sexta-feira, junho 01, 2007

Memórias Póstumas de Brás Cubas(1880)

Para muitos este livro de Machado foi o divisor de águas em sua obra. Foi o momento que se libertou e assumiu seu estilo próprio, que o estabeleceria como talvez o maior escritor brasileiro da história.

Este livro inicia-se com a morte de seu narrador, Brás Cubas. Livre das amarras da vida ele conta sua estória, com reflexões irônicas e muita franqueza. É uma análise dos acontecimentos e pessoas com quem conviveu, mas sob a perspectiva do presente, no caso sua situação de morto.

Apesar de vários sonhos, percebe-se que Cubas viveu uma vida de mediocridade, onde os principais fatos de destaque foram o romance com Marcela e posteriormente o caso com Virgília.

Marcela era na visão do narrador "luxuosa, impaciente, amiga do dinheiro e de rapazes." Encontrava-se o narrador com 17 anos e foi facilmente seduzida pela espanhola. Para afastá-lo da amante seu pai o enviou para estudar na Europa. Na visão de Cubas "Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos de réis; nada menos".

Após diplomasse em direito sem maiores méritos, ele retorna ao Brasil onde conhece Virgília. A moça fazia parte de um plano de seu pai para não só conseguir o casamento mas também ingressar na política. No entanto é arrebatada por um rival, fato que seu pai nunca conseguir superar.

O interessante é que Brás Cubas não amava Virgília, e com certa indiferença assistiu o episódio. Tudo mudou anos depois quando re-encontrou o casal e tornaram-se amigos íntimos. Ao mesmo tempo que portava-se como amigo e confidente de Lobo Neves, marido da moça, iniciava um romance com Virgília.

A moral de Cubas é extremamente relativa, ao mesmo tempo que pratica um gesto nobre é incapaz de repetí-lo em situação semelhante. Todo o desenrolar do caso é descrito de forma natural, sem grandes sobressaltos, como se fosse algo comum na vida.

Aliás esta para mim é a grande temática do livro. Brás Cubas foi uma pessoa medíocre, que viveu e morreu desta forma. Nunca teve forças e vontade para lugar pelo que acreditava ser seu destino, seja as glórias de uma carreira na política ou o amor de Virgília.

Ao deixar o mundo sem ter se casado ou deixado herdeiros termina sua narração com um capítulo lacônico onde narra:

"Não alcancei a celebridade do emplasto, não fui ministro, não fui califa, não conheci o casamento (...) não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria."

Um comentário:

Anônimo disse...

Oi, gostei do seu blog, muito interessante, nele tirei umas duvidas sobre o livro memórias póstumas de brás cubas!!!
criei um blog esses dias se puder de uma passada lá! obrigado.

www.renatofz.zip.net

abraço