domingo, abril 15, 2007

Folha pró-aborto

A Folha de SP se posicionou hoje em seu editorial favoravelmente à liberação do aborto. Li o editorial e discordo de algumas colocações. Como já disse antes, existem bons argumentos de ambos os lados, mas acho que o jornal escolher mal os seus.

Primeiro porque fez uma comparação descabida com o referendo do desarmamento. Vale lembrar que as pesquisas iniciais mostravam a vitória da proibição à venda de armas pelo simples motivo de que a real pergunta foi maquiada, onde o "não" era "sim" e o "sim" era "não". Quando a população entendeu o que estava sendo colocado respondeu com o que acreditava desde o início. Agora a maioria da população brasileira é clara: é contra o aborto. Pelo que tenho lido não duvido que a pergunta em caso de plebiscito venha camuflada, algo como você é contra ou à favor o direito da mulher sobre seu próprio corpo?

Apesar de dizer que a questão é difícil, o editorial coloca a opinião pró-aborto como mais evoluído, como uma questão de tempo. Isto fica evidente na comparação com Portugal:"Em Portugal, que adotou a estratégia plebiscitária, foram necessárias duas consultas num prazo de nove anos para que a sociedade mudasse de posição e passasse a apoiar mudanças na restritiva legislação local".

Fala também que mobiliza profundas convicções religiosas e humanitárias, para ambos os lados. Desconheço religião que defenda o aborto, bem como princípios humanitários.

Mas a principal linha de raciocínio do periódico são as questões que transcendem aos princípios. Aí entra estatísticas de aborto, saúde pública, etc. E nesse ponto que está minha grande divergência. Não concordo que estas questões "transcendam" os princípios. Se são realizados 1,1 milhões de abortos clandestinos no Brasil (não sei como se levanta este tipo de estatística) e é impossível aplicar a lei a tantos casos, por que a única solução é permitir o aborto? Por que não campanhas para orientar e prevenir a gravidez? Algo como sexo responsável, ou mesmo a abstinência?

A Folha conclui dizendo que a ciência biológica não pode dizer quando a vida começa e que, portanto, caberia ao direito definir este ponto pela manifestação dos cidadãos.

Pois acho que a discussão deve sim passar pelos princípios. É muito cômodo retirar do debate o campo em que a tese pró-aborto não possui como vencer. Não podemos dissociar os princípios individuais que escolhemos de qualquer debate em que se envolva a vida. Por isso sou contra o aborto.

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