quarta-feira, maio 02, 2007

Um conto

Estou fazendo um curso de pós-graduação em Língua Portuguesa, com o intuito de redigir textos de melhor qualidade. Uma tarefa recente foi produzir um conto curto. O objetivo era praticar a estruturação e a forma de escrevê-lo. Como tinha que ser curto não havia muito espaço para desenvolver uma idéia mais elaborada. Segue o que conseguir conceber.

Lucas e Amanda

Lucas era apaixonado por Amanda. Tratava-se de algo que não conseguia explicar. Nunca trocaram mais do que palavras cordiais e nem mesmo a achava tão bonita assim. Mas sabia que a amava.

Os colegas da faculdade faziam “troça” dele. A moça só queria estudar, diziam. Realmente as próprias amigas afirmavam que ela era de temperamento fechado, de poucas palavras e que se dedicava inteiramente aos estudos. Não possuía amigas íntimas e eram de opinião de que Amanda era, antes de tudo, uma solitária. E muito tímida.

Lucas fazia de tudo. Convidava-a para passear, ir ao cinema, fazerem trabalho juntos. Qualquer coisa, dizia ele. Mas Amanda... Amanda sempre recusava. Polidamente, mas recusava. Se Lucas expressava sua admiração, a moça corava e desviava o olhar. Temendo afastá-la o rapaz se continha. Mandava-lhe flores, bombons, cartas, poemas. Nada adiantava. Nem mesmo sabia como seus presentes eram recebidos porque Amanda simplesmente agia como se nada tivesse acontecido.

Um dia Lucas foi direto: disse que gostava dela e queria um encontro. Ela recusou. Perguntou então o que podia fazer para que ela o aceitasse. A moça, já irritada diante de tanta insistência, foi taxativa:

__ Me esquece! Não! Nem se você aparecer debaixo da minha janela vestido de príncipe, tocando harpa e cantando o hino do Flamengo!

Pobre Lucas. Como riram dele. Os amigos haviam escutado, pois ela realmente estava alterada e falara alto demais. Fora o assunto do dia na turma.

Não lembrava o que estava sonhando, mas até hoje Amanda diz para os filhos que acordou naquela noite com um barulho horrível. De princípio não conseguia identificar. Sentou-se na cama ainda sem entender o que estava acontecendo. Escutou algo que parecia vagamente com uma melodia. Não podia ser. Sacudiu a cabeça e tentou prestar mais atenção. Não acreditou quando reconheceu o verso “seja na terra, seja no mar...”.

Levantou-se num pulo e abriu a janela. Lá estava ele. Um príncipe encantado judiando de uma pobre harpa. Das outras janelas escutou gritos e viu luzes sendo acesas. Alguns riam, outros gozavam e havia os irritados. Fechou a janela envergonhada ao ver que olhavam para ela.

Mas o sorriso não conseguiu esconder de si mesma por mais que tentasse.

Nem naquela noite, nem nunca mais.

Nenhum comentário: