sábado, abril 28, 2007

Um alerta

O empresário Odemiro Fonseca publicou hoje no Globo um artigo intitulado "Pode piorar muito".

Trata, em síntese, da opção da Venezuela e Argentina pelo declínio econômico depois de terem por algum tempo sustentado uma boa posição não só na América Latina como no mundo.

A Argentina, no início do século, possuía nível de vida dos mais ricos países europeus. A Constituição de 1853 gravava a tradição liberal clássica e o resultado foi um rico centro econômico e cultural resultando num povo educado, de sociedade aberta e democracia.

Em 1975 o PIB per capita da Venezuela era maior do que os da Itália, Noruega, Irlanda e Espanha. A inflação era a mais baixa do mundo já há vinte anos e o salário real crescia todo ano. Era uma democracia estável.

Então veio a estatização de petróleo, mineração, energia elétrica e telecomunicações. Extinção do BC independente. Controle de importações e as empresas estrangeiras foram impedidas de vender alimentos. O resultado foi o controle de preços, crises hiperinflacionárias e políticas.

O autor cita como causa a baixa autoestima da América Latina que criou o sentimento de atraso e marginalidade histórica com relação ao Ocidente. Fundiram-se aí o mercantilismo (a riqueza é natural), o patrimonialismo ibérico e o nacionalismo autárquico (não precisamos de ninguém).

Agregaram-se o positivismo tecnocrático e militar e o marxismo vulgar dos movimentos sindicais e intelectuais.

O caudilho se transvestiu no papel de novo libertador, nacionalista e populista. A Argentina introduziu os ditadores populistas, o capitalismo monopolista de estado e o Estado assistencialista. Fez um retorno seguro ao "Terceiro Mundo Ocidental". E a Venezuela segue hoje, de maneira mais abrupta, o mesmo caminho.

Termina alertando que o Brasil está seguindo lentamente o mesmo caminho. Segundo Odemiro, o primeiro governo Lula ainda teve de positiva uma agenda microeconômica de reformas institucionais, o que foi abandonado agora. O que está se vendo é o "maior esforço em propaganda estatal, entricheiramento de interesses especiais e formação de uma república sindical em concubinado com um estado gastador."

As vitimas, conclui, serão as de sempre _ "a democracia e a prosperidade."

Temos o direito de sonegar Imposto de Renda?

Ou em outras palavras: é moralmente aceitável uma pessoa fraudar sua declaração de Imposto de Renda para garantir uma restituição maior?

Neste caso refiro-me a um caso bem particular: um representante da classe média brasileira, assalariado, que tem parte de sua renda recolhida na fonte.

Não é segredo para ninguém que a carga tributária no país só aumenta a cada ano. O governo comemora cada recorde de arrecadação e atualmente o estado já recolhe mais da metade do que ganha a classe média no Brasil, seja no IR ou nos outros impostos arrecadados.

Não existe contra-partida para essa parte da sociedade. Diante da falência do estado em garantir um mínimo de qualidade nos serviços prestados normalmente ainda paga plano de saúde, escola, segurança, pedágio. Uma lista que não termina e que é resumida em uma pesada conta todo mês.

A fúria arrecadadora do governo não arrefece. A maior preocupação do presidente hoje é garantir a renovação da CPMF. A tropa de choque está mobiliada e qualquer um que defenda sua extinção é confrontado com o argumento que está tirando o dinheiro da saúde e dos programas sociais do governo. Ou seja, está agindo contra os mais pobres.

Mas sabemos que a realidade não é essa. Somando-se o que é perdido na corrupção, no desperdício da pesada máquina pública e no uso político pelo governo, é difícil acreditar que ainda sobre muita coisa para a sua destinação final. Considera-se que existe um limite de carga tributária onde o imposto torna-se extorsão. E já passamos este limite há muito tempo.

Uma parcela dos contribuintes paga com sua honestidade grande parte das injustiças cometidas no Brasil. Para piorar esta mesma parcela não possui representação política para defendê-la pois foi abandonada por todos os partidos políticos do país. Todos querem ser ligados à defesa dos mais pobres e defender a classe média tornou-se uma agenda condenada.

Volta-se então a pergunta: diante deste quadro, da verdadeira extorsão que está sendo submetido dia à dia, pode este homem fraudar sua declaração para receber mais em sua restituição?

Mesmo diante deste quadro existem outras questões que devem ser objeto de reflexão cuidadosa.

Esta parte da sociedade paga por boa parte da que não paga. Será uma saída aceitável juntar-se a esta segunda parte e apertar mais a corda sobre os que se mantém nos limites impostos pelas leis, ainda que se consideradas injustas?

Causa revolta ver nossa elite política utilizando todo um arsenal de dispositivos, legais ou não, mas definitivamente amorais, para garantir vantagem pessoal no que conseguir colocar as mãos. Será uma saída válida juntar-se a eles?

Até que ponto nossos representantes não representam a moral vigente na própria sociedade? Até que ponto as últimas eleições validaram uma prática política destituída de qualquer princípio moral justamente por silenciosamente se considerar normal estas mesmas práticas?

Olhando com atenção nossa sociedade podemos observar muitos sinais preocupantes. A ética representa um conjunto de atitudes que uma sociedade aprova, não representa obrigatoriamente uma questão moral. A ética em nosso país hoje é que devemos procurar formas de conseguir vantagens, pois se assim não fizermos alguém fará por nós.

Vejo uma sociedade doente. Toda ela. O topo só reflete nossas escolhas morais, talvez ampliadas, mas que existem em todos nós. Alguns abnegados lutam para resistir a todas estas tentações e seguir o que moralmente considera correto. É uma luta inglória, contra tudo e contra todos, em que a honestidade é confundida muitas vezes com a ingenuidade e a idiotice.

Todo ano, diante da sua declaração o brasileiro é obrigado se definir. Qual é o seu limite? Até que ponto seu censo moral resiste a fúria arrecadadora e injusta do estado? Qual é o limite a partir do qual consegue se convencer que alguns dígitos alterados naquele papel não representa uma questão moral mas de ética? Pois na ética não há dúvida. Eticamente o brasileiro aceita que se burle o fisco, é uma questão de esperteza.

E eu nessa história toda?

A cada ano testo novamente meus limites. A cada ano tento me convencer que é idiotice deixar que o governo fique com praticamente todo o imposto retido na fonte. Que este dinheiro irá para o bolso de outro, que se perderá nos becos escuros da corrupção. Que não é uma escolha moral.

Até hoje não me convenci disso, mas a cada ano me sinto mais cansado, revoltado e fraco. Já fui mais firme nesta questão, mas vejo com pesar meu limite se aproximando e isso me preocupa. Mais de que gostaria de admitir. Estou perdendo a fé em minha própria capacidade de resistência e em meus princípios.

Só posso terminar com o pensamento de Ruy Barbosa, um dos meus preferidos, e que infelizmente é mais atual do que nunca:

"De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver crescer as injustiças, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, rir-se da honra e ter vergonha de ser honesto"

sexta-feira, abril 27, 2007

Maioridade Penal

Esta semana a CCJ do Senado aprovou emenda que reduz a maioridade penal para 16 para crimes hediondos e similares, e mesmo assim se laudo técnico de junta constituída por um juiz atestar que os menores tinham consciência do ato que estavam praticando.

É claro que a gritaria vai ser geral. Das elites políticas que fique bem claro, pois a maioria da população brasileira já demonstrou o que pensa na última pesquisa sobre o assunto. O primeiro argumento é que reduzir a maioridade não é solução para a violência urbana que assola nossas grandes cidades.

É um debate que começa viciado. Claro que não é. Ninguém está dizendo isso. Mas é uma medida para coibir a utilização de menores em crimes graves, justamente para evitar a punição. E por mais que gritem a verdade é que certas medidas duras contra a criminalidade __ tipo colocar na cadeia __ funcionam no mundo todo.

Dos argumentos que li de ontem para hoje o que achei mais inusitado foi o do ministro do STF Ayres Britto que afirmou que a solução é apostar em escolas. Em seu blog Reinaldo Azevedo foi certeiro: escola existe para estudante, prisão para bandido. É por aí.

Mesmo que a educação reduza a criminalidade, o que nunca foi provado, o que fazer com estes milhões de jovens com mais de 15 anos que já estão na marginalidade? É o velho chavão da esquerda de culpar a sociedade pela bandidagem, e já que a sociedade falhou deve agora aguentar as conseqüências.

Discordo da idéia que a prisão sirva para re-educar o preso. Serve também. Junto com a punição e, principalmente, a proteção para quem está do lado de fora. Outra é que a violência é fruto da pobreza. Não é. A violência é fruto de dois fatores: penas brandas e a certeza da impunidade. Infelizmente estamos "bem" nos dois.

Associam a maioridade aos 18 anos como uma idéia progressista. Defender os 16 anos é ser reacionário e conservador. A velha mantra plantada pelos socialistas de que quem não concorda com a ideologia só pode ser classificado desta maneira. O pior é que colou.

Mas não deixa de ser curioso que tantos países atrasados, verdadeiras ditaduras, punam com rigor crimes violentos. A maioridade? Veja a lista:

Sem idade mínima
- Luxemburgo

7 anos
- Austrália
- Irlanda

10 anos
- Nova Zelândia
- Grã-Bretanha

12 anos
- Canadá
- Espanha
- Israel
- Holanda

14 anos
- Alemanha
- Japão

15 anos
- Finlândia
- Suécia
- Dinamarca

16 anos
- Bélgica
- Chile
- Portugal

Só para registro a Cuba, idolatrada por muitos, adota os 16 anos. Para crime comum lógico. Para político com qualquer idade o cubano pode ser fuzilado por discordar do governo. Sem nenhuma palavra de muitos que consideram um crime prender um jovem de 17 anos que arrastou uma criança pelas ruas do Rio de Janeiro.

É claro que o Brasil deveria investir em educação. Ou melhor, deveria conseguir que os recursos para o setor não fossem perdidos na corrupção pois o que existe já daria para fazer muita coisa. Mas não para reduzir criminalidade. Educação é para educar a população e capacitá-los para enfrentar os desafios da sociedade moderna. Este tem que ser o principal foco.

Acho curioso que existindo a dúvida se uma pessoa pode ser um perigo para a sociedade se defenda a primeira e nunca a segunda. E ainda tenho que ler o argumento rasteiro que a bancada feminina no congresso votará em peso contra a redução porque as mulheres são mais sensíveis aos problemas dos adolescentes.

Problema de adolescente é uma coisa. Participação no crime organizado é outra muito diferente. Infelizmente mistura-se tudo no mesmo saco. Logicamente nessa hora eles não lembram do adolescente que é assaltado, espancado ou morto. Este não dá espaço na mídia e nem dinheiro para ONG.

quinta-feira, abril 26, 2007

Republicando o Manifesto da Pancinha

Recebi uma mensagem da Carolina (Lili) identificando-se como a autora do Manisfesto da Pancinha, publicado aqui no Blog algum tempo atrás. Ela escreve no Blog Gravatai Merengue e o manifesto que novamente publico pode ser encontrado no link:

http://gravataimerengue.com/?p=95492098

Novamente para quem perdeu:

Manifesto da Pancinha

Meninas de todo o Brasil, tenho um conselho valioso para dar aqui: se você acabou de conhecer um rapaz, ficou com ele algumas vezes e já está começando a imaginar o dia do seu casamento e o nome dos seus filhos, pare agora e me escute! Na próxima vez que encontrá-lo, tente (disfarçadamente) descobrir como é sua barriga. Se for musculosa, torneada, estilo “tanquinho”, fuja! Comece a correr agora e só pare quando estiver a uma distância segura. É fria, vai por mim.

Homem bom de verdade precisa, obrigatoriamente, ostentar uma barriguinha de chopp. Se não, não presta. Veja bem, não estou falando daqueles gordos suados, que sentam horas na frente da televisão com um balde de frango frito, e que, quando se abaixam, mostram um cofre peludo. Não! Estou me referindo àqueles que, por não colocarem a beleza física acima de tudo (como fazem os malditos metrossexuais), acabaram cultivando uma pancinha adorável. Esses, sim, são pra manter por perto. E eu digo por quê.

Você nunca verá um homem barrigudinho tirando a camisa dentro de uma boate e dançando como um idiota, em cima do balcão. Se fizer isso, é pra fazer graça pra turma - e provavelmente será engraçado, mesmo. Já os “tanquinhos” farão isso esperando que todas as mulheres do recinto caiam de amores - e eu tenho dó das que caem.

Quando sentam em um boteco, numa tarde de calor, adivinha o que os pançudos pedem pra beber? Cerveja! Ou Coca-cola, tudo bem também. Mas você nunca os verá pedindo suco ou coca-light. Ou, pior ainda, um copo com gelo, pra beber a mistura patética de vodka com “clight” que trouxe de casa. E você não será informada sobre quantas calorias tem no seu copo de cerveja, porque eles não sabem e nem se importam com essa informação.

E no quesito comida, os homens com barriguinha também não deixam a desejar. Você nunca irá ouvir um “ah, amor, ‘Quarteirão’ é gostoso, mas você podia provar uma ‘McSalad’ com água de coco”. Nunca! Esses homens entendem que, se eles não estão em forma perfeita o tempo todo, você também não precisa estar.

Mais uma vez, repito: não é pra chegar ao exagero total e mamar leite condensado na lata todo dia! Mas uma gordurinha aqui e ali não matará seu relacionamento. Se ele souber cozinhar, então, bingo! Encontrou a sorte grande, amiga.

Ele vai fazer pra você todas as delícias que sabe, e nunca torcerá o nariz quando você repetir o prato. Pelo contrário, ficará feliz.

Outra coisa fundamental: homens barrigudinhos são confortáveis! Experimente pegar a tábua de passar roupas e deitar em cima dela. Pois essa é a sensação de se deitar no peito de um musculoso besta. Terrível! Gostoso mesmo é se encaixar no ombro de um fofinho, isso que é conforto. E na hora de dormir de conchinha, então? Parece que a barriga se encaixa perfeitamente na nossa lombar, e fica sensacional.

Homens com barriga não são metidos, nem prepotentes, nem donos do mundo. Eles sabem conquistar as mulheres por maneiras que excedem a barreira do físico. E eles aprenderam a conversar, a ser bem humorados, a usar o olhar e o sorriso pra conquistar.

É por isso que eu digo que homens com barriguinha sabem fazer uma mulher feliz.

Bom, pelo menos o meu sabe.

Coisas estranhas andam acontecendo na PG


Esta turma é da pesada...



Beijos???

Mais um absurdo

Ontem a Câmara promoveu mais um absurdo. O Conselho de Ética da casa rejeitou o pedido de abertura de processos contra os deputados Valdemar Costa Neto (PR), Paulo Rocha(PT) e João Magalhães (PMDB). Eles haviam renunciado aos mandatos para não serem cassados e retornaram e foram novamente eleitos. Os deputados do Conselho entenderam que, pela repercussão dos fatos na mídia, o fato de terem sido eleitos demonstra que foram absolvidos pelos eleitores.

Mesmo se não fosse um sistema absurdo que elege deputados com votos minguados carregados pela legenda, já seria uma aberração. Voto não pode servir de absolvição para ninguém. Para registro o deputado petista José Eduardo Cardoso, visto por uns como moderado, não só votou à favor deste entendimento como o defendeu de forma veemente. Mais uma vez se prova que não há compatibilidade entre o petismo e a moderação, e muito menos a lógica.

O Bispo está certo

Folha Online:

O bispo d. Odilo Scherer disse em sabatina da Folha que a fidelidade dos casais e a não-promiscuidade são as melhores formas de combater a difusão da Aids pelo mundo. A afirmação é uma resposta à pergunta do jornalista da Folha João Batista Natali sobre o uso de preservativo para combater a Aids, principalmente em países mais pobres, como a África.
"A igreja não está interessada na difusão da Aids. Pelo contrário", afirmou d. Odilo.

Ele acrescentou que existem muitas pesquisas científicas e medicamentos voltados para o combate da doença.

Mas destacou que a formação, educação das pessoas para um comportamento ético e moral também são importantes no combate da doença.


O Bispo está certo. Querem colocar na conta da Igreja católica a proliferação da AIDS e outras doenças sexualmente transmissíveis pela posição que ela assume contra o preservativo. É uma falta de lógica absurda. A Igreja defende um método ainda mais eficiente: a prática de sexo responsável entre conjugues e a fidelidade entre casais.

Muitos ao tratar das relações sexuais reduzem o homem quase que a um animal. Pois não é. O sexo é uma questão de escolha individual, que depende da moral de cada um. Como fazer, quando fazer e com quem fazer. A Igreja tem todo o direito de orientar seus fieis da forma que julgar melhor. Aliás este é um ponto pouco observado, ela orienta seus fieis e não toda a humanidade. Papas e bispos ao logo da história cometeram muitos crimes, mas este definitivamente não é um deles.

Basta observar que existem muito poucos católicos na África. O que não se pode afirmar da quantidade de doenças sexualmente transmissíveis.

Juiz?

quarta-feira, abril 25, 2007

STF derruba armação do governo

O STF decidiu hoje, por unanimidade, que a CPI do Apagão deve ser instalada imediatamente na Câmara do Deputados. E foi mais além. O Presidente da casa, Arlindo Chinaglia, não poderia ter aceitado um recurso da base do governo contra a CPI depois de ter lido sua instalação. Naquele momento a CPI já estava instalada, portanto não cabia um recurso que pedia a sua não instalação.

O Supremo deixou claro que a CPI é um instrumento da minoria parlamentar para fiscalizar os poderes e, portanto, não pode ser derrubada por uma manobra de maioria simples.

Desta o Estado de Direito escapou.

Pensmento

"O elefante é um camundongo construído segundo as especificações do estado."

Robert Heinlein

Bichinho fofinho

Assim começa o autoritarismo

Rosseau já dizia que a submissão de um poder por outro é o inicio do totalitarismo e o fim da liberdade. Pois vejam o que aconteceu no Equador.

O TSE havia caçado o mandato de 50 deputados de oposição ao presidente Rafael Correa. O Tribunal Constitucional (STF de lá ) entendeu que a cassação tinha sido política e derrubou a decisão do tribunal eleitoral. Os correligionários do presidente invadiram o TC e expulsaram os magistrados a pedradas. A Câmara destituiu os 9 juízes do tribunal, extinguindo-o. Rafael já convocou uma constituinte, onde com ampla maioria no congresso e apoio popular(90%) poderá fazer o que quiser.

Mais um exemplo na América Latina da democracia indo para o espaço.

terça-feira, abril 24, 2007

19 Livros

lEm 2001 a revista Época publicou uma lista de 19 livros que ninguém poderia morrer sem ler. São eles:

O vermelho e o negro - Stendhal
Guerra e Paz - Leon Tolstói
Ulisses - James Joyce
Em busca do tempo perdido - Marcel Proust
Crime e castigo - Dostoievski
Madame Bovary - Gustave Flaubert
A montanha mágica - Thomas Mann
Grande Sertão: veredas - Guimarães Rosa
O processo - Franz Kafka
Moby Dick - Herman Melville
O homem sem qualidades - Robert Musil
Eugênia Grandet - Honoré de Balzac
O primo basílio - Eça de Queirós
Dom Casmurro - Machado de Assis
David Copperfield - Charles Dickens
Os miseráveis - Victor Hugo
Ao farol - Virgínia Woolf
Grandes esperanças - Charles Dickens
Memórias Póstumas de Brás Cubas - Machado de Assis

Desta lista só li 2: dom Casmurro e Grandes Esperanças. Faltam portanto 17. Topo o desafio!

E assim se revelam os homens

Ontem no Roda Viva foi vez de Franklin Martins, ministro da Propaganda (não consigo dizer outro nome) do atual governo. Estava curioso para ver o que tinha a dizer sobre o caso Diogo Mainardi. Para quem não sabe o atual ministro move um processo contra o colunista da Veja. Nem vou entrar no mérito da questão, o problema é que no dia 16 de Abril Kennedy Alencar colocou em seu blog que Diogo tinha sido condenado em primeira instância a pagar uma multa de 30 mil reais. No dia seguinte, ao entregar a defesa os advogados do colunista perguntaram sobre esta sentença. Foram informados que não havia, até porque a defesa não tinha sido anexada aos autos. Pediram então cópia do processo. Surgiu então a sentença, a mesma adiantada por Alencar, só que datada do dia 17 de abril. Parece que o juiz já tinha tomado sua decisão antes da anexação da defesa e vazado para alguns interlocutores privilegiados.

Ao se defender, Kennedy alega que fez um furo jornalístico. E que o site do Tribunal havia, por engano, postado a sentença bem antes, no dia 3 abril. Esta só o jornalista viu, porque foi tirada do ar rapidamente no mesmo dia. Ele alega que tem em mãos esta última e é igual, até nos erros de digitação (palavras dele) da que noticiou no dia 16. Aí fica tudo ainda mais complicada. Por que? Porque a sentença faz referência a um documento anexado em 10 de abril, incluindo a data. Como é que o juiz sabia o conteúdo e a data de um documento que seria apresentado uma semana depois?

Pois voltamos a Franklin Martins. Depois de ter feito uma defesa da democracia, da transparência e do pluralismo foi indagado por Márcio Aith, da Veja:
— O sr. sabia desde o dia 16?
— Claro que sim.
— E como fica o estado de direito nesse caso?
__ Olha aqui, não vou entrar neste assunto.

Democrático hein? O fato é que uma das partes sabia da sentença de um juiz antes mesmo de ser pronunciada e de anexar a defesa aos autos. Trabalho para a corregedoria da justiça. Mais um.

No fim Martins se definiu com "de esquerda". Indagado sobre o que entendia como ser de esquerda respondeu:
__ É acreditar que o mundo é injusto e que essas injustiças não são naturais.

Mais uma vez a mentira recontada um milhão de vezes que devo reconhecer que já colou. A esquerda é o bem supremo, o pensamento que busca a justiça, e isso justifica os atos de seus seguidores. Quem não se define como esquerda é a favor da injustiça. Os milhões de mortos deixados por Stalin e Mao foram apenas acidentes de percurso. A realidade mostrada pela história é esquecida e sepultada. É a tese que o retumbante fracasso do comunismo real foi uma derrota de toda a humanidade que perdeu a oportunidade de construir um mundo mais justo. Embora o conceito de justiça mostrada por TODOS os regimes socialistas aplicados na prática seja bem diferente de sua idealização.

Durante a crise do mensalão, o mesmo Franklin Martins se declarava como neutro. Um jornalista isento e por isso era comentarista do principal telejornal do país. Diante das revelações de Mainardi foi demitido, e depois da entrevista de ontem é difícil de lhe dar razão. Mais uma vez vemos como um esquerdista da mídia se esconde no conceito de neutralidade para dar sua 'opiniões'. Martins foi um dos que até hoje não viram provas do mensalão.

Ao contrário deste pessoal não acho que deve haver censura. Devem ser livres para expressar suas opiniões. Apenas acho que seria mais honesto se assumissem sua ideologia ao invés de ficar bancando o analista-juiz. Mas aí teriam que defender também toda a parte podre da ideologia socialista não é mesmo? Algo como alguns milhões de cadáveres e a situação feudal de seus "súditos".

Pois este é o Sr Franklin Martins que ainda teve o disparate de dizer que lutou no MR-8 pela democracia no Brasil. Não lutou. Lutou pela implantação do regime comunista no Brasil. Em nenhum lugar no mundo ele foi democrático. Até porque não dá para impedir a fuga das massas em um regime democrático. Daí o totalitarismo. Daí a ausência de liberdade de imprensa.

É sempre uma piada ver um ex(?)-terrorista de esquerda falando de democracia.

Furacão

segunda-feira, abril 23, 2007

Kant (1724-1804)

Emanuel Kant nasceu nas Prússia oriental, filho de pais burgueses de origem escocesa. Praticamente nunca saiu de Konigsberg, sua cidade natal. Vazia de acontecimentos, a vida de Kant foi, no entanto, cheia de descobertas, crises, intuições e viradas intelectuais. Para alguns o maior filósofo da era moderna.

Criou o criticismo, atitude filosófica que consiste em submeter à crítica os resultados da própria atividade mental e de toda experiência humana, a fim de estabelecer os seus limites, sua validade e sua possibilidade.

Revolucionou a filosofia do conhecimento ao defender que o ato cognitivo não é uma adequação da mente ao objeto conhecido. São os esquemas mentais já presentes que determinam o que podemos conhecer do objeto. O resultado é um programa de investigação inovador: no centro da filosofia do conhecimento devem ser postas essas formas a priori da mente, universais e necessárias.

Um juízo a priori trata-se sempre de afirmações que se limitam a explicar melhor um elemento já implícito no sujeito. A afirmação este corpo tem um peso pode ser pronunciada sempre, antes mesmo de avaliar o corpo em questão. A posteriori, ao contrário, são juízos que só podem ser enunciados depois de uma experiência particular e concreta: por exemplo, este corpo é muito pesado.

Afirmava que a existência de Deus nunca poderia ser provada. A teologia racional seria uma ciência impossível. O que não significa que Deus não exista, mas apenas que a sua existência não pode ser provada.

O núcleo de sua doutrina foi o imperativo categórico. Kant afirmava que um comportamento humano pode ser considerado moral quando é universalizável, isto é, quando se prende a uma norma que ultrapassa o caso concreto, a utilidade e seu interesse pessoal. Existem certos comportamentos que a consciência reconhece com certos ou errados em si, independente das consequências e da situação específica em que se desenvolvem. Se um comportamento segue o imperativo categórico, podendo ser universalizado como lei geral, não negociável, deve ser posto em ato, sem dúvida.

Kant foi também o precursor da idéia da comunidade de nações. Confiava na utopia pacifista que, segundo ele, só seria realizável, se os estados nacionais se unissem em uma constituição republicana mundial.

Frases:

O Estado cumpre o seu objetivo quando assegura a liberdade de todos.

Age sempre de tal modo que o teu comportamento possa vir a ser princípio de uma lei universal.

Você é livre no momento em que não busca fora de si mesmo alguém para resolver os seus problemas.


Não há virtude tão forte que esteja a salvo da tentação.

Muita Calma Nesta Hora

A indignação é grande diante dos resultados da operação Hurricane nas últimas semanas, mas não se pode admitir que o Estado de Direito seja atropelado pelos fatos. É claro que todos gostariam de ver atrás das grades juízes corruptos, principalmente pela posição que ocupam.

Está havendo muita gritaria diante da posição do STF em soltar alguns dos presos pela PF. O Supremo não costuma tomar decisões na correria sem analisar tecnicamente e criteriosamente a questão. Para o bem ou para o mal, a legislação brasileira é muito rígida quanto às condições para efetuar uma prisão antes da condenação. Em outras palavras é muito difícil manter um preso durante um processo penal. Basta ver que o assassino confesso e já condenado de Sandra Gomide continua solto aguardando o resultado de sua apelação.

Uma causa justa não pode servir de base para transgredir as normas legais que por sua vez foram aprovadas pelos representantes eleitos pela sociedade para este fim. Se as leis são frágeis e possibilitam que estes réus fiquem em liberdade durante o processo que se mude a lei. No parlamento.

Não se entende ainda como nenhuma ligação foi feita ainda com a CPI dos Bingos e do Mensalão. A PF cumpriu seu papel muito bem até aqui, resta saber se terá coragem para mexer neste vespeiro, ainda mais por envolver pessoas importantes do atual governo e como sempre muito próximas do presidente.

Aguardemos os fatos.

Realidade brasileira

domingo, abril 22, 2007

Sabrina

Título Original: Sabrina(1954)
Direção: Billy Wilder
Roteiro: Billy Wilder, Samuel A. Taylor e Ernest Lehman, baseado em peça de Samuel A. Taylor
Elenco:
Humphrey Bogart (Linus Larrabee), Audrey Hepburn (Sabrina Fairchild),William Holden (David Larrabee)

Este é um dos grandes filmes na estória, que nunca canso de ver. Hepburn está simplesmente deslumbrante no papel da filha do chofer apaixonada pelo filho do patrão de seu pai. O roteiro é maravilhoso, conduzindo com maestria ao dilema que Linus Larrabee vai enfrentar. O ponto alto do filme é quando Bogart, em seu escritório e contemplando a cidade, percebe que não conseguirá ir até o fim na tarefa que se propôs. Outro destaque é o pai da moça, que representa o preconceito quanto a união de duas pessoas de distintas classes sociais. Um filme brilhante. Nota 10.

Quotes:

Thomas Fairchild: Democracy can be a wickedly unfair thing Sabrina. Nobody poor was ever called democratic for marrying somebody rich.

Thomas Fairchild: I like to think of life as a limousine... though we are all riding together we must remember our places, there is a front seat and a back seat and a window in between.
David Larrabee: There's just one thing you overlooked. I haven't proposed and she hasn't accepted.
Linus Larrabee: Oh don't worry. I proposed and Mr.Tyson accepted.
David Larrabee: Did you kiss him?

Linus Larrabee: [slow dancing with Sabrina] How do you say in French my sister has a yellow pencil?
Sabrina Fairchild: Ma soeur a un crayon jaune.
Linus Larrabee: How do you say my brother has a lovely girl?
Sabrina Fairchild: Mon frere a une gentille petite amie.
Linus Larrabee: And how do you say I wish I were my brother?

[Linus has decided to cancel the wedding and the merger]
Linus Larrabee: When's your mother's birthday?
Miss McCardle: Why?
Linus Larrabee: I'm sending her two thousand gardenias.

Thomas Fairchild: He's still David Larrabee, and you're still the chauffeur's daughter. And you're still reaching for the moon.
Sabrina Fairchild: No, father. The moon is reaching for me.

Finais Decididas

Rio: Flamengo X Botafogo

O alvinegro precisou de 20 minutos para desfilar um jogo insinuante e fazer três belos gols na Cabofriense. O time do interior ainda lutou, fez um gol, mas não chegou a ameaçar o título botafoguense que vem jogando o melhor do campeonato até aqui.

São Paulo: Santos X São Caetano

O tão falada superioridade da dupla Santos-São Paulo não se confirmou nas semi-finais do paulistão. O tricolor levou um chocolate da equipe de São Caetano e despediu-se com uma goleada do campeonato para surpresa total. O Santos ainda conseguiu se segurar, mas foi por muito pouco que também não ficou de fora. Empatou as duas partidas e classificou-se pela melhor campanha. No fim do jogo a equipe do Bragantino ainda perdeu uma chance de ouro para ir para a final. Coisas do futebol.

Minas Gerais: Cruzeiro X Atlético

Novamente as duas grandes equipes mineiras decidem o título. Tiveram suas dificuldades nas semi mas passaram sem grandes sustos. O Cruzeiro recuperou-se bem da derrota diante do Brasiliense e venceu com autoridade o Tupi. O Atlético jogou muito mal mas mesmo assim conseguiu chegar.

Rio Grande do Sul: Grêmio X Juventude

O Grêmio conseguiu mais uma de suas façanhas. Depois de perder por 3 x 0 fora de casa (valia o critério de gols fora) tinha tudo para se despedir no jogo do Olímpico diante do Caxias. Pois fez 4 x 0 e é o franco-favorito para o título gaúcho. Ainda mais que o Juventude se classificou hoje co derrota em casa diante do Veranópolis.

Pedido

sábado, abril 21, 2007

Grandes Esperanças

Great Expectations, Charles Dickens (1860-1861)

Maravilhoso. Um grande romance de Charles Dickens que conta a estória de Pip, um garoto extremamente pobre que passa a dispor de uma grande soma de dinheiro. O livro trata do perigo de uma rápida ascensão social e a perda da moralidade no processo.

A narração de Dickens sobre a família de Pip é coisa de mestre. Não há como não sentir a pobreza e a privação que enfrentavam na Inglaterra vitoriana, pós revolução industrial. Pip era criada por uma violenta irmã e principalmente por seu marido Joe. Este é o retrato da moralidade e da bondade. A consciência do próprio menino que ao receber a "herança" passa a fugir para não pensar no destino que está dando a sua vida.

Outro grande personagem é Miss Havisham, uma senhora idosa que nunca superou ter sido abandonada às vésperas do casamento. Como vingança cria uma filha adotiva desprovida de sentimentos de amor, cujo papel é ser bela e intocável. Pois Pip se apaixona pela menina e passa a considerar sua humilde vida um estorvo.

A segunda parte do livro conta a saga de Pip em Londres tornando-se um cavalheiro. Dispondo de recursos através de um advogado, Mr Jaggers, o antes trabalhador aprendiz de ferreiro torna-se um retrato social da elite britânica. Sem trabalhar, apenas gasta os recursos que possui e incorpora os valores da nova classe, a ponto de desprezar o velho amigo Joe.

Um dia Pip recebe a visita de seu misterioso benfeitor. E este acontecimento revira sua vida iniciando a última parte do livro. Não era, como imaginava, Miss Havisham, mas sim um condenado degredado para Austrália que Pip tinha ajudado na infância. O jovem fica horrorizado com a origem de sua herança e passa a hostilizar seu benfeitor. No entanto a lealdade e dedicação deste homem consegue quebrar o muro que Pip tinha construído, iniciando o penoso processo de reconciliação dele com sua consciência (Joe) e com a pobreza.

Pois esta última parte é emocionante. Não só pela junção de uma série de personagens e acontecimentos dispersos pelo texto como pelo arrependimento sincero de Pip. Realmente uma obra que merece o rótulo de clássico. Nota 9.

sexta-feira, abril 20, 2007

Dá para levar a sério?

Questão do concurso para a ANAC. Para quem não sabe é a agência que cuida da Aviação e cujo presidente afirmou na última semana que não tem tem crise. É um retrato dos absurdos que regem a vida pública no país:

59 - A garota de programa Bruna Surfistinha tornou-se um dos maiores sucessos do mercado literário brasileiro, em 2005, com o livro:

a) A pessoa e para o que nasce
b) O doce veneno do escorpião
c) O céu de Suely
d) No quarto de um motel
e) Madame Satã

House Ep 306

Que Será Será

A equipe de House tem que tratar um paciente de mais de 300 kg em coma. Mas o maior problema do médico é a perseguição que Tritter está fazendo, deixando-o pela primeira vez na defensiva. Cameron vê no paciente uma semelhança muito grande com o próprio House e acaba por se interessar pessoalmente no caso chegando, inclusive, a ultrapassar os limites de sua rígida ética pessoal. Nota 7,5.

Quote:

House: What did you find out?
Dr. Cameron: That you and George have the same taste in home furnishing and women.
House: Danish modern and Russian gymnasts?
Dr. Cameron: Pianos and prostitutes.

Confiar em quem?

Assalto ao segundo escalão

Chega a ser desanimador ler todos os dias nos jornais a briga entre PT, PMDB e demais partidos aliados pelo chamado "2º escalão". De segundo só tem o nome, pois envolve o comando das estatais. Nossos abnegados homens públicos, interessados em ajudar a administração pública, guerreiam __ e não é metáfora __ por cargos de presidente e diretoria de instituições como Banco do Brasil, Petrobrás, Eletrobrás, Infraero, etc. Aparentemente estão fora a Saúde e Educação porque, estas, o nosso guia disse que não era para brincar. Quanto maio o recurso gerido pelo cargo, maior a cobiça.

Esta é uma das questões que nos colocam onde estamos. A confusão do público com o privado, tão bem descrito por Sérgio Buarque de Holanda em Raízes do Brasil. Ao ser nomeado para um cargo seu novo ocupante só quer saber do proveito pessoal que pode tirar. Como ele pode fazer o loteamento dos cargos de confiança, o quanto ele pode gastar para seu proveito (e nem estou falando de corrupção), as mordomias, etc.

Recentemente a esposa do ministro da Propaganda (sim, agora temos um) questionou Diogo Mainardi sobre qual cargo ela poderia ocupar, depois de ter mostrado toda sua qualificação profissional. Mainardi foi seco, qualquer um que não seja comissionado. Mas aí ela disse que seria capacho de político, era inaceitável.

Pois temos aí um estado em que funcionário de carreira, que entraram por concurso são reduzidos a meros capachos de políticos. E apesar de toda qualificação da Sra Martins, ela ocupa cargo comissionado não por seu currículo, mas pela sua certidão de casamento, pois ninguém nomeia no Brasil para cargo "loteado" um profissional por sua competência.

Como explicou a mais de 50 anos Sérgio Buarque de Holanda.

quinta-feira, abril 19, 2007

Punições parecidas, mas diferentes

Duas punições por lances da mesma natureza em jogos de futebol ocorreram esta semana. O atacante Fabrício Carvalho foi suspenso por ter feito um gol com a mão e o atacante Adriano foi suspenso por ter simulado um penalti.

Ambas punições deveriam ser rotina no futebol. Hoje com as câmeras registrando cada ângulo de uma partida, fica fácil identificar as tentativas _ muitas vezes com sucesso _ de fraudar as leis do jogo. Nos casos acima concordo com uma e discordo da outra.

A punição do Adriando foi correta. Baseado nas imagens o comitê disciplinar italiano fez o que se espera dele. Puniu o jogador pela simulação com 2 jogos.

Já no de Fabrício Carvalho é diferente. Os comitês de mesma natureza no Brasil não punem ninguém por este tipo de lance. O jogador só pegou o gancho porque reconheceu o ato ao final da partida. Ele não foi punido por uma análise criteriosa das imagens, mas pelo que disse. Pagou o preço de reconhecer o ato que praticou. Qual a mensagem que ficou? Da próxima vez ficar calado. O resto pode.

Enquanto isso, em Bagdá, quer dizer, no Rio...

Lógica de arbortista

Em post sobre o assunto comentei sobre o editorial da Folha de domingo sobre o aborto. Uma das coisas que questionei foi da onde se retira estatística sobre o número de abortos no Brasil se ele é ilegal. No programa Roda Viva o ministro da saúde citou novamente o número da folha: 1,1 milhões de abortos clandestinos em 2005.

Pois em artigo intitulado "Lógica de abortista" no JB de hoje o filósofo Olavo de Carvalho informou. Foi o Instituto Alan Guttmacher citado pela Folha como "centro de pesquisa de saúde reprodutiva e políticas públicas dos EUA". Olavo informa o que a Folha achou que não era relevante. Alan Gutmacher foi presidente da Planned Parenthood, entidade que agrega uma enorme rede de clínicas de aborto e seu instituto é uma parte desta rede. É parte interessada que curiosamente não foi descrita desta forma pelo jornal.

O filósofo questiona a solução da Folha para o dilema. Segundo o periódico nem a ciência nem a religião podem dar uma resposta satisfatória e universal sobre quando começa a vida. Supondo que seja verdade esta afirmação, caracteriza-se portanto uma dúvida: o feto possui vida ou não.

Diante da dúvida qual a posição do jornal: cabe aos legisladores defini-la. Olavo, como eu, defende que se existe a dúvida, o dever moral incontornável é abster desse ato até que a dúvida seja dirimida, se é que algum dia será. Ninguém tem direito à ação dúbia quando ela põe em risco uma possível vida humana.

quarta-feira, abril 18, 2007

Flamengo 1 x 0 Real Potosí


O Flamengo jogou para valer apenas os 15 primeiros minutos. Foi o suficiente para com facilidade abrir o placar. Depois se acomodou e passou a tocar a bola. Mesmo assim criou inúmeras oportunidades e mais uma vez mostrou o ponto fraco do time, fazer o gol. Como arremata mal o time rubro-negro, destacando-se Roni e Renato Augusto no item chutes errados.

De qualquer forma o time assegurou o segundo lugar geral que dá uma certa vantagem nas fases seguintes, embora bem menor do que a mídia esportiva tem alardeado. Fazer o segundo jogo em casa não é tanta vantagem assim, ainda mais que os Argentinos adoram ganhar com o placar apertado em casa e depois se fechar para jogar no contra-ataque no Brasil. O importante é ter classificado e torcer para um pouco de sorte no próximo cruzamento.

Gol do Messi

Quem não viu de um jeito de ver. O argentino Messi fez um golaço, um clone do gol do Maradona contra a Inglaterra. A semelhança é simplesmente espantosa. Contra quem e o placar? E isto importa diante de uma obra de arte destas? O jogo poderia ter terminado ali...

11 mensaleiros réus

Finalmente foi aberto o primeiro processo penal no STF no caso do mensalão. São agora oficialmente réus no processo figuras ilustres como o ex-presidente do PT José Genuíno, o ex-tesoureiro Delúbio Soares e Marcos Valério. Entraram também nesta toda o bando do BMG e da firma do carequinha, inclusive sua esposa. Até uma condenação a distância é longa e tem tudo para prescrever antes disso. Mas não custa ter esperança e pelo menos as pessoas começam a receber o título que merecem. São reús agora, nem mais, nem menos. E vem mais por aí.

Profeta?

terça-feira, abril 17, 2007

Rousseau (1712 - 1778)

Jean-Jacques Rousseau talvez seja o filósofo mais diversamente interpretado da história. Para alguns ele foi inspirador da Revolução Francesa, para outros um crítico da sociedade moderna e ainda há quem o veja como um nostálgico da inocência perdida da humanidade.

Foi quem deu início à pedagogia moderna ao afirmar que o mestre não deve ensinar ninguém diretamente, mas limitar-se a facilitar o desenvolvimento espontâneo do aluno.

Criou o mito do bom selvagem, onde um indivíduo que vive isolado no estado de natureza é superior ao civilizado do ponto de vista ético.

Foi um crítico à propriedade privada, que seria a origem da perdição humana. Segundo ele os horrores do mundo surgiram quando o primeiro homem cercou uma propriedade e a estabeleceu como sua.

Com intelectuais destes...

O Jornal Hoje deu um exemplo fantástico de péssimo jornalismo ao colocar uma "especialista" para comentar o massacre da Virginia Tech.

Sem nenhum dado para se apoiar e sem saber direito o que aconteceu na universidade a doutora em psicologia e professora da PUC-SP Sandra Dias, já encontrou os culpados para o acontecimento. São eles o capitalismo e as vítimas.

Segundo ela, "Os EUA são uma cultura em que a lógica capitalista impõe um imperativo do consumo. O que quer dizer isso? O consumo se impõe para um sujeito. Você é cidadão na medida em que você consome. A sua cidadania é medida pelo seu grau de consumo. E todo mundo tem que ser o primeiro (...) E como um sujeito vai se marcar diferentemente? Como ele vai marcar o lugar dele, o lugar de um sujeito? Ou seja, o lugar que não é dos consumidores? Sempre por um ato heróico. (...) a sociedade americana, ela, ao liberar a arma, você vai ter um objeto de consumo e se você oferta objeto você tem que consumir objeto. Então isso já é um ponto. O outro ponto é que, se você tem um objeto, você vai usá-lo."

Pronto, o imigrante sul-coreando baleou 32 pessoas porque vive numa sociedade de consumo e desejava marcar com um ato heróico sua incoformação social. Mas não tão inconformado a ponto de não ser o consumidor de uma arma de fogo, diga-se de passagem.

Na mesma reportagem, um estudante brasileiro da Virginia Tech afirmou, quase sendo repreendido pelo âncora do jornal, que "Eu acho que uma coisa assim nunca aconteceu aqui, nem próximo disso, quer dizer, isso nunca aconteceu em lugar nenhum uma coisa tão grande, mas a cidade é bem pequena e tranqüila. Então acredito que eu ainda me sinta seguro aqui, apesar do que aconteceu. Foi horrível."

O que aconteceu foi um ato excepcional e ficar colocando especialistas, ainda mais com umas opiniões destas, para ficar chutando o que aconteceu com ar de entendido não ajuda nada. A Globo tem um departamento de jornalismo bem melhor do que apresentou hoje. Lastimável.

Armas de fogo

Dado que eu não sabia. Em 2005, ano do referendo, foram vendidas no Brasil a inacreditável marca de 37 armas de fogo. Por este dado podemos concluir que o Brasil é um exemplo de paz social não é mesmo?

Pois recente relatório da ONU coloca o país como o segundo maior na lista de mortes com armas de fogo por 100 mil habitantes. Perde apenas para a Venezuela do companheiro Chavez. Nosso índice é mais do que o dobro dos Estados Unidos, onde armas legais e baratas podem ser compradas em qualquer esquina.

Visitinha

Mais uma tragédia americana

Sinceramente não sei o que pensar destes desequilibrados que vez por outra aparecem nos Estados Unidos. Ontem aconteceu mais um destes momentos que mostram a humanidade em seu pior momento. Trata-se da tragédia na Virginia, onde um homem matou 32 alunos da universidade antes de se suicidar.

O que leva um ser humano a este ponto ainda é um mistério.Estão especulando sem parar e como sempre não chegarão a lugar nenhum. Haverá um inquérito, que é o lugar apropriado para tentar determinar o que aconteceu. E talvez tenhamos algumas respostas.

O Globo parece que ainda não aceitou a derrota no referendo do desarmamento e colocou como manchete principal a questão das armas. Dá até impressão que a arma dispara sozinha, ou que não se consiga comprar uma no mercado negro. O jornal carioca pegou carona de forma lamentável num acontecimento muito triste. Oportunismo barato.

A compulsão de alguns americanos à atirar em seus semelhantes vai muito além do acesso às armas. Jovens desequilibrados e angustiados existem no mundo todo, mas é espantoso que estes casos extremos se concentrem na América. Não há nem um padrão, acontecem em grandes e pequenas cidades, em escolas ou praças públicas, por doentes de todas as classes sociais.

Encontrar estas respostas é muito difícil. Geralmente os atiradores cometem suicídio e não permanecem para respondê-las. O ato começa covarde no assassinato de pessoas indefesas e termina da mesma forma, com a recusa de responder por seus atos.

Temporão no Roda Vida

O ministro da saúde está neste momento no programa Roda Viva da TV Cultura. Como não poderia deixar de ser a primeira questão levantada é o aborto. O ministro defende a discussão da matéria através do plebiscito.

Não entendo porque depois de tomar toda uma linha de raciocínio em defesa da liberação do aborto se recuse veemente a se posicionar à favor do aborto. Por que? Qual o medo de manifestar claramente sua posição?

Seu principal argumento são os estimados 1,1 milhão de abortos no Brasil. Afirmou que não é teólogo e nem filósofo e que portanto sua opinião é unicamente de médico sanitarista.

Reconheceu, no entanto, que a necessidade do aborto decorre de uma série de outros fatores como a falta de informação, educação, fornecimento de anti-concepcionais e preservativos. Disse que o aborto é uma realidade no país e que pílulas abortivas são vendidas em camelôs no centro do Rio.

Pois o que o ministro descreveu foi a total incompetência do governo em prover política de saúde e educação no Brasil. Diante da falta de governo que provoca a ineficácia da lei, defende a supressão da mesma. Ou seja, remover o sofá da sala.

Será que o estado não pode fazer um esforço real para, dentro da lei existente, reduzir esta quantidade absurda de abortos no Brasil antes de propor a liberação do aborto? O próprio ministro, talvez em ato falho, admitiu que o aborto deve ser discutido (e liberado) pela incompetência do governo, que nessa hora é chamada de estado.

Outro ponto que fiquei curioso é como este mesmo estado, incapaz de distribuir preservativos e anti-concepcionais, irá, em caso de liberação, dar conta desta quantidade monstra de abortos na rede pública de saúde?

Se no campo filosófico e religioso sou totalmente contra a prática, a parte sanitária ainda não me convenceu da necessidade do aborto. E por enquanto não chegou nem perto.

Ainda assisti o segundo bloco, em que o tema central foi a dengue. Neste o ministro se saiu muito bem. Afirmou que defende que a administração pública seja feita por profissionais de carreira e que nomeou apenas técnicos no ministério. Reconheceu falhas em sua pasta, o que é raro em se tratando do atual governo. Admitiu também que a gestão do PSDB na pasta foi boa e que por isso manteve os programas iniciados no governo anterior. Segundo Temporão, a política de saúde no Brasil constitui-se política de estado e não de governo.

segunda-feira, abril 16, 2007

House: Ep 305

Fools for Love

Um jovem casal inter-racial desenvolve sofre tentativa de roubo e a mulher entre em choque anafilático. Posteriormente, já no hospital, o marido desenvolve os mesmos sintomas fazendo que a equipe de House busque a origem da "epidemia". House humilha sem necessidade um paciente, que mostra não se intimidar com o médico e busca a reparação, introduzindo David Morse na série. O duelo dos dois rouba a cena aqui e o a verdade sobre o casal surpreende a equipe. O tom cômico fica para a investigação de House sobre um possível caso de Wilson com uma enfermeira. Nota 7.

Quote:

Dr. Gregory House: Infectious or environmental... all we have to do is check out parasites, viruses, bacteria, fungi, prions, radiation, toxins, chemicals, or it's Internet porn related. I'll check the Internet, you guys get the rest of the stuff.

Faça você mesmo

Vamos supor que você seja um militar. Um pouco avoado, com hábito de esquecer as coisas. Um dia chega no quartel e ao vestir o uniforme percebe que esqueceu as meias pretas. Pronto, receita para o desastre. Um militar sem suas meias pretas é um meio militar. A situação está "meia" preta não?

Mas acontece que você é uma pessoa criativa. Você tem um par de meias brancas à mão. E um pote de graxa. Preta. A equação está formada: meia branca + graxa preta = meia preta. Viu como é fácil? Da série faça você mesmo!

Lógico que não posso revelar o nome do "artista". Só posso adiantar que de tão avoado tem até brevê de paraquedista...



Carro trocado

Enfim a primeira coletiva

Parece que o presidente resolveu finalmente dar sua primeira entrevista coletiva, já passados 3 meses do segundo reinado, digo, mandato. Claro que será nos seus termos. Entrevistadores selecionados(algo como Cruvinel, Noblat, Paulo Henrique Amorim, os "neutros" de sempre), perguntas limitadas e, principalmente, sem direito à réplica. Se tem uma coisa que Lula odeia é ser contraditado. Talvez porque não tenha respostas.

Só para ter uma idéia, já que gosta tanto de comparar com seu antecessor, FHC deu 16 coletivas. Todas com direito à tréplica. O "brucutu" George Bush dava sua vigésima-primeira ao mesmo tempo que "nosso" presidente dava a primeira. Volto à dizer, esta coletiva deveria ser obrigatória e mensal. É o presidente prestando contas à nação, e não concedendo um favor.

Aliás, no primeiro debate com Alckmin, o então candidato-presidente (ou presidente-candidato) perguntou, diante dos ataques do PCC, o que teria dado errado na gestão tucana no governo de São Paulo. Pois ficamos sabendo agora que o único presídio federal construído pelo atual governo e inaugurado com a pompa tradicional, mesmo com 141 presos (capacidade de 208), já está sob o controle de Beira-Mar e do PCC. Será que algum jornalista "neutro" poderia fazer a mesma pergunta ao supremo mandatario? O que deu errado presidente?

domingo, abril 15, 2007

Folha pró-aborto

A Folha de SP se posicionou hoje em seu editorial favoravelmente à liberação do aborto. Li o editorial e discordo de algumas colocações. Como já disse antes, existem bons argumentos de ambos os lados, mas acho que o jornal escolher mal os seus.

Primeiro porque fez uma comparação descabida com o referendo do desarmamento. Vale lembrar que as pesquisas iniciais mostravam a vitória da proibição à venda de armas pelo simples motivo de que a real pergunta foi maquiada, onde o "não" era "sim" e o "sim" era "não". Quando a população entendeu o que estava sendo colocado respondeu com o que acreditava desde o início. Agora a maioria da população brasileira é clara: é contra o aborto. Pelo que tenho lido não duvido que a pergunta em caso de plebiscito venha camuflada, algo como você é contra ou à favor o direito da mulher sobre seu próprio corpo?

Apesar de dizer que a questão é difícil, o editorial coloca a opinião pró-aborto como mais evoluído, como uma questão de tempo. Isto fica evidente na comparação com Portugal:"Em Portugal, que adotou a estratégia plebiscitária, foram necessárias duas consultas num prazo de nove anos para que a sociedade mudasse de posição e passasse a apoiar mudanças na restritiva legislação local".

Fala também que mobiliza profundas convicções religiosas e humanitárias, para ambos os lados. Desconheço religião que defenda o aborto, bem como princípios humanitários.

Mas a principal linha de raciocínio do periódico são as questões que transcendem aos princípios. Aí entra estatísticas de aborto, saúde pública, etc. E nesse ponto que está minha grande divergência. Não concordo que estas questões "transcendam" os princípios. Se são realizados 1,1 milhões de abortos clandestinos no Brasil (não sei como se levanta este tipo de estatística) e é impossível aplicar a lei a tantos casos, por que a única solução é permitir o aborto? Por que não campanhas para orientar e prevenir a gravidez? Algo como sexo responsável, ou mesmo a abstinência?

A Folha conclui dizendo que a ciência biológica não pode dizer quando a vida começa e que, portanto, caberia ao direito definir este ponto pela manifestação dos cidadãos.

Pois acho que a discussão deve sim passar pelos princípios. É muito cômodo retirar do debate o campo em que a tese pró-aborto não possui como vencer. Não podemos dissociar os princípios individuais que escolhemos de qualquer debate em que se envolva a vida. Por isso sou contra o aborto.

Alergia

Enfim Massa


Esta cena era esperada para a primeira corrida da temporada, aconteceu na terceira. Antes tarde do que nunca. Felipe Massa liderou o fim de semana inteiro e venceu de ponta a ponta o Gp do Barhein, perdendo a liderança da prova só nos momentos em que tinha uma parada a mais do que os concorrentes diretos. Mais uma vez impressionou muito o desempenho de Hamilton, que em sua terceira corrida na F-1 conseguiu seu terceiro pódio, atrás apenas do brasileiro.

Massa está com 17 pontos, 5 atrás dos líderes Hamilton, Raikkonen e Alonso. Para ser campeão está claro que sua primeira tarefa é superar Raikkonen, e isto nas próximas provas. Logo a Ferrari vai definir seu primeiro piloto, e se daqui a mais 2 ou 3 gps Massa continuar atrás do filandês terá que trabalhar para o título do companheiro. Mas se conseguir superá-lo terá toda a estrutura da equipe, e mais o trabalho de Raikkonen em seu benefício. As cartas estão sendo colocadas na mesa.

sábado, abril 14, 2007

Sobre o aborto

Nos últimos meses tenho refletido muito sobre a questão do aborto. Tenho tentado chegar a minha própria conclusão sobre o tema, o que não foi fácil.

Infelizmente o debate no Brasil sobre o aborto é muito ralo e preconceituoso. De certa forma a legalização é vista como modernidade diante de uma proibição reacionária. A questão foi politizada ideologicamente, o que mais atrapalha do que ajuda. Hoje é vista como um valor de esquerda, a proibição como de direita.

Acho isso uma tremenda bobagem. É uma questão de valor individual e do que cada um estabelece como ético e moral. E é neste sentido que tratarei o assunto.

Li, com atenção, os argumentos de ambos os lados. Devo reconhecer que são muito bons.

Os à favor defendem que é um direito da mulher, que é uma solução melhor do que trazer ao mundo uma criança indesejada ou em um lar desestruturado. Afirmam também, com propriedade, que a lei não impede a prática. Existem médicos e clínicas clandestinas sempre prontos a fazer o procedimento, normalmente em condições precárias e com riscos à mulher.

Os contra defendem que a prática é um assassinato, que o feto já possui vida. Afirmam que a própria ciência é incapaz de determinar o momento que a vida se caracteriza. Muitos baseiam-se em sua orientação religiosa, o que é combatido pelos adversários com o argumento de que a religião é obscurentista.

Sem muito pensar, minha opinião sempre foi de que a prática deveria ser legalizada pela incapacidade de se cumprir a Lei. Para evitar que se fizessem abortos em clínicas de terceira linha, sem acompanhamento ou condições ideais de higiene. Mas como disse, sem muito pensar.

Para tomar um partido resolvi me basear na minha moral. A questão é responder a seguinte pergunta: aceito moralmente que se evite um filho pelo aborto? Mas a simples resposta à esta indagação não é o suficiente, existe uma outra: é uma questão relacionada a liberdade individual ou à sociedade? Sim, pois mesmo chegando a conclusão que o aborto seja moralmente condenável não quer dizer que se tenha o direito de impô-la a outrem.

Pois vamos a primeira pergunta: o aborto é imoral? Sempre defendi que a religião não pode ser usada como argumento de discussão. É a velha máxima de que não se discute religião. Concordo em parte. Hoje considero que a fé é fundamental em nossas vidas e nosso conceito de moral está profundamente ligada a ela. Não consigo dissociar minha fé das questões morais, pois elas sempre andaram juntas.

Nunca disse aqui neste blog pois achei que não tinha necessidade. Pois agora há. Sou cristão. Sou espírita. E o que tem a ver minha religião com o aborto? Infelizmente ou felizmente, tudo.

Acreditamos que a alma está ligada ao corpo desde a concepção em um processo de re-encarnação. Esta alma se prepara por um bom tempo para este momento. E o processo não é aleatório. O espírito escolhe como, quando e principalmente, quem serão seus pais. E os pais consentem com esta escolha antes mesmo deles próprios virem ao mundo.

Portanto, seja de que forma for a concepção, ela foi escolhida ou consentida pela mãe. Ao rejeitar o filho que está a caminho ela está fazendo um grande mal a si mesma. E será para ela motivo de grande sofrimento, seja aqui nesta vida ou após.

Desta forma respondo a primeira pergunta com um sim, é moralmente condenável o aborto. Está se tirando a vida futura de uma alma e mostrando uma fraqueza da mãe.

Agora vem a outra questão: a sociedade tem o dever de intervir nesta questão ou é da liberdade individual da mulher?

A partir do momento que considero que o feto já está ligado à alma não tenho outra alternativa senão reconhecer que existe um conflito entre dois seres humanos: a mãe e seu filho. E um deles não pode opinar ou se defender. Portanto é sim questão da sociedade e do estado.

Resta um argumento forte dos à favor. Proibindo ou não, legal ou não, o aborto vai continuar existindo. Confesso que este argumento sempre foi o decisivo na minha posição anterior. Refletindo um pouco mais chego a conclusão que o não cumprimento da lei não pode ser desculpa para seu fim.

É contra a Lei matar. No entanto nossas grandes cidades estão um mar de sangue. Seria a solução retirar do código a proibição de matar? Ou seria melhor reavaliar a fiscalização para que fosse cumprida? Duas variáveis influem diretamente na criminalidade: o tamanho da pena e a certeza da punição. Sem isso qualquer lei é falha.

Não sei dizer se o feto já pode ser considerado vida, mas acredito que já possua alma. Por isso não posso concordar que seja um direito da mãe eliminá-lo. Os ativistas pró-aborto utilizam sempre como exemplo a figura da mulher sexualmente abusada ou cuja vida está em risco pela gravidez. Mas não acredito que sejam estes os casos mais comuns.

O quadro que imagino como padrão é a da mãe surpreendida pela gravidez decorrente de sua própria irresponsabilidade. E na minha vida cruzei com muitos casos destes. Felizmente os casos mais próximos não terminaram em aborto, e hoje estas crianças antes não planejadas, ou mesmo indesejadas, são partes fundamentais nas vidas de suas mães.

Concluindo, acho o aborto moralmente errado, e uma decisão que acarretará em arrependimento futuro para a mãe, aqui neste mundo ou no que vier após. Acho que o estado deve defender o direito da futura criança, e trabalhar para impedir o procedimento. Reconheço o direito dos que são à favor de se manifestar e lutar por sua posição. Espero que respeitem o meu de não concordar.

quinta-feira, abril 12, 2007

Agora a CPI deve sair

O governo se assustou com a possibilidade da CPI do apagão sair no senado. É compreensível. A maioria lá é bem mais estreita do que na Câmara e já estudo abrir a CPI antes mesmo da decisão do STF. Com a maioria que possui poderá fazer relator e presidente e "controlar" a investigação de forma que não se chegue perto da Infraero.

Na verdade o governo, para variar, se atrapalhou todo nesta confusão. O que começou como uma cutucada dos aliados para fazer o presidente se mexer e distribuir alguns cargos acabou se transformando em um problemão. Deveria ter impedido sua base de assinar o documento, o que é legítimo e do jogo. Como não o fez começou o remendo. E como todo remendo sempre sai pior do que o soneto, como diz o ditado. Agora tudo indica que sai de qualquer jeito com o desgaste adicional de tê-la combatido com armas vexatórias. E no pior momento possível.

Vergonha Nacional

Corretor do capitalismo

O capitalismo é um regime perfeito? Longe disso. Possui vícios e defeitos que devem ser constantemente vigiados. Mas não resta dúvida que o melhor corretor no sistema capitalista é a concorrência. Ela é essencial para o funcionamento de suas estruturas. Um exemplo aconteceu hoje.

A Globo pagou 15 milhões de reais para transmitir com exclusividade o carioca deste ano. Estava preparada para pagar cifra parecida pelo do ano que vem. Pois com a proposta da Record foi obrigada a subir sua oferta. Acabou fechando o contrato. Por 35 milhões. Simples não?

Melhor do que se esperava

Difícil descrever o que foi este incrível jogo entre Botafogo e Vasco da Gama. Um daqueles para ficar na história como um dos grandes jogos brasileiros de todos os tempos.

Para ter uma idéia com 2 minutos e meio o Vasco já vencia o jogo por 2 X 0, depois de duas falhas incríveis da defensiva botafoguense. Quando parecia que o jogo ficaria nas mãos da equipe de São Januário em cruzamento pela direita Luciano Almeida diminuía.

O Botafogo assumiu rapidamente o domínio e logo empatava a partida com gol de Zé Roberto. Parecia que a equipe botafoguense controlaria a partida mas ,em grande jogada, Jorge Luis colocou o Vasco novamente em vantagem. E Romário ficou a milímetros de tocar na bola, embora ela já estivesse dentro do gol. Imagina-se o que aconteceria se ele tivesse tocado na bola. Para quem o juiz daria o gol?

Pouco tempo depois em jogada parecida com o primeiro gol, Dodô empatava. Tudo com 30 minutos jogados. No fim do primeiro tempo, em cobrança de falta, Lúcio Flávio colocou o Botafogo em vantagem.

O segundo tempo também foi corrido, só que devido a duas expulsões exageradas a partida ficou tensa. Por três oportunidades o Botafogo esteve para definir a partida, uma delas houve penalti que deixou de ser marcado.

Quando o Botafogo começava a administrar o jogo, o Vasco mais no coração do que qualquer outra coisa, conseguiu empatar a partida com um gol de cabeça de Alan.

O Botafogo ainda perderia uma oportunidade com Dodô, mas quis o destino que a partida fosse decidida nas penalidades.

Muita confusão para iniciar a disputa, e Romário mostrou-se sem condições de cobrar penalti.

Novamente o Vasco foi mal nas penalidades e perdeu as duas primeiras cobranças facilitando o serviço do Botafogo que sem perder cobranças garantiu a vitória por 4 X 1.

Fica a imagem de duas equipes aguerridas que se dedicaram ao extremo à partida. O Botafogo tem mais time e mostrou isso durante o jogo. Não fossem as incríveis falhas teria vencido o jogo, mas clássicos mostram que os erros custam caro.

Uma grande partida que efetivamente não merecia terminar com derrotados. Mas era jogo que só poderia passar um e o Vasco pagou o preço pelos pontos perdidos contra Americano e Cabofriense que o colocou diante da melhor equipe do campeonato até aqui.

quarta-feira, abril 11, 2007

Nada o abala...

O Brasil não tem presidente

Do Blog do César Maia:


DOIS HISTORIADORES -EM ENTREVISTAS- ANALISAM A POLÍTICA HOJE TENDO COMO PANO DE FUNDO O CASO DOS CONTROLADORES DE VÔO! EM COMUM: BRASIL NÃO TEM PRESIDENTE!

Trechos.

1. José Murillo de Carvalho na Folha de SP.

a) O presidente cometeu o mesmo erro que João Goulart no trato com militares, o descaso pela disciplina e pela hierarquia. Corrigiu-se a tempo, desautorizando um ministro civil que não tem tanques. O sinal dos tempos é que não foi deposto nem se cogitou isso, mas saiu com a autoridade desnecessariamente arranhada.

b) O episódio revela que, depois de 22 anos de governo democrático, políticos e militares ainda não conseguem falar a mesma língua. A criação do Ministério da Defesa foi um passo à frente. Todos os países o possuem. Mas até hoje ele não decolou, está em permanente apagão. Os ministros civis que o ocuparam nunca tiveram legitimidade para representar as Forças Armadas e menos ainda para obter sua subordinação. O caso do ministro atual chega a ser patético. Sem interlocução eficaz, escaramuças ou mesmo crises podem pipocar a qualquer momento.

c) O apagão de seis meses revelou imensa incapacidade gerencial do governo. A recente crise gerada pela indisciplina dos operadores militares revelou grande inabilidade política. A crise revelou dois problemas não-resolvidos referentes às Forças Armadas: o orçamentário, que afeta salários e o aparelhamento institucional, inclusive para exercer o controle do tráfego aéreo, e o político, que afeta a inserção dos militares na máquina do poder. Sem a solução dos dois, nossa democracia continuará sujeita a chuvas e trovoadas, longe do céu de brigadeiro.

2. Marco Antonio Villa no Estado de SP.

a) Lula não sabe tomar decisões, não fica confortável diante delas. É uma característica pessoal. Em 1980, por exemplo, sumiu de vista em dias decisivos da greve em São Bernardo do Campo. “Cadê o Lula?”, perguntavam todos. Estava em um sítio, perto de uma represa. Foram lá dar uma dura nele e ele reapareceu no dia seguinte, na assembléia da Vila Euclides. Lula tem uma dificuldade de tomar decisões que não começou na Presidência, ficou evidente em todos os momentos-chave de seu primeiro mandato e reapareceu agora, no primeiro trimestre de seu segundo governo. O apagão aéreo é apenas um exemplo de uma lista extensa.

b) O presidente Lula apresenta a lentidão de suas decisões como sapiência, como a elogiável capacidade dos líderes de decidir quando querem, como querem. É um recurso que não resiste nem mesmo a uma análise histórica. Grandes decisões foram tomadas no calor do momento. Se o presidente Lula estivesse no lugar de Dom Pedro I no momento em que recebeu a correspondência às margens do Ipiranga, dificilmente teria proclamado a Independência, provavelmente teria sugerido uma paradinha ali à beira do rio. O presidente acredita que, passando o tempo, as coisas se acomodam sozinhas. Governar não é isso.

c) A indecisão do presidente pode ser boa para ele, mas é péssima para o País.

d) Apostar no esquecimento é uma característica do conservadorismo político. Nos últimos tempos as pessoas têm falado muito da frase do Ivan Lessa, que disse que a cada 15 anos o Brasil esquece de tudo o que aconteceu nos 15 anos anteriores. O governo Lula atua em uma faixa que mistura essa máxima com a lógica de Delúbio Soares, que previu que toda a denúncia do mensalão acabaria em “piada de salão” - e tinha razão. Lula assumiu o segundo mandato e os protagonistas do episódio continuam em lugares importantes dos partidos que atuam junto com o governo. É a vitória do esquecimento.

e) O presidente Lula não gosta de ser um executivo, reunir equipes, levar relatórios para casa, pegar retornos técnicos e, com base nisso, tomar decisões. Nesse sentido, ele não preside. O presidente gosta do poder, é encantado pelo cerimonial do Palácio e por tudo o que é externo ao ato de governar. Gosta de fazer discursos com temáticas pessoais, autobiográficas. Gosta do mundo palaciano em que presidentes jamais são vaiados e exerce uma “Presidência do Espetáculo” que até lembra o Absolutismo, em que tudo é revelado. Nenhum governante sobreviveu à história apenas com sua cota de carisma. A dificuldade para decidir, em um presidente, não é só curiosidade. O País precisa de administradores reais.

Jogão hoje

Vasco e Botafogo fazem o grande jogo de hoje no Brasil. Além do já cansativo gol mil de Romário temos a eliminação de um dos dois clubes. Dizem que em clássico não há favorito. Discordo. Há favorito sim, só que na hora que a bola rola tudo pode acontecer, até mesmo uma surpresa.

Foi assim há duas semanas atrás. O Vasco vivia o melhor dos mundos. Depois de três vitórias seguidas culminando com uma chinelada no maior rival e Romário a beira do tão sonhado gol o time da colina mostrava-se como favorito diante do Botafogo. Ainda mais que esta equipe vinha de derrota diante do frágil América. Quando a bola rolou foi a equipe de Cuca que deu um show de bola e com toda autoridade frustrou a torcida vascaína.

A situação rigorosamente se inverteu. O Vasco não conseguiu acertar mais nada desde aquele jogo e Romário continua com seus 999 gols. O clima não é bom e farpas estão sendo disparadas pelo artilheiro. O Botafogo, por outro lado, cresceu uma barbaridade na competição e seus principais jogadores estão jogando o fino. Para complicar a equipe de São Januário não terá Leandro Amaral, suspenso.

Dá para dizer que não há favorito? Existe, e é o Botafogo com todas as letras. Quer dizer que vai ganhar? Nada disso. Tudo pode acontecer, até uma vitória categórica do Vasco. Mas que seria um surpresa muito grande, seria.

Nota final: como flamenguista torço pelo milésimo gol de Romário. E pela vitória do Botafogo. Seria o máximo que este gol fosse associado a uma derrota e principalmente, pela eliminação da equipe. Seria um presentão...

Tem como ir para frente?

Do blog do Reinaldo Azevedo:

A avaliação de Lula será sempre tanto melhor quanto mais o Congresso enfiar o pé na jaca. E o nosso adora andar com a sola lambuzada, não é mesmo? Ou então vejamos:
- Ontem, os patriotas decidiram que não se vota mais nada às segundas-feiras. A medida fazia parte de um esforço moralizante de Arlindo Chinaglia (PT-SP). Moral no PT é como vôo de galinha: curto, grosso e desajeitado;
- Esses brasileiros exemplares também decidiram elevar os próprios salários de R$ 12.847 para R$ 16.520 — reposição da inflação — tão logo se votem as MPs do PAC;
- A Mesa da Câmara se reúne hoje para discutir a elevação da verba para a contratação de assessores: de R$ 50,8 mil para R$ 65,1 mil por mês. Não sei se entendem: os deputados tinham decidido elevar seus salários para R$ 24,5 mil, elmbram-se?. A sociedade reagiu. Sensíveis, eles recuaram. Reparem: naquele caso, o aumento seria de R$ 11.653. Agora, eles pleiteiam uma elevação salarial de modestos R$ 3.673 e uma ampliação da verba de R$ 14,3 mil. Ou seja: assustados porque a sociedade protestou contra a mordida de R$ 11.653, eles, então, resolveram deixar por R$ 17.973. E trabalhando menos. Entendeu, leitor?

Ah, mas isso é para contratação de assessores! Sei. Entendi. É para o nosso bem. Por falar nisso, Luiz Sérgio (RJ), líder do PT na Câmara, justificou a suspensão das votações às segundas dizendo que os parlamentares precisam ouvir suas bases; que seria até mais cômodo ficar em Brasília. Ou seja: também é em nosso benefício. Vamos implorar aos deputados que parem de cuidar de nós.


Na prática o protesto generalizado com o aumento de salários dos deputados no fim do ano passado gerou uma solução: concede-se o aumento, só que escondido. E como vingança diante das críticas o aumento será ainda maior. A consulta às bases é ainda mais ridícula. Quem é a base do deputado? 95% foram eleitos pelos votos de sua legenda e muitos deles possuem um pequeno número de eleitores que não se consegue nem precisar de onde são. Mais uma vergonha patrocinada por nossos gloriosos representantes. A solução? O voto. Mas querer que nossa população oprimida pelo obscurantismo intelectual consiga votar com consciência é ainda um sonho muito distante.

terça-feira, abril 10, 2007

Tudo normal

Direita x Esquerda

Mais um pouco sobre a discussão esquerda X direita. Existem muitas definições, a maioria bem forçada, do que seria a esquerda e o que seria a direita como ideologia. Quando o mundo era bi-polar era fácil definir, direitista era quem se alinhava com os Estados Unidos e esquerdista com a União Soviética. Quem não seguisse um ou outro era denominado "não alinhado".

Com a queda da URSS esta definição se perdeu. No Brasil criou-se um mito: esquerda é o bem supremo e direita é o mal. É fácil ver isso na mídia, e muitas vezes sem precisar ler as entrelinhas. Em parte deve-se a euforia do fim do regime militar, que foi associado à direita. Todo político que quisesse sobreviver a partir de 1985 se definia como esquerda, em conseqüência nenhum partido ou político utiliza a denominação "direita". O que provoca uma distorção e um vazio no debate político no país, pois as teses da esquerda são ditas incontestáveis. Se você defende a pena de morte, é direitista. Se condena o aborto, é direitista. Se critica a qualquer coisa que tenha social no nome, é direitista.

Não é tão simples assim. Se for seguir estes critérios a última pesquisa datafolha demonstra que a maioria da população é de direita. Podem nem saber disso, mas são. O que leva a uma contradição, pois são governados pela esquerda.

Reinaldo Azevedo, em seu blog, coloca sua definição para a fronteira entre as duas ideologias. Se você acredita que a lei possa ser violada em nome de uma causa justa você tem pensamento de esquerda. Se você acha que a lei é inviolável, mesmo por uma causa justa, você é de direita. O direitista não admite a violação das leis do país, acredita que estas só podem ser modificadas no parlamento. A esquerda não. Acredita que se o parlamento não as modifica, a sociedade pode se organizar e através de pressões, movimentos e até mesmo de uma revolução assumir o controle e modificar a lei.

Um bom exemplo é o MST. Um governo de direita trataria o movimento dentro do regime legal existente. Prisão e processo de seus líderes e a aplicação da lei que impede terra ocupada de participar da reforma agrária. O governo atual, de esquerda, ignora a lei e distribui terras ocupadas. O próprio ministro da Justiça na época, Márcio Thomaz Bastos, defendeu em público que a causa era justa e por isso deveria haver uma "acomodação tática da lei e da constituição".

Acredito que a Constituição brasileira é horrorosa, e nosso sistema legal muito ruim. Mas este não deve ser motivo para que não seja cumprida. Infelizmente se perdeu uma grande oportunidade na revisão constitucional de 1998. O lugar apropriado para reformá-la e mudar as leis é o Congresso, por pior que sejam seus legisladores. Cabe a sociedade julgá-los e substituí-los. Infelizmente estamos longe disso, mas qualquer outra solução sempre trará mais estragos que benefícios.

Logo, seguindo esta definição, sou de direita.

segunda-feira, abril 09, 2007

Com surpresa...

Flamengo 4 x 1 América

Só para cumprir tabela

Não vou me alongar muito, aliás não vou me alongar nem um pouco. O Flamengo venceu o América em jogo que não valia mais nada, já que ambas as equipes estavam eliminadas. Gols de Renato (2), Roni e Leo Lima. Ponto.

O Vasco deve à derrota da Friburguense diante do Madureira sua ida às finais, já que voltou a perder, desta vez para a Cabofriense. É assustador a queda de rendimento de sua equipe depois da vitória sobre o Flamengo. Faz a semi com o Botafogo, que pelo que vem jogando é favorito absoluto. Como é clássico, e em jogo único, pode acontecer qualquer coisa.

O Fluminense terminou sua lamentável campanha com uma vitória sobre o Boa Vista. A outra semi fica entre Volta Redonda e Cabofriense. Sem favoritos.

Entrando no mundo Palm


Depois de um longo namoro finalmente criei coragem e comprei meu Palm. O modelo escolhido foi o TX. Pesou o fato de ser wireless o que dá maior mobilidade para o futuro próximo, onde o sistema estará mais difundido no Brasil. Passei o fim de semana apanhando um pouco, me acostumando com um novo sistema operacional. Por enquanto estou aprovando, mas ainda estou na fase de testes. Veremos como o brinquedinho vai se sair trabalhando de verdade. Afinal, tenho infinitas viagem Rio-Resende-Rio para utilizá-lo.

De Volta

Acabou o feriado e a ausência deste espaço. É difícil escrever quando saímos de viagem, ainda mais que é tudo tão corrido que não dá tempo para essas coisas. Sem mais desculpas vamos começar as atualizações!

sexta-feira, abril 06, 2007

Mágica


A Atitude da Aeronáutica

Por Otávio Cabral e Diego Escosteguy (Revista Veja):

O que levou o presidente Lula a ceder tão gentilmente aos controladores de vôo amotinados nos aeroportos do país no dia 30 de março, concordando em dar-lhes
compensações salariais e revogando-lhes uma ordem de prisão dada pela cúpula da Aeronáutica? O que levou o presidente Lula, dias depois, a chamar os controladores de irresponsáveis e traidores, cancelando correções salariais e autorizando prisões em caso de nova rebelião? Em sua explicação pública para tamanha guinada, Lula saiu-se com justificativas contraditórias. Primeiro, disse que, ao saber do motim dos sargentos, estava a bordo do Aerolula rumo aos Estados Unidos e não recebera um "quadro completo" da situação. Depois, encarregou seus assessores de espalhar que o recuo se explicava porque, no auge da crise, não tinha alternativa além de ceder aos controladores, sob pena de manter os aeroportos do país paralisados. Por fim, em reunião com aliados no Palácio do Planalto, disse que se sentia "traído" pela categoria. "Fui apunhalado pelas costas. Esperaram eu sair do país." O que Lula não disse é que o principal motivo de ter mudado tão radicalmente de posição foi outro: os militares peitaram o presidente – e ganharam a parada.

Assim que teve sua ordem de prender os controladores de vôo cancelada por Lula, o comandante da Aeronáutica, o brigadeiro Juniti Saito, reuniu-se com um grupo de oficiais, assessores jurídicos e dois representantes do Superior Tribunal Militar (STM). A reunião aconteceu no 9º andar do prédio da Aeronáutica, na Esplanada dos Ministérios. Na discussão, ponderou-se que a decisão de Lula poderia resultar numa acusação por crime de responsabilidade. Afinal, no artigo 7º da lei que define crime de responsabilidade prevê-se punição para a autoridade que venha a "incitar militares à desobediência à lei ou infração à disciplina". Com essa poderosa ameaça na manga, o brigadeiro convocou outra reunião, para a manhã seguinte, com os nove brigadeiros que compõem o alto-comando. Nesse encontro, discutiram como ampliar o arsenal para enfrentar Lula. A primeira decisão foi que o Ministério Público Militar, afinado com a cúpula da Aeronáutica, processaria os rebelados, a despeito das promessas do presidente de que não haveria punição. "A punição dos grevistas sempre foi questão de honra. Não voltaremos atrás nem com ordem do papa", disse a VEJA um integrante do alto-comando.

Na mesma reunião, os brigadeiros decidiram ainda resistir a outra reivindicação dos sargentos amotinados que Lula mandara atender: a desmilitarização do controle de tráfego aéreo. Atualmente, os controladores de vôo e os responsáveis pela defesa aérea compartilham uma parte dos equipamentos. Os militares decidiram, ali, que os equipamentos passariam a ser usados somente pela defesa aérea. Também decidiram suspender o treinamento de novos controladores, uma tarefa hoje exclusiva da Aeronáutica, e listaram os benefícios que mandariam cortar dos rebelados: moradia funcional, transporte de casa para o trabalho, assistência médica e alimentação – tudo, hoje, cedido pela Aeronáutica. Por fim, Saito disse que, se Lula mantivesse a decisão de ceder tudo aos amotinados, ele entregaria o cargo. Os demais presentes – com uma só divergência, a do brigadeiro José Américo dos Santos – também disseram que entregariam o cargo ao presidente. "Olha só a situação em que eu cheguei", comentou o brigadeiro Saito. "Posso ser o comandante da Aeronáutica com a permanência mais curta da história."

A Aeronáutica salvou o governo no festival de bobagens feitas nos últimos 6 meses, que culminou na atitude desastrada de sexta-feira. É claro que o presidente está agora tentando pegar carona nesta onda, faz parte da política. Mas quem tem um mínimo de espírito crítico sabe que ele fez bobagem e se não fosse a atitude firme da Força (Armada, não sindical) teríamos uma crise institucional grave. O resto fica para história.

Maracaibo 1 x 2 Flamengo

O Flamengo conseguiu seu objetivo na quarta-feira, venceu o Maracaibo e continua com uma boa campanha na Libertadores. De quebra garantiu o primeiro lugar no grupo. Mas que não se iluda, o time venezuelano é ruim de doer! Foi um jogo de nível técnico sofrível e diante de um adversário um pouquinho menor o rubro-negro teria dançado. É bom abrir o olho!

Mas as atenções estavam novamente voltadas para o Maracanã. Novamente o palco foi armado para o milésimo gol de Romário. Pois ele não saiu e, pior, com um gol de falta as 48 do segundo tempo o Gama eliminou o Vasco com a vitória por 2 x 1. Com direito à torcida vascaína gritando o nome de Edmundo e hostilizando Eurico Miranda. Renato já adiantou que o baixinho não joga domingo. Ele sabe que o projeto individual do artilheiro está atrapalhando o desempenho do seu time que corre risco real de ficar de fora das finais carioca.


o Fluminense se classificou de forma melancólica ao ser derrotado por 1 x 0 pelo América de Natal. O Palmeiras fez o que parecia impossível. Devolveu a derrota para o Ipatinga por 2 x 0 mas acabou sendo eliminado nos penaltis. Com direito a (mais) um perdido por Edmundo. O Cruzeiro teve mais dificuldades que esperava diante da decadente Portuguesa mas acabou classificado. Bem como o Galo. Agora são as oitavas e os jogos começam a complicar.

Mini-férias

Estou em Belo Horizonte passando a semana santa com os sogros e, por causa disso, o Blog está meio parado. Trata-se de uma mini-férias. Neste período os posts estarão reduzidos, e tenho tido alguns probleminhas com o Blogger também. Faz parte.

terça-feira, abril 03, 2007

Como se faz um "sábio"...

Sexta feira o Presidente da República ficou de joelhos diante da chantagem feita pelos controladores. A imprensa aparelhada pelo petismo partiu em socorro do Nosso Guia classificando sua atitude na crise como de um autêntico líder. Sim, Lula cedeu a todas as exigências, mas debelou a crise. Se feriu a hierarquia, paciência. Na política não se pode agradar a todos, bradaram.

Vejam o que escreveu Kennedy Alencar:

Apesar da série de atitudes equivocadas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao longo da crônica crise da aviação civil, foi acertada a decisão de negociar com os controladores de vôos militares que se amotinaram na sexta-feira (30/03). (...) Entre preservar uma hierarquia militar que já estava mais do que quebrada e colocar fim o mais rápido possível ao caos, Lula não hesitou (...) E a hierarquia militar? Ora, os militares têm quebrado essa hierarquia desde a criação do Ministério da Defesa no governo FHC. Boicotaram todos os seus chefes civis (...) Existe até um lado positivo na desautorização do comandante da Aeronáutica. Ainda que não tenha tido esse objetivo, a decisão de Lula quebrou de vez o tabu do fantasma militar numa hora simbólica: véspera do aniversário de 43 anos do golpe que instaurou a ditadura de 1964.


Parte da mídia adotou esta linha. Lula tinha "enquadrado" os militares e reforçado o comando civil sobre as Forças Armadas. Mais um exemplo da sua genialidade.

Só esqueceram que o Ministério Público Militar é independente. E o MPM tomou a atitude que devia ter tomado. Oficiou o Comando da Aeronáutica para abrir o Inquérito Policial Militar para apurar o crime. Mas Lula não tinha se comprometido a não punir os controladores? Tinha, mas não tem poder, graças a Deus, para evitar a ação da Lei.

Mas o presidente (com "p" minúsculo mesmo, faço questão) soltou mais uma carta da manga. Disse que nunca tinha se comprometido com os controladores. Quem se comprometeu foi Paulo Bernado, Ministro do Planejamento. Ah... bom.

Novamente a petralhada soltou a nova versão. Lula teria na verdade "enganado" os controladores para resolver a crise. As manchetes agora são que ele "recuou" no que tinha cedido. Não recuou um milímetro. Apenas está pegando carona numa atitude do MPM como se fosse sua. Nisso ele é mestre. E os jornalistas "companheiros" tem que trabalhar dobrado para novamente provar a genialidade de seu "mestre".