domingo, setembro 30, 2007

Flamengo 1 x 0 Atlético-MG

Vitória importante e necessária

Esta é a típica vitória que não poderia deixar de acontecer. Na seqüência o Flamengo terá o líder do campeonato e o ascendente Fluminense pela frente; não poderia enfrentá-los com a corda no pescoço. O gol solitário de Christian dá ao time tranqüilidade para estes dois jogos e, em caso de vitórias, afastará em definitivo o risco de rebaixamento. De qualquer forma a trajetória do Flamengo já aponta para um futuro um pouco melhor do que uma disputa desesperada para não cair. Sobre o jogo de ontem, valeu pelos 3 pontos pois a partida em si foi muito ruim. Mais uma vez a torcida compareceu e mostra que o dia que o Flamengo entrar para disputar para valer um campeonato de pontos corridos vai ter uma média de público recorde.

Outros jogos

O Corinthians, jogando em casa, caiu diante do Sport. A situação do clube paulista começa a ficar realmente complicada, ainda mais que a trajetória é descendente, o que costuma ser fatal para definir um rebaixamento. Já o Náutico segue em caminho oposto. Massacrou o Atlético-PR e mostra que vai permanecer na primeira divisão para o ano que vem, onde, provavelmente, teremos os três pernambucanos de volta.

sábado, setembro 29, 2007

O que ando escutando

Ringo Starr: Vertical Man(1998)



Gravado para aproveitar a onda do Anthology, este disco conta com participações para lá de especiais: George Harrison, Paul MacCartney, Joe Walsh, Steven Tyler, Alanis Morissette, Ozzy Osbourne, Timothy B. Schmit e outros. Ringo é muito menosprezado, considerado por alguns como um sortudo que estava na hora certa no lugar certo. Não poderia discordar mais. Acho-o um excelente baterista e gosto muito de seu trabalho solo. Este disco é muito bom mesmo, com grandes canções. O ponto forte de Ringo é sua autenticidade; ele não tenta ser o que não é e faz muito bem o que sabe.

George Harrison: All Things Must Past(1970)



Se o trabalho solo de um Beatle que mais gosto é o do Ringo, o melhor disco sem dúvidas e este primeiro do Harrison. Aqui ele colocou todas as composições que foram se acumulando enquanto viveu meio na sombra da disputa entre MacCartney e Lennon. Gosto particularmente de "Isn't it a pity", "Beware of Darkness" e "What is Life". E as letras... as letras são um show à parte. O retrato da alma de um grande artista.

The Allman Brothers Band: Brothers and Sisters(1973)



O primeiro álbum após a morte de Duane acabou sendo marcado por mais uma tragédia. O baixista Berry Oakley faleceu no início das gravações em acidente similar ao do guitarrista. As composições foram dividas entre Greg e Betts. Este gravou seu único vocal solo na história da banda, a deliciosa country Ramblin' Man. O guitarrista responde pelas duas melhores faixas "Southbound" e a instrumental "Jessica". A despeito das circunstâncias é um discaço!

The Band: The Band(1969)


Segundo álbum da Banda. Aqui Robertson assume com autoridade as composições e nos apresenta mais algumas obras inspiradíssimas como "Up on Cripple Creek", "The Night They Drove Old Dixie Down" e a belíssima "Across the Great Divide". E o principal: todos estão tocando o fino! Simplesmente maravilhoso.

Refém do PMDB

Esta semana o PMDB deixou claro o quanto o governo está dependente. O motivo foi a rápida nomeação de petistas na Petrobrás enquanto se cozinhava as do gigante da base aliada. Eles sabem que cheque pré-datado do atual governo não vale nada, a fatura tem que ser à vista. Por isso pegaram uma questão sem valor para o país, a criação do Sealopra, e deram um recado ao governo. Lula já sentiu e mandou abrir as porteiras.

Nas últimas eleições falei que o segundo governo teria o PMDB como grande beneficiado, e é rigorosamente o que estamos vendo. E pior, a cada dia vai se perdendo o decoro e fica mais evidente como são negociadas as questões no legislativo. A CPMF vai custar caro ao governo, mas este está disposto a pagar esta conta. O voto mais barato é o da oposição. Ainda existem oposicionistas dispostos a aprová-la em nome da "governabilidade".

É claro que é uma farsa. A arrecadação bate recordes a cada ano e o país só não quebrou ainda, por força da carga tributária, porque existe a sonegação. O problema é que gasto público sobe junto, com o inchaço da máquina federal. Na hora de renovar o tributo, o governo fala na saúde e nos programas sociais. Na hora da verdade vai virar salário para mais cargos de confiança, tv estatal, secretaria de previsão do futuro e etc.

É isto que deve ficar bem claro para a oposição. O governo pergunta da onde vai sair o dinheiro da saúde. É dever da oposição mostrar. Basta somar todas estas bobagens que se chega ao valor da CPMF; se falarem do poder fiscalizador da CPMF, basta reduzí-la a um valor simbólico.

Argumentam que seu valor é baixo, 0,38%. Não é verdade, como demonstrou a Veja esta semana. Incide, também, em toda cadeia de produção. No preço de um carro existe mais de 2% só em CPMF.

Não existe nenhuma outra votação importante neste mandato. A não ser, é claro, que se aprove a tal mini-constituinte para a reforma política, aí vem um terceiro mandato para o jogo. O PMDB sabe disso e está jogando tudo para arrancar o máximo que pode, assim como os nanicos da base. Por isso mesmo é que é hora da oposição honrar seus 40 milhões de votos.

Antes que seja tarde.

quinta-feira, setembro 27, 2007

Só para constar

A essa altura já ficou evidente o preço que o governo pagou pela primeira votação da CPMF __ ainda faltam três! Foi o loteamento indiscriminado da Petrobrás, seguindo, logicamente, critérios que passam longe da competência. Esta aí é considerada a nossa melhor empresa estatal. Na última sexta, quando passei pelo escritório da Av Rio Branco, estava tendo uma manifestação de funcionários da empresa. Estavam criticando o governo pela partilha que estava sendo feita. O governo FHC, claro. É ou não é impressionante? Já fazem 5 anos que deixou o governo mas continua sendo o culpado de tudo que consideram ruim na empresa. Este é o modelo de empresa pública. Só que dirigida por particulares partidários. Privatizar a Petrobrás? Primeiro vão ter que desprivatizá-la!!

O preço da cpmf

quarta-feira, setembro 26, 2007

Tv Pública

Tereza Cruvinel como presidente da TV pública? Pública não vai ser mesmo. E o modelo era a BBC? Aos poucos os jornalistas com serviços prestados ao petismos vão ocupando seu lugar devido. Ela e Franklin Martins se merecem.

Língua Portuguesa

Na última semana a revista Veja colocou em destaque a língua portuguesa, muito em função da nova reforma que está se estudando. Em artigo, Reinaldo Azevedo fez uma defesa, não só da manutenção, como no resgate da língua original. Questionou o surgimento da matéria Comunicação e Expressão no lugar do Português. Esta mudança não foi apenas no nome, mas no ensino. Passou-se a dar mais importância à interpretação de textos e redação do que à análise sintática, e mesmo esta interpretação é feita em cima de textos cada vez mais pobres.

Estou fazendo um curso de pós-graduação em língua portuguesa. Confesso que fui um aluno mediano desta matéria que, na época, não gostava. Hoje mudei meu pensamento e a cada dia me apaixono mais por nosso língua tão maltratada.

Pois estudando coerência e coesão textual, nossa professora nos apresentou a uma frase de Camões e pediu-nos, inicialmente, que identificássemos as orações. A frase é a que se segue:

Se dizem, fero amor que a sede tua nem com lágrimas tristes se mitiga é porque queres tuas aras banhar em sangue humano.

Pela indentifcação dos verbos temos:
Se dizem, fero amor / que a sua sede tua nem com lágrimas tristes se mitiga / é / porque queres tuas aras banhar em sangue humano.

A pergunta seguinte é a mais interessante: qual é a oração principal?

Todas as orações iniciam por conjunções subordinativas, com uma única exceção: a oração "é". Mas pode um verbo auxiliar constituir a oração principal?

Aí vem o conhecimento do verbo vicário. O verbo vicário é um verbo que pode substituir outro verbo para evitar a repetição. Na nossa língua apenas o "fazer" e o "ser" podem realizar esta função. Veja o exemplo: precisava comprar balas e assim o fez. O verbo fazer substitui o verbo comprar.

Na frase de Camões o verbo deve ser substituído por "dizem-no" para permitir a análise sintática. Desta forma fica bem mais fácil identificar a oração principal, mostra e beleza da construção do nosso maior poeta e a importância de se analisar sua obra nas salas de aula.

terça-feira, setembro 25, 2007

Top 5 - Para curtir uma fossa

Estas são minhas músicas preferidas para curtir uma boa fossa. Felizmente esses dias já ficaram para trás, mas algumas delas me trazem muitas recordações...

1. Mistreaded

Este blues lento do primeiro album do Deep Purple com Coverdale nos vocais sempre me atingiu no fígado. Culpa da guitarra maravilhosa do mestre Ritchie Blackmore e da voz do Mr Dave. Confesso que já a escutei noites inteiras em momentos não muito felizes.


2. It Makes No difference

Esta eu conheci bem recentemente. A letra inteira é linda, cantada de maneira comovente por Rick Danko no show The Last Waltz. Se algum dia eu voltar a ficar na fossa novamente, esta vai estar no topo das paradas! Como não quero voltar a esses dias, fica a beleza destra grande canção do The Band.

3. Man Of The World

Gravada pelo Fleetwood Mac quando era uma banda de blues, esta composição de Peter Green é magistral. Curta e tocante, com um solo que arrepia.

4. Os Barcos

É claro que tinha que entrar um Legião. Renato Russo cantando "você ficou com outro alguém e eu com a saudade" já diz tudo. E ainda acrescenta para dar o golpe fatal: "você diz que tudo acabou mas qualquer um pode ver: só acabou para você". Retrata bem uma época de minha vida.

5. Isn't a Pitty

George Harrison é outro que tinha a sensibilidade para compor. Esta saiu do seu magistral primeiro disco solo, All Things Must Past. Os títulos do álbum e da música não poderiam ser mais diretos. É uma pena. Todas as coisas devem passar.

A Importância dos detalhes

Frase da semana do nosso presidente:
"Não acredito que haja qualquer prova de que Dirceu cometeu o crime de que é acusado".

Quem lê a frase sem muita atenção entende que Lula prega a inocência do companheiro e braço direito durante a primeira metade de seu primeiro mandato. Quem lê com atenção entende que em nenhum momento o presidente diz que Dirceu não cometeu o crime que é acusado, mas que acredita que não haja qualquer prova contra ele.

É bem diferente o sentido. É como se dissesse: sei que Dirceu cometeu um crime, mas tenho dúvidas se existem provas à este respeito e, portanto, deve ser absolvido. Foi o mesmo teor da mensagem no congresso do PT. E o próprio José Dirceu nunca se declarou inocente, apenas afirmou várias vezes que não existiam provas de sua participação. Vale lembrar que durante a CPI soltou uma das frases mais interessantes do processo: "estou cada vez mais convencido da minha inocência".

O petismo é uma ideologia, e como tal não se confronta com a verdade. Pode aparecer uma gravação com Dirceu distribuindo o produto do roubo, vão negar que seja prova. Basta ver o mensalão: existe assinatura de parlamentares, com recibo e tudo. Mas o que foi dito no congresso do PT? Que o mensalão não foi provado. O tesoureiro do partido confessou que distribuiu dinheiro à base aliada. Mais uma vez afirmou-se que não existem provas. A tese de defesa beira ao escárnio: a presença de petistas nas listas de recebimento, com assinaturas e tudo, prova que não houve mensalão. Afinal, por que pagariam aos próprios petistas para votar pelo governo? Pura delinqüência intelectual.

Quem quiser se abraçar com esta gente que não se faça de rogado. No futuro não vai adiantar dizer que se enganou; será tarde. E mais, todas as evidências estavam escancaradas; só não vê quem realmente não quer.

segunda-feira, setembro 24, 2007

Blog, Entenda a Revolução que vai Mudar o seu Mundo

Título Original: Blog - Understanding the information reformation that's changing world
Autor: Hugh Hewitt (2005)

"Este é um livro sobre confiança; sobre como a mídia antiga __ a mídia hegemônica __ perdeu essa confiança e como a nova mídia a está conquistando (...) Há uma série de livros explicando o que houve, mas, de forma resumida, isso se deve à ideologia de esquerda que sempre esteve presente e que se tornou tão disseminada, evidente e arrogante que conseguiu deixar metade do país de sobreaviso. Se tem dúvidas quanto a isso, esse livro não é para você. Vá ver novamente seu DVD de Fahrenheit 9/11. Corra à cafeteria para denunciar o controle empresarial de conglomerados midiáticos transnacionais."


Hugh Hewitt é um conhecido apresentador de um programa de rádio americano e professor de Direito Constitucional. Possui uma coluna semanal em The Daily Standard e no WorldNetDaily.com. Define-se politicamente como de centro-direita e este é seu quarto livro.

Apresenta um interessante histórico de como se formou o movimento blogueiro na internet e, principalmente, como ganhou força a ponto de ameaçar a mídia hegemônica. E o grande fator foi a confiança com que este novo instrumento de informação alcançou com uma rapidez impressionante, ao mesmo tempo que a mídia tradicional foi perdendo a sua.

É bem claro em relação ao motivo: "A mídia tradicional guinou à esquerda. No vácuo que restou, vieram primeiro Rush, depois os programas de rádio, e então a Fox News e agora os blogueiros". A mídia americana encontra-se dominada pelas teses da esquerda, representada nos EUA pelo Partido Democrata, e com isso o noticiário tornou-se tendencioso, provocando a perda da confiança na imparcialidade da notícia.

Hewitt explica como os editores definem nas redações o que vai ser notícia ou não, o que representa certa notícia ou não. O blog veio destruir tudo isso, o blogueiro é editor de si mesmo e decide o que é notícia. Quando acontece de vários blogs influentes darem importância a um fato propositalmente ignorado pela grande mídia acontece uma infestação pela internet e atinge, de vários pontos diferentes,a barreira de proteção para o que se quer esconder. Muitas vezes são centenas ou milhares de blogueiros fuçando os noticiários e usando seus talentos profissionais para desmascarar mentiras vendidas como verdade nos noticiários.

O autor apresenta quatro casos que mostram esta nova dinâmica. Um deles envolveu o candidato derrotado nas últimas eleições presidenciais americanas, John Kerry. O democrata resolveu centrar sua campanha em seu passado no Vietnã, colocando-se como o homem certo para conduzir a guerra no Iraque. A partir de um blog de veteranos, o Swift Boat Veterans, iniciou-se uma infestação, ignorada o quanto pode pela mídia, que conseguiu mostrar que muitas histórias de Kerry eram mentirosas, o que acabou sendo reconhecido pela própria campanha. O importante é que a mídia tradicional tentou defender o candidato, ridicularizando o blog, mas no final teve que reconhecer que não conseguiu competir com a capacidade de uma centena de pessoas vasculhando o passado escondido do candidato, com direito a depoimentos de ex-comandados do democrata.

Hewitt compara a revolução dos blogs na mídia com a reforma protestante de Lutero. Coube à invenção da imprensa, que permitiu a impressão da Bíblia, tornar-se o grande fator para a revolução que tomou a Igreja Católica de assalto. O mesmo papel está sendo reservado para a mídia Hegemônica, que não tem mais como controlar o fluxo de informações.

Um livro interessante que mostra aspectos de uma revolução em andamento e nos dá muita coisa para pensar.

CPMF

27ª Rodada

Na ponta de cima o São Paulo continua firme rumo ao título, com apenas o Cruzeiro ainda com fôlego de pelo menos tentar encostar. O título está praticamente assegurado. Parece despeito de torcedor, mas a verdade é que vai ser o campeão brasileiro que menos marcou o torneio. O futebol são paulino, apesar da grande eficiência, é feio para xuxu. O último campeão, com vantagem parecida, o Cruzeiro de 2003 dava gosto ver jogar, era eficiente e jogava bonito. Este tricolor só vai dar saudades para a própria torcida, e olhe lá.

A briga pelas duas vagas restantes na Libertadores vai se afunilando. Não dá para apostar entre Palmeiras, Grêmio, Vasco, Botafogo e Santos. É possível que a cada duas ou três rodadas vá ficando um para trás.

Já a parte da baixo.... América está fora, e o Juventude quase. Ficam duas vagas em disputa. Entre o Corinthias (primeiro da zona do rebaixamento) e o Internacional (9º colocado) são três pontos, e uma multidão de clubes. Tudo pode acontecer aí. O Náutico vem de impressionante reação, e o Flamengo mantém uma certa regularidade positiva, mas nada que afaste de imediato a ameaça. Estão em franca queda: Corinthians e Goiás. Os últimos anos mostram que o rebaixamento é uma questão de tendência na reta final. Vale lembrar, quando a Portuguesa caiu, não figurara na lista dos rebaixados em nenhuma rodada do campeonato, entrou apenas ao final da última. Quando reagir é impossível.

Juventude 2 x 2 Flamengo

Perdendo oportunidades preciosas

O Flamengo poderia ter saído de Caxias com um resultado bem melhor do que o empate ontem. Tudo porque no segundo tempo, nos momentos decisivos, perdeu gols preciosos. Primeiro com Leonardo Moura e depois com o atacante Leonardo. Foram duas oportunidades diante apenas do goleiro do Juventude, que daria um pouco mais de fôlego ao time rubro-negro. Do jeito que terminou o fantasma do rebaixamento, para usar a expressão que já encheu, ainda ronda o clube. Precisa de outra série de duas ou três vitórias seguidas para respirar aliviado, porque é a única coisa que resta ao Flamengo este ano. Infelizmente.

sexta-feira, setembro 21, 2007

Um pouco de tudo

Existem dois motivos práticos que me levam a ler o Jornal do Brasil: seu preço e seu formato. Apesar de ter preço popular (R$ 1,00) o jornal não tem aquele estilo apelativo dos demais na mesma faixa. E seu formato é muito melhor para ler no ônibus em movimento. Lendo a edição de hoje, separei alguns pontos.

Amazônia

Em artigo, Mauro Santayana trata da necessidade de intensificar a presença na maior região brasileira e tomar atitudes contra a presença indiscriminada de estrangeiros no local. Até aí tudo bem. Mas quando diz que a afirmação do presidente Lula, de que a Amazônia tem dono, deve mudar a atitude passiva dos brasileiros contra a ingerência estrangeira na região eu me pergunto: o que quis dizer com isso? Referia-se ao brasileiro comum ou àqueles que detém o poder? Nos dois casos uma afirmação pública do presidente vale o mesmo que nada, pois já é notório que o discurso presidencial não coincide com a realidade dos fatos. É comum dizer uma coisa em público para nos bastidores fazer exatamente o oposto. Ou não foi assim na absolvição de Renan Calheiros? Quantas vezes disse que não interferiria em um problema exclusivo do Legislativo? E, no entanto, qual foi sua real atitude no episódio? Não colocou a tropa de choque, capitaneada pelo chefe dos aloprados, para resolver o problema?

O articulista também fala sobre a anexação do Acre. E afirma que se não fosse a ação de Rio Branco o estado teria se tornado uma ponta de lança para a conquista de todo o território pelos Estados Unidos. Não sei de onde tirou isso, mas não conheço um único historiador sério, e até não sério, que tenha em algum momento falado em um plano norte-americano para a conquista do território (sei lá qual) a partir do Acre.

O PAC está empacado

Nem perco meu tempo comentando este plano. É a cara do governo Lula: muita propaganda e nada de execução. E o que executa vem recheado de corrupção, como atesta o último relatório do TCU. Cada um acredita no que quer.

Chávez em Manaus

Em um canto inferior, no meio do jornal, está a notícia que o ditador de araque criticou o congresso brasileiro navamente. Desta vez na frente de Lula, que limitou-se a concordar com o amigo, afirmando que também enfrenta muitos problemas por ser progressista. Para ver como a mídia brasileira se coloca ideologicamente à esquerda: imagine se fosse o Bush falando a mesma coisa? Estaria estampado na capa de todo jornal brasileiro, com direito a mobilização para passeata de protesto, com dinheiro oficial, é claro. E o parlamento ainda vai acabar aprovando a entrada da ditadura venezuelana no Mercosul. Uma piada.

E parte da mídia andou soltando que Lula não aguenta mais o companheiro venezuelano. Conversa para boi dormir, estão juntos no Foro de São Paulo. Reinaldo Azevedo toca no ponto certo: Lula só não faz a mesma coisa que Chávez porque o Brasil não é a Venezuela. Mas dêem tempo ao homem para ver onde vamos parar.

É claro que é um absurdo o Brasil se colocar como local para negociação entre FARC e o governo colombiano. O primeiro é um grupo terrorista financiado pelo tráfico de drogas, o segundo é um governo constituído. O lado que o Brasil deveria estar é muito claro. Infelizmente também é para o nosso presidente.

Busca de vagas em colégios públicos

Em matéria no caderno de cidades ficamos sabendo que quase 5 mil pais fizeram filas para matricular os filhos em um tradicional colégio público na Lagoa, um dos poucos com ensino de qualidade. O motivo é o endividamento da classe média. Sem saída, foge das mensalidades das escolas particulares. Como as vagas são limitadíssimas, haverá sorteio nos moldes da Mega-sena. É uma vergonha. Este é o efeito das práticas estatisantes no mundo todo: empobrecimento da classe média. É aquela realidade chata: o estado gera muito menos riqueza do que a iniciativa privada, e o país não cresce o suficiente. Esta é a política do lulismo: arrancar o couro da classe média e distribuir para os mais pobres. E ainda se surpreendem se a desigualdade social diminui! Gerar riquezas para toda a sociedade é coisa da direita. Não funciona. O negócio é reduzir desigualdades transformando todos em pobres. Uma lástima.

Dunga e Kerlon

Um jogador inventa um drible novo e é agredido pelo adversário, quase penalti, com direito a expulsão. O tal drible da foca. Uma montanha de técnicos querem a proibição do drible por considerá-lo imarcável. Claro que não é. Basta ficar na frente do jogador e dividir a bola na cabeça. O pior que pode acontecer é os dois cabecearem ao mesmo tempo.

Dunga se juntou a este grupo que sistematicamente vem destruindo o futebol. A genialidade, o talento, incomoda. E não é só nos esportes. Existe uma tendência pela exaltação da mediocridade, da falta de talento. Basta olhar na sociedade a quantidade de exemplos de nivelamento por baixo. Uma vez Gustavo Corção definiu a sociedade moderna como a exaltação do burro diante do inteligente; antes o burro tinha vergonha de sua burrice, e se escondia. Em algum momento da história passou a bater no peito e gritar com orgulho: eu sou burro. E assim nasceu o desprezo aos inteligentes. Assim como os gênios. O resultado é este mundo que vivemos.

quinta-feira, setembro 20, 2007

Cal no churrasco do Torto

Lula da Silva ficou surpreso ao verificar que havia um monte de sacos de cal na churrasqueira da Granja do Torto, e pergunta ao churrasqueiro:

-Quem pediu esses sacos de cal?

-O senhor, respondeu o rapaz!

-Eu?????? perguntou indignado.

-Sim, foi o senhor mesmo, companheiro presidente!

-Mas como você me acusa de uma coisa dessas, companheiro?

Disse esbravejando, mas elegante com sua face vermelha combinando com um terno Armani novinho.

-Lógico! disse o jovem mostrando ao ilustre presidente o bilhete para as compras que o mesmo havia deixado.

Estava claramente escrito: 102 quilo de CAL

-Mas você é iletrado mesmo, companheiro! Disse Lula babando de ódio com a ousadia do fedelho. Eu apenas esqueci de pôr cedilha no C. É lógico que era ÇAL para o churrasco, seu ignorante. E aonde você viu que eram 102 quilos, seu retardado? Escrevi 1 Ô 2 quilos, seu burro.

quarta-feira, setembro 19, 2007

Mais material didático

Reinaldo Azevedo extraiu os trechos seguintes do livro Nova História Crítica - 500 anos de História Mal Contada, no site do projeto reeducar:

"No museu do Ipiranga, em São Paulo, tem o célebre quadro do pintor paraibano Pedro Américo, retratando o dia 7 de setembro de 1822. Parece um anúncio de desodorante, com aqueles sujeitos levantando a espada para mostrar o sovaco".

"Vilas inteiras foram executadas. Doentes eram perfurados a baionetas no leito dos hospitais. Meninas paraguaias de 12 ou 14 anos eram presas e enviadas como prostitutas aos bordéis do Rio de Janeiro. Sua virgindade era comprada a ouro pelos barões do império! O próprio Conde d'Eu tinha ligações com o meretrício do Rio. Gigolô imperial."

"Diziam que a princesa Isabel era feia como a peste e estúpida como uma leguminosa. Quem acredita que a escravidão negra acabou por causa da bondade de uma princesa branquinha, não vai achar também que a situação dos oprimidos de hoje só vai melhorar quando aparecer algum principezinho salvador?"

"Ninguém sério acreditava num Terceiro Reinado. A estupidez da princesa Isabel, e a péssima fama de seu esposo, o Conde d'Eu (corrupto, assassino da Guerra do Paraguai, picareta mesmo) contribuíam para isso."

Para os republicanos "não era D. Pedro II que estava velho, esclerosado e babão. A própria monarquia estava caduca e precisava ser substituída por uma forma de governo que botaria o Brasil nos trilhos da modernidade: a República".

Além da mentirada deslavada, chama atenção a vulgaridade de um texto que se pretende educativo, ou reeducativo (seja lá o que for isso). Expressões como "principezinho salvador", "velho, esclerosado e babão", "estúpida como uma leguminosa" só podem ter vindo de alguma mente lastimável. Eis o que se ensina por aí. E não é só no ensino público não, a coleção também é adotada em muitas escolas particulares. É bom dar uma olhada no material do seu filho, eu vou!

terça-feira, setembro 18, 2007

Onde?

Doutrinação ideológica

Trechos do livro Nossa História Crítica, 8ª série, distribuída pelo MEC e levantados por Ali Kamel:

Capitalismo

"Terras, minas e empresas são propriedade privada. As decisões econômicas são tomadas pela burguesia, que busca o lucro pessoal. Para ampliar as vendas no mercado consumidor, há um esforço em fazer produtos modernos. Grandes diferenças sociais: a burguesia recebe muito mais do que o proletariado. O capitalismo funciona tanto com liberdades como em regimes autoritários."

Marxismo

"Terras, minas e empresas pertencem à coletividade. As decisões econômicas são tomadas democraticamente pelo povo trabalhador, visando o (sic) bem-estar social. Os produtores são os próprios consumidores, por isso tudo é feito com honestidade para agradar à (sic) toda a população. Não há mais ricos, e as diferenças sociais são pequenas. Amplas liberdades democráticas para os trabalhadores."

Mao Tse-tung:

"Foi um grande estadista e comandante militar. Escreveu livros sobre política, filosofia e economia. Praticou esportes até a velhice. Amou inúmeras mulheres e por elas foi correspondido. Para muitos chineses, Mao é ainda um grande herói. Mas para os chineses anticomunistas, não passou de um ditador."

Revolução Cultural Chinesa

"Foi uma experiência socialista muito original. As novas propostas eram discutidas animadamente. Grandes cartazes murais, os dazibaos, abriam espaço para o povo manifestar seus pensamentos e suas críticas. Velhos administradores foram substituídos por rapazes cheios de idéias novas. Em todos os cantos, se falava da luta contra os quatro velhos: velhos hábitos, velhas culturas, velhas idéias, velhos costumes. (...) No início, o presidente Mao Tse-tung foi o grande incentivador da mobilização da juventude a favor da Revolução Cultural. (...) Milhões de jovens formavam a Guarda Vermelha, militantes totalmente dedicados à luta pelas mudanças. (...) Seus militantes invadiam fábricas, prefeituras e sedes do PC para prender dirigentes 'politicamente esclerosados'. (...) A Guarda Vermelha obrigou os burocratas a desfilar pelas ruas das cidades com cartazes pregados nas costas com dizeres do tipo: 'Fui um burocrata mais preocupado com o meu cargo do que com o bem-estar do povo.' As pessoas riam, jogavam objetos e até cuspiam. A Revolução Cultural entusiasmava e assustava ao mesmo tempo."

Revolução Cubana e o paredão

"A reforma agrária, o confisco dos bens de empresas norte-americanas e o fuzilamento de torturadores do exército de Fulgêncio Batista tiveram inegável apoio popular."

Futuro de Cuba

"Uma parte significativa da população cubana guarda a esperança de que se Fidel Castro sair do governo e o país voltar a ser capitalista, haverá muitos investimentos dos EUA. (...) Mas existe (sic) também as possibilidades de Cuba voltar a ter favelas e crianças abandonadas, como no tempo de Fulgêncio Batista. Quem pode saber?"

Derrocada da URSS:


"É claro que a população soviética não estava passando forme. O desenvolvimento econômico e a boa distribuição de renda garantiam o lar e o jantar para cada cidadão. Não existia inflação nem desemprego. Todo ensino era gratuito e muitos filhos de operários e camponeses conseguiam cursar as melhores faculdades. (...) Medicina gratuita, aluguel que custava o preço de três maços de cigarro, grandes cidades sem crianças abandonadas nem favelas... Para nós, do Terceiro Mundo, quase um sonho não é verdade? Acontecia que o povo da segunda potência mundial não queria só melhores bens de consumo. Principalmente a intelligentsia (os profissionais com curso superior) tinham (sic) inveja da classe média dos países desenvolvidos (...) Queriam ter dois ou três carros importados na garagem de um casarão, freqüentar bons restaurantes, comprar aparelhagens eletrônicas sofisticadas, roupas de marcas famosas, jóias. (...) Karl Marx não pensava que o socialismo pudesse se desenvolver num único país, menos ainda numa nação atrasada e pobre como a Rússia tzarista. (...) Fica então uma velha pergunta: e se a revolução tivesse estourado num país desenvolvido como os EUA e a Alemanha? Teria fracassado também?"

Além das mentiras históricas socialistas, chama também atenção o mau uso do português. Tratando-se de um livro didático é inaceitável. Falar o que deste festival de absurdos?

Verdade sobre a Vale

Do artigo de Eduardo Graeff, na Folha, sobre a Vale:


1 – Em seis anos, ela recebeu US$ 44,6 bilhões em investimentos: nos 54 anos de estatismo, foram US$ 24 bilhões;

2 – Em 1997, inteiramente estatal, empregava 11 mil pessoas; hoje, 56 mil;

3 – Como estatal, produzia 35 milhões de toneladas de ferro; hoje, são 300 milhões;

4 – Em 1997, exportou US$ 3 bilhões; em 2006, US$ 10 bilhões (mais de um quarto do saldo positivo da balança comercial);

5 – Se a empresa realmente vale hoje US$ 50 bilhões, TRATA-SE DA VALE INTEIRA; em 1997, venderam-se se por US$ 3 bilhões APENAS 42% das ações ordinárias;

6 – Quem continua a ser o verdadeiro “dono” da Vale? O fundo de pensão do Banco do Brasil e o BNDES: eles detêm dois terços do capital da empresa;

7- O outro terço se distribui entre Bradesco, a japonesa Mitsui e mais de 500 mil brasileiros que aplicaram parte do FGTS em ações da companhia.

segunda-feira, setembro 17, 2007

Vice por equipes, campeão no masculino

O mundial de judô foi mesmo inesquecível. O Brasil ficou por um triz de ganhar a competição: isso porque o Japão, que não tinha uma medalha de ouro, ganhou três das 4 possíveis no último dia. Restou-nos um fantástico primeiro lugar no masculino, já que todas nossas conquistas foram dos homens. Para ter uma idéia, nenhum outro país ganhou mais de uma modalidade no masculino, e o Brasil ganhou 3. Vejam a classificação final:

1. Japão: 3 ouros, 2 pratas e 4 bronzes
2. Brasil: 3 ouros, 1 bronze
3. França: 2 ouros, 2 pratas, 4 bronzes
4. Cuba: 2 ouros, 2 pratas, 1 bronze
5. China: 2 outros

Todos os campeões:


Masculino:
-60 kg
Ruben Houkes, HOL
-66 kg
João Derly, BRA
-73 kg
Ki Chun Wang, KOR
-81 kg
Tiago Camilo, BRA
-90 kg
Irakli Tsirekidze, GEO
-100 kg
Luciano Correa, BRA
+100kg
Teddy Riner, FRA
Absoluto
Yasuyuki Muneta, JAP

Feminino:
-48 kg
Ryoko Tani, JAP
-52 kg
Junjie Shi, CHI
-57kg
Sun Hui Kye, PRK
-63 kg
Driulis Gonzales, CUB
-70 kg
Gevrise Emane, FRA
-78 kg
Yurisel Laborde, FRA
+78kg
Wen Tong, CHI
Absoluto
Maki Ysukada, JAP

Melhor Atleta do Mundial: Tiago Camilo-BRA

Fim de semana, sem parar

O fim de semana foi bem agitado, e ainda não consegui parar.

Saí de Resende às 6 da manhã e vim para o Rio. Deixei esposa e filha no apartamento e parti com o Luan para o Rio Centro. Ingressos na mão, lá estávamos entrando as dez da manhã para ver a tentativa, muito bem sucedida, de João Derly ser campeão mundial. Foi um dia de arquibancada, a luta final foi às 23:30 e só fui deitar na cama para dormir às 2 da manhã.

As seis já estava de pé para levar a Eliene para a prova da Câmara dos Deputados. 11 horas estávamos partindo, novamente, para o Rio Centro. O objetivo desta vez era ir na Bienal do Livro. É claro que com criança pequena, querendo colo toda hora, não deu para ver muita coisa. Voltamos para Resende e fui dormir meia-noite.

Acha que acabou? 2:40 o despertador tocava e lá ia eu para a Rodoviária pegar o ônibus para o Rio. Cheguei as seis, fui para o IME, fiz o que tinha que fazer e 10:00 estava no ponto de ônibus para começar minha segunda ida à Bienal. Cheguei lá só as 12:30 e comecei a garimpar. É lógico que um viciado em livros não pode ficar indo num lugar desses. Ainda bem que só tem de dois em dois anos. Comprei de tudo: quadrinhos, romance, não-ficção, pocket, mini-livro, gramática. Só não comprei um dicionário decente porque um Aurélio completo está na faixa dos r$ 200,00. Faltou coragem.

Cheguei em casa as sete da noite, arrumei o apartamento e só agora fui conseguir ligar o computador para atualizar o blog.

Não vai ter jeito: hoje vou apagar!

domingo, setembro 16, 2007

Bi-campeão


Terceiro dia do mundial de judô, terceiro ouro para o Brasil. Se no caso de Luciano Correa foi uma surpresa, e no de Tiago Camilo foi a consagração, enfim, de quem um dia foi "apenas" uma grande promessa, no de João Derly foi a confirmação. João era o atual campeão mundial em uma campanha arrasadora no Cairo em 2005, que inclusive rendeu-lhe o título de melhor lutador do torneio. Mudou seu estilo, passou a usar mais a cabeça e arriscar menos pois agora é um atleta com todos os movimentos marcados. Na final, contra o grande rival Arencibia de Cuba, não foi diferente. Em uma amarrada, com os dois lutadores evitando se expor, foram parar no Golden Score. Como Derly teve mais iniciativa na luta o cubano foi obrigado a tentar uma marcação, no contra-ataque levou um Koka e o título era do brasileiro.

sexta-feira, setembro 14, 2007

Mais um campeão


Finalmente chegou o dia de Tiago Camilo. A nossa grande revelação dos Jogos Olímpicos de 2000, onde conseguiu a medalha de prata e apontado como um dos futuros grandes do judô enfrentou uma fase difícil, ficou fora dos jogos de 2004, foi mal no último mundial mas faz algum tempos está se revelando imbatível nos tatames. Hoje foi um show. É muito difícil que não seja eleito o melhor atleta da competição, simplesmente demoliu seus adversários e tornou-se o terceiro brasileiro na história e ganhar o mundial. Começa a pintar uma grande campanha em 2008 para o Brasil...

A independência

Nas décadas de 60/70 ganhou força no Brasil a teoria de dependência. Fruto da ideologia das esquerdas, passou-se a ver toda nossa história com fruto da exploração do país pelas potências estrangeiras, o que foi aos poucos ganhando espaço nos livros de história, particularmente no ensino secundário.

Difundiu-se a tese de que a independência brasileira foi fruto exclusivo dos interesses ingleses. Havia uma nítida tentativa, até certo ponto bem sucedida, de ridicularizar os heróis brasileiros e nossa história; em seu lugar teríamos gente com Che e Prestes. D Pedro foi um dos primeiros a ser demonizado.

Esta influência ideológica impede que o papel do primeiro imperador seja analisado com propriedade. É fato que a independência foi um ato conduzido pela elite política da colônia e que a participação popular foi mínima, mas qual foi o real papel de D Pedro neste processo?

A história não é uma ciência exata, e os fatos não são analisados desta forma; pertencem a um contexto e permitem muitas suposições e interpretações. Pelo que já li coube José Bonifácio o papel de artífice do movimento pela emancipação. A revolução do Porto era uma séria ameaça, implicava na volta do Brasil à condição colonial e o retorno de D Pedro à Portugal era uma passo definitivo nesta direção.

O que aconteceria se o príncipe cumprisse a determinação da corte lusa? É uma pergunta que poucos se fazem, mas fundamental para entender a importância de D Pedro. Para dar certo o movimento pela emancipação necessitava de uma liderança legítima, que fosse respeitada tanto em Portugal como na Europa. Sem ela talvez a única saída para independência fosse, aí sim, uma revolução popular.

Quando ela viria? Até onde o país deveria ser oprimido para despertar a população de sua letargia? Seria possível uma independência do reino como um todo? Seria possível uma revolução que mantivesse o Brasil com a integridade territorial que possui hoje?

A grande questão é se uma revolução popular seria melhor para o Brasil do que uma emancipação conduzida pela elite brasileira. O que aconteceu no império espanhol indica que não. Houve derramamento de sangue imediato e uma profunda divisão que provocou inúmeras guerras e ressentimentos que persistem até os dias de hoje. É claro que a independência da américa espanhola não foi conduzida pelo povo, mas seguramente sua participação foi bem maior do que no caso brasileiro. E a elite dividiu-se em interesses regionais sepultando o sonho de unidade de Simón Bolívar.

A participação de D Pedro no 7 de setembro evitou tudo isso. A independência foi alcançada em clima de tranqüilidade, sem abrir fissuras na nação brasileira. E a participação do imperador nos anos seguintes, com uma forte centralização política absolutista, impediu a divisão da nossa elite em interesses regionais e a fragmentação do Brasil.

Se D Pedro não foi o herói na acepção da palavra, se não lutou batalhas sangrentas pelo Brasil, também não foi um espertalhão aproveitador como costumam retratá-lo. Muito menos um corrupto. Deixou um legado importante para o futuro e na minha opinião merece ser tratando com muita mais consideração do que é hoje. Obviamente é um exemplo bem melhor do que Che Guevara foi para a juventude brasileira. É uma lástima ver tantas camisas com o rosto deste último,um fascínora, e ver o primeiro jogado ao ostracismo.

Não sou historiador, muito menos dono da verdade. Mas escolho minhas referências sem a contaminação ideológica das elites culturais brasileiras. E creio que nosso primeiro Imperador merece mais consideração do que recebe da nação brasileira.

O Grito da Independência


Este quadro de Pedro Américo, pintado no fim do II Reinado, é uma das mais famosas imagens brasileiras de nossa independência. A tela retrata D Pedro I, de maneira heróica, fazendo a declaração da independência. Nas últimas décadas a imagem foi demonizada pela comunidade acadêmica que, em grande parte, reduz a participação do Imperador a quase nada.

Greve dos Correios

Sou de opinião que o estado só deveria gerenciar atividades essenciais, que não podem ser delegadas à sociedade. Poderia também participar onde não houvesse o interesse particular, o que nos dias de hoje é cada vez mais raro. O fato é que a essencialidade da função do estado não é compatível com a greve geral conduzida pelo sindicato dos trabalhadores dos Correios.

Infelizmente falta regulamentação das greves no setor público, que na minha opinião deveriam ser proibidas. Os sindicatos aproveitam para pressionar o governo com evidente prejuízo para a população. Não houve a menor preocupação dos grevistas em garantir um mínimo de serviços.

Segundo o Informe Econômico do JB a greve foi a senha para o governo colocar adiante o projeto de privatização do setor. A volúpia estatizante deste mesmo governo me faz duvidar desta intenção. A defesa do estado diante das privatizações foi importante nas últimas eleições, e o movimento pela re-estatização da Vale mostra que é uma estratégia para 2010.

Mas se acontecer do governo me surpreender nesta questão não ficarei decepcionado. Não vejo um único motivo para ser contra. Os correios já não operam com a mesma eficiência de outrora, estiveram no epicentro do mensalão, gastam uma fábula em propaganda mesmo sem ter concorrente e ainda apresenta um serviço caro. Só temos a ganhar com a privatização. Não dá nem para alegar que estaríamos "perdendo" nossos recursos naturais. Afinal o serviço não produz nada, apenas transporta.

Vergonha Nacional

Experimentem digitar "vergonha nacional" no google. O primeiro site apresentado é o "senado.gov.br".

Realmente uma vergonha.

Interessante

Do ex-blog do César Maia:

-O PROBLEMA, PREFEITO... É BRASÍLIA!

1. Em dezembro de 1996, o prefeito do Rio recebeu um pedido de audiência, do ex-deputado, ex-líder do governo JK, ex-ministro do regime militar, Armando Falcão, que queria conhecê-lo. Foi marcado um almoço. O ex-ministro chegou com uma ótima aparência que lhe dava uns dez anos a menos.

2. Iniciado o almoço deu-se um "branco". O prefeito quebrou o "gelo" e para agradar o ex-deputado, disse que o parlamento nos anos 50, quando ele foi líder de JK, era de melhor qualidade do que o atual. E perguntou por que.

3. A resposta veio pronta: -O problema prefeito... é Brasília. Quando a capital era no Rio, um grande advogado, médico, professor... vinha para cá e aqui continuava sua atividade profissional. E até independiam materialmente da política. Hoje, em Brasília, todos ou quase são profissionais da política. Uns porque se afastam do que faziam e se profissionalizam em Brasília. Outros porque só são, desde a origem brasiliana, profissionais da política. Com isso a política perde a política. E os mandatos são privados e não representativos.

Um voto jogado no lixo

O processo contra Renan Calheiros pelo menos revelou-me que (mais uma vez) joguei um voto no lixo. Trata-se de meu voto no senador Francisco Dornelles nas últimas eleições. Não votei por convicção, mas diante de uma adversária comunista votei neste senhor. Por princípio não voto vermelho. Hoje, na mesma situação, anularia meu voto. O papel de Dornelles nos últimos dias foi simplesmente revoltante. Segundo ele o fato de Calheiros não ter renda para pagar a pensão não constitui falta de decoro, apenas uma questão tributária. Aproveitou para ameaçar os demais senadores: uma condenação implicaria que todos eles poderiam ser alvos do mesmo processo.

Trata-se de uma falácia sem tamanho. Questão tributária é você sonegar um imposto. Fazer despesas sem renda é outra coisa. Significa pura e simplesmente dinheiro ilegal. E os valores que o senador movimentou apontam uma grande ilegalidade. Em entrevista Dornelles afirmou:

FOLHA - Por que não cassar Renan Calheiros?
FRANCISCO DORNELLES - Não há nenhuma prova de que os recursos para pagar a jornalista eram da Mendes Júnior. O Conselho de Ética diz que o Renan não provou que tinha renda para fazer os aportes. O problema seria crime contra a ordem tributária, que só pode ser apurado no âmbito de processo da Receita.

Pior viria a seguir:

FOLHA - Mas quebra de decoro é um processo político...
DORNELLES - Depende. Se o sujeito tirar a roupa e entrar aqui nu, é um decoro parlamentar, um problema político. O sujeito estuprar uma menina dentro do Parlamento é uma coisa política. O processo tem de ser político para ações políticas. Mas como você vai incluir um crime contra a ordem tributária no campo político?

Mais um ponto em que me diferencio do petista-lulista. Não morro abraçado ao meu voto e não faço meus julgamentos baseados em relativismo. O papel do senador que votei foi vergonhoso e lastimável. Nunca mais terá meu voto. Simples assim.

quinta-feira, setembro 13, 2007

Primeiro dia do Judô, um novo campeão mundial

O primeiro dia do mundial de judô foi excelente para o Brasil. De cara igualamos nosso melhor resultado, o do Egito em 2005. Um ouro e um bronze. O bronze ficou por conta de João Gabriel Schlitter que perdeu a semi-final para o russo Timerlan Timenov e na disputa pela medalha venceu uma das lendas do esporte: o japonês Kosei Inoue, tricampeão mundial.

Luciano Correia pegou uma chave muito mais difícil e venceu na estréia o campeão olímpico e na semi o campeão europeu. Na final estava perdendo até 30 segundos para o final quando empatou a luta com uma punição e, na seqüência encaixou um ippon no britânico Peter Cousins.


É o segundo título mundial na história do esporte brasileiro, o primeiro no último mundial com João Derly. O próprio Corrêa foi bronze em 2005 e tornou-se o primeiro brasileiro a ganhar medalhas em duas edições seguidas. Já é um dos favoritos para as Olimpíadas.

Contradições brasileiras

A "absolvição" de Renan Calheiros causou muitas reações na sociedade. Muitos a encararam como uma derrota da mídia, bem ao estilo do pensamento do militante petista. Afinal a mídia é o verdadeiro inimigo; o senador foi perseguido pela imprensa. Como se a incapacidade do mesmo em se defender não tivesse importância. Grande parte da população assistiu a tudo sem entender bem o que aconteceu. Queriam a cassação, mais por entender que era um político corrupto em julgamento do que qualquer outra coisa; seriam incapazes de apontar onde teria sido quebrado o decoro. Por estranho que possa parecer, não vêem nada demais em pagar pensão com dinheiro de um empreiteiro. No íntimo sabem, que se pudessem, fariam a mesma coisa. E outra parte entendeu as verdadeiras razões que exigiam a condenação de Renan Calheiros: a promiscuidade do público com o privado.

Muitos deste último grupo têm infestado a rede com mensagens condenando a decisão do senado. O que me chama a atenção é que muitos ajudaram a re-eleger Lula e condenaram as vaias que sofreu recentemente. Comemoraram as eleições dos mensaleiros e derem ao atual governo um cheque em branco para continuar conduzindo a nação depois do que fizeram no primeiro mandato.

Por que Renan pode ser condenado por falta de decoro e Lula não? O que faz um melhor do que o outro? A origem humilde que não cansa de repetir? Ou a velha máxima de Maquiavel: os fins justificam os meios. Sim, o PT roubou e comprou o parlamento, mas foi por uma causa nobre: a justiça social. Aí está o relativismo que tantos males provoca. O governo Lula colocou toda sua força para absolver Renan Calheiros, participam do mesmo plano de poder.

Querem que o senado faça o que não fizeram nas urnas em 2006. Recusaram-se a colocar para forma um governo que assaltou o estado e tenta, diariamente, destruir todas as instituições da república.

Infelizmente o senado não é melhor do que a sociedade brasileira. É apenas mais uma de suas expressões. E mostra que esta sociedade esta doente.

O Caso Renan Calheiros

Terminou ontem mais um capítulo da ópera bufa que se tornou o processo por quebra de decoro em que era acusado simplesmente o presidente do Senado e do Congresso Renan Calheiros.

Não faltaram provas para demonstrar que o senador usou dinheiro de uma empreiteira para pagar pensão para uma ex-amante. Também ficou evidente que a mesma empreiteira foi beneficiada na distribuição de dinheiro público. Se isso não é quebra de decoro, o que seria?

Renan só conseguiu se complicar em sua defesa. Partiu para o ataque à mídia, especialmente a Veja, acusando-a de conspiração para derrubá-lo. Depois partiu para ameaças a senadores fazendo acusações ao ar. Os senadores não se intimidaram e exigiram, em plenário, que Renan fizesse a acusação que deixava subtendido. Fez-se de desentendido. Finalmente partiu para a ameaça ao governo. Mandou mensagens explícitas que não cairia sem atirar caso a base e, principalmente, o partido do governo não o salvasse da degola.

O PT ainda ensaiou uma liberação de votos no início da semana, chegou até a flertar com a cassação. Mas quando as ameaças do senador chegaram fortes ao governo, Lula colocou suas digitais. Escalou um general de sua tropa, Mercadante, para controlar a votação. Não precisava nem defender o voto pela absolvição, bastava-lhe a abstenção; a maior das covardias em um processo desses.

Renan foi absolvido, contanto para isso com as providenciais 6 abstenções. A seção foi uma vergonha. Secreta, com varreduras e seguranças na porta, parecia uma reunião de bicheiros e não uma de senadores da república.

E assim o senado chegou ao ponto mais baixo de sua história. Uma semana depois do STF dar uma esperança à nação, a mais alta câmara brasileira produziu esta vergonha. Com as 9 digitais do presidente da república, a quem muito interessa a desmoralização do parlamento.

E agora? Agora nada. Duvido que os outros processos cheguem ao plenário, ficou com cara de assunto requentado, apesar de não sê-lo. A oposição deve marcar sua posição e começar a fazer algo que não quis fazer nestes 5 anos de lulismo: política. E o primeiro passo e derrubar a CPMF, cuja única finalidade é engordar os cofres públicos para o assalto petista.

O senado rachou literalmente e é onde a oposição tem hoje seu melhor palco para atuação. Está na hora de honrarem seus votos.

quarta-feira, setembro 12, 2007

Entrevista com José Geraldo Piquet Carneiro

A Veja desta semana traz, em suas páginas amarelas, uma entrevista com Piquet Carneiro, presidente do Instituto Hélio Beltrão, organização que visa propor iniciativas para ampliar a eficiência da administração pública e reduzir a interferência do governo nos indivíduos.

Piquet aponta que nunca o Brasil teve condições tão ideais de reduzir a burocracia. Baseia-se no fato de que as contas públicas estão equilibradas como nunca estivera. Seria a hora de uma mudança a favor do contribuinte. A realidade é que poucos conseguem estar em dia com as normas tributárias e a resposta da sociedade é a informalidade. Criou-se uma cultura da desconfiança. "O poder público não confia no cidadão, que aceita isso e se torna submisso aos caprichos do estado".

Questiona a necessidade de ir ao cartório e colocar um carimbo para provar que a cópia é igual ao original e de se obter certidões para provar que nada deve. Em conseqüência, o governo mantém uma grande quantidade de funcionários públicos para conferir estes documentos. Outra é a existência de um enorme mercado de intermediação cartorial.

Aponta que "a preocupação em arrecadar mais impostos foi tamanha que o atendimento ao cidadão deixou de ser importante. O cidadão, sobretudo aquele que caminha na legalidade, é punido duplamente: paga mais tributos e vê diminuir a qualidade do serviço público".

Afasta a herança ibérica como causa da burocratização no país. Tanto em Portugal quanto na Espanha já é possível abrir uma empresa em um único dia. Existe o conceito de quanto mais negócios forem abertos, mais se cria riquezas.

Sobre a carga tributária afirma que a carga é tão alta que expele o contribuinte do sistema. Uma pesquisa aponta que 70% das empresas em cinco municípios do Rio de Janeiro são informais. Oito em cada dez empresas no país possuem pendências tributárias.

Conclui afirmando que a reforma tributária no Brasil é uma ilusão pois começa com as melhores intenções e acaba com aumento de impostos. E cita, como exemplo, a instituição do IPMF no governo Itamar Franco.

"Gostaria de ver o burocrata sendo perseguido com o mesmo rigor com que persegue o contribuinte. Não sobreviveria um único dia."

terça-feira, setembro 11, 2007

Trem-bala

Para reflexão

Ponha-se na presidência qualquer medíocre, louco ou semi-analfabeto e vinte e quatro horas depois a horda de aduladores estará à sua volta, brandindo o elogio como arma, convencendo-o de que é um gênio político e um grande homem, e de que tudo o que faz está certo. Em pouco tempo transforma-se um ignorante em um sábio, um louco em um gênio equilibrado, um primário em um estadista. E um homem nessa posição, empunhando as rédeas de um poder praticamente sem limites, embriagado pela bajulação, transforma-se num monstro perigoso “.

(Olympio Mourão Filho, Memórias: A Verdade de um Revolucionário , Porto Alegre, L&PM, 1978, p. 16.)

domingo, setembro 09, 2007

Admirável Mundo Novo

Brave New World, 1932
Aldous Huxley

__ Porque o nosso mundo não é o mesmo de Otelo. Não se pode fazer um calhambeque sem aço, e não se pode fazer uma tragédia sem instabilidade social. O mundo agora é estável. As pessoas são felizes, têm o que desejam e nunca desejam o que não podem ter. Sentem-se bem, estão em segurança; nunca adoecem; não têm medo da morte; vivem na ditosa ignorância da paixão e da velhice; não se acham sobrecarregadas de pais e mães; não têm esposas, nem filhos, nem amantes, por quem possam sofrer emoções violentas; são condicionadas de tal modo que praticamente não podem deixar de se portar como devem. E se, por acaso, alguma coisa andar mal, há o soma. Que o senhor atira pela janela em nome da liberdade, Sr. Selvagem. Da liberdade! __ Riu. __ Espera que os Deltas saibam o que é liberdade! E agora quer eles compreendam Otelo! Meu Caro Jovem!

Admirável Mundo Novo é uma fábula sobre um futuro não muito distante onde a humanidade teria alcançado a sociedade perfeita. Não existe violência, todos possuem seu trabalham e gostam dele, todos são felizes. Não existe a inveja, ódio, solidão, abandono. Enfim um mundo perfeito.

Parece o sucesso da humanidade, mas fica longe disso. É um mundo perturbador. Sim, tudo isso existe na sociedade imaginada por Huxley. Mas ao mesmo tempo é um mundo sem liberdade, dividido em castas imóveis, sem pais e mães, sem esposas e filhos, sem religião, sem contemplação, sem filosofia, sem reflexão, sem história.

No início da obra Huxley faz uma descrição do Centro de Incubação e Condicionamento de Londres Central. Através de uma visita guiada de um grupo de estudantes somos apresentado a um verdadeiro horror genético e psicológico.

Os bebês não nascem mais de mães, são incubados. A semelhança do processo com uma linha de produção __ não por acaso Ford é o novo "Deus" deste mundo __ é angustiante. A sociedade é dividida em castas, enquanto que os Alfas e Betas (os destinados à inteligência) passam por um processo, os Gamas, Deltas e Ípsilons são separados em submetidos a um processo que um único embrião, chamado de ovo, dá origem a um conjunto de gêmeos idênticos que podem chegar a mais de 90. Diante da pergunta de uns alunos sobre a vantagem do processo o diretor responde:

"__ O processo Bokanovsky é um dos principais instrumentos de estabilidade social (...) Noventa e seis gêmeos idênticos fazendo funcionar noventa e seis máquinas idênticas!"

No próprio processo de incubação os destinados às castas mais baixas são submetidas a processos que causam o desenvolvimento abaixo do normal. " Quanto mais baixa é a casta (...) menos oxigênio se dá. " E nessa linha de produção genética vão se preparando os novos indivíduos.

A segunda parte da visita é destinada ao aprendizado, ou melhor, ao condicionamento. Através de mensagens constantes transmitidas durante o sono, as crianças são condicionadas a aceitar seu destino em sua casta, nunca invejar os que são superiores e entender o que é necessário para serem felizes; a consumirem os produtos e aceitarem a completa liberdade sexual; a nunca ficarem sozinhos e entenderem que um comprimido de soma __ uma droga perfeita sem efeitos colaterais __ é fundamental para a felicidade.

Dois cientistas deste centro visitam, em uma semana de férias, uma zona selvagem, denominação dada a alguns locais onde a "civilização" não foi implantada. Um dos cientistas, Bernad Marx apresenta alguns sintomas de individualidade, o que o coloca em desconforto com este mundo. Na zona selvagem tomam contato com os indígenas e descobrem uma "beta" que ficou perdida em uma visita duas décadas atrás, gerando um filho John.

É o primeiro choque de mundos que o autor apresenta. O horror de Linda com uma civilização que cultuava a monogamia, a religião, e onde os filhos nasciam de mães foi-lhe incompreensível. A própria relação com o próprio filho lhe era estranha e considerada por ela uma profanação. John foi educado lendo livros de Shakespeare e desperta a atenção de Bernad que consegue levá-lo para Londres para ser "estudado".

E assim ocorre o segundo choque, com a estória da relação de John com este "admirável mundo novo". Tratado como um selvagem, tentam lhe mostrar como a civilização é maravilhosa, conseguindo apenas despertar o horror ao jovem, que culmina na forma pouco cerimoniosa e desumana como é tratado a morte de sua mãe. Revoltado é levado por fim para ter uma conversa com o administrador.

Este diálogo vale o livro. Perplexo John descobre que administrador conhece tanto Shakespeare quanto a religião, filosofia e a história. E o administrador explica tudo que existe por trás desta nova realidade, e porque estas coisas são escondidas. Em certo ponto afirma:

"Mas esse é o preço que temos que pagar pela estabilidade. É preciso escolher entre a felicidade e aquilo que antigamente se chamava de grande arte. Nós sacrificamos a grande arte (...) a felicidade real sempre parece bastante sórdica em comparação com as supercompensações do sofrimento. (...) O fato de estar satisfeito nada tem de fascinação de uma boa luta contra a desgraça, nada de pitoresco de um combate contra a tentação, ou de uma derrota fatal sob os golpes da paixão ou da dúvida. A felicidade nunca é grandiosa."

Admirável Mundo Novo é para ser lido e despertar uma grande reflexão sobre a sociedade. Existem ideologias que pregam uma sociedade justa, onde todos são felizes. Seria esta sociedade realmente justa? Seria esta felicidade autêntica? Em que consiste a felicidade?

A grande razão de minha perturbação com este mundo narrado por Huxley é o triunfo do cientificismo e do materialismo. As pessoas são definidas pela sua produção, como no materialismo científico marxista. Aí está a grande questão. Quem acredita que o ser humano é muito mais do que a forma como produz riqueza, não pode deixar de se incomodar com esta sociedade perfeita. O homem de Admirável Mundo Novo é limitado a apenas um aspecto de sua existência; é um escravo condicionado a aceitar sua escravidão e ser feliz com ela.

Um livro genial e inesquecível. Nota 10.

sábado, setembro 08, 2007

Coisas de Lorena

Estava assistindo o Dvd, com a Lorena deitada com a cabeça no meu colo, quando ela resolveu saltar um pum.
__ Lorena! Você soltou pum no meu colo!
__ Não, papai. Soltei no sofá. __ disse com seu jeito inocente.
__ Mas sua cabeça está no meu colo! __ retruquei.
__ Mas não soltei o pum com a cabeça. Soltei com o bumbum.
Diante de tanta sabedoria não me restou mais nenhuma palavra.

7 de Setembro

Este ano foi o Luan quem desfilou. Fomos todos para a Avenida Beira Rio para assistí-lo. Foi um dia muito bonito e com bastante sol.


Com Lorena minutos antes do desfile



Luan desfilando na Escola Um



Olha para frente cara!

sexta-feira, setembro 07, 2007

Nosso Easy Rider

Um beijo a mais

The Last Kiss (EUA, 2006). Direção de Tony Goldwyn. Roteiro de Paul Haggis, adaptado de Gabrile Muccino. Com Zach Braff, Jacinda Barrett, Rachel Bilson, Tom Wilkinson, Blythe Danner, Cassey Affleck, Marley Shelton, Harold Ramis e elenco. Duração: 115 minutos.

Michael está, aos 30 anos, em uma encruzilhada. Está se despedindo da juventude e entrando na vida adulta. Sua namorada está grávida e aos poucos vai aterrisando em uma nova realidade que não lhe agrada, o que o coloca em conflito existencial. Conhece a jovem Kim, que representa a levesa da juventude e um passado que reluta em abandonar. Ao envolver-se com ela seu dilema existencial assume uma forma real, Jenna é a nova vida que se aproxima e Kim o ideal da eterna juventude. Em paralelo, vários conhecidos enfrentam problemas parecidos, levando-os a questionar os relacionamentos. Já os pais de Jenna mostram as conseqüências da rotina e da falta de sinseridade em um relacionamento de longo prazo. Por fim a eterna questão: até onde é possível o perdão em um relacionamento? Um filme acima da média, uma versão de um original italiano, com um competente elenco. Nota 8.

Quotes

Stephen: Stop talking about love. Every asshole in the world says he loves somebody. It means nothing. It still doesn't mean anything. What you feel only matters to you. It's what you do to the people you say you love, that's what matters. It's the only thing that counts.

Anna: Life is pretty much in the grays for the most part and if you insist always on black and white... you are going to be very unhappy.

Kim: Having a crisis are we?
Michael: Do I look like I'm having a crisis?
Kim: Everyone I know is having a crisis. I know you're not supposed to get them until midlife but I think something's happening to our metabolism
Michael: Our metabolism?
Kim: [nods] Yeah, I mean the world is moving so fast now, we are all chasing something so fast that we start freaking out long before our parents did. Feel my heart.
[puts his hand in her chest]
Kim: Feel how fast it is?
Michael: ...that's a fast heart.
Kim: ‘Cause we don't ever stop to breathe anymore...
[takes his hand off her chest]
Kim: You gotta remember to breathe or you'll die.

Kim: [after they got wet with the rain] oh my god my topless is totally clingy, you can see everything
Michael: don't worry I promise I won't look
Kim: then I'll be insulted
Michael: well, I wouldn't want to offend you

Borat

Borat! (Borat: Cultural Learnings of America for Make Benefit Glorious Nation of Kazakhstan, EUA, 2006). Direção de Larry Charles. Com Sacha Baron Cohen, Ken Davitian, Luenell e Pamela Anderson. Roteiro de Sacha Cohen, Anthony Hines, Peter Baynham, Dan Mayzer, baseado em criação de Sacha Cohen, Anthony Hines, Peter Baynham e Todd Phillips. Duração aproximada de 84 minutos.

Sacha Baron Cohen transportou para a tela grande o seu personagem de uma série humorística inglesa. Trata-se de um repórter do Czaquistão, Borat, que vai aos Estados Unidos para fazer um documentário sobre a cultura americana. O filme mistura ficção e realidade à medida que Borat contracena com pessoas reais, e algumas vezes fica difícil descobrir onde começa o improviso do ator e onde termina. O mérito maior do filme é a inovação na fórmula batida das comédias e, sobretudo, o aspecto transgressor. Não existe o politicamente correto em Borat; piadas envolvendo negros, judeus, retardados mentais são constantes. Através destas piadas consegue arrancar de pessoas comuns seus próprios preconceitos e hipocrisias. Vende-se o filme como uma crítica à sociedade americana. Acho que vai mais além. Sim, existe aspectos típicos daquela cultura, mas será que a maioria das situações não provocaria reações iguais em outros países? Afinal, preconceito não é privilégio norte-americano. Algumas situações são grosseiras, mas faz parte da própria proposta do filme Nota 9.

Quotes:

Borat: [while driving] Look, there is a woman in a car! Can we follow her and maybe make a sexy time with her?
Driving Instructor: No, no, no, no, no, no!
Borat: A-why not?
Driving Instructor: Because a woman has the right to choose who she has sex with.
Borat: [stunned] WHAT...? You joke?
Driving Instructor: It must be consensual. How 'bout that?
Borat: [turns to Instructor, pauses] Ahahahahaha!
Driving Instructor: That's good, huh?
Borat: [pause] Is not good for me.

Borat: Although Kazakhstan a glorious country, it have a problem, too: economic, social, and Jew.

Borat: [narrating] He insist we not fly in case the Jews repeated their attack of 9/11.

Borat: [referring in thought to woman speaking in feminism group] I could not concentrate on what this old man was saying.

Borat: May George Bush drink the blood of every man, woman, and child in Iraq!

Borat: [indicates women beside him] In my country, they would go crazy for these two.
[points to minister's wife]
Borat: This one... not so much...

Borat: High-five!

quinta-feira, setembro 06, 2007

MST pode

Como pode ser visto não é só a mídia que demonizou o movimento Cansei.

Na passeata que se denominou A Grande Vaia, o Bispo Odilo Scherer impediu que se realizasse uma missa na Catedral da Sé pelo movimento; tratava-se de um protesto contra a corrupção e a impunidade. O religioso não quis conversa: movimento político não pode.

Pois o mesmo Bispo vai realizar uma missa amanhã, no dia da Independência, como parte de uma manifestação do MST. Como a questão agrária está resolvida no país, segundo seu próprio líder, e não pode protestar contra o governo, achou um para protestar contra, para variar, FHC: a re-estatização da Vale. Mais político do que isso impossível.

E nem fica vermelho!

Aliás, fica. Literalmente.

quarta-feira, setembro 05, 2007

O Amor

A modernidade é movimento. O tempo é precioso, escasso, insuficiente para tantas atividades que nos propomos e metas que colocamos como pressupostos para nossa felicidade. Não podemos perder um minuto; acabamos por perder tudo. A máxima é que o mundo não para.

Ao redor temos pessoas, dramas, vidas e, sobretudo, amor. Imersos em nosso cotidiano muitas vezes não o percebemos. Centramos o universo em nossa própria pessoa e deixamos de sentir e enxergar o mais sublime dos sentimentos; aquele que existe desde o começo dos tempos e que ao longo dos séculos faz aflorar o que a humanidade tem de melhor, o que lhe é mais precioso. Nosso egoísmo e incapacidade de parar e contemplar nos faz insensíveis à grande razão de nosso existência: amar.

O amor é desafiante. Desafia os materialistas que consideram que nossa vida é pura biologia; os cientificistas que não crêem em nada que não possa ser experimentado; os relativistas que não acreditam em verdades. O amor é tudo isso que não compreendem. É sentimento, alma, razão e verdade. O amor nos leva para uma trilha segura, com obstáculos, mas segura. Em seu final o grande prêmio que buscamos e não conseguimos entender: a felicidade verdadeira.

O amor desafia a lógica. Derruba conceitos, muda nossos sistemas de valores, vence preconceitos e a incompreensão. O amor nos torna melhores e mais simples, nos abre para um mundo que não julgávamos existir. Um mundo onde as pequenas coisas importam, e que não somos mais o centro de uma existência.

Muitos o confundem, não o entendem. O amor não é egoísmo, não é posse, não é ódio. O amor não leva ao desespero, ao desejo de vingança, à atos que atingem nossas consciências. O amor é sublime, perfeito, o ideal de uma existência. Amar é colocar a própria felicidade em segundo plano, é doar-se sem nada querer em troca. É partilhar, dividir, somar. É viver.

O amor está em duas pessoas que se olham sem perceber o movimento ao redor. Em irmãos que se abraçam e se querem bem. Em pais que desejam que filhos realizem sonhos que eles mesmos escolheram. Em filhos que gostam de deitar no colo dos pais e contemplar a chuva. Em amigos que se sacrificam para ajudar e nunca invejam o sucesso do outro. No mestre que contempla o aprendizado de seu aluno. Em todos que conseguem se admirar pela riqueza da existência e pelas surpresas do universo.

O amor não se define. Não se limita. É a expressão maior do querer bem. Está no romance, nas artes, na sabedoria, nas grandes obras da natureza. Está na vida, ao nosso redor, ao alcance de nossos pensamento.

A perda de um amor nos faz sofrer, nos faz chorar. Mas nos torna humildes e nos cobra a resignação e a fé. A fé que o amor é eterno, que se prolonga além desta vida e do mundo material; que o amor sobrevive até à morte. O amor nos ensina a ser melhores do que somos, nos leva a um novo patamar moral.

O amor está em cada um de nós, esperando uma chance de aflorar, e vencer nossas próprias resistências. Quem compreende esta verdade e sente com toda intensidade este tão belo sentimento sabe que está no caminho do bem, da felicidade. Amar é lei maior de nossa existência, a lição que perdura por séculos vencendo tanta dor e miséria.

O amor nos ensina, nos guia, nos inspira. Sem ele não somos nada, não vivemos a vida com plenitude. Com ele somos tudo e até mais. Com eles somos felizes. Simplesmente felizes.

Simplesmente Amor

Love Actually, 2003
Direção: Richard Curtis
Elenco: Hugh Grant, Liam Neeson, Colin Firth, Laura Linney, Emma Thompson, Alan Rickman

Este é um dos filmes que não me canso de assistir. Ambientado em Londres, apresenta um mosaico de personagens e situações tendo como fio condutor o amor. Não só o romântico, mas o entre irmãos, pais e filhos, amigos. Também sobre atração, desejo, cobiça. É uma comédia romântica mesclada com drama e com um elenco invejável. Algumas estóricas não funcionam muito bem, outras acertam o alvo completamente, não importa. São mais de duas horas retratando seres humanos em sua busca pelo amor. Nota 9

terça-feira, setembro 04, 2007

Lyrics: It Makes No Difference (The Band)

It Makes no Difference (Robertson)

It makes no diff'rence where I turn
I can't get over you and the flame still burns
It makes no diff'rence, night or day
The shadow never seems to fade away

And the sun don't shine anymore
And the rains fall down on my door

Now there's no love
true as the love
That dies untold
But the clouds never hung so low before

It makes no diff'rence how far I go
Like a scar the hurt will always show
It makes no diff'rence who I meet
They're just a face in the crowd
On a dead-end street

And the sun don't shine anymore
And the rain fall down on my door

These old love letters
Well, I just can't keep
'Cause like the gambler says
Read 'em and weep
And the dawn don't rescue me no more

Without your love I'm nothing at all
Like an empty hall it's a lonely fall
Since you've gone it's a losing battle
Stampeding cattle
They rattle the walls

And the sun don't shine anymore
And the rains fall down on my door

Well, I love you so much
It's all I can do
Just to keep myself from telling you
That I never felt so alone before

Terrorismo de Mantega e Cia

Na defesa da CPMF Mantega e a turma do social (Temporão, Marinho e Ananias) saíram com esta: o fim da CPMF provocará um corte profundo na área social e prejudicará os mais pobres. A tese chega a ser ridícula. A receita tem batido recordes anuais de arrecadação, logo deveria estar sobrando dinheiro no cofre. Não está porque o governo tem aumentado o quanto pode o gasto da máquina pública. Foram 230 mil contratações no atual governo e mais 60 mil a caminho. É claro que neste meio estão petistas engordando o cofre do partido com o nosso dinheiro. O próprio presidente se orgulhou hoje do inchaço que provocou.

Portanto, a extinção da CPMF não afetaria necessariamente o projeto sociais do governo. Basta parar de aumentar o gasto público a cada aumento de arrecadação, o que não está na agenda do atual governo. Daí a chantagem: se acabarem com a CPMF haverá cortes nos programas sociais. É puro festim. Lula II sabe que boa parte da sua popularidade e sua segunda chance se deve justamente a estes programas. O que o petismo quer, como sempre, é arrancar dinheiro da sociedade para seus projetos de poder e enriquecimento.

O senado tem chances reais de acabar com a CPMF, ou pelo menos reduzí-la. A oposição tem votos para isso, basta parar de acreditar no canto das sereias e na expectativa de colocar a mão em um ano de arrecadação, e mesmo assim se vencer as próximas eleições. Na Câmara é mais difícil, o governo tem um rolo compressor lá. Coragem senadores, façam o que 40 milhões de brasileiros que não venderam seus votos ao lulismo exigiram nas últimas eleições e honrem os votos que receberam. Antes que seja tarde.

Verdades e Mentiras

O Fato

Semana passada o presidente da república compareceu a uma lançamento de mais um livro sobre os governos militares. A obra não tem nada de novo, sistematiza relatos que já existiam em outros livros com o mesmo enfoque: o governo militar sufocou com tortura e assassinatos aqueles que lutavam pela democracia contra a ditadura. A novidade foi o livro ter sido patrocinado pelo estado, com chancela final do próprio presidente. O ministro da defesa compareceu e diante da ausência dos chefes militares ameaçou de retaliação qualquer manifestação contrária por parte das três forças.

A Nota

O Alto-Comando do Exército (faço questão da inicial maiúscula no nome da instituição, deferência que não concedo ao presidente, seu ministro e o próprio estado) em reunião extraordinária elaborou uma nota sobre o assunto. Dentro do princípio de hierarquia levaram ao ministro da defesa que a aprovou. Dizia a nota:
1. Reuni o Alto-Comando do Exército, em Brasília, no dia 31 de agosto de 2007, para tratar de assuntos de interesse da Força e de fatos recentemente divulgados pela mídia. Com a sua concordância unânime, decidi reafirmar que:
- o Exército Brasileiro, voltado para suas missões constitucionais, conquistou os mais elevados índices de confiança e de credibilidade junto ao povo brasileiro;
- os Comandantes, em todos os níveis, ensinam, diuturnamente, em nossos quartéis, os valores da hierarquia, da disciplina e da lealdade, os quais têm sido cultuados como orientadores da ação permanente da Força;
- a Lei da Anistia, por ser parâmetro de conciliação, produziu a indispensável concórdia de toda a sociedade, até porque fatos históricos têm diferentes interpretações, dependendo da ótica de seus protagonistas. Colocá-la em questão importa em retrocesso à paz e à harmonia nacionais, já alcançadas.
2. Reitero aos meus comandados que:
- não há Exércitos distintos. Ao longo da História, temos sido sempre o mesmo Exército de Caxias, referência em termos de ética e de moral, alinhado com os legítimos anseios da sociedade brasileira;
- estamos voltados para o futuro e seguimos trabalhando, incansavelmente, pela construção de um Brasil mais justo, mais fraterno e mais próspero.

A mensagem

O lançamento do livro em si nada representa de novo. A grande questão é a campanha que vai se montando pela revogação da lei da anistia, só que apenas no que diz respeito aos militares. O sonho dessa turma é ver militares sendo julgado por crimes contra a humanidade, como aconteceu na argentina.

Em nenhum momento colocam em questão os crimes praticados pelos terroristas __ é este o nome correto __ tratados como uma espécie de "guerreiro da liberdade".

Alto lá. A maioria confessa com orgulho que a inspiração não era a democracia, mas o regime comunista. Não existe uma experiência no globo que associe comunismo, direitos humanos, democracia e justiça. Aliás chega a ser engraçado, se os comunistas tivessem vencido; que tratamento receberiam as forças legais? Flores?

Ninguém nega que tenham existido crimes praticados pelos agentes do estado nos porões do governo militar. O que não se pode aceitar é considerar estas práticas como institucionalizadas.
Nunca foram. Basta fazer uma pergunta, se a tortura e a execução tivesse sido institucionalizadas pelo governo militar estaríamos falando hoje em 400 mortes? E veja que sob custódia do estado foram bem menos vítimas; nesta conta estão incluídos os que morreram com armas na mão, em combate.

Por que os crimes praticados pelos guerrilheiros urbanos e rurais são colocados no esquecimento? Se querem julgar os militares por que não julgar a todos? Falam das famílias dos desaparecidos, e das famílias de suas vítimas? Por que não falam? O que teria a ganhar a nação brasileira em trazer de novo todos estes episódios ocorridos a mais de 30 anos?

Este é o sentido da nota do Exército: a Lei da Anistia, por ser parâmetro de conciliação, produziu a indispensável concórdia de toda a sociedade, até porque fatos históricos têm diferentes interpretações, dependendo da ótica de seus protagonistas. Colocá-la em questão importa em retrocesso à paz e à harmonia nacionais, já alcançadas.

A mídia

E agora vem o festival de bobagens escritas na grande imprensa. Separei dois colunistas. Miriam Leitão e Marcos Nobre.

Diz a primeira:
O ministro Nelson Jobim disse que a questão militar foi superada. Foi mesmo, mas nos seguintes termos: os militares ficaram com a última palavra, o ministro teve que recolher sua ameaça, e o Brasil engoliu mais uma nota do Alto Comando do Exército. Para os militares, não houve o que todos sabem que houve dentro dos quartéis: tortura e assassinatos de dissidentes do regime militar.

É uma impostura de Miriam. O Exército não nega que tenha havido tortura e assassinatos. A palavra "dissidente" é uma generalização que não se aplica. Nem todos eram dissidentes. Muitos eram terroristas e assassinos, o que nem assim justificaria ilegalidades. Haviam inocentes, e por isso devem ser reparados; mas na exata medida das injustiças que sofreram e não nesta fenomenal máquina de reparações que se transformou a comissão de mortos e desaparecidos. O fato é que nos porões não haviam apenas inocentes, o que ela esconde em seu discurso.

Mais a frente diz:
Mas o comandante do Exército, Enzo Peri, reuniu o Alto Comando para afirmar que "fatos históricos têm diferentes interpretações, dependendo da ótica de seus protagonistas". Ou seja, na visão dos generais, tudo é relativo. Democracia ou ditadura é uma questão de ponto de vista, de interpretação.
Em nenhum momento o comandante disse que tudo é relativo, isto é conclusão, pobre, da autora. O que está dito é que existem diferentes interpretações dos fatos históricos, o que é verdade no Brasil e no mundo inteiro. Há muito tempo o estudo da história deixou de ser considerado uma ciência exata. Ou Miriam interpreta muito mal um trecho escrito ou está evidenciando muita má fé. Deixo a escolha para ela.

Por fim:
O pensamento dos militares é que eles reagiram à radicalização de grupos que agiam de maneira clandestina e ilegal. A verdade é que a radicalização foi precedida pelo fechamento de todos os canais de expressão normais na democracia.
Mentira deslavada. No próprio livro de Elio Gaspari, que nunca pode ser acusado de defender o Exército, está bem claro que a radicalização da esquerda foi a responsável pelo emparedamento de Castelo por Costa e Silva conduzindo ao AI-5. Gaspari afirma que o governo militar só durou o tempo que durou por causa de luta dos guerrilheiros, tanto que após extinto o último foco de guerrilha iniciou-se o processo de abertura de Geisel. E nunca houve o fechamento de "todos" os canais de expressão normais na democracia. Existia até oposição! O que representou gente como Ulisses Guimarães neste processo todo? Nada?

Pior ainda é Marcos Nobre.
Quando se mistura política e militarismo, a democracia costuma balançar. Foi o que se viu na nota do comandante do Exército, general Enzo Martins Peri. O texto considera que colocar em questão a Lei da Anistia importaria em "retrocesso à paz e à harmonia nacionais, já alcançadas".

O lapso gramatical ("retroceder a" significa "voltar a") não é importante por si mesmo, mas por levantar dúvidas sobre a posição que o Exército entende ter na democracia brasileira. Afinal, por que o simples "colocar em questão" de uma lei destruiria "a paz e a harmonia nacionais"?
Porque colocar em questão a lei da anistia, principalmente para um lado só, seria retroceder a um tempo de radicalização? O que gente como Marcos Nobre não aceita é que apesar de toda a campanha de difamação contra as forças armadas, esta ainda é a instituição mais respeitada no Brasil em qualquer pesquisa de opinião. E mesmo sendo confundida com a PM!

O que o bravo colunista defende é a discussão democrática dos crimes cometidos no governo militar. Só que a democracia dele não permite que os militares façam uso da palavra. É a típica democracia socialista, só um lado possui a verdade e só este lado pode falar. Não sei onde achou este conceito de democracia, mas deve ser no mesmo que a atual turma que está saqueando o país encontrou a sua.

Falta agora que o Exército venha a público dizer qual é a sua, se é que há mesmo uma única interpretação no interior da corporação. Enquanto as Forças Armadas se recusarem ao diálogo franco e aberto, não há perspectiva de alcançar a "paz e a harmonia" que também desejam.
Como vir a público se uma nota de poucas linhas já é submetida a este tratamento? Basta pegar o livro do Coronel Brilhante Ustra. Não tem em livraria? Por que será? Por que todas as versões dos militares sobre o ocorrido são rejeitadas pelas editoras? Falta de leitores? Mas o colunista está querendo um "diálogo franco e aberto". Imagino que defenda, por exemplo, que o estado patrocine o livro de Coronel Ustra e o lance também com a chancela presidencial... não? Devo ter entendido errado.

Verdades

O que ambos os colunistas não falam, e na verdade representam a grande maioria de seus colegas, pode ser encontrado no artigo de Jarbas Passarinho de hoje:
No Recife, no aeroporto, detonaram maleta com explosivos, causando mortes e ferimentos graves. Em São Paulo, lançaram carro-bomba contra o quartel do Exército, cuja explosão esfacelou o corpo de um soldado sentinela e feriu gravemente outros cinco deles. No Araguaia, fatiaram com facão, até a morte, o corpo de um menino de 17 anos, na presença de seus pais, porque servira de guia à patrulha que perseguia os guerrilheiros do PCdoB. Mataram, na presença de sua esposa e de seu filho de 9 anos de idade, um oficial americano, julgando-o agente da CIA. Tiraram a vida de um major alemão, aluno da Escola de Estado-Maior do Exército, supondo que fosse outro oficial, boliviano, acusado de prender Che Guevara, o que nunca se deu.

Ainda tem mais:
Quando Prestes saltou de capitão a general, chocaram-se (os militares). Mas, pouco depois, veio o inconcebível: comparar Prestes com Lamarca, oficial medíocre, desertor, ladrão de armamento e munição de seu Regimento de Infantaria, assassino várias vezes, de modestos vigilantes de bancos e de segurança de diplomata seqüestrado, e autor do mais nefando crime militar, ao despedaçar, com coronhadas de fuzil, o crânio de um bravo oficial da Polícia Militar de São Paulo, que se apresentara voluntariamente como refém, para poder evacuar os soldados que haviam sido feridos pelo facínora e seu grupo.
Conclusão

A mentira: durante a sangrenta ditadura militar brasileira jovens idealistas foram torturados e mortos quando lutavam pela democracia e os ideais humanitários.

A verdade: brasileiros pegaram em armas e praticaram atos terroristas na tentativa de implantar uma ditadura comunista no Brasil. Fracassaram. Por causa disso temos que pagar a "bolsa terrorismo" e escutar a vida toda esta pregação falaciosa.

Sei que o texto ficou longo, mas é um assunto que revolta e revela muito da alma de muita gente. O que não entendem e nem admitem, é que a imensa maioria do povo brasileiro acredita nas Forças Armadas, particularmente no Exército. Sabem que houveram excessos, mas sabem que houveram provocações. Isso tudo sendo submetido a esta mentira ao longo de 30 anos! Imagine se não tivessem conquistado as redações e o sistema de ensino!

Ainda existe a esperança de ver um dia o triunfo da verdade e se chamar as coisas pelos nomes apropriados.