quarta-feira, julho 18, 2007

O piloto

Nem terminaram de retirar os corpos da aeronave e já está se divulgando a causa do acidente. O piloto. A pista não foi responsável pela tragédia. É inocente.

Volto ao tempo, precisamente 10 meses. Um outro acidente, um avião da GOL. Durante semanas sustentou-se a estória de que os pilotos americanos teriam causado a tragédia ao "voar" na contra-mão. Eu engoli esta, como um perfeito idiota.

Revelado a situação do controle(?) aéreo brasileiro já se sabe que pelo menos 2 controladores tiveram parte ativa no acidente. Mas nossas autoridades ainda insistem em colocar nos americanos a responsabilidade pelo que aconteceu. Já se sabe também que, naquele dia, os controladores já sabiam que a aeronave estava em altitude errada, tanto que desesperados tentaram o contato. Mas não orientaram o GOL a realizar uma manobra evasiva.

Conversando com meu irmão tive uma idéia do motivo. A aerovia não é uma linha, é uma faixa. E de alguns quilômetros de extensão, ou seja, mesmo em direções contrárias é ainda remota a chance de uma colisão. O que aconteceu, depois de todos os erros, foi que esta chance remota aconteceu. A impressão que tenho é que jogaram com a sorte. Apostaram e perderam.

Volto ao dia de ontem. Consigo imaginar um funcionário da INFRAERO na pista do aeroporto. Há condições de pouso? No dia anterior __ por que ninguém escuta estes avisos? __ uma aeronave derrapara. A pista tem 1900m, sem área de escape. Há condições de pouso?

Pode nem ter sido consciente, mas se sabe que a INFRAERO está sobre intensa pressão. Tem uma CPI em andamento, escândalos acontecendo. O que representaria umas 4 horas de Congonhas fechado? Mais inferno nos aeroportos. Sobreturo mais questionamentos. Mas não tinham reformado a pista? Não gastaram alguns milhões? Por que parar o aeroporto?

Fizeram a mesma coisa 10 meses atrás. Jogaram com a sorte, e teimosamente perderam novamente. O que me leva a mais um pensamento: será estas as duas únicas ocasiões em que jogaram com a sorte?

Quantas vezes se confiou na estatística das viagens aéreas para encobrir a incompetência? Quantos vôos já trafegaram na mesma faixa? Quantos aviões já pousaram sem a certeza de sua segurança?

A culpa é do piloto? Já caí uma vez nesta, não mais. Pode vir a maior autoridade do governo para dizer que a pista não influiu. A opinião dele vale o tanto quanto a do chefe do executivo. Contem esta para outro. Desafio o vaiado a ir dar condolências pessoalmente a todos os familiares e garantir a cada um deles que a pista estava segura. Só não o desafio a pousar em dia de chuva, com a mesma aeronave, nas mesmas condições, pois ele não seria capaz de fazê-lo sozinho.

Esta é a marca verdadeira deste governo: a irresponsabilidade com a vida humana.

Não vê quem não quer.

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