados de pocilga? Pois foi constituída hoje a principal comissão da casa, a Comissão de Constituição e Justiça. Vejam alguns membros:

  • Leonardo Picciani (PMDB-RJ): quem não é do Rio não sabe quem é esta figura. É filho do atual presidente da Assembléia Legislativa do Estado e cria do Garotinho. Entre outras aventuras os Piccianis são sócios em empresas rurais que tiveram uma evolução patrimonial de mais de 1000%. Sabem o que é 1000%? Eu nunca tinha visto este número antes. Ah, já foram de cara multados em R$ 1,5 milhões. Se nunca vi 1000% imagine 1,5 milhões
  • Paulo Maluf (PP-SP): precisa de ficha?
  • José Mentor (PT-SP): aquele da CPI do Banestado e do Valerioduto, não necessariamente nesta ordem
  • José Paulo Cunha(PT-SP): aquele cuja mulher foi pagar uma conta de tv a cabo de milhares de reais (vai comprar pay per view assim na China), contratou uma certa firma de publicidade para fazer campanha para presidência da pocil... quer dizer da Câmara e membro, junto com o anterior, da gangue dos 40.
E o porco mor ainda quer processar o jornal inglês...

Mais um

Blog do Cláudio Humberto:

O presidente da Academia Brasileira de Direito Constitucional (Abdconst), Flávio Pansieri, condenou hoje a intenção de um grupo de parlamentares de reduzir a idade penal para 16 anos no País, após ocorrer mais um crime bárbaro como o do menino João Cláudio, no Rio de Janeiro. "Estou perplexo com a brutalidade do crime, mas não posso concordar com a redução porque colocar na cadeia adolescentes de 16 anos apenas irá retirar de circulação alguns indivíduos que após cumprirem a pena vão retornar para o convívio da sociedade piores do que quando entraram na prisão".


Não sei que Academia Brasileira é esta (são tantas) e nem da importância dela. Só sei que não concordo com o argumento do Sr Pansieri. Que nosso sistema de correção é horroroso e não funciona, disso não tenho dúvidas. O que se defendo é que criminosos adolescentes condenados por crimes violentos sejam tratados como adultos. Estes não vão piorar mais na cadeia do que já piorariam a solto nas ruas. O jurista trata os criminosos como se fossem inocentes que cometeram pequenos delitos e por isso estão sendo castigados. Não é bem assim.

Aliás a mídia tem simplificado ao máximo a discussão, o que prejudica em muito o debate sobre a questão. Muitos chargistas tem tratado a redução da maioridade como se fosse colocar bebês (literalmente) na prisão. Vi hoje uma charge em que retrata um espermatozóide como criminoso. Ninguém está defendendo isso.

Estão dizendo também que se defende a redução da maioridade como solução para violência. Não é. E não vi ninguém que defende a redução afirmando isso. O máximo que pode-se dizer é que passa por esta medida. O que sei é que na dúvida deveria-se procurar proteger a sociedade e não os marginais. E é o que não se vê no geral. Afinal, a sociedade de bem não tem ONG.

É uma questão para ser exaustivamente debatida. É um dos motivos de termos um congresso. Infelizmente a opinião da sociedade fica resumida aos deputados(que não são representantes) e as chamadas lideranças sociais, que via de regra não refletem a opinião dos que representam. Infelizmente vivemos um arremedo de democracia, e mesmo este arremedo está a perigo.

No mais ainda existem um forte argumento a favor da redução da maioridade. Lula e o PT são contra. Em quase 100% das vezes eles estão do lado errado de qualquer debate.

Nome aos Bois

GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

A CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado adiou para o dia 28 de fevereiro a votação das PECs (Propostas de Emenda Constitucional) que reduzem de 18 para 16 anos a maioridade penal no país. O senador Aloizio Mercadante (PT-SP) pediu vista aos projetos para analisar o tema, o que adiou a discussão.


Para não ficar só no campo das idéias aos poucos vamos acrescentando os nomes aos defensores da violência. Não condeno quem seja contra a redução da maioridade, é opinião que eu mesmo não tenho fechada. Mas lutar para não discutir o assunto é lutar contra os direitos de um menino de 6 anos que já não vive mais entre nós. A minha lista atual:

Lula, Ellen Gracie, Márcio Thomaz Bastos, presidente da OAB e agora Mercadante.

O governador de São Paulo, assim como o do Rio, já vieram a público pedir o endurecimento das leis, principalmente da progressão da pena. Seus Estados são os que mais sofrem com a violência. O candidato derrotado ao governo de São Paulo quer defender os bandidos. Cada um escolhe o seu lado nesta guerra.

Charge do Dia

O governo e a violência

Alguns fatos pescados hoje:
  • O presidente orientou a bancada no congresso a dificultar ao máximo o debate sobre a antecipação da maioridade. Tem todo direito à sua opinião e investir contra uma lei neste sentido. Mas tolher o debate mais uma vez só mostra sua disposição anti-democrática. O argumento de não discutir no "calor" do momento é falacioso. Todos os dias no Brasil é calor do momento, neste momento alguém está sendo assassinado no Rio e em São Paulo.
  • O Ministro da Justiça está calado. O assunto nem é com ele. Seu negócio é defender o governo das trapalhadas dos mensaleiros e sanguessugas. Violência? É problema da sociedade.
  • O Ministro da Fazenda é contra a medida aprovada no senado que impede o contigenciamento de verbas para segurança. Nos últimos anos apenas 20% do orçamento tem sido efetivamente gasto no setor.
  • A tal Força Nacional de Segurança Pública tão defendida pelo Ministro da Justiça parece feito no Projac. E queriam empurrá-la para cima de São Paulo para fazer demagogia.
Diante deste quadro alguém tem dúvidas da postura do presidente sobre o assunto? Quem votou que o embale. Infelizmente quem não votou tem que embalar também. É a democracia. Felizmente.

Maiêutica de uma Dissertação de Mestrado

Este ano tenho como principal desafio profissional produzir minha dissertação de mestrado. Resolvi criar um blog só para registrar o andamento da danada. É um espaço de dupla natureza. Uma, técnica, onde registrarei o andamento da pesquisa e do que se trata. Em outra, mais humana, tentarei captar o emocional do processo. Quem quiser dar uma olhada está mais do que convidado. O blog pode ser acessado pelo link abaixo.

Maiêutica de uma dissertação

Um pouquinho mais sobre violência

A Veja desta semana tem como reportagem de capa a tragédia de João Hélio. Entre outras coisas trata da rapidez em que vários jornalistas se apresentaram para condenar a exibição da imagem dos fascínoras. Eu até ía comentar alguma coisa, mas o pensamento publicado na revista de Reinaldo Azevedo me deixou sem ter mais nada a acrescentar. Divido com vocês:



Simbolicamente, a culpa é de quem morre. Alguns jornalistas ficaram um tanto revoltados com a polícia, que obrigou os bandidos a mostrar o rosto. Terrível ameaça à privacidade. Era só o que faltava: trucidar o menino João e ainda ser obrigado a expor a cara... Que país é este? Já não se pode nem arrastar uma criança pelas ruas em um automóvel e permanecer no anonimato?





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terça-feira, fevereiro 13, 2007

Charge do Dia

The Economist

A câmara dos deputados vai processar o jornal britânico The Economist por ter comparado a casa legislativa brasileira a uma pocilga. O jornal afirmou que na eleição de Chinaglia a Câmara perdeu mais uma chance de melhorar sua imagem ao adotar a liberação de verbas e cargos para conseguir votos. Nada que nenhum jornal brasileiro não tenha noticiado no período. Até mesmo o nosso comunista de araque Aldo Rebelo denunciou o que estava acontecendo. Engraçado que não disse o mesmo em 2005 quando era o beneficiado pelo "poder" do planalto.

Alguém precisa avisar ao presidente da pocil... quer dizer da Câmara que não é com processo que vai mostrar que o jornal está errado, até porque a opinião dos brasileiros é ainda pior do que retratou o periódico britânico. Que tal vir a público e afirmar que é mentira que tenha oferecido cargos e verbas para angariar votos? Que tal lançar um desafio: se algum deputado recebeu qualquer promessa desse tipo dele que venha a público e denuncie? Que tal processar Aldo Rebelo por difamação?

Não?

Então presidente vai trabalhar que é para isso que está em Brasília. Francamente!

Estão de brincadeira

Depois de dias lendo os noticiários pelo Brasil chega-se às seguintes conclusões:
  1. Não podemos discutir a violência sobre o "calor da emoção"
  2. Os fascínoras que mataram João são vítimas da sociedade, ou seja os culpados somos nós que o oprimimos com o "capitalismo selvagem"
  3. Redução da maioridade é uma espécie de crime contra os direitos humanos
Não! Eu me recuso a aceitar a culpa pela incopetência do Estado (os 3 poderes) na garantia da minha segurança. O regime de progressão penal é uma vergonha. Um dos assassinos de João já tinha sido internado 4 vezes e condenado 2 vezes. A última por assalto a mão armada rendeu-lhe 4 anos e meio e lógico, foi solto com 1 ano. Por que o Estado deixa este animal na rua? Vejam que o termo animal não está entre aspas. Não esqueci delas.

A esmagadora maioria dos moradores de favelas não participam de crimes (graças a Deus) e mostra claramente que não é o meio que nos define. Aliás as principais vítimas da violência são pobres, que vivem a margem destes criminosos. A pobreza não é motivo para uma pessoa tornar-se um criminoso. Vejam que boa parte dos crimes são por motivos fúteis e ligados ao tráfico de drogas. O que se quer é o velho e bom dinheiro fácil. Trabalhar? Nem pensar.

Daqui a pouco o Chico Buarque vai colocar a culpa na classe média, aquela que paga os olhos da cara para vê-lo cantar. Já aviso de antemão: pago meus impostos em dia para, entre outras coisas, garantir dinheiro para a segurança pública. Também pago para garantir educação de base para os brasileiros. Não tenho culpa se o Estado gasta a maior parte deste dinheiro para manter seu gigantismo e alimentar a corrupção. Portanto, antes de mais nada Chico, vá te catar!

Fernando Gabeira vai a cada dia ganhando minha admiração. Foi um dos únicos que falou algo de coerente nesta corrente de "não vamos discutir sobre impacto da emoção". Disse que isso pressupõe que haverá uma situação de normalidade após o impacto da barbárie cometida. Não há normalidade. Basta passar numa banca e ler a capa de qualquer jornal como o dia: tem sempre um crime bárbaro e muito sangue. Quando se discutirá então a violência?

Por último se alguém souber por favor me indique uma ONG que defenda a sociedade contra a violência. Que defenda um menino como João. Uma só. Please!

Petição contra a anistia de José Dirceu

Já corre na internet uma petição contra a anistia de José Dirceu. O objtetivo é atingir 1,5 milhões de assinaturas. Não sei o que Dirceu quer com esta anistia, já manda no PT e no governo sem direitos políticos. Se expor para que? Mas é próprio dessa gente transformar crime em perseguição política, visto o que aconteceu na ditadura. Só falta além de ser anistiado receber mais uma indenização do Estado! Pelo sim pelo não já assinei e aqui vai o link. Diga não ao Rasputin brasileiro!

Não a José Dirceu

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

Charge do Dia

Maioridade Penal

Está começando uma intensa discussão nos meios de comunicação, particularmente na internet, sobre a maioridade penal. Faz bem. Temas como esse devem ser discutidos pela sociedade e não ficar apenas restritos aos cabinetes de Brasília. Infelizmente nós temos deputados, mas não representantes. Eu "adotei" os meus e mandei e-mail perguntando a posição deles. Estou aguardando respostas.

Não é uma questão simples e existem bons argumentos de parte a parte. A redução pura e simples da maioridade ainda não me convenceu. Li um argumento muito bom ontem. Era dirigido aos que defendem a redução devido a utilização de jovens de 16 anos como membro de grupos criminosos para assumir a culpa em caso de imprevistos. Pois reduzir a maioridade para 16 fará os bandidos recrutarem meninos de 15. Tem lógica, embora ache que estatisticamente o mercado fornecedor de menores ficaria menor.

Pelo que tenho lido estou inclinado a defender a maioridade onde está. No entanto alguns crimes, principalmente os de caráter hediondo, deveriam alcançar todas as idades. A legislação deve proteger os menores, mas não apenas os menores delinquentes. E não apenas os menores. Atualmente nossa estrutura jurídica não está protegendo a sociedade. O ECA não serviu de nada para João Hélio Fernandes, este de 6 anos.

Os grupos organizados da sociedade já se apresentaram à defesa. Não de João. Mas da Maioridade aos 18. Não se iludam, existem trocentas ONGs recebendo uma grana preta para programas de "socialização" de menores. Quando o presidente falou ao seu partido no final de semana sobre o menino houve silêncio. Quando falou contra a redução da maioridade foi aplaudido entusiasticamente. O que me deixou em dúvida sobre a maioridade aos 18. Se o PT defende a atual legislação é quase certo que seja ruim para a sociedade.

Favoritos ao Oscar - Por Homer Simpson


Melhor filme: "Pequena Miss Sunshine". Adoro a idéia de uma família em que o filho não pode falar e o avô morre. O sucesso alto astral do ano!

Melhor ator: Forest Whitaker – "O Último Rei da Escócia". Ele não só comeu o cenário. Ele devorou o elenco.

Melhor atriz: Escolho a única dessas moças que é uma verdadeira americana: Penélope Cruz.

Melhor ator coadjuvante: Mark Wahlberg. Adoro como ele mata Matt Damon no fim do filme. Ooops, contei.

Melhor atriz coadjuvante: Sharon Stone – "Instinto Selvagem 2". Vote nela, pessoal.

Melhor canção: Como resistir ao mais agradável musical já feito: "Uma Verdade Inconveniente".

Melhor documentário: "Jesus Camp". Sempre quis saber o sobrenome de Jesus.

Melhor curta documentário: Quem se importa? Sai da minha premiação. Quero mais closes do Jack Nicholson dando risada.

Melhor esnobada inacreditável: "Dreamgirls". Não acredito que não foi escolhido para melhor filme. Especialmente depois de Eddie Murphy interpretar os papéis de todas as garotas. A única coisa que faltou foi a vovó peidorreira e boca-suja. Graças a Deus tinha uma ótima em "A Rainha".

domingo, fevereiro 11, 2007

Flamengo 3 x 3 Botafogo

Um clássico eletrizante onde o resultado acobou sendo muito bom para o Flamengo. O Botafogo dominou a maior parte do jogo e foi quem teve efetivamente as chances de definir a partida. Já o time da gávea esteve duas vezes atrás no placar, uma com um jogador a menos, mas conseguiu empatar a partida e permanece na liderança do grupo. Na última rodada enfrenta o Madureira, adversário direto pela vaga, e uma derrota pode significar a eliminação.

Os gols rubro-negros foram marcados por Obina (Deus perdoa, Obina não), Ronaldo Angelim e Roni. O esquema com 2 atacantes pesados (Obina e Souza) não deu em resultado muito positivo, como já era de se esperar. Acredito que Nei Franco tenha escalado-os tendo em vista o jogo da Libertadores na quarta feira na altitude da Bolívia.

Com a saída de Souza o time melhorou e ganhou visivelmente em agilidade. Enfim, foi um grande jogo e o resultado acabou sendo justo, pois nenhum dos times merecia perder.

Charge do Dia

Filmes do fim de semana

A Família da Noiva
Guess Who
Diretor: Kevin Sullivan
Elenco: Bernie Mac, Ashton Kutcher, Zoe Saldaña

Comédia na média da fórmula americana tradicional. Mas seu diretor anunciar como refilmagem de Adivinhe quem vem Para Jantar é duro de engolir. Está mais para versão de Entrando Numa Fria, só que a questão aqui é étnica. Tem alguns méritos, como inverter os papéis e colocar a história de um rapaz branco que fica noivo de uma moça negra ou o bom início, mas algumas outras coisas acabam por atrapalhar. O tema lá pelas tantas fica repetitivo e a parte do conflito do casal Jones era totalmente dispensável. Mas diverte para quem não quer pensar muito e apenas se divertir. Nota 6,5.

Nem Tudo é o que Parece
Layer Cake (2004)
Dir: Mathew Vaughn

Elenco: Daniel Craig, Colm Meaney, Kenneth Cranham

Um filme de gangster ingleses com o habitual toque de humor negro. Muito bem feito, conta a história de um personagem sem nome que trafica drogas em Londres mas que orgulha-se de odiar armas e não matar ninguém. O roteiro é muito bom mas é uma daquelas histórias que se você piscar já era, não entende mais nada. Craig está muito bem em seu papel e pena que a bela Sienna Miller seja desperdiçada. Nada que comprometa o resultado final. Nota 8.

sábado, fevereiro 10, 2007

Razão e Sensibilidade

Sense and Sensibility (1995)
Direção: Ang Lee Elenco: Emma Thompson (Elinor Dashwood),Kate Winslet (Marianne Dashwood), Hugh Grant (Edward Ferrars)

Jane Austen foi a escritora que melhor retratou a sociedade inglesa do século XIX. No meio de seus romances havia as classes sociais eram tratadas com uma inteligente ironia bem como a natureza humana. Muitas das suas obras foram passadas para o cinema, mas das que vi Razão e Sensibilidade foi a melhor.

Primeiro porque não perdeu tempo tentando dar "agilidade" à trama. Seguiu um bom ritmo apoiando-se no elenco afiadíssimo e na sensibilidade do diretor Ang Lee. E depois pelo excepcional roteiro, que adaptou muito bem a obra de Austen sem tentar "copiar" o livro, que é impossível.

Emma Thompson está muito bem, mas é Kate Winslett que dá um show de interpretação. Impossível não se apaixonar por sua Marianne. O elenco masculino está afiadíssimo com Alan Rickman e Hugh Grant. Algumas cenas são simplesmente antológicas como o desabafo de Elinor, o encontro de Edward com Elinor e Lucy ao mesmo tempo e o Coronel Barton pedindo que Elinor lhe dê qualquer coisa para fazer quando Marianne fica doente. Um filme para ser revisto muitas vezes (como fiz hoje). Nota 9.

Educação

Está chovendo dados por todos os lados comprovando o que muita gente já sabia: o sistema educacional do Brasil além de ser falido consegue ainda ser um dos piores do mundo. Está no nível da África subsaariana o que é incompatível para o PIB do país. É lógico que esta estrutura é mantida de propósito, não interessa à nossa classe política a educação de nossa população. E a grande prova está a caminho. O ministro da educação troca a cada ano, e é um dos ministérios considerados descartáveis na distribuição do poder. Tanto que já foi ocupado até por Tarso Genro. Rumores indicam que o próximo deverá ser Marta Suplicy. Só por aí já se imagina a "vontade" do governo em tentar melhorar a situação.

Não precisam muitos dados estatístico para descobrir que a educação de base é o que temos de pior em termos de educação, principalmente na escola pública. O grande motivo, para variar, é a constituição que colocou-a sob responsabilidade das prefeituras. A grande questão aí é falta de recursos. O Brasil é altamente centralizador em termos de arrecadação e os municípios vivem dependendo de esmolas dos governos federal e estaduais. Se for de oposição então o prefeito está virtualmente ferrado. Que federação, hein?

Já o governo federal, que tem a maior parte dos recursos investe fundamentalmente no ensino universitário. Fica difícil imaginar como vai resolver o problema no topo da pirâmide. Testes mostram que a esmagadora maioria de nossos alunos no ensino médio não conseguem entender o texto que leêm. O que vão fazer na universidade então é uma incógnita. O fato é que pagamos para que quem tem condições de pagar estudem (?!). Nessa hora os defensores das universidades públicas afirmam que existem uma boa porcentagem de alunos oriundos de escola pública nestas mesmas universidades. Só esquecem de dizer os cursos: letras, pedagogia, geografia, etc. Nada contra estes cursos, em qualquer país sério deveriam ser muito valorizados por lidar com o principal fator para o desenvolvimento: a educação. Só que no Brasil são cursos desprezados pela elite (odeio usar este termo mas não encontrei outro), que preferem medicina, direito e engenharia. Qual é a porcentagem de alunos oriundos de escola pública na medicina da USP? E na UFRJ?

O próprio sistema educacional está ultrapassado e não funciona. Ainda utilizamos técnicas de ensino de 50 anos atrás, e nesta tiro toda a culpa dos professores que não possuem condições, em geral, de se atualizar e buscar novas soluções. Mostram sim uma persistência e um amor à profissão invejável considerando as condições a que estão submetidos.

Tudo isso na visão de um leigo. Procure um texto ou um artigo de um especialista, de preferência sem viés político socialista (são raros) e o diagnóstico é ainda muito mais assustador. O mais triste é que não se vê melhoras, apenas a deterioração do que está aí.

Enquanto isso o governo gasta o tempo preparando cartilhas. Parece brincadeira de mal gosto. Infelizmente é.

Charge do Dia

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

Barbárie no Rio

Não dá nem para comentar muito o que aconteceu com o menino João, morto arrastado por um carro em assanto no Rio de Janeiro. Os criminosos foram presos mas como sempre um menor confessou a autoria para livrar os menores. O presidente desta Banânia já disse que não se pode tomar medidas no "calor" do acontecimento, bem como seu advogado (que também responde pelo Ministério da Justiça). É a mesma coisa que sempre falam por anos quando algo desta natureza acontece, só que quando serena fica tudo na mesma. Um "grande" protesto foi feito na Cinelândia com 100 pessoas. 100 pessoas! É o retrato de um povo que não possui capacidade de se indignar mais com nada, se é que um dia teve. Nosso bravos "movimentos sociais" só servem para a verborrogia de sempre, culpando a globalização e a exploração internacional por nossa mediocridade. E as ONGs já se apresentaram para defender o direito dos criminosos. O direito do João? Nem uma viva alma.

Todos estes atores se unem para defender justiça social. Pois que vão todos a merda! E com M maiúsculo. E ainda têm a coragem de dizer que os fascínoras são vítimas. Que "entendem" a revolta dos pais, que é a reação de uma pessoa "emocionalmente" envolvida. Pois não conheço o menino, nem a família, mas tenho humanidade suficiente para ficar REVOLTADO e INDIGNADO com o que aconteceu.

Odiar os criminosos? Não, bárbaros como eles existiram em toda a história da humanidade. Mas fico perto disso ao ler declarações de um monte de gente que deveria estar agora ao lado da família da verdadeira vítima, e não da violência.

Mas não é só isso. Também resta um sentimento de vergonha gigantesco de meu povo. Acho que mereçemos o destino que estamos vivendo. Só lamento que tantos inocentes tenham que pagar por isso.

Charge do Dia

Preço da Distração

Hoje acordei com 4 letras na cabeça: IPVA. Só agora tive tempo para sentar no computador e consultar o sistema. Sabia que vencia em fevereiro, mas não sei porque achei que era na semana que vem. Pois não é. Venceu ontem. Significa que perdi os 10% de desconto que teria direito (em torno de R$ 100,00) e ainda pago uma multa de R$ 50,00. O preço da voada ficou em cerca de R$ 150,00.
Fica a frustração de não ter ninguém para colocar a culpa e ainda ter que sair neste sol para pegar uma fila do Itaú e pagar um conta com multa. É triste mas é verdade.

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

Charge do Dia

Montesquieu

No século XVIII, surgiram pensadores na Europa que defendiam o predomínio da razão sobre a ignorância da tirania. Eram inimigos da intolerância e a liberdade estaria acima de tudo. Eram os iluministas, cujas idéias influenciariam diversos movimentos sociais como a Revolução Francesa.

Um destes filósofos foi Montesquieu que publicou em 1748 o Espírito das Leis. Nesta obra, propunha pela primeira vez a independência e separação entre três poderes, base da democracia moderna. Acima de tudo fazia um alerta para os perigos da reunião destes mesmos poderes. Acho interessante, por ser mais atual na América Latina o seguinte:

Quando na mesma pessoa ou no mesmo corpo de magistratura o poder Legislativo está reunido ao poder Executivo, não existe liberdade, pois pode-se temer que o mesmo monarca ou o mesmo senado apenas estabeleçam leis para executá-las tiranicamente.


Este é um dos inúmeros problemas do Brasil. Não existe a separação total dos poderes Legislativo e Executivo. Uma das principais causas é a medida provisória. Na última legislatura espantosos 80% das leis aprovadas saíram destas medidas ou foram originárias do Palácio do Planalto. Está errado. Os EUA, por exemplo, prezam tanto por esta independência que o presidente, mesmo com todo seu poder, não pode enviar ao congresso uma única proposta de lei.

Mas não é só isso. Vejam a última eleição na Câmara. O governo atuou forte para eleger o presidente da Câmara. Esta atuação envolveu liberação de recursos, promessas de cargas e ministérios e várias outras propostas não republicanas, para usar a definição de Roberto Jefferson. Tem como dá certo?

A Câmara e o Senado devem abrir o olho. Estão a cada dia se tornando mais dependentes das benesses do Planalto, o que coloca em risco nossa democracia e acima de tudo nossa liberdade. Ouçam os iluministas!