sábado, junho 30, 2007

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Apologia de Sócrates/O Banquete

Apologia de Sócrates

Ainda estou maravilhado com este texto de Platão. É um dos mais bonitos que já li na vida e mostra muito do que estamos vivendo hoje. Calúnias, falsidade de um discurso, pré-julgamento, vida espiritual, atitude diante da morte, são temas atuais e lindamente explorados neste curtíssimo livro.

Trata-se da defesa apresentada por Sócrates no processo que o condenou à morte em 399 a.c., movido por Meleto, acompanhado por Anito e Lícon. Basicamente se defende da acusação de corromper a juventude e acreditar em novas divindades. O processo ateniense não previa promotores ou advogados, mas o acusador apresentava seus argumentos e cabia ao acusado interrogá-lo e se defender. Os atenienses presentes julgavam quem tinha a razão.

A primeira parte do livro é a defesa propriamente dita do filósofo. Seus acusadores haviam alertado os cidadãos atenienses que Sócrates poderia enganá-los com sua habilidade de orador.

Inicia seu discurso afirmando que não se apresentaria de nenhum modo "hábil no falar", não usaria um discurso repleto de expressões bonitas e vazias, mas coisas ditas de maneira simples e espontânea, pois "do orador, o mérito é dizer a verdade". Olhando para nossos dias, fico pensando em como mentiras podem ser ditas com tão belas palavras e lembro que a mentira tem várias faces.

Sócrates afirma que se defenderia de dois tipo de acusadores, os antigos e os do processo. E que a primeira defesa seria a mais difícil.

Fala das calúnias, que ao longo dos anos foi se espalhando por Atenas. É mais difícil se defender delas pois não pode se confrontar com os acusadores, e cabe-lhe apenas defender por si mesmo, "sem que ninguém responda". Essas calúnias seriam responsáveis já pela pré-disposição da assembléia em condená-lo.

Ao explicar da onde havia surgido o ódio contra ele, Sócrates explica o verdadeiro sentido da sabedoria. Conta que seu amigo Xenofonte, indo a Delfos, interrogou o oráculo sobre a sabedoria, e este afirmou que ninguém era mais sábio que o filósofo.

Decidido a refutar o oráculo, decidiu procurar homens que fossem mais sábios do que ele, pois não se considerava nem mais nem menos sábio do que ninguém.

Inicialmente procurou um dos conhecidos detentores de sabedoria, um importante político. Examinando-o percebeu que ele parecia ser "um verdadeiro sábio para muitos e principalmente para si mesmo, mas não era sábio". Procurou demonstrá-lo o que causou o ódio do político, e de muitos outros; refletindo Sócrates considerou que era mais sábio do que aquele homem visto que, como ele, não sabe "nada de belo e de bom, mas aquele homem acredita saber alguma coisa, sem sabê-la". Já o filósofo não acredita saber o que não sabe. É o famoso só sei que nada sei.

Da mesma forma procurou os artistas e artífices e constatou o mesmo. Os primeiros, representado pelos poetas, "embora digam muitas e belas coisas, não sabem nada daquilo que dizem". E pelo talento que possuíam julgavam-se sábios em outras coisas, nas quais não eram. Os artífices possuíam muitos conhecimentos específicos e o mesmo defeito, "pelo fato de exercitar bem a própria arte, cada um pretendia ser sapientíssimo também nas outras coisas de maior importância, e esse erro obscurecia o seu saber".

A verdadeira mensagem do oráculo é que a sabedoria humana é de pouco ou nenhum preço e que são sábios "aqueles que, como Sócrates, tenham reconhecido que em realidade sua sabedoria não tem nenhum mérito".

Sócrates revela que a missão que recebeu dos deuses era procurar e investigar os que eram considerados sábios; e quando não, demonstrar que não eram. A verdadeira sabedoria estaria em reconhecer nossos limites, em saber que não se sabe da grande maioria das coisas.

Daí surgiria a acusação de que corrompia os jovens, pois na verdade não sabiam o que fazia ou ensinava. Por não o compreenderem repetiam a acusação destinada aos filósofos: de não acreditar nos deuses. Não pude deixar de pensar na inquisição e também no totalitarismo. O primeiro acusava os homens de não acreditar em Deus, e o segundo de serem contra o estado. Eram incapazes de refutar suas idéias e por isso usavam da calúnia. Sócrates adverte que livrar-se de uma calúnia era extremamente difícil e que era caluniado "por dizer a verdade".

Em seguida passa a defesa das novas acusações. Interrogando Meleto, leva-o a várias contradições demonstrando que as acusações eram pretextos pra levá-lo ao tribunal e condená-lo. "E é isso o que vai me vencer, se eu for condenado... e não Meleto, ou Anito, mas a calúnia e a insídia do povo".

Refuta que deveria ter deixado sua ocupação pelo risco de morrer por ela de forma magnífica:
Não estás falando bem, meu caro, se acreditas que um homem, de qualquer utilidade, por melhor que seja, deve fazer caso dos riscos de viver ou de morrer, e, ao contrário, só deve considerar o seguinte: ao executar qualquer tarefa, deve avaliar apenas se está procedendo de maneira justa ou injusta, se está agindo como homem virtuoso ou desonesto.
Afirma que temer a morte é uma coisa que "parece ter sabedoria, não tendo". Pois ninguém sabe o que significa a morte mas todos a temem, "como se soubessem, com certeza, que é o maior dos males".

Sobre a acusação de corromper os jovens, afirma que o que ensinou foi a dar pouco valor às coisas da matéria e mais ao espírito, de onde sai o pensamento que considera mais bonito de todo o livro:
Por toda parte eu vou persuadindo a todos, jovens e velhos, a não se preocuparem exclusivamente, e nem tão ardentemente, com o corpo e com as riquezas, como devem preocupar-se com a alma, para que ela seja o melhor possível, e vou dizendo que a virtude não nasce da riqueza, mas da virtude vêm, aos homens, as riquezas e todos os outros bens, tanto públicos como privados.
Outra parte interessante é quando afirma que ao condená-lo à morte não causariam mal maior do que a si mesmos pois "não pode acontecer que um homem melhor sofra dano de um pior". Mal maior era procurar matar injustamente um homem.

Era costume na época que o acusado levasse a família ao processo para comover os jurados. Sócrates afirma que assim não o faria, pois desejava defender-se apenas por força de seus argumentos. Os que promovem tal drama nada mais estão fazendo do que demonstrar a própria culpa. Esta me lembrou de nosso presidente do Senado.

Sócrates termina sua defesa afirmando que não iria suplicar sua absolvição, mas esclarecê-los e persuadí-los a tal. Sua defesa estava na verdade.

Na segunda parte, já condenado, o filósofo se vê diante da pena de morte. A ele cabe oferecer uma pena alternativa, uma que o impeça de filosofar. Afirma que passar a vida discorrendo sobre a virtude e examinando a si mesmo e aos outros tratava-se do maior bem de um homem. "Uma vida sem esse exame não é digna de um ser humano".

Não deixaria de seguir sua missão para fugir da morte pois "bem mais difícil era fugir da maldade, que corre mais veloz do que a morte". Teria sido pego pela mais lenta, enquanto seus acusadores pela mais veloz: a maldade. "Assim, eu me vejo condenado à morte por vós: vós, condenados de verdade, criminosos de improbidade e de injustiça. Eu estou dentre da minha pena, vós dentro de vossa".

Na terceira e última parte, Sócrates apresenta sua despedida e novamente fala da morte. Fala que a morte significaria ou o sono eterno, a não existência, ou a mudança de existência, a "migração deste lugar para outro". Mas que a esperança estava nesta última pois acreditava na seguinte verdade:
não é possível haver algum mal para um homem de bem, nem durante sua vida, nem depois de morto; que os deuses não se desinteressam do que a ele concerne; e que, por isso mesmo, o que hoje aconteceu, no que se refere a mim, não é devido ao acaso, mas é a prova de que para mim era melhor morrer agora e ser libertado das coisas desse mundo.
Sua última frase é uma das mais belas e supera qualquer conclusão que eu poderia fazer sobre esta obra magistral:
Mas já é hora de irmos: eu para a morte, e vós para viverdes. Mas, quem vai para a melhor sorte, isso é segredo, exceto para Deus.




ps: Sobre O Banquete falo em outro post.

sexta-feira, junho 29, 2007

Operação no Complexo do Alemão

O saldo da operação da Polícia no Complexo do Alemão no Rio é de 19 mortos. Os engajados de sempre já se adiantam a qualquer investigação e denunciam exageros da polícia, entre esses a OAB.

Por que na dúvida estas entidades estão sempre contra a polícia? As apurações estão sendo feitas, não há imagem do tiroteio, mas são taxativos: 11 dos 19 são inocentes. O que leva a outra pergunta: como sabem que são inocentes?

O fato é que há anos estamos vendo a aliança perigosa das autoridades do Rio com o tráfico. E os resultados estão aí: uma cidade sitiada e convertida em eterna zona de conflito. Existem territórios onde o estado não entra, o que para a soberania é inaceitável.

Quando Sérgio Cabral foi eleito, devido a sua aliança com o casal Garotinho, imaginei que a situação permaneceria a mesma. Mas o que está se vendo é o enfrentamento.

Dizem que a solução não é o enfrentamento. Pois o diálogo e acordos levaram ao caos. A cada acordo, um avanço da bandidagem. O estado não pode aceitar a existência de zonas proibidas e deve agir para libertá-las.

A situação atual interessa a muita gente. Tem ONG ganhando uma nota preta com a exploração da miséria e da violência. Os programas que vejo nos jornais não buscam tirar os habitantes do morro da miséria, mas mantê-los lá e criar uma cultura da miséria. Toda vez que vejo uma ONG promovendo e defendendo um baile funk não deixo de pensar nisso.

Não estou dizendo que não possa ter havido exageros e que os policiais sejam acima do bem e do mal. Não o são. Cabe investigação e punições. Mas deve-se levar em conta que estão debaixo de tiro de um verdadeiro arsenal militar e lutando por suas vidas. O mínimo que se exige de uma situação como esta é respeito e equilíbrio.

Que o governador e seu secretário de segurança não caiam neste papo.
Um bom debate que deveria ser travado de forma mais clara no Brasil é a questão das cotas raciais nas universidades.

Seus defensores aqui no Brasil gostam de citar sempre a experiência americana. Pois levaram um revés ontem com a decisão da Suprema Corte de derrubar o princípio da ação afirmativa, que vigora desde da década de 50.

Nem vou entrar no mérito hoje, estou começando a pesquisar sobre o assunto. Vou sim falar um pouco da reportagem do Globo.

Ao noticiar o fato, o jornal tomou nitidamente a posição a favor da ação afirmativa.

A começar como foi dada a notícia: "a maioria conservadora do tribunal determinou que a raça não pode ser..."

A decisão foi apertada? Foi. Mas daí a dizer que não foi uma decisão do tribunal e sim da "maioria conservadora" vai um alqueire. O Globo deixou, por exemplo, de noticiar que o único negro da Suprema Corte votou contra as cotas. Diante da natureza do debate tratava-se de uma informação importante.

O que mais diz a reportagem? "Os quatro juízes progressistas e que votaram contra apresentaram suas justificativas usando o dobro do espaço (160 páginas) utilizado pelos seus cinco colegas". Duas mensagens nesta passagem: quem é a favor das cotas é progressista, e mais sutil, possui o dobro de argumentos para defender sua posição.

No fim dá destaque a duas opiniões: um senador democrata e um ativista de direitos civis. Ambos favoráveis a cota alertando que a decisão é um retrocesso histórico.

Não, ainda não vou entrar nessa discussão, por enquanto sou só leitor e "escutador", mas o tom da notícia cabia melhor como um artigo de opinião. Como notícia cabia um pouco mais de honestidade intelectual, como por exemplo citar a justificativa de um dos cinco juízes "conservadores".

Mais caro do mundo

quinta-feira, junho 28, 2007

Saldo da ocupação da USP

Ao fim da ocupação da USP verificou-se o resultado: LapTops, computadores, monitores e outras coisas mais roubadas. Estes baderneiros mostraram sua verdadeira face: bandidos. E estão na maior universidade do país, seja como aluno, funcionário ou até professor.

A Folha de São Paulo comprou a versão de uma de suas repórteres que tratava-se de um movimento puro, isento de influência políticas e ideologias, uma espécie de maio de 68 tupiniquim. Pois comprou e vendeu uma bobagem sem tamanho.

Já se sabe que a invasão foi comandada pelo SINTUSP, com PCO, PSOL e PT por trás, querendo obviamente infernizar o governo do Estado. Várias vezes agrediram a imprensa e professores que desejavam trabalhar.

O que se viu foi vandalismo, o que se comprova agora com os furtos.

Uma vergonha.

Mais um ato de violência

Ganhou o noticiário o bárbaro ataque de cinco jovens, de classe média alta, a uma empregada doméstica, em um ponto de ônibus na madrugada do Rio.

Louve-se o papel do taxista que seguiu os marginais e anotou a placa do carro permitindo a identificação posterior.

Como sempre estão especulando as razões que levam um ser humano a cometer um ato dessa natureza. Alguns intelectuais devem estar até lamentando a condição social de agressores e agredida, pois não dá para ficar alardeando a tese de que foi a sociedade que "oprimiu" os meninos e os levou a tal ato. Nem com muita boa vontade dá para colocar o rótulo de verdadeiras vitimas aos jovens presos, como se procura fazer quando ocorrem fatos desta natureza.

Não existe uma só causa. Podemos citar a falta de valores, educação sem limites, ócio, desânimo diante do futuro, impunidade. E mais um monte de outras. A verdade é que trata-se de um ato desumano, sem explicação lógica, e que causa muita tristeza.

Apenas mais um sintoma de que a sociedade está doente. Se fosse uma pessoa isolada, como o coreano que matou os universitários americanos, ainda se poderia ver o desequilíbrio de um homem, uma patologia; mas ao juntar 5 jovens, universitários, sem privações, o que surge é muito mais triste, é a maldade humana mostrando sua face.

E o homem de bem, sim ele existe, choca-se e chora em sua impotência. Mais um triunfo da bestialidade.

Perfeição - Legião Urbana

Correndo hoje escutei esta música do Legião Urbana. Mais uma letra inspirada de Renato Russo que, infelizmente, não perdeu a atualidade passados 13 anos.

Perfeição

Vamos celebrar a estupidez humana
A estupidez de todas as nações
O meu país e sua corja de assassinos
Covardes, estupradores e ladrões

Vamos celebrar a estupidez do povo
Nossa polícia e televisão
Vamos celebrar nosso governo
E nosso estado que não é nação
Celebrar a juventude sem escolas
Crianças mortas
Celebrar nossa desunião

Vamos celebrar eros e thanatos
Persephone e hades
Vamos celebrar nossa tristeza
Vamos celebrar nossa vaidade
Vamos comemorar como idiotas
A cada fevereiro e feriado
Todos os mortos nas estradas
Os mortos por falta de hospitais

Vamos celebrar nossa justiça
A ganância e a difamação
Vamos celebrar os preconceitos
O voto dos analfabetos
Comemorar a água podre
E todos os impostos
Queimadas, mentiras e seqüestros
Nosso castelo de cartas marcadas
O trabalho escravo
Nosso pequeno universo
Toda a hipocrisia e toda a afetação
Todo roubo e toda a indiferença
Vamos celebrar epidemias:
É a festa da torcida campeã

Vamos celebrar a fome
Não ter a quem ouvir
Não se ter a quem amar
Vamos alimentar o que é maldade
Vamos machucar um coração
Vamos celebrar nossa bandeira
Nosso passado de absurdos gloriosos
Tudo que é gratuito e feio
Tudo o que é normal
Vamos cantar juntos o hino nacional
A lágrima é verdadeira

Vamos celebrar nossa saudade
E comemorar a nossa solidão
Vamos festejar a inveja
A intolerância e a incompreensão

Vamos festejar a violência
E esquecer da nossa gente
Que trabalhou honestamente a vida inteira
E agora não tem mais direito a nada
Vamos celebrar a aberração
De toda a nossa falta de bom senso
Nosso descaso por educação

Vamos celebrar o horror
De tudo isso
Com festa, velório e caixão
Está tudo morto e enterrado agora
Já que também podemos celebrar
A estupidez de quem cantou esta canção

Venha, meu coração esta com pressa
Quando a esperança está dispersa
Só a verdade me liberta
Chega de maldade e ilusão
Venha, o amor tem sempre a porta aberta
E vem chegando a primavera
Nosso futuro recomeça:
Venha que o que vem é perfeição...

terça-feira, junho 26, 2007

Heróis de Uma Nação

Saudades

Quem viu, viu. Quem não viu, fica com as imagens.

Comecei a acompanhar futebol em 1981, mais precisamente no mundialito. Fiquei apaixonado com a Copa de 1982, e por Zico jogar no Flamengo, virei rubro-negro. E acompanhei parte da trajetória do fantástico time do período de 1978-1983.

De todos os clubes que vi jogar, foi o melhor. Sim, vi outros grandes como o São Paulo de Telê, o Palmeiras de Edmundo e cia, e até o Vasco de 1997-99. Mas nenhum desses chegou na competência e beleza do time comandado por Zico.

Foram 4 campeonatos cariocas (incluindo um tri), 3 brasileiros, a Libertadores e o Mundial de Toquio.

Tudo começou em 1978 com o gol da Rondineli na final histórica com o Vasco. No ano seguinte, mais dois títulos cariocas (ganhando todos os turnos dos dois campeonatos) e uma eliminação traumática nas quartas do brasileiro diante do Palmeiras no Maracanã. Em 1980 o tão sonhado brasileiro. Em 1981, o ano da glória. Os três títulos em menos de 1 mês: Libertadores, Carioca e Mundial.

E o que foi aquela final de 1981 diante do Liverpool? O time inglês era o melhor da Europa naquele tempo, conquistando 3 títulos europeus em 6 anos. Entrou em campo desdenhando daquele então desconhecido time brasileiro. E quando percebeu já perdia por 3 X 0 com meia hora de jogo. O segundo tempo não existiu. Foi um treino de dois toques do Flamengo diante de um atordoado Liverpool.

O pior para os rivais é que não parou por aí, nos dois anos seguintes vieram mais dois brasileiros. O primeiro conquistado dentro do Olímpico, e outro de virada diante do Santos. O time só parou com a saída de Zico e o famoso gol de Assis na final carioca de 83.

O time que marcou? O inesquecível Raul, Leandro, Marinho, Mozer e Júnior. Andrade, Adílio e Zico. Tita, Nunes e Lico.

Com a vota de Zico ainda viriam os títulos carioca de 1986 e o brasileiro de 1987, com um time de feras: Zé Carlos, Jorginho, Leandro, Edinho e Leonardo. Andrade, Ailton, Zico e Zinho. Renato Gaúcho e Bebeto.

E com o vovô Júnior o carioca de 1991 e o brasileirão de 1992.

Ver este time neste DVD é uma emoção para qualquer rubro-negro. Com a alta rotatividade do mercado atual nunca mais veremos um time desses. Nem qualquer outro time brasileiro.

Imagens que deixam saudades.

segunda-feira, junho 25, 2007

Festa do Sábado

Sábado realizou-se o VII Arraial da Figueroa, na rua em que morei em 2004-2005. Já esta virando uma festa tradicional, onde participam famílias de amigos. Dividimos as despesas e aproveitamos a festa, com direito até a quadrilha improvisada. A maioria se veste à caráter e comparecemos mais uma vez.

Prontos para sair

Minha pequena!


Todos os quatro.

Festa de Sexta


Meu pequeno par



Meu grande par



Tente tirar esta bola da mão dela!

Desânimo

É certo que as coisas andaram agitadas neste fim de semana, mas este não é o único motivo para nada ter escrito neste blog. O fato é que não estava a fim de escrever sobre coisas negativas, e portanto, dentro da realidade brasileira, fiquei sem ter o que escrever.

Não passei da capa dos jornais no fim de semana. Estampados em todas as páginas a crise do sistema aéreo. Mais uma vez. Daqui a pouco fará um ano do acidente da Gol, e nada se fez para resolver os problemas. Desta vez, pelo menos, o governo deixou o abacaxi para a Aeronáutica. O Comandante da FAB está tratando diretamente com o presidente, o que evidencia ainda mais a irrelevância do atual Ministro da Defesa.

A invasão da USP terminou, finalmente. Todos saíram cantando vitória mas o que vi só me deixou mais desanimado. A maior e melhor universidade do país possui docentes com pensamentos que deixariam até Karl Marx envergonhado. O que se produziu de bobagens intelectuais no período foi assustador. Fico seriamente preocupado com um filho meu estudando em um ambiente destes. Um professor que fez sua graduação na Unicamp uma vez perguntou a um colega que fazia sociologia: existe algum aluno do curso que não seja socialista? Ele confessou francamente: não. Faltou dizer que nem conseguiria sobreviver neste ambiente que não o fosse. Não existe discussão sobre o assunto, o capitalismo é o mal da humanidade e o socialismo é a solução. E ponto final.

O que li esta semana no site escolasempartido.org é ainda mais tenebroso. A doutrinação tomou conta até de boa parte das escolas particulares, que teoricamente teriam mais condições de resistir a certas imbecilidades difundidas por aí fora. Mas não, existem até professores que comparam São Francisco de Assis com Chê. Revoltante.

Mais revoltante ainda é assistir impassível a "promoção" de Lamarca. O traidor, assassino covarde e terrorista recebeu o status de "herói", de defensor da democracia. A comissão de Anistia está empenhada em re-contar a estória e transformar todos aqueles que lutaram para implantar uma ditadura comunista no Brasil em democratas que lutavam contra a liberdade. E as vítimas destes mesmos facínoras não recebem uma ínfima parte destas indenizações vergonhosas.

O povo aplaude com sentimento de vingança às prisões inúteis de corruptos pela polícia federal. Esta está no meio de uma verdadeira guerra interna onde princípios e direitos são constantemente violados. É incapaz de produzir provas consistentes, e nenhum processo consegue avançar. Com tanta eficiência que tenta demonstrar ainda fica a pergunta: como não pode ter encontrado a origem de mais de um milhão de reais apreendidos nas mãos de petistas? Por que quando estourou o mensalão nenhum petista foi preso? Por que, mesmo com a confissão do tesoureiro do partido de que gerenciava dinheiro de caixa dois não foi dada uma destas batidas espetaculares na sede do PT em São Paulo?

Recente pesquisa de partidos de oposição demonstra o óbvio: caso fosse possível concorrer em 2010, Lula ganharia de novo. A mensagem é que o que estamos vendo é aceitável, que o governo está fazendo sua parte. Pois só prova o sucesso da mais eficiente operação de compra de votos já produzida: o bolsa-família.

Escrever o que?

sábado, junho 23, 2007

Agito

O blog estará meio parado este fim de semana. Não se trata de uma versão do apagão aéreo(de novo?), mas efeito de dias agitados por conta de duas festas juninas. A principal ocorre hoje a noite, o Arraial da Figueroa, festa organizada por amigos, como nos velhos tempos. Apenas gente conhecida, dividimos as despesas e tudo "de grátis". Enfim, uma festa sem filas, com direito a quadrilha improvisada e fogueira. Como reza a tradição.

quinta-feira, junho 21, 2007

V Rio de Transportes

Este congresso anual reúne os principais cursos de Transportes do Rio de Janeiro (IME, UFRJ, UFF, PUC e UERJ) para tratar de assuntos da área, pesquisas em andamento e artigos científicos. Hoje foi a abertura.

Participei de duas formas. Primeiro através de um painel sobre a minha dissertação, que foi exposto no dia de hoje.

Depois com um artigo científico, que apresentei também hoje.

Deu tudo certo. A responsabilidade de ser o primeiro a apresentar um trabalho, e no primeiro dia, pesa um pouco, mas já estou um pouco calejado em apresentações orais.

Pena que esqueci a máquina fotográfica! Meu primeiro evento como mestrando, meu primeiro artigo, e não tenho uma foto para guardar de recordação!

A verdade é que nos acostumamos a contar com nosso fotógrafo oficial, o Bruno, mas esqueci que estava em um congresso em São Paulo.

Coisas da vida.

Top 5 - Músicas Instrumentais do Rock

5. Transilvania - Iron Maiden

Esta instrumental é simplesmente perfeita. Cheia de peso, com bons solos, transições inspiradas o baixo marcante de Steve Harris. Faz tempo que não a escuto, mas houve uma época de minha vida que a agulha da vitrola (nostálgico? Eu?) sabia o caminho para o início da faixa quase que sozinha.

4. Orion - Metallica

Aqui o show é especialmente do falecido baixista Cliff Burton. A introdução da música é o ponto forte e o clima é maravilhoso. Tempos em que o rock pesado predominava.

3. After the Ordeal - Genesis

Do tempo em que Peter Gabriel era o vocalista, embora por motivos óbvios não cante nesta música e Phill Collins era "apenas" o baterista. E Steve Hackett apresenta uma das melodias mais lindas que já escutei de uma guitarra. Imperdível.

2. Albatroz - Fleetwood mac

Existiu um Fletwood Mac voltado para o blues. Este era comandado pelo genial Peter Green, que além de excelente compositor era um mágico na guitarra. Albatroz é simples e... tocante! Para escutar com as luzes apagadas e refletindo sobre a vida, uma experiência digamos assim... filosófica!

1. In Memory of Elizabeth Reed - The Allman Brothers Band



A banda toda esta perfeita nesta música. Simplesmente magnífica. Uma composição de Dickey Betts com os Brothers ainda em sua formação clássica, com Duane e Berry ainda vivos. São 9 minutos que simplesmente não cansam, e arrepiam a cada acorde.

slogan

quarta-feira, junho 20, 2007

Fugindo ao controle

Triste de ver a tragédia estrelada por Renan Calheiros, presidente do Senado. Não por pena do senador, afinal nada vem de graça; mas por constatar o nível de amoralidade de nossos homens públicos.

Diante da primeira acusação, de que teria se promiscuído com empreiteiros para inclusive pagar a pensão para quem classificou como "a gestante", saiu-se com uma estória e uma documentação que ruiu como um castelo de cartas. Nada se manteve em pé. Acusou a mídia de invadir sua privacidade e expôs vergonhosamente sua esposa para se defender. Nunca se questionou o fato de ter tido uma amante e um filho, mas a suspeita de ter utilizado dinheiro de empreiteiros para pagar a conta, com evidente contrapartida do senador no congresso.

Armou-se um simulacro de investigação no conselho de ética, cujo relator e presidente fizeram de tudo para dar um fim rápido ao processo. Ouvir a "gestante"? Nem pensar, todo temem o que ela pode revelar em um depoimento. O caso ainda pode ser arquivado? Pode. Mas o poder de Calheiros nunca mais será o mesmo, e a imagem do Senado será fortemente arranhada.

É claro que já deveria ter se afastado da presidência e se defendido como um senador comum, igual aos outros. O desespero com que se agarra ao cargo só depões contra sua própria pessoa.

Soma-se ainda o desempenho vergonhoso de Sibá Machado, Romero Jucá, Romeu Tuma e Cafeteira. Fizeram de tudo para jogar a sujeira para debaixo do tapete, e ainda podem conseguir. A própria oposição ficou muda no episódio, destacando-se apenas alguns nomes individuais, como Demóstenes Torres.

Enfim, mais uma página vergonhosa da nova república.

terça-feira, junho 19, 2007

Judas Premiado


Se os comunistas que lutaram de armas nas mãos tivessem vencido e o governo fosse deles, certamente não teriam tido as homenagens e os pagamentos que têm recebido, que já ultrapassaram mais de R$ 2 bilhões, pelo fracasso de suas guerrilhas. Homenagens de nomes de ruas e até de placas, como a que marca o local na cidade de São Paulo onde o comunista histórico Carlos Marighella, guerrilheiro e mentor do terrorismo, foi morto, na emboscada a que o levaram os seus comparsas dominicanos do convento das Perdizes, cumprindo, acovardados, ordens da polícia que os havia prendido ao descobrir que pertenciam, com codinomes inclusive, à guerrilha, no itinerário que fizeram de Cristo a Marx.

O presidente Figueiredo pensava ser a anistia a reconciliação da família brasileira, pelo esquecimento mútuo, que foi só dos vencedores. Absurdos têm sido praticados a começar pela de um amigo desde nosso relacionamento no Senado, onde fomos pares. O presidente Itamar Franco promoveu a brigadeiro um tenente, sem os cursos imprescindíveis ao generalato: aprovação em concurso para a Escola de Estado Maior e sua aprovação nela. O ato partido de um presidente que é oficial de artilharia R2 é, em si, inconcebível.

Abriu-se a porteira para as promoções dos vencidos como se heróis fossem. O eminente sociólogo Fernando Henrique Cardoso, que fora aposentado compulsoriamente como professor da USP, onde pertencia a grupos de estudo e propagação do marxismo, eleito embora com a o auxílio dos partidos que cooperaram com o ciclo militar, sancionou lei que, em vez do esquecimento com que sonhou Figueiredo, viesse a ser indenizatória dos vencidos nas guerrilhas comunistas. Ao assiná-la, disse ser o dia mais feliz de sua vida. Desde então o rio descoberto por Itamar passou a ser torrente. Criaram-se comissões de reparo e de ressarcimento, tão isentas como isento foi Torquemada na alta idade média. Enriqueceram beneficiados paradoxalmente por terem sido vencidos. Mas também por terem matado. A par disso, vieram as promoções por ressarcimento de preterição.

Luiz Carlos Prestes chefiou a Intentona de 1935, causando mortes de militares no Nordeste e no Rio de Janeiro. Passou sua vida na União Soviética servindo a Stalin e a Krushev. Dedicou-a à causa comunista, mas foi no Brasil que recebeu como recompensa a promoção a coronel com vencimentos de general. Chega-se então ao inconcebível. A um capitão desertor, assassino do segurança do embaixador americano Elbrick, que seqüestrou, e de um vigilante de banco, que assaltou, soma-se em seu currículo o roubo de armamento de sua unidade militar, o crime militar mais nefando: o de matar um refém voluntário. Cercado pelo Exército e a PM no Vale da Ribeira, surpreendeu o pelotão do tenente Mendes, da PM de São Paulo, que teve vários soldados feridos gravemente. Para conseguir evacuá-los, parlamentou com o experiente matador, oferecendo-se ficar como refém, o que foi aceito. Estreitando-se o cerco, foi condenado à morte por um "tribunal" e logo executado, de início por uma coronhada de fuzil na cabeça, dada por trás. Logo outros, com a frieza profissional dos verdugos, esfacelaram seu crânio. Dois deles estão vivos.

Àquele que trocou o juramento de defender a pátria pelo celerado que matou, sem direito à defesa, filhos do povo, segurança de embaixador e vigilante de banco, dá-se morte cruelmente. Foi um herói que se sacrificou para salvar seus comandados, confiante na honra dos militares. Carlos Lamarca não mereceu vestir a farda que vestiu na vigília da traição, e agora ganha o traje - mas não a farda - de coronel com a condecoração indelével do perjuro.

Fazem-no merecedor da honraria quem detém temporariamente o poder de transformar um réprobo em herói, um trânsfuga que, jurando dar a vida pela pátria, a ultrajou. Hoje a vilipendiam as comissões de anistia que reverenciam o ultraje. Só resta colocá-los no panteon da pátria.


Jarbas Passarinho

Defesa

Sibá Machado

Sibá Machado nunca venceu uma eleição. Perdeu a prefeitura de Plácido de Castro e no máximo tinha conseguido uma vaga como suplente de deputado estadual. Em manobra stalinista assumiu a presidência do PT no Acre e o comando do partido. Acabou se impondo como suplente de Marina Silva. Como a senadora assumiu desde o início o Ministério do Meio Ambiente, acabou "herdando" simplesmente o cargo de senador da república.

Sibá Machado é um senador sem voto. Vivia num certo ostracismo até que surgiu a CPI dos correios. Nela destacou-se pela defesa implacável do governo e do PT. A dobradinha com Ideli Salvatti era simplesmente um espetáculo à parte. Ganhou o agradecimento e confiança do planalto.

Sibá Machado é o presidente do Conselho de Ética do Senado. Como nem Cafeteira conseguiu seguir até o fim o papel de relator do simulacro de processo contra Renan Calheiros, assumiu ele próprio a relatoria. O senador sem voto tornou-se o defensor da ética no Senado Federal e relator do processo contra o presidente da casa.

Em poucas linhas mais um absurdo que a política brasileira é capaz, e mais uma mostra de como nosso sistema eleitoral é anacrônico. Em tese, um senador sem um único voto poderia ser presidente do Congresso. O resultado é o que está aí.

domingo, junho 17, 2007

Relaxa e goza!

Esportes no domingo

Hamilton impressionante

7 corridas na fórmula: 1. 2 vitórias, 4 segundos lugares e 1 terceiro. Ninguém fez nada parecido do que o inglês Lewis Hamilton está fazendo em sua temporada de estréia. Alonso está inconformado. Felipe fez o que pode para reduzir o prejuízo e conquistou o terceiro lugar, mas já vê o inglês bem à frente. Se a Ferrari não encostar rápido na McLaren ficará tarde para a reação. Em 7 corrida simplesmente o inglês não errou e aparentemente é incapaz de sentir a pressão. Absolutamente notável.

Real Madrid Campeão

Não sobrou emoção no Santiago Bernabeu. O Mallorca saiu na frente e por várias vezes teve a chance de fazer o segundo gol e acabar com o sonho do time da casa. O Real já começava a dar pinta de desespero total quando Reyes em seu primeiro toque na bola empatou a partida na metade do segundo tempo. Ainda era pouco pois o Barça goleava. Pouco depois o Real fez mais dois e sacramentou o título. Até Capelo mostrou que tem emoção.

Botafogo líder

O Botafogo aproveitou bem o jogo a mais e abriu 5 pontos de vantagem sobre o Corinthians. Não acredito no timão, nem no Paraná ou no Palmeiras. Os rivais para valer são Santos e São Paulo. O time de General Severiano está adquirindo importante gordura para queimar, e tem sim time para ganhar o campeonato. Mas o goleiro Júlio César está começando a deixar a torcida bem preocupada...

O Grande Truque

The Prestige(2006)

Direção: Christopher Nolan
Elenco: Christian Bale, Hugh Jackman, Michael Caine, Scarlett Johansson, David Bowie

Em Londres do século XIX dois mágicos iniciantes tornam-se rivais à partir da morte da esposa de um deles. Nolan conta, com a maestria que lhe é particular, o desenvolvimento desta rivalidade, que chega às últimas conseqüências. Jackman tem grande atuação, conferindo credibilidade ao atormentado Robert Angier. Destaque também para os coadjuvantes, com o ambíguo Cutter de Michael Caine e, principalmente, o inventor Tesla vivido por Bowie. O diretor deixa várias pistas que revelam o grande truque de Borden (Bale), assim como fica mais ou menos evidente o plano de Angier e quem é Lord Caldlow. De qualquer forma um filme excelente, um dos melhores dos últimos anos. Nota 9.

Spoiler

Nolan exagerou de tanta pista sobre o truque do Homem Transportado. Primeiro Bolden revela que seria o único que conseguiria realizar o truque. Depois o truque do peixe dourado, onde Bolden afirma que um grande mágico deve viver seu papel permanentemente para adquirir credibilidade, no caso o velho chinês fingia ter dificuldade de caminhar até fora do palco. No truque do passarinho, o menino pergunta onde está o irmão do pássaro, o que Bolden responde que se tratava de um menino muito esperto. As constantes declarações de Sarah eram ainda mais óbvias. Mas a que foi mais evidente para mim foi a revelação sobre o nó que teria dado a Júlia: eu não sei.

Mas afinal qual o gêmeo que morreu? Tratá-los como Fallon ou Bolden é complicado, pois ambos revezavam-se nos papéis, o certo é que existiam duas personalidades distintas. Bolden-s era o que amava Sarah e pai da menina. Era o engenheiro da dupla, que adivinhava e montava os truques. Bolden-o era o que se apaixonou por Olívia e que tinha obsessão em superar Angier.

Fica claro que foi o segundo que foi enforcado. Bolden-s recomenda a Bolden-o, esqueça, reconheça que Angier fez um truque perfeito. No último diálogo entre os dois, de dentro da cadeia, Bolden-o diz: você tinha razão, eu devia tê-lo escutado.

No confronto final entre Bolden-s e Angier, o primeiro diz: eu amava Sarah, e ele Olívia. Não deixa dúvidas.

Sobre Angier e seus clones, existem duas possibilidades. Ou a máquina transportava o objeto e criava um clone no lugar ou ela criava um clone em outro local. Na primeira hipótese, Angier morreu na primeira utilização da máquina. Na segunda, no primeiro tanque. Por esta linha, o confronto final foi com um clone de Angier.

Poderia a máquina ter algum dispositivo que invertesse o processo, ou seja, ao invés de criar um clone à distância e manter o original no local, fizesse o inverso? Nada no filme aponta para esta possibilidade, e quando Angier afirma sobre o custo de usar a máquina todo o dia e não saber se seria o que cairia no tanque mostra que ele mesmo não sabia quem era o clone.

Levantaram a hipótese de Bolden ter tido esta máquina e tê-la usado. Não acredito. Ao contrário dos clones de Angier, os dos Bolden tinha personalidades diferentes, e bem antes de conseguir qualquer dinheiro já existia Fallon.

De qualquer forma, em um filme sobre mágicos e mágicas, o que é real e o que é ilusão?

sábado, junho 16, 2007

Discografia: atualização

Estou em uma fase "Allman" agora, especialmente nos albuns dos anos 90 com Warren Haynes e Allen Woody na banda. São excelentes! Acabei de comprar estes dois:


Seven Turns (1990)
The Allman Brothers Band



Where It All Beggins (1994)
The Allman Brothers Band

Flamengo 2 x 2 Internacional

Resultado ruim mas poderia ter sido pior

No Campeonato Brasileiro empatar em casa não é bom resultado, mas o Inter não é um time qualquer e ficando duas vezes em desvantagem acabou evitando-se o desastre. Se o time não foi bem, pelo menos desta vez teve disposição, o que não aconteceu em Florianópolis. O rubro-negro jogou sem todo o meio campo titular, e os reservas pelo menos correram. Juan e Angelim fizeram os gols do time, e a situação no campeonato não é boa. A grande constatação é que sem os dois Renatos o time fica muito fraco. O que é uma grande vulnerabilidade para uma competição longa em que cada jogo é importante na classificação.

sexta-feira, junho 15, 2007

Mais uma...

O Ministro Temporão e o aborto

Comentei sobre a participação do Ministro da Saúde no Roda Viva meses atrás. Temporão foi claro: defendia o debate sobre o assunto, não necessariamente o aborto. Mostrou toda argumentação à favor da ampliação do direito, mas quando perguntado negou-se a se posicionar na questão. Mas defendia um plebiscito.

Levantou novamente o assunto na época da visita do papa. Bento XVI foi taxativo sobre a posição da Igreja: não. Pesquisa da Folha: maioria do povo é contra. As próprias associações e ONGs que defendem a ampliação posicionou-se contra o plebiscito. Na época comentei que o plebiscito deixaria de ser estratégia, partiriam para o congresso onde a população não dá pitaco.

Pois leio hoje que Temporão defende que o Congresso faça a mudança da lei, e urgente. É um democrata não? Vendo que sua tese não encontra respaldo popular, tenta agora que seja feita na surdina, sem um debate nacional à respeito.

Ah, mas os deputados são eleitos para isso, para representar a população. Primeiro que a esmagadora maioria é eleita por votos de sua legenda, e dizer que representam um eleitorado é uma grande falácia. Não digo que deveriam deixar de existir, melhor com eles do que sem Congresso. Mas o fato é que nosso sistema é viciado e não funciona em termos de representação popular.

Mas o principal é que um assunto desses, em qualquer sociedade que se preze, é motivo para debate amplo e irrestrito. Basta lembrar que Portugal ampliou o direito ao aborto através de consulta popular. Não por vontade exclusiva de seu parlamento.

A sociedade deve ficar vigilante. A maioria é contra, mas políticos, o partido do poder, e grande parte da mídia são à favor. Se querem o debate que se faça, mas no arrepio não!

Caso Lamarca

Carlos Lamarca era oficial do Exército. Em 1969, desertou levando com ele parte do armamento da unidade em que servia. Ingressou um dos movimentos revolucionários que tentavam implantar um regime socialista no Brasil, seguindo o modelo cubano. Praticou atos terroristas, matou gente e foi morto em 1971.

A justiça em 1993 resolveu pagar à viúva uma pensão referente a um soldo de Coronel, cerca de R$ 9.500,00. Agora uma comissão do Ministério da Justiça resolveu promovê-lo de fato promovê-lo ao posto e pagar a pensão de General de Brigada, cerca de R$ 12.500,00.

É um total absurdo, e constitui o que fica bem definido como "bolsa terrorista". No regime militar, de acordo com dados da Comissão foi responsável pela morte ou desaparecimento de 424 pessoas.

Lamarca e seus companheiros lutavam para transformar o Brasil em uma grande Cuba. Aplicada a "taxa" do regime de Fidel (83 a cada 100.000 habitantes), teríamos por aqui cerca de 150.000 mortos ou desaparecidos políticos. Um número bem mais marcante não?

Uma coisa é pagar uma indenização para Vladimir Herzog, que foi torturado e morto, sob a custódia do Estado, por suas convicções ideológicas. Outra bem diferente é indenizar um desertor e terrorista, que foi responsável por mortes de inocentes pelo seu sonho socialista.

Existe um mito plantado no inconsciente coletivo brasileiro de que os que lutaram contra o regime militar lutavam pela liberdade. É falso. Boa parte lutava para substituir o governo existente por uma ditadura socialista. Todos? Claro que não. Gente como Ulysses Guimarães queria o fim do regime e a implantação da democracia. Lamarca, em qualquer país civilizado receberia o título que merece: terrorista.

Mas por aqui já ganhou até filme.

É necessário que este festival de pensões seja revisto, a sociedade precisa saber para quem e por que está pagando fortunas milionárias. E a sociedade precisa decidir se concorda com esta conta, que não é pequena.

Como disse Millôr, eles não estavam fazendo uma revolução, mas um investimento.

quarta-feira, junho 13, 2007

"Por toda parte eu vou persuadindo a todos, jovens e velhos, a não se preocuparem exclusivamente, e nem tão ardentemente, com o corpo e com as riquezas, como devem preocupar-se com a alma, para que ela seja o melhor possível, o vou dizendo que a virtude não nasce da riqueza, mas da virtude vêm, aos homens, as riquezas e todos os outros bens, tanto públicos como privados."


Sócrates
Narrado por Platão em "Apologia de Sócrates"

Os Cinco Porquinhos

Five Littel Pigs, 1947
Agatha Christie

Estou relendo os livros de Agatha Christie aos poucos. Foi através dela que me iniciei na literatura, da idade dos 13 aos 16 devorei todos os livros desta magistral autora inglesa que apareceram na minha frente. Os crimes engenhosos me atraiam, e tentava, em vão, descobrir os culpados. Estava nítido para mim que eram estórias policiais.

Hoje vejo que seus livros iam além desse rótulo. Agatha Chriestie retratava com profunda sensibilidade a alma humana e seus dramas. Por baixo do pano dos assassinatos, narrados com maestria, percebe-se sentimentos vivos de angústia, inveja, amor, desejo, cobiça, ciúmes.

Em Os Cinco Porquinhos, Hercule Poirot é procurada por uma jovem que está prestes a se casar. Ela descobre que é filha de um famoso pintor, assassinado 16 anos atrás. Sua mão foi condenada pelo crime e morreu na cadeia, sem procurar se defender da acusação. Deixou, no entanto, uma carta para a filha em que afirmava sua inocência.

A jovem Carla tinha 5 anos quando ocorreu o crime e pouco lembra da mães. Mas de alguma forma um sentimento forte ainda a liga à sua memória. Ela acredita na carta, e quer que Poirot descubra o que realmente aconteceu.

Poirot inicia sua investigação que se resume em entrevistar, inicialmente a parte jurídica do caso __ advogados, promotores e policiais __ e depois as 5 testemunhas dos acontecimentos. Pois estas 5 testemunhas fazem um retrato fascinante dos dias que antecederam a morte de Amyas Crale. É uma viagem à personalidade do casal e das cinco pessoas que conviveram com eles.

As diferenças, por vezes sutis, por vezes nem tanto, que cada um tem dos acontecimentos e das pessoas envolvidas é um alerta para a forma como as pessoas percebem o mesmo fato sobre diferentes perspectivas. E que nem tudo é óbvio como se imagina.

Tudo gira em torno do adultério praticado por Amyas, um pintor que não conseguia resistir a um romance, o que gerava constantes brigas com a esposa. Ao fina, no entanto, a paixão desaparecia e retornava à normalidade da vida de casado. Na época de sua morte pintava uma jovem e chegou a anunciar que se divorciaria para casar com ela, gerando profundo desespero na esposa e afetando a todos.

Uma obra maravilhosa, que foge um pouco dos finais convencionais da própria literatura de Agatha Christie, mas deixa claro como a autora via o mundo a que pertencia.

Sobre o Cristianismo

Segue link para um artigo de Reinaldo Azevedo sobre o Cristianismo e sua influência na civilização ocidental.

Somos Todos Cristãos

terça-feira, junho 12, 2007

A Samaritana

Hoje assisti uma palestra muito bonita sobre uma passagem do Evangelho de João.

Jesus, ainda no início de sua pregação, quebra vários paradigmas de sua época, particularmente do povo judeu, e pela primeira vez se anuncia como o Messias.

Uma vez, em discussão com um amigo, este questionava a interpretação da bíblica. Afirmava que não existia possíveis interpretações para o texto escrito, que a mensagem era clara.

Não concordei na época, e muito menos agora. Se um texto de duas linhas pode ser interpretado de forma diferente por quem o lê, como poderia o texto bíblico, com toda sua riqueza e repleto de simbolismo, chegar da mesma forma à todas as pessoas?

O que me chamou atenção, em particular na história denominada "A Samaritana" foi a questão da mulher na sociedade patriarcal da época. Reinaldo Azevedo, defendeu faz algumas semanas, o papel do cristianismo como redentor da mulher na sociedade. Depois coloco o texto dele.

O fato é que cheguei em casa agora a pouco e coloquei as idéias da palestra para não esquecê-las, e divido com quem quiser através do link abaixo:

A Samaritana

domingo, junho 10, 2007

Destaques nos esportes

Tudo aberto no espanhol

Até os 45 minutos do segundo tempo o título da temporada estava nas mãos do Barcelona. E na mão de Messi. Tudo porque o time vencia o Espanhol por 2 x 1 e o Real perdia, pelo mesmo placar, para o Zaragoza. O resultado dava ao time catalão a chance de ser campeão na última rodada com um empate simples. Se levasse um gol ou o Real empatasse ainda seria bom resultado, pois jogaria dependendo apenas de sua vitória contra o rebaixado Gimnástic. Só não poderia, e seria praticamente impossível, que no último minuto levasse o gol ao mesmo tempo que o Real fizesse o seu.
E foi rigorosamente o que aconteceu. No momento em que Van Nisteroy empatava para o time de Madrid, o Espanhol fazia o gol. Em um minuto a torcida foi da euforia ao total desespero. O Barcelona já não depende mais de si próprio, precisa vencer e torcer para que o Real não vença o Mallorca, que apenas cumpre tabela, em casa. Quem falou que em pontos corridos falta emoção?

Nadal tri-campeão

A torcida era toda para o feito de Federer. Vencedor dos três últimos Grand Slams, Federer jogava para vencer o único que faltava em seu currículo. E consagrar-se como o maior jogador de todos os tempos. Mas Nadal acabou com a festa de Federer e adiou para mais um ano a tentativa de ser o segundo jogador da história a vencer, no mesmo ano, os quatro torneios.
Fazia tempo que não assistia uma partida. A última foi justamente aquela que Guga arrasou Federer em 2004. E jogando com uma perna só. Vendo o jogo dos dois não pude deixar de sentir uma enorme frustração. Na quadra de terra, em forma, seria favorito contra qualquer um deles. Guga tinha jogo para vencer mais umas duas ou três vezes em Roland Garros. Uma grande pena.

Hamilton, um novo mito?

O inglês Lewis Hamilton parece que veio mesmo para brilhar. Cinco corridas, a pior colocação: terceiro. E hoje venceu pela primeira vez. Lidera o campeonato com 8 pontos de vantagem sobre o companheiro de equipe Fernando Alonso. Felipe vinha fazendo boa corrida, apesar do azar do safety car, que lhe tirou a chance de brigar pelo segundo lugar. Mas em uma total falta de concentração, saiu do box com a luz vermelha acesa e foi desclassificado. Um erro que um aspirante ao título não pode cometer, mais que acontecem. Dos quatro pilotos que disputam o título, apenas Hamilton não errou até agora. Estará nascendo um novo mito? Tudo indica que sim, e com potencial real de superar Schumacher. Cabe ressaltar que Nelsinho disputou a Gp2 ano passado contra o inglês e competiu em igualdade, com carro inferior. É a nova geração aparecendo.

Figueirense 4 x 0 Flamengo

Horrorosos

O Flamengo fez uma partida lamentável hoje em Florianópolis. Sérgio Noronha resumiu bem: do goleiro ao ponta esquerda ninguém jogou bem, lembrou até a partida contra o Defensor do Uruguai que terminou com a campanha da Libertadores. O campeonato ainda está no começo e qualquer previsão agora ainda é chute. Basta lembrar que o Fluminense liderou o campeonato ano passado no início e terminou quase rebaixado.

Mas alguns pontos devem ser levantados. Chamou a atenção a falta de vontade e entrega dos jogadores rubro-negros. Para um time que está descansado, jogando apenas aos fim de semana e com apenas esta competição por disputar, é um senhor sinal de alerta. O que se viu foi uma apatia sem tamanho, e dessa vez não se salvou ninguém, nem mesmo o goleiro Bruno que está se mostrando muito fraco nas cobranças de falta.

Tão ou mais horroroso que o time da Gávea esteve o soprador de apito hoje. Errou gravemente 4 vezes, todas contra o Flamengo, e dois erros resultaram em gols. Primeiro marcou uma mão de Juan quando o jogador estava de costas para a bola. Na cobrança da falta o segundo gol do Figueirense. Depois marcou um penalti em que o jogador do Flamengo também estava de costas para o lance, em um tropeção do atacante. Quarto gol do Figueirense. Em um excesso e falta de bom senso expulsou o atacante Souza por um lance de amarelo. E por fim deixou de marcar um penalti em Ronaldo Angelin. Simplesmente pavoroso. Os bandeiras também estiveram muito mal, mas pelo menos erraram para os dois lados.

Uma semana difícil para a torcida que vai ter que aguentar Vasco e Botafogo na liderança do campeonato e o Fluminense como campeão da Copa do Brasil.

dominó

Forças Armadas e combate ao crime organizado

O artigo de Merval Pereira, no Globo de hoje, levanta a questão do emprego das forças armadas no combate ao crime organizado no Rio de Janeiro, fazendo um paralelo com a situação no Haiti.

A cada dia surgem mais defensores da tese que se o Exército entra nas favelas e enfrenta bandidos em Porto Príncipe, pode fazer o mesmo no Rio. O artigo mostra que não é bem assim.

Inicialmente cita o General Heleno, primeiro comandante da missão de paz no Haiti. Ele deixa claro que apesar dos 6 contingentes que já passaram por lá estarem bem preparados, as duas situações possuem diferenças marcantes.

Primeiro no aspecto político, "porque lá nós estamos trabalhando sob a égide da ONU, com regras de engajamento bem definidas".

Já no Brasil não se definiu até hoje o amparo legal para atuação do Exército nesse tipo de operações. Existe o risco de militares acabarem no banco dos réus por cumprirem seu dever.

Outro ponto fundamental é que no Haiti o soldado não mora na área conflagrada. No Brasil a ameaça às famílias dos militares seria um ingrediente a mais.

Além disso, não dá para comparar as duas bandidagens. "Lá o tráfico de drogas é mínimo, a defesa de posições dos traficantes do Rio é muito mais forte e os armamentos, mais pesados".

Cristovão Buarque, que esteve no Haiti, afirma não ter dúvidas da capacidade do Exército, mas possui dúvidas em seu emprego dentro do território nacional. Lembra que, neste caso, o Exército mataria brasileiros, mesmo sendo bandidos.

O mais interessante do artigo é a mensagem de Antonio Jorge Ramalho, que toca novamente na questão do marco legal da atuação das Forças armadas; e vai mais além.

Segundo ele, a missão está clara no texto constitucional, mas a "visão do que se espera das Forças Armadas não está". As autoridades políticas do Executivo e Legislativo não definiram até hoje o projeto da Força, os cenários de emprego, o dimensionamento e capacitação específica.

Existe ainda um tabu em relação a 1964. A sociedade ainda não avaliou os erros e acertos do regime de 64 e não decidiu o que quer das suas Forças Armadas.

Conflui afirmando que cabe fazê-lo.

O grade problema, a meu ver, é que o poder político está sendo exercido justamente por aqueles que foram combatidos pelas Forças Armadas no regime militar. Existem políticos que deixam claro seu desprezo pelo Exército, e políticos importantes como José Dirceu e José Serra; só para ficar em dois figurões de lados opostos.

Quem já andou pelo Brasil sabe que a população possui os militares em muito melhor conceito do que os políticos e grande parte da mídia. Devemos lembrar que muitos são herdeiros de indenizações milionárias na condição de "perseguidos". Um exemplo é o jornalista Carlos Heitor Cony.

Precisamos esperar a substituição desta velha guarda política por uma nova geração que não tenha vivido este período de nossa história.

O grande problema é que pelo que temos visto nos cursos de jornalismo e nas redações, a doutrinação é pesada nos valores do socialismo. O que não quer dizer que seja contra as Forças Armadas.

Mas, apesar do discurso, é, e sempre foi, contra as liberdades individuais e a democracia.

sexta-feira, junho 08, 2007

Artigo: Álvaro Vargas Llosa

O escritor peruano e analista político Álvaro Vargas Llosa já foi anarquista mas hoje se orgulha por ser considerado como um verdadeiro liberal. É co-autor do livro "Manual do Perfeito Idiota Latino Americano".

Após a decisão do governo venezuelano de não renovar a licença de transmissão por causa de uma suposta violação dos padrões éticos, a rede de tevê mais antiga da Venezuela saiu do ar. Conseqüentemente, a Rádio Caracas Television (RCTV), a combativa emissora que foi demais para Hugo Chávez suportar, tornou-se a mais recente causa pública famosa da América Latina.

Não é fácil para quem não está familiarizado com a história da região entender a grande agitação sobre a decisão de Chávez em fechar a RCTV. Tenho visto muitas reportagens nos Estados Unidos e em outros países que revelam uma certa descrença com o status de herói que está sendo concedido à emissora e a seu diretor-presidente, Marcel Granier. Esses textos parecem sugerir que, afinal, se trata de uma questão burocrática e, por mais arbitrária que a decisão de Chávez possa parecer, a RCTV foi além dos limites do jornalismo independente e se tornou um instrumento contra as autoridades.

Deixando de lado o argumento óbvio de que o julgamento sobre o conteúdo jornalístico da emissora deve ficar a cargo dos telespectadores e que a história de Chávez o torna um guardião inadequado de qualquer moral do país, há uma razão mais profunda para que o caso da RCTV mereça a atenção mundial. Ela tem a ver com o papel que, na ausência de equilíbrio entre os Poderes, na firme marcha rumo ao totalitarismo, essa emissora foi forçada a desempenhar.

Levada pelas circunstâncias, a RCTV se transformou nos últimos anos em algo como uma Assembléia Nacional substituta, uma Suprema Corte substituta e um tribunal eleitoral substituto. “Não somos políticos”, disse-me Granier há poucos dias, “mas numa situação como esta são se consegue evitar ser considerado como parte da luta política pelos que não têm representação efetiva nem salvaguardas democráticas e pelos responsáveis de eliminá-las; só por fornecer informação a uma sociedade faminta por informação fomos colocado nessa posição”.

Isso está de acordo com a tradição da América Latina e em alguns outros lugares, onde a repetição de tiranias freqüentemente forçou as instituições civis a substituírem os partidos políticos ou os líderes oposicionistas.

Durante os anos 60 e 70, o Brasil se tornou a capital mundial das telenovelas. Por causa da censura à mídia, os brasileiros começaram a ver suas novelas como uma reflexão mais precisa da vida real do que as informações que recebiam dos jornais.

Em algumas nações, as redes de mídia assumiram papéis políticos. Durante a ditadura Somoza, o jornal nicaragüense La Prensa se tornou um símbolo tão poderoso que seu proprietário, Pedro Joaquín Chamorro, foi morto por capangas do governo. Após a queda de Somoza, a viúva de Chamorro, uma dona-de-casa, foi catapultada por forças acima de seu controle para a arena civil; ela se tornou o problema para a ditadura sandinista e por fim ganhou as eleições presidenciais. Granier e sua rede de TV são profundamente merecedores da solidariedade que estão tendo de milhões de venezuelanos e de governos, organismos internacionais e líderes mundiais que estão denunciando o ato monstruoso contra a instituição de 54 anos que empregava 3 mil trabalhadores.

A RCTV, a nau capitânia da corporação 1BC , é o último capítulo numa longa tradição de virtude cívica transformada em necessidade política numa época de extremo perigo à liberdade nacional. A decisão da Suprema Corte da Venezuela – a instituição que deveria revogar a ordem de Chávez – de confiscar os equipamentos de transmissão da RCTV, adicionando mais afronta à injúria, exemplifica as circunstâncias que tornaram Granier e seus jornalistas uma referência para os que estão desesperados para encontrar algo ou alguém que represente a justiça na Venezuela.

A RCTV teve o líder perfeito nessas circunstâncias extremas: um homem sereno que nunca se acovardou diante de forças terríveis – nem quando Chávez promulgou a Lei de Responsabilidade Social e modificou o Código Penal alguns anos atrás, para amordaçar a mídia radiofônica e televisiva, nem quando os Círculos Bolivarianos organizados pelo governo atacaram seus empregados, nem quando seu caixão foi exibido nas ruas como uma ameaça de morte.

Chávez está certo em ter medo de um homem desses. Granier triplicou os investimentos de sua empresa na Venezuela quando tudo lhe dizia que ele iria se arrepender da decisão e, com jornalismo crítico e entretenimento, conseguiu obter 44% da audiência nacional.

Com sua coragem característica, Granier disse: “Vamos voltar ao trabalho na segunda-feira, mesmo que estejamos fora do ar e as pessoas não possam ver o que estamos fazendo.” Na Chavezlândia, tal homem é realmente intolerável.

O lado de Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem que a não-renovação da concessão da RCTV pelo presidente venezuelano Hugo Chávez foi um ato tão democrático quanto seria a possível manutenção da concessão da emissora.

Em entrevista exclusiva à Folha (só para assinantes), Lula ressaltou que não dá para "ideologizar" o tema, pois o mesmo Estado que dá uma concessão é o mesmo que não dá.


Taí para não ficar mais dúvidas quanto ao lado que Lula escolheu no episódio. Tivesse o Brasil instituições frágeis, como as venezuelanas, já teria feito a mesma coisa. Como não pode, usa as armas que tem: a propaganda institucional. Falou bem do governo? Toma propaganda da Petrobrás, do Banco do Brasil, etc. Falou mal? Se vira com seus leitores.

O grande trunfo do governo é a quantidade de partidários lulistas espalhados pelas redações sempre prontos a defendê-lo, seja qual for o assunto. Alguns pensadores já começam a manifestar uma opinião preocupante: o nosso guia é mais perigoso que o venezuelano.

E explicam. As manifestações da última semana em Caracas mostram que a população está pelo menos dividida e consegue se reunir para protestar. Aqui no Brasil não temos nada parecido. Os não lulistas estão mudos, incapazes de se mobilizar. Chegará um dia em que os venezuelanos darão um basta ao Chavizmo e aprenderão a não flertar com populistas-socialistas.

Aqui vai ser bem mais difícil. A oportunidade de varrer o nosso guia nas urnas foi perdida, em grande parte por culpa da própria oposição. Nas próximas eleições, sempre partindo do princípio que não será candidato, sairá para preparar-se para 2014. A bomba que deixará no colo de seu sucessor é um passaporte para sua volta triunfal para mais 8 anos.

E não é só isso. Mesmo fora do poder deixará uma herança maldita, como gosta de falar. Uma estrutura estatal toda infectada de partidários lulistas, sempre prontos a usar a máquina pública em seu favor. É como uma infecção por vírus. Já existiam antes de assumir a presidência, se multiplicaram e não param de crescer. São silenciosos e resistentes em sua maioria. Exigiria grande força política para extirpá-los da máquina pública.

E não é só no Estado. Estão nas redações, nos sindicatos, qualquer forma de organização comunitária e, pior de tudo, nas Universidades e escolas. O lulismo criou condições para sobreviver e ser passado por gerações.

Esta é a verdadeira herança maldita.

Entrevista

quarta-feira, junho 06, 2007

Retratos de uma sociedade

No carro um avô dirige. O neto, no banco de trás, chupa uma bala. Pelo retrovisor vê o menino colocar o papel dobrado no cantinho da porta.
__ Meu filho, não coloca aí não. Pode jogar pela janela.
__ Pode não vô. Vai entupir a rua se chover.

Uma pessoa sai feliz da lanchonete e diz para o amigo.
__ Ganhei o dia!
__ Que houve?
__ Paguei com uma nota de R$ 5 e recebi troco para R$ 50!
__ Valeu a pena hein?
__ Se valeu.

__ Tenho terror desta matéria. Repeti ela na faculdade.
__ Foi mesmo?
__ Foi. O professor era o maior carrasco! Ninguém entendia nada que ele falava.
__ Então deve ter ficado um monte de gente.
__ Que nada... passou quase todo mundo. Fui a única que não colou...

__ Cara deixa de ser bobo, pode lançar aí.
__ Mas não tem perigo?
__ Não, este campo eles não conferem. Não tem como. Pode lançar e pegar de volta na devolução. Foi um cara da receita que me ensinou.

__ Estou a duas semanas sem ver televisão.
__ O que houve?
__ Cortaram meu gato da net.
__ Que azar!
__ Pois é, e não tem nem um 0800 para reclamar!

__ Faz anos que não compro um software. São muito caros! Para que pagar se dá para baixar de graça na internet!

__ E aí ? Beleza? Vamos que estamos em cima da hora.
__ Seguinte, pode ir, leva meu ingresso e tenta passar.
__ O que houve?
__ Para todos os efeitos fui no jogo contigo. Vou aproveitar que a mulher me deu a liberação e fazer um programa paralelo...

Todas estas estórias são reais. Fui personagem de umas, escutei outras; todas envolvem pessoas de bem. Este é um pequeno mosaico de nossa sociedade, de nossa moral tortuosa e relativa. Não estou aqui para julgar ninguém. O leitor que tire suas próprias conclusões, como tiro as minhas.

terça-feira, junho 05, 2007


Um dos temas que tenho me interessado ultimamente é o anti-americanismo na América Latina, particularmente no Brasil. Confesso que até bem pouco tempo padecia deste mesmo mal, tão bem retratado em duas obras que li recentemente: O Manual do Perfeito Idiota Latino-americano e A Grande Parada. Uma das constatações recentes é de que os americanos são mais odiados no Rio de Janeiro do que em Bagdá. Que existem áreas em São Paulo, intelectualizadas, que a repulsa é maior do que em Terã __ um lugar onde os Estados Unidos são chamados de Grande Satã.

Um dos aspectos deste quadro é a questão do entretenimento, particularmente a televisão. Ou os famosos "enlatados" como são referidos por aqui. No caso me prendo às séries televisivas.

Pois os seriados estão para os americanos como as telenovelas estão para os brasileiros. Tirando os telejornais e os eventos esportivos são líderes de audiência, e influenciam boa parte da sociedade.

Hoje estava assistindo um episódio de uma série já extinta chamada Frasier. Para quem não conhece trata-se de uma sitcom, ou uma comédia sobre costumes.

Frasier é um psicanalista que após o divórcio retorna à sua cidade natal, Seattle, e inicia nova carreira como apresentador de um talk show de rádio onde dá conselhos à pessoas com problemas em suas vidas.

Recebe para viver com ele o pai, com quem nunca conseguiu ter uma boa relação. Martin sofreu um acidente que o deixou com problemas de locomoção e impossibilitado de viver sozinho. Os dois passam a ter uma oportunidade de entender este afastamento e criar laços de união.

No episódio que vi hoje, Frasier e seu irmão descobrem que algo aconteceu 30 anos antes em umas férias de família. Confrontado pelos filhos, Martin reconhece que teve um caso com a vizinha no período, que não se orgulha do que fez e que considera o caso encerrado.

Frasier não se conforma com a traição do pai e sofre pela memória da mãe, já falecida. Acaba descobrindo que a estória era justamente o inverso, fora sua mãe quem tivera o caso. Em nova conversa, seu pai admite que mentiu para preservar a memória da esposa.

O que achei interessante, é que a tônica dos episódios gira em torno do personagem principal enfrentando situações cotidianas e tirando importantes ensinamentos. Sim, a sociedade e os homens não são perfeitos, mas existem valores que devem ser buscados.

Da primeira temporada, este é o sétimo episódio que assisti nas duas últimas semanas. Nele foram tratados temas como o respeito mútuo entre o pai e o filho, a ética na profissão, a ironia que por vezes humilha as pessoas, e outros. Todos valores preciosos que se perdem na modernidade.

Muitos seriados americanos giram em torno da propagação destes valores. Gostamos de chamar os americanos de falso-moralistas, que não seguem o que pregam, etc. Mas o fato é que muitos dos seus programas discutem e reafirmam valores morais universais. Basta ver a quantidade de sitcons já produzidos centrados no ideal da família.

Existem os que as ridicularizam? Sim. Os que as questionam? Sim. Mas existem muitos que a defendem e a coloca como centro da vida em sociedade.

Pois dêem uma olhada em nossas novelas e nossos programas. O que predomina em quase 100% das vezes? A desmoralização destes valores e da família. Impiedosamente. E o curioso é que nos colocamos como culturalmente melhores.

Não tenho estômago mais para ver nossa televisão. Prefiro ver seriados como Frasier, que a cada episódio trata com humor e também com sensibilidade temas importantes; com boas mensagens que muitas vezes desconcertam até mesmo seu personagem principal.

Falar bem de algo que vem dos Estados Unidos é quase pedir para ser apedrejado por aqui. Existe uma crença que estão sempre errados. Se hora mostram um adultério são acusados de denegrir valores, se apresentam a fidelidade são acusados de serem moralistas. Não tem como acertar.

Certos somos nós em nossa moral tortuosa que glorifica personagens como Foguinho ou Alemão, mostrando a pobreza de valores que somos submetidos todas as vezes que ligamos a televisão.

Turquia 0 X 0 Brasil

Devo confessar, só consegui assistir o primeiro tempo. No intervalo fui dar um cochilo e neguei-me a levantar para assistir à segunda etapa. Pelo que li não perdi nada. Jogo muito, mas muito chato. Agora é aguardar o início da Copa América quando se poderá realmente tirar algumas conclusões sobre o trabalho de Dunga, porque até aqui só deu para ver convocação e time jogando. Treino teve muito pouco devido ao calendário apertado.

Amanhã Dunga convoca para a maior convocação sul-americana. É bom o treinador entender que os jogadores "europeus" estão em fim de temporada. É hora de dar uma preferência aos que atuam por aqui, embora mantenha uma espinha dorsal lá de fora. Mesclar jogadores cansados, que pouco têm para provar com outros que estão literalmente "comendo" a bola é altamente salutar. Abre o olho Dunga!

segunda-feira, junho 04, 2007

Que preguiça...

Os jornais alardearam no fim de semana que Lula atacou Hugo Chaves em defesa do Senado.

Achei um exagero da imprensa. Lula sempre se colocou ao lado do ditador venezuelano. Chegou a afirmar que na Venezuela existia "democracia até demais". Vai ver que foi por isso que o coronel resolveu fechar um canal de televisão. Para diminuir um pouco esta democracia exagerada.

Para não ficar dúvidas o presidente afirmou agora que Chaves "é parceiro e não representa ameaça para a américa-latina". É um endosso. São parceiros e acreditar que Lula iria contra o coronel é acreditar que foi surpreendido pela Bolívia. Está tudo lá, no Foro de São Paulo.

Mas este assunto é um delírio da direita reacionária não é mesmo?

domingo, junho 03, 2007

Debate sobre cotas raciais

Um interessante debate sobre cotas raciais foi feito no Estadão entre o geógrafo Demétrio Magnoli e o administrador de empresas Hélio Santos. O primeiro posiciona-se contra as cotas e o segundo à favor. Já li um livro de Magnoli, O Grande Jogo, onde já esboçava sua posição sobre o assunto. Atualmente estou utilizando mais dois livros de sua autoria para estudar Geopolítica. A Veja desta semana também toca no assunto (ainda não li a matéria). Parece que esta semana haverá discussões sobre o assunto, o que é sempre bom.

Segue link:
http://cantodojota.go2net.ws/DebateCotas.html

Sport 2 x 2 Flamengo

O destaque do jogo foi o gramado.

Sport e Flamengo conseguiram fazer um jogo surpreendente bom. Por que surpreendente? Porque o campo da Ilha do Retiro é pior do que qualquer dos campos utilizados, por exemplo, no Campeonato Carioca; o que significa que é simplesmente horroroso. Em pleno século XXI é inaceitável que a CBF ainda permita que o principal campeonato do país, em que é a organizadora, seja disputada em um gramado pavoroso com o que o Sport tem mandado seus jogos. Será preciso (mais)uma grave contusão para mostrar isso? Aliás me pergunto se um clube que tiver um jogador contundido em um dos buracos do estádio não poderia processar o clube e a entidade pelos prejuízos...

O resultado foi bom para o time da Gávea nem tanto pelo resultado em si, mas pela situação do jogo. Sim, o Flamengo esteve sempre na frente, mas as melhores chances foram sempre da equipe da casa. Bruno foi o grande nome fazendo defesas belíssimas. Realmente fará muita falta quando partir para a Europa. Renato fez o primeiro de penalti e foi responsável direto pelo segundo, em cruzamento que iria para o gol mas foi desviado por uma zagueiro. O juiz pode até considerar dele, mas infelizmente não se caracterizou o chamado gol olímpico.

Eterna vigilância

O editorial do Globo de hoje toca em um assunto que tenho pensado bastante ultimamente, o enfraquecimento do poder Legislativo.

O periódico lembra que este enfraquecimento tem sido acompanhado por um fortalecimento excessivo do poder Executivo e, coloca como uma das causas, o carisma do presidente da república.

Lembra que a multiplicação de cargos de confiança nas mãos do poder central constitui um poderoso instrumento "para cooptar adversários ou indiferentes".

O risco é uma "nova e poderosa versão de populismo". O Globo lembra que é muito pouco provável que cheguemos ao quadro venezuelano, principalmente devido à complexidade política e social do Brasil.

Mas a situação argentina já constitui-se um modelo mais próximo, onde "o presidente governa de olho nas ruas, por cima dos partidos".

Um agravante é o gigantismo do Estado brasileiro, que "abocanha parcela despropositada da riqueza nacional".

Conclui lembrando que, em períodos recentes, o Brasil distanciava-se dos demais países latino-americanos em termos de construção institucional; o cenário atual, demonstra que o caminha para a modernidade é ainda longo e que o preço da democracia "é a eterna vigilância".

Atualização da coleção do Jota

Aquisições recentes:


The Deep End Vol 1(2001) e Vol 2(2002)
Gov't Mule

Album-homenagem ao ex-baixista da banda falecido em agosto de 2000, Allen Woody. Reúne 25 baixistas, entre eles nomes como Jack Bruce, John Entwistle e Jack Cassady.




Dose(1997)
Gov't Mule

Segundo álbum em estúdio da banda formada por Warren Haynes (guitarra e voz), Allen Woody (baixo) e Matt Abts (bateria).

Imagem

sábado, junho 02, 2007

Mais um absurdo ideológico

Ano passado li um texto muito interessante da jornalista Mirian Macedo, que retirava a filha de um celégio devido ao que viu em seu material didático. A jornalista publicou uma carta aberta no site www.escolasempartido.org. Pois o sistema COC após utilizar o direito de resposta do próprio site abriu processo contra a jornalista e todos os sites que noticiaram a carta. Abaixo o texto da jornalista para que reflitam um pouco sobre a situação atual do Brasil.


Acabei de tirar minha filha, de 14 anos, do Colégio Pentágono/COC (unidade Morumbi - São Paulo) em protesto contra o método pedagógico "porno-marxista" adotado pela escola no ensino médio este ano. O sistema COC, que começou como cursinho pré-vestibular há cerca de 40 anos em Ribeirão Preto-SP, está implantado hoje em mais de 150 escolas em todo Brasil, atingindo cerca de 200 mil alunos. O Pentágono - que, além do Morumbi, tem colégios em Alphaville e Perdizes - é uma das escolas-parceiras.
As provas de desvio moral-ideológico são incontáveis. Numa apostila de redação, a escola ensina "como se conjuga um empresário" e, para tanto, fornece uma seqüência de verbos retratando a rotina diária deste profissional:

"Acordou, barbeou-se... beijou, saiu, entrou... despachou... vendeu, ganhou, lucrou, lesou, explorou, burlou... convocou, elogiou, bolinou, estimulou, beijou, convidou... despiu-se... deitou-se, mexeu, gemeu, fungou, babou, antecipou, frustrou... saiu... chegou, beijou, negou, etc., etc.".

A página 4 da apostila de Gramática ostenta a letra de uma música de Charlie Brown Jr, intitulada Papo Reto (Prazer É Sexo O Resto É Negócio) – assim mesmo, tudo em maiúscula, sem vírgula. Está escrito:
"Otário, eu vou te avisar:/ o teu intelecto é de mosca de bar/ (...) Então já era,/ Eu vou fazer de um jeito que ela não vai esquecer".

Noutro exemplo, uma letra de Vitor Martins, da música Vitoriosa:
"Quero sua alegria escandalosa/ vitoriosa por não ter vergonha/ de aprender como se goza".

As apostilas de História e Geografia, pontilhadas de frases-epígrafes de Karl Marx e escritas em 'português ruim', contêm gravíssimos erros de informação e falsificação de dados históricos. Não passam, na verdade, de escancarados panfletos esquerdejosos que as frases abaixo, copiadas literalmente, exemplificam bem:
"Sabemos que a história é escrita pelo vencedor; daí o derrotado sempre ser apresentado como culpado ou condições de inferioridade (sic). Podemos tomar como exemplo a escravidão no Brasil, justificada pela condição de inferioridade do negro, colocado (sic) como animal, pois era ‘desprovido de alma’. Como catequizar um animal? Além da Igreja, que legitimou tal sandice, a quem mais interessava tamanha besteira? Aos comerciantes do tráfico de escravos e aos proprietários rurais. Assim, o negro dava lucro ao comerciante, como mercadoria, e ao latifundiário, como trabalhador. A história pode, dessa forma, ser manipulada para justificar e legitimar os interesses das camadas dominantes em uma determinada época".

Sandice é dizer que a Igreja legitimou a escravidão. Em 1537, o Papa Paulo III publicou a Bula Veritas Ipsa (também chamada Sublimis Deus), condenando a escravidão dos 'índios e as mais gentes'. Dizia o documento, aqui transcrito em português da época que "com authoridade Apostolica, pello teor das presentes, determinamos, & declaramos, que os ditos Indios, & todas as mais gentes que daqui em diante vierem á noticia dos Christãos, ainda que estejão fóra da Fé de Christo, não estão privados, nem devem sello, de sua liberdade, nem do dominio de seus bens, & que não devem ser reduzidos a servidão".

Outra pérola do samba do crioulo doido, extraída da apostila de História:
"O progresso técnico aplicado à agricultura (...) levou o homem a estabelecer seu domínio sobre a produção agrícola em detrimento da mulher".

Ok, feministas. Agora, tratem de explicar a importância e o poder das inúmeras deusas na mitologia dos povos mesopotâmicos, especialmente Inana/Ishtar, chamada de Rainha do Céu e da Terra, Alta Sacerdotisa dos Céus, Estrela Matutina e Vespertina e que integrava, com igual poder, a Assembléia dos Deuses, ao lado de Anu, Enlil, Enki, Ninhursag, Nana e Shamash. Na Suméria,"tanto deuses quanto deusas eram patronos da cultura; forças tanto femininas quanto masculinas estavam envolvidas com a criação da civilização. A realidade dos papéis das mulheres dentro de casa estava em perfeito acordo com a projeção destes papéis no mundo divino". (Tikva Frymer-Kensky em seu livro de 1992, In the Wake of Goddesses: Women, Culture and Transformation of Pagan Myth. Fawcet-Columbine, New York.

Mais delírio marxista de viés esquerdológico:
"Estas transformações provocaram a dissolução das comunidades neolíticas, como também da propriedade coletiva, dando lugar à propriedade privada e à formação das classes sociais, isto é, a propriedade privada deu origem às desigualdades sociais - daí as classes sociais - e a um poder teoricamente colocado acima delas, como árbitro dos antagonismos e contradições, mas que, no final de tudo, é o legitimador e sustentáculo disso: o Estado". (Definição de propriedade privada, classes sociais e de Estado, em sentido marxista, no neolítico, nem Marx!).

Calma, não acabou: No capítulo sobre a Mesopotâmia, a apostila informa que o deus Marduk (grafado Manduque) ordenou a 'Gilgamés' que construísse uma arca para escapar do dilúvio. (Gilgamesh é, na verdade, descendente do Noé caldeu/sumério, chamado Utnapishtin/Ziusudra. É Utnapishtin que conta a Gilgamesh a história da arca e do dilúvio. Há versões em que Ubaretut, filho de Enki, é que é o verdadeiro Noé; Utnapishtin apenas revela a história do dilúvio a Gilgamesh).

Outro trecho informa que o "dilúvio seria enviado por Deus, como castigo às cidades de Sodoma e Gomorra". (Em Genesis (19,24), lê-se: "O Senhor fez então chover do céu enxofre e fogo sobre Sodoma e Gomorra". Além disto, a destruição de Sodoma e Gomorra nada tem a ver com Noé e sim, com o patriarca Abraão e seu sobrinho Ló).

Outros achados:

"Diz a tradição que Sargão era filho de um jardineiro, o que nos faz pensar que, nesta época, como era possível alguém das chamadas camadas baixas da sociedade, ter acesso ao poder?". (Que reflexão revolucionária! E que estilo!).

No capítulo "Geografia das contradições" lê-se: "Uma das graves contradições relaciona-se à economia: na sociedade capitalista quase todos trabalham para gerar riquezas, mas apenas uma minoria burguesa se apropria dela (sic) (...) Por outro lado, é necessário compreender que a sociedade foi e é organizada por meio das relacões sociais de produção. Entre nós, e na maioria dos países, temos o modo de produção capitalista, em que a relação básica é representada pelo trabalho. Nele encontram-se os proprietários dos meios de produção e os trabalhadores que, não possuindo os meios de produção, vendem sua força de trabalho". (Marxismo puro, simples assim).

O mais grave é que estas apostilas, de viés ideológico explícito, vêm sendo adotadas por um número cada vez maior de escolas no País. Além das escolas próprias, o COC faz parcerias com quem queira adotar o sistema, como aconteceu este ano com o Colégio Pentágono, onde minha filha estuda desde o primário. Estas apostilas têm de ser proibidas e as escolas-parceiras e o COC têm de ser responsabilizados. É a escuridão reinante.

sexta-feira, junho 01, 2007

Memórias Póstumas de Brás Cubas(1880)

Para muitos este livro de Machado foi o divisor de águas em sua obra. Foi o momento que se libertou e assumiu seu estilo próprio, que o estabeleceria como talvez o maior escritor brasileiro da história.

Este livro inicia-se com a morte de seu narrador, Brás Cubas. Livre das amarras da vida ele conta sua estória, com reflexões irônicas e muita franqueza. É uma análise dos acontecimentos e pessoas com quem conviveu, mas sob a perspectiva do presente, no caso sua situação de morto.

Apesar de vários sonhos, percebe-se que Cubas viveu uma vida de mediocridade, onde os principais fatos de destaque foram o romance com Marcela e posteriormente o caso com Virgília.

Marcela era na visão do narrador "luxuosa, impaciente, amiga do dinheiro e de rapazes." Encontrava-se o narrador com 17 anos e foi facilmente seduzida pela espanhola. Para afastá-lo da amante seu pai o enviou para estudar na Europa. Na visão de Cubas "Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos de réis; nada menos".

Após diplomasse em direito sem maiores méritos, ele retorna ao Brasil onde conhece Virgília. A moça fazia parte de um plano de seu pai para não só conseguir o casamento mas também ingressar na política. No entanto é arrebatada por um rival, fato que seu pai nunca conseguir superar.

O interessante é que Brás Cubas não amava Virgília, e com certa indiferença assistiu o episódio. Tudo mudou anos depois quando re-encontrou o casal e tornaram-se amigos íntimos. Ao mesmo tempo que portava-se como amigo e confidente de Lobo Neves, marido da moça, iniciava um romance com Virgília.

A moral de Cubas é extremamente relativa, ao mesmo tempo que pratica um gesto nobre é incapaz de repetí-lo em situação semelhante. Todo o desenrolar do caso é descrito de forma natural, sem grandes sobressaltos, como se fosse algo comum na vida.

Aliás esta para mim é a grande temática do livro. Brás Cubas foi uma pessoa medíocre, que viveu e morreu desta forma. Nunca teve forças e vontade para lugar pelo que acreditava ser seu destino, seja as glórias de uma carreira na política ou o amor de Virgília.

Ao deixar o mundo sem ter se casado ou deixado herdeiros termina sua narração com um capítulo lacônico onde narra:

"Não alcancei a celebridade do emplasto, não fui ministro, não fui califa, não conheci o casamento (...) não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria."