sexta-feira, novembro 30, 2007

TV Lula vem aí

A tal TV pública nem estreou e já está mostrando que de pública não tem nada, é do governo mesmo. Esta semanas vários fatos sucederam-se em seqüência:
  1. Franklin Martins, revoltado com a pergunta de um jornalista, afirma que ninguém pode dar-lhe lição de democracia. E, logicamente, não responde à pergunta. Martins lutou para instalar uma ditadura comunista no Brasil, mas na versão dos perdedores, é um democrata.
  2. Duas diretoras da TVE pedem demissão ao verem a emissora invadida por um grupo grande de gente da nova TV. Logicamente sem concurso, e provavelmente com muito pouca qualificação. Em nota, a diretora executiva da TV pública(?), Beatriz Sussekind afirma que as duas foram demitidas. Era um recado para quem fica.
  3. Um jornalista e professor da UFF, Felipe Pena, debatedor do programa Espaço Público, no intervalo de um dos blocos do programa, é confrontado pela apresentadora, Lúcia Leme, que o pede para "maneirar" nas críticas ao governo porque a TV Pública "vem aí", e ela seria demitida.
  4. No primeiro dia de programa, uma ode a uma personalidade histórica. Don João VI? D Pedro II? Caxias? Jucelino? Nada disso. Trata-se de Che, o porco fedorento. Tudo em nome da tal pluralidade.
É tudo tão previsível que chega a ser tedioso. São os mesmos métodos que Stalin implantou na União Soviética. O clima na TVE é de terror, quem não se alinhar vai para a rua. É hora das oposições fazerem seu papel e denunciar. É hora do conselho curador começar a trabalhar.

Antes que seja tarde.

quinta-feira, novembro 29, 2007

Liberdade: uma visão clássica

Para se entender a liberdade, primeiro necessita-se compreender a vontade. A vontade é o querer com a razão. Normalmente se confunde com desejo, é muito além. Quando se vai fazer um concurso, uma pessoa decide que precisa estudar. Esta é a vontade baseada na razão, que lhe diz que é necessário o estudo para ter sucesso no concurso.

A liberdade se apóia, sobretudo, no exercício da razão. É uma das marcas que define uma pessoa, define sua atuação. Só se é humano sendo verdadeiramente livre.

A liberdade tem 4 planos que se sobrepõem, que se interlaçam.

Liberdade constitutiva

É a liberdade interior, a que existe no nível mais profundo do homem. É a que o faz ser dono de si mesmo, é interior a própria consciência. Nem um cativeiro pode suprimi-la: é a liberdade de sonhar, de desejar, de ter uma opinião, de imaginar. Para tirá-la é necessário destruir o homem. É por isso que a lavagem cerebral é destrutiva, quer se agir na liberdade interior do homem. Filmes como "Sob o domínio do mal" e "Laranja Mecânica" mostram a tentativa de retirar esta liberdade, e a principal conseqüência desta ação: a desumanização do homem.

Fica evidente também o mal de uma sociedade totalitária, que não quer apenas aprisionar o homem, quer eliminar a liberdade de pensamento do homem, sua liberdade interior; é antinatural e violento.

Liberdade de escolha

É o livre arbítrio. Refere-se a poder realizar uma escolha. É o contrário do que prega o determinismo, segundo o qual nossas escolhas são apenas aparentes. Uma série de fatores anteriores como a cultura e os valores impostos por uma sociedade já nos levam a uma decisão, ficamos apenas com a sensação de estar escolhendo.

O que existe, na verdade, é um conjunto de valores, que nos servem de base, mas não definem nossas decisões. Estas podem ser certas ou erradas, porque podemos escolher bem, melhorando nossa condição, ou mal, nos enganando sobre o que nos convém.

Liberdade moral

Quando utilizamos nossa liberdade de escolha, se realizamos um ato bom, este ato reforça a possibilidade de repeti-lo, é a virtude. Se por outro lado, escolhermos um ato ruim, reforçamos nossos vícios.

A virtude é o fortalecimento da vontade, e permite ao homem aspirar a bens árduos e distantes. A liberdade moral é um ganho de liberdade que permite ao homem realizar coisas que antes não podia, é a realização da liberdade fundamental ao longo do tempo. É o delineamento da própria vida. Viver é a capacidade de criar projetos e realizá-los. A liberdade moral é viver a própria vida, completar a própria biografia.

As metas mais elevadas para um homem consistem em seus ideais, a liberdade moral se relaciona com a liberdade que o homem tem de realizar esses ideais.

Liberdade Social

É a liberdade da pessoa realizar seus ideais dentro da sociedade. Por exemplo, para se adquirir uma moradia é necessário que na sociedade haja moradias disponíveis, e que esta moradia tenha um preço que se possa pagar. Para ter liberdade social é necessário, em primeiro lugar, que exista um ambiente onde se encoraje o exercício da iniciativa na equação dos próprios ideais.

Dentro deste contexto, surge a miséria. É a situação em que o homem fica preso a um mecanicismo em que não consegue fugir e, principalmente, crescer. Vai além da pobreza e, por isso, não pode ser vencida pela esmola.

A miséria é a forma mais grade de ausência de liberdade, porque reflete na ausência de bens necessários para a realização da vida humana na sociedade. A conquista das liberdades acontece paralela à libertação da miséria, liberdade significa, antes de tudo, educação. Proporcionar meios para que a pessoa possa guiar sua própria vida.

É preciso dar ao homem liberdade para que realize o melhor de si mesmo.

terça-feira, novembro 27, 2007

A ameaça nuclear

Estudando a história parece incrível que a Europa não imaginou, em 1914, que estivesse as vésperas de uma carnificina humana. Mas estava.

Estudando a história, parece incrível que o mundo não imaginou, em 1939, que se envolveria no maior conflito bélico da história. Mas se envolveu.

Os indícios estavam todos presentes, a conclusão parece óbvia hoje, décadas depois. Alguns homens perceberam, tentaram fazer o alerta, foram ignorados.

Não tenho explicação para o que aconteceu. Acredito que a humanidade fechou os olhos diante de uma realidade que não desejava encarar. Preferiu ignorar os alertas, chamar de loucos homens como Churchill, que já apontava para o desastre eminente. Mas existiu sim uma seqüência de fatos que apontavam para a destruição, bastava abrir os olhos para ver.

Quando explodiram as bombas nucleares, não foi mais possível esconder o pessimismo. A guerra terminara com uma realidade ainda mais assustadora, um país, os Estados Unidos, dispunham de uma arma de destruição nunca antes imaginada, um verdadeiro prenúncio de um apocalipse.
Logo a União Soviética tinha a sua, seguido da China.

Desta vez não houve espaço para dúvidas, o perigo era real. Soviéticos e americanos basearam sua defesa em um ponto em comum: se atacados, a reação seria devastadora. Era o que ficou conhecido como doutrina da Destruição Mútua Assegurada. Não havia como evitar um primeiro ataque, garantiam-se com a certeza do segundo.

Com a queda do muro de Berlim, e fim da União Soviética, o mundo suspirou aliviado. Acabara a ameaça. Os Estados Unidos já não tinham o gigante do leste como adversário, agora seriam aliados em uma nova realidade de um mundo globalizado.

Seria este o fim da ameaça? Alguns indícios parecem preocupantes.

A Índia e o Paquistão, inimigos históricos, possuem a bomba. Pior, são vizinhos, e o segundo encontra-se em convulsão social.

A Rússia começa a dar sinais de totalitarismo renascente. Putin está armando uma forma de se perpetuar no poder, agora como primeiro ministro, com um presidente fraco. Acreditar que o governo russo está satisfeito com um papel menor na política global é ir longe demais no otimismo.

A China sempre será uma incógnita. Apesar de um capitalismo controlado, em áreas específicas, ainda é um regime totalitário, e socialista. Um regime que aponta por uma busca do lugar hegemônico hoje ocupado pelos americanos.

Regimes delinqüentes estão avançando, o Coréia do Norte já possui um artefato. O Irã busca desenvolver sua tecnologia, até a Venezuela quer entrar no jogo. O que será do mundo quando os loucos possuírem tecnologia nuclear?

De que serve a doutrina da Destruição Mútua Assegurada para um fundamentalista? Para quem acredita no suicídio como forma de santa de guerrear?

Outro ponto importante, que pouco foi falado até aqui, é lembrado por Jeffrey Nyquist, um sociólogo americano, especialista em geopolítica. Com a proliferação das armas nucleares, como saber de onde partiu um ataque? Como saber se a Rússia ou a China, ou ambos, realizaram um ataque a Nova Iorque contando com a provável culpa dos fundamentalistas? Impossível? São nações pacíficas? Não existe isso no totalitarismo, terá a humanidade esquecido as lições de Hitler, Lênin e Stalin? Terão os milhões de cadáveres caídos no esquecimento da história?

O ocidente está hoje muito mais vulnerável do que durante a Guerra Fria. O inimigo é incerto, a ameaça difusa. O próprio americano não acredita na hipótese nuclear, em uma futura destruição.
Os indícios estão aí, e novamente vejo a humanidade fechando os olhos para uma ameaça real. Assustadoramente real.

Lições de Abismo

Arrumei os livros escolhidos, ajeitei as rosas na jarra, e pus em ordem o armário de roupas, sentindo nisso o prazer do solteirão que se instala e um pouco do viajante que inventaria seu beliche. E agora, correndo os olhos em volta, a verificar ainda se alguma coisa destoa, sentei-me na poltrona, para esperar com decência, com ordem, a visitante anunciada pelo Dr. Aquiles.


Gustavo Corção foi um pensador, católico, que muito escreveu sobre o homem, principalmente sobre sua moral. Cientista, perdeu e encontrou sua fé, conforme descreveu em seu livro A Descoberta do Outro. Por seu pensamento divergir frontalmente das esquerdas e do progressismo, foi sepultado pelos editores brasileiros. Sua obra só pode ser encontrada em sebos.

Foi assim que cheguei neste livro, seu único romance. Conta a estória de José Maria, um professor universitário, em seus 50 anos, abandonado pela esposa há mais de dez anos, sem contato com o filho há dois. Após uma visita ao médico, o Dr. Aquiles, descobre que está com leucemia e restam-lhe não mais do que 3 meses de vida.

Narrado na forma de um diário, a obra apresenta as reflexões do professor, sua busca por algo em que se apegar para o momento que se aproxima. Vive só, afastado de todos, tem apenas suas lembranças e seus pensamentos para fazer-lhe companhia. Pouco narra de sua doença e seus efeitos, o foco está na observação do mundo, nas descobertas, na filosofia.

O que é o homem? O que é a morte? Existe sentido para tudo isso? O que nos define? São perguntas que atravessam as páginas reflexivas de José Maria, que dá voz aos pensamentos de Corção sobre a metafísica. O professor é um cético, como o autor um dia foi, lembra Kierkegaard "quanto mais me demonstrarem a imortalidade da alma menos creio nela".

Muitos temas são atuais como nunca. Passeando por uma praça, o narrador se depara com um bêbado, que exclama:
__ O petróleo é nosso!
Assim narra José Maria mais adiante:
"Mal dei conta da tese nacionalista que o meu homem com tanto ardor sustentava. Já tenho observado que os bêbados são quase sempre nacionalistas. Não sei por quê."

Comenta sobre a hipocrisia de um vizinho, um ministro, ao receber caminhões de flores por seu aniversário.
"Mas se assim é, como se explica a satisfação do homem de Estado diante de tão feio espetáculo? Ele sabe, evidentemente, e até por experiência própria, que a bajulação é uma coisa feia, uma coisa abjeta. Melhor do que ninguém o homem de Estado conhece o exato valor da lisonja. Como se pode então compreender seu gordo sorriso satisfeito diante de tão repuguinante significação que as rosas escondem?"

Apresenta o coletivismo como um grande mal: "Ah! como eu o detesto, esse câncer que estrangula a humanidade! (...) é a teoria do ajuntamento sem unidade; é a tentativa de encontrar significado na multidão, já que não se consegue descobrir o significado de cada um; é a conspiração dos que se ignoram; a união dos que se isolam; a sociabilidade firmada nos mal-entendidos; o lugar geométrico dos equívocos".

Em outra passagem interessante refere-se ao universo como a construção de dois princípios. O primeiro, de ordem e economia, a busca pela solução ou o caminho mais fácil para os problemas. O outro, de natureza diversa, o da desordem, o da aventura. Não entender ou desprezar essa segunda, estaria na raiz do pensamento dos racionalistas, deterministas, essencialistas.

Para o racionalista, tudo se explicaria pela lei do menor esforço, da economia. "A imprensa, por exemplo, foi inventada para poupar esforço; o que só é verdade depois de reconhecer a extravagante loucura que leva o homem a ler, e sobretudo a escrever". Sobre o marxismo: "é uma grande aventura que tem por objetivo purgar a história do homem do espírito de aventura. Será a última aventura para acabar com a aventura, o último ímpeto de fervor para matar o fervor, o último esforço de heroísmo para liquidar o heroísmo".

Já no fim, em uma conversa com o médico comenta que "a psicanálise não serve para um moribundo, justamente porque o moribundo, mais do que ninguém, precisa saber um sentido absoluto na vida".

É uma conversa em que tratam da religiosidade, de Deus, e de verdades absolutas. Era a última conversa séria que José Maria teria com alguém, seriam essas suas últimas reflexões.

Corção escreveu um romance em que o homem se prepara para a morte inevitável, mas trata o tempo todo de seu oposto, a vida. Uma obra tocante, que faz pensar, escrita com poesia, com lirismo, que existe um leitor atento às várias nuances e metáforas. Um livro que merecia ser sempre re-editado e lido, para lembrar-nos que a morte está logo ali, e que estamos vivendo, construindo nossa própria estória.

segunda-feira, novembro 26, 2007

Surpresa?

Qual é surpresa com o desenrolar da brilhante idéia de colocar um ditador como mediador entre uma nação democrática e um grupo político-terrorista marxista? É cada uma...

Notas sobre o domingo

Se tem uma coisa que ninguém aguenta mais é o choro de Caio Jr a cada derrota do Palmeiras. Será que um dia ele vai dizer que seu time mereceu perder? A falta que reclama de Iarlei foi lá no início do lance, achei no mínimo discutível. Na minha concepção, não foi. Mas mesmo que tivesse sido, a defesa palmeirense rebateu a bola duas vezes, a jogada reiniciou, o zagueiro alviverde falhou clamorosamente, e a culpa é do juiz?

O gol foi realmente mal anulado, o bandeirinha errou. Mas não foi um desses erros clamorosos que se vê por aí, foi um de jogo. E a responsabilidade do lance era inteiramente do auxiliar, não entendo porque se coloca na conta de Tardelli. Não entendo também porque o Juca Kfouri está sempre embarcando nesses choros de Caio Jr. A verdade é que o Inter foi muito mais time que o verdão, o resto é choro de perdedor.

Sobre a Fonte Nova, não há muito a dizer, ou há, mas não por mim. Se existia um laudo técnico, condenando as condições de segurança do estádio, cabe agora ao Ministérios Público fazer a sua parte e processar, criminalmente é claro, os responsáveis pela liberação da Fonte Nova. Ferragem oxidada, aparente, é o suficiente para interditar qualquer estrutura de concreto armado. Por que não foi? Quem são os responsáveis?

Flamengo 2 X 0 Atlético-PR


Libertadores, novamente!

Depois de anos em campanhas pífias, finalmente o Flamengo conseguiu terminar um campeonato brasileiro de forma digna. Lutará na última rodada para definir sua colocação, entre segundo e terceiro; de qualquer forma, já está assegurada a vaga na Libertadores do ano que vem.

Depois de um primeiro tempo bem amarrado, com apenas uma grande chance, em cabeçada de Léo Medeiros, Renato Augusto abriu o placar logo aos 4 minutos, depois de bonita tabela com Souza. Como dizia os antigos, estufou a rede. A festa do Maracanã lotado ficou completa com o gol de Juan, aos 16.

Quando o telão anunciou o gol do Sport, que garantia a classificação antecipada, o foco deixou de ser o gramado, já não havia mais nada a ser decidido ali. Era aguardar o fim do jogo na Ilha do Retiro e comemorar, com direito a taça e tudo, um feito e tanto para quem chegou a ser penúltimo colocado do campeonato.

O importante agora é fugir da quarta colocação, que não garante a vaga direta para a fase de grupos da Libertadores. Para tanto, basta um empate no último jogo nos Aflitos.

Um final para lavar a alma rubro-negra.

domingo, novembro 25, 2007

Sem condições

Estou bebendo desde as 10:30... e o Flamengo ganhou a vaga da Libertadores... sem condições de escrever qualquer coisa... até amanhã!

Ohhh meu mengão... eu gosto de você... quero cantar ao mundo inteiro ... a alegria de ser rubro-negro...

sábado, novembro 24, 2007

Uma definição vagabunda

Se tem uma coisa que todo esquerdista tem horror é a tal da classe média. Não por acaso é a primeira a desaparecer em regimes socialistas. Vejam como Josias de Souza definiu o segmento:
Resta o brasileiro de classe média. Divido entre o desejo de viver como rico e o pavor de ganhar como pobre, é esse cidadão médio que mais torce o nariz para Lula.

É a falácia oriunda da visão dialética do conflito de classes do marxismo vagabundo. Afinal, existem os pobres e os ricos, a classe média é uma coisa esquisita que aparece no meio. Nem passa pela cabeça desse indivíduo que a classe média deseja apenas viver com dignidade, sem ser extorquida pelo poder público e ganhar um salário justo por seu trabalho. Quer oportunidade de crescimento, pagar um bom estudo para os filhos e um bom plano de saúde para não depender do circo de horrores oferecido pelo governo.

Ser rico é uma expressão da maldade, no mesmo texto fala que o " milionário não precisa do governo para desfrutar de sua pobreza de espírito". Isso quer dizer que a classe média tem um desejo pela maldade?

Josias de Souza deve estar pensando nos seus termos, imagino que seja um representante do segmento, ou um novo rico, pobre com certeza não é. Se é dessa forma como se vê, o problema é dele. Mas achar que todos temos os seus mesmos desejos, aí já vai uma distância gigantesca.

Um único senão

Ainda não consegui entender porque o procurador geral da república fez o correto no caixa dois mineiro, pedindo o indiciamento de Azeredo, por ser o principal beneficiário do esquema, e deixou de fora o beneficiário do esquema do mensalão. Ainda mais que o segundo caso foi muito além de um caixa 2 eleitoral, que é crime, ao realizar a compra de parte do congresso nacional. Ficou com medo?

A substituição do Walfrido por José Múcio mostra, mais uma vez, o tamanho da banana em que vivemos. O cara foi um dos participantes do esquema que comprou o PL como aliado do PT. Mas a nomeação não deixou de ser a cara do atual governo.

Novas aquisições

Duas coletâneas para minha coleção:


Photograph, The Very Best of Ringo
Ringo Starr(2007)
A mais nova compilação de sucessos do baterista dos Beatles. O encarte está bem detalhado, com as informações faixa a faixa

The Very Best of Roy Orbison
Roy Orbison (1996)

Coletânea com as principais re-gravações que o próprio Roy realizou em meados da década de 80.


sexta-feira, novembro 23, 2007

Na locadora

Um grande amigo, como fazia periodicamente, encontrava-se devolvendo filmes que alugara em uma locadora. Sempre se queixara que ônibus que pegava para retornar demorava muito. Mas naquele dia deu uma sorte danada, mal saiu da locadora e já vinha o transporte.

Correu até o ponto e conseguiu embarcar a tempo. Enquanto tomava fôlego, ainda sorridente, procurava nos bolsos dinheiro para pagar a passagem.
Foi quando seus dedos tocaram um objeto que causou-lhe surpresa. Era um molho de chaves. De carro.

Foi então que se lembrou: tinha vindo com o Opala de seu pai!

quinta-feira, novembro 22, 2007

Eutífron

Por Zeus, Eutífron, julgas saber com tanta precisão a opinião dos deuses a respeito do que é e não é piedoso, que não receies que, havendo as coisas sucedido como afirmas, possas cometer uma crueldade movendo esse processo contra teu pai?


Eutífron é um dos diálogos de Platão que retratam os últimos episódios de Sócrates. Nele, o filósofo encontra um adivinho, que dá nome ao diálogo, em seu caminho para o fórum para tomar ciência da acusação de Meleto que o levariam à morte. Fica sabendo que Eutífron estava movendo um processo contra o próprio pai, acusando-o de ter matado um servo, que por sua vez teria matado um homem.

Sócrates se espanta com a decisão do adivinho, e questiona-o sobre sua decisão. Cabe ressaltar aqui, que o pai de Eutífron não teria o matado dolosamente. O servo morreu por falta de cuidados enquanto estava acorrentado. O acusado teria se ausentado para descobrir o que deveria ser feito e por algum motivo se atrasara. O próprio Sócrates mostra que era um homem honesto, ao se referir a ele como o "homem probo".

Eutífron retruca que era uma questão de justiça, independente de quem seja o praticante do ato, dando início a um diálogo sobre o sentido de piedade.

É um embate em que Sócrates deseja uma resposta, mas nos seus termos. Não quer exemplos, ou uma parte do significado, mas quer que lhe explique a verdadeira essência da piedade.

Uma rápida busca pela internet mostra que existem várias interpretações para o diálogo, teses de mestrado e doutorado, enfim, muito estudo de gente muito mais capacitada do que eu. O que vai aqui é minha impressão pessoal, o que entendi do texto.

Inicialmente Eutífron afirma que a piedade é uma imposição da aplicação da justiça, "a piedade impõe o castigo do culpado, seja este pai, mão, ou outra pessoa qualquer; não agir assim é ímpio". A piedade seria o ato que estava praticando.

Essa resposta não satisfaz seu interlocutor, pois limita-se a declarar que está sendo praticado um ato piedoso ao acusar o próprio pai. Sócrates quer saber o "algo característico que faz com que todas as coisas ímpias sejam ímpias, e todas as coisas piedosos, piedosas".

Eutífron então responde que é piedoso tudo que é agradável aos deuses, e ímpio o que não é. O que leva a uma nova refutação de Sócrates através de um novo questionamento: se os deuses divergiam sobre os mais variados assuntos, então existiriam coisas que alguns consideravam agradáveis e outros não, ou seja, existiriam coisas que seriam piedosas e ao mesmo tempo não.

Não pude deixar de pensar no relativismo, na crença que não existem valores universais.

O adivinho apresenta uma revisão de sua definição, colocando como piedoso o que é aprovado por todos os deuses. Sócrates faz a grande pergunta do diálogo: "o que é piedoso tem a aprovação dos deuses pelo fato de ser piedoso, ou é piedoso por ter a aprovação dos deuses?"

Essa pergunta revela muito mais do que uma leitura inicial, na verdade é raiz para muitas coisas atuais, e o motivo do diálogo ser conhecido também como "da Religiosidade".

Eutífron coloca a piedade, e vale para muitas outras virtudes, como uma expressão da religião. Colocando nos dias atuais: é assim porque Deus assim o considera. Um ato é piedoso porque dessa forma é considerado por Deus, e não por ser piedoso em si.

Sócrates na verdade questiona o dogmatismo. Eutífron não consegue explicar a essência da piedade, e por não conseguir a coloca como uma expressão da divindade. O filósofo usa a lógica, a teoria da causa e efeito. Se alguma coisa é produzida é por que algo a produz, e não o contrário. Assim algo é amado por ser piedoso, e não piedoso por ser amado. Sócrates inverte o pensamento de Eutífron, tentando fazê-lo concluir que os deuses aprovam um ato pelo ato em si, por sua essência. O ato não é bom por ser amado, mas é amado justamente por ter sido bom."O que é amado pelos deuses é amado por isto mesmo, e não por ser amado é que ama".

A responsabilidade pelos atos estariam no próprio homem que o pratica, e assim seria considerado por Deus. Uma ato não é justo porque é expressão da vontade de Deus. Isso vai de encontro a todos os radicais que comentem os atos mais absurdos e o justificam como sendo estes agradáveis a Deus, e portanto, justificáveis.

O diálogo prossegue, Eutífron coloca a piedade como expressão da justiça. Sócrates novamente o questiona, seria a piedade parte da justiça ou a própria justiça? Haveriam atos justos que não seriam piedosos? Dessa forma o ato do adivinho, de acusar o próprio pai poderia ser justo, mas seria piedoso?

É um soco no legalismo. Muitos o confundem com legalidade. São coisas diferentes, o legalismo pressupõe que a norma legal seja perfeita, e portanto deva ser aplicada implacavelmente. É mais uma questão controversa, onde estaria o limite da legalidade e do legalismo? Uma pessoa que rouba um pedaço de pão deve responder da mesma forma que um que rouba milhões? Uma mãe que protege um filho, escondendo-o da lei por um crime que ele cometeu, deverá responder por este ato?

Em mais um esforço, Eutífron coloca a piedade como um ato de veneração aos deuses. Um novo questionamento: a piedade teria então alguma utilidade para os deuses, teriam eles eles alguma vantagem? Sócrates acrescenta ainda mais, questionando os sacrifícios e as oferendas. E se o homem os oferece é porque alguma utilidade tem para os deuses e, em troca, estes concederiam benefícios aos veneradores. O filósofo conclui: "a piedade não se resumiria numa técnica comercial que regulasse as trocas entre os deuses e os homens"?

Sócrates critica, muitos anos antes de surgir, a idéia da moral de utilidade. O homem agiria sempre para conseguir benefícios de Deus, e a piedade seria a expressão de sua veneração. Eutifron ainda argumenta que na verdade as oferendas e preces não teriam utilidade aos deuses, mas apenas lhe seriam agradáveis. O que leva Sócrates afirmar "que piedoso é aquilo que agrada aos deuses, e não o que é útil ou amado por eles". Eutífron acrescenta que o que lhes agrada também é o que mais amam, ou seja, "o piedoso é o que é amado pelos deuses".

Sócrates consegue que Eutífron volte para o mesmo ponto que havia refutado no início do diálogo, que a piedade seria uma expressão do que é amado pelos deuses. Dessa forma a idéia do adivinho seria instável, girando em círculos sobre o mesmo lugar.

Sócrates diz então: "se não distinguias com firmeza o que é piedoso do que não o é, não havia razão para acusar de homicídio seu velho pai". O filósofo o convida para continuar refletindo e buscando a resposta, até que tenha a firmeza necessária. Eutífron apresenta uma desculpa, falta de tempo, e se despede.

Nesse último ato, Platão mostra que as verdades devem ser buscadas em nós mesmos, em nosso íntimo, e que não é uma tarefa fácil; exige empenho, estudo, dedicação. Não conseguiremos nunca nos aproximar delas se fugirmos de nos indagar e tentar descobrir a sua essência. Devemos recusar o dogmatismo, o utilitarismo, o relativismo, e procurar nossas próprias respostas.

Não está certo

Esta semana está sendo difícil no Rio de Janeiro. Primeiro um turista italiano é morto atropelado por um ônibus ao ser empurrado por um marginal que o assaltava. Depois um policial do BOPE é executado depois de ter seu carro roubado. O mesmo aconteceu com um capitão do exército. E ainda mais dois PMs. Diogo Mainardi, como sempre, resumiu um diagnóstico muito apropriado: isto não está certo.

Por mais simplório que possa parecer, e mais óbvio também, estamos num país tão doente que isto não é uma unanimidade. Algumas semanas atrás, Luciano Huck ousou escrever um artigo retratando a sua frustração em ter sido roubado. Foi um caos, teve gente até defendendo que era uma troca justa: o ladrão ficara com seu relógio e ele com a vida.

Existe no imaginário da intelectualidade brasileira, e boa parte da mídia, a figura do bom ladrão, tão em voga no cinema brasileiro da década de 70. Acreditam que eles roubam por serem oprimidos, por passaram fome. Poucos tem a coragem de colocar a questão no divido ponto: transgredir as leis sociais é uma questão de escolha. Seja rico ou pobre. Ter desprezo a vida humana é questão moral, não de falta de oportunidade.

Reinaldo Azevedo tocou em outro ponto interessante. Cadê a nota da OAB/RJ questionando estes valentes? Cadê as ONGs aparando as famílias destes militares? Cadê o delegado da ONU, o mesmo que admitiu ter assistido o DVD pirada de Tropa de Elite, denunciando o desrespeito aos direitos humanos? Mas policiais atirando em bandidos armados é violência, bandidos executando militares desarmados não. O que esperar de um país que tem o presidente que temos?

O capitão, Wander Cerqueira de Souza, era um colega e amigo; fica a angústia e a tristeza de vê-lo sem vida por causa da violência urbana.

Isso não está certo.

quarta-feira, novembro 21, 2007

Aniversário na escola

Fazer aniversário perto do natal tem várias desvantagens. Uma delas é ter a maioria dos colegas viajando de férias. Lá em casa minha esposa passou por isso, e a Lorena está descobrindo agora; ambas fazem aniversário nesta época. Para minimizar a situação, quase um mês antes, a Lory comemorou seu aniversário de 4 anos na escola. Infelizmente não pude ir, estava em um congresso aqui no Rio, mas Eliene e Luan estiveram com minha princesa.

Meus tesouros



Meus herdeiros





Felicidades minha princesa!

segunda-feira, novembro 19, 2007

Redentor

Um grande desperdício

O primeiro problema de Redentor é definir que tipo de filme ele é. Uma comédia? Drama? Crítica social? Aparentemente é uma mistura de tudo, com resultado que simplesmente não convence.

Como comédia é um fracasso. Possui uma ou outra cena que arranca um sorriso e mais nada. A presença da dupla Pedro Cardoso e Miguel Falabella parecia apontar nessa direção, mas nenhuma situação potencial se desenvolve nesse sentido.

Como drama um outro problema. A duração do filme. Com vários personagens secundários, alguns interessantes, o filme é muito curto para desenvolvê-los. Até o personagem de Falabella (Otávio Saboya), um dos protagonista é mostrado com um grau mínimo de profundidade.Personagens aparecem e desaparecem da tela sem dizer a que veio e para onde vão. Apenas Célio (Cardoso) apresenta alguma coisa de substância.

Crítica social? O problema aqui é que todos os personagens são completamente caricaturais, o banqueiro boliviano, o advogado desonesto, o chefe de redação irritado, o ministro, o líder do presídio flamenguista, o fotógrafo socialista, a mãe pobre. Não sobra nada. Para piorar a verossimilhança foi jogada às favas.

Ou querem que acreditemos que um pai de família compra um apartamento numa fronteira imobiliária para atender o capricho de um filho de 5 anos? E ainda se sente culpado! Que um corrupto empresário coloca toda sua fortuna nas mãos de um jornalista, e um que o odeia. Que para atender o pedido da esposa um ministro coloca todo seu dinheiro em um empreendimento fajuto. Que Célio entre em desespero e sofra mais pela morte de um preso que acabou de conhecer do que pela de seu próprio pai.

Na verdade o que resta é proselitismo vagabundo, da pior espécie. Todos os personagens com algum dinheiro são corruptos ou amorais. E todos os pobres, sem excessão, são a expressão da bondade, até mesmo os que estão cumprindo pena.

A mão de Célio ao dar a notícia da morte do pai afirma veemente: "a polícia matou seu pai". Na verdade ele teve um ataque cardíaco quando a polícia desalojava os habitantes ilegais do condomínio Paraíso. A propriedade privada é vista como o grande mal, a "entrevista" de Célio com morador do 808 é prova. O discurso pelo direito de quem pagou morar no apartamento é visto como o de um histérico, de um insensível. Já o do invasor é mostrado com simpatia, como um direito.

A redenção mística é ainda pior. Deus não pede que Célio faça Otávio se arrepender do que fez. Quer que o empresário, de espontânea vontade, doe todo seu dinheiro aos pobres. O arrependimento é colocado em último plano, tanto que só vem no último minuto, mas não é sincero, é o desespero de um homem que vai ser jogado do alto de um edifício. Não existe conversão ou reforma íntima para Otávio. Nem doação espontânea. Pedro se limita a seqüestrar e roubar o colega de infância. E pior que no fim a imagem que fica é que Deus queria exatamente isso. Ou seja, que o roubo, nessas circunstâncias, é justificado.

É a grande mensagem que fica nas entrelinhas. Se a causa for considerada justa, não existe lei, pode tudo para conseguir o que se deseja. O que fica é a sensação de que mais uma vez Deus foi usado para justificar a violência dos oprimidos.

Para fechar com chave de ouro, a cena simplesmente ridícula de Otávio Saboya na prisão, na mesma cela que Célio tinha sido preso. Um filme para esquecer. Nota 3.

domingo, novembro 18, 2007

Judô: quase que deu

Foi por muito pouco que o Brasil não levou a taça do mundo de judô por equipes em torneio disputado na China. Depois de passar pela Rússia e pelos donos da casa, enfrentamos o Japão na decisão do ouro. Infelizmente estávamos sem João Derly, Tiago Camilo e Flávio Canto, desfalques consideráveis para qualquer equipe. Ainda mais que nestas categorias, os judocas que se apresentaram estavam em nível bem abaixo dos japoneses.

A grande surpresa foi Hugo Pessanha, que não conhecia. Venceu o campeão mundial de 2005, Hiroshi Izumo, com um bonito vazari. Antes Pedro Guedes havia conquistado uma vitória também inesperada. Luciano Corrêam lutou como campeão mundial, vencendo sua luta por ippon.

Com o placar em 3 X 3, João Gabriel precisava da vitória, e quase conseguiu. Faltando 30 segundos o koka que daria o título ao Brasil ficou por muito pouco. A luta terminou empatada e o Japão conquistou o título no critério de desempate.

Considerando os desfalques, perder o título lutando de igual para igual com a fortíssima equipe japonesa, o Brasil foi muito bem. Estamos em boa rota para o jogos olímpicos; torço para apenas para que as contusões não nos atrapalhe.

Expurgo do IPEA

O expurgo do IPEA é muito mais grave e emblemático do que a maioria pensa. Em seu grande livro, A Revolução dos Bichos, Orwel narra que os animais da fazenda começaram a achar que estavam comendo menos do que no tempo do domínio dos homens. Foi então que Chalaça, o porco responsável pela proganda da revolução, trouxe uma série de gráficos e estatísticas mostrando que era o contrário: comiam mais ração do que antes.

Orwel criticava a propaganda oficial do regime soviético que produzia dados mentirosos para manter o controle da população. Observem qualquer dado oficial sobre Cuba: o regime caribenho é um sucesso completo. Regimes socialistas abominam a verdade sobre si mesmos, repetem mentiras sem o menor pudor.

O petismo não instalou uma república socialista no Brasil porque não pode. Mas não passa um dia sem avançar um pouquinho nesta linha, testando as reações, extendendo o limite do possível. Foi o que aconteceu no IPEA: o expurgo de 4 economistas não alinhados com o governo.

Por que a presença desses economistas tornou-se indesejada no instituto? O IPEA sempre se caracterizou por estudos sérios, estatisticamente bem fundamentados, produzindo panoramas e projeções econômicas para o Brasil. Seu trabalho sempre foi independente do governo da ocasião, e isto, no petismo, é intolerável.

A re-eleição de Lula, principalmente depois de todos os escândalos de corrupção de seu governo, revelou-se um verdadeiro cheque em branco. Se o eleitor aceitou tudo aquilo, não há nada que não posso aceitar. O governo é mais forte hoje do que no início do primeiro mandato. Daí a prepotência cada vez maior de seu chefe e a virulência com que seu governo atropela, uma a uma, as instiuições da república.

Os novos 4 economistas nomeados para o IPEA mostram a intenção do governo. São todos da denominada linha "desenvolventista", a que acredita que o importante é o crescimento econômico, mesmo se resultar no desequilíbrio das contas públicas, e na inflação.

Não é por acaso que o gasto público sobe a taxas três vezes maiores do que a arrecadação; a ordem do governo é ampliar cada vez mais, aumentando ao máximo o estatismo.

Giambiaggi, um dos economistas expurgados, apontou em livro recente as razões do atraso brasileiro. O principal vilão é o estado, que consome grande parte das riquezas do país, e sufoca a iniciativa privada, essa sim capaz de produzir geração de riquezas que tanto se precisa. Por suas idéias agora está fora.

É como muita tristeza que vejo esta caminhada rumo ao abismo inevitável; é uma política que sempre levou à ruína econômica. Quando o petismo deixar o poder, terá produzido a verdadeira herança maldita dessa nação. Minha geração e as futuras terão que lidar com essa herança, nosso futuro estará comprometido por tudo que está sendo feito hoje, com aplausos boa parte da intelectualidade brasileira, é bom que se diga.

A cada dia estou mais pessimista. É um pesadelo contínuo, que parece nunca chegar perto do fim. Toda euforia que senti nos anos de 94 a 96, com a constatação que pela primeira vez estávamos no rumo certo, acabou-se. Resta apenas a desilusão de ver meu país cada vez mais dominado por uma quadrilha, assaltando os cofres públicos à luz do dia, e jogando às favas o nosso futuro.

Fotos do casamento

O casamento foi muito bom, nos divertimos bastante. Deu para quebrar a rotina dessa reta final de dissertação de mestrado.


Com os noivos



Com minha metade

sexta-feira, novembro 16, 2007

Casamentos

Estou indo para um casamento agora. Adoro casamentos, acho a alegria dos noivos e suas famílias contagiantes. São duas estórias que se cruzam, agora diante da sociedade, dos parentes, e, normalmente, de Deus.


Sei que muita gente não acredita no casamento, acha apenas uma formalidade. Eu não. Acho um momento especial, revestido de uma importância muito grande, o marco inicial de uma família. Não importa se já existam filhos antes da data, o meu caso foi assim, mas o casamento é o início efetivo da família. Quem vive esse acontecimento, com intensidade que a data merece, sabe do que estou falando.


O casamento é uma instituição muito atacada nos dias de hoje, visto até como uma imposição religiosa. Não é. É a decisão de duas pessoas de compartilharem uma vida, dividirem alegrias e tristezas, se doarem umas as outras. É a base com que se constrói a família, o núcleo fundamental da sociedade.

Sim, o casamento é um papel, uma convenção; tudo isso pode acontecer sem a cerimônia. O acontecimento em si não é o que importa, mas a sua representação para aquelas duas pessoas. É uma data única, que não volta atrás, que fica para sempre na lembrança.

Associam o casamento com o fim do romance, com o tédio. Estou casado há 7 anos. Sou mais feliz hoje do que no dia em que subi o altar, mais completo, mais realizado. Seria também sem a cerimônia? Com certeza. Mas seria uma lembrança a menos, e que lembrança!

O casamento não deveria ser um decisão impensada, um rompante, uma aposta no escuro. O divórcio fast-food contribui para banalizá-lo. Casa-se e descasa-se em um único dia. Não acho que a humanidade é melhor por causa disso, na maioria dos casos só revela a falta de valores de um mundo perdido. Um mundo que não sabe para onde caminhar.

Já fui em casamento que durou um mês. Mas já fui nos que duram até hoje. E todos eles tiveram algum significado; todos remetem ao meu. E só por isso já fico feliz ao ver os noivos, ao ver as famílias, os amigos. Obrigado por me lembrarem do meu. Só isso já vale a noite!


Flamengo e Sport: por uma solução de bom senso

Esta polêmica entre Sport e Flamengo já se arrastou demais. Está na hora de dar uma solução definitiva, e de bom senso.

É direito do Sport pedir o título? Claro que é. A CBF é quem reconhece o título brasileiro e ela, de fato, provocou o ridículo cruzamento entre módulos amarelos e verde em 1987. O argumento que não era justo tirar o módulo amarelo da disputa do campeonato não procede. Em 1987 simplesmente não iria ter campeonato brasileiro, a CBF tinha reconhecido de público que não tinha condições de custear a disputa. Daí a solução do clube dos 13.

A insistência e até virulência com que os dirigentes do Sport rechaçam qualquer tentativa de divisão de título só mostra uma coisa: que de fato o Sport não foi o campeão. Pode ser por direito, mas se fosse de fato não precisaria estar agora gritando tanto e mostrando decisões judiciais.

A decisão atual também não é boa para o Sport. Explico: tirando talvez, os jornais recifenses, a grande maioria da imprensa nacional coloca como campeão o Flamengo com um asterisco. O asterisco vem com a explicação "A CBF considera o Sport campeão...". Ou seja, o Sport não figura no quadro de campeões, entra como um asterisco, no fim da página.

Não basta passar a vida bradando que é campeão, título reconhecido apenas por seus torcedores. É preciso ter reconhecimento nacional, e isso não tem. Talvez imagine que, quando toda a geração que viu o que aconteceu em 1987 desaparecer, possa virar campeão de fato. Acho a hipótese, no mínimo, arriscada.

Quanto foi, no campeonato, Sport x Vasco? Sport x São Paulo? Cruzeiro? Santos? Corinthians? Grêmio? Internacional? Fluminense? Não houve. Pode um time ser campeão brasileiro sem jogar nem uma vez com estes times? Por isso a necessidade de decisão judicial, de ficar bradando que o título é seu. Quem tem não precisa ficar mostrando para todo mundo.

Os dirigentes do Sport precisam entender que a solução de bom senso só pode ser uma: dividir o título. Longe de diminuir o clube, o tiraria do asterisco, do fundo de tabela, da alcunha de "campeão da CBF". Seu título deixaria de ser colocado em segundo plano pela imprensa esportiva, e até pelos torcedores dos outros clubes.

Aí sim poderia ser considerado campeão de fato e de direito. Por que de fato, o Flamengo é. Disputou um campeonato considerado nacionalmente como o campeonato brasileiro, e venceu depois de uma semi-final espetacular contra o grande time do ano: o Galo.

Negar isso é querer viver na irrelevância. Como vive o título do Sport.

quinta-feira, novembro 15, 2007

República?

O "moderado"

A maior parte da mídia brasileira, junto com os analistas americanos, consideram Lula um contraponto à Hugo Chávez. Outro dia, até Merval Pereira, que escreve bons artigos de opinião, classificou nosso presidente como "esquerda moderada". Volta e meia surgem pequenas notícias que dão conta que Lula estaria "irritado" com as diabrices do venezuelano.

Lula só não faz no Brasil o que Chávez está fazendo na Venezuela porque não pode. Simples assim. Até porque o Brasil é o país mais importante no mundo a afiançar o que acontece na Venezuela. Está claro nas palavras ditas ontem:

"Podem criticar o Chávez por qualquer outra coisa. Inventam uma coisa para criticar. Agora, por falta de democracia na Venezuela, não é."

Querem mais?

"O que não falta no país é discussão. Democracia é assim: a gente submete aquilo que acredita, o povo decide e a gente acata o resultado. Se não, não é democracia".

É a velha tese totalitária de que a democracia permite tudo. O nazismo e o fascismo foram amplamente populares em sues países enquanto duraram, isso os justifica? Se a maioria de um povo decidir exterminar uma minoria, pode? Se fizesse uma consulta popular sobre o destino de Renan Calheiros e a ampla maioria decidisse pela forca, tudo bem?

A esquerda, quando lhe é interessante, sempre defende a consulta popular, como se o Congresso não fosse uma expressão legítima para expressão da população. O brasileiro seguramente não é, por fatores culturais e, principalmente, por nossa forma eleitoral esdrúxula. Mas a solução não é eliminá-lo. Ruim com ele, pior sem.

O discurso de Lula II justifica uma ditadura. Não custa lembrar que Saddam Hussein era constantemente eleito por 100% dos votos. Era um exemplo de democracia o Iraque, não?

Esse é o presidente que disse há alguns anos que na Venezuela existe "democracia até demais". A imprensa preferiu dar a esta frase uma conotação de mais um ato falho, uma frase dita sem pensar. Pois está aí no discurso de ontem. Só falta lamentar que no Brasil exista menos democracia que na Venezuela.

Novamente defendeu o direito de Chávez perpetuar no poder, comparando-o com Thatcher, Mitterrand, Kohl. Todos, é claro, chefes de governo, não de estado. Um primeiro-ministro é eleito sem mandato fixo. Pode durar alguns meses, como já duraram, ou muitos anos. Tudo depende do seu desempenho, enquanto contar com a confiança do parlamento, que É expressão da vontade popular, permanece. No dia que perder, cai. Se fosse primeiro-ministro, Lula teria caído no mensalão. Teríamos tido novas eleições e um novo Congresso, menos petista.

Lula na verdade não defende só Chávez, defende também seu próprio direito de se perpetuar no poder. Como? Com uma mudança na constituição, via parlamento ou plebiscito. Por que não o faz? Porque não pode, ainda. Tudo que saiu até agora sobre o terceiro mandato é balão de ensaio, para ver a aceitação. Por enquanto os petistas percebem que não há condições políticas, a negociação da CPMF mostra o que seria no congresso a negociação por um terceiro mandato, e o preço que corresponderia.

Não, Lula não é um esquerdista "moderado". É um dos membros fundadores e atuantes do Foro de São Paulo, o que nunca negou. O objetivo é transformar a América Latina em um continente socialista, o lixo que a Europa rejeitou, finalmente, em 1989. Cada governo socialista avança, na velocidade que lhe é permitida, para alcançar este objetivo. Mas avançam.

segunda-feira, novembro 12, 2007

A Casa Verde

O peruano Mario Vargas Llosa nasceu em Arequipa, em 1936. É um dos maiores autores modernos da língua espanhola e publicou A Casa Verde em 1966, fazendo um retrato da sua terra natal.

Para entender a beleza e importância da obra de Llosa é preciso compreender que Peru não é um país coeso. É dividido pela Cordilheira dos Andes e possui várias paisagens naturais distintas, destacando-se a selva amazônica em sua parte oriental e o deserto na ocidental. A cordilheira divide e mantém separadas estas paisagens.

E é sua fascinação por estas duas áreas, e as culturas que lá se desenvolveram, que retratou nesse livro. É um obra que mostra a dicotomia entre um Peru urbano, com os problemas do subdesenvolvimento da região, e a selva, que encontra-se em outra época histórica, uma espécie de idade média.

Llosa recorre a vários estilos narrativos diferentes para mostrar sua visão, alguns absolutamente inovadores. O que mais me impressionou foi a capacidade de narrar fatos e diálogos, em um único parágrafo ao longo de várias páginas, com discursos diretos e dar elementos ao leitor para entender quem estava falando e com quem. E mais, quem estava pensando o que.

Não é um texto para qualquer um. Necessita atenção, conhecimento da língua, entendimento. Algumas narrativas são mais áridas, o que o autor compensa com a constante alternância de estilo e, também, variações no tempo e no espaço.

Em uma mesma narrativa, Llosa apresenta personagens dialogando em épocas e lugares totalmente diferentes, por vezes desconhecidos. Alguns personagens estão nas duas narrativas que se fundem, outros não. E é possível entender e imaginar os dois acontecimentos, mostrando a genialidade do autor.

Os personagens são fascinantes. Llosa estava influenciado pelo existencialismo de Sartre, e o mundo era um constante suplício para o homem. Não há solução para eles, apenas sobrevivem às situações que ocorrem, procurando no meio da falta de perspectiva uma razão para continuar vivendo.

Fúshia é um anti-herói como nunca se viu, sem escrúpulos e ao mesmo tempo muito humano, é uma contradição permanente. Nada sai como planejou em seu sonho de ficar rico e sua ambição o leva para um lento e doloroso fim.

Lituma é mostrado como um nobre na selva, em sua função de sargento da guarda civil. De volta a Piura parece que encarna uma personalidade totalmente distinta, o que também acaba por levar sua vida, que parecia se encaminhar para uma melhor sorte, para um desfecho melancólico.

Bonifácia é outro personagem que faz a ligação da cidade com a selva. Passa de noviça para esposa e por fim para prostituta. Niéves é um prático de bom coração e ao mesmo tempo um bandido.

Contradição é pouco para o mundo de Llosa. O que dizer do dono de um prostíbulo que se apaixona por uma jovem que não possui olhos e nem pode falar? Ou de madres que tomam índias a força para educá-las dentro da fé cristã e acabam sendo fornecedoras de empregadas domésticas?

É um panorama cru da sociedade peruana, suas instituições, seu povo. Um povo que consegue ser alegre no meio da tristeza e do abandono. Um retrato magnífico de uma civilização marcada por amplas dicotomias e diferenças. Um livro para ser lido e relido, com calma e, sobretudo, com paixão.

Flamengo 1 x 0 Santos

Libertadores chegando


O Flamengo venceu o adversário mais qualificado que tinha pela frente nesta reta final de campeonato. Graças a um gol salvador de Souza, depois de bonita tabela de cabeça, o rubro-negro passou pelo Santos em um Maracanã abarrotado. E eu estava lá!

Com 58 pontos o time voltou para a terceira posição, 1 ponto atrás do próprio peixe. A classificação para Libertadores provavelmente sai com uma vitória, mas até o vice-campeonato é possível.

A preocupação agora é a punição que o clube sofreu na justiça desportiva; terá de jogar seu último jogo em casa, contra o Atlético-PR, de portões fechados. Ainda é possível reverter a decisão, a torcida merece ir ao estádio. No fato que gerou a punição, a própria torcida identificou e entregou para a polícia o torcedor que jogou uma lata no campo. O ato, a partir daí, foi individualizado, deixando de ser uma prática coletiva.

Avante, mengão!

sábado, novembro 10, 2007

Para ficar na história

Impagável a atitude do rei da Espanha de mandar o bufão Hugo Chávez, atual heróis de boa parte dos universitários brasileiros, calar a boca em encontro íbero-americano no Chile. E ainda abandonou a reunião em protesto contra as críticas do venezuelano ao ex-primeiro-ministro espanhol, José María Aznar.

José Luis Rodríguez-Zapatero, atual primeiro-ministro, ainda engrossou mais ainda. Embora seja adversário político de Aznar, lembrou que estava na reunião como representante de seu povo, assim como seu antecessor. A democracia permite o contraditório, a discordância, mas sem a falta de respeito.

O mais curioso foi Chávez balbuciando que tinha direito de livre opinar. Esse é um direito que existe na democracia, e dentro de limites de civilidade. Tudo que não existe no estado socialista que está implantando eu seu país. Os estudantes venezuelanos estão experimentando o "direito de opinar".

A história do socialismo mostra que toda nação socialista construiu-se a base de um discurso democrático, mas esmagando-a. Em nome da liberdade, se elimina a liberdade. Democracia e socialismo não convivem, são incompatíveis.

Por isso é curioso ver criador do tal socialismo do século XXI, que de novo não tem nada, defender seu direito de falar livremente. Justamente o direito que está removendo de seu povo. É a história dando mais uma volta e saindo no mesmo lugar. Lamentável.

Última reunião da turma do mestrado


Nossas super-poderosas



poderosos?



Já fica as saudades...



Lembranças sendo construídas.


Provavelmente foi a última reunião de nossa turma de mestrado. Estamos chegando ao fim do curso, algumas defesas já estão marcadas, algumas dissertações estão prontas ou nos finalmentes. É um período que termina para todos nós.

Dois anos se passaram desde o dia, em que nos reunimos em uma sala de aula, éramos então mais de vinte, e nos vimos pela primeira vez. Naquela ocasião éramos praticamente estranhos uns aos outros. Nos apresentamos, dissemos nossas origens e nossas expectativas. Diferentes formações profissionais, diferentes estados, e, sobretudo, diferentes personalidades.

Logo nosso grupo se reduziu aos 13 que efetivamente chegam agora ao final. Aprendemos muito, academicamente também, mas acho que a vivência foi nossa maior aprendizagem. Tivemos nossas alegrias, nossos pequenos atritos, nossas conquistas.

Todo grupo humano é uma experiência fascinante. É natural que no início sejamos todos simpáticos uns aos outros. Com o tempo percebemos que temos mais afinidades com uns, menos com outros, muitas vezes de forma improvável. Descobrimos que nossos prejulgamentos por vezes são corretos, outras totalmente incorretos. É da vida, assim vamos evoluindo.

Ano que vem retornaremos nossas caminhadas pessoais. Algumas ligações foram feitas dentro do grupo, algumas sólidas amizades, mas o grupo como um todo ficará como uma passado a ser sempre lembrado. Toda convivência deixa marcas, não somos mais os mesmos que começamos, mas também não somos outras pessoas; apenas diferentes, amadurecidos.

Que não esqueçamos as importantes lições que tivemos, de nossos mestres, e de nós mesmos. Que tenhamos força de vontade de seguir nossas consciências, nem sempre é fácil. E, finalmente, que sejamos felizes!

quarta-feira, novembro 07, 2007

Existencialismo

Origem

Para entender o existencialismo, é preciso retornar ao seu momento histórico. Particularmente aos efeitos das duas guerras mundiais.

Até o advento da I Guerra Mundial, a filosofia vivia um momento de otimismo. O humanismo da idade moderna apontava o homem como um forte, capaz de resolver todos os seus problemas. Era a época do positivismo, do marxismo e do idealismo de Hegel.

A carnificina da guerra das trincheiras causou um primeiro abalo ao homem contemporâneo. Mas foi a experiência das duas bombas nucleares que marcariam a filosofia do pós-guerra.

Pela primeira vez se tinha noção que uma guerra nuclear poderia acabar com a humanidade, dar um fim à existência, o que refletiu no pensamento de dois importantes pensadores existencialistas: Heiddeger e Sartre.

Inverteu-se o pensamento de Aristóteles. Primeiro o homem existe, depois se define. A existência vem na frente da essência. O homem é um ser finito, e desta forma é lançado ao mundo; está sujeito à angústia deste mundo e não consegue uma solução para sua existência.

Tudo que o homem fizer, de bom e mal acaba com a morte. O homem será o que decidir ser.

Heidegger (1889-1976)

A raiz do pensamento de Heidegger está na fenomenologia; só é possível entender o homem por sua manifestação.

Em sua obra "O ser e o tempo", lança a idéia do "dasein", traduzido para "ser-aí". O homem é um ser contínuo, ele está existindo, vivendo, construindo. É um projeto que se constrói continuamente, até que encontra o nada, a morte.

Tudo que não pertence a sua existência é um utensílio, que ajuda ou prejudica o seu projeto, o que decidiu ser. A existência das coisas passa a depender da utilização que pode dar a elas, tudo gira em torno de sua existência.

A única realidade que não escolhe é a morte, é inevitável e não sabe quando e como acontecerá. A excessão é o suicídio, uma demonstração de liberdade diante do nada. O homem escolhendo como e quando morrer.

A consciência que a morte chegará e com ela o fim de sua existência, o ser diante do nada, é fonte sua angústia. O homem contemporâneo é um angustiado.

O próprio Heidegger sempre negou o rótulo de existencialista, se dizia fenomenologista, mas acreditava que o dasein poderia organizar o mundo, o que seria uma solução.

Sartre(1905-1980)

Sarte levou o pensamento de Heidegger adiante, e não teve medo de se assumir como existencialista.

O homem é um projeto frustrado, que nunca consegue ser o que pretende. Entretanto, pode mudar constantemente seu projeto, e por isso é livre. O homem é demiurgo de si mesmo.

Lançou a idéia de náusea, que era provocada pelo sentimento que invade o homem ao ver a contingência essencial e absurda do mundo real. Existe uma constante vontade de colocar algo para fora, e este algo é a liberdade. O homem é prisioneiro de sua própria liberdade, e quer se libertar dela. "O homem está condenado a ser livre".

O "outro" surge como uma manifestação de que o ser não é sempre o agente, é um limitador, que tira sua liberdade pois o julga, opina, corrige. "O inferno são os outros".

Conclusão

O existencialismo coloca o homem diante de si mesmo. A vida é um castigo e saber que sua existência termina com a morte, que é seu fim, acaba com qualquer tentativa de achar um sentido para a vida.

terça-feira, novembro 06, 2007

Armas de Chávez? Culpem os EUA!

Em editorial hoje, a Folha aponta o grande responsável pela corrida armamentista venezuelana: os EUA! Seria alguma ameaça americana de invasão? Nada dissso; Washington é culpada por armar a Venezuela por... se recusar a vender armas para a Venezuela! É ou não é uma tese e tanto? O que fica parecendo é que Hugo Chávez estava quieto, na dele, vivendo pacificamente. Um belo dia, Bush acordou de mal humor e proibiu que empresas americanas vendessem armas para o país latino do petróleo. Pronto. Que mais o ditador poderia fazer do que comprar armas russas em represária?

Como sempre os americanos são responsáveis por tudo que acontece abaixo do Equador. São as veias abertas descritas por Eduardo Galeano. Se os americanos se recusam a comercializar, torna-se bloqueio e é mal. A pobre Cuba só não deu sorte porque a intolerância americana não deixou. Pouco importa se tem relações regulares com a maior parte do mundo, é a má-vontade norte-americana a responsável pela miséria da ilha. Por outro lado, se os americanos comercializam... aí é imperialismo, é exploração.

Imagino se os americanos estivessem vendendo armas diretamente a Chávez, o que estaria sendo dito. Posso até ver as manchetes: EUA alimentam a corrida armamentista na América Latina. Como não estão vendendo, por incrível que pareça, a manchete é quase a mesma.

O Editorial é lamentável sobre todos os aspectos. Coloca que Washington contribuiu para fornecer um pretexto ideal para Chávez realizar suas aventuras. Como se o caudilho venezuelano precisasse de pretexto para fazer qualquer coisa.

É a mediocridade de qualquer debate no Brasil. Aconteceu alguma coisa de ruim, ou é culpa do FHC ou dos Estados Unidos; de preferência dos dois juntos. Mas reconhecer que a maioria dos nossos problemas tem sua origem em nós mesmos... aí já é demais!

segunda-feira, novembro 05, 2007

Gustavo Corção: A Vontade

Vivemos numa época de ímpetos. A Vontade, divinizada, afirma sua preponderância, para desencadear ou encadear; o delírio fascista ou o torpor marxista são expressões pouco diferentes do mesmo império da vontade. À realidade substituiu-se o dinamismo; à inteligência substiuiu-se o gesto e o grito; e na mesma linha desse dinamismo estão os amadores de imprecações e os amadores de mordaças (...)

O autor deste pensamento é Gustavo Corção. Ele é muito pouco conhecido pelas gerações novas, eu mesmo só fui ouvir falar dele este ano. Era um pensador brasileiro, cientista, que depois de muitos anos enfurnado em laboratórios, entendeu que a vida era mais do que a ciência. Tinha perdido a sua fé católica recuperou-a, e na contra-mão do pensamento de sua época fez uma firme defesa dos valores religiosos e da lógica. Talvez por isso tenha sido colocado de lado pelos nossos intelectuais; era considerado um reacionário.

Seus livros só podem ser encontrados em sebos, estou com um na fila para ler. O pensamento que destaquei neste post retirei de um livro de português; achei-o interessantíssimo. Primeiro pelo uso da língua portuguesa: impecável; depois pelo pensamento claro de Corção.

Se já era realidade em sua época que existia uma ditadura da vontade, hoje a situação é bem mais grave. É só ver os livros de auto-ajuda, os congressos de motivação, as teorias esportivas. Tudo gira em torno da vontade, o que muitas vezes esmaga, como destacou o pensador, a realidade e a inteligência.

O homem moderno considera que tudo é uma questão de vontade, e da força com que se coloca em função dessa vontade. A reflexão, o ato de pensar, o uso da inteligência, ficam de lado, até mesmo o talento. Fico abismado a cada vitória de um time de futebol, os técnicos e jogadores saem do campo exaltando a vontade do time. A competência, a criatividade, um ato isolado de extrema categoria ficam esquecidos, o que vale é o espírito de competição.

O sábio é cada vez mais visto como um ser excêntrico, que não se relaciona com o real. O que causa admiração é o empreendedor, o que luta por suas convicções, sejam elas moralmente aceitáveis ou não. Elogia-se sempre o espírito de luta, a garra, a dedicação. É só olhar para o lado, é o que mais se vê.

O resultado? Este mundo em que vontades se chocam o tempo todo, individualmente ou coletivamente. É um convite ao espetáculo de violência e intolerância que é mostrado pela mídia todos os dias. Não por acaso, Corção refere-se ao marxismo e ao fascismo como expressões máximas da vontade; o fato de só conseguirem existir em ditaduras já diz tudo.

Hoje existe até um preconceito de muitos com a inteligência, visto como uma injustiça para os que não a possuem. A solução, como sempre, não é educar os que ficam para trás, mas atrasar os que estão na frente, como se fosse possível. É o nivelamento pela mediocridade.

E, infelizmente, cada vez mais intelectuais se deixam empobrecer pela barbárie ao invés de mostrar a luz; a ponto da palavra "intelectual" virar um pejorativo, e a burrice um símbolo de virtude.

Gustavo Corção captou bem os novos tempos. Pena que é seus textos são privilégio para bem poucos. Uma expressão da vontade dos que lhe odiavam, pois ela não convive com o contraditório; quer sempre a unanimidade.

Alimentando monstros

domingo, novembro 04, 2007

Novas aquisições


Humble Pie - Rock On(1971)
Lançado em 1971, este álbum mostra a banda de Marriot e Frampton no auge, lançando hits como Shine On e Stone Cold Fever.




The Band - Stage Fright(1970)
Terceiro disco da Banda, continuava com os painéis sobre o interior norte-americano em composições inspiradas de Robbie Robbertson.

sexta-feira, novembro 02, 2007

Vidente?


Em 1871, Eça de Queirós escreveu o seguinte sobre Portugal:

“O país perdeu a inteligência e a consciência moral. Não há princípio que não seja desmentido nem instituição que não seja escarnecida. Já não se crê na honestidade dos homens públicos. A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia. O povo está na miséria. Os serviços públicos abandonados a uma rotina dormente. O desprezo pelas idéias aumenta a cada dia. A ruína econômica cresce, cresce, cresce... A agiotagem explora o juro. A ignorância pesa sobre o povo como um nevoeiro. O número das escolas é dramático. A intriga política alastra-se por sobre a sonolência enfastiada do país. Não é uma existência; é uma expiação. Diz-se por toda a parte: ‘O pais está perdido!’.”


Será que lembra um país conhecido?

Pontos corridos, está dando certo.

A cada campeonato a média de público cresce. A rodada de ontem ficou em cerca de 29.000, padrão europeu. No blog do Juca, um leitor argumentou que se o campeonato tivesse finais, com 8 clubes, a média seria maior ainda.

É uma grande falácia. Está pegando a média de público do campeonato de pontos corridos, e adicionando a da fase final dos campeonatos com mata-mata. Estes campeonatos mostram que se houver finais, o torcedor não comparece durante a fase regular, por isso a média sempre foi baixa nos campeonatos anteriores.

O torcedor começou a entender que, nos pontos corridos, cada jogo tem igual importância, é uma decisão. Por isso comparece. E os números estão comprovando isto. Faltando 4 rodadas para terminar o campeonato, apenas São Paulo e América não disputam mais nada. Os outros estão em luta por algum objetivo, e o torcedor está comparecendo.

Além do mais, no campeonato com finais, os clubes que não faziam boa campanha saiam do campeonato em outubro, e os outros iam saindo aos poucos. Justamente os que não estavam bem ficavam sem receita dos jogos durante cerca de 4 meses, como pagar os salários? Agora sabem, que independente dos resultados, irão jogar até a última rodada e entrarão todos de férias juntos. O fato do time está mal colocado não impede o torcedor de comparecer, como demonstram Corinthians, Náutico, Sport e os Atléticos.

Para os que gostam de mata-mata, existe vários campeonatos: os regionais, Copa do Brasil, Libertadores e Sul-americana.

Por fim, não adianta montar time no meio do campeonato. O Flamengo deveria pensar nisso. Se os jogadores que contratou, principalmente Ibson e Fábio Luciano, estivessem desde o início, com pré-temporada e tudo, poderia ter disputado o título.

Não é que deu tudo certo?

O Flamengo foi o grande vencedor da quinta feira, mesmo sem ter jogado. Tudo porque Cruzeiro e Palmeiras perderam. Se a derrota do primeiro era perfeitamente possível, a do segundo foi uma surpresa e tanto. O rubro-negro agora é o terceiro do campeonato. Faltam 4 rodadas, cada time jogará 2 em casa e 2 fora. Disputa totalmente aberta pelas vagas da Libertadores, nem o Santos, vice-líder, está garantido. A decisão para o Flamengo são os dois próximos jogos, contra adversários diretos na briga. Se vencer os dois, corre para o abraço.

Os 19 livros que ninguém pode deixar de ler

O vermelho e o negro - Stendhal
Guerra e Paz - Leon Tolstói
Ulisses - James Joyce
Em busca do tempo perdido - Marcel Proust
Crime e castigo - Dostoievski
Madame Bovary - Gustave Flaubert
A montanha mágica - Thomas Mann
Grande Sertão: veredas - Guimarães Rosa
O processo - Franz Kafka
Moby Dick - Herman Melville
O homem sem qualidades - Robert Musil
Eugênia Grandet - Honoré de Balzac
O primo basílio - Eça de Queirós
Dom Casmurro - Machado de Assis
David Copperfield - Charles Dickens
Os miseráveis - Victor Hugo
Ao farol - Virgínia Woolf
Grandes esperanças - Charles Dickens
Memórias Póstumas de Brás Cubas - Machado de Assis

Desta lista li 4: Primo Basílio, Memórias Póstumas de Brás Cubas, Dom Casmurro e Grandes Esperanças.

quinta-feira, novembro 01, 2007

O Primo Basílio

Eça de Queirós(1878)

Depois falou muito de Paris; contou-lhe a moderna crônica
amorosa, anedotas, paixões chia. Tudo se passava com duquesas,
princesas, de um modo dramático e sensibilizador, às vezes jovial,
sempre cheio de delidas. E, de todas as mulheres de que falava, dizia
recostando-se: Era uma mulher distintíssima; tinha naturalmente o seu
amante...
O adultério aparecia assim um dever aristocrático. De resto a
virtude parecia ser, pelo que ele contava, o defeito de um espírito
pequeno, ou a ocupação reles de um temperamento burguês...


Enfim li o grande romance de Eça de Queirós, dentro de meu projeto de ler os 19 livros escolhidos pela revista Época. Republico a lista no post a seguir.

É uma obra maravilhosa. A descrição e crítica social que Eça faz da pequena burguesia de Lisboa no século XIX é sublime. O uso da língua então... coisa de quem sabe, e muito. Utiliza os personagens para mostrar os tipos que circulavam na sociedade.

Mas é sobretudo uma obra que expõe a falta de vontade moral e ética que envolve estes personagens.

Luísa sabe que sua traição é injustificada, e pior, sabe que ama o marido. Deixa-se levar por Basílio, pela ociosidade, pela ausência de Jorge, pela luxúria e a emoção de viver uma aventura. No íntimo, sabe que o primo está a se divertir com ela; muitas vezes esboça uma atitude mais firme, mas invariavelmente um pequeno gesto é suficiente para abrandá-la. Ela sabe qual é o norte moral, mas falta-lhe disciplina para superar as tentações.

E esta é uma das mensagens de Eça. A vida moral exige disciplina, exige sacrifícios, nem todos são virtuosos por natureza, a maioria de nós precisa fazer um esforço para levar uma vida de acordo com a própria consciência.

O próprio Basílio, o personagem mais amoral da história, tem leves rompantes da moralidade, mas afasta-os como se tivesse medo que prosperassem e fosse obrigado a segui-los. O seu comportamento na última narrativa do livro é um retrato duro de uma pessoa que não tem absolutamente nenhum apreço pelo ser humano.

Juliana é outra personagem significativa. Reflete a dureza que sofre do mundo a ponto de se formar um círculo vicioso. Quanto mais o mundo lhe é desagradável, mas se torna desagradável com o mundo. A inveja a corrói, destruindo suas chances de um dia conseguir a felicidade. As atitudes da patroa lhe causam raiva, mas quando consegue se colocar no lugar desta, comporta-se da mesma maneira.

Eça mostra também o dever e a moral. É seu personagem Sebastião, que não julga, não inveja, que acredita nas pessoas. Ele é um contra-ponto aos personagens que desfilam de forma irônica e realista pelas páginas do livro.

Um livro maravilhoso, que marcou o realismo português e uma das obras primas do idioma. Para ler e refletir sobre nossas escolhas morais e a influência dessas escolhas nas pessoas que nos cercam, como, por fim, entendeu Luísa.

Flamento 2 x 1 Corinthians


G-4, enfim

Pela primeira vez no Campeonato, o Flamengo entrou na zona de classificação para a Libertadores, o G-4. O que antes parecia uma gozação da torcida, uma bravata, tornou-se realidade paupável: o rubro-negro luta agora de igual para igual por uma vaga para a Libertadores. E nesta luta, já não corre mais por fora como um azarão. É candidato de fato e de direito; até o vice-campeonato é possível.

O timão saiu na frente, e parecia que faria o segundo ainda na primeira etapa. O tática de chutões do goleiro Felipe estava dando certo, e os atacantes corinthianos encontravam facilidades pelas extremas.

Em rápida triangulação entre Max, Souza e Ibson, este fez o gol de empate, tocando no canto do excelente goleiro corinthiano.

Na volta do segundo tempo, entram Roger e Obina, no ataque, e logo aos 4 minutos Juan perde um gol que não se pode perder na reta final. Depois Christina também perderia uma excelente oportunidade, em grande passe de Obina.

Aos 30 Roger resolve lembrar o futebol que tem e empata a partida em bonito gol. A partir daí foi festa da torcida, que cantou sem parar até o fim do jogo.

O Flamento provisoriamente é o terceiro do campeonato; depende de tropeços do Palmeiras (muito improvável) e do Cruzeiro (mais provável) para se manter na posição. Domingo tem um jogo com cara de decisão, diante deste último.

O time está em ascendência, ganhou o quinto jogo seguido, o que é muito importante para o final do torneio. A disputa, agora, é uma realidade.

São Paulo campeão

Sem surpresas, o tricolor venceu o América de Natal no Morumbi e garantiu, por antecipação, o caneco deste ano. É o quinto título do São Paulo, e o mais fácil de todos. Efeitos de um time muito bem organizado, uma estrutura sem igual e uma planejamento correto.

De todos os times que vi ser campeão, e vi todos desde 1983, este foi, de longe, o mais sem graça. E não digo isso pelo fato do time ter disparado na liderança e ganho, sem sustos, por antecipação. Em 2003, o Cruzeiro fez campanha semelhante; só que dava gosto de ver o time comandado por Alex jogar. Enfim, papo de perdedor.

Outras partidas

O Vasco venceu o Goiás, fora de casa, e garantiu sua vaga para 2008. O Fluminese venceu o Figueirense, para variar. O Náutico permitiu a virada Santista, e corre riscos. O Atlético-PR venceu o Grêmio, o melhor resultado para o Flamengo na rodada de ontem. Atlético-MG ficou no empate com o Paraná, resultado ruim para os dois.