sexta-feira, março 30, 2007

Não há crise aérea...

Depois de passar meses dizendo que não existia crise no setor aéreo e se render aos fatos esta semana, o presidente tomou uma atitude firme. Exigiu uma data para normalização dos aeroportos. Foi enfático, queria não só a data, mas também a hora.

Pois está aí o resultado. Todos os aeroportos do país estão fechados pelo motim dos controladores. Atenção, estão dizendo greve mas militar não faz greve, faz motim. E por isso já receberam a voz de prisão do Comandante da Aeronáutica em pessoa. Não tinha outra escolha. Uma vez alguém definiu os militares como os guardiões do que existe de mais letal em um país. Deixá-los se amotinar pode levar à conseqüências incontroláveis. Imagine uma unidade de blindados amotinada apontando suas armas para o palácio do planalto. Quem resolveria a questão.

Quando meses atrás o Ministro da Defesa reuniu-se com os sargentos , sem a presença do Comandante da Aeronáutica tratando-os como grevistas do ABC já estava semeada a confusão futura. E está aí. O movimento foi deflagrado pela transferência de um Sargento (o líder da "categoria") de Brasília para Santa Maria.

As reivindicações podem até serem justas, mas desde o início as atitudes dos controladores está se mostrando por demais oportunistas. A primeira paralisação quando o inquérito do acidente da Gol apontou para seus pares, e agora por causa da transferência de seu líder.

Depois de mais de 6 meses o governo resolve fazer o que deveria ter feito desde o início. Constituir um gabinete da crise e reconhecê-la como tal.

Como ficam agora os 308 bravos deputados que acham que não há fato determinado para instalar uma CPI no setor? A lista está aí no blog para quem quiser ver. Os petistas e mensaleiros já não causam surpresas, mas chamou a atenção o nome de gente com Serraglio, Izar e Miro Teixeira. Um arranhão e tanto na imagem destes parlamentares.

Lula já orientou o Comando da Aeronáutica a negociar. É perigoso tratar militares como grevistas comuns. Abre um precedente perigosíssimo. Mas também a solução não é fácil pois os controladores sabem que tem o país nas mãos. E isto é o mais grave de tudo.

4 comentários:

Alexandra disse...

Eu já não achava que o controle de tráfico aéreo deveria ser militar mesmo... agora então....

O Alan está começando a ter suas dúvidas se devemos ir em maio...

Marcos Guerson Jr disse...

O problema é a opção. Ao fazer a desmilitalização estará passando o controle da "cathiguria" para a CUT. O que vc acha que vai vir daí? Hoje ela está quietinha, pois o governo é do PT. E depois?

Alexandra disse...

na verdade a questão nem é se deve ser militar ou não; a questão é que uma função tão importante como a de controlador de tráfico aérea deve ser super bem remunerada, com bom treinamento e excelentes condições de trabalho. Nesse caso, sendo militar ou não, não haveria caso para greves.

Marcos Guerson Jr disse...

O salário do controlador aéreo no Brasil é ridículo, e um atentado à segurança das operações. Isto é fato.

Mas de maneira nenhuma pode-se concordar com o que eles fizeram. Ao paralisar o tráfego aéreo não só causaram prejuízos, mas também colocaram pessoas em risco. O que dizer de passageiros que estavam viajando em situação de emergência? E uma vida que se perdeu por enfarte em uma sala de espera?

O que os controladores fizeram não foi um simples greve. Cometeram um crime tipificado no Código Penal Militar. A Aeronáutica pode ter sido impedida pelo presidente de cumprir o flagrante delito, mas nada explica o silêncio do Ministério Público Militar sobre o assunto.

E pode pagar o vencimento que for, sob controle da CUT virá outros movimentos. Só para ter uma idéia esta semana tivemos paralisação do Banco Central e a Polícia Federal ameaça com greve. São os maiores salários de servidor público, salário impossível de ganhar na iniciativa privada.

Defendo também que o controle seja civil, mas não da forma como será feito. Na correria, em meio ao caos. Primeiro a situação deveria ser normalizada para depois se fazer o processo.