terça-feira, maio 22, 2007

A Grande Parada


Jean François Revel é professor de filosofia e membro da Academia Francesa de Letras desde 1997. Desde 1987 alerta a França sobre os riscos do terrorismo contra a democracia. Sua análise de regimes políticos possui foco na dissecação dos efeitos da esquerda em suas várias modalidades.

Em A Grande Parada, de 2000, estuda a sobrevivência da utopia socialista, sobretudo depois do fracasso dos regimes comunistas em todos os locais onde foi adotado.

Identifica o liberalismo não como uma ideologia, mas como a observação de fatos históricos acontecidos e a busca dos pontos em comum com os regimes econômicos que funcionaram. Segundo ele o liberalismo democrático não se propõe a ser o modelo superior de uma sociedade, mas simplesmente o que melhor produz resultados na prática.

Esta aliás é uma das temáticas do livro. A recusa dos socialistas em aceitar que a ideologia foi responsável por milhões de mortes em todo o mundo. Revel recusa a distinção do socialismo real do socialismo utópico. Argumenta que o regime comunista soviético seguiur exatamente o que pregava o marxismo-leninismo, que o regime é criminoso em sua própria essência.

Faz um ataque feroz ao totalitalismo, e questiona por que o totalitarismo soviético não recebe da intelectualidade européia o mesmo tratamento do nazismo. Aponta as muitas semelhanças entre as duas ideolgias e fica claro que Hitler se inspirou nas obras de Marx e Lenin para montar seu modelo de estado.

Faz um distinção importante. O nazismo nunca negou sua vocação anti-democrática. Hitler achava a prática um erro e tratou de sepultá-la na Alemanha. Os comunistas russos diziam-se democráticos, e em nome da preservação desta democracia a combateram e a extirparam da União Soviética.

Disseca também o virulento ataque à obra O Livro Negro do Comunismo que, à partir do estudo sistemático dos arquivos soviéticos levados a publico após o fim da Cortina de Ferro, estabelece com números o tamanho dos crimes da ideologia. Segundo Revel, os socialistas recusam-se a aceitar que foram cúmplices de um dos maiores crimes da história humana.

Critica de forma veemente a concentração do poder econômico na mão do Estado e a rede de proteção social incompatível com seu tamanho. Cita a França como exemplo de suas principais conseqüências: a estagnação e o desemprego.

Apresenta como os dois grandes motivos para a sensação de conforte em pertencer a um grande aparato estatal dois temores que existem em cada um de nós: o medo da concorrência e o medo da responsabilidade.

"A grande arte econômica consiste um obter do poder público que ele saqueie meu vizinho em meu próprio benefício, se possível sem que ele fique sabendo para quem vai o dinheiro que lhe foi roubado."

No capítulo denominado Extrema Esquerda e Antiamericanismo faz um retrato francês que o leitor associa com facilidade à realidade da América Latina.

Quando exemplifica o discurso da extrema esquerda "é preciso fazer com que os ricos paguem tudo, ou seja, impedí-los de ganhar dinheiro; os jornalistas são, sem excessão, lacaios do capital e do poder político" quase dá para escutar a voz de Heloísa Helena e seu PSOL.

O antiamericanismo é o discurso suficiente para unir as extremas esquerda e direita contra um inimigo comum. Vale a máxima: os Estados Unidos estão sempre errados. Lembra que na questão de Kosovo, os americanos foram chamados pela União Européia para evitar o desastre de um problema criado exclusivamente pelos próprios europeus. Não havia, neste caso, nenhum interesse econômico americano na região. Pois a intervenção foi vista como indevida, caso tivessem recusado seria vista como desprezo por um conflito que envolvia apenas vidas humanas.

O exemplo mais claro foi o da unificação alemã. A europa viu com desconfiança, principalmente por parte de Thatcher e Mitterrand. Foi George Bush, ao deixar claro aos beligerantes russos que ameaçavam Gorbatchev, que não admitiria a repetição da primavera de Praga na RDA que deu sustentação política ao chanceler alemão, Helmut Kohl.

Não foi por acaso que em 9 de novembro de 1999, na cerimônia de comemoração do décimo aniversário da queda do Muro de Berlin "os únicos heróis do dia tenham sido Helmut Kohl, Mikail Gorbatchev e George Bush".

Revel faz um retrato atual da operação em curso de intelectuais e boa parte da mídia em mascarar os efeitos nocivos do socialismo e defender a utopia como uma etapa superior da humanidade.

Junto com o Manual do Perfeito Idiota Latino_Americano é um livro da cabeceira para os que acreditam ter sido o socialismo a grande peste do século passado, e que ainda persiste nos dias atuais apesar de todas as provas históricas do seu fracasso.

3 comentários:

Alexandra disse...

Eu acho que nao tem que ser tudo ou nada. O socialismo nao tem que ser sinônimo única e exclusivamente do sistema político e economico da URSS, Cuba e China. Também nao acredito no liberalismo puro. Continuo acreditando em uma mistura dos dois - o chamado social liberalism, ou welfare liberalism, que existe no Canada desde a decada de 1960.
http://en.wikipedia.org/wiki/Liberalism_in_Canada

Marcos Guerson Jr disse...

Eu já acho que a liberdade do indivíduo, desde que não atente contra as leis da sociedade, deve ser absoluta, e o mesmo deve arcar com as consequências dos seus atos. O que faz de mim um liberalista, ou um conservador.

Claro que não devemos ter um pensamento puro, o que também faz parte de nossa liberdade.

O que Revel coloca é que o liberalismo não é uma antítese do socialismo. Ele não se vê como ideologia política, mas como um conjunto de práticas que mostraram-se historicamente capazes de levar uma nação ao sucesso, tais como a livre concorrência, o livre comércio, a meritocracia, as liberdades individuais.

Lembra no livro que as mais importantes conquistas sociais foram implementadas por governos liberais, e não por socialistas. São nos países liberais onde os sindicatos são mais fortes.

Por fim, acredito que não há atividade humana que a sociedade não consiga fazer melhor do que o estado. Não acredito no estatismo, principalmente no estado como grande promotor da economia. Esta receita sempre foi utilizada na América Latina e as conseqüências estão aí para todos verem. Já o Chile, que nas últimas duas décadas tem seguido o receituário realmente liberal tem crescido em ritmo constante e reduzido suas desigualdades sociais.

Anônimo disse...

manero,é uma pena que que nossos
intelectuais mundo a fora não
queira discutir fatos como este
e assim a maioria dos jóvens e velhos continuam sendo inludidos
descaradamente, e endeusando a
olga benário e o guevara que não
passavam de terroristas covardes,
se não tivessem sido eliminados
quantas bombas acham que eles ex-
plodiriam ? como sempre em mercados
estações rodoviárias etc: etc:
grato. antonio salvador-ba