sexta-feira, junho 29, 2007

Um bom debate que deveria ser travado de forma mais clara no Brasil é a questão das cotas raciais nas universidades.

Seus defensores aqui no Brasil gostam de citar sempre a experiência americana. Pois levaram um revés ontem com a decisão da Suprema Corte de derrubar o princípio da ação afirmativa, que vigora desde da década de 50.

Nem vou entrar no mérito hoje, estou começando a pesquisar sobre o assunto. Vou sim falar um pouco da reportagem do Globo.

Ao noticiar o fato, o jornal tomou nitidamente a posição a favor da ação afirmativa.

A começar como foi dada a notícia: "a maioria conservadora do tribunal determinou que a raça não pode ser..."

A decisão foi apertada? Foi. Mas daí a dizer que não foi uma decisão do tribunal e sim da "maioria conservadora" vai um alqueire. O Globo deixou, por exemplo, de noticiar que o único negro da Suprema Corte votou contra as cotas. Diante da natureza do debate tratava-se de uma informação importante.

O que mais diz a reportagem? "Os quatro juízes progressistas e que votaram contra apresentaram suas justificativas usando o dobro do espaço (160 páginas) utilizado pelos seus cinco colegas". Duas mensagens nesta passagem: quem é a favor das cotas é progressista, e mais sutil, possui o dobro de argumentos para defender sua posição.

No fim dá destaque a duas opiniões: um senador democrata e um ativista de direitos civis. Ambos favoráveis a cota alertando que a decisão é um retrocesso histórico.

Não, ainda não vou entrar nessa discussão, por enquanto sou só leitor e "escutador", mas o tom da notícia cabia melhor como um artigo de opinião. Como notícia cabia um pouco mais de honestidade intelectual, como por exemplo citar a justificativa de um dos cinco juízes "conservadores".

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