sexta-feira, setembro 14, 2007

A independência

Nas décadas de 60/70 ganhou força no Brasil a teoria de dependência. Fruto da ideologia das esquerdas, passou-se a ver toda nossa história com fruto da exploração do país pelas potências estrangeiras, o que foi aos poucos ganhando espaço nos livros de história, particularmente no ensino secundário.

Difundiu-se a tese de que a independência brasileira foi fruto exclusivo dos interesses ingleses. Havia uma nítida tentativa, até certo ponto bem sucedida, de ridicularizar os heróis brasileiros e nossa história; em seu lugar teríamos gente com Che e Prestes. D Pedro foi um dos primeiros a ser demonizado.

Esta influência ideológica impede que o papel do primeiro imperador seja analisado com propriedade. É fato que a independência foi um ato conduzido pela elite política da colônia e que a participação popular foi mínima, mas qual foi o real papel de D Pedro neste processo?

A história não é uma ciência exata, e os fatos não são analisados desta forma; pertencem a um contexto e permitem muitas suposições e interpretações. Pelo que já li coube José Bonifácio o papel de artífice do movimento pela emancipação. A revolução do Porto era uma séria ameaça, implicava na volta do Brasil à condição colonial e o retorno de D Pedro à Portugal era uma passo definitivo nesta direção.

O que aconteceria se o príncipe cumprisse a determinação da corte lusa? É uma pergunta que poucos se fazem, mas fundamental para entender a importância de D Pedro. Para dar certo o movimento pela emancipação necessitava de uma liderança legítima, que fosse respeitada tanto em Portugal como na Europa. Sem ela talvez a única saída para independência fosse, aí sim, uma revolução popular.

Quando ela viria? Até onde o país deveria ser oprimido para despertar a população de sua letargia? Seria possível uma independência do reino como um todo? Seria possível uma revolução que mantivesse o Brasil com a integridade territorial que possui hoje?

A grande questão é se uma revolução popular seria melhor para o Brasil do que uma emancipação conduzida pela elite brasileira. O que aconteceu no império espanhol indica que não. Houve derramamento de sangue imediato e uma profunda divisão que provocou inúmeras guerras e ressentimentos que persistem até os dias de hoje. É claro que a independência da américa espanhola não foi conduzida pelo povo, mas seguramente sua participação foi bem maior do que no caso brasileiro. E a elite dividiu-se em interesses regionais sepultando o sonho de unidade de Simón Bolívar.

A participação de D Pedro no 7 de setembro evitou tudo isso. A independência foi alcançada em clima de tranqüilidade, sem abrir fissuras na nação brasileira. E a participação do imperador nos anos seguintes, com uma forte centralização política absolutista, impediu a divisão da nossa elite em interesses regionais e a fragmentação do Brasil.

Se D Pedro não foi o herói na acepção da palavra, se não lutou batalhas sangrentas pelo Brasil, também não foi um espertalhão aproveitador como costumam retratá-lo. Muito menos um corrupto. Deixou um legado importante para o futuro e na minha opinião merece ser tratando com muita mais consideração do que é hoje. Obviamente é um exemplo bem melhor do que Che Guevara foi para a juventude brasileira. É uma lástima ver tantas camisas com o rosto deste último,um fascínora, e ver o primeiro jogado ao ostracismo.

Não sou historiador, muito menos dono da verdade. Mas escolho minhas referências sem a contaminação ideológica das elites culturais brasileiras. E creio que nosso primeiro Imperador merece mais consideração do que recebe da nação brasileira.

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