terça-feira, outubro 30, 2007

Copa no Brasil

Sempre sonhei com o Brasil sediando uma copa; na minha ignorância achava que seria feita uma renovação nos estádios, investimento em infra-estrutura, construção de novas praças...

Não me entendam mal, com certeza os estádios estarão impecáveis, custe o que custar. E é nesta última frase que está o grande problema: a que custo? Quantos bilhões serão enterrados na Copa? E nem vem com esta estória que será fruto da iniciativa privada, estamos no Brasil esqueceram? Nada se faz por aqui sem dinheiro público.

Vai acontecer o de sempre, a sociedade (nós) vamos pagar a farra, e os lucros serão privatizados politicamente. Não é por acaso que o bando político estava no anúncio hoje. Como se não tivessem nada para fazer em seus estados. É triste ver os governadores, e mesmo o presidente da república, fazendo papel de papagaio de pirata do Sr. Ricardo Teixeira.

Essa é a CBF, incapaz de fazer qualquer coisa em benefício dos clubes e tentar segurar nossos jogadores por aqui, mas sempre pronta para enterrar uma nota preta em seus interesses.

Quer saber? A CBF é mais um retrato do Brasil, e já diz tudo.

Os 7 seguranças

Os sete seguranças presos sob a acusação de envolvimento na morte de um sem-terra durante a invasão da fazenda da Syngenta em Santa Tereza do Oeste (PR), dia 21, vão responder ao processo em liberdade. Ontem à tarde a juíza da 1ª Vara Criminal da Comarca de Cascavel, Sandra Regina Bittencourt Simões, concedeu o relaxamento de prisão dos acusados. Segundo a juíza, não há provas, até agora, de que algum deles tenha matado o sem-terra. O relaxamento das prisões revoltou os movimentos sociais.


Neste confronto morreram duas pessoas, um segurança e um sem-terra. Quem fez a invasão? Os sem-terra. Quem estava na defensiva? Os seguranças. Quantos sem-terra foram presos pela morte do segurança? zero. E quantos seguranças foram presos pela morte dos sem-terra? 7. Exatamente, 7. Isso porque a constituição diz que "todos são iguais perante a lei".

Mais sábio, Orwell já afirmava décadas atrás: "todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais do que os outros".

Em síntese, é o pensamento central das esquerdas. Tudo gira em torno de se diferenciar grupos. E é assim que um grupo fora-da-lei como o MST ganha status de ''movimento social".

segunda-feira, outubro 29, 2007

América 0 x 1 Flamengo

3 Pontos

O Flamengo não jogou bem ontem em Natal, perdeu gols incríveis, principalmente no segundo tempo, assim como o América poderia ter empatado em várias oportunidades. Em um campeonato de pontos corridos e longo como Brasileiro, não dá para jogar bem o tempo todo. O importante é conseguir vitórias mesmo jogando mal, como assim o fez o Flamengo diante do América.

Souza fez o único gol do jogo, ainda no primeiro tempo, depois de boa jogada de Max e cruzamento de Leonardo Moura.

Com 52 pontos, o time da Gávea está rigorosamente dentro do páreo na disputa de uma vaga nas Libertadores. Está a 2 pontos de Grêmio e Cruzeiro, e 3 de Santos e Palmeiras. Suas vantagens: faz 3 jogos em casa e está na ascendente.

É importante não perder pontos no jogo contra o Corinthians. O Flamengo não pode entrar no oba a oba. O Timão está jogando suas últimas fichas para fugir do rebaixamento e dispões de um excelente goleiro. Tem que jogar tudo na quarta feira, vencer, e se preparar para a primeira decisão no domingo, diante do Cruzeiro no Mineirão.

Avante!

domingo, outubro 28, 2007

O Amor Não Tira Férias

The Holiday(2006)
Elenco: Cameron Diaz, Kate Winslet, Jude Law, Jack Black, Eli Wallach, Rufus Sewell, Edward Burns.
Direção: Nancy Meyers

Amanda: You know Graham, I just broke up with someone and considering you just showed up and you're insanely good-looking and probably won't remember me anyway... I'm thinking we should have sex... If you want.
Graham: Is that a trick question?


Mais um filme certeiro da diretora de Alguém Tem Que Ceder. Novamente Myers reune um elenco do primeiro time de Hollywood e conta a estória de duas mulheres, Iris e Amanda, que trocam de casas no feriado de natal para tentar dar uma outra perspectiva para suas vidas.

O filme fica no meio do caminho entre uma comédia romântica simples e um drama bem humorado sobre o amor nos tempos atuais. Não por acaso, o filme faz uma homenagem à antiga Hollywood como forma de contraponto a tudo que se vê hoje. Winslet, como sempre, está muito bem. O casal Diaz e Law mostra boa boa química. Apenas Black parece fora de tom quando recorre ao seu tradicional maneirismo. Nas cenas em que atua de forma mais contida, funciona bem melhor.

Um filme de qualidades, que foge um pouco da receita de uma hora e meia (tem quase duas horas e meia de duração), e trata de forma agradável os relacionamentos. Nota 8.

Quotes

Arthur Abbott: Iris, in the movies we have leading ladies and we have the best friend. You, I can tell, are a leading lady, but for some reason you are behaving like the best friend.
Iris: You're so right. You're supposed to be the leading lady of your own life, for god's sake! Arthur, I've been going to a therapist for three years, and she's never explained things to me that well. That was brilliant. Brutal, but brilliant.

Iris: The great thing is I actually do. And I'm about three years late in telling you this, but nevertheless I need to say it. Jasper. Wait, I need the lights on. Jasper, you have never treated me right. Ever.
Jasper: Oh, babe.
Iris: Shush. You broke my heart. And you acted like somehow it was my fault, my misunderstanding, and I was too in love with you to ever be mad at you, so I just punished myself! For years! But you waltzing in here on my lovely Christmas holiday, and telling me that you don't want to lose me whilst you're about to get MARRIED, somehow newly entitles me to say, it's over. This - This twisted, toxic THING between us, is finally finished! I'm miraculously done being in love with you! Ha! I've got a life to start living.
[Picks up Jasper's jacket, walking to the door]
Iris: And you're not going to be in it.
Jasper: Darling.
Iris: Now I've got somewhere really important to be, and you have got to get the hell out.
[Opens the door]
Iris: Now!
Jasper: What exactly has got into you?
Iris: I don't know.
[Pushes Jasper out the door]
Iris: But I think what I've got is something slightly resembling, gumption.
[Slams door shut in Jasper's face. Lifts hands up and screams with joy]

Graham: I have a cow and I sew. How's that for "hard to relate to"?

Amanda: Are you D-I-V-O-R-C-E-D?
Graham: No W-I-D-O-W-E-R.

Miles: -Holds up a copy of "The Graduate" on DVD- Uh oh...”Where have you gone, Joe DiMaggio...”? I bet you didn't know, it was all written for the movie, it was a score, technically.
Dustin Hoffman: I can't believe this... I can't go anywhere.

Graham: Call me old fashioned but one doesn't have sex with women who are unconscious.

sábado, outubro 27, 2007

As 7 Regras do Amor

Lucky 7 (2006)
Direção: Harry Winer
Com: Kimberly Williams, Patrick Dempsey, Gail O´Grady
.

Faz muito, muito tempos mesmo, que não assistia um romance tão bom. As 7 Regras do Amor surpreende pela forma como a história se desenrola, com sensibilidade e, sobretudo, uma atuação impecável de Dempsey e Williams.

Confesso que quando li a sinopse e assisti os primeiros minutos não me empolguei muito. O final já se mostrava evidente e aparentemente as situações reviveriam os chavões do gênero. Ledo engano. Sim, o final pode ser óbvio, mas a forma com que se chega lá é um dos pontos altos da película.

A mão de Amy, já doente, em seu último dia de vida, desenha para a filha de 7 anos uma linha de seus acontecimentos futuros. Está tudo lá; faculdade de direito, férias na Europa, e, sobretudo, os 7 namorados. Amy segue fielmente o roteiro traçado por sua mão, e confere a isto todo o sucesso de sua vida. Finalmente conhece Daniel e chega a conclusão que é o homem de sua vida. O único problema: ele é o número 6. Para resolver o problema aceita o convite de um padeiro, Peter, para acompanhá-lo a um casamento. Seu plano é transformá-lo no número 6 para deixar Daniel para o número 6. Para deixar o plano ainda mais perfeito, na viagem para o casamento, Peter pede que Amy se passe por sua namorada, para evitar o sentimento de pena de seus amigos pois fora abandonado no altar um ano antes.

O filme não trata apenas do romance, mas também de falsas ilusões e, principalmente, na falsa noção de felicidade. A vida de sucesso de Amy começa a se mostrar uma grande farsa, à medida que no fim de semana percebe que não é feliz na profissão que escolheu. Uma vida planejada nos detalhes, seguindo listas na agenda, revelam uma fuga constante das incertezas da vida, e do amor.

Na melhor cena do filme, em sua última tarde, Peter e Amy conversam em uma cafeteria. Amy explica a ele porque não podem ter um romance e, com delicadesa, ele mostra as contradições do plano dela. É uma cena com silêncios que revelam muito mais do que palavras.

Amy deve se apaixona por Peter, que agora é o número 6. Daniel, o homem que ela considerava perfeito, torna-se o número 7. Não é apenas a escolha de um amor, mas de sua

A Procura da Felicidade

Título Original: The Pursuit of Happyness
Elenco: Will Smith (Chris Gardner), Jaden Smith (Christopher), Thandie Newton (Linda)
Direção: Gabriele Muccino

"It was right then that I started thinking about Thomas Jefferson on the Declaration of Independence and the part about our right to life, liberty, and the pursuit of happiness. And I remember thinking how did he know to put the pursuit part in there? That maybe happiness is something that we can only pursue and maybe we can actually never have it. No matter what. How did he know that? "

Chris Gardner está à beira do abismo. Investiu suas economias na venda de um caro aparelho médico que não vale o custo-benefício. Vive no limite da pobreza, deve impostos, multas de estacionamento e precisa vender duas unidades por mês para sustentar a família. Sua esposa o abandona e fica só, com um filho de 5 anos.

Só que em vez de ficar reclamando da vida, colocando a culpa nas injustiças sociais e no mundo, decide ir a luta. Confia no seu talento para lidar como pessoa e sua inteligência. E aí temos algumas diferenças para o discurso politicamente correto.

Os "vilões" aqui não são os grandes empresários; ao contrário, estes dão uma chance para Chris. Um estágio não renumerado de 6 meses com um pequena possibilidade de contratação ao fim do programa. É o que basta para ele; o problema é sobreviver estes 6 meses com as poucas unidades de scanner que resta para vender.

Mas existem alguns vilões na estória. Um casal de hippies rouba um de seus aparelhos mesmo não tendo a menor idéia do que fazer com aquilo. E os impostos. Estava no início da era Reagan, onde uma pesada herança de intervenção estatal dava seus sinais de esgotamento. Uma cobrança de impostos atrasados o deixa falido, passa a viver em abrigos e chega até a dormir no banheiro de uma estação de trem.

É um filme de superação, de persistência. Luta contra o tempo, correndo de um ponto a outro da cidade em uma seqüência interminável de ônibus e metrôs. Sua meta: chegar ao fim do dia. Nunca desanima, estuda, cuida do filho como pode, chega a não tomar água no estágio para evitar ir no banheiro e perder preciosos minutos que podem lhe garantir a vaga.

Uma das cenas emblemáticas é quando vê um homem estacionar uma ferrari. Não existe revolta em Chris, nem inveja, o que surge é a admiração. Pergunta o que precisa fazer para conseguir uma dessas, e o homem diz que é corretor de ações. Com um sonho em mente, parte para realizá-lo. É o retrato de uma pessoa que não busca culpas em seu fracasso, mas formas de superá-lo.

É lugar comum colocar no capitalismo a culpa da desigualdade do mundo, da pobreza. Na América Latina então, falar o contrário é quase um crime. O problema é que a desigualdade sempre existiu na história da humanidade, o que não existia era uma chance de saída.

O homem não inventou nada melhor do que o capitalismo para produzir riquezas, e produz o suficiente para possibilitar uma evolução social. Pode não ser um enriquecimento, uma ferrari, mas a chance de conseguir sair de uma situação como a de Chris existe. Dois fatores influem diretamente nestas chances: a educação e a dedicação. São as armas que Chris utiliza para se tornar um corretor famoso em sua época (o filme baseias-se em fatos reais).

Uma lição para o homem moderno, seja de que extrato social for. Não vai ser a reclamação constante, a busca de culpados, o ódio ao mundo que irá salvá-lo, mas sua capacidade de aproveitar as chances que a vida lhe reserva.

Um filme edificante. Nota 9.

sexta-feira, outubro 26, 2007

Começou

Já existem parlamentares do PT levantando na Câmara dos Deputados um clima para uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) permitindo a re-eleição sem limites. Alguns já falam em plebiscito. O presidente do TSE, Marco Aurélio de Mello afirma que seria necessário uma revolução para mudar a regra do jogo.

Claro que não é verdade. Uma emenda constitucional pode sim acabar com o limite de dois mandatos sucessivos, assim como criou a re-eleição no governo FHC. Faz parte das regras do jogo.

Quer dizer que Marco Aurélio se enganou? Duvido, um ministro do Supremo sabe muito bem o que pode ou não pode fazer. A opinião que transmitiu mostra justamente o contrário do que quis dizer. Sabe que a possibilidade é real, e muito real. Por isso a reação que teve.

O fim do limite de re-eleição seria o desastre para o país. Nem os Estados Unidos, a democracia mais avançada do mundo, a adota, e tem seus motivos.

As afirmações de Lula contradizem seus atos. Ninguém fala nada no PT sem está autorizado por seu chefe; o homem está fazendo jogo duplo. Quer um novo movimento queremismo, como tentou Vargas em 1945, e quase conseguiu.

Lula não quer ser candidato em 2010. Mas é claro que se o povo pedir...

Uma Democracia Sitiada


Balanço e Perspectivas do Conflito Armado na Colômbia

"A tese central deste livro é a seguinte: a Colômbia está enfrentando um conflito eminentemente político, tanto por suas raízes históricas quanto pelas motivações atuais dos movimentos insurgentes."
Título original: Una democracia asetiada: balance y perpectivas del conflito armado en Colombia. Autor: Eduardo Pizzaro Leongómez (2003)

O autor

Eduardo Leongómez é professor do Instituto de Estudos Políticos e Relações Internacionais da Universidade Nacional da Colômbia, em Bogotá. É mestre e doutor pela Universidade de Paris e professor visitante de algumas universidades norte-americanas, como Princeton, Columbia e Notre-Dame.

A obra

Uma Democracia Sitiada faz um balanço sobre a situação que vivia a Colômbia em 2003, fruto das décadas de conflito entre o Estado, os movimentos de guerrilha (FARC e ELN) e o grupo paramilitar que combate as guerrilhas (AUC). Trata das origens do conflito, seu desenvolvimento e o imenso custo para a nação colombiana.

Defende a tese que o conflito entrou em um ponto de inflexão, que parece indicar uma possibilidade de solução. Isso se deve à modernização das Forças Armadas e re-construção do Estado, levando as FARCs a um recuo estratégico desde 1998, fazendo que abandonasse a tentativa de uma guerra de movimento e retornasse à guerrilha como forma de atuação.

O governo do presidente Uribe conseguiu compreender que o conflito não é contra um grupo terrorista ou contra narcotraficantes. É um conflito político, com raízes ideológicas e alimentado pelo narcotráfico.
Caracterização do Conflito

A Colômbia estaria atravessando uma guerra civil, uma guerra contra a sociedade, uma "guerra ambígua" ou uma guerra antiterrorista. Leongómez argumenta que não se trata de um simples debate acadêmico em busca de uma classificação; entender o conflito como é está relacionado à forma de solucioná-lo em definitivo.

Aponta o perigo de criminalizar o adversário ou tratá-lo como um grupo terrorista à semelhança do Al Qaeda. O grande problema seria eliminar a possibilidade de um acordo de paz para solução do conflito.

Conclui que trata-se de um "conflito interno (subsumido num potencial conflito regional complexo), irregular; prolongado, com raízes ideológicas, de baixa intensidade (ou em curso para um conflito de intensidade média), na qual a principal vítima é a população civil e cujo combustível primordial são as drogas ilícitas".

Os atores

Além do estado colombiano, apresenta os 3 outros atores principais do conflito.

As Farcs, cuja origem se deita nos grupos de autodefesa camponesa organizados pelo Partido Comunista no fim da década de 40. Durante muito tempo esteve subordinado ao PCC, como braço armado de um movimento que pretendia estabelecer o comunismo na Colômbia. Neste período teve um efetivo limitado e portou-se como uma reserva do PCC para a hipótese de um golpe militar para assumir o governo. A partir de 1982 houve uma brusca alteração deste quadro, com as FARCs tornando-se independentes dos comunistas e denominando-se Exército do Povo, iniciando um amplo recrutamento e montando uma economia de guerra para financiar uma guerra revolucionária para conquista do poder.

O Exército de Libertação Nacional (ELN) foi a expressão da típica guerrilha pró-guevarista que surgiu no continente após a revolução cubana. Durante a década de 60 foi a principal guerrilha do país, época em que as FARCs eram subordinadas ao movimento comunista internacional. Sofreu uma séria derrota na década de 70, e ingressou em uma crise interna pela disputa da liderança do movimento após a morte do sacerdote Manuel Pérez. Sua situação se agravou com a decisão de não se envolver com o tráfico de drogas, o que minou as chances de financiamento do movimento. Para superar o declínio militar decidiu passar a atuar na esfera política. Hoje o grupo está enfraquecido e tendendo ao desaparecimento ou incorporação às FARCs.

Por fim, existem os grupos paramilitares, organizados principalmente nas Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC). Durante um bom tempo foi protegido pelos governos até fugir do controle das próprias Forças Armadas. "Esta permissividade no tocante aos grupos paramilitares foi um dos piores equívocos já cometidos pela elite colombiana". Recentemente a organização foi considerada como grupo terrorista pelos Estados Unidos, um duro golpe para quem se considerava uma aliado potencial.
Terrorismo

Leongómez levanta a questão se estas organizações são ou estão em vias de se tornarem organizações terroristas.

Esta é a parte que achei mais interessante do livro, o autor questiona se é possível enfrentar o terrorismo, interno ou externo, com plena vigências das leis democráticas. Os Estados Unidos tem sido condenados internacionalmente por tomarem medidas de exceção jurídicas em sua guerra contra o terror. Leongómez argumenta que não, e mostra as conclusões descritas pelo professor Paul Wilkinson, diretor do Centro para o Estudo do Terrorismo e Violência Política da Universidade de St. Andrews, na Escócia. São 9 mandamentos para enfrentar o terrorismo, de forma controlada, tomando medidas de exceção, mas sem desvirtuar as Instituições Democráticas e o Estado de Direito.

Narcotráfico

O autor mostra que a expansão do narcotráfico foi um importante combustível para a duração e intensidade do conflito, mas que não é o objetivo das guerrilhas. Tratá-las como simples nacroguerrilheiros não levará à solução do conflito pois significará uma radicalização pela derrota militar total, o que devido as condições sociais e físicas da Colômbia será impossível.

Retrata também o efeito nefasto do avanço das drogas na Colômbia para sua economia e no retrocesso social das últimas décadas.

Mostra a contradição de apesar da Colômbia atravessar já 4 décadas de violência, foi o país mais estável economicamente e politicamente no meio do turbilhão latino-americano. O país sofreu muito pouco com golpes de estado, ditaduras ou com o populismo.
Plano Colômbia

Por fim, trata do plano em conjunto de autoridades colombianas e americanas para enfrentar os movimentos de guerrilha. Construídos sob um princípio de guerra contra o narcotráfico, ganhou depois do 11 de setembro uma ampliação. Tornou-se um plano contra as guerrilhas colombianas. O fato de terroristas do IRA terem sido encontrados nas selvas colombianas mostram que é possível uma associação destas guerrilhas com grupos internacionais, tornando-se um perigo em potentical para os norte-americanos.

Houve uma modernização das Forças Armadas, particularmente em seu poderio aéreo, bem como nas comunicações e inteligência. A polícia também foi fortalecida, bem como o aparato jurídico.

Como conseqüência as FARCs retornaram à guerrilha, como existia até meados da década de 80, sofrendo derrotas que a impediram de continuar como guerra de movimento e atuando como um exército regular.

Conclusão.

Leongómez conclui que em 2003 o conflito colombiano, um dos mais antigos no planeta, esta num ponto de inflexão. As forças armadas tinham acuado a guerrilha, mas uma vitória militar total é considerada impossível. Visualiza que com o avanço institucional da Colômbia, re-construção do Estado e controle territorial pelas Forças Armadas, existe a possibilidade de uma solução final pacífica para o conflito.

quarta-feira, outubro 24, 2007

Diário

'DIÁRIO DELA'
No domingo à noite ele estava estranho. Saímos e fomos até um bar para
tomar um drink. A conversa não estava muito animada, de maneira que
pensei em irmos a um lugar mais íntimo.
Fomos a um restaurante e ele AINDA agindo de modo estranho.
Perguntei o que era, e ele disse que nada, que não era eu.
Mas não fiquei muito convencida.
No caminho para casa, no carro, disse-lhe que o amava muito e de toda
sua importância. Ele limitou-se a passar o braço por cima dos meus ombros.
Finalmente chegamos em casa e eu já estava pensando se ele iria me deixar!
Por isso tentei fazê-lo falar, mas sem me dar muita bola ligou a televisão,
e sentou-se com um olhar distante que parecia estar me dizendo que estava
tudo acabado entre nós.
Por fim, embora relutante, disse que ia me deitar.
Mais ou menos 10 minutos ele veio se deitar também e, para minha
surpresa correspondeu aos meus avanços, e fizemos amor.
Mas depois ele ainda parecia muito distraído e adormeceu.
Comecei a chorar, chorei até adormecer.
Já não sei o que fazer.
Tenho quase certeza que ele tem alguém e que a minha vida é um
autêntico desastre.

'DIÁRIO DELE'
Porra, o meu time perdeu.
Fiquei chateado a noite toda.
Pelo menos dei umazinha, mas ainda tô chateado... time de bosta!!!

terça-feira, outubro 23, 2007

Novo técnico...

Lancelotti, protegido por sua ideologia

É preocupante a tomada de parte da Igreja Católica por ideologias, notadamente a de esquerda. O atual papa foi contundente em suas mensagens: a Igreja não participa de processos políticos. Pois uma parte, principalmente em países latino-americanos, não dá a menor bola para Bento XVI e participa ativamente do processo político.

Acho inconcebível um padre, ao término da missa, colocar uma urna para votar pela re-estatização da Vale do Rio Doce. E ainda dar "carão" em quem votar contra. Ou um bispo negar palco para o movimento Cansei mas ceder o mesmo espaço para uma "missa" do MST. Considereo ideologia e religião incompatíveis, ainda mais a ideologia de esquerda.

Pois o caso de Júlio Lancelotti é, em si só, uma tese sobre tudo isso. Trata-se de um padre, líder de uma ONG, que defende os menores de rua. Reinaldo Azevedo mostra, em seu blog, os detalhes da atuação do "religioso".

O jornalismo está blindando o padre descaradamente. Lancelotti foi extorquido durante 3 anos por um ex-interno da FEBEN que ameaçava denunciá-lo por pedofilia. Pagou as prestações de uma Pajero, num total de 16 mil. No fim, acabou procurando a polícia para denunciar a extorsão.

Quando perguntado porque não procurou a polícia de imediato disse:

“Esperava um resultado positivo. Esperava que parasse. Esperava que eu conseguisse tocar no coração deles."

Mandou ainda o seguinte bilhete para o ex-interno:

“Anderson, te mandei o que é possível. Chega, por favor. Não tenho mais como. Estou sendo investigado. Chega, por favor. Júlio”

Reinaldo Azevedo resumiu bem: dois por favor em um bilhete para um marginal?

Não estou dizendo que o padre tenha realmente molestado ninguém, a questão é ainda mais grave do que isso. Enquanto vimos um rabino ser triturado pela imprensa ao roubar uma gravata, lidamos com o silêncio das redações. Imagine se fosse uma padre ligado à Opus Dei?

Cadê as investigações? Onde estão os depoimentos de ex-internos da FEBEM? Ou do homem que foi preso ao buscar dinheiro para a Pajero? É porque o padre é católico? Não, é porque pertence a uma ONG ligada ao PT. Está sendo protegido pela mídia por suas convicções ideológicas.

O maior absurdo foi a explicação de Lancelotti sobre como deixou ser extorquido da maneira como foi:

"Se Jesus tivesse tomado muito cuidado, não teria morrido na cruz, né? Teria morrido idoso numa cama”.

Pode a Igreja Católica ter um padre assim? Que considera que Jesus morreu crucificado porque não "teve cuidado"? Este homem não pode estar dirigindo uma missa, não pode estar orientando fiéis. Deveria ter honestidade suficiente para largar a batina e cuidar de sua ONG, como militante que é.

É mais um caso que mostra que a grande mídia está dominada pela esquerda, conforme descrito por Hewitt em seu livro. Se não fossem pelos blogs, este caso se resumiria a mínima cobertura, e simpática, que alguns jornais fizeram no dia da prisão do "chantagista".

A Igreja Católica deveria estar preocupada com a tomada ideológica da sua fé.

segunda-feira, outubro 22, 2007

Räikkönen: um título em boas mãos


Depois de tudo que se viu neste estranho campeonato marcado pela espionagem industrial da MacLaren, acho que o título ficou em boas mãos. A Ferrari se comportou realmente como uma equipe ao longo do ano, enquanto que a equipe inglesa resolver jogar suas fichas na divisão interna e favorecer, principalmente na segunda metade do campeonato, seu piloto preferido em detrimento ao atual bicampeão mundial.

O que achei mais estranho na prova de ontem não foram os erros de Hamilton, pois são próprios da essência do esporte. Mas, sim, a diferença de 50 segundos entre o finlandês e Alonso. Principalmente porque Hamilton, a despeito das bobagens, voava na pista. Como pode, logo na prova decisiva do campeonato, o carro do espanhol render tão pouco?

Fico com a sensação que a MacLaren não contava, nem por um momento, que Hamilton ficasse fora das 5 primeiras posições e tratou de lutar contra Alonso, o único que considerava em condições de levar o campeonato que estava nas mãos de Hamilton.

O resultado foi o que se viu: o inglês errou, errou novamente e ficou sem chances de disputar o título. E Alonso, estranhamente (?), estava sem condições de acompanhar.

Outra hipótese, um pouco mais remota, é o próprio espanhol ter sabotado seu próprio título. Difícil? Claro. Impossível? Nunca duvide de um campeão ferido em seu orgulho pela própria equipe.

No fim, o que ficou mais evidente, era que dos 3 pilotos que subiram ao pódio, Alonso parecia o mais feliz de todos. Até mesmo que o campeão. E suas entrevistas ao término da temporada mostram um homem ferido, mas aliviado; um homem de alma lavada.

domingo, outubro 21, 2007

Flamengo 2 x 0 Grêmio

Ainda sonhando

Não vi o jogo; estava no aniversário do meu filho mais velho. Só sei que o Flamengo venceu com tranqüilidade o Grêmio, que faz péssima campanha fora de casa, e bateu o novo recorde de público do campeonato: 63 189 pagantes.

É um sonho? É. Mas antes era piada, gracejo, ironia. A cada rodada o sonho fica cada vez menos absurdo. Já ouvi falar que 15 pontos em 18 colocam o Flamengo na Libertadores, independente de outros resultados. São 5 vitórias em 6. Impossível? Não. Muito difícil, claro que sim. Será um feito e tanto se conseguir. Só sei que a torcida arco-íris já começou a secar...

Em tempo: sou voz quase isolada no meio dos meus amigos na defesa dos pontos corridos. A média de público nesta rodada foi de 30.000 pagantes. O detalhe é que o título já está decidido e a disputa para não cair cada vez mais limitada.

Isso porque em um campeonato em que os 8 primeiros se classificassem para as finais o Flamengo entraria para lá de embalado.

O meu principal argumento não é justiça. Um campeonato é justo sempre que se cumpre seu regulamento. A questão principal dos pontos corridos é que obriga os times a jogarem para valer desde a primeira rodada; torna-se essencial montar a equipe antes do início do campeonato. Um dia o rubro-negro vai aprender esta lição e, quem sabe, disputar um título brasileiro pela primeira vez.
Em artigo publicado no Estadão de hoje, Gaudêncio Torquanto trata da decadência moral é ética na sociedade brasileira. O texto é curto e destaca alguns exemplos recentes dos absurdos que, em nosso cotidiano, ganham cada vez mais ares de normalidade.

Remete inicialmente à Montesquieu, que "ensinava que os homens são administrados por um conjunto de coisas, como o clima, a religião, as leis, as máximas dos governantes, os exemplos dos fatos passados, os costumes, as maneiras". O resultado é o espírito geral de uma Nação, cuja degradação seria representada pela vitória dos vícios sobre as virtudes.

O Brasil se encaixa em um quadro de "quebra da lei e da ordem, anarquia crescente, Estados fracassados, ondas de criminalidade, máfias transnacionais, debilitação da família, declínio da confiança nas instituições, cartéis de drogas, enfim, o paradigma do caos."

Como o Brasil chegou a este ponto? A resposta é complexa e envolve a superposição de interesses pessoais sobre as idéias, com ênfase na má qualidade da gestão política __ notadamente no executivo e legislativo.

Cenas do cotidiano mostram a inversão dos valores. Em Maringá, um desempregado foi preso após praticar um furto e roubo, e de ter os objetos surrupiados tomados por outros ladrões. Na cadeia, clamava por policiamento, fazendo uma distinção entre o roubo que praticou e o que foi vítima, um uma lógica de conveniência, a mesma praticada pelos atores políticos. Cita também Wellington Salgado, pego sonegando milhões de impostos quando dirigia uma Universidade de sua família. E o absurdo artigo do rapper Ferréz, aquele que defendeu o roubo do rolex de Luciano Huck como um acordo bom para ambas as partes.

E ainda tem o inacreditável caso envolvendo o presidente do Senado, contribuindo para afundar ainda mais o Legislativo. O Executivo não fica atrás, na luta para manter a CPMF ao mesmo tempo que não consegue controlar uma epidemia de dengue. O próprio presidente mostra sua lógica de conveniência ao atacar a privatização de ferrovias no mesmo dia em que fazia a de algumas rodovias e elogiar como exemplo de democracia a de um ditador que, há 20 anos, esmaga um país miserável de 10 milhões de analfabetos.

Conclui com a constatação que os valores do passados estão adormecidos, e que para despertá-los necessita-se da indignação, da mobilização de cidadãos ativos e pressão das ruas.

Torquato sintetiza bem algumas de minhas próprias idéias. Coloco uma ênfase especial na "mobilização dos cidadãos ativos". Entendo como manifestações espontâneas, como as que tem sido convocadas pela internet pelo Brasil afora. Nada de dinheiro público ou mobilização de estruturas financiadas pelo estado para fazer baderna como sempre se fez no Brasil.

Mas o principal é devastação dos valores morais da sociedade. Hoje em dia, quem defende virtudes é ridicularizado, tratado como um irrealista. É a maior constatação da vitória do relativismo moral e a ausência de lógica no trato destas questões. É o que leva um homem a roubar e ser roubado, tratando os dois roubos com princípios morais diferentes.

É o retrato de um país que não deu certo. Ainda dará?

sexta-feira, outubro 19, 2007

O Cão Amarelo


Título Original: Le Chien Jaune (1931)
Autor: Georges Simenon

__ Suponho, comissário, que o senhor se dá conta da gravidade do...
__ É meu ofício, senhor prefeito...
__ É tudo o que o senhor consegue, depois do que se passou, é deter um dos meus amigos... dos meus camaradas, mais exatamente... enfim, um dos notáveis de Concarneau, um homem que...
__ O senhor tem uma prisão confortável?...


Gosto de variar bastante o estilo de leitura. Depois de alguns livros mais sérios, um romance mais leve, um policial, cai sempre bem. Tem horas que é preciso dar um descanso para a mente.

É o caso deste livro de Simenon, retratando mais uma vez sua maior criação, o comissário Maigret.

Desta vez o detetive vai investigar uma série de tentativas de homicídio, um deles bem sucedido, que acontecem em uma pequena aldeia francesa, Concarneau. Um cão amarelo aparece em atitude sinistra nos acontecimentos.

Quem espera um detetive ativo, correndo atrás das pistas ou fazendo deduções brilhantes pode esquecer. Maigret é acima de tudo um homem comum; sua qualidade é compreender a natureza das pessoas e seus pequenos dramas.

É o que acontece neste romance. A participação do comissário é praticamente nula em boa parte da obra, a ponto de deixar o prefeito da cidade desesperado por uma ação mais enérgica que deixe a população mais tranqüila. Papel este que Maigret recusa com indiferença.

No fim percebe-se que existe um os crimes são uma conseqüência, uma pequena visão, de um drama humano que se desenvolve. Quando Maigret apresenta sua solução, não existe nada de extraordinário, apenas as fraquezas humanas e suas esperanças. Nota 7,5.

MacGyver, Jack Bauer e Cap Nascimento

Um dia quiseram ver quem era o melhor: MacGyver, Jack Bauer, ou Cap. Nascimento. Chegaram pro MacGyver e falaram: “A gente soltou um coelho nessa floresta. Encontre-o mais rápido que os outros e você será considerado o melhor!” MacGyver pegou uma moeda de 5 centavos no chão, um graveto e uma pedra e entrou na floresta.Demorou 2 dias pra construir um detector de coelhos em floresta e voltou no terceiro dia com o coelho.

Daí chegaram pro Jack Bauer e falaram a mesma coisa. Ele entrou correndo na floresta, e 24 horas depois apareceu com o coelho. Durante a operação, desarmou 5 bombas nucleares, recuperou 10 armas químicas, escapou de um navio cargueiro e foi pra China matar 100 terroristas.

Pediram então para o Cap. Nascimento ir buscar o coellho. Se ele demorasse menos de 24 horas, seria o melhor. E ele respondeu:

— Tá de sacanagem comigo, 05? Ce tá de sacanagem comigo? Você acha que eu tenho um dia inteiro a perder com essa porra de coelho, 05? Tu é um mo-le-que! MO-LE-QUE, 05!!!

Virou-se para a floresta e gritou:

— Pede pra sair! Pede pra sair, cambada!

Em menos de cinco segundos, já tinham saído da floresta 300 coelhos, 20 jaguatiricas, 50 jacarés, Robin Hood, 1000 paca-tatu-cotia-não, o Shrek e uma preguiça correndo a 40 km por hora!

Dai ele gritou:

— 02, tem gente com medinho de sair da floresta, 02! Tem gente com medinho de sair da floresta, 02!!! 07, traz um saco e a vassoura!!

Nisso, o Bin Laden saiu da floresta. Chorando.

Imposto Sindical

Ainda no início de seu primeiro governo, Getúlio Vargas percebeu a importância de controlar os sindicatos de trabalhadores.

Desde o início da República, a indústria desenvolvia-se ao redor da economia cafeeira, estimulada, principalmente, pelos lucros dos barões do café. A Primeira Guerra Mundial impulsionou ainda mais esta indústria ao fechar temporariamente o mercado externo. Uma das conseqüências foi o desenvolvimento de uma classe urbana e a imigração.

Pois coube justamente aos imigrantes, muitos com experiência sindical em seus países de origem, a primeiro organizar os sindicatos. Inicialmente houve a ação dos anarquistas, que desejavam sindicatos descentralizados e sonhavam com uma nação sem governo. Posteriormente, o comunismo chegou com toda sua força, disputando com os anarquistas o poder nos sindicatos.

Vargas percebeu que se não assumisse o controle teria um grande problema nas mãos. Não bastava uma legislação que beneficiasse pura e simples os trabalhadores, precisava de um instrumento de controle. Foi quando foi instituído o imposto sindical.

Os recursos eram centralizados no Ministério do Trabalho e, então, distribuído às centrais sindicais. Rapidamente estas centrais tornaram-se dependentes dos recursos, e por tabela, do Ministério. Os líderes passaram a se aliar a alta burocracia do Ministérios, e não aos trabalhadores que representavam. Surgia na política nacional os "pelegos".

Ontem a Câmara dos Deputados aprovou o fim da obrigatoriedade do imposto. Pela proposta cabe ao trabalhador o direito individual de decidir se paga ou não o tributo. Isto obriga os sindicatos a convencer os trabalhadores de sua importância, e mostrar serviço a eles. É uma medida acima de tudo burocrática.

Os sindicatos, obviamente, já iniciaram uma campanha de demonização dos deputados que aprovaram o projeto de lei. O presidente da república __ sempre com minúsculas __ já se posicionou contra. Existe boa chance do Senado não aprová-la, e caso contrário, Lula II exercerá seu direito de vetá-la.

Até aí tudo mais ou menos democrático. O mais ou menos é pela tática fascista dos sindicatos de pressionar os deputados. O problema é o que acontece depois do veto. Vai para a gaveta do presidente do senado __ também com minúsculas __ que exerce seu "não direito" de não colocar o veto em votação, dando na prática o poder ao chefe do executivo de só aprovar as leis que quiser. É mais uma violação do princípio das independência dos poderes.

O imposto sindical é uma herança do estado totalitário de Vargas, essa sim a verdadeira ditadura que existiu no Brasil. Não se está extinguindo o tributo, apenas está colocando a questão como um direito do trabalhador, e não um dever. Por que temem tanto a liberdade de escolha?

Vasco 1 x 2 Flamengo

Direito de sonhar


A chuva que castigou o Rio de Janeiro certamente impediu um novo recorde de público no Maracanã, mas mesmo assim, dentro dos padrões atuais, a galera compareceu para assistir este clássico que definia um direito; o direito de sonhar.

Logo no início, Toró acertou um chute de fora da área e contou com a grama molhada para complicar Silvio Luís e colocar o rubro-negro na frente. Pouco depois, em cobrança de falta, Andrade também contou com a grama e empatou o clássico. Colace, que entrara no lugar de Rômulo, foi expulso em um carrinho que 99% dos árbitros dariam o amarelo. Poderia ser o lance que definiria o jogo, pois o primeiro tempo estava ainda na metade e o Flamengo ficava com um jogador a menos.

Mas o time da Gávea era melhor e chegou ao desempate com Ibson de penalti. Para melhorar mais ainda, no último minuto da primeira etapa, Marcelinho, do Vasco, tanto fez que acabou conseguindo ser expulso e deixou tudo igual.

No segundo tempo o Flamengo se fechou e mesmo assim o Vasco pouco criou, sendo que as melhores chances ficaram com o rubro-negro, principalmente após a entrada de Obina. A partida terminou 2 x 1 e o Mengo conseguiu o direito de sonhar.

Sim, o que era impossível a poucas rodadas se transformou em um sonho. Muito difícil, mas mesmo assim possível. 5 pontos afastam o Flamengo de Grêmio e Palmeiras na disputa por uma vaga na Libertadores. Faltam 7 rodadas.

Tudo depende do próximo jogo, domingo contra o Grêmio. Uma derrota praticamente acaba com as reduzidas chances que possui, uma vitória, e se possível com um tropeço do Palmeiras colocaria o Flamengo a dois pontos dos dois adversários.

Antes de pensar em secar os adversários é fundamental fazer o dever de casa e vencer o Grêmio. O tricolor gaúcho tem a seu favor uma semana de descanso; o rubro-negro o Maracanã, que estará lotado.

A sorte está lançada.

quarta-feira, outubro 17, 2007

Fone de ouvido

No fim de semana tinha perdido uma borrachinha do meu fone de ouvido. Procura para lá, procura para cá, e nada. Viajei para o Rio sem ele. Hoje recebi o seguinte e-mail de minha esposa:

Oi Jota, foi encontrado seu foninho de ouvido. Ele estava sendo cuidadosamente guardado pela Tina na casinha dela, mas está intacto! Beijos..LN

terça-feira, outubro 16, 2007

Os 7 anões

Sobre o Islã - II

Na última parte de Sobre o Islã, Ali Kamel faz uma análise da Guerra do Iraque, focando as razões que levaram Bush a invadir o país de Sadam Hussein. Vai de encontro ao que a imprensa nacional publicou sobre o assunto e chega a conclusão que os Estados Unidos, baseado nas informações que dispunham, não tinham outra opção e qualquer outro presidente faria a mesma coisa.

Ali Kamel recorre a perguntas e respostas para expor seu raciocínio.

Toda guerra é má e toda paz é boa?

Não, pois "há vezes em que a paz só faz deixar crescer o inimigo, que se tornará uma ameaça cada vez maior". Existe um grande exemplo histórico, a complacência de ingleses e franceses com a Alemanha de Hitler. Em 1938 Neville Chamberlain retornou de Munique onde tinha aceitado a anexação de territórios tchecos pelos nazistas. Fez que Hitler assinasse um papel dizendo que aquela seria a última reivindicação alemã; foi recebido com festa na Inglaterra e disse que o acordo representava o desejo de duas nações que desejavam nunca mais entrar em guerra. O movimento pacifista da época apenas deu tempo para o fortalecimento de Hitler.

Kamel argumenta que quando os fanáticos do Islã possuem um Estado por trás de si, a capacidade de causar estragos e destruição é muito maior. Osama bin Laden não conseguiria o World Trade Center sem o Afeganistão, e o Iraque poderia ser seu substituto.

A guerra foi uma decisão unilateral dos Estados Unidos?

Sim, acabou sendo. Mas antes, pela primeira vez na história, um presidente americano tentou de tudo para obter solidariedade internacional, e fracassou. Durante o século XX, os Estados Unidos entraram em 3 conflitos mundiais para salvar a Europa de totalitarismos: nas duas guerras mundiais e na guerra fria. "Atacado em seu território, com as Torres Gêmeas no chão e o Pentágono, centro de seu poderio militar, em ruínas, os Estados Unidos pediram apoio da Europa para derrotar o inimigo que certamente é comum, mas a Europa disse não".

É necessário desfazer um equívoco, criticam os americanos por irem a guerra apesar do veto da ONU. Não houve veto nenhum, o que houve foi a recusa de uma autorização, o que é bem diferente. Apenas uma vez na história os Estados Unidos foi autorizado pela ONU para usar a força: na Guerra da Coréia. E só aconteceu porque a União Soviética estava em "greve" no Conselho de Segurança para reivindicar a substituição da China Nacionalista pela Popular. Os soviéticos também nunca se importaram em pedir autorização nenhuma para usar a força.

Bush e Blair mentiram sobre armas de destruição em massa?

É certo que nenhuma arma foi encontrada no Iraque, mas essa crença fazia sentido na época da invasão. Kamel considera ingenuidade achar que dois chefes de estado de governos democráticos se arriscariam a mentir "sabendo que a mentira tinha data certa para ser descoberta: um dia depois da tomada de Bagdá". Invadiram o Iraque com base em informes dos respectivos serviços secretos, que tais armas ou existiam ou tinham grande chance de existir.

Em 1998, os inspetores da ONU foram expulsos do Iraque e, por quatro anos, o mundo ficara sem informação sobre o que o Iraque estava produzindo. Os próprios democratas partilhavam da mesma visão do governo, tanto que autorizaram a guerra no Congresso.

Havia algum laço entre o Iraque e a Al-Qaeda?

É uma questão difícil de responder. É o tipo de coisa que dificilmente é documentada. A pergunta correta, segundo Kamel, seria se na época da invasão haveria suspeita suficiente que o Iraque, na ausência do Afeganistão, pudesse passar a abrigar terroristas da Al Qaeda. A leitura de documentos secretos hoje levados ao conhecimento do público indicam que sim.

As liberdades civis nos Estados Unidos foram feridas?

O que os analistas parecem não entender é que os Estados Unidos estão em guerra. O fato de não ser contra uma nação politicamente organizada não invalida este fato. E em todas as guerras, todas as nações, adotaram medidas internas que restringiam liberdades. A Inglaterra assim o fez na II Guerra com o "Defense Regulation", e o próprio Estados Unidos, em 1942, com a autorização para comandantes militares designarem áreas do território nacional para onde qualquer pessoa pudesse ser banida. 120 mil pessoas, de origem japonesa, foram confinadas no Oregon, Washington e Arizona. O mesmo aconteceu no Canadá.

As restrições à liberdade nos Estados Unidos e a ordem para a polícia britânica atirar para matar são atos de defesa de nações em guerra. "A lição que a comunidade muçulmana radicada em países do Ocidente tem a tirar é uma só. Ela deve se alinhar com os países que acolheram, colaborando de maneira explícita e engajada na caça aos terroristas."

O petróleo foi a causa verdadeira?

Em 2003, ano da invasão do Iraque, os Estados Unidos dispunham de uma reserva de 22 bilhões de barris e produziam 7,4 milhões por dia. Nesse ritmo, suas reservas estariam extintas em 8 anos, um ano depois do fim do segundo mandato Bush. E explicação ficava simples: prestes a ficar sem petróleo, não havia outra alternativa para os americanos senão ir buscá-lo no Iraque. "Tudo muito simples se o mundo fosse simples. Mas ele não é."

Em 2006 os Estados Unidos deveriam estar com uma reserva de 13,8 bilhões de barris, no entanto permanecem em 21,4 bilhões, pouco abaixo de 2003. A explicação está em fatores como novas descobertas, novas tecnologias, aumento de produtividade, restauração de poços antigos, surgimento de fontes alternativas de energia, mudança de perfil do consumo e o próprio preço do petróleo que quando sobe torna econômico a exploração de poços que até então eram antieconômicos. É o caso do Alasca.

O Iraque estava sobre sanção da ONU e só respondia por 2% do abastecimento mundial. Seria mais lógico supor, que interessado no petróleo iraquiano, os Estados Unidos agissem para sustar esta sanção para que chegasse a 6%. Mesmo assim não seria de imediato. Estima-se que com a infra-estrutura de transporte restaurada, o país poderia chegar a 4% em 3 anos, e 6% em dez anos. E para isso seriam necessários investimentos pesados.

Levanto em conta o que os americanos gastaram apenas na primeira fase do conflito, e somar o que os americanos ainda gastarão para colocar em pé a indústria petrolífera iraquiana, obter petróleo por meio de uma guerra é de longe a aventura mais antieconômica da história da humanidade.

Por que o Iraque está como está?

"O governo Bush foi, sobretudo, de uma inépcia no pós-invasão poucas vezes vista na história americana." O problema foi uma idéia totalmente equivocada, a de que o controle interno e pacificação caberia aos próprios iraquianos. Mas que iraquianos? O Exército foi colocado na rua, assim como toda administração do país. Para piorar, outra tese desastrosa, para supervisionar a segunda fase os americanos deveriam usar o menor contingente possível. Era a receita para o caos.

No melhor momento pós-invasão, havia no Iraque 150 mil homens. A PM de São Paulo possui 140 mil, e não dá conta do PCC. Os terroristas se fortaleceram e a violência explodiu. Para quem duvida que a guerra é contra o mundo deve-se lembrar do ataque à missão da ONU (que fora contra a guerra) e pior, conta a Cruz Vermelha que estava no Iraque desde 1983, ajudando o país a superar todas as mazelas de Saddam (Guerra contra o Irã, Guerra do Golfo, embargo da ONU).

Concluindo

Respondendo essas perguntas Kamel mostra que, pelo menos, não é tão simples dizer se os americanos deveriam ou não invadir o Iraque, baseado nas informações que possuíam em 2003. Para mim fica um grande questionamento: a guerra dos terroristas é contra os Estados Unidos apenas? Ou é contra todo o mundo ocidental? Os atentados na Europa, e as diversas tentativas recentes, até mesmo na Alemanha que sempre se opôs à guerra no Iraque, mostram que há muita coisa que se pensar sobre o assunto antes de incorporar a primeira manifestação pela paz que encontrar pela frente.

segunda-feira, outubro 15, 2007

Uma visão antropológica clássica de Orgulho e Preconceito

O livro de Jane Austen apresenta dois exemplos excelentes para o entendimento da pessoa na visão antropológica clássica, principalmente de Aristóteles.

Na pessoa existe a inteligência, a principal distinção do homem para o animal. Pela inteligência se reconhece o bem, é onde se faz o questionamento ético em função do que cada um reconhece como o certo e o errado.

Ligado a inteligência, como uma importante manifestação, existe a linguagem. O homem é capaz de se comunicar ao mesmo tempo em que pensa e, dessa forma, dar vazão aos seus pensamentos.

Outra manifestação da inteligência é a vontade. É uma função intelectual, a forma como que nos inclinamos para o bem conhecido pela inteligência. É o ato de querer. Uma pessoa que reconhece a leitura como algo importante, portanto como um bem, pode decidir se dedicar a ela e resolver ler regularmente. Estabeleceu-se a vontade no sentido que os clássicos a consideravam.

Mas o homem não é apenas razão, é também sentimentos. Não se deve confundir sentimentos com desejos. Os sentimentos constituem uma área intermediária entre o sensível e o intelectual. É o amor, o ódio, a tristeza, a esperança, o desespero, etc. É importante entender que os sentimentos não podem ser controlados em sua origem, ninguém escolhe por quem vai se apaixonar ou odiar. Mas os clássicos acreditavam que pela ação da inteligência era possível e desejável educá-los, e aí estaria a essência da felicidade.

Por fim temos a ação. Que pode ser desde a simples contemplação (muito importante para os gregos) ou qualquer ato em função da inteligência, da vontade, da linguagem, dos sentimentos ou dos desejos.

Os dois personagens principais de Orgulho e Preconceito mostram que a desarmonia entre estas manifestações da personalidade causa um desarranjo na individualidade do homem.

Darcy aparece no livro como um homem racional. Sua inteligência mostra que Elizabeth não é uma escolha possível por sua condição social e, principalmente, pela vulgaridade da família da moça. Surge o sentimento de amor. Pela ação da inteligência estabelece a vontade de eliminar este sentimento. O sentimento, no entanto, é maior do que sua vontade e termina por declarar seu amor. Suas palavras demonstram toda a desarmonia entre inteligência, vontade e sentimentos:

__ Em vão tenho lutado comigo mesmo; nada consegui. Meus sentimentos não podem ser reprimidos e preciso que me permita dizer-lhe que a admiro e amo ardentemente.

É interessante notar que Austen descreve como o orgulhoso cavalheiro diante do amor por Elizabeth se expressa de forma trôpega, assim como seus atos são descuidados. É o retrato de uma personalidade que não consegue resolver o conflito entre a razão e os sentimentos.

Darcy só alcança a paz quando muda seu próprio entendimento do que seja o bem. Compreende que as razões que o faziam opor-se à jovem eram fruto de seu orgulho; eram uma fraqueza. Quando sua inteligência permite que considere aquele amor um bem toda sua personalidade se ajusta.

Elizabeth possuía desde o início um preconceito contra ele. Era um sentimento forte, que ofuscava sua própria inteligência. Baseada nele estabeleceu a vontade de odiá-lo, o que fica evidente em várias passagens do livro. Quando escuta acusações contra Darcy em nenhum momento duvida delas, pois estão de acordo com sua vontade.

Quando lê uma carta com os motivos de Darcy percebe que haviam indícios, desde o início, que mostravam que ele era inocente nas acusações. Através da inteligência, percebe que estava errada, que seus sentimentos para ele eram motivados por seu preconceito. Ao entender este sentimento consegue eliminá-lo, por ação de sua vontade. Com a harmonia que passa a experimentar surge o amor por seu pretendente, e encontra finalmente a felicidade.

A literatura é uma fonte rica para entender e pensar sobre nossa própria humanidade. É uma obra de ficção, mas os autores, principalmente os grandes, baseiam-se na realidade, nas próprias experiências e sentimentos para criar seus ricos personagens. Como é o caso de Darcy e Elizabeth.

sábado, outubro 13, 2007

Tropa de Elite

Tropa de Elite (2007)
Direção: José Padilha

Elenco: Wagner Moura, Caio Junqueira, André Ramiro


Finalmente assisti o filme de José Padilha, que tanta discussão tem levantado pela blogosfera brasileira. E percebo porque sua platéia se dividiu nos que abriram artilharia contra a obra e os que comemoraram cada traficante morto no filme.

A estória do filme já foi mais que batida e reproduzida pela mídia. A Veja que chega amanhã tem o filme eu seu centro, a aqui no Brasil quase todo mundo já o viu antes mesmo da estréia nos cinemas, em um fenômeno de pirataria jamais visto.

Ao assistir o filme, pude ver o que tanto revoltou a turma do politicamente correto: é um retrato sem concessões da violência no Rio de Janeiro. Todos os envolvidos no filme são retratados sem relativismos, não existe bandido bom, aquele que julgam defender a comunidade contra a violência do estado. Há policiais corruptos, que protegem o tráfico, mas há policiais honestos. O filme incomoda ao mostrar as responsabilidades de cada um nessa cadeia que se tornou o tráfico de drogas.

O maior mérito do filme é pela primeira vez no Brasil mostrar a criminalidade sob o ponto de vista de um policial honesto. Não, ele não é perfeito. Ele tortura, executa. Mas não compactua com traficante, e com clareza, mostra o que acha de policiais corruptos, dos usuários de drogas, dos traficantes. Como pode uma pessoa honesta fazer o que faz? Há muitas respostas, uma das principais é que ele sabe que o sistema está doente. Sabe que ao prender um traficante ele estará de volta as ruas em poucos dias. Sabe que ele poderá acusá-lo de tortura e rapidamente haverá a mídia e ONGs colocando-o contra a parede. Sabe que aquele traficante será uma ameaça a ele próprio.

O Capitão Nascimento sabe que está em guerra. A polícia convencional não tem meios, treinamento e capacidade para enfrentar esta guerra. São todos corruptos? Não. Ele mesmo reconhece; um policial faz a opção na polícia: ou entra no esquema, ou se omite, ou bate de frente. E os que batem de frente ficam no dilema do Capitão Fábio, que tentou entrar para o BOPE para não ser morto pela própria polícia.

Agora o que mas causou a revolta dos críticos do filme foi seu posicionamento sobre os usuários de drogas. A hipocrisia mostrada no filme é assustadora. O mesmo jovem que estuda direito e trabalha em uma ONG que ajuda crianças de uma favela, sobe o morro para cheirar cocaína e desce com maconha para traficar. E no final ainda participa de uma passeata pela paz. O policial Matias, um dos honestos do filme, acha que pode ser um policial de verdade e ao mesmo tempo conviver com essas pessoas. Aprende de uma maneira dura que não pode fazer concessões. Um policial honesto é policial em todas as horas. Não pode enfrentar o tráfico com seu uniforme e depois fazer trabalho escolar no meio de uma roda em que se passa um baseado sem cerimônia.

Existem pequenas cenas no filme com muita representatividade. Uma é o quando Matias mostra que o pequeno Romerito não consegue enxergar direito. A engajada Maria, que acreditava saber e amar as crianças ajudada pela ONG em que trabalhava, tinha sido lacônica em seu julgamento: o menino não gostava de estudar como qualquer criança. Matias mostrou que eles na verdade nunca tinham prestado atenção no menino.

Outra cena é quando o Capitão Nascimento fala no celular com sua esposa que está fazendo o ultra som enquanto, no alto do morro, prepara-se para entrar em combate. Um policial que no meio dessa guerra tenta de todas as formas ter uma vida, ter direito a sua própria humanidade. Em determinado momento afirma que a vida que leva cobra o seu preço; no fim é abandonado pela esposa com o filho recém nascido.

Sobre a tortura e execuções, tão combatidas, resta uma mensagem incômoda: ela funciona. E por isso existe até hoje em todos os cantos do mundo. Se a referendo? Quem sou eu para julgar? Não estou lá, nos becos de uma favela sabendo que poderei ser morto a qualquer momento. É fácil, em tese, tratá-la como bárbarie, e é. Mas aquele policial no alto de um morro, sendo alvejado, não está em mundo bárbaro? Gostaria de que o sistema funcionasse, que o traficante preso cumprisse sua pena integral em uma penitenciária, que as penas fossem mais duras. A realidade aqui no Brasil é bem diferente, na pior das hipóteses estará solto em 5 ou 6 anos, pronto para matar de novo. O que você faria no lugar do Capitão Nascimento?

É claro que não é a única saída, o próprio filme mostra isso. Quando estava torturando para obter o paradeiro do Baiano um de seus companheiros do BOPE, tão ou mais honesto do que ele, o questiona. Nascimento mostra que sabe que o que está fazendo é injustificável e diz para o colega descer com sua equipe. A partir daquele ponto seguiria apenas os que pensavam como ele, o que estariam na missão de vingança.

E este é o último ponto que trato: a vingança de Nascimento. Li um crítico escrever que aquilo era um "americanismo" do filme, o banditismo de um policial. Acho que não havia outra opção ali. Se o tráfico entender que a morte gratuita, como foi a de Neto, ficará sem reação a vida de todos eles estará sacramentada. Basta uma lista de endereços para iniciar uma execução e intimidação desses policiais. O medo que Baiano mostrou ao ver a caveira do BOPE no braço de sua vitima diz tudo sobre a "eficiência" da vingança. O recado estava dado: executar um policial do BOPE era assinar a própria sentença de morte.

Por tratar de todas estas questões, e sem concessões, Tropa de Elite incomoda tanto. E também por isso é tão bom. Já nasceu clássico e é o melhor filme nacional que já vi até hoje. Nota 10.

Presente

A pequena Michele e o aborto

Confesso que não queria escrever sobre a pequena Michele, o bebê que foi abandonado pela mãe em um rio poluído de Belo Horizonte e terminou falecendo na UTI de um hospital com infecção generalizada e edema cerebral.

Fico imaginando aquela equipe de médicos e enfermeiras que tentou de todas as formas salvar a menina. O seu nome foi dado pelos funcionários da UTI. Não consigo pensar neste nefasto acontecimento sem sentir profunda tristeza; a morte de uma criança, um bebê, é diferente. Ali não podemos deixar de pensar em toda uma vida que haveria pela frente, com seus dramas, suas conquistas, vitórias e fracassos.

Mas lendo o artigo de André Petry na Veja da última semana em que defende que se houvesse a legalização do aborto tal fato não teria acontecido resolvi escrever o que penso. Seria essa a única solução para evitar um fato desses? Será que não existem soluções melhores?

Sei lá, não sou ninguém para julgar. Um pessoa que faz um coisa dessas encontra-se fora de qualquer conceito de normalidade. Desespero, dor, ódio. Tudo isso deve ter passado pela cabeça dela, e coisas que nem imaginamos. Mas este é uma caso extremo, e assim acho que deve ser tratado.

O que não concordo é a afirmação do autor que "legalizar o aborto, além de tudo, também é forma de tratar as brasileiras com alguma igualdade".

Quer dizer que quando se mostra que a quantidade de homicídios praticados por pessoas de classe mais baixo são superiores ao de classes mais altas devemos tirar o homicídio do código penal? E permitir o furto e o roubo? Ser tolerantes com o tráfico de drogas?

Não existem outras soluções? Acompanhamento social? Um programa para entrega do bebê para adoção?

Quando morava no interior do Pará abandonaram um bebê no esgoto da cidade. De manhã foi noticiado pela imprensa. Na hora do almoço uma pessoa que trabalhava comigo já estava dando entrada no processo de adoção. E não se sabia ainda se o recém-nascido sobreviveria!

Argumentam que deve-se levar em conta o país em que vivo. Acompanhamento social e programas são coisas de países ricos. E quanto sairia para a saúde pública uma rede oficial de abortos? Todos os médicos seriam obrigados a praticá-lo? Mesmo contra suas convicções? Este mesmo país, para os que advogam que o aborto seria uma solução mais prática, não consegue distribuir preservativos a todos. E se nem dá conta da quantidade de esterilizações que é solicitado, dará conta da quantidade de abortos? Com que qualidade? E dará o necessário acompanhamento psicológico?

Vivemos num estado que arrecada quase metade do que é produzido no país. E não consegue dar conta de necessidades básicas como educação e saúde. Uma rápida lida nos jornais mostra isso, o estado está voltado para a economia, para ser o grande ator econômico. Está preocupado em fazer concorrência com empresas privadas, e participar ativamente do mercado. E o resultado está aí, políticas sociais que se resumem em distribuição de esmola.

A pequena Michele não merecia ser jogada dentro de um rio para morrer. Ninguém merece um destino destes. Não foi lhe dada uma chance de viver, por pior que lhe fosse essa vida.

Em minhas dúvidas e questionamentos estarei sempre a favor dessa chance, por menor que seja.

sexta-feira, outubro 12, 2007

Orgulho e Preconceito - série BBC


Tive que recorrer à Amazon para poder assistir a série inglesa sobre a magistral obra de Jane Austen. E foi um investimento muito bem feito.

A produção é caprichada e duas qualidades sobressaem na versão produzida por Sue Birtwistle.

Primeiro o ritmo. Apesar de boas adaptação no cinema, o filme sempre resultava um tanto corrido. A grande problema aqui é o que cortar a obra original. Ao contrário da maioria de seus livros, onde poucos fatos realmente acontecem __ a autora centra a trama na descrição do quadro de sua época e a reação de seus personagens ao mundo em que vivem __ Orgulho e Preconceito apesar de tratar da época e personagens, mostra também uma seqüência de acontecimentos que justificam a profunda transformação por que passam os personagens. Em uma série, por ser mais longa, é possível mostrá-los isso em uma narrativa que segue um ritmo mais compatível com a trama.

Segundo é a atuação de Colin Firth. A aparência física não é narrado por Austen, mas ele é Mr Darcy. É, sem dúvida, um dos atores mais talentosos de sua geração, o que fica claro neste papel. A forma com que mostra a tortura que passa seu personagem na busca de sufocar seus próprios sentimentos é um dos pontos altos da série. Outro destaque é como consegue esconder sua paixão, até a declaração para Elizabeth no ponto de inflexão da obra, ao mesmo tempo que consegue dar credibilidade a este amor.

É uma pensa que nunca tenha passado no Brasil nem tenha sido lançado por aqui em DVD. Certas estórias devem ser contadas sempre.

quarta-feira, outubro 10, 2007

Privatização

A falta de vergonha e qualquer tipo de ética do petismo e simpatizantes foge a qualquer definição. E esta semana se mostrou mais uma vez em um tema que a oposição se recusa a defender: as privatizações.

Nas últimas eleições o candidato-presidente demonizou seu adversário acusando-o de privatista, como se fosse o maior dos pecados, e de ter participado do governo que vendeu o Brasil. Alckmin fez sua parte, e não foi pequena, no seu próprio calvário. Ao invés de defender os muitos benefícios das privatizações realizadas se transvestiu de estatista e jurou que não privatizaria nada. Fez duas besteiras de uma só vez: não convenceu ninguém e pior, passou a imagem que a privatização realmente era um mal em si.

Esta semana o governador de São Paulo quis saber o valor de mercado de uma estatal. O pestismo, sempre valente para com os outros, foi às ruas para protestar. Serra estava querendo privatizar!

Ontem o presidente-candidato(se não é parece) condenou o governo FHC, Freud explica, sobre a privatização das rodovias federais.

Ao mesmo tempo, na bolsa de valores, seu governo privatizava 7 lotes de... rodovias federais! E 6 delas foram para grupos estrangeiros! É ou não é uma falta de vergonha e de ética? O petismo não tem nenhum princípio. O que é feito por eles é bom. A mesma coisa feita por outros é uma mal. Simples assim.

E cadê as oposições? Silêncio ensurdecedor. Só não maior do que a CUT, MST, PT, UNE, Pastoral de Terra, ....

sábado, outubro 06, 2007

Curso de filosofia


Esta é a primeira foto da turma de extensão em filosofia reunida. A foto ficou muito escura e nossa fotógrafa-filósofa teve que rebolar para conseguir deixá-la visível. Haverão outras fotos no futuro.

Devagar até o feriado

Este blog estará em marcha lenta até quinta-feira. O motivo é uma prova importante que este blogueiro terá pela frente. No feriado ele vai tentar recuperar o tempo perdido. Neste meio-tempo haverá alguns posts rápidos e um popular ctrl-C, ctrl-V. Ossos do ofício.

sexta-feira, outubro 05, 2007

Flamengo 1 x 0 São Paulo

A Força do Maracanã

Nada como um Maracanã lotado, para os padrões atuais, como palco para a melhor exibição do rubro-negro no campeonato. Liderado por Íbson, e jogando com inteligência e rigorosa disciplina tática o Flamengo carimbou a faixa do campeão e venceu o clássico dos 10 títulos brasileiros pela contagem mínima. Sabendo que atualmente é suicídio querer pressionar o São Paulo e partir para cima, o time tratou de ganhar o meio-campo e atacar sempre com cautela. O tricolor, rigorosamente, só teve uma chance clara de gol. No fim da partida, Bruno salvou uma cabeçada que bateu na trave e em cima da linha, sob um silêncio mortal no templo rubro-negro. O árbitro ainda deu inacreditáveis 5 minutos de acréscimos, coisas que atualmente só o São Paulo tem direito. O fato que a Sul-Americana é uma realidade agora, e a Libertadores um sonho. Muito distante, mas um sonho. Antes era apenas uma gozação.

quarta-feira, outubro 03, 2007

Sobre o Islã

Sobre o Islã, A Afinidade entre muçulmanos, judeus e cristãos e as origens do terrorismo
Ali Kamel, 2007

Ali Kamel é jornalista e sociólogo e se dispões a discutir o Islã de uma forma diferente do usual: ao invés de ressaltar suas diferenças com a tradição judaico-cristã, ressalta as semelhanças. E por que uma religião tão semelhante e de princípios pacíficos originou o terrorismo que culminou numa ameaça real ao mundo ocidental?

No prólogo, esclarece que pretende atingir dois objetivos. O primeiro, ressaltar que as três religiões monoteístas são mais semelhantes do que diferentes. O segundo, mostrar que nenhuma delas é base para o horror do terrorismo. Chama atenção para a complexidade do tema e procura contribuir com subsídios "para que perguntas possam ser feitas de forma mais embasada".

O livro é dividido em 5 partes.

De Adão a Maomé

Nesta primeira parte conta a história dos principais fatos históricos das três religiões, baseados unicamente nos Antigo e Novo Testamento e no Alcorão, sem se importar em procurar a verdade para as divergências. Ao longo da leitura dos textos sagrados fica claro a raiz comum entre elas e os momentos que se separaram. Alguns mitos são refutados. O Alcorão, por exemplo, chama judeus e cristãos de "o povo do livro", e que também seriam salvos no julgamento final. O livro dos muçulmanos trata Jesus com extremo respeito pois reconhece nele a natureza miraculosa, apenas refuta sua divindade.

Maomé teria surgido como o profeta definitivo, não para negar a Bíblia, mas para esclarecê-la e corrigí-la em pontos que teria se desviado da mensagem de Deus. Quando os muçulmanos ocuparam a península Ibérica foram extremamente tolerantes com cristãos e judeus, permitindo a liberdade de culto.

Sunitas e Xiitas

A partir de Maomé os muçulmanos se dividiram em várias correntes, sendo os sunitas e os xiitas as maiores. A origem desta divisão seria a sucessão de Maomé. Basicamente os xiitas defendem que apenas os descendentes diretos do profeta poderiam sucedê-lo, enquanto que os sunitas acreditam que revelação acabou com Maomé restando apenas viver como manda o Alcorão e esperar o final dos tempos. Neste ponto os xiitas defendem que existe ensinamentos ocultos no Alcorão que apenas o imã tem acesso.

Explica, a seguir, como se formou as nacionalidades árabes de hoje. Embora tenha seguido uma divisão artificial da colonização européia, a extrema juventude de sua população já assimilou estas nacionalidades criadas.

O Islã não é violento

Kamel defende que existe uma "confusão entre a mensagem da religião e a sua história concreta, conturbada como de resto é a de todas as religiões". O islã prega a paz, a caridade e o amor a Deus, o que é seguido pela grande maioria dos milhões de muçulmanos. O Alcorão proíbe a conversão forçada, a aceitação do Deus único deve ser totalmente voluntária.

Trata também do papel da mulher, especialmente da questão do apedrejamento. Um caso que a exceção, claramente, é visto como regra. Apesar de algumas passagens do Alcorão fazerem referência à prática, ao mesmo torna a pena impraticável por exigências severas para comprovação do adultério. A simples negativa da mulher já afasta a possibilidade de sua aplicação.

Sobre o uso do véu a questão é mais sobre a obrigatoriedade. É curioso que nos locais onde o uso é obrigatório, a reação é contra. Nos locais onde é facultativo ,muitas mulheres a usam como prova de sua fé. No islã existem famílias com maior ou menor grau de conservadorismo, como em qualquer religião.

As Origens do Terror Islâmico

Aqui vem uma das mais interessantes passagens do livro. Fala sobre a consideração de que os terroristas defenderiam uma interpretação literal do Alcorão.

Não, os terroristas islâmicos não são literalistas: o que fazem é interpretar radicalmente as Escrituras, assim como todos os radicais. (...) O que os distingue é a crença não somente de que eles encontraram a verdade como também é dever deles impô-la a todos nós.


Segundo Kamel, chamá-los de fundamentalistas é um erro, pois os enobrece, fazendo que se acredite que têm como propósito apenas seguir a religião. O mais correto seria o termo totalitarismo, e portanto seriam terroristas totalitaristas.

O que os define não é a religiosidade ou o fanatismo, mas a intenção de nos impor uma verdade que não é nossa, de nos submeter a regras que nos desumanizam, de nos privar daquilo que nos define como homens: a nossa consciência e a nossa liberdade. Devem ser chamados pelo nome certo: os totalitários do Islã.


Algumas Perguntas sobre a Guerra do Iraque

Aqui a polêmica é total. Na contramão de toda imprensa brasileira Kamel analisa a decisão de invadir e ocupar o Iraque sobre o ponto de vista dos Estados Unidos e conclui: Bush não tinha outra opção. E mais, qualquer outro presidente teria feito o mesmo, provavelmente antes.

Mas deixo estas perguntas para um outro post.

Conclusão

Apesar do autor não colocar um capítulo de conclusão geral para o livro, fica a mensagem que tentou passar: o islã é uma religião pacífica e assim é visto pela maioria dos seus seguidores. O terrorismo dos totalitários do islã não baseia-se numa interpretação literal do Alcorão e sim na distorção de sua mensagem.

segunda-feira, outubro 01, 2007

Parece que estava adivinhando

Acabei de mandar bala no último posto e sou surpreendido por um decreto do governador do DF. Versa sobre a ineficiência da máquina pública. Sabe aquele "Cadê o relatório X?" e a resposta "Estou fazendo" ou "Estou acabando"? Pois vejam o decreto e tirem suas próprias conclusões:

"Decreto nº 28.314, de 28 de setembro de 2007.

Demite o gerúndio do Distrito Federal, e dá outras providências.

O governador do Distrito Federal, no uso das atribuições que lhe confere o artigo
100, incisos VII e XXVI, da Lei Orgânica do Distrito Federal, DECRETA:

Art. 1° - Fica demitido o Gerúndio de todos os órgãos do Governo do Distrito Federal.
Art. 2° - Fica proibido a partir desta data o uso do gerúndio para desculpa de INEFICIÊNCIA.
Art. 3° - Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.
Art. 4º - Revogam-se as disposições em contrário.

Brasília, 28 de setembro de 2007.

119º da República e 48º de Brasília
JOSÉ ROBERTO ARRUDA"

O país dos funcionário públicos

Nosso guia falou hoje que choque de gestão não é demitir pessoas, mas contratá-las. Lembrou-me o início do seu governo quando um colega dentista falou que agora era hora de aproveitar porque iria chover concurso público. Aliás, foi bem claro ao justificar-se por seu voto na última eleição: Alckmin iria acabar com concursos.

Fica claro uma das razões para o atraso e o fracasso do Brasil como nação. Os estados que foram para frente basearam-se na força de suas sociedades para gerar riquezas e atingir padrões elevados de desenvolvimento. Muitos desses países adotaram posteriormente o estado do bem-estar social, mas quando já dispunham de recursos suficientes e, sobretudo, uma população educada e ativa para fiscalizar os desmandos de seus governantes. A palavra chave foi o empreendedorismo, a busca pelo sucesso individual.

No Brasil temos dois sonhos. O primeiro é ganhar da Mega-sena. As filas quilométricas a cada prêmio acumulado assim o demonstram. E ganhar para nunca mais precisar trabalhar, ou seja, já existe a cultura contra o trabalho.

O segundo é passar em um concurso público. Muitos poucos são motivados por ideais elevados, como servir à sociedade. A discurso é no sentido de conseguir a estabilidade econômica e uma boa aposentadoria. E como no primeiro sonho, parar de trabalhar. Existe o inconveniente de comparecer no emprego, mas nem tudo é perfeito. O negócio é se servir da sociedade.

Daí para a confusão do público com o privado é um passo. O resultado é a ineficiência, o inchaço da máquina pública, aumento nos impostos e mais atraso. Retira-se os recursos da sociedade para pagar esta conta e torna ainda mais difícil o mercado privado. Solução? Passar num concurso público. E alimenta-se o ciclo vicioso.

Longe de mim dizer que todos os funcionários públicos são ineficientes, nunca generalizo. Mas boa parte é, e qualquer um que já precisou de algum serviço público sabe disso. É só ver a felicidade quando se tem a sorte de ser atendido por um bom funcionário. Se todos estivessem ali para servir ninguém ficaria feliz por vê-lo cumprir sua obrigação.

Um país subdesenvolvido quando adota a solução de mais estado para os problemas de má gestão pública está no caminho conhecido para o fracasso. Todo o esforço do governo FHC de enxugar a máquina e diminuir o gasto público já foi perdido e o Brasil caminha para um estado cada vez mais pesado. Para sustentá-lo, os impostos. Onde isso vai parar?

O tempo dirá.

funcionário padrão