quarta-feira, agosto 22, 2007

The Last Waltz


Muitas vezes passei por locadoras e contemplei o DVD The Last Waltz. Na capa vem escrito o Último Concerto de Rock, título brasileiro para este filme de Martin Scorsese que retrata o último show do The Band, realizado em 1976. Mas por um motivo ou outro nunca aluguei o filme. Talvez por ter achado o título pretensioso demais, ou por não achar nada demais nas poucas músicas que conhecia da banda. Simplesmente seguia sem levá-lo.

Ano passado descobri o Ringo Starr All Star Band, como já comentei aqui neste blog. Na primeira formação dois ex-membros do The Band faziam parte da trupe de Ringo. E no DVD eles tocavam "The Weight", o que me fazia volta e meia sair cantarolando "take a load off fannie..."

Pois este fim de semana enfim peguei o filme.

A primeira imagem é uma recomendação de Scorsese: este filme é para ser ouvido em volume alto. De cara senti que vinha coisa boa por aí. E o que posso dizer? Que estou embasbacado desde que terminou a película? Pois digo: estou embasbacado desde que terminou a película.

Primeiro porque o filme é tudo que gosto na filmagem de um show e que raramente acontece. Não há privilégios, todos são mostrados em closes inspiradíssimos. O baterista, geralmente escondido, é mostrado em primeiro plano. Uma celebração.

Mas não é o principal desta obra. O principal chama-se simplesmente The Band. Como pude me enganar tanto sobre uma banda? Simplesmente fantástica, cativante da primeira a última nota do concerto. TODAS as músicas são viciantes, e não posso colocar novamente o filme que fico sem conseguir desligá-lo. Chega a emocionar.

Os atores? São estes 5 músicos talentosos: Robbie Robertson (guitarra), Rick Danko (baixo), Levor Helm (bateria), Garth Hudson (teclados) e Richard Manuel (piano). Uma formação curiosa com uma guitarra, piano e teclados. Quem canta? Todos, com excessão de Garth. Com destaque, na minha opinião, para Helm.

Atores coadjuvantes? Uns tais de Bob Dylan, Eric Clapton, Dr John, Ron Wood, Ringo Starr, Neil Young, Neil Diamond, Joni Mitchell...

Cada música é executada com uma paixão e uma entrega que raramente vi em uma apresentação. Eles estavam se despedindo e sabiam da importância daquele registro histórico.

As entrevistas que dividem o filme com o concerto revelam uma banda fascinante. Uma banda que começou como apoio para gente como Ronnie Hawkins, ganhou fama com Bob Dylan e alcançou brilho próprio em 1968. Ficamos sabendo, por exemplo, que Garth Hudson só pode entrar na banda porque cobrava uma pequena quantia dos outros membros para ensiná-los a tocar. Tudo porque sua família era muito conservadora e não o aceitariam tocando rock'n'roll; assim, conseguiu convencê-los de que na verdade estava dando aulas.

Não tenho outro adjetivo. Achei o filme apaixonante. Desde sábado que não escuto outra coisa que não seja The Band. Vale cada acorde tocado. Som honesto, tocado com vontade, a própria essência do rock.

Só não me arrependo de nunca ter assistido antes porque tudo tem seu momento certo na vida. E o momento do The Band era este.

Dizer mais o que?

Filmaço. Simples assim. Nota 10.

Nenhum comentário: