quinta-feira, maio 10, 2007

Primeiras palavras do papa

Há algum tempo que tenho reparado no medo que nossos políticos têm de assumir uma posição pública sobre qualquer assunto polêmico. Semanas atrás, ao ser questionado, o Ministro da Saúde recusou-se a assumir uma posição na questão do aborto. Apesar de argumentar sempre a favor, recusou-se a posicionar-se desta forma.

O próprio Geraldo Alckmin, candidato da oposição, recusou-se a tomar partido na mesma discussão durante a campanha eleitoral. Não tinha motivos para isso. Todos sabem que é um fervoroso católico. Mas os marketing político diz que não se deve assumir posição nestas horas. Todos têm medo dos "progressistas". Sim, pois esta questão já foi associada ao progressismo. Ser a favor da legalização do aborto é ser um ser superior na humanidade.

Nas últimas eleições americanas o candidato democrata também posicionou-se em cima do muro. Disse que como pessoa tinha uma posição mas como futuro presidente tinha outra. Bush, com todos os seus defeitos, foi firme. Disse que era a favor. Isso vindo de um republicano, e não é qualquer um! As pesquisas indicaram que foi um dos seus melhores momentos do debate. Mesmo não concordando com a posição de seu presidente, os americanos reconhecem sempre a coragem de se posicionar em temas polêmicos.

O nosso presidente saiu-se da mesma maneira que o candidato derrotado nos Estados Unidos. Disse que como pessoa sempre foi contra, mas como presidente tinha que pensar na questão da saúde pública e posicionou-se a favor. Não sei como alguém pode ter um moral mutante, para cada tipo de ocasião. Maquiavel defendia que o governante não estava obrigado a seguir a moral comum. Teria seus próprios parâmetros morais.

Criou-se então uma saia justa para a chegada do papa. Um ambiente para forçá-lo a não tocar no assunto e não contrariar nosso monarca. Pois vejam o que disse o papa logo na chegada:

Estou muito feliz por poder passar alguns dias com os brasileiros. Sei que a alma deste povo, bem como de toda a América Latina, conserva valores radicalmente cristãos que jamais serão cancelados. E estou certo que em Aparecida, durante a Conferência Geral do Episcopado, será reforçada tal identidade, ao promover o respeito pela vida, desde a sua concepção até o seu natural declínio, como exigência própria da natureza humana; fará também da promoção da pessoa humana o eixo da solidariedade, especialmente com os pobres e desamparados.


O respeito que tenho pelas pessoas públicas sempre aumenta quando vejo assumirem posições firmes. Posso não concordar com elas, mas as respeito. Bento XVI em uma frase falou para quem quis escutar. A Igreja Católica é contra o aborto e a eutanásia. Mas o que mais deixa os progressistas revoltados é o trecho seguinte:

A Igreja quer apenas indicar os valores morais de cada situação e formar os cidadãos para que possam decidir consciente e livremente; neste sentido, não deixará de insistir no empenho que deverá ser dado para assegurar o fortalecimento da família...
O papa insiste que a posição de sua Igreja é de norte moral, mas a decisão de seguir os preceitos de sua fé é um ato consciente e livre. E isso irrita profundamente nossos progressistas. Muitos defendem que estas questões não dependem da vontade da pessoa, como disse nosso guia: o sexo é uma necessidade natural do indivíduo. Assim como o crime é quase uma culpa da vitima. O criminoso normalmente é um pobre coitado que foi oprimido pela sociedade cruel.

Pois o papa entende que nós fazemos nossas escolhas morais, e que devemos arcar com as conseqüências delas. O que estou de pleno acordo. E torço para que nossos políticos tomem posições firmes sobre o que acreditam. Posso discordar, mas sem dúvida vou respeitá-los um pouco mais.

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