quarta-feira, maio 30, 2007

Pai do ano

Sobre Renan

O discurso de Renan no senado foi uma das cenas a serem esquecidas da política brasileira. A Veja apresentou matéria acusando o senador de pagar uma pensão de 12.000, mais aluguel de 4.500 para uma filha e a mãe desta. Até aí seria um problema de foro íntimo de Calheiros. A questão é que o dinheiro estaria sendo pago por Cláudio Gontijo, da construtora Mendes Junior. Gontijo e o advogado da jornalista beneficiada confirmaram a estória, e o primeiro chegou a afirmar que só podia dizer que o dinheiro não era dele e nem do senador...

Pois o presidente do senado levou a esposa e armou um dramalhão de quinta categoria em discurso na casa. Afirmou que sua intimidade tinha sido invadida. Posteriormente acrescentou que estava enfrentando um calvário, e que o faria sozinho.

O fato de ter tido uma amante, uma filha e pagar uma pensão é realmente problema única e exclusivamente dele. O problema não é este. Por que utilizar um Gontijo para levar o dinheiro? Se o dinheiro não era dele qual a origem? São perguntas fáceis de serem respondidas quando existe um motivo plausível. Por que sempre em dinheiro vivo? Qual o problema desse pessoal em fazer tranferência bancária? Será que nossas autoridades não confiam nos serviços bancários?

O que ninguém perguntou ainda é que pensão é esta de R$ 16.500,00? O senador é agora Mick Jagger? E porque não desmentiu Gontijo? Pelo contrário, afirmou que é um amigo de mais de vinte anos....

Lembrou-me de Palocci em duas ocasiões. Na primeira, ao negar as acusações de Buratti foi perguntado se o ex-acessor então estaria mentindo; disse que "não poderia afirmar isso...". Quando se descobriu da mansão em Brasília que freqüentava em companhia de bicheiros disse também que estavam invadindo sua privacidade...

Os senadores correm em sua defesa. Por trás da confusão pode-se observar as mãos do planalto no fazamento controlado de informações para a mídia. Não é à toa a campanha para enfraquecer o presidente do senado.

Existe um método e existe um grande beneficiado. Não é companheiro?

terça-feira, maio 29, 2007

Kierkegaard (1813-1855)


Nascido em Copenhague, só abandonou sua cidade natal duas vezes, para curtas viagens a Berlim. Diplomou-se em teologia mas abandonou à profissão de pastor e viveu da renda deixada pelo pai. Dedicou-se à reflexão sobre os temas do nada, da angústia, da fé e do significado da existência.

Seu contemporâneo Hegel dizia que a parte não tem qualquer relevância com respeito ao todo a que pertence, o indivíduo só tem valor como componente da espécie. Conta somente o Estado. Para Kierkegaard, a única maneira de sair deste sistema sufocante era reivindicar a singularidade do indivíduo.

Afirmava que era possível distinguir três maneiras de viver: uma baseada na concepção estética, uma ética e uma terceira baseada na fé.

A vida estética era baseada na busca da máxima satisfação no tempo presente, procurando tornar inimitável e único cada instante da vida. Abomina a monotonia, mas dado que o instante é sempre fugaz é levado ao tédio e a monotonia. O desespero é a única saída da vida estética.

Por meio do desespero nasce a possibilidade de uma vida ética. Se a primeira é representada pela figura de Don Juan, a segunda é representada pelo bom marido. Ético é quem escolhe quem deseja ser e se impões a disciplina necessária para tanto. É fiel, observa as leis e respeita os compromissos assumidos. Mesmo assim é incapaz de realizar plenamente o indivíduo, pois não consegue eliminar os problemas fundamentais da existência.

Apenas a concepção religiosa pode responder ao problema do significado último da existência.

Segundo Kierkegaard a existência humana significa liberdade, a possibilidade de realizar-se em um dentre os infinitos modos possíveis. Esta escolha leva a angústia, que só inexiste nos animais e nos anjos. Um dos possíveis efeitos da angústia é o nada, a nulificação paralisante do indivíduo.

Fazendo escola

Os números da USP

Aos poucos começa a ser aberta a caixa preta da USP, algo que com certeza os baderneiros profissionais não desejavam.

Para começo de conversa um dado de Gustavo Ioschpe: a média de renda familiar do alunado que entrou na universidade em 2007 é de R$ 6.000,00. Que país é este onde um assalariado ao comprar pão e pagar o ICMS ajuda a subsídiar este privilegiado? E dentre estes alunos existem muitos que nem se dão o trabalho de estudar, como pode ser visto na recente ocupação. O próprio Ioschpe definiu bem em seu artigo na Veja desta semana: é o deboche dos privilegiados da USP.

E não trata-se apenas da gratuidade do ensino. Contam também com subsídios para alimentação, moradia, estacionamento e até xerox. Pagamos impostos para ajudar estes coitados a comer. Eles pagam 1,50 e nós 8,00. É ou não é uma graça? Na definição do Reinaldo Azevedo a USP é a maior máquina de cocô subsídiado do planeta.

A relação de funcionário técnico-administrativo é de 1 para cada 5 alunos. Contra 1 para 23 das particulares. E geralmente com melhor atendimento. Professor aluno? 1 para 15. Na França, pai do iluminismo e do Maio de 68 é 1 para 32.

Os universitários do estado de São Paulo representam 3% do total de alunos paulistas do sistema público. E ficam com 25% dos gastos. E isso porque pela constituição a prioridade de educação no estado deveria ser o ensino médio. O estudante universitário custa 11 vezes mais para o governo estadual do que o aluno do fundamental. Nos países do OCE a relação é de no máximo 3,2 vezes.

O Brasil investe mais em relação ao PIB em educação do que o Japão e a Alemanha. Dá para falar em falta de dinheiro para o setor?

20% do orçamento da USP vai para os "programas sociais" dos alunos. O foco da universidade claramente não é tecnologia e pesquisa, mas promover justiça social. Se é assim é melhor fechar os cursos e fazer apenas estas políticas. Dá mais retorno e é mais eficiente.

Os privilegiados defendem a ampliação destes números. Querem educação superior de qualidade, gratuita e para todos. E assim vão debochando de quem paga os impostos e aos poucos vamos descobrindo porque os nossos melhores cérebros vão para o exterior e porque não temos nenhum prêmio nobel.

Um dia ganharemos um. Com o título de como transformar dinheiro em m...

segunda-feira, maio 28, 2007

Impostos, quem paga a conta?

Flamengo 2 x 2 Botafogo

Quarta partida entre Botafogo e Flamengo no ano. Quarto empate. Em todos coube ao Flamengo fazer o gol de empate e acabar com a festa botafoguense. A equipe alvinegra pode ter jogado o melhor futebol do Rio até aqui, mas é inegável que após quatro jogos não pode mais dizer que é superior ao Flamengo.

O empate acabou sendo um resultado justo e não foi ruim para nenhuma das duas equipes. Para o rubro-negro um alento: está jogando de igual para igual com a melhor equipe carioca hoje. É hora de acreditar.

A democracia se perda a cada dia

Chega a ser inacreditável que em pleno século XXI, quase vinte anos após a queda do Muro de Berlin, ainda tenhamos que ver um governo fechando um canal privado de telecomunicações pelo simples motivo de que lhe faz oposição. Tal fato só mostra o quanto as coisas ainda andam atrasadas em relação ao mundo na América Latina.

Chega a ser inacreditável, mas não surpreendente. Este é o padrão do socialismo quando chega ao poder. A cada dia tira-se uma casquinha da democracia de modo que a perda seja diluída no tempo. Basta ler a magistral obra "A Revolução dos Bichos" de Orwell.

No fundo está a impossibilidade de convivência do socialismo com o contraditório. É uma ideologia, e como tal se coloca como a perfeição da humanidade, como uma espécie de bondade coletiva. Ser contra o socialismo é ser contra a evolução humana. Outro dia li uma carta de um estudante de artes da USP definindo a direita como a "representação do egoísmo humano". E ainda apontava a solução para este tipo de gente: a fogueira.

Pois este é o problema das ideologias. Só pode continuar existindo quem a segue. Não há como existir democracia quando um lado se julga dono da verdade absoluta. Por isso não acredito na vocação "democrática" do socialismo. E a história me deu razão até hoje.

sábado, maio 26, 2007

Aulas na reitoria da USP

Favoritismo da MacLaren em Mônaco

As MacLarens são amplamente favoritas para o GP de Mônaco e mostraram isto conquistando as duas primeiras posições no Grid. Alonso larga na frente e Hamilton é o segundo. Massa é o terceiro e seu companheiro Raikkonem larga em 16º.

Se na F1 de hoje a ultrapassagem entre os carros de pontos é muito difícil, no principado é virtualmente impossível. Cabe a Massa evitar erros e ficar na cola das MacLarens aguardando um erro ou uma ultrapassagem nas paradas. É o que dá para fazer. Em Mônaco quem larga na pole é sempre o favorito. O negócio é reduzir o prejuízo ao mínimo.

sexta-feira, maio 25, 2007

Fim da prova da OAB?

O senador Gilvam Borges (PMDB-AP) condenou a avaliação feita pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para aprovar novos advogados, por entender que as várias denúncias feitas pela Polícia Federal de fraudes nos exames realizados nas seccionais do Distrito Federal e de Goiás demonstram cabalmente a necessidade de o exame ser extinto ou pelo menos radicalmente redimensionado.

- Considero o exame da OAB uma excrescência, porque reprova noventa e cinco por cento dos candidatos para alimentar a indústria de cursinhos que está enriquecendo muita gente. Não me intimidei, nem me intimidarei com as críticas que venho recebendo. Pergunto por que os médicos, dentistas ou engenheiros não precisam fazer uma prova de aptidão para entrar em suas respectivas profissões e os advogados, sim - acrescentou.

Não precisa pesquisar muito para saber que a grande maioria dos cursos universitários de direito no país são de 5ª categoria. A comparação com os cursos de medicina, odontologia e engenheiros é descabida. Estes cursos não são tão fáceis de serem abertos e mantidos como o de direito. Custa muito para uma universidade manter um curso destes, por isso são os mais caros da rede privada. As faculdades de araque se contentam com os cursos sociais. Nada de tecnologia para atrapalhar.

Cabe ressaltar que um engenheiro ao errar em um projeto vai responder civilmente ou criminalmente por seu erro. O mesmo acontece com o médico. E o advogado? Quando erra um processo, deixa passar o tempo ou mesmo utiliza uma linha de argumentação equivocada. É responsabilizado?

Minha irmã estudou em alguns dos melhores cursos de direito deste país. O que ela tem a relatar é de arrepiar. Em uma universidade pública do Rio de Janeiro uma professora passou um artigo de 10 páginas para os alunos lerem com vistas a um debate na aula seguinte. Na semana seguinte descobriu desolada que nenhum aluno tinha lido. Fez nova tentativa, adiou por mais uma semana. Novamente o mesmo resultado.

Em outra ocasião um professor colocou um tarefa no quadro. Os alunos riram. Disseram que estava muito grande e que não iriam fazer. O professor acabou tendo que cancelar o trabalho. E isto em uma das melhores universidades públicas do país. É o nosso dinheiro sendo bem empregado mais uma vez.

Para resolver o problema a proposta do senador é... eliminar o exame da OAB! Porque reprova 90% dos alunos. Mas qual a razão? Será que a OAB está exigindo coisas do outro mundo ou o nível é realmente horroroso. Tenho lido algumas petições e visto alguns advogados falando que fico até me perguntando como passaram na tal prova. Vale lembrar que os EUA, com alguns dos melhores cursos de direito do mundo, tem uma prova semelhante.

Por que o nobre senador não defende uma melhor qualidade dos cursos brasileiros e uma política de exigência retorno para o investimento da sociedade na formação dos nossos bacharéis? Algo como número máximo de reprovações de aluno, tempo máximo para formação, etc? Ah, já existe? 500 reprovações e 12 anos no máximo? Parece brincadeira mas é por aí o que existe hoje e os "estudantes" rebelados da USP ainda acham que deve aumentar.

Por que as soluções para a educação no Brasil são sempre aprovação automática, fim do vestibular (até sorteio já defenderam), fim da prova da OAB, fim de qualquer tipo de avaliação, desligamento das necessidades do mercado...

Em que país estas medidas deram certo?

Está no editorial do Globo

Muitas dessas organizações que atentam contra a ordem constituída se valem de antigas alianças com o PT e da proximidade do presidente, que, de forma temerária, já permitiu que uma bandeira do MST fosse desfraldada em seu gabinete, enquanto ostentava um chapéu do movimento como se fosse um dos militantes que desrespeitam a lei ao invadir propriedades privadas e depredar instalações de empresas. Espera-se que, assim como Lula parece ter entendido o que de fato representa para o país em ameaças a ação deletéria dos populistas Hugo Chávez e Evo Morales no continente, também compreenda que, para levar adiante o projeto de colocar o Brasil num longo ciclo de crescimento sustentado, terá de abandonar pela estrada antigos aliados, beneficiários de todo um arcabouço de normas e leis feitas para transferir dinheiro público para minorias privilegiadas. Normas e leis que imobilizam o país.

São essas minorias que Lula favorece ao vetar a Emenda 3, que impede que fiscal da Receita seja juiz, contra o interesse do sindicalismo, sempre atento para defender o crescimento do imposto sindical, mesmo que no fundo dessa questão esteja a causa da precariedade nas relações de emprego de mais da metade dos trabalhadores. Por isso, nas manifestações de quarta-feira havia palavras de ordem contra as reformas trabalhista e previdenciária.

A mesma impunidade que incentiva o criminoso comum e o de colarinho branco também dá espaço a estudantes da USP desobedecerem a uma ordem judicial, e estimula esses grupos antidemocráticos a fazerem o que bem entendem nas ruas e estradas, prejudicando milhões de pessoas. O presidente precisa entender o cenário que se desenha à sua frente e fazer a opção correta, em defesa da Constituição.


Em três parágrafos o editorial do Globo conseguiu sintetizar o que tenho falado aqui: o método que une sindicatos, movimentos sociais e agora estudantes da USP. E ainda coloca corretamente a questão do veto à Emenda 3 no meio disso tudo. Está mais do que na hora de se começar a combater os privilégios de uma minoria, que recebem recursos públicos sem qualquer transparência e fiscalização. O governo perguntou sobre o fim da CPMF da onde sairia o recurso para saúde? Que tal combater o desperdício, para começar com o fim do financiamento de grupos baderneiros de esquerda?

É um bom começo.

Legislativo: o grande culpado?

As charges revelam muito sobre o cotidiano no país. Hoje vendo as dos principais jornais do país, como a do post abaixo, fica claro que a operação Navalha já foi fortemente associada ao Congresso Nacional. Várias trazem sua imagem, mas nenhuma traz a do Palácio do Planalto ou da esplanada dos Ministérios. Mais uma vez, com sucesso, o executivo joga a bomba para o outro lado da praça dos 3 poderes. Não é de admirar que a corrupção aparentemente sem fim não cole na imagem do governo. E a imprensa tem parte da culpa.

O tema que ganha destaque é uma CPI para investigar a participação de parlamentares no esquema de desvio de verbas para a empreitera Gautama. Longe de serem inocentes, os parlamentares envolvidos não são os principais atores da bandidagem.

A origem do desvio está nas emendas individuais. Cada parlamentar tem direito a 5 milhões em aprovação automática. Isso todo jornal diz. O que não diz é que o Governo contigencia estas emendas e as libera de acordo com os critérios próprios. E é aí que entra de forma mais forte o esquema.

Cabe aos ministérios liberar estas emendas. O parlamentar, sem o governo, não consegue colocar um níquel nas mãos dos corruptos. Já ao governo cabe não só liberar, como gastar e fiscalizar. Onde está então a principal fonte de corrupção?

Por isso os partidos políticos disputam (da pior forma possível) os cargos em primeiro, segundo, terceiro e demais escalões. Cada cargo deste tem um rubrica que libera parte do orçamento. E esta é na verdade uma das principais causas do estado de coisas que chegou o Brasil.

É a confusão do público com o privado. O partido dono da indicação passa a ser "dono" do cargo e da rubrica. Privatiza-se a função e vivemos na ilusão que temos serviços públicos. Não temos, nossas agências, estatais e repartições são privatizadas a cada governo para os partidos que apóiam o presidente. Em todos os casos o principal corruptor é o governo federal, e o principal responsável é o que senta na cadeira do Palácio do Planalto.

Mas qualquer crise estoura em cima do Congresso, que não por acaso aceita este papel. No máximo coloca culpa na mídia e ultimamente deu para querer processar jornalistas. Desta forma fica a imagem que o governo salva o país das atrocidades parlamentares. E o povão fica extasiado vendo as imagens dos bagrinhos sendo algemados na televisão nas cada vez mais suspeitas operações da PF.

E segue a vida.

Navalha

quinta-feira, maio 24, 2007

Invasão da reitoria da USP, próximo do desfecho

Encontra-se perto do final o absurdo que está se vendo na USP. O lado bom é poder ver o método clássico das esquerdas para tratar a democracia.

A USP tem mais de 80.000 alunos matriculados. Pois um grupo de cerca de 200 fizeram uma assembléia e decidiram invadir a reitoria da USP para protestar contra decretos do governador do estado que atentariam contra a autonomia universitária. Os alunos estão sendo conduzidos pelo Sintusp, o sindicato de funcionários da USP.

Como todo sindicato que se preze está sobre o controle do PT e alguns outros de esquerda (PSOL, PSTU). Seguem a orientação do partido de fazer oposição sistemática de todas as formas possíveis ao Serra, como forma de fragilizá-lo para a campanha de 2010.

A reitora da universidade, Suely Vilela, achou que o movimento poderia ser util e precionar o governador a retirar o decreto que a obriga, junto com os demais reitores de universidades estaduais, a lançar os gastos no sistema de acompanhamento financeiro. Num exemplo de democracia e zelo pelo dinheiro público não querem que o contribuinte saiba em que está sendo gasto os recursos. Esta é a ameaça à autonomia universitária.

O método das decisões é simples. É feito uma assembléia com os desocupados e truculência de sempre e uma extrema minoria decide, como se fosse maioria, por ações como a invasão e posteriormente as greves de professores e funcionários. Normalmente esta representação não chega a 10%.

No presente caso acrescenta-se o marxismo vagabundo de alguns professores da FFLCH e está feio a equação do Maio de 68 tupiniquim. É só ver nos textos desse pessoal: é mais valia para cá, direitos burgueses para lá. Ainda não acordaram para o século XXI.

Em um dos blogs do movimento chegaram a colocar como direito burguês o direito de ir e vir. Mais Stalinista que isso impossível. Claro que no meio deles encontra-se pesos pesados como Marilena Chauí (aquela que viu o mensalão como uma perseguição da mídia) e Antônio Cândido.

Pelos relatos fica-se sabendo que pelos alunos a desocupação já teria sido feita. Mas o Sintusp os convenceu a ficar lá. O que querem? A polícia invadindo, as imagens da "truculência" do governo Serra. Quanto mais feridos melhor. Querem sangue de "inocentes".

Ontem "professores" protestaram diante da Assembléia Legislativa. 21 feridos. TODOS policiais. Fica evidente que partiram para cima da polícia tentando ganhar alguns ferimentos. A falta de feridos do lado da baderna indica claramente que força estadual sabe disso e está fazendo o máximo para evitar o desfecho desejado.

Ontem um grupo do MST invadiu Tucuruí. Lula mandou o Exército para lá e deixou claro que o pau ia comer. A usina já foi desocupada. E desta vez fez o certo.

A reitora tentou se aproveitar do movimento. Não conseguiu. Apesar dos esforços de parte da mídia fica claro que os estudantes não conseguiram o apoio popular desejado. Conseguiram repúdio da sociedade em geral que paga para estudarem, não para promover baderna. Depois tentou negociar, como se o bando estivesse realmente interessado em alguma reivindicação. Não estão, querem sair debaixo de holofotes e levando safanões.

Por toda a universidade aparecem relatos de alunos e professores que estão sendo agredidos por suas tentativas de continuarem com as aulas. Os grevistas afirmam que o direito deles de assistir aula fere o dos gevistas em fazer greve. Greve decidida por uma minoria.

Mais um retrato do Brasil.

Para acompanhar com detalhes o que está acontecendo o melhor lugar é o Blog do Reinaldo Azevedo. O link está do lado.

terça-feira, maio 22, 2007

A Grande Parada


Jean François Revel é professor de filosofia e membro da Academia Francesa de Letras desde 1997. Desde 1987 alerta a França sobre os riscos do terrorismo contra a democracia. Sua análise de regimes políticos possui foco na dissecação dos efeitos da esquerda em suas várias modalidades.

Em A Grande Parada, de 2000, estuda a sobrevivência da utopia socialista, sobretudo depois do fracasso dos regimes comunistas em todos os locais onde foi adotado.

Identifica o liberalismo não como uma ideologia, mas como a observação de fatos históricos acontecidos e a busca dos pontos em comum com os regimes econômicos que funcionaram. Segundo ele o liberalismo democrático não se propõe a ser o modelo superior de uma sociedade, mas simplesmente o que melhor produz resultados na prática.

Esta aliás é uma das temáticas do livro. A recusa dos socialistas em aceitar que a ideologia foi responsável por milhões de mortes em todo o mundo. Revel recusa a distinção do socialismo real do socialismo utópico. Argumenta que o regime comunista soviético seguiur exatamente o que pregava o marxismo-leninismo, que o regime é criminoso em sua própria essência.

Faz um ataque feroz ao totalitalismo, e questiona por que o totalitarismo soviético não recebe da intelectualidade européia o mesmo tratamento do nazismo. Aponta as muitas semelhanças entre as duas ideolgias e fica claro que Hitler se inspirou nas obras de Marx e Lenin para montar seu modelo de estado.

Faz um distinção importante. O nazismo nunca negou sua vocação anti-democrática. Hitler achava a prática um erro e tratou de sepultá-la na Alemanha. Os comunistas russos diziam-se democráticos, e em nome da preservação desta democracia a combateram e a extirparam da União Soviética.

Disseca também o virulento ataque à obra O Livro Negro do Comunismo que, à partir do estudo sistemático dos arquivos soviéticos levados a publico após o fim da Cortina de Ferro, estabelece com números o tamanho dos crimes da ideologia. Segundo Revel, os socialistas recusam-se a aceitar que foram cúmplices de um dos maiores crimes da história humana.

Critica de forma veemente a concentração do poder econômico na mão do Estado e a rede de proteção social incompatível com seu tamanho. Cita a França como exemplo de suas principais conseqüências: a estagnação e o desemprego.

Apresenta como os dois grandes motivos para a sensação de conforte em pertencer a um grande aparato estatal dois temores que existem em cada um de nós: o medo da concorrência e o medo da responsabilidade.

"A grande arte econômica consiste um obter do poder público que ele saqueie meu vizinho em meu próprio benefício, se possível sem que ele fique sabendo para quem vai o dinheiro que lhe foi roubado."

No capítulo denominado Extrema Esquerda e Antiamericanismo faz um retrato francês que o leitor associa com facilidade à realidade da América Latina.

Quando exemplifica o discurso da extrema esquerda "é preciso fazer com que os ricos paguem tudo, ou seja, impedí-los de ganhar dinheiro; os jornalistas são, sem excessão, lacaios do capital e do poder político" quase dá para escutar a voz de Heloísa Helena e seu PSOL.

O antiamericanismo é o discurso suficiente para unir as extremas esquerda e direita contra um inimigo comum. Vale a máxima: os Estados Unidos estão sempre errados. Lembra que na questão de Kosovo, os americanos foram chamados pela União Européia para evitar o desastre de um problema criado exclusivamente pelos próprios europeus. Não havia, neste caso, nenhum interesse econômico americano na região. Pois a intervenção foi vista como indevida, caso tivessem recusado seria vista como desprezo por um conflito que envolvia apenas vidas humanas.

O exemplo mais claro foi o da unificação alemã. A europa viu com desconfiança, principalmente por parte de Thatcher e Mitterrand. Foi George Bush, ao deixar claro aos beligerantes russos que ameaçavam Gorbatchev, que não admitiria a repetição da primavera de Praga na RDA que deu sustentação política ao chanceler alemão, Helmut Kohl.

Não foi por acaso que em 9 de novembro de 1999, na cerimônia de comemoração do décimo aniversário da queda do Muro de Berlin "os únicos heróis do dia tenham sido Helmut Kohl, Mikail Gorbatchev e George Bush".

Revel faz um retrato atual da operação em curso de intelectuais e boa parte da mídia em mascarar os efeitos nocivos do socialismo e defender a utopia como uma etapa superior da humanidade.

Junto com o Manual do Perfeito Idiota Latino_Americano é um livro da cabeceira para os que acreditam ter sido o socialismo a grande peste do século passado, e que ainda persiste nos dias atuais apesar de todas as provas históricas do seu fracasso.

Exigências dos "terroristas" da USP

Beira ao total ridículo a lista de 17 exigências que os vândalos que invadiram a reitoria a vinte dias apresentou à reitora da Universidade. Mostra bem o que esta gente pensa do dinheiro público. Segundo eles a sociedade não possui o menor direito sobre sua utilização, nem mesmo de saber para que serve.

Entre os itens apresentados existe um que me chamou a atenção de imediato: o governo incentiva a lógica mercantil do ensino. A tese é que a universidade não pode estar atrelada ao mercado real, deve ser consagrada ao ensino "puro", independente do mundo. Lembrei do slogam de uma faculdade canadense que minha irmã citou outro dia: uma faculdade real para um mundo real.

Não é à toa que a maioria dos alunos e dos professores que os apóiam sejam das ciências humanas e desprezem tanto as tecnológicas. Querem esquecer que muita das teses defendidas pelo grupelho, como o socialismo, foi experimentado na vida real e o resultado foi um completo desastre. Um autor como Friedman, cujas idéias conduziram EUA e Inglaterra à retomada do crescimento econômico na década de 80 é ignorado nas faculdades de economia, enquanto que os teóricos do atraso são citados à exaustão, como Maria da Conceição Tavares.

Em outro item pedem que planos e metas sejam de conhecimento de alunos e... funcionários! Que sejam de conhecimento dos alunos é até razoável, mas dos funcionários? Por que? Qual é a função que se deseja deles em uma universidade?

Sobre as moradias pedem a autonomia dos moradores sobre o espaço que utilizam. Parece piada, mas não é. O contribuinte paga a "hospedagem" e ainda tem que aceitar que se utilize o espaço, por exemplo, para escritório do MST. Só no Brasil...

Não sei mais o que a polícia está esperando. Está claro que os alunos não querem negociar nada. Estão furiosos com os editoriais contrários e a passada para trás da magnífica reitora. Querem pelo menos levar uns safanões dos policiais e bradar que a democracia está sendo agredida.

E está mesmo, por um grupo de indivíduos que se acham no direito de invadir um prédio público, depredá-lo, invadir arquivos confidenciais e não ser responsabilizado pela balbúrdia. O que fazem os pais destes indivíduos que não os retiram com puxões de orelha?

Radar Móvel

Reformas insitucionais

Em seu artigo de hoje no Globo, Merval Pereira toca no ponto. Falando sobre a operação Navalha coloca como imperativo a aprovação de reformas institucionais.

Cita o advogado e cientista político, Nelson Paes Leme que gosta de utilizar a palavra "impunibilidade". Mais do que a impunidade, "que é o ato de restar alguém impune", a "impunibilidade" pode ser definida como a "insuficiência, incapacidade ou a caducidade dos mecanismos judiciais e policiais do Estado para punir".

Critica o Código Penal e a Lei de Execuções Penais como instrumentos elitistas e caducos, que já não refletem o mundo atual. Desconhece a ousadia dos cartéis do tráfico, pirataria cibernética, devastação ambiental e o colarinho branco.

Cita também o deputado Chico Alencar, do PSOL, que questiona o limite para finaciamento de campanha e a relação mandatos-empresas. Questiona ainda o instrumento das emendas parlamentares individuais, "fonte permanente de corrupção". As emendas em si não deveriam acabar, mas sim a aprovação automática, sem que o projeto seja discutido.

Merval também chama atenção para o possível uso abusivo da "prisão temporária", que só deveria ser utilizada em determinados momentos e não de forma generalizada. Suspeitos estão sendo presos sem provas consistentes, o que os impede de ser efetivamente condenados.

O jargão "a polícia prende e a justiça solta" também não se sustenta, à medida que toda investigação e as conseqüentes prisões são previamente autorizadas por um juiz, desembargador ou ministro de tribunal. Sem a autorização judicial sequer haveria prisões.

segunda-feira, maio 21, 2007

Destaques no esporte

Federer vence Nadal no saibro

Pois é, uma hora teria que acontecer, até porque Federer não é uma mal jogador neste tipo de piso, muito pelo contrário, chegando inclusive a finais. O problema é que Nadal é fora de série na terra batida. Mas para vencer um Federer mordido e motivado tem que jogar 100%. Como não jogou, perdeu e deu adeus a invensibilidade de 81 jogos neste tipo de piso.

Recorde de Jardel Gregório

A marca de Jardel no salto triplo de 17,90m só comprova que extraordinário atleta foi João do Pulo. Sua marca durou mais de 20 anos nas américas. Parabéns para o novo recordista sul-americano.

Campeonato Espanhol

Depois dizem que pontos corridos não dá emoção. O Real sofreu o empate no fim do jogo depois de estar vencendo por 2 X 0. No último minuto Roberto Carlos, ele mesmo, o do meião, desempatou e deu a vitória ao time de Madrid. Se empatasse ficava em terceiro. Com o gol lidera. Empatado com o Barcelona e dois pontos a frente do Sevilha. Os jogos dos três times tem sido verdadeiras decisões, com estádios lotados. Faltam 3 rodadas e provavelmente o título só sai na última.

Gol mil

Fala sério. A hora do gol era no jogo contra o Flamengo, no máximo nos confrontos com o Botafogo. Jogos decisivos, com Maracanã lotado, transmissão para o Brasil inteiro. Fazer o gol escondido em São Januário, diante do Sport (nada contra, só não é um rival histórico), fora do horário nobre com transmissão só pela tv a cabo... não é a mesma coisa. E com direito ao Eurico desfilando seus muitos quilos no gramado. Só para vascaíno curtir mesmo.

Goiás 1 X 3 Flamengo

De volta aos trilhos

Depois das decisões no Carioca e Libertadores, a comissão técnica utilizou bem a semana de treinamentos para recuperar física e psicologicamente a equipe. O resultado apareceu no Serra Dourada. Jogando um futebol convincente, que andou ausente mesmo nas partidas contra Botafogo e Defensor, o Flamengo venceu com autoridade a equipe goiana por 3 X 1. O esquema funcionou bem, com os dois laterais fazendo gols. Destaque para o passe sensacional de Renato para Juan. O campeonato é longo, não adianta disparar na frente no início, o importante é conseguir um bom padrão de jogo que possibilite atingir uma regularidade positiva e somar os pontos rodada a rodada. Não acredito que este time brigue pelo título, mesmo com o baixo nível técnico das equipes. Mas a vaga na Libertadores é possível.

Sobre temas institucionais

Veja on-line:

O Conselho Nacional do Ministério Público acaba de condenar o procurador Luiz Francisco de Souza a 45 dias de suspensão por causa de sua atuação no "caso Eduardo Jorge", o ex-secretário-geral da presidência nos tempos de FHC. O conselho considerou que houve "falta continuada" de Luiz Francisco nos processos que envolviam EJ - ou seja, uma série de procedimentos considerados inadequados. O ex-enfant terrible do MP foi condenado por 9 a 0.


Para quem não lembra, Luiz Francisco era procurador do MP na época do governo FHC. O mais barulhento de todos. Quando Lula assumiu ele... sumiu. E ainda confidenciou que tinha sido muito duro com o governo tucano.

Eduardo Jorge, uma das vítimas do belicoso procurador, entrou com representação no Conselho Nacional do Ministério Público sobre os procedimentos de seu algoz. O Conselho acatou por unanimidade e aplicou uma suspensão, mínima que seja, mas que revelou o mérito do caso.

É um bom alerta para os que consideram os Procuradores, e por extensão os promotores, acima do bem e do mal. Não são, e suas denúncias devem ser analisadas com pelo menos um pouco de espírito crítico, o que a imprensa não têm feito. Nossa imprensa tem fugido do jornalismo mais cerebral, onde argumentos são contestados por evidências lógicas. É só abrir o jornal: fulano disse isto, o outro disse aquilo. E daí? Tudo muito simples, um exemplo é a invasão da reitoria da USP.

Alguns jornais noticiaram que os invasores acusaram Serra aprovar decretos que atingem a autonomia universitária. Não disseram que decretos eram estes, e nem poderiam pois não existem. Se não existem deveriam ter noticiado que não existem, e não deixar o leitor se indagando se os invasores podem ou não ter razão. A maior parte das matérias só expressam opiniões quando favorecem o servilismo lulista-petista das redações, como bem ressaltou Otávio Frias no Estadão semana passada.

Reinaldo Azevedo resumiu bem em seu blog. Os jornais gastam quase todo seu espaço cobrindo a corrupção, que realmente é gigantesca, e muito pouco para temas institucionais, como a invasão da reitoria da USP. O grande problema é que são justamente estes temas institucionais que possibilitam que a corrupção atinja o ponto em que chegou.

O caso Eduardo Jorge - Luiz Francisco refletem bem o que é um tema institucional. Um procurador da república utiliza as prerrogativas do cargo para perseguir políticos que não são de sua simpatia. Como evitar fatos desta natureza? Como impedir os abusos de um procurador?

Este é um dos temas que ninguém deseja tratar.

sábado, maio 19, 2007

Situação na USP


A grande mídia está evitando o assunto, mas a tendência é mudar agora com a intervenção da polícia. Provavelmente do lado errado. Qual é o lado errado? Normalmente o que Suplicy tomar, e ele já tomou.

Fazem duas semanas que um grupo de 300 estudantes invadiu a reitoria da USP. De início bradaram que estavam defendendo a autonomia da Universidade, que estaria sido ameaçado por Serra. Nunca esteve. O governador só quer que os gastos do orçamento de 1,9 Bilhões de reais sejam lançado no sistema de acompanhamento financeiro do estado, o SIAFEN.

O grupo de pseudo-estudantes depredou a reitoria e invadiu arquivos confidenciais dos alunos da Universidade. O comportamento da magnífica reitora (Suely Vilela) é uma vergonha para o cargo que ocupa. Sem qualquer negociação atendeu a todas as reivindicações. Sim, a esta altura o discurso pela autonomia já tinha caído e surgido uma lista de pedidos. Não foi capaz nem de desligar a internet do prédio, permitindo que os invasores mantivessem um blog. Depois de 12 dias, diante da ameaça da procuradoria de ser processada por prevaricação, pediu à justiça a reintegração de posse.

Se tivesse vergonha na cara, o que aparentemente não tem, já teria renunciado. Professores e alunos de verdade têm se manifestado por e-mails em defesa da ordem legal. Muitos sofrem ameaças. O foco da desordem é a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanos. Estão ligados ao sindicato de funcionários, PT, PSOL, PSTU e adjacências. E é claro às idéias sectárias de sempre.

A grande questão é que uma minoria de alunos e professores constantemente promovem greves e paralisações impedindo que à maioria assista suas aulas. E ninguém pode fazer nada, nem mesmo o governador (as universidades são estaduais) para não feria a autonomia da instituição.

Que autonomia é esta que coloca este grupo acima das leis?

A expectativa dos baderneiros agora é resistir à polícia. Tudo que desejam é alguns safanões para mostrar a brutalidade da polícia e se colocar como movimento estudantil, uma espécie de Maio de 68 uspiana.

Como escrevi no início, o intragável Suplicy já foi lá mostrar solidariedade aos vândalos, da mesma forma que defendeu outros na semana passada, que saquearam lojas e destruíram carros. Acusou a brutalidade da polícia na ocasião.

Alguns professores, a maioria da FFLCH, hipotecaram sua solidariedade e condenam qualquer intervenção da polícia. O bando invade um prédio público, promove baderna, invade dados confidências de alunos, e a polícia não pode intervir? Não só deve, como o grupelho deve ser processado pelos crimes praticados.

O orçamento de 2 Bilhões de reais não sai do além. Sai de milhões de paulistas que esperam, pelo menos, que seja utilizado para os fins a que se destina: a educação da futura elite paulista e do Brasil. Pelo que se viu do comportamento da reitora e dos professores "humanistas" é mais uma montanha de dinheiro jogado fora.

Se na USP é assim, imagino o resto.

quinta-feira, maio 17, 2007

Por que?

Hoje estava voltando de minha corrida quando cruzei com um senhor barbado que volta e meia está na pista Cláudio Coutinho. Sempre repara em suas camisas, já vi do PSTU, do PSB, do Botafogo e do PC do B. Tirando a do Botafogo, as outras já dão uma idéia do que vai pela cabeça do homem.

Hoje ele estava com uma da União Soviética, com os antigos dizeres CCCP.

Parecia uma cena normal, mas vi desta maneira. Fiquei imaginando se algum imbecil resolvesse desfilar com uma camisa da SS nazista. Em muitos países seria até crime, afinal os nazistas mataram milhões de pessoas desarmadas e sem direito à defesa.

Mas a União Soviética também matou milhões de pessoas desarmadas sem direito à defesa. Por que então somos tolerantes com os crimes comunistas? Não defendo a tolerância ao nazismo, muito pelo contrário, defendo a intolerância com ambos, nazistas e comunistas.

Aliás este é um dos temas do livro que estou lendo, "A Grande Parada" de François Revel. O autor faz um paralelo entre as duas ideologias e as semelhanças são gritantes. E nem poderia deixar de ser uma vez que Hitler foi profundamente influenciado pela obra de Marx e a revolução de Lenin.

Mas a União Soviética combateu o nazismo, dizem uns. Combateu porque foi atacada, pois até aquele momento tinha um pacto com Hitler e inclusive participou da invasão da Polônia. Após a rendição polonesa cumprindo ordens de Stalin 21.857 oficiais do país ocupado foram fuzilados em 1939 no episódio esquecido de Katyn.

Outros dizem que Stalin traiu os ideais de Lenin, outro que vejo o rosto em muitas camisas. Outra mentira. O número de vítimas da benevolência leninista é calculado em torno de dois milhões e meio de mortos no período entre 1918 a 1920.

Existe uma crença que o comunismo soviético não é o socialismo ideal sonhado por Marx. Quanto mais eu leio mais eu me convenço que foi exatamente o que o ideólogo alemão previu. Reforça-se ainda o fato de todas as experiências socialistas, em todos os cantos do mundo, terem sido acompanhada do totalitarismo e o massacre de cidadãos pelo estado.

A diferença é que o nazismo saiu de suas fronteiras, o comunismo se contentou em eliminar sua própria gente. Não consigo identificar qual é mais ou menos cruel do que o outro. Mas ainda tem gente que defende o direito de um povo massacrar o próprio povo.

Outro dia discutindo sobre a ocupação no Iraque argumentaram comigo que os Estados Unidos tinham que sair hoje. Retruquei que se assim o fizessem, haveria um banho de sangue entre os iraquianos no dia seguinte. Mesmo assim, me responderam, o problema passa a ser do Iraque.

Até que ponto nossos ódios ideológicos nos cegam a ponto de fechar os olhos para a morte de inocentes? Quanto demorará para se reconhecer definitivamente que a experiência comunista foi um crime contra o povo russo? Basta lembrar que este regime encontra defensores fiéis no Brasil, na França, na Espanha, menos onde foi implementado.

Aquele senhor caminhando normalmente na pista hoje afrontou a memória de milhões de mortos. Que ele se prenda ao socialismo ideal, vá lá, acho um erro. Mas que ele faça propaganda o socialismo real, que foi a URSS, aí já é demais.

Uma vergonha de país

São Carlos, 11 de maio de 2007.

Prezado Diretor do IFSC, Presidente do CTA e Membros do CTA,

Comunico-lhes nesta oportunidade, com pesar e mesmo amargura, um fato extremamente importante ocorrido no dia 10/05/2007, que se segue. Se existe algo que cultivei e preservei, como professor nos meus quase 30 anos de carreira universitária, é minha dignidade como educador e pesquisador. Em toda a minha vida de cidadão brasileiro e como professor universitário, nunca tive tal qualidade questionada, muito menos roubada e vilipendiada, como aconteceu na referida data.

Ao tentar adentrar, por volta de 6:40 h da data mencionada acima, no campus da USP/São Carlos (entrada pelos fundos do ICMC), como sempre o faço, recebi ordens verbais de um pequeno grupo de funcionários e alunos para não fazê-lo, pois esta era a recomendação tirada em assembléia de suas categorias. Tentei conversar e disse a eles que os respeitava e respeitava também o direito de eles fazerem suas manifestações, porém queria que me respeitassem como cidadão, o meu direito de ir e vir em um local público. Ao tentar entrar fui agarrado e impulsionado em direção contrária, por duas vezes, com palavras de ordem para eu ir embora para casa.

Como só havia manifestantes grevistas no local, senti que se insistisse um pouco mais, as conseqüências físicas, além das morais recebidas, seriam desastrosas. Pedi que os funcionários me dessem seus nomes reiteradamente e também os alunos, para que pudesse ao menos buscar valer, a posteriori, os meus direitos. Não obtive respostas, exceto por um dos funcionários que se denominou como “Zé”. Minha indignação foi grande, maior do que se tivesse sofrido um seqüestro, pois, nesse caso, estaria lidando com bandidos e teria a esperança de que fossem punidos pela lei.

Mas, não no presente caso. Estava eu na frente de indivíduos “encapuzados” pela identidade anônima, funcionários da Universidade que tanto prezo e assistidos por alunos que são aqueles a que tenho me dedicado por toda a vida. Uma luta desigual, onde, em nenhum momento, foi respeitada a minha dignidade como professor e ser humano.

Transtornado, fui obrigado a sair do local. Consegui, pelo portão central da USP, também cercado por outros manifestantes com atitudes truculentas, que entrasse no campus, dizendo a eles que nossas conversas estavam sendo gravadas. Ao chegar em minha sala, por volta das 7:30 h, que é defronte à portaria da Física, pude ver cenas típicas da revolução cultural chinesa, patrocinada pelo não saudoso Mão Tse Tung. Vi colegas meus, como o professor. E. E. Castellano, a professora. Ivone Mascarenhas, o professor Milton F. de Souza, passarem por atitudes vexatórias de coerção moral e até física, com funcionários colocando-se na frente da entrada dos professores.

Vi uma cena triste onde o líder dos manifestantes gritava com o professor Silvestre Raguza, gesticulando e dizendo para ele ir embora e, depois, numa atitude humilhante, erguer até meia altura os cordões para que o Professor se curvasse e adentrasse ao campus. Não sei se por humilhação ou por dificuldade física devido à idade, o professor, que tanto contribuiu com diversas gerações de pesquisadores, se retirou humildemente, ficando a poucos metros, pensativo, e, com certeza, desapontado e perplexo antes de retornar para sua casa a passos lentos.

Vi um professor jovem (Daniel Vanzelli) que tinha a passagem interditada pelos manifestantes e só conseguiu entrar após a intervenção minha e do professor Glaucius Oliva, que viemos ao seu socorro após o chamado. Mais tarde, em passeata, passaram os manifestantes em frente à minha sala, pararam e ouvi meu nome, juntamente com o do professor Glaucius, sendo manchado com palavras do mais baixo calão. Mais ainda, dito em público que fui um agressor ao tentar, no período da manhã, adentrar à Universidade. Tudo isto ocorrendo com um conjunto de estudantes, aqueles que tanto prezo, gritando e manchando meu nome.

Senti morrer em mim todo o orgulho e satisfação em dar e preparar os meus cursos nesta Universidade. Senti-me indignado em ministrar cursos a estes alunos que possuem tal opinião a meu respeito. Perdi minha dignidade. Amargurado e revoltado, resolvi ir ao sistema de segurança do Campus verificar se havia gravação dos fatos ocorridos. Qual minha surpresa quando me informaram que, desde o dia 26 de abril de 2007, não havia gravação por motivo de expansão do número de câmeras. O motivo não me convenceu, mas, se o mesmo é verdade, por que não foram comunicados os dirigentes e membros da Universidade? Talvez outras providências pudessem ser tomadas se as gravações tivessem sido feitas.

O que mais me sensibiliza é saber que tais atitudes ocorreram e ocorrerão porque os dirigentes (reitor anterior e a atual), diferentemente das suas responsabilidades de resguardar a nossa dignidade como professores, em todo acordo de greve, a primeira providência é a não punição dos grevistas. Esqueceram-se tais dirigentes que o patrimônio maior da Universidade é a qualidade e a dignidade de seu corpo docente. Quero minha dignidade de volta!

Prof. Dr. Francisco Castilho Alcaraz

Ilmo. Sr.
Prof. Dr. GLAUCIUS OLIVA
Diretor
Instituto de Física de São Carlos
Universidade de São Paulo

quarta-feira, maio 16, 2007

Piada Fashion

Duas bichas "fashion" foram acampar às margens de um rio.
Elas caminharam alegremente com suas camisas Armani", bermudas "Versace",mochilas "Victor Hugo" e botinhas "Calvin Klein" o dia inteiro.
Cansadas, resolveram acampar.
Quando terminaram de armar a barraca (no bom sentido) já era noite e as meninas estavam E-X-A-U-S-T-A-S!
Resolveram, então, ir para a cama (mas separadas, pois bicha tem urticária de bicha). Então a mais serelepe delas disse: - Imagine!!! Com um LUUUUXO de céu estrelado desses você acha mesmo que euzinha vou dormir dentro dessa barraquinha HORROOOROOOSA, minúscula e sem graça?
A outra, preocupada:
- Mas pode ser perigoso. É melhor ficarmos juntinhas aqui mesmo.
E a corajosa disse :
- FUI !!!
Uma ficou na barraca e a outra foi dormir às margens do rio.
Durante a noite veio um jacaré enorme, MÓIINTO grande Meishmo e CRAU...,comeu a coitada da bicha inteira (gastronomicamente falando) numa única mordida, somente deixando a cabeça do alegre viadinho com seu boné do Yves Saint Laurent".
Na manhã seguinte, a bicha sensata se levanta:
- Bom dia sol, bom dia flores, bom dia natureza, aaaaaaaaiiiii.!!
E correu para ver a "amiga" aventureira.
Chegou pertinho do rio e viu o jacaré parado, barrigão pra cima, todo feliz e só a cabeça da bicha pra fora da boca do animal...
Olhou, olhou e exclamou:
- GEEENTEEEEMMM!!! É UM ESCÂNDALO ESSE TEU SACO DE DORMIR DA LACOSTE!

terça-feira, maio 15, 2007

Aborto agora é na surdina

A proposta de discussão sobre a ampliação dos casos de liberação do aborto recebeu freio do presidente ontem. O governo percebeu que é uma causa polêmica e que já parte com mais da metade da população contrária à idéia.

O curioso é que parte da mídia acusava justamente os contrários ao aborto de não desejar discutir o assunto. No programa Roda Viva o próprio Temporão admitiu que as ONGs que defendem o aborto reclamaram da possibilidade de um plebiscito. Temem a manifestação inequívoca da sociedade.

A estratégia do governo agora é aprovar lentamente esta liberação no Congresso, e na surdina, de preferência sem holofotes. Esta é a idéia que a esquerda sempre fez de democracia. Vale a pluralidade de opiniões, desde que todas estejam de acordo com o pensamento "progressista".
Só vale a pena escutar a sociedade quando se tem certeza da resposta. Caso contrário vale as "lideranças" ou "representantes" da sociedade civil.

Menos mal que o DEM resolveu comprar a briga e se posicionou na questão. É contra a ampliação da lei atual. E denunciou a estratégia do presidente recusar em assumir uma posição para não enfrentar o contraditório. A oposição agora tem um à favor (PPS), um contra (DEM) e um, que para variar, não sabe que posição tomar (PSDB).

Integração religiosa?

O presidente defendeu diante do papa uma maior integração religiosa na américa latina. Nem o papa, nem ninguém entendeu a sabedoria do nosso guia. Talvez nem ele. Isso depois de ter repetido um novo mantra que aprendeu recentemente, a palavra "laico".

Tudo para ele agora é laico, embora tenha minhas dúvidas se saiba exatamente o que signifique. O fato é que Bento XVI deixou bem claro que a Igreja não deve se envolver com a política, o que foi mais uma tapa na cara da excrescência que é a Teologia da Libertação.

A posição do Vaticano é de defesa dos mais pobres, principalmente nos valores espirituais e morais. A Igreja não pode se comportar como um partido político, sob pena de perder autoridade moral ao identificar-se com visões parciais do mundo.

Para Bento XVI a posição da Igreja é universal, vale para cada católico em cada parte do mundo. Por isso deve ter ficado surpreso esta tal integração latino-americana. Com certeza mais um assunto para um cafezinho entre Lula, Chaves e Evo. Sob as bençãos de Fidel.

segunda-feira, maio 14, 2007

Dá idéia...

Livros: consuma com moderação

Do blog do Reinaldo Azevedo:

Vocês se lembram: apontei aqui o seu desconforto diante do papa. Ele não conseguiu ser a estrela da festa. E isso lhe é inaceitável. A sua obsessão em desmerecer FHC é uma evidência desse traço de personalidade. Observem que, quando ele se refere ao antecessor, não se limita a dizer que seu governo é melhor. Ele também costuma atacar as qualidades intelectuais do outro, que seriam insuficientes para responder à realidade. Lula acredita, firmemente, que ele sabe mais porque leu menos. Lula acredita que estudo faz mal à saúde. "Livros: consuma com moderação".

Outro dia estava conversando nos corredores da PG justamente sobre isso. Não é vergonha para ninguém a própria ignorância, o problema é começar a se vangloriar dela. Mas não tinha ainda me atinado para os que fazem pouco dos que procuram sair das trevas. Estamos retrocedendo vertiginosamente no Brasil, está surgindo a cultura da ignorância.

O exemplo vem, entre outros, do próprio presidente. Para não ficar só no atual, lembro de Costa e Silva que se vangloriava de não ler livros, apenas fazer palavras cruzadas.

Diante do papa, Luis II ficou visivelmente constrangido. Diante dele estava um homem de 80 anos que passou a vida inteira estudando e se preparando para o cargo que hoje ocupa. Pois nosso monarca nunca fez nem uma coisa nem outra. E se orgulha disso.

Só falta uma campanha publicitária alertando para os perigos da leitura...

Semáforo da PG de Transportes



Um curso de mestrado que se preze tem que estudar o funcionamento de semáforo. Nossas mestradetes literalmente vestiram a camisa para exemplificar o assunto.

domingo, maio 13, 2007

Flamengo 2 x 4 Palmeiras

Começo ruim

Sinceramente não esperava uma vitória do Flamengo hoje. O clima de relaxamento era natural depois de 2 semanas disputando jogos eliminatórios de grande tensão. O time não jogou mal, mas definitivamente desmontou depois do terceiro gol. A falta de gás que apareceu diante do Defensor se repetiu hoje. O momento chave para o Flamengo foi quando Juan desperdiçou a chance clara de fazer 3 x 2, praticamente um penalti. Ficou o golaço de Renato Augusto no empate, em mais um excelente chute de fora da área.

Agora Ney Franco tem uma semana para colocar as coisas no lugar, apagar os jogos de mata-mata e colocar o time na nova competição. É uma longa maratona que vai contar muito as peças de reposição disponíveis e a concentração a cada jogo.

Massa absoluto

Felipe Massa só passou um susto em Barcelona: o choque com Alonso na primeira curva. O espanhol acabou saindo a pista, perdendo duas posições mas o brasileiro seguiu firme e não foi ameaçado em toda a prova. Mais uma vitória de ponta a ponta. Raikkonen quebrou logo no início, o que favorece Felipe na guerra interna na equipe. Hamilton ficou em segundo e Alonso em terceiro. No campeonato o inglês agora é líder isolado com 30 pontos. Segue o espanhol com 28 e Massa com 27. O finlandês ficou com os 22 que já tinha. Tudo embolado, o que não deixa de ser bom para as McLaren tendo em vista a inquestionável superioridade da Ferrari nestas 4 provas. As apostas indicam que será um campeonato equilibrado, com os 4 pilotos disputando as vitórias. Felipe Massa está definitivamente na briga.

Mão do ano

sábado, maio 12, 2007

Massa pole

Felipe Massa conseguiu na última volta a pole para o Gp de Barcelona. Ao seu lado larga o piloto da casa Fernando Alonso. É a terceira pole seguida e o piloto tem que aproveitar a vantagem. Uma vitória na Espanha é um grande passo para encostar de vez não em Alonso, mas em Raikkonem que é sua ameaça imediata. Tudo porque a Ferrari não vai demorar muito para decidir quem será seu primeiro piloto para a segunda metade do campeonato. Se Massa perde esta disputa terá que passar a trabalhar para o companheiro e dar adeus ao título. O rival de agora está dentro da Ferrari. Alonso é para depois.

Retrato do momento

sexta-feira, maio 11, 2007

Nota do PPS

O PPS se posicionou à favor da liberação do aborto. Está em seu direito e aplaudo por assumir sua posição. Todos os partidos políticos deveriam seguir o exemplo. Mas não posso deixar de comentar a nota do partido.

Primeiro o partido considerou uma "interferência indevida da igreja nos assuntos do Estado" a decisão de excomungar os políticos mexicanos que votaram a favor do aborto no parlamento daquele país.

Não é. A excomunhão não tem nada a ver com estado. É uma questão interna da Igreja e da fé católica. Nenhum direito civil dos parlamentares mexicanos está ameaçado. Segundo o dicionário Houaiss a excomunhão é a "penalidade da Igreja católica que consiste em excluir alguém da totalidade ou de parte dos bens espirituais comuns aos fiéis". A Igreja considera que a posição contrária ao aborto é um bem espiritual que deve ser seguido por seus fiéis. Como líder religioso o Papa pode excomungar quem não esteja de acordo. Ninguém é obrigado a ser católico, é porque quer. Observem que a excomunhão nem exclui uma pessoa da Igreja, apenas atesta que ela não segue em parte ou na totalidade um bem espiritual comum.

Uma parte do texto diz o seguinte:

"Para o PPS, bem como para grande parte da população brasileira, soou estranha a declaração do papa de condenação aos que pretendem abolir a legislação punitiva ao aborto, chegando ao ponto de admitir a excomunhão de políticos que votarem pela sua legislação"

Primeiro esse "grande parte da população brasileira", da onde o partido tirou isso? Duvido que chegue a 5% da população os que sabem desta excomunhão. E olhe lá. Vai ver que este grande parte é a meia dúzia que se reuniu para fazer esta nota.

O partido saúda a visita do papa, "que traz conforto espiritual a milhões de católicos brasileiros", mas alerta que isso não pode trazer prejuízos às "conquistas humanistas seculares" do povo brasileiro.

Agora embolou tudo. Mais uma vez o aborto é referido como um avanço "humanista" da sociedade. Mas o delírio do PPS é ainda maior, é uma "conquista humanista secular" do povo brasileiro. Acho que acordei no país errado. A maioria da população brasileira é contra o aborto, que conquista secular é esta?

O que fico intrigado é que reconheço que existem bons argumentos para defender a liberação do aborto, apesar de não concordar com eles. Se a estratégia é abrir guerra contra a Igreja e apoiado em opiniões deste nível, vou até dormir tranqüilo pois não aprovam o aborto num plebiscito nem por milagre.

E olha que milagreiro no Brasil tem muito...

Santidade

Números

Temporão voltou a falar do número mágico de 1,1 milhões de abortos segundo um instituto americano. Também já tratei aqui no blog, o instituto é no mínimo suspeito já que é ligada a uma rede de clínicas de aborto. Só que o ministro acrescenta que este número seja 5 vezes maior. Da onde esse pessoal tira esses números? Se ele dispões de estatísticas levantadas que o divulgue como deve ser feito e não fique chutando números.

Uma Lástima

O governo brasileiro está fazendo tudo o que pode para transformar a visita do papa em um espetáculo de grosseria e vulgaridade. Só não consegue porque do outro lado existe um homem que se preparou e estudou durante toda sua vida para exercer a sua função.

Coube ao Ministro da Saúde o papelão maior até aqui. Já comentei neste blog de sua entrevista no Roda Vida. Nela saiu-se muito bem, apesar de não ter concordado com seus argumentos em defesa da "discussão" sobre a legalidade do aborto.

Por que "discussão" está entre aspas? Porque ao ler o JB de ontem fiquei estarrecido com a idéia que Temporão tem deste debate.

Para início de conversa foi taxativo. O aborto não é questão que envolva filosofia e religião, é saúde pública. Então estamos gastando dinheiro sem necessidade. Dengue? Taca fogo! Um bom incêndio controlado resolve qualquer epidemia como provaram os europeus na Idade Média. Resolve o problema de saúde. É claro que vão morrer alguns milhares ou milhões, mas isto é questão de filosofia. Ou de religião.

Depois ainda sai com mais uma pérola. A discussão é machista. Disse que se homem engravidasse o problema já estaria resolvido. É um dos piores argumentos que já escutei em toda minha vida sobre o assunto. E vindo de um ministro de estado, devidamente preparado para o cargo, é mais revoltante ainda. Tem mil maneiras melhores de defender o aborto como um direito de escolha da mulher do que usando um palavreado de bar da esquina como este. Nenhum dos mil convenceu-me até hoje que um ser humano pode ter direito de escolha sobre a vida de outro.

Por fim resolveu, no dia da chegada do papa, criticar a decisão de Bento XVI de apoiar os bispos mexicanos que excomungaram políticos daquele país que lutam pelo direito de abortar. Alguém deve lembrar ao prezado ministro que trata-se de um chefe de estado, e um ministro criticar suas decisões durante uma visita oficial é uma grosseria diplomática sem tamanho. Não vejo o governo brasileiro criticar Fidel Castro nem de longe, quanto mais em visita. E olha que o ditador cubano faz aborto de seres humanos na idade adulta!

Por fim, na conversa oficial entre os dois chefes de estado o presidente levou a primeira companheira. Não lembro de ter visto o nome desta mulher na cédula eleitoral. Educadamente, o papa comentou que este fato é inédito em sua vida. Uma coisa que aprendi a duras penas é que quase tudo (e estou sendo bondoso) que é inédito por aqui não costuma ser boa coisa. É claro que tratava-se de um troco do presidente brasileiro pela audácia do papa em defender a posição da igreja em sua chegada ao Brasil. E isto de um homem que diz que pessoalmente sempre foi contra o aborto...

Quer saber? Está mais do que na hora do parlamento brasileiro aprovar um plebiscito sobre o tema. Quero ver essa gente na televisão. Quero ver a cara de Temporão, Lula, e tantos outros na telinha defendendo suas posições. E deixem a população expressar a sua. Aproveitem as eleições municipais do próximo ano. Só não vale pergunta manipulada.

quinta-feira, maio 10, 2007

Flamengo 2 x 0 Defensor

Adeus Flamengo

Acabou. O time lutou mas a verdade é que faltou força para os vinte minutos finais e o Flamengo não conseguiu manter uma pressão que resultasse no desejado terceiro gol. Quando Renato fez seu segundo gol logo no início do segundo tempo a impressão era que a classificação viria. As chances estavam aparecendo e o gol amadurecendo, mas Ney Franco mexeu muito mal no time. Tirou os dois volantes e colocou atacantes. O time perdeu o meio campo, ficou cheio de armadores e finalizadores mas sem ninguém para tomar a bola no meio-campo. O Defensor acabou tendo mais chances de diminuir do que o Flamengo de fazer o terceiro. É claro que o juiz prejudicou muito, mas esta é a tônica da Libertadores. Arbitragem invariavelmente é contra os brasileiros.

Agora é juntar os cacos e seguir em frente. O Flamengo pagou pela tenebrosa atuação do primeiro jogo, mas a torcida reconheceu o esforço do time e aplaudiu os jogadores. Que venha o brasileirão.

Viagem no tempo

Um dos filmes que mais causaram impacto em minha vida foi "Em algum lugar no passado", com Christopher Reeve, uma história de amor lindíssima, em que um escritor apaixona-se pela foto de uma atriz dos anos vinte. Uma paixão tão avassaladora que ele acha uma forma de voltar ao passado para encontrar a moça e viver uma história de amor emocionante. O filme é lindo, a trilha sonora é fabulosa e o tema, instigante: viajar no tempo. Quando Albert Einstein anunciou a sua Teoria da Relatividade, em 1905, viajar no tempo - pelo menos em teoria - deixou de ser algo impossível. Pois outro dia observei uma foto de um grupo de amigos na reunião de comemoração de 30 anos de minha formatura no colégio. Olhei aqueles senhores de cabelos brancos, gordos e carecas e imaginei o que aconteceria se a foto pudesse ser vista por eles quando tinham 16 anos. Já pensou? Você poder ir até o futuro e olhar onde estará, que rumo sua vida tomou?
Imaginei então uma situação interessante. Alguém inventa uma máquina do tempo. E vai testar. Escolhe uma data aleatória - 1989, por exemplo - e aperta um botão. A máquina traz para o presente ninguém menos que Luis Inácio Lula da Silva. Aquele de vinte anos atrás. Lula chega meio zonzo:
- O que é isso, companheiro?
Sem entender o que acontece, Lula é recebido com carinho, toma uma água, senta-se num sofá e recupera o fôlego.
- Onde eu tô?
- No futuro, Presidente. Colocamos em prática a Teoria da Relatividade!
- Futuro? Logo agora que vou ganhar do Collor, pô! Me manda de volta pro passado! Zé Dirceu! Zé? Cadê o Zé?
- Calma, Lula. Aproveite para dar uma olhada no seu futuro. Você é o presidente da República!
- Eu ganhei?
- Não daquela vez. Mas ganhou em 2002. E foi reeleito em 2006!
- Reeleito? Eu? Deixa eu ver, deixa eu ver!!!
E então Lula senta-se diante de um televisor de plasma. Maravilhado, assiste a um documentário sobre os últimos 20 anos do Brasil. Um sorriso escapa quando a eleição de 2002 é apresentada.
- Pô, fiquei bonito! Ué. Aquela ali abraçada comigo não é a Marta Suplicy?
- Não, Presidente, é a Marisa Letícia.
- Olha! Eu e o Papa! E aquele ali, quem é?
- É George Bush, o Presidente dos Estados Unidos!
- Arriégua! Êpa! Mas aquele ali abraçado comigo não é o Sarney? Com a Roseana? E o que é que o Collor tá fazendo abraçado comigo? O que é isso? Tá de sacanagem?
- Não, presidente. Esse é o futuro!
- AAAAhhhhhh! Olha lá o Quércia me abraçando! O Jader Barbalho! Cadê o Genoíno? Cadê o Zé Dirceu?
- O senhor cortou relações com eles.
- Meus amigos? Me separei deles e fiquei amigo do Quércia?
- Pois é...
- E aqueles ali? Não são banqueiros? Com aqueles sorrisos pra mim?
- Estão agradecendo, Presidente. Os bancos nunca tiveram um resultado tão bom como em seu governo.
- Bancos? Os bancos? Você tá de sacanagem. Sacanagem!
- Calma, Presidente. O povo está gostando, reelegeram o senhor com mais de cinqüenta milhões de votos!
- Mas não pode! Cadê os proletários? Só tô vendo nego da elite ali. Olha o Vicentinho de gravata! E o Jacques Wagner também! Mas que merda é essa?
- É o futuro, Presidente.
- E o Walter Mercado? Tá fazendo o quê ali?
- Aquela é a Marta Suplicy, Presidente.
- Ah, não. Não quero! Não quero! Não quero aquele meu terninho. Não quero aquele cabelinho. Não quero aquela barbinha. Desliga isso aí!
- Mas Presidente, esse é o futuro. O senhor vai conseguir tudo aquilo que queria.
- Não e não. Essa tal de teoria da relatividade é um perigo.
- Perigo?!
- É. As amizades ficam relativas. A moral fica relativa. As convicções ficam relativas. Tudo fica relativo.
- Bem-vindo a 2007, Presidente.

Recebido por e-mail com autoria atribuída a Luciano Pires

Os filósofos do Estado

Demétrio Magnoli, em seu livro O Mundo Contemporâneo, apresenta os filósofos que seriam os teóricos que levaram ao modelo atual de Estado. Foi inventado na Europa pós-medieval, sob a forma das monarquias absolutas. Aparecia o Estado territorial.

Maquiavel(1469-1527) postulou a separação entre a moral e a política. Segundo ele, o príncipe(governante) não deveria atentar para a moral comum, pois a política constituiria "uma esfera autônoma e uma arte, que condensa o interesse nacional". Desta forma o governante poderia mentir, enganar, matar desde que estivesse promovendo a defesa do estado.

Hobbes(1588-1679) defendia que no "estado da natureza" não havia ordem e todos lutavam contra todos. Para defender-se a sociedade necessitaria de um poder superior, absoluto e despótico. Surgia um contrato, pelo qual "os homens abdicam da sua liberdade anárquica em favor do Estado". E Estado seria fundamentado num depósito do consenso, e não poderia ser contestado. Era o absolutismo representado pela célebre frase de Luís XIV: "O Estado sou eu".

Locke(1632-1704) defendia a limitação do poder real. A liberdade do homem no estado da natureza não se perderia dentro do Estado, mas serviria de contraponto do poder o Estado. "A liberdade lockiana é o pilar dos direitos do indivíduo na sociedade liberal". Se a lei não proíbe, deve ser permitido. O poder seria exercido em função de um consentimento político.

Montesquieu(1689-1755) acreditava que o Estado, por sua natureza, tenderia a ser despóstico. Para limitá-lo deveria ser dividido em 3 poderes distintos que se limitariam. O Estado seria erguido e sustentado pela independência e equilíbrio entre os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. "O contrato político ganhava seu detalhamento, sob a forma da democracia representativa".

Rosseau(1712-1778) inverteu a lógica de Hobbes. Haveriam 3 momentos de desenvolvimento histórico. No primeiro, o "estado da natureza" o homem vivia em harmonia e felicidade na vida selvagem. Depois seria formada a "sociedade civil", que seria semelhante ao "estado da natureza"hobbesiana. No terceiro momento surgiria o "contrato social", que institui o Estado. A nação tornava-se fonte do poder legítimo.

Estes filósofos constituíram a base dos Estados Nacionais de hoje. Maquiavel apresentou as noções de consenso e legitimidade. O governante deveria conseguir apoio popular. Hobbes estabeleceu o Estado Absoluto, que protegia seus habitantes de se matarem. Locke e Montesquieu fizeram do consenso a base do Estado, surgia a democracia representativa. Rosseau levou a idéia ao extremo associando o consenso com a participação ativa e permanente dos cidadãos. A democracia direta seria o único Estado legítimo e um "reflexo do caráter superior e livre do ser humano".

Primeiras palavras do papa

Há algum tempo que tenho reparado no medo que nossos políticos têm de assumir uma posição pública sobre qualquer assunto polêmico. Semanas atrás, ao ser questionado, o Ministro da Saúde recusou-se a assumir uma posição na questão do aborto. Apesar de argumentar sempre a favor, recusou-se a posicionar-se desta forma.

O próprio Geraldo Alckmin, candidato da oposição, recusou-se a tomar partido na mesma discussão durante a campanha eleitoral. Não tinha motivos para isso. Todos sabem que é um fervoroso católico. Mas os marketing político diz que não se deve assumir posição nestas horas. Todos têm medo dos "progressistas". Sim, pois esta questão já foi associada ao progressismo. Ser a favor da legalização do aborto é ser um ser superior na humanidade.

Nas últimas eleições americanas o candidato democrata também posicionou-se em cima do muro. Disse que como pessoa tinha uma posição mas como futuro presidente tinha outra. Bush, com todos os seus defeitos, foi firme. Disse que era a favor. Isso vindo de um republicano, e não é qualquer um! As pesquisas indicaram que foi um dos seus melhores momentos do debate. Mesmo não concordando com a posição de seu presidente, os americanos reconhecem sempre a coragem de se posicionar em temas polêmicos.

O nosso presidente saiu-se da mesma maneira que o candidato derrotado nos Estados Unidos. Disse que como pessoa sempre foi contra, mas como presidente tinha que pensar na questão da saúde pública e posicionou-se a favor. Não sei como alguém pode ter um moral mutante, para cada tipo de ocasião. Maquiavel defendia que o governante não estava obrigado a seguir a moral comum. Teria seus próprios parâmetros morais.

Criou-se então uma saia justa para a chegada do papa. Um ambiente para forçá-lo a não tocar no assunto e não contrariar nosso monarca. Pois vejam o que disse o papa logo na chegada:

Estou muito feliz por poder passar alguns dias com os brasileiros. Sei que a alma deste povo, bem como de toda a América Latina, conserva valores radicalmente cristãos que jamais serão cancelados. E estou certo que em Aparecida, durante a Conferência Geral do Episcopado, será reforçada tal identidade, ao promover o respeito pela vida, desde a sua concepção até o seu natural declínio, como exigência própria da natureza humana; fará também da promoção da pessoa humana o eixo da solidariedade, especialmente com os pobres e desamparados.


O respeito que tenho pelas pessoas públicas sempre aumenta quando vejo assumirem posições firmes. Posso não concordar com elas, mas as respeito. Bento XVI em uma frase falou para quem quis escutar. A Igreja Católica é contra o aborto e a eutanásia. Mas o que mais deixa os progressistas revoltados é o trecho seguinte:

A Igreja quer apenas indicar os valores morais de cada situação e formar os cidadãos para que possam decidir consciente e livremente; neste sentido, não deixará de insistir no empenho que deverá ser dado para assegurar o fortalecimento da família...
O papa insiste que a posição de sua Igreja é de norte moral, mas a decisão de seguir os preceitos de sua fé é um ato consciente e livre. E isso irrita profundamente nossos progressistas. Muitos defendem que estas questões não dependem da vontade da pessoa, como disse nosso guia: o sexo é uma necessidade natural do indivíduo. Assim como o crime é quase uma culpa da vitima. O criminoso normalmente é um pobre coitado que foi oprimido pela sociedade cruel.

Pois o papa entende que nós fazemos nossas escolhas morais, e que devemos arcar com as conseqüências delas. O que estou de pleno acordo. E torço para que nossos políticos tomem posições firmes sobre o que acreditam. Posso discordar, mas sem dúvida vou respeitá-los um pouco mais.

quarta-feira, maio 09, 2007

Treinamento de inglês

Para treinar os alunos da PG Transporte a proferir exposições em congressos
internacionais, a coordenação irá marcar em breve um teste de avaliação.
Será considerado apto, e não passará pelo curso intensivo, o aluno que
conseguir proferir as frases abaixo com pronúncia impecável.
A Coordenação

Basta conseguir falar o seguinte:

1. Módulo básico

Em português : Três bruxas observam três relógios Swatch. Que bruxa
observa qual relógio ?

Em inglês : Three witches watch three Swatch watches. Which witch
watches which Swatch watch ?


2. Módulo avançado

Em português : Três bruxas "travestis" observam os botões de três
relógios Swatch.
Que bruxa travesti observa os botões de qual relógio Swatch ?

Em inglês : Three switched witches watch three Swatch watch switches.
Which switched witch watches which Swatch watch switch ?


3. E agora, para especialistas...

Em português : Três bruxas suecas transexuais observam os botões de
três relógios "Swatch" suíços.
Que bruxa sueca transexual observa qual botão de que relógio Swatch
suíço ?

Em inglês : Three Swedish switched witches watch three Swiss Swatch
watch switches.
Which Swedish switched witch watch which Swiss Swatch watch switch?

(Cortesia do Cazelli)

Diferença

terça-feira, maio 08, 2007

Torcida não compareceu?

Não consigo entender como até mesmo o Bebeto de Freitas entrou nesta de que a torcida do Botafogo não compareceu no domingo. Eu estava lá. A torcida do Flamengo era maior? Claro que era. O dobro? Não chegou a tanto.

O que ninguém falou até agora foi que todos os ingressos foram vendidos. Queriam colocar botafoguenses onde? Os ingressos praticamente terminaram na quinta! Tinha mais rubro-negro no estádio pelo simples fato que a torcida é maior. Nada mais do que isso. Não há divisão de carga de ingressos no Rio como acontece, por exemplo, em Belo Horizonte.

O Botafogo deve mais é agradecer à sua torcida. Ela é pelo menos três vezes menor do que a do Flamengo, no entanto foi mais do que a metade no domingo. Isso quer dizer que seus torcedores correram para garantir seus ingressos com a confiança e a paixão de costume. Quer saber: foi maior do que se esperava! Deve-se lembra que sozinha ela colocou 50 mil pessoas contra a Cabofriense. Se tivesse lugar colocaria no mínimo isso no domingo. Foi uma simples questão de limitação de lugar. Ela está mais do que de parabéns.
Blog do Cláudio Humberto:

Os diplomatas estão envergonhados com a subserviência do governo Lula ao da Bolívia, que ameaça expulsar 35 mil famílias brasileiras da região de fronteira. Em vez de ameaçar com a expulsão de bolivianos que vivem no País ilegalmente, o secretário-geral Samuel Pinheiro Guimarães enviou a La Paz o embaixador Oto Agripino Maia, entre 23 e 27 de abril, para pedir que a expulsão das famílias se faça de forma “humana, ordenada e cooperativa”. A expressão está em comunicado distribuído pelo Itamaraty às embaixadas, destacando que o governo brasileiro também "registrou o acatamento irrestrito da soberania boliviana e dos seus mandamentos". Oto Maia, que tem ótimo conceito entre os colegas, mas se submeteu a esse triste papel, é subsecretário-geral das Comunidades Brasileiras no Exterior.


Pois é. E a imprensa em geral considerou Lula como um gênio das relações internacionais pela forma equilibrada e responsável como tratou a Bolívia. É muito fácil evitar conflitos quando se cede a todas as exigências. O grande problema é que além de contrariar os interesses nacionais, cria uma expectativa por novas pressões. Cria-se um ciclo. Como acreano só tenho um medo: que Morales resolva exigir o meu estado de volta. Por que se exigir...

Rolo compressor

Quem são os excluídos?

Cenário: "Pai trabalhador e filho estudante dentro do carro a caminho da escola"


Filho: Pai, já que roubaram o som do carro vamos conversar um pouco?

Pai: Claro filho

Filho: Pai, o que é inclusão social?

Pai: Bom filho, é que muitas pessoas têm muito e outras nada têm, a inclusão consiste em dar direitos iguais a todos.

Filho: Ah tá, os integrantes do MST são um exemplo de excluídos né?

Pai: Isso filho.

Filho: Pai, o que eu devo ser quando crescer?

Pai: Bom, primeiro escolha uma profissão que você goste, depois estude muito, mas muito mesmo e depois trabalhe muito mais, dia e noite, só assim você será alguém na vida.

(Atrasados para a escola, o pai pára sobre a faixa de pedestres e é multado, além de ser maltratado pelo policial).

Filho: Pai, o que houve?

Pai: Fomos multados filho

Filho: Mas por que?

Pai: Porque estávamos bloqueando a passagem filho.

(Um pouco adiante o trânsito pára, a marcha do MST está passando).

Filho: Pai, por que eles estão bloqueando nosso caminho?

Pai: É a marca do MST filho.

Filho: Ah tá, e aqueles policiais estão multando eles né?

Pai: Não filho, estão escoltando eles.

Filho: Ué, mas nós estávamos bloqueando a passagem e fomos multados e maltratados, e eles estão bloqueando tudo e são escoltados?

Pai: (silêncio)

Filho: E o que é aquilo ali?

Pai: É o refeitório deles.

Filho: Ah sei, lá eles gastam aqueles vales-refeição igual ao seu,que a pessoa ganha da empresa na qual trabalha.

Pai: Não filho, o governo paga a alimentação pra eles.

Filho: Ué, e por que não paga pra você também?

Pai: (silêncio)

Filho: E aquela ambulância lá? Ah já sei, é por causa do plano de saúde

que eles pagam né, como você, paga pra poder ter assistência médica né?

Pai: Não filho, eles não pagam plano de saúde.

Filho: Ué, não entendi.

Pai: É o governo que está pagando essas ambulâncias que você está vendo.

Continua ...


Filho: E por que você paga plano de saúde então?

Pai: (silêncio)

Filho: Por que a maioria deles está com rádio?

Pai: Porque o governo doou 10.000 radinhos pra eles se comunicarem.

Filho: Pô e a gente sem som no carro, e você fala que precisa trabalhar pra comprar outro, vamos pedir pro governo então.

Pai: Eles não nos dariam filho.

Filho: Ah, já sei. Você reclama que paga 40% de tudo que ganha pro governo, mas com certeza eles pagam muito mais né? Eles têm todas essas regalias.

Pai: Não filho, eles não pagam nada.

Filho: Como assim?

Pai: (pensativo, em silêncio).

Filho: Pai quero parar pra falar com eles.

Pai: Não adianta filho, eles só falam através de assessor de imprensa.

Filho: Que legal, vamos contratar um assessor de imprensa pra nós pai?

Pai: Filho isso é muito caro, eu precisaria trabalhar o triplo do que trabalho pra poder pagar um assessor de imprensa.

Filho: Mas eles nem trabalham e têm?

Pai: Mas é o governo que paga filho.

Filho: Pai, não foram eles que invadiram um prédio público e fizeram a maior bagunça?

Pai: Foram sim, filho

Filho: E o que aconteceu com eles?

Pai: Nada filho.

Filho: E por que eu fiquei de castigo e levei uma baita bronca porque quebrei a lâmpada do poste jogando bola.

Pai: Porque você tem que cuidar e respeitar o patrimônio público filho.

Filho: E eles não precisam?

Pai: (silêncio)

Filho: Pai vamos com eles?

Pai: Claro que não filho, você precisa estudar e eu preciso trabalhar.

Filho: O QUÊ? PODE PARAR! EU VOU COM ELES. APRENDI QUE OS EXCLUÍDOS SOMOS NÓS. QUERO MINHA INCLUSÃO JÁ!!

(desce do carro e se junta à passeata).

Pai: (silêncio ...).

segunda-feira, maio 07, 2007

Alguém anotou?

Notas da decisão

A torcida do Botafogo tem toda a razão em reclamar do impedimento mal marcado no lance do Dodô. Mas do cartão vermelho não. É nítido que o jogador escutou o apito, tanto que tocou a bola de maneira displicente diante de um Bruno parado.

As críticas ao fato de Cuca não ter treinado penaltis são coisas de comentários de resultados. Se tivesse vencido estaria sendo tratada agora como uma tática decisiva, por dar confiança ao elenco. Como perdeu, virou burrice do treinador.

Enfim Clayton fez uma boa partida. Principalmente por ter assumido a liderança do time. No primeiro tempo ficou claro que os jogadores rubro-negros estavam se escondendo na saída de bola, obrigando Bruno a dar chutão. Clayton a cada bola defendida pelo goleiro abria pela direita e levantava a mão pedindo bola. O time ganhou confiança.

Correta a atitude de Souza em acusar um desvio quando estava na barreira e possibilitando que o árbitro corrigisse uma marcação equivocada.

Botafogo e Flamengo empataram 3 vezes no campeonato. Em todas o Botafogo esteve mais próximo da vitória e perdeu as oportunidades de definir a partida. Tem o melhor time para ganhar a Copa do Brasil, mas tem que aprender a decidir o jogo.

domingo, maio 06, 2007

Campeão!!!!


Não tem muito para dizer agora. Cheguei do Maracanã a pouco tempo e estou assistindo tudo sobre o título na televisão. É uma massagem no ego. Ainda mais para quem não viu os lances com detalhe que só a tv pode mostrar.

O primeiro tempo pode ser apagado. O Flamengo começou melhor mas logo o Botafogo equilibrou e ganhou o meio campo. Chamou-me atenção o fato dos jogadores rubro-negros se esconderem na saída de bola, obrigando o goleiro Bruno a sair com chutões. Mas nada que fizesse o placar de 0 X 0 injusto.

O segundo tempo foi outro jogo. Aos 7 Souza abriu o placar. Festa da torcida, o primeiro passo tinha sido dado. Quando, minutos depois, o time perdeu um ataque em 3 x 2 falei que não se podia perdeu uma chance destas.

O castigo foi implacável. Dois gols do Botafogo e silêncio na torcida do Flamengo. Virada e título ao alcance das mão alvinegras. Então os jogadores botafoquenses começaram a perder chances de definir a partida. E comecei a ficar animado. Abria-se uma janela.

Uma janela que Renato Augusto aproveitou acertando um chute que nunca tinha acertado antes. Coisas de decisão e de time campeão.

No final o lance polêmico do jogo. Dodô recebe bola e o bandeirinha sinaliza impedimento. O juiz marca. Errado porque o atacante tinha condições. Agora dizer que Dodô não escutou o apito é exagero. O goleiro do Flamengo parou no lance e o que é mais nítido: o atacante faz o gol em uma finalização displicente.

Termina com a expulsão de Dodô. E logo depois o fim da partida.

Disputa de penaltis. Confesso que não assisti nenhum deles. Fiquei olhando para a torcida do Flamengo e comemorei junto com ela. No final 4 x 2 e mais um título carioca. O 29, um a menos que o Fluminense.

E tenho dito!

Eleições na França

A França vai hoje às urnas eleger seu novo presidente. A disputa está entre Sarkozy, representando a direita, e Royal a esquerda. O comparecimento do primeiro turno foi de 85% mostrando que quando os candidatos conseguem despertar o interesse do eleitor, não precisa obrigá-lo a comparecer. O que dizer de nosso sistema que mesmo com o estado empurrando não chegou a este comparecimento?

A reportagem do Globo é dessas peças freqüentes da mídia engajada, o que fica patente nas opiniões dos franceses retratadas na matéria. São três opiniões à favor de Royal acentuando seu caráter humanista e duas pró Sarkosky, só que defendendo-o com argumentos machistas ou reacionários, como se todo o eleitor francês que vote nele seja por estes dois motivos.

E dentre estes três chamou-me a atenção a de um 'empresário' que se diz eleitor histórico da direita e que passou a votar na esquerda ao conhecer o... Brasil! Segundo ele o que viu nas terras tupiniquins o encheu de revolta contra os efeitos do... liberalismo!

Ora, se tem uma coisa que nunca deu as caras por aqui foi justamente o liberalismo. Como pode ser classificado de liberal um modelo em que o estado tunga anualmente 50% do que é produzido no país e se mete até na educação sexual que os pais dão a seus filhos?

Só faltou a Heloísa Helena falando do modelo neo-liberal de FHC e Lula...

Teoria Geral do Estado

Brilhante artigo de João Ubaldo Ribeiro no Globo de hoje intitulado Teoria Geral do Estado. Faz uma análise crua do estado brasileiro atual.

Começa afirmando que o atual presidente "encarna uma perigosíssima combinação de inteligência, esperteza e ignorância, ruim para ele e péssima para nós".

Ubaldo questiona se não seria nosso modelo de estado totalitário na medida que intervém em tudo, desde nos forçar a votar para um governo que só se respeita por conveniência, a nos ensinar a falar a própria língua?

Não, afirma. Somos mais complexos. "O fato humilhante de que nos (des)governam por Medidas Provisórias e por uma burocracia diabólica, nos aproxima do totalitarismo." Acrescenta que é de convicção geral que se rouba em todas as áreas de atividade no Brasil, e nisso inclui além das altas autoridades, as pessoas comuns que por exemplo, que colocam valor alterado na nota fiscal do almoço para tungar a empresa para qual trabalha.

Segundo Ubaldo somos um híbrido ainda não sedimentado. Existe um estado úbere, onde "mamam bacorinhos selecionados, cada um com um bocão maior do que o outro." Temos um estado saco-sem-fundo no qual contribuem os que pagam impostos.

E aí que vem a sua crueza. Ao contrário do que se acredita, os barões não pagam impostos, repassam. E também "ao contrário do que se julga, os que recebem bolsa família e outras caridades apenas pensam que mamam, porque estão pagando impostos em tudo que compram e o resto é pago não pelos barões, mas por eles mesmos..."

A transferência de renda que existe é da classe média que "no dizer de alguns compositores, jornalistas e palpiteiros gerais, devia ser toda fuzilada" para o governo entrando na classe dos pseudo-mamantes.

E conclui que o nosso modelo de estado é o estado úbere e o estado esmoler.Alerta para o perigo de um plebiscito juntamente com o bolsa-família nos levar a um imperador, o maior desde Nabucodonossor.

ps: se você não sabe o que úbere, eu também não sabia. Depois de uma consulta ao dicionário: abundante, fecundo.

The Deep End Vol 1 e 2

Em agosto de 2000 o Gov't Mule perdia seu baixista, Allen Woody. No ano seguinte surge a idéia de fazer um disco em sua homenagem. Até aí nada de novo. Surge a idéia de chamar para cada faixa um baixista diferente, amigos e referências de Woody. Aí temos mágica.

O disco é uma aula de rock'n'roll do início ao fim. É simplesmente fabuloso. É escutando álbuns como este que se entende o que leva uma banda a ser acima das outras. A ser especial.

O próprio Warren afirmou que Woody gostava de baixistas com personalidade. Não adiantava que fosse bom, tinha que se expressar ao tocar seu instrumento. Fiel à sua memória, Haynes compôs a maioria das músicas especialmente para o trabalho, muitas em parceria com os convidados. Outros gravaram suas próprias músicas, tornando-se covers fantásticos.

E é assim que desfilam 25 baixistas nos dois volumes que formam o projeto inteiro. De cara simplesmente um monstro: Jack Bruce, baixista de uma das duas maiores influência do Mule, o Cream.

A outra grande influência? Jimi Hendrix Experience. E Bill Cox também está no disco tocando uma das músicas celebrizadas pelo mestre da guitarra: Catfish Blues. O curioso é que ao que se sabe Hendrix nunca tocou esta faixa quando Cox estava na banda.

Mais baixistas? Que tal nomes como John Entwistle (Who), Jack Cassady (Jefferson Airplane),Chris Squire (Yes), Roger Glover (Deep Purple), Tony Levin (King Crimson), Les Claypool (Primus), Jason Newstead (Metallica) e tantos outros.

Minhas preferidas?

Banks of the Deep End, com Mike Gordon é simplesmente linda. Puro talento. Soulshine com Willie Weeks é mais linda ainda, um baladão fantástico. Worried Down With the Blues traz a galera do Allman Brothers (Greg Allman, Oteil Burbridge,Derek Trucks). Beautifully Broken com Stefan Lessard, Time To Confess com Georg Potter Jr, World Of Confusion com Tony Levin. Quer saber? Melhor escutar o disco inteiro!

Sim, Allen Woody também está lá com um cover do Grand Funk Railroad: Sin's A Good Man's Brother. Para emocionar.




Não tenho mais dúvidas: o Gov't é a melhor coisa que surgiu nos últimos 20 anos. Devo fazer uma recomendação entretanto: cuidado ao se iniciar em seu som. É como uma droga, você fica dependente e é difícil de parar!

Nota 10. Com Louvor.