segunda-feira, outubro 01, 2007

O país dos funcionário públicos

Nosso guia falou hoje que choque de gestão não é demitir pessoas, mas contratá-las. Lembrou-me o início do seu governo quando um colega dentista falou que agora era hora de aproveitar porque iria chover concurso público. Aliás, foi bem claro ao justificar-se por seu voto na última eleição: Alckmin iria acabar com concursos.

Fica claro uma das razões para o atraso e o fracasso do Brasil como nação. Os estados que foram para frente basearam-se na força de suas sociedades para gerar riquezas e atingir padrões elevados de desenvolvimento. Muitos desses países adotaram posteriormente o estado do bem-estar social, mas quando já dispunham de recursos suficientes e, sobretudo, uma população educada e ativa para fiscalizar os desmandos de seus governantes. A palavra chave foi o empreendedorismo, a busca pelo sucesso individual.

No Brasil temos dois sonhos. O primeiro é ganhar da Mega-sena. As filas quilométricas a cada prêmio acumulado assim o demonstram. E ganhar para nunca mais precisar trabalhar, ou seja, já existe a cultura contra o trabalho.

O segundo é passar em um concurso público. Muitos poucos são motivados por ideais elevados, como servir à sociedade. A discurso é no sentido de conseguir a estabilidade econômica e uma boa aposentadoria. E como no primeiro sonho, parar de trabalhar. Existe o inconveniente de comparecer no emprego, mas nem tudo é perfeito. O negócio é se servir da sociedade.

Daí para a confusão do público com o privado é um passo. O resultado é a ineficiência, o inchaço da máquina pública, aumento nos impostos e mais atraso. Retira-se os recursos da sociedade para pagar esta conta e torna ainda mais difícil o mercado privado. Solução? Passar num concurso público. E alimenta-se o ciclo vicioso.

Longe de mim dizer que todos os funcionários públicos são ineficientes, nunca generalizo. Mas boa parte é, e qualquer um que já precisou de algum serviço público sabe disso. É só ver a felicidade quando se tem a sorte de ser atendido por um bom funcionário. Se todos estivessem ali para servir ninguém ficaria feliz por vê-lo cumprir sua obrigação.

Um país subdesenvolvido quando adota a solução de mais estado para os problemas de má gestão pública está no caminho conhecido para o fracasso. Todo o esforço do governo FHC de enxugar a máquina e diminuir o gasto público já foi perdido e o Brasil caminha para um estado cada vez mais pesado. Para sustentá-lo, os impostos. Onde isso vai parar?

O tempo dirá.

2 comentários:

Alexandra disse...

Longe de nós incentivarmos o empreendedorismo das pessoas... Os poucos que o são não podem dar vazão pois a dificuldade de se montar um negocio proprio e mantê-lo é bem grande, o acesso a credito ridiculo.

Os concursos engessam muito os órgãos do governo. Deve ser a maneira mais inficiente de se contratar alguem. Quando eu expliquei ao Alan como funcionava, ele respondeu "mas aí vc não está selecionando quem é melhor para aquele emprego." Elementar, meu caro Watson...

Anônimo disse...

Acredita-se que somos um povo que trabalha e trabalha muito. Pois bringamos muito para termos um lugar no espaço. Veja quanta gente acorda 5 da manhã para sentar num banco do trem que tem rumo para central do Brasil. Alguns poderam dizer: -Eu não corro para me sentar. Porém após 40 minutos em pé e num calor infernal seus conceitos iram mudando. Alguns pensariam em ter um carro, outros pensariam em correr e sentar e alguns pensariam como seria bom se houvesse um emprego perto de casa e que não exigisse tanto com um salario digno. A culpa não está nos preguiçosos, muito menos nas empresas privadas com seus salarios miseraveis. Ela está é na nossa condição de platéia que assiste isto tudo na televisão forma sua opinião e fica por iso mesmo.