terça-feira, agosto 21, 2007

Kamel e sua tese sobre a popularidade do presidente

Ali Kamel escreve sobre a popularidade do presidente Lula em sua coluna de hoje no Globo. Apresenta um ponto de vista interessante.

Apesar do forte impacto da tragédia envolvendo o avião da TAM que atingiu o governo como pode ser constatado em pesquisas pós-acidente, a popularidade do presidente manteve-se estável.

Resumiu as análises da última pesquisa em três fatores principais que foram utilizados para explicar a manutenção dos índices da pesquisa de março: "a maior parte dos brasileiros é pobre, apenas 8% usam avião como meio de transporte e a maior parte do povo não teria capacidade crítica para ligar o acidente a alguma falha do governo federal".

Pois Kamel discordou inteiramente dos fatores apresentados. Primeiro porque as pesquisas mediram apenas, de maneira rápida, a avaliação do governo, sem entrar em maiores considerações. Os analistas estariam extrapolando os resultados apresentados.

O fato da maioria dos brasileiros serem pobres não invalidaria também a pesquisa, pois o discernimento existe em todas as classes sociais."Olhar para a decisão da maioria e, com olhos da minoria, julgar que a avaliação é positiva porque o povo não sabe julgar é uma pretensão descabida". Parte-se do princípio que a minoria está certa e a maioria errada, baseado apenas no grau de instrução, o que nem sempre caminha junto com a capacidade crítica.

O ponto que achei mais interessante foi sua análise sobre a influência dos programas assistencialistas do governo. Segundo Kamel, "o povo aprova estas políticas não porque seja incapaz de julgar, mas porque foi convencido que eram boas". E por que foi convencido? Porque nenhuma força política apresentou qualquer argumento de que assim não o seja; ao contrário, nas últimas eleições a oposição disputou com o governo a paternidade e prometeu um programa ainda mais generoso.

E é neste ponto que Kamel vai ao encontro do que escreveu Reinaldo Azevedo em sua última coluna na Veja. As oposições no Brasil não cumprem o que se espera delas em uma democracia: o embate político. Os partidos de oposição não aproveitam as oportunidades para se posicionar e se mostrar como uma alternativa real ao que está aí. E por isso permanece a sensação que é tudo farinha do mesmo saco, e portanto não há razão para mudar.

Kamel defende que uma democracia onde as idéias não são debatidas livremente em campanhas eleitorais perde sua essência, e torna-se perigosa.

E no Brasil, infelizmente, posições políticas sobre temas polêmicos são evitadas pelas campanhas. Tanto Lula quanto Alckmin mostraram-se dúbios toda vez que estiveram diante de questões desta natureza.

No fundo, o eleitor escolheu Lula porque ninguém foi capaz de convencê-lo que possuía alternativa melhor.

Nenhum comentário: