segunda-feira, julho 16, 2007

Duas medidas

Cada coisa no seu lugar.

Ainda sobre a já famosas vaias para Lula.

Anselmo Gois reclama na coluna de hoje que o New York Times noticiou as vaias que recebeu o presidente mas não a que recebeu a delegação americana. Acontece que o presidente brasileiro é o Sr Luis Inácio, e não George Bush. O sentimento anti-americano no Brasil, particularmente no Rio de Janeiro é grande. A meu ver um tanto injusto, fica a impressão que é o Estados Unidos que causa nossos males, tirando nossa responsabilidade em nosso futuro; tema este tão bem retratado em o "Manual do idiota Latino Americano".

Já a vaia ao presidente da república, no Maracanã, é sim uma notícia muito mais importante. Imagino se Bush fosse vaiado de forma parecida em um estádio americano. Estaria nas primeiras páginas de qualquer jornal brasileiro, com muito mais destaque do que as de Lula. E isso porque seus partidários acusam a mídia de ser oposição.

O famigerado Noblat lembra que o presidente Médici era aplaudido quando entrava no Maracanã. Tenho um tio tricolor que pessoalmente participou destes aplausos. Ele tem uma tese: Médici teria de ter convocado eleições diretas em 73, e sido candidato. Teria vencido com folgas. Um ano depois renunciaria e convocaria novas eleições só com civis. Teria terminado a revolução com alta popularidade e com o fortalecimento do Exército. De quebra haveria um constante alerta para os governantes: as forças armadas estariam sempre ali.

Mas Noblat lembra que Médici foi o presidente dos anos de maior repressão, e que prefere ter um presidente vaiado no Maracanã do que um aplaudido. Cada um com suas preferências.

O que Noblat não lembra é o que Elio Gaspari já admitiu em seu recente livro. O grande responsável pelo enrijecimento da ditadura foram as guerrilhas armadas. Deve-se lembrar sempre que estas guerrilhas foram responsáveis por diversos atos de terrorismo e por morte de inocentes. Hoje as famílias destes recebem migalhas, enquanto que os assassinos de outrora recebem polpudas pensões.

Quem lê este espaço sabe que defendo as liberdades individuais. Sempre. Nenhum país precisa de uma ditadura para crescer, há outros caminhos. Mas existe uma falsa percepção que o governo militar era essencialmente impopular e violento. Pergunte a quem viveu na época. O que existiu de fato foi a repressão à guerrilha, o que fez muito bem, e a ação de alguns delinqüentes à serviço do estado diante de cidadãos, culpados ou não. Estes sim são os casos de justa indenização.

Pois Noblat que fique com o presidente que não hesita em defender, sempre nas entrelinhas. Eu já prefiro uma que se mostrou digno e honesto no cargo. Não existe até hoje uma acusação de enriquecimento ilícito de qualquer um dos presidentes militares. Ao contrário do presidente atual que a mídia prefere não dar destaque ao fato de ser milionário __ sem contar o caso Lulinha-Telemar.

As vaias _ insisto no plural _ do Maracanã foram daqueles que não dependem da bolsa família para sobreviver; que são extorquidos diariamente em altos impostos para manter a farra da nossa corte em Brasília. Por isso me senti representado naquelas vaias, e por isso é notícia no mundo inteiro. E Lula sabe da importância dela,s sabe que não poderá mais ir a um evento esportivo (com exceção, quem sabe, no Nordeste) até o fim de seu mandato.

Brasileiros vaiando americanos não se compara a brasileiros vaiando seu presidente. Não um presidente qualquer, mas um presidente popular em um estado que possui grande aprovação. Um presidente que sempre se mostrou blindado diante da podridão de seu governo e de seu partido.

Infelizmente os grandes jornais brasileiros deixaram esta passar, mais uma vez.

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