terça-feira, julho 31, 2007

Só aplausos

Retrato do Brasil

Fui a Campinas com três objetivos e nenhuma esperança
por Suzana Magalhães Lacerda em 31 de julho de 2007

Resumo: Depois de uma inútil maratona procurando atendimento em repartições públicas, surge um dúvida: ser funcionário público ou terrorista?

© 2007 MidiaSemMascara.org

Fui a Campinas com três objetivos e nenhuma esperança: Receita Federal, Justiça Federal e Procuradoria Geral da Fazenda Nacional. O problema é simples: empresa cliente precisa de Certidão Negativa de Débitos e, para isso, precisa "baixar" todos esses débitos. A solução é complicada: percorrer todas as repartições públicas, conversar com todos os funcionários públicos e esperar.

Destino 1: Receita Federal (na parte da tarde).

Dirijo-me ao balcão de informação e explico o caso. A funcionária (pública), de cabeça apoiada nas mãos, já adverte: "O responsável não está mais aqui, mas se quiser, pega uma senha."

Entro na fila, espero e chego a outra funcionária (pública) e explico o caso:

- Preciso ver dois processos, recentes, para saber do que se trata.
- Xiiiiiiiii, processo só com Zé Carlos. E ele já foi embora (eram 14:30h). Só amanhã, das 8h às 11h.

Eu insisto:

- Mas é urgente e só preciso saber do que se trata. Não tem outra pessoa?
- Não tem. Só o Zé Carlos.

E ela tenta me animar:

- Vem bem cedinho... aí ele te deixa ver o processo na hora. Senão... tem que agendar para ver outro dia.

Sim, sim. Eu já conheço o Zé Carlos. Funcionário público de meia-idade, dono da verdade (e de todos os processos da Receita Federal de Campinas), todo prosa.

Desisto de ver esses processos e prossigo:

- Tem outro processo, mas este está com o Sr. Eli. Preciso falar com ele para saber o andamento.
- O Eli ? (ela dá uma risadinha). O Eli não recebe ninguém!
- Sei.

Já tinham me alertado.

- Mas, moça, é urgente! Tenho que falar com o Eli...
- Olha, para falar com o Eli, você tem que falar com a Graça primeiro, que é chefe dele.
- E onde a Graça fica ?
- Iiiiiiiiiiii, a Graça já foi embora, mas ela fica aqui do meu lado, de manhã. Aí você volta amanhã, fala com a Graça, ela te dá uma autorização para subir e falar com o Eli. Com a autorização, você liga para o Eli e vê se ele te recebe!

Assim, bem simples. Já que o Zé Carlos e nem a Graça estavam lá e o Eli não quis me receber, fui embora. Sem resolver nada.

Destino 2: Justiça Federal

Na Justiça Federal, o objetivo era mais simples: conversar com o juiz (que já havia me recebido outro dia).

Dirijo-me ao gabinete e converso com a moça (sim, para se chegar a um funcionário público, sempre é preciso falar com outro antes):

- Queria despachar com o juiz.

A moça lembra de mim, pede para eu esperar, vai falar com o juiz e volta com cara de lamento:

- Olha, o juiz não vai te receber porque você já falou com ele e já já ele irá decidir sobre seu processo.

Resignada, peço, gentilmente:

- Então, posso ver o processo ? Só para saber o que a Receita Federal (não o Eli, ou a Graça ou o Zé Carlos) disse ?
- Ai, acho que não pode!
- Como não posso ? O processo não está aí na sua mesa ? Por que não posso ?
- Acho que é irregular (!?).
- Irregular ?

A funcionária (pública) pergunta para a outra:

- Ela pode ver o processo ? Não é irregular ?
- Não, ela pode.

Pego o processo e percebo um erro de um funcionário (público) que esqueceu de me intimar de um despacho de um mês atrás. E digo:

- Olha, teve um despacho, há um mês atrás, e eu não fui intimada ainda e se eu não cumprir o despacho, o juiz não vai decidir...

Ela pega o processo, analisa, faz cara de descrédito e rebate:

- Foi erro do funcionário (público). Vou ter que mandar o processo de volta para a Secretaria, eles vão mandar publicar o despacho, depois abre seu prazo para resposta, daí ele volta para cá e, então, mandamos para o juiz decidir.

Impaciente, eu argumento:

- É que eu tenho pressa na decisão! Se eu for esperar tudo isso, serão mais uns 20 dias. Não posso tomar ciência do despacho agora e já cumpri-lo e, depois, bem rápido, você manda o processo de volta ao juiz ?

A parte do "bem rápido" foi um acesso de ingenuidade, mas a funcionária concordou e explicou:

- Assim é melhor. O erro foi de um funcionário e ele ia levar uma bronca do juiz.... e ele é um moço tão bonzinho, tadinho. Vamos lá falar com ele.

Vem o funcionário (público) que errou. Corrige o erro. Se não fosse minha pressa, eu faria questão da bronca do juiz. Tiro cópia do processo, devolvo e sigo minha jornada. Sem resolver nada.

Destino 3: Procuradoria Geral da Fazenda Nacional

Pego a senha, sento, abro meu livro e espero. 20 senhas e 40 minutos depois, sou chamada. Explico o caso e a funcionária prontamente responde:

- Para saber disso, é só a senhora entrar no site do Comprot.

Ora, se fosse simples assim, eu não teria andado 80 km até Campinas, pegado senha e esperado 40 minutos!

São 16h30, rodízio do meu carro, paciência gasta na Receita, paciência gasta na Justiça Federal e eu retruco:

- Posso falar com a Fernanda ?

O negócio de chamar um nome faz efeito. O serviço público agora é personalizado. O Zé Carlos é processo, a Graça é para Eli, o Eli para decidir, a Helô para o procurador e a Fernanda para um pouco de atenção.

Enquanto espero, meu chefe liga. Tento explicar que passei o dia todo em Campinas e não resolvi nada, e que não foi culpa minha. Ainda bem que ele já foi funcionário público e que, na hora que ele começa a perguntar, a Fernanda aparece.

- Preciso desligar. Chegou minha vez, depois te ligo.

A Fernanda, funcionária pública educada, aparece. Lembra de mim, mas não lembra do meu caso. Explico e ela recorda:

- Seu processo já está com o procurador! (passados dois meses)
- Mas já foi enviado para a Receita dar baixa no débito ?
- Ah, daí eu não sei.
- Mas, você não pode olhar isso para mim ? Eu tenho pressa, a empresa precisa, urgente, da CND. E, além do mais, o erro foi de vocês!
- Não posso. Quem pode te ajudar é a Helô.
- Então, posso falar com a Helô ?
- Ela não está aqui hoje, só terça. Volta terça-feira, daí você fala com ela, ela fala com o Procurador e vê se seu processo está ou não aqui!

São 17h30, vou para São Paulo com uma única certeza: vou levar multa de rodízio.

No caminho, um dilema. Não sei se queria ser funcionária pública para também não fazer nada e irritar todo mundo ou se queria ser uma terrorista e jogar uma bomba em cada repartição que passei.

Chego em São Paulo, 19h, trânsito, multa e ainda bato o carro.


A autora é Advogada do escritório Monteiro, Neves, Fleury Advogados Associados.

A "democracia" deles

Domingo de frio em São Paulo. Cerca de 6 mil pessoas fizeram uma passeata protestando contra o estado de coisas no Brasil. Não havia um real de dinheiro público naquele ato. Não, você não viu na televisão. As redes resolveram não noticiar o evento para não serem confundidas com o movimento e consideradas contra o governo. Inclusive se recusaram a veicular as propagandas (pagas) pelo movimento.

Esta é a "democracia" da esquerda brasileira. Só vale manifestação se for feita por eles, de preferência com dinheiro público, financiando o transporte, o lanchinho e se possível um artista para animar. Crítica ao governo? Só se for feito pela companheirada.

Basta ver as notícias que estão na mídia. Caracterizaram o movimento como protesto da "elite branca", como "golpismo". 6 mil pessoas? Em São Paulo? É claro que não é o povão alimentado pelo bolsa família que estava lá, mas também não era esta elite endinheirada que estão querendo dizer, com muita má fé. A maioria era de gente como eu, da classe média, que paga impostos em demasia e leva o país nas costa. São os que no fim das contas bancam as políticas assistencialistas de compra de votos do governo.

Mas estes não podem protestar. Como não podiam os que estavam no Maracanã. Alguns já associam com a Marcha pela Familia de 1964, como se este também não fosse legítimo. A CUT já prepara uma manifestação em defesa do governo, esta com o dinheiro dos trabalhadores. Esta sim, legítima.

Que democracia é esta? Uma democracia que só uma parte da sociedade tem direito de protestar, que o discurso ideológico é monopolizado e que os que não votaram no atual presidente devem ficar calados e torcendo para um bom governo.

Não reconhecem a existência de uma oposição. Nem estou falando da partidária, mas a de milhões de brasileiros que não acreditam no atual governo. Uma multidão considerável, embora minoria, que não se vê representada pelos partidos que estão atualmente na oposição justamente pela incapacidade destes em entender seu papel na luta política.

O fato é que as vaias do Maracanã, as vaias no Nordeste, e agora esta passeata incomodou bastante o lulo-petismo. O que demonstra que algum efeito prático está tendo. É claro que vem reação por aí, propaganda pesada, algumas passeatas.

Faz parte do jogo. O que não faz parte e a mídia desclassificar a priori um movimento tão legítimo como qualquer outro.

segunda-feira, julho 30, 2007

Corinthians 2 x 2 Flamengo

Decadência

O clássico entre as equipes mais populares do país mostrou até onde vai a decadência de ambas. Com um Morumbi quase vazio, Flamengo e Corinthians fizeram um jogo de nível técnico horroroso, apesar dos gols. O resultado de 2 x 2 foi ruim para os dois e permanecem na rabeira da tabela. O que me chamou a atenção foi a falta de empenho da maioria dos jogadores, assim como o mal futebol. O que caíram Leonardo Moura e Renato Augusto é espantoso. Assim fica difícil sair da situação.

Upgrade

UPGRADE DE NAMORADO 5.0 PARA MARIDO 1.0

Caro Suporte Técnico,

Ano passado fiz um upgrade do NAMORADO 5.0 para o MARIDO 1.0, (ou seja:
casei!!!) e notei uma redução significativa de performance, Principalmente
nos aplicativos CARINHO, FLORES e JÓIAS, que operavam sem falhas no
NAMORADO 5.0. Além disso, o MARIDO 1.0 desinstalou outros programas
importantes como ROMANCE 9.5 e ATENÇÃO AO QUE EU DIGO 6.5 e instalou
aplicativos indesejáveis como CAMPEONATO BRASILEIRO 5.0.

Também não tenho conseguido rodar o programa CONVERSAÇÃO 8.0 e o CUIDANDO
DA CASA 2.5 simplesmente trava o sistema.
Tentei rodar o RECLAMANDO 5.3 para corrigir esses bugs e não consegui
nada. O que faço?

Ass.: Desesperada.
______________________________________

Resposta: Suporte Técnico

Cara desesperada, Primeiramente, tenha em mente que o NAMORADO 5.0 é um
pacote de entretenimento, enquanto MARIDO 1.0 é um sistema operacional.

Comece fazendo o download de LÁGRIMAS 6.2 e depois digite o comando C:/EU
PENSEI QUE VOCÊ ME AMAVA para instalar o CULPA 3.0. Essa operação atualiza
automaticamente os aplicativos FLORES 3.5 e JÓIAS 2.0. Mas, lembre-se que
o uso em excesso desses aplicativos no Marido 1.0 pode ativar alguns
programas indesejáveis como SILÊNCIO TOTAL 6.1, FUTEBOL COM OS AMIGOS
7.0que invariavelmente instala o CERVEJA 6.1.

Este último é terrível, pois cria arquivos tipo WAV da versão RONCANDO
ALTO 2.5. De qualquer forma, NUNCA instale SOGRA 1.0 ou reinstale qualquer
outra versão de NAMORADO. Estes aplicativos são incompatíveis e vão travar
o MARIDO 1.0. Em resumo, MARIDO 1.0 é um ótimo sistema, mas ele tem
limitações de memória e demora a rodar certos aplicativos. Para o perfeito
funcionamento do sistema,sugerimos que a senhora adquira alguns programas
adicionais: Recomendamos:

JANTAR ROMÂNTICO 2.0 e o LINGERIE 6.9!!! Muito cuidado. Algumas clientes
instalam o FILHO 1.0 para tentar dar estabilidade ao sistema e muitas
vezes isso causa uns efeitos contrários,sendo necessária antes uma
verificação total no sistema, para garantir espaço no HD e principalmente
ter um SWAP adequado no MONEY 3.0.

Boa Sorte.
Help Desk

domingo, julho 29, 2007

Novas aquisições - parte II


Grand Funk Railroad
Phoenix, 1972
Primeiro album do Grand Funk após a saída do produtor Terry Knight e com Craig Frost tocando como músico convidado e desfazendo o formato de Power Trio.



Camisa de Vênus
Duplo Sentido, 1987
Após estourar nas paradas, o Camisa gravou este álbum com o máximo que conseguiu de produção na carreira.

Terminou o Pan

Quem me conhece sabe que sou um fã de esportes. Nas Olimpíadas de Sidney, por exemplo, fiquei madrugadas inteiras assistindo o desempenho dos atletas brasileiros. Meu dia era marcado pelos horários das competições.

Mas este Pan foi diferente, o que pode ser constatado pelo número reduzido de posts deste blog.

Qual foi a diferença?

Até ano passado eu era totalmente indiferente à situação do país. Era um entusiasta do pão e circo. Era um daqueles que julgam melhor não pensar para não se decepcionar. Uma alienado tentando ser feliz em sua ignorância. E até certo ponto era.

Mas desde o momento que assisti embasbacado aquele famoso depoimento de Roberto Jefferson no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados tomei a pílula azul (ou vermelha, não lembro) e saí de Matrix.

Iniciei um processo irreversível de desalienação. Entendi que é justamente minha postura anterior que faz com que a elite política consiga fazer os verdadeiros absurdos que assistimos todos os dias no noticiário.

Por isso não conseguir ficar alheio ao fato de que o orçamento de R$ 400 milhões se transformou em R$ 3 bilhões. De dinheiro público. A conversa que o Pan arrumaria a infraestrutura da cidade do Rio de Janeiro foi pura conversa. Sim, fizemos algumas praças de esportes, mas a que custo? 3 bilhões de reais?

Somos uma país em que mais da metade da população não tem acesso à água potável, 90% das estradas não são pavimentadas, algumas cidades possuem índice de mortes violentas maiores do que Bagdá em guerra. Este investimento em praças esportivas de nível olímpico parece-me um luxo indefensável. E incompatível com a situação do país, e da cidade do Rio de Janeiro.

Torci pelos atletas brasileiros, assisti várias competições. No entanto não tive vontade de pagar um ingresso e assistir uma competição.

Tentei me animar pelo menos para fazer um acompanhamento pelo blog. Tomei a decisão de registrar cada medalha de ouro. Infelizmente poucas horas após o primeiro post, em que fiz um mosaico com nossos vencedores, vi pela televisão uma avião em chamas com 180 passageiros dentro.

O Pan pareceu-me ainda mais fútil.

A grande maioria dos atletas brasileiros que competiram merecem nossos aplausos, são vencedores. As histórias da trajetória de cada um rumo às medalhas são dignas de serem registradas e servirem de exemplo.

Mas agora que acabou, existem estórias que devem ser contadas, e investigadas.

Nossos políticos e dirigentes esportivos sonham com uma Copa do Mundo e um Jogos Olímpicos. Sonho com ambos bem longe daqui. Se para organizar este evento, que sejamos francos é de terceira categoria, 400 milhões se transformaram em 3 bilhões... o que será de uma Copa do Mundo? Com Ricardo Teixeira à frente!

Não meus amigos. O Brasil tem muito mais com que se preocupar, e muito o que fazer. Existem prioridades inquestionáveis longe de serem atacadas.

O esporte ainda não é uma prioridade, e nem deve ser.

Ah, mas o esporte tira a criança do crime, das drogas, dá esperança.

A educação também, e com muito mais força. E estamos dando diploma de segundo grau para analfabetos genuínos, e diplomas universitários para analfabetos funcionais. Estamos vendendo a imagem de que o estudo não leva a lugar nenhum (e este que existe no Brasil realmente não leva), mas que lutar boxe leva. Ou correr descalço em uma pista de terra batida.

A prática de esportes dentro de uma política educacional séria é importante, mais até do que gastar dinheiro em atletas de alto desempenho para ganhar medalhas olímpicas. Não se compara, entretanto, com uma política de educação verdadeira, voltada para todo o ciclo escolar.

Por estes motivos não me animei como antes para este Pan.

Não aceito mais pão e circo.

Livro: O Mistério do Trem Azul

The Mystery of the Blue Train
Agatha Christie, 1928

Uma das primeiras obras da dama do crime. Uma rica herdeira é assassinada dentro do luxuoso Trem Azul, em sua viagem de Londres à Nice. Hercule Poirot, que estava entre os passageiros, investiga o crime que parece apontar cada vez mais para o marido da vítima. Um livro interessante, que prende a atenção no final mas definitivamente não pode ser considerado um dos melhores. Nota 6.

Para não esquecer

41 anos depois do atentado terrorista no Aeroporto Internacional dos Guararapes
por Aluisio Madruga de Moura e Souza em 28 de julho de 2007

É sempre bom relembrar. Muitos já escreveram em seus livros sobre aquele dia fatídico, dentre eles o Gen. Raymundo Negrão Torres, Gen. Agnaldo Del Nero Augusto e o Cel Carlos Alberto Brilhante Ustra. Vou me fixar resumindo o que escreveu o meu amigo já falecido Gen. Negrão.

Estava assaz movimentado o Aeroporto Internacional de Guararapes naquele começo de manhã de 25 de julho de 1966. Além da freqüência normal, muitos ali estavam para recepcionar o general Arthur da Costa e Silva, candidato do partido do governo – ARENA – à Presidência da República. As autoridades legais não sabiam e nem mesmo desconfiavam que as facções comunistas que repudiavam a “coexistência pacífica” pregada por Moscou e aceita pelo PCB de Luís Carlos Prestes estavam dispostas a derrubar o governo a bala, com bomba e outros atos de terrorismo.

Poucos minutos antes das oito chegava a notícia de que houvera uma pane no avião do Presidente e que ele chegaria a Recife por via terrestre. Muitos deixaram, inclusive crianças, o aeroporto. Eis que em ato contínuo, o guarda civil Sebastião Tomás de Aquino viu, “esquecida” em um canto, uma valise escura e a apanhou para entregá-la no balcão de “Achados e Perdidos”. Seguiu-se violenta explosão que, além de grande destruição das instalações, causou pânico e correria, deixando um trágico saldo de 17 vítimas. Ao se dissipar a fumaça da explosão, jaziam no chão o jornalista e Secretário de Governo de Pernambuco, Edson Régis de Carvalho, mortalmente ferido, e morto o almirante da reserva Nelson Gomes Fernandes. O guarda civil Sebastião - o “Paraíba”, um antigo e popular jogador de futebol do Santa Cruz teve a perna direita amputada e o tenente-coronel do Exército, Silvio Ferreira da Silva, além de ferimentos generalizados, teve amputação traumática de quatro dedos da mão esquerda. Ficaram ainda feridos os advogados Haroldo Collares da Cunha Barreto e Antônio Pedro Morais da Cunha, os funcionários públicos Fernando Ferreira Raposo e Ivancir de Castro, os estudantes José Oliveira Silvestre, Amaro Duarte Dias e Laerte Lafaiete, a professora Anita Ferreira de Carvalho, a comerciária Idalina Maia, o guarda civil José Severino Pessoa Barreto, o deputado federal Luiz Magalhães Melo, Eunice Gomes de Barros e seu filho, Roberto Gomes de Barros, de apenas 6 anos de idade. O acaso, transferindo o local da recepção, impediu que a tragédia fosse maior.

Na ocasião, sem provas conclusivas, este primeiro ato criminoso de terrorismo ideológico foi atribuído a militantes do Partido Comunista Revolucionário (PRC) e do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário(PCBR). Hoje, sabe-se que foi obra dos rumos tomados pelo “maoismo cristão” da Ação Popular (AP). E quem afirma, com base em pesquisas e entrevistas iniciadas em 1979, é Jacob Gorender, um histórico militante de esquerda, em seu livro Combate nas Trevas, cuja primeira edição data de 1988. Às páginas 122 e seguintes, entre outras coisas, Gorender afirma:

“Enquanto Herbert de Souza (Betinho) e Jair Ferreira de Sá buscam contato com Brizola em Montevidéu, Paulo Wright e Alípio de Freitas (ex-padre católico) conseguem sair do Brasil e chegar a Cuba onde realizam curso de guerrilha. De retorno ao Brasil e já em 1965, a Ação Popular, decidida em partir para a Luta Armada, cria uma Comissão Militar incumbida de ministrar cursos de armas e explosivos. Membro da Comissão Militar e dirigente Nacional da AP, padre Alípio encontrava-se em Recife em meados de 1966, quando tomou conhecimento da visita de Costa e Silva e, por conta própria, resolveu aplicar seus conhecimentos sobre a técnica de atentados”.

Um dos executores do atentado, ainda revelado pelas pesquisas de Gorender, foi Raimundo Gonçalves de Figueiredo que mais tarde foi morto pela polícia de Recife em 27 de abril de 1971, já como integrante da VAR-PALMARES, utilizando o nome falso de José Francisco Severo Ferreira, com o qual foi autopsiado e enterrado. São terroristas desta extirpe que hoje são apontados como tendo agido em defesa da Democracia e cujos “feitos” estão sendo recompensados pelo governo, as custas do contribuinte brasileiro, com indenizações e aposentadorias que poucos trabalhadores recebem, recompensa obtida graças ao trabalho faccioso e revanchista da Comissão de Mortos e Desaparecidos, instituída pela Lei nº 9140, de 4 de dezembro de 1995.

O fato em si está esquecido pelas autoridades militares, enquanto a esquerda mente descaradamente valorizando junto à opinião pública os seus. Fico a imaginar o que sentem as vítimas deste ato covarde, que foi o primeiro dentre tantos outros realizados pelos terroristas brasileiros e que, graças à Lei de Anistia que lhes foi outorgada pela Contra-Revolução de 1964, ocupam postos-chave do governo e estão levando o País ao caos.

Hoje, 25 de julho de 2007, 41 anos após o atentado do Aeroporto dos Guararapes, após os Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica engolirem goela abaixo a decisão da Comissão de Direitos Humanos sobre o traidor Lamarca, temos um novo Ministro da Justiça. E que ministro!!! Como aceitaram!

General Sílvio Ferreira da Silva e demais vítimas do terrorismo no Brasil, em que pese o esquecimento de quem de direito, nós não nos esquecemos de vocês.


O autor é Cel da Reserva do EB, autor dos livrosGuerrilha do Araguaia Revanchismo – A Grande Verdade e Documentário – Desfazendo Mitos da Luta Armada.

sábado, julho 28, 2007

Novas aquisições - parte I

Novas aquisições, fruto da viagem a Curitiba.


John Mayall & The Bluesbreaker
Live: 1969

Disco ao vivo de Mayall iniciando uma nova fase na carreira. Estava se mudando para os Estados Unidos e iniciando uma banda reformulada, com a particularidade de não contar com um baterista.


O Terço
A Mudança de Tempo(1977)

Quinto álbum da banda de brasileira que fez relativo sucesso nos anos 70.


Tributo a Jimi Hendrix

In From the Storm (1995)

Brian May, Sting, Cozy Powell, Neil Murray, Bill Cox, Paul Rodgers... precisa falar mais?


jóquei

sexta-feira, julho 27, 2007

Poderoso

Este César Maia é poderoso mesmo.

Depois de organizar uma vaia com 90 mil pessoas no Maracanã, sem ninguém ficar sabendo antecipadamente, organizou agora vaias em Aracaju e Natal.

Já não são braços, são tentáculos!

Novos tempos

Primeiras palavras de Jobim, uma bobagem sem tamanho

Não sei que equação matemática associa fila com qualidade. Mas o novo Ministro da Defesa, em suas primeiras palavras no cargo, afirmou as filas podem significar segurança. Se for assim os aeroportos americanos e europeus devem ter filas homéricas. Começo a ficar preocupado com esta primeira idéia do novo responsável pelo transporte aéreo brasileiro.

Por que existem filas gigantescas? Porque os vôos não saem no horário. E por que não saem? Porque estão concentrados em determinados horários, sem nenhum controle pelas autoridades responsáveis. E porque as empresas aéreas estão aplicando o overbooking escandalosamente. Portanto, não é uma equação que envolva segurança.

Começou mal.

quinta-feira, julho 26, 2007

Piloto

Rezar?

A posse de Nelson Jobim foi marcada também por dois fatos que representam a maneira como o chefe de governo encara os problemas brasileiros.

Primeiro foi a volta ao tom de balofa, com comentários bem humorados de Lula. Ainda admitiu: é preciso quebrar o clima. Está parecendo uma versão mais light para o relaxa e goza de sua ministra do turismo. E mostra que MAG não é o único incapaz de se sensibilizar com o sofrimento de 200 familias.

Como se não bastasse, ainda firmou em seu tom galhofeiro de sempre: "toda vez que embarco em uma avião, rezo para não cair". Um comentário infeliz para a ocasião em que dava posse à pessoa que escolheu para tentar resolver o caos provocado pela absoluta incompetência, de seu governo, em gerenciar uma atividade que não admite falhas. Como presidente deveria governar ao invés de rezar, para isso foi eleito.

A verdade é que hoje existem brasileiros rezando. Uns pelos seus mortos, e outros para não serem os próximos. E rezam porque o governo atual é esta maquina de propaganda sem conteúdo que vemos por aí. Rezam porque uma nova classe político-social tomou de assalto o estado brasileiro (com seus cofres públicos) despido de qualquer sentimento de moral em nome de um projeto populista-socialista que fracassou toda vez que foi colocado em prática.

O gesto de MAG é o recado que esta nova elite dá ao povo brasileiro e não é um pensamento isolado, faz parte do contexto.

Top top top.

Novo Ministro

Depois de 10 meses, dois graves acidentes, 350 mortos, motim de controladores aéreos e situação caótica nos aeroportos, o presidente Lula enfim tomou uma atitude prática e demitiu o Ministro da Defesa.

A pasta possui uma particularidade em relação às demais. Junto com o Ministério das Relações Exteriores, é uma área de política eminentemente de estado, e não de governo. Em uma república presidencialista, onde o papel de chefe de governo e de estado é feito pela mesma pessoa, as duas políticas se confundem, o que não é bom.

A defesa nacional transcende governos, está ligada aos objetivos estratégicos da nação brasileira, independente do inquilino de plantão no Palácio do Planalto.

Que o governo FHC tenha criado o MD se entende, pessoalmente acho 4 ministérios militares um exagero. Mas privar o poder militar de um lugar na mesa de decisões estratégicas não é o caminho. Aos que argumentam que nos Estados Unidos (de onde se copiou o modelo) o secretário de defesa é constantemente um civil, deve-se lembrar que existe a figura do Comandante em chefe das Forças Armadas que possui lugar no secretariado.

A conseqüência do uso político do cargo foi a sucessão de ministros sem a menor qualificação e conhecimento para exercê-lo, tornando uma pasta de estado refém de políticas fisiológicas de governo.

Waldir Pires nunca poderia ter ocupado o ministério. Primeiro por seu absoluto desconhecimento e desinteresse pelos assuntos das FA, e depois pela sua absoluta incompetência gerencial. Além do desprezo que sempre teve pelos militares.

Nelson Jobim está longe de ser a solução ideal, mas não há termos de comparação com o defenestrado, é impossível ser pior.

O grande problema é que assume o ministério com os olhos voltados para a sucessão em 2010. Não é segredo que alimenta o sonho de ocupar o lugar de Lula, contando com isso com o apoio da dupla Sarney-Renan.

Dizem que possui a capacidade suficiente para exercer o cargo. O problema é que a crise aérea é real, o que exigiria, pelo menos por agora, uma solução que fosse a mais técnica possível. Afinal, a origem da crise está no absoluto descaso político para os alertas oriundos da Aeronáutica. A origem da crise é política, e mais uma solução política, e ainda mais alimentada por sonhos presidenciais, deixa-nos desconfiados.

Além do mais, a atuação de Jobim nos seus últimos meses no STF foi no mínimo questionável. Disposto a ser vice na chapa de Lula, usou o cargo mais importante do judiciário brasileiro à serviço do planalto. O sigilo do amigo-filatropo Paulo Okamoto só não foi quebrado por sua atuação direta.

Por isso desconfio seriamente desta nomeação como um primeiro passo para resolver a crise aérea. Continuo achando que o governo não está empenhado em solucionar o problema.

Flamengo 3 x 1 América-RN

Nada mais do que a Obrigação

Enfim uma vitória após longos 2 meses. Mas ainda não é motivo para alívio, a situação ainda está feia. É claro que estaria ainda pior se perdesse. Também foi positivo o gol de Obina, após longa inatividade. Ainda é cedo para comemorações e o time enfrenta outro desesperado no domingo, o Corinthians. O primeiro passo foi dado, agora resta saber se haverá uma caminhanda para sair do abismo.

quarta-feira, julho 25, 2007

Mais Top top top

Por que Pedro Simon está certo

Uma infindável discussão toma conta das apurações das causas do acidente do avião da TAM.

De quem seria a culpa, da TAM? Do piloto? Ou do governo?

Pois é uma discussão desviada do verdadeiro ponto. Todos os especialistas concordam em um ponto: um acidente desta magnitude não ocorre por uma único fator.

O reverso não para sozinho o avião. Mas por que ele existe então? Por que se gasta dinheiro e pesquisa para desenvolver um dispositivo inútil?

O grooving não é prepoderante para a segurança. Por que então está no projeto? E por que será feito agora com urgência?

A garoa não impede o pouso. Por que então nenhum piloto quer mais aterrisar em Congonhas nestas condições? Por que o apelido da pista é Holiday in Ice?

A pista de 1960m é suficiente. Por que então participei de uma obra em Tefé, no coração da Amazônia, para aumentar a pista de 2200 m para 2600 m em função da segurança?

Tudo encaminha para aquele fator que tratei posts atrás. Jogaram com o azar. Cada fator destes, isoladamente não provocaria esta tragédia. Mas quando você junta uma aeronave, com reverso desligado, uma pista curta, sem área de escape, em uma área densamente povoada, ao lado de um posto de gasolina, com chuva e sem grooving... você está no limite!

Junte uma aquaplanagem com uma possível falha nos freios e pronto. Não há mais nenhum fator de segurança para proteger os passageiros e tripulação. O resultado foi a pira macabra fruto da brincadeira que fizeram com vidas humanas.

Estão discutindo as causas, e é bom que as encontrem. É importante para a segurança de vôo. Mas uma coisa é o fator que causou o acidente, ou que forneceu o ingrediente final desta receita funestra. Outra bem diferente é a responsabilidade de quem deveria garantir a segurança do transporte aéreo.

E aí está claramente a responsabilidade do governo. Por isso Pedro Simon estava correto quando entrevistado depois do espetáculo deprimente de M. A. Garcia disse claramente: é claro que a culpa é do governo!

Esta responsabilidade e a culpa associada fica ainda mais flagrante quando se analisa que nunca houve um acidente na aviação tão anunciado quanto este. A sequência de eventos que culminou em Congonhas está registrado para quem quiser ver. Toda a incompetência do governo em tratar do assunto está demonstrada. Foram necessários dois acidentes, 400 mortos, e uma situação sem igual no mundo, para que as primeiras medidas fossem anunciadas. E mesmo assim já se sabe a diferença de propaganda e realização para este governo.

Por tudo isso o governo não tem o que comemorar sobre o desdobramento futuro das investigações. Mas trabalha para isso, com toda sua força.

segunda-feira, julho 23, 2007

O Saber dos Antigos, Terapia para os dias atuais

Autor: Giovanni Reale (1999)

Fabuloso. Não tenho palavras para descrever este livro de Giovanni Reale. Uma visão do nosso mundo atual, dos nossos males e como nos afastamos de lições valiosas da sabedoria antiga, mais precisamente da filosofia grega.

Reale apresenta não apenas os males modernos, mas o que considera a raiz de todos estes males: o niilismo.

Procura demonstrar como a carência de ideais, a perda dos valores supremos e a ausência de Deus como lugar dos valores mais elevados, justamente o niilismo conforme descrito por Nietzsche, tornou-se a característica principal do século XX.

Segundo ele, o tratamento enérgico desses males implicaria sua erradicação, ou seja, a derrota do niilismo, por meio da recuperação de ideais e de valores supremos, a superação do ateísmo, isto é, daquele assassinato de Deus previsto por Nietzsche.

No prólogo, caracteriza o niilismo e justifica porque o considera como a raiz dos males do homem de hoje.

"A cultura contemporânea perdeu o sentido daqueles grandes valores que, na era antiga e medieval e também nos primeiros séculos da era moderna, constituíam pontos de referência essenciais, e em ampla medida irrenunciáveis, no pensamento e na vida".

Condena o relativismo dos valores atuais, que leva à pobreza destes mesmos valores. A convicção de que não exista uma verdade, uma constituição absoluta das coisas.

O niilismo leva a desvalorização e à negação dos seguintes princípios:
  • princípio primeiro, Deus
  • fim último
  • ser
  • bem
  • verdade

A "morte de Deus" tem um significado bem maior do que o de exprimir uma forma da ateísmo comum, significa que o mundo ultra-sensível (transcendental) não tem força real e com isso, a anulação total dos valores ligados a ele, a perda de todos os ideais.

"Em suma, a afirmação 'Deus está morto' é a fórmula emblemática do niilismo e significa que o mundo meta-sensível (o mundo metafísico) dos ideais e dos valores supremos, concebido como ser em si, como causa e como fim __ ou seja, como aquilo que dá sentido a todas as coisas materiais, em geral, e à vida dos homens, em particular __, perdeu toda consistência e toda importância."

Esta transferência dos valores da esfera do ser e da transcendência para o mundo físico, o da vontade de potência, e a conseqüente transvaloração radical dos valores supremos constituem a etapa conclusiva e completa no niilismo.

Reale resume em dez itens os males atuais:
  1. o cientificismo e o redimensionamento da razão do homem em sentido tecnológico;
  2. o ideologismo absolutizado e o esquecimento do ideal do verdadeiro;
  3. o praxismo, com sua exaltação da ação e o esquecimento do ideal da contemplação
  4. a proclamação do bem-estar material com sucedâneo da felicidade;
  5. a difusão da violência;
  6. a perda do sentido da forma;
  7. a redução do Eros à dimensão do físico e o esquecimento da "escala de amor" platônica (e do verdadeiro amor)
  8. a redução do homem a uma única dimensão e o individualismo levado ao extremo;
  9. a perda do sentido do cosmos e da finalidade de todas as coisas;
  10. a materialismo em todas as formas e o esquecimento do ser, a ele vinculado.

A cada capítulo apresenta um destes males e uma terapia baseada nos ensinamentos dos antigos. É uma viagem às várias dimensões da vida humana, o quadro que estamos vendo a cada dia, e como os gregos tratavam estes temas. Lições valiosas para aqueles que quiserem escutá-las.

No epílogo apresenta duas mensagens de Platão aos homens de todas as épocas.

A primeira é a criação do conceito ocidental de "con-versão".

Esta palavra, hoje associada ao cristianismo, tem origem na filosofia grega e significa "um volver ou fazer girar 'toda a alma' para a luz da idéia do Bem, que é a origem de tudo".
A mensagem de Platão seria a seguinte:"converter-se consiste em voltar-se das puras aparências para a Verdade. Ou em desligar-se das coisas que prendem à dimensão do sensível e voltar-se para o supra-sensível".

A segunda mensagem do grande filósofo está em "Fedro"; para o autor, a obra-prima de Platão.

É justamente a oração proferida por Sócrates que reprentaria todas as coisas que precisamos em nossa existência:

"Querido Pã e outros deuses que estais neste lugar, concedei-me a beleza interior e fazei que meu exterior se harmonize com tudo o que carrego dentro de mim. Que eu possa considerar rico o sábio e possa ter uma quantidade de ouro que só o temperante conseguiria tomar para si ou levar consigo."

Nesta sublime oração, o filósofo pede quatro coisas.

A beleza interior
Deve-se lembrar que os gregos atribuíam enorme importância à beleza. A grande conquista de Platão estaria na interiorização da beleza. "A beleza física representa apenas o grau mais exterior e mais baixo da própria beleza. A verdadeira beleza é a interior (...) a verdadeira beleza, a divina, não está no cormpo mas na alma, e é esta que é realmente preciosa".

A capacidade de subordinar o exterior ao interior
As coisas interiores seriam os valores da alma; as exteriores os bens materiais e o que ser relaciona a estes.

Não há o desprezo pelas coisas exteriores, "mas antes uma subordinação destas às interiores, uma precisa relação hierárquica".

Continua: "não procure aumentar o que você já tem, mas faça com que o que você tem esteja em harmonia com o que você é (...) se você aumentar aquilo que tem (os bens exteriores), deve simultaneamente aumentar aquilo que você é (os bens interiores)."

Reconhecer na sabedoria a verdadeira riqueza
Não é o ouro (e riquezas em geral) o verdadeiro bem, a sabedoria possui muito maior valor do que este. "A sabedoria é justamente a filosofia, a própria fonte de vida honesta e sábia"

Poder obter o máximo desta riqueza
Durante muito tempo este quarto pedido foi mal interpretado. Sócrates já havia definido a sabedoria como a riqueza, portanto é a ela que se refere com a metáfora do ouro. Temperante é aquele que tem autodomínio, moderação baseada na racionalidade.

Trata-se daquele que compreende que a sabedoria absoluta pertence à divindade, que sabe que ao homem só pode existir uma parte. Pede, portanto, que possua o máximo que puder carregar desta sabedoria e com isso aproximar-se o máximo possível de Deus. "O conhecimento de si mesmo atinge o mais alto grau de 'sabedoria' que o homem é capaz de alcançar. Quem tem a consciência de que não possui a plenitude da sabedoria divina, e portanto não tem a pretensão de ser um perfeito sábio, adquire mais do que todos..."

Conclui afirmando que a força dos antigos está na eternidade de sua mensagem.

"Enquanto que o homem de hoje pensa e trabalha para o aqui e agora, o homem antigo __ artista ou filósofo __ procura pensar e trabalhar 'para sempre', e por isso suas mensagens valem também para o homem de hoje, justamente porque valem 'para sempre'".

E terminar é começar O fim é de lá de onde partimos.
T S Eliot

O Grito


A tela "O Grito" do norueguês Edvard Munch, datada de 1893 é um dos ícones do movimento expressionista.

Este movimento defende que as obras de arte podem ser apreciadas por dois tipos de olhos. Os olhos físicos e os olhos da mente, estes muito mais sensíveis e de alcance mais amplo.

Desta forma, uma imagem bela aos olhos físicos podem se mostrar angustiantes, tristes ou de qualquer outra forma pelos olhos da mente. O pintor expressionista procura chegar a este nível.

Alguns dizem que a arte não precisa ter forma, caracterizando a arte abstrata. Outros dizem que mesmo o expressionismo é feito com formas e uso judicioso das cores para atingir o efeito desejado.

Como disse antes, não entendo nada disso, só peguei uma informação aqui e outra ali.

Axis: Bold as Love

The Jimi Hendrix Experience, 1967

O segundo álbum de Jimi Hendrix, saiu logo em seguida ao primeiro e é mais uma coleção de composições geniais, com uma extraordinária coesão com Noel Redding e Mich Mitchell.

É o primeiro trabalho do ex-Animals Chas Chandler na produção e o guitarrista chegou ainda mais longe em termos de criatividade e genialidade. Era Hendrix mostrando que tinha vindo para ficar e que o rock não seria mais o mesmo depois de sua meteórica passagem pelos palcos do mundo.

Mas Hendrix não teria atingido com tanta intensidade o estilo se não fosse os dois músicos ingleses que formavam seu Experience: Redding e Mitchell. E neste álbum eles mostraram por que formaram uma das cozinhas marcantes da história. Visto as linhas de baixo de If 6 Was 9 e a bateria de Wait Until Tomorrow.

O talento de Hendrix para composição fica marcante em músicas como Spanish Castle Magic, You Got Me Floatin' e Up From The Skies.

Mas são as extraordinárias baladas Little Wing, Castles Made of Sand e One Rainy Wish que mostram sua genialidade.

1. "EXP" - 1:55
2. "Up from the Skies" - 2:55
3. "Spanish Castle Magic" - 3:00
4. "Wait Until Tomorrow" - 3:00
5. "Ain't No Telling" - 1:46
6. "Little Wing" - 2:24
7. "If 6 Was 9" - 5:32
8. "You Got Me Floatin'" - 2:45
9. "Castles Made of Sand" - 2:46
10. "She's So Fine" - 2:37
11. "One Rainy Wish" - 3:40
12. "Little Miss Lover" - 2:20
13. "Bold as Love" - 4:09

Todas as composições são de Hendrix, exceto a nr 10 de Noel Redding.

Retrospectiva

Um vídeo do youtube mostra uma retrospectiva da atuação das autoridades brasileiras nestes meses de caos aéreo. Estão lá Marta Suplicy, o presidente da Infraero, Guido Mantega, o presidente da república e os obscenos do planalto. Fico impressionado com a ginástica mental que os petistas e simpatizantes fazem para defender e justificar esta time. Só pode acontecer isso em um lugar onde a moral é relativa, fruto da vontade de potência prevista por Nietzsche.

clique aqui e tire as crianças da sala.

plantão do Pan

Uma tarde de sucessos

Mais um ouro, desta vez em um esporte digamos mais tradicional do que o wakeboard, o pentatlo moderno. Yane Marques manteve a liderança e venceu a competição.

A equipe feminina de basquete venceu sem maiores sustos a equipe cubana e garantiu seu lugar na final onde aguarda a vencedora de EUA X Canadá. O destaque foi a defesa brasileira que se portou muito bem, tanto na marcação quanto nos rebotes.

No futebol a seleção feminina vai vencendo o México por 2 x 0 na primeira semifinal. Já são 40 minutos do segundo tempo e o domínio é total, afastando qualquer chance de uma surpresa.

Plantão do Pan

Mais um ouro

O brasileiro Marcelo Giardi, o Marreco, ganhou ouro na prova do Wakeboard.

Não é por nada não, mas este Pan tem cada esporte!

Enfim emoção

Enfim a Fórmula 1 viveu uma corrida com emoção, com direito, finalmente, a uma ultrapassagem na pista entre dois pilotos de ponta, e a 5 voltas para o fim da corrida! É claro que só poderia acontecer em uma corrida sob condições excepcionais, como a de ontem na Alemanha. A briga pelo título está aberta, mas a cada prova a contagem cai. Faltam 7 agora. Felipe estava visivelmente mais lento que Fernando na chuva, e este fator foi decisivo. O mais importante foi o fato de Raikkonen não terminar a corrida. Com 11 pontos de desvantagem diante de Hamilton é fundamental uma vitória na próxima corrida e ainda pode ser beneficiado pela disputa entre os pilotos da MacLaren. A dura lição que a Williams recebeu no mundial de 86 não pode ser esquecida jamais. E a equipe inglesa realmente não tem como privilegiar um piloto na forma como está o campeonato, ao contrário da Ferrari que está correndo atrás do prejuízo.

top top top

Grêmio 1 x 0 Flamengo

Show de Horrores

O que leva um atleta profissional a tomar a atitude que o atacante Souza tomou ontem no Estádio Olímpico? Aliás chamar aquele troglodita de "atleta profissional" é exagero. O fato é que ao deixar o time com um a menos ainda no primeiro tempo o atacante acabou com as chances de vitória, faltava lutar pelo empate. E graças a um gol contra de Irineu, em lance absolutamente só, nem isso foi possível. Se a torcida rubro-negra estava preocupada, agora começa a ficar aterrorizada.
Que o time não era uma maravilha, eu já tinha minhas certezas a tempos. Mas que fosse capaz de mostrar este show de horrores neste início de campeonato, diante de times igualmente ruins, é assustador. É bom o time achar seu caminho porque na direção que está indo...

sábado, julho 21, 2007

Medo

Realmente existe um fato novo no ar. O presidente não é o mesmo desde o Maracanã, que pode se tornar um divisor de águas em seu mandato. Não foi à São Paulo com medo de enfrentar as famílias das vítimas do acidente da TAM. E não vai ao enterro de ACM pois sabe que também será vaiado lá.

O povo está descobrindo que tem voz, e pode se manifestar. Isto é bom, pois o governante deve saber que existe um limite. Não é, e nunca será uma unanimidade. É popular, o que é outra coisa. Mas o quanto de sua popularidade é devido à bolsa-voto?

O Maracanã representou um alerta. Tanto para Lula quanto para aqueles que não o apóiam. Lembrou-nos a todos que podemos nos manifestar.

Perguntam mas por que não organizam manifestações? passeatas?

Não existe mais uma liderança civil significativa que não esteja a soldo do petismo. No passado coube a UNE a organização dos protestos mais eficazes no Brasil. Hoje está sustentada pelo estado e pela venda de carteiras estudantis para qualquer brasileiro com vinte reais para pagá-las. E ainda sonha com o "outro mundo possível". O mantra criado por Gramsci para uma revolução socialista via-democracia.

O fato é que existe um processo natural de esgotamento de uma imagem. A de Lula pode ter começado e tudo que parecia descolado de sua pessoa pode começar a grudar agora.

Ainda existem esperanças de varrer este bando que está assaltando o estado brasileiro.

Antônio Carlos Magalhães (04/09/1927 - 20/07/2007)

Morreu uma das figuras ímpares da política brasileira, o senador baiano Antônio Carlos Magalhães, o ACM. Para muitos, a encarnação do mal, o retrato da direita reacionária e da falta de ética na política. Para outros um líder regional e uma das forças contra o avanço da esquerda no país. De qualquer forma, uma das figuras mais importantes da política brasileira.

A definição mais constante nos jornais de hoje era que ACM era um político de sentimentos extremos. Era amor e ódio. E passava de um para outro em uma velocidade incrível.

Era um dos parlamentares mais influentes da casa, mesmo sendo oposição. Com o atual presidente vivia uma relação ambígua, por vezes era capaz de defendê-lo e por outras era um de seus principais algozes.

A política brasileira perdeu uma de suas referências históricas. Para o bem ou para o mal.

sexta-feira, julho 20, 2007

Não entendem

Não, definitivamente eles não entendem o que está acontecendo.

Uma das coisas que está clara na crise aérea é a total incompetência da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC). A sua ligação com as empresas que deveria fiscalizar é escandalosa.

Em tese é quem deve defender o consumidor, ou seja, o passageiro. Durante todos estes penosos meses foi incapaz de acionar uma empresa aérea pelos constantes desrespeitos praticados. O comportamento da TAM após o acidente foi vergonhoso.

Mostrando toda a sensibilidade com que trata o assunto, hoje, com presença do vice-presidente da república, foram entregues a medalha Santos Dumont a dois diretores da ANAC, Milton Zuanazzi e Denise Abreu.

A medalha é entregue aos que se destacam por serviços prestados à Aeronáutica.

Simplesmente não entendem. São atos de um governo que simplesmente se considera acima do bem e do mal.

Mas que na verdade já escolheu o lado em que batalha.

Onde vão embarcar 20 milhões de pessoas?

Presidente da INFRAERO

_ Entendo a postura do Ministério Público e de outras pessoas, mas a verdade é que não de pode ser radical nem fundamentalita. Onde vão embarcar 20 milhões de pessoas?

Com um pensamento destes, não existe a menor condição deste senho continuar no cargo que ocupa. O chefe do órgão que deveria zelar pela segurança dos passageiros está mais preocupado em garantir que continuem voando, em prejuízo da segurança!

Existe uma regra de ouro quando se trata de seguraça: nada é mais importante do que ela. A vida humana não tem preço e é bom estes 20 milhões começarem a ficarem seriamente preocupados, pois claramente esta não é a preocupação principal da INFRAERO.

Mais brilhante ainda foi sua conclusão sobre o acidente, depois de três dias:
_ Aconteceu algum problema no momento do pouso. O avião, por alguma razão, não perdeu a velocidade.

Dá-lhe Sherlock!

foto grotesca

frase do dia

“É claro que a culpa é do governo; agora, ainda que não fosse, comemorar é um bofetada na cara dos brasileiros”.

Pedro Simon - PMDB/RS

Vergonha

Surge mais uma tábua para o governo. O reversor de uma das turbinas estava desativado por defeito técnico. Irresponsabilidade da empresa?

Não foi o que disse especialistas no Jornal da Globo. O reversor ajuda a desaceleração, mas não é determinante. Tanto que o fabricante autoriza o vôo com ele desativado. Um deles foi mais incisivo. Mesmo se estivesse funcionando, não pararia o avião sozinho.

O mais grave foi a reação do acessor especial da presidência e presidente do PT durante as eleições, Marco Aurélio Garcia. Simplesmente foi flagrado comemorando a notícia, junto com seu acesso de imprensa.

Diante dos microfones não negou. Disse que estava extravasando a indignação pela manipulação da mídia contra o governo e que não repetiria os gestos em público.

Quem viu os gestos no Jornal da Globo sabe exatamente o que se tratava. E o acessor tem tanto senso de moralidade que afirmou, sem constrangimento, que não repetiria o gesto em público.

Mais uma face do atual governo.

A face do mal.

quinta-feira, julho 19, 2007

medalha sinistra

Coisas do Veríssimo

Por muito tempo fui admirador da obra de Luís Fernando Veríssimo, a ponto de considerá-lo o melhor escritor brasileiro. Claro que foi antes de conhecer o Érico e redescobrir Machado de Assis.

Mas ler os textos diários do escritor hoje me deixa com uma tristeza melancólica. As voltas e torturas lingüísticas que ele faz para justificar os maiores absurdos do atual governo é para escrever um tratado.

A coluna de hoje no Globo é um grande exemplo. Fala das vaias do Maracanã.

Primeiro vai até a Europa nos meses anteriores a II Guerra Mundial. Repete uma das mentiras históricas mais propagadas pelas esquerdas, a de que a Inglaterra teria permitido o avanço alemão no leste europeu para conter o comunismo. O erro britânico e francês na verdade foi tentar evitar o conflito armado a qualquer custo, o que evidente se mostrou equivocado, pois deu tempo para o fortalecimento do nazismo.

Depois coloca o comunismo como uma antítese do nazismo. É o que Revel trata em seu livro "A Grande Parada". Existe mais semelhanças, algumas assustadoras, do nazismo com o comunismo do que o contrário. O Stalinismo aparece, mais uma vez, como um "desvio" do comunismo. Claro que nestas horas nunca citam o número de mortos nestes "desvios". Alguns milhões.

Para que esta volta toda? Por que o raciocínio de Veríssimo é o seguinte: pessoas de bem, que não concordavam com o comunismo, se uniram aos nazistas no "precesso", quando perceberam tinha se aliado com o mal.

Ainda não ficou claro? Pois Veríssimo disse que antes de vaiar o presidente, deve-se "olhar para o lado" e perceber se do nosso lado não está o que há de mais "atrasado e reacionário" na sociedade. Seria, na cabeça dele, uma espécie de aliança com o nazismo contra uma causa que até pode ser justificada.

Pois é assim que Veríssimo vê o carioca que estava no Maracanã. Como o que existe de mais "atrasado e reacionário" da sociedade. E quem estava no Maracanã? Simplesmente a classe média do Rio de Janeiro. A que aguenta o país nas costas com os impostos que paga e que, compra seus livros!

Pois ficamos assim, não se pode vaiar o presidente pois estará junto deste pessoal. E afirma ainda que não há vaia que justifique esta companhia.

É claro que aplaudindo o presidente existe, por este raciocínio ou raciocímio, o que existe de mais progressista e adiantado na sociedade.

Quer saber?

Prefiro o primeiro grupo. Reacionário e atrasado.

Por que esta palavra, progressita, me dá calafrios!

Nunca

Nunca o atual presidente da república ficou tanto tempo longe do microfone. De que tem medo?

Editorial Folha

Está para ser esclarecida a causa do maior acidente da aviação brasileira. É preciso esperar até que sejam concluídas as investigações, necessariamente complexas. Mas algumas conexões entre a tragédia -a segunda em dez meses- e o descalabro que tomou conta do setor aéreo nacional já podem ser estabelecidas.

O Executivo federal não está em condições de apresentar-se diante do desastre com o vôo 3054 na posição de quem tenha tomado todas as medidas para maximizar a segurança em Congonhas. Acidentes acontecem, mas a pista do aeroporto de maior tráfego do país só foi reformada agora -o governo preferiu investir antes no conforto e na cosmética do terminal.

Acidentes acontecem, mas a Infraero cometeu a imprudência de liberar pousos e decolagens no asfalto novo antes de ele ser tratado com os sulcos ("grooving", ranhura em inglês) destinados a facilitar o escoamento da água e melhorar a frenagem. Um dia após uma derrapagem e sob chuva, mantiveram-se as operações com a pista escorregadia.

Acidentes acontecem, mas o Executivo permitiu o inchaço de Congonhas, atendendo a conveniências comerciais das companhias aéreas -e à incapacidade do próprio governo de viabilizar investimentos para desafogar o tráfego crescente de aviões. A Anac, agência do setor, tem se portado como uma extensão dos interesses das empresas.

Incompetência, imprudência, tragédia. A despeito das causas do acidente com o Airbus A-320 da TAM, o desastre potencializa a crise da aviação civil, escancara a precariedade do transporte aéreo brasileiro e torna ainda mais urgente uma redefinição ambiciosa e profunda do sistema.

É inacreditável que reiteradas demonstrações de inépcia, ao longo de dez meses de crise, não tenham rendido nenhuma demissão no alto escalão do governo Lula. O descalabro aéreo necessita ser tratado com a seriedade técnica e a prioridade política que o tema exige. No emaranhado burocrático atual, ações conseqüentes -como a que enfim enquadrou a sublevação dos controladores militares- custam a acontecer.

Enquanto as decisões se arrastam em Brasília, o tráfego aéreo doméstico de passageiros cresce à média anual de 13% há quatro anos. Nesse ritmo, o volume de usuários dobra a cada seis anos. Se a estrutura de aeroportos e de controle de vôo exibe reiterados sinais de esgotamento hoje, que dirá daqui a um ou dois anos.

É preciso deslanchar já um programa de grandes investimentos que contemple, entre outros itens, a construção do terceiro terminal de Guarulhos e de um novo aeroporto na região metropolitana de São Paulo. O trágico acidente de anteontem evidencia que Congonhas precisará deixar de operar, em prazo visível, com vôos comerciais de média e grande escala.

O aeroporto central de São Paulo -com duas pistas curtas, elevadas, sem área de escape e incrustadas numa zona densamente povoada- transforma a menor falha numa tragédia em potencial. Desde já, a Anac precisa impor às companhias aéreas uma redistribuição de seus vôos para os aeroportos de Guarulhos e Viracopos (Campinas), ainda que essa providência implique, na prática, restrição na oferta de vôos a usuários da capital.

Outro passo necessário e emergencial para desafogar o tráfego aéreo na metrópole paulista é transferir pontos de conexão de viagens. Passageiros, por exemplo, que saem de Curitiba com destino a Belém não precisam fazer a troca de aviões na capital. A concentração em Congonhas dessas operações -bem como a permissão para partidas de vôos charter de suas pistas- é mais uma concessão feita pelas autoridades às conveniências comerciais das empresas.

Se tem faltado poder de regulação do Estado onde ele é mais necessário -no planejamento do setor e na imposição do interesse público às companhias aéreas-, sobra arcaísmo burocrático e ideológico quando se trata de alavancar os investimentos na infra-estrutura aeroportuária. O governo federal, como fartamente documentado, não teve fôlego financeiro para acompanhar as necessidades de gastos crescentes com o transporte aéreo.

As taxas aeroportuárias pagas pelos passageiros não redundaram na expansão nem na modernização do sistema no ritmo que seria adequado. O problema, no entanto, não foi o governo ter deixado de fazer tais investimentos com recursos próprios, a fim de cumprir metas de saneamento fiscal. A falta mais grave foi não ter permitido que outros agentes tomassem a iniciativa.

A construção de um aeroporto novo na Grande São Paulo poderia ser a contrapartida da concessão de Viracopos à iniciativa privada, por exemplo. Operação análoga em Cumbica poderia render a construção de seu terceiro terminal e a aquisição dos aparelhos mais atualizados para operar com segurança até sob a mais densa neblina.

Outros investimentos necessários para o setor -como os trens rápidos ligando terminais distantes a grandes centros- seriam passíveis de ser realizados na base das privatizações e das PPPs (parcerias público-privadas).

Mas, imobilizado, incompetente e confuso, o governo Lula nada fez. Para que as mortes não tenham sido de todo em vão, que o acidente de Congonhas ao menos sirva para compelir a uma profunda mudança de atitude.

Editorial do Estadão

Desastres de aviação, dizem os especialistas, sempre têm mais de uma causa. Com a tragédia do Airbus da TAM não é diferente. As causas são a incompetência, desídia, leviandade, ganância e corrupção presentes no sistema de transporte aéreo brasileiro. Perto desses fatores estruturais, eventuais falhas técnicas, ou do piloto, na origem da catástrofe de anteontem em Congonhas são dados acessórios. Essencial é o descalabro que permite o funcionamento a plena carga do maior aeroporto brasileiro numa área já abarcada pelo centro ampliado de São Paulo; a recusa das companhias aéreas em reduzir as suas operações ali, ou ao menos desconcentrá-las dos horários de pico; a submissão cúmplice da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) aos interesses das empresas que dominam o setor; a calamidade administrativa, a politicagem e a fraude endêmica na Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero).

Tudo isso sob os olhos - e a responsabilidade objetiva - de um governo cujo presidente só quer ouvir o som da própria voz e continua a repetir hoje o que, horas antes do terrível acidente, admitiu fazer no passado - “a quantidade de coisas que eu falei e falava porque era moda falar, mas que não tinha substância para sustentar na hora em que você pega no concreto”. E que traça ele próprio o retrato acabado de sua gestão ao confessar que “em determinados cargos (...) a gente faz quando pode e, se não pode, deixa como está para ver como é que fica”. No dia 29 de setembro do ano passado, 154 pessoas morreram no que foi, até às 18 horas e 45 minutos de anteontem, o maior desastre aéreo da história brasileira. Desde os 154 mortos da tragédia da Gol até as duas centenas de mortes desta terça-feira, descontado o palavrório entorpecedor de todos quantos têm parte com os problemas da aviação comercial no País - e com as possíveis soluções para eles -, continuou-se na estaca zero em matéria de “pegar no concreto” para melhorar os padrões de segurança de vôo no território. Para todos os efeitos práticos, “deixou-se como está para ver como é que fica”.

Nesse quadro de falência dos poderes públicos e de voracidade de interesses privados, Congonhas - sem as chamas, os corpos e os destroços - é a síntese das incompetências e irresponsabilidades que marcam a administração pública brasileira. Em abril de 2005, um brigadeiro, Edilberto Teles Sirotheau Corrêa, denunciou a “obsessiva prioridade” dada pela Infraero “às obras que proporcionam ‘visibilidade’, em detrimento das necessidades operacionais”. De fato, gastaram-se R$ 350 milhões para modernizar esse shopping center no qual se transformou o terminal do aeroporto que, já em 2005, registrava 228 mil pousos e decolagens, 33 mil a mais do que o desejável pelos critérios internacionais. Em janeiro último, o Ministério Público Federal pediu à Justiça a interdição da pista principal de Congonhas. No mês seguinte, um juiz federal proibiu aviões de grande porte, como Boeings e Airbuses, de operar no aeroporto enquanto os problemas da pista não fossem sanados. Uma instância superior invalidou a decisão, considerando-a drástica demais e fonte de impactos econômicos negativos.

Enfim, ao custo de R$ 19,9 milhões, a Infraero contratou o conserto da pista - e a liberou escandalosamente antes de nela serem acrescentadas as ranhuras transversais que asseguram o escoamento da água das chuvas e aumentam a aderência dos pneus dos aviões ao solo, facilitando a freada e reduzindo o risco de derrapadas como a que, na segunda-feira, arrastou por 150 metros, até o gramado próximo, um turboélice com uma vintena de pessoas a bordo, muito mais manejável do que um Airbus capaz de levar cerca de 180 pessoas. (Outro episódio, negado pela TAM, foi a arremetida, também na segunda-feira, de um aparelho da companhia, cujo comandante desistiu do pouso no último momento devido ao alagamento da pista.) As obras do grooving só poderiam começar na próxima quarta-feira. Pode ser que tenha contribuído para a tragédia do vôo 3054 um erro na manobra de pouso ou uma pane no sistema de freios do Airbus. Mas é certo que o desfecho seria outro se a pista tivesse plenas condições de segurança. Não as tinha e ainda assim era usada, em última análise, por incompetência, desídia, leviandade, ganância e corrupção.

quarta-feira, julho 18, 2007

Imagem da Infraero

Uma imagem divulgada pela INFRAERO pretende mostrar que o avião da TAM estava com velocidade 4 vezes maior do que o normal "em um determinado trecho". Nestas condições faz sentido. O que o deputado petista deixou entender é que o avião pousou a 4 vezes a velocidade normal, e isto não aconteceu. O problema é que o avião não diminuiu a velocidade após o pouso, e esta é a verdadeira questão. Por que não o fez?

E qualquer prova vinda da INFRAERO deve-se tomar muito, mas muito cuidado. Afinal ela está altamente sobre suspeita aqui.

O JN surge com a notícia de que outro avião da TAM teria derrapado perigosamente no mesmo local. Se confirmado fica mais difícil acreditar na culpa do piloto.

O governo que se cuide na hora de fabricar seus culpados. Esta metendo a mão em algo que não tem a menor idéia no que vai se transformar.

realidade

"3 ou 4 vezes..."

Guardem o nome desta criatura. Li em uma carta no blog do Reinaldo Azevedo e tive que ver para acreditar no blog do Paulo Henrique Amorim. Lá vai.

O deputado, membro da CPI do Apagão Aéreo, Carlos Zarattini (PT-SP), viu as imagens do momento do pouso do Airbus A-320 da TAM no aeroporto de Congonhas.

Zarattini disse em entrevista a Paulo Henrique Amorim nesta quarta-feira, dia 18, que, pelo que viu nas imagens, o avião da TAM estava “três ou quatro vezes mais veloz do que o normal” (aguarde o áudio).

É uma vergonha. Um deputado federal, membro da CPI, dizer que um avião pode pousar 3 ou 4 vezes mais veloz do que o normal... o louco do piloto quase quebrou a barreira som!

Mesmo imaginando que seja possível esta aceleração, parece que o piloto e co-piloto eram da turma do Bin Laden. Sabendo que a pista é curta resolveram pousar com a máxima velocidade que podiam (e não podiam). Ou seja, cometeram um suicídio. Mas com o cuidado de o fazer na pista de pouso de um aeroporto!

Mais uma vez procurando colocar a culpa em quem está morto, o que é muito conveniente. Outro destaque de Paulo Henrique Amorim é a entrevista do presidente da TAM (que levou 20 horas para aparecer). Não foi a aeronave, o piloto era experiente e não foi a pista. Ele garante. Horas depois do acidente não sabia quem havia no avião, mas sabe o que não causou o acidente.

Vejam que ele não fala que não foi o piloto. O que está implícito é que o piloto era experiente (livrando a cara da empresa) mas não pode garantir quanto ao seu procedimento. Só da pista e da aeronave. Duas coisas me levantam a suspeita. Que não quer o fechamento do aeroporto e que tem uma dívida e tanto com o atual governo na falência da Varig.

O que tem de relevante nesta bobageira toda que andam falando é que o avião tocou o solo no ponto certo. A questão é por que não parou?

O resto é conversa e a tentativa do estado de tirar sua responsabilidade, como sempre.



O piloto

Nem terminaram de retirar os corpos da aeronave e já está se divulgando a causa do acidente. O piloto. A pista não foi responsável pela tragédia. É inocente.

Volto ao tempo, precisamente 10 meses. Um outro acidente, um avião da GOL. Durante semanas sustentou-se a estória de que os pilotos americanos teriam causado a tragédia ao "voar" na contra-mão. Eu engoli esta, como um perfeito idiota.

Revelado a situação do controle(?) aéreo brasileiro já se sabe que pelo menos 2 controladores tiveram parte ativa no acidente. Mas nossas autoridades ainda insistem em colocar nos americanos a responsabilidade pelo que aconteceu. Já se sabe também que, naquele dia, os controladores já sabiam que a aeronave estava em altitude errada, tanto que desesperados tentaram o contato. Mas não orientaram o GOL a realizar uma manobra evasiva.

Conversando com meu irmão tive uma idéia do motivo. A aerovia não é uma linha, é uma faixa. E de alguns quilômetros de extensão, ou seja, mesmo em direções contrárias é ainda remota a chance de uma colisão. O que aconteceu, depois de todos os erros, foi que esta chance remota aconteceu. A impressão que tenho é que jogaram com a sorte. Apostaram e perderam.

Volto ao dia de ontem. Consigo imaginar um funcionário da INFRAERO na pista do aeroporto. Há condições de pouso? No dia anterior __ por que ninguém escuta estes avisos? __ uma aeronave derrapara. A pista tem 1900m, sem área de escape. Há condições de pouso?

Pode nem ter sido consciente, mas se sabe que a INFRAERO está sobre intensa pressão. Tem uma CPI em andamento, escândalos acontecendo. O que representaria umas 4 horas de Congonhas fechado? Mais inferno nos aeroportos. Sobreturo mais questionamentos. Mas não tinham reformado a pista? Não gastaram alguns milhões? Por que parar o aeroporto?

Fizeram a mesma coisa 10 meses atrás. Jogaram com a sorte, e teimosamente perderam novamente. O que me leva a mais um pensamento: será estas as duas únicas ocasiões em que jogaram com a sorte?

Quantas vezes se confiou na estatística das viagens aéreas para encobrir a incompetência? Quantos vôos já trafegaram na mesma faixa? Quantos aviões já pousaram sem a certeza de sua segurança?

A culpa é do piloto? Já caí uma vez nesta, não mais. Pode vir a maior autoridade do governo para dizer que a pista não influiu. A opinião dele vale o tanto quanto a do chefe do executivo. Contem esta para outro. Desafio o vaiado a ir dar condolências pessoalmente a todos os familiares e garantir a cada um deles que a pista estava segura. Só não o desafio a pousar em dia de chuva, com a mesma aeronave, nas mesmas condições, pois ele não seria capaz de fazê-lo sozinho.

Esta é a marca verdadeira deste governo: a irresponsabilidade com a vida humana.

Não vê quem não quer.

terça-feira, julho 17, 2007

Aniversário da Mary

Rebebi algumas fotos do aniversário da Mary pelo Bruno. Fica os parabéns para esta pessoa que todos aprendemos a admirar bastante. Um exemplo de dedicação e correção para todos nós.


Mary e o bolo (por sinal estava uma delícia!)



Uma parte da turma

TAM

A TAM informou que por lei não pode informar a lista de passageiros pois deve informar primeiro às famílias. É uma falsa verdade.

Das duas uma. Ou existem sobreviventes ou não.

Se não existem sobreviventes, é obrigação da empresa confirmar as vítimas inicialmente para as famílias. O que não a impede de divulgar uma informação de que não há sobreviventes e deixar a lista para depois.

Se existem sobreviventes, que informe a situação. Quantos são e para onde foram, e informe às famílias.

O que está acontecendo agora é um pânico em Porto Alegre, com famílias ameaçando invadir o terminal da empresa. A lista sai com um clique de computador.

O que não pode é deixar todo mundo, família e imprensa especulando. É óbvio que não há como confirmar se morreram todos, parece que só agora os bombeiros estão podendo entrar no prédio. Mas que coloque um assessor de imprensa na frente das câmaras explicando tudo isso. É o mínimo que se espera da empresa.

Meu palpite é que quem estava no avião não sobreviveu. A informação é que as 14 vítimas atendidas pelos bombeiros são de funcionários que trabalhavam no local, portanto é milagre ter escapado alguém na aeronave.

Indignado

Estou completamente indignado, mais uma vez.

Esta tragédia era mais do que anunciada, estávamos, infelizmente, só esperando e rezando só para na roleta russa macabra que virou os céus brasileiros não apontassem para nós.

O que se vê, mais de uma hora após o acidente, é a completa incompetência gerencial de todas as esferas envolvidas. Não há informação e não se montou ainda um gabinete de crise. Chega notícias de que o presidente está reunido com alguns ministros para tomar conhecimento dos fatos. E agora acaba de convocar uma reunião de emergência.

Infelizmente não dá para acreditar que alguém será responsabilizado pela tragédia. Será mais um festival de desinformações e terminará como todas as outras.

Este é o governo que foi aprovado em outubro passado. O chefe reclamou hoje que achou as vaias do Maracanã injustas. Uma coisa orquestrada.

Este é o tamanho do seu governo.

Mais uma Tragédia

As redes de televisão mostram agora as cenas da tragédia do Airbus 320 da TAM. Sim, na mesma pista recém-reformada de Congonhas, que custou 18 milhões de reais. A mesma que os pilotos têm reclamado de aderência. A mesma que um avião derrapou ontem. O festival de desinformação segue a mil, e a INFRAERO foi incapaz de, uma hora depois do acidente, informar qual voô se tratava. Nenhuma autoridade apareceu para dar alguma informação.

E a Rede Globo segue mostrando a novela...

Imagem


Vencedores do dia (por enquanto)...

Pan

Hoje estamos a toda. Já são quatro medalhas de ouro, duas na ginástica e duas na natação. A mais emocionante, para mim, foi a do revezamento 4 x 200m livre. Brasil e EUA disputaram virada a virada até o sprint final brasileiro. Foi de arrepiar. De lamentar a derrota de Natália Falavigna na final do Taekwondo. Esteve a 30 segundos da vitória, mas levou o empate e acabou perdendo no tempo extra. Faz parte. Não perdeu de qualquer uma, mas da campeã mundial.

A contagem agora é de 5 de ouro, 8 de prata e 10 de bronze. Outra de ouro hoje é mais difícil, talvez um pódio. Mas quem sou eu para tentar adivinhar?

Cada vez cheirando pior

Durante alguns dias foi possível ver uma propaganda da Peugeout em que pegava carona na besteira que Marta Suplicy falou sobre a crise dos aeroportos. Não durou muito, o presidente não gostou do tom e mandou recado para a montadora.

Fosse um país totalmente democrático receberia uma boa banana. Mas como é uma país onde o estado é onipresente e principal ator econômico, a montadora mandou tirar o comercial do ar. O criador do comercial reclamou no site do Clube de Criação de São Paulo, do qual é presidente e saiu a seguinte nota:

Em São Paulo, Jáder Rossetto, que acaba de voltar de Porto Alegre, diz que o melhor a fazer é tocar o barco adiante, já que um pedido do presidente não poderia ser negado.

Novamente as tropas petistas entraram em ação. Não poderia caracterizar interferência do presidente em um assunto eminentemente privado. Passaram a negar a pressão. Soltaram a versão que o comercial tinha chegado ao fim de seu ciclo útil. E a nota? Foi trocada. Agora está escrito "um pedido de Brasília não poderia...".

Para mim fica até pior. Pior do que o presidente se metendo neste assunto é a burocracia fazendo-o. Toda vez que uma área criativa fica sobre pressões de burocratas a democracia perde um pouquinho.

O pior é o que vem depois. Criadores ficarão um pouco mais cautelosos em mexer com o governo. Tudo faz parte de um método, e assim vamos recuando sempre.

Este é um dos motivos que sou contra o estado forte, paternalista, dono da moral. A cada pedaço que ele avança na sociedade quer um pedaço a mais, e assim vai criando suas teias. O pior é que para desmanchar depois o esforço é gigantesco.

Esta herança que o petismo vai deixar um dia será a verdadeira herança maldita.

E terá de haver forças para tanto.

segunda-feira, julho 16, 2007

Novamente vaias

Mais uma conspiração

O presidente Lula aderiu a teoria petista de que as vaias foram orquestradas. De uma coisa entendo bem: de Maracanã. Não dá para orquestrar uma vaia daquelas, a não ser com a completa seleção de 90 mil pessoas, como num comício. No caso de ingressos vendidos, esqueça. Já fui em muito jogo do Flamengo e nunca vi uma vaia unânime, sempre existem aqueles que aplaudem, mostrando que nem a força das torcidas organizadas conseguem orquestrar tal coisa. Nem com os cabeças de bagre que já vi jogando.

São duas reações de Lula. A primeira, privada, furioso, xingando meio mundo. A segunda, em público, pousando de coitado e dizendo-se perseguido.

Pois uma hora a máscara cai. Esta ladainha está cansando, e foi uma das responsáveis pelas vaias que recebeu.

Imagem do domingo

A Rendeira, de Vermeer

Estou criando uma tag denominada Artes, que não sei se vai para frente. Vamos testar.

A minha inspiração saiu de um livro que estou lendo e comentarei quando terminar. Em um capítulo que descreve a questão da forma nas artes se refere à obra "A Rendeira" de Vermeer como o melhor quadro do mundo.

Não, não tenho propriedade nenhuma para comentar sobre artes. Mas sei do que gosto e do que não gosto. Aqui coloco a obra citada e abro mais este espaço no blog.

Duas medidas

Cada coisa no seu lugar.

Ainda sobre a já famosas vaias para Lula.

Anselmo Gois reclama na coluna de hoje que o New York Times noticiou as vaias que recebeu o presidente mas não a que recebeu a delegação americana. Acontece que o presidente brasileiro é o Sr Luis Inácio, e não George Bush. O sentimento anti-americano no Brasil, particularmente no Rio de Janeiro é grande. A meu ver um tanto injusto, fica a impressão que é o Estados Unidos que causa nossos males, tirando nossa responsabilidade em nosso futuro; tema este tão bem retratado em o "Manual do idiota Latino Americano".

Já a vaia ao presidente da república, no Maracanã, é sim uma notícia muito mais importante. Imagino se Bush fosse vaiado de forma parecida em um estádio americano. Estaria nas primeiras páginas de qualquer jornal brasileiro, com muito mais destaque do que as de Lula. E isso porque seus partidários acusam a mídia de ser oposição.

O famigerado Noblat lembra que o presidente Médici era aplaudido quando entrava no Maracanã. Tenho um tio tricolor que pessoalmente participou destes aplausos. Ele tem uma tese: Médici teria de ter convocado eleições diretas em 73, e sido candidato. Teria vencido com folgas. Um ano depois renunciaria e convocaria novas eleições só com civis. Teria terminado a revolução com alta popularidade e com o fortalecimento do Exército. De quebra haveria um constante alerta para os governantes: as forças armadas estariam sempre ali.

Mas Noblat lembra que Médici foi o presidente dos anos de maior repressão, e que prefere ter um presidente vaiado no Maracanã do que um aplaudido. Cada um com suas preferências.

O que Noblat não lembra é o que Elio Gaspari já admitiu em seu recente livro. O grande responsável pelo enrijecimento da ditadura foram as guerrilhas armadas. Deve-se lembrar sempre que estas guerrilhas foram responsáveis por diversos atos de terrorismo e por morte de inocentes. Hoje as famílias destes recebem migalhas, enquanto que os assassinos de outrora recebem polpudas pensões.

Quem lê este espaço sabe que defendo as liberdades individuais. Sempre. Nenhum país precisa de uma ditadura para crescer, há outros caminhos. Mas existe uma falsa percepção que o governo militar era essencialmente impopular e violento. Pergunte a quem viveu na época. O que existiu de fato foi a repressão à guerrilha, o que fez muito bem, e a ação de alguns delinqüentes à serviço do estado diante de cidadãos, culpados ou não. Estes sim são os casos de justa indenização.

Pois Noblat que fique com o presidente que não hesita em defender, sempre nas entrelinhas. Eu já prefiro uma que se mostrou digno e honesto no cargo. Não existe até hoje uma acusação de enriquecimento ilícito de qualquer um dos presidentes militares. Ao contrário do presidente atual que a mídia prefere não dar destaque ao fato de ser milionário __ sem contar o caso Lulinha-Telemar.

As vaias _ insisto no plural _ do Maracanã foram daqueles que não dependem da bolsa família para sobreviver; que são extorquidos diariamente em altos impostos para manter a farra da nossa corte em Brasília. Por isso me senti representado naquelas vaias, e por isso é notícia no mundo inteiro. E Lula sabe da importância dela,s sabe que não poderá mais ir a um evento esportivo (com exceção, quem sabe, no Nordeste) até o fim de seu mandato.

Brasileiros vaiando americanos não se compara a brasileiros vaiando seu presidente. Não um presidente qualquer, mas um presidente popular em um estado que possui grande aprovação. Um presidente que sempre se mostrou blindado diante da podridão de seu governo e de seu partido.

Infelizmente os grandes jornais brasileiros deixaram esta passar, mais uma vez.

domingo, julho 15, 2007

Mais abertura do Pan


Domingo esportivo brasileiro

Pelo menos nos esportes deu tudo certo para o Brasil. Melhor do que qualquer um esperava.

Que a seleção de Bernadinho conseguisse o quinto título seguido na Liga não seria surpresa para ninguém. Mas que impressiona ver um esporte coletivo brasileiro com tamanho e longo domínio impressiona. Só lembrei da definição de um jornal italiano de algum tempo atrás: volei? é um esporte com 6 jogadores de cada lado, uma rede no meio e acaba sempre com a vitória do Brasil.

Enfim saiu a primeira medalha de ouro do Brasil. Diogo levou a preciosa, golum?, no Taekwondo. Já fui mais entusiasta do Pan, confesso. Mas sair eufórico com tantas medalhas e no ano seguinte ficar levando pancada nas Olimpíadas me deixou meio desconfiado. Mas isso passa.

O futebol, bem o futebol... Quem vai entender? Nunca uma seleção Argentina foi tão favorita diante do Brasil. É claro que achávamos o título possível, mas nossa esperança estava no penalti (ainda mais com barreira, invenção do nosso goleiro) ou aquele golzinho mágico no contra-ataque. Que nada. Vitória maiúscula: 3 X 0. É claro que é um reforço que o esquema defensivo de Dunga não merecia, e vai ficar marcado como a estratégia que deu certo. Tudo bem, é do jogo. Eu já prefiro acreditar que o que levou o Brasil à vitória foi o que faltou na Copa do Mundo. Vontade. Por maior que fossem as críticas nesta campanha, ninguém questionou a entrega e vontade dos jogadores. Foi uma seleção limitada? Foi. Mas mostrou que uma seleção brasileira jogando com brio é capaz de vencer qualquer time do mundo. Ficou ainda mais claro o que nos levou à derrota em 2006.

sábado, julho 14, 2007

Nota de pesar


Do blog do Cláudio Humberto:

O grupo de militares mobilizou doações e pagou a publicação de "Nota de Pesar", hoje, no jornal Correio Braziliense, protestando contra a decisão da Comissão de Anista, do Ministério da Justiça, concedendo à viúva do ex-capitão Carlos Lamarca (que desertou do Exército, no regime militar, para se associar à luta armada) uma pensão de general de brigada. A nota propõe que "elevemos nossas preces a Deus e pedimos pelas almas de suas vítimas, por ele assassinadas", citando Orlando Pinto da Silva, Guarda Civil de São Paulo, assassinado em 9 de maio de 1969; Alberto Mendes Júnior, tenente da PM-SP, assassinado em 10 de maio de 1970; e Hélio Carvalho de Araújo, agente da Polícia Federal, assassinado em 10 de dezembro de 1970. A nota conclui: "Aos familiares desses homens, mortos no cumprimento do dever, nossa solidariedade e revolta. À sociedade brasileira, já desgastada pela descrença em valores éticos e morais, só resta lamentar por mais essa demonstração do revanchismo político".

Mais Curitiba

Algumas fotos da estada de parte da família, o Luan foi para BH, em Curitiba. A estrela, é claro, foi a Lory.


Um pouco de frio...



Com minhas mulheres


Fotogênica? Eu?

Pan, abertura em grande estilo

Abertura do Pan

O prefeito do Rio, César Maia, defende a tese que o governante inicia lentamente seu declínio popular à partir de meados do primeiro ano do segundo mandato. É claro que em se tratando de Lula, nenhuma regra pode ser aplicada a priori.

Mas as vaias de ontem foram significativas, e o presidente sentiu o golpe. Simplesmente não esperava. Estava no Rio de Janeiro, cidade que venceu com folgas nas últimas eleições, seu governo coleciona notícias boas, surfando com a onda do crescimento mundial; sua máquina de propaganda funciona com máxima eficiência. De repente, vaias.

Talvez seja o primeiro sinal de que a crise ética que o congresso se meteu, mais uma vez, está despertando a intolerância contra todos os políticos. Não por acaso o governador e o prefeito também foram vaiados. A novidade é que Lula começa a não ser mais poupado.

Podem argumentar que os espectadores do Maracanã não representam seu eleitorado mais fiel. Não é bem assim. Mesmo que se considere que o público seja de classe mais alta que a média, no Rio a tendência deste eleitorado em particular sempre foi pela esquerda. Heloísa Helena teve excelente performace na zona sul do Rio. Pode sim ser o sinal do início do desgaste.

O atual governo vive exclusivamente do carisma de seu chefe. E a muralha começa a apresentar rachaduras.