domingo, maio 06, 2007

Teoria Geral do Estado

Brilhante artigo de João Ubaldo Ribeiro no Globo de hoje intitulado Teoria Geral do Estado. Faz uma análise crua do estado brasileiro atual.

Começa afirmando que o atual presidente "encarna uma perigosíssima combinação de inteligência, esperteza e ignorância, ruim para ele e péssima para nós".

Ubaldo questiona se não seria nosso modelo de estado totalitário na medida que intervém em tudo, desde nos forçar a votar para um governo que só se respeita por conveniência, a nos ensinar a falar a própria língua?

Não, afirma. Somos mais complexos. "O fato humilhante de que nos (des)governam por Medidas Provisórias e por uma burocracia diabólica, nos aproxima do totalitarismo." Acrescenta que é de convicção geral que se rouba em todas as áreas de atividade no Brasil, e nisso inclui além das altas autoridades, as pessoas comuns que por exemplo, que colocam valor alterado na nota fiscal do almoço para tungar a empresa para qual trabalha.

Segundo Ubaldo somos um híbrido ainda não sedimentado. Existe um estado úbere, onde "mamam bacorinhos selecionados, cada um com um bocão maior do que o outro." Temos um estado saco-sem-fundo no qual contribuem os que pagam impostos.

E aí que vem a sua crueza. Ao contrário do que se acredita, os barões não pagam impostos, repassam. E também "ao contrário do que se julga, os que recebem bolsa família e outras caridades apenas pensam que mamam, porque estão pagando impostos em tudo que compram e o resto é pago não pelos barões, mas por eles mesmos..."

A transferência de renda que existe é da classe média que "no dizer de alguns compositores, jornalistas e palpiteiros gerais, devia ser toda fuzilada" para o governo entrando na classe dos pseudo-mamantes.

E conclui que o nosso modelo de estado é o estado úbere e o estado esmoler.Alerta para o perigo de um plebiscito juntamente com o bolsa-família nos levar a um imperador, o maior desde Nabucodonossor.

ps: se você não sabe o que úbere, eu também não sabia. Depois de uma consulta ao dicionário: abundante, fecundo.

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