quarta-feira, junho 06, 2007

Retratos de uma sociedade

No carro um avô dirige. O neto, no banco de trás, chupa uma bala. Pelo retrovisor vê o menino colocar o papel dobrado no cantinho da porta.
__ Meu filho, não coloca aí não. Pode jogar pela janela.
__ Pode não vô. Vai entupir a rua se chover.

Uma pessoa sai feliz da lanchonete e diz para o amigo.
__ Ganhei o dia!
__ Que houve?
__ Paguei com uma nota de R$ 5 e recebi troco para R$ 50!
__ Valeu a pena hein?
__ Se valeu.

__ Tenho terror desta matéria. Repeti ela na faculdade.
__ Foi mesmo?
__ Foi. O professor era o maior carrasco! Ninguém entendia nada que ele falava.
__ Então deve ter ficado um monte de gente.
__ Que nada... passou quase todo mundo. Fui a única que não colou...

__ Cara deixa de ser bobo, pode lançar aí.
__ Mas não tem perigo?
__ Não, este campo eles não conferem. Não tem como. Pode lançar e pegar de volta na devolução. Foi um cara da receita que me ensinou.

__ Estou a duas semanas sem ver televisão.
__ O que houve?
__ Cortaram meu gato da net.
__ Que azar!
__ Pois é, e não tem nem um 0800 para reclamar!

__ Faz anos que não compro um software. São muito caros! Para que pagar se dá para baixar de graça na internet!

__ E aí ? Beleza? Vamos que estamos em cima da hora.
__ Seguinte, pode ir, leva meu ingresso e tenta passar.
__ O que houve?
__ Para todos os efeitos fui no jogo contigo. Vou aproveitar que a mulher me deu a liberação e fazer um programa paralelo...

Todas estas estórias são reais. Fui personagem de umas, escutei outras; todas envolvem pessoas de bem. Este é um pequeno mosaico de nossa sociedade, de nossa moral tortuosa e relativa. Não estou aqui para julgar ninguém. O leitor que tire suas próprias conclusões, como tiro as minhas.

Nenhum comentário: