quinta-feira, novembro 29, 2007

Liberdade: uma visão clássica

Para se entender a liberdade, primeiro necessita-se compreender a vontade. A vontade é o querer com a razão. Normalmente se confunde com desejo, é muito além. Quando se vai fazer um concurso, uma pessoa decide que precisa estudar. Esta é a vontade baseada na razão, que lhe diz que é necessário o estudo para ter sucesso no concurso.

A liberdade se apóia, sobretudo, no exercício da razão. É uma das marcas que define uma pessoa, define sua atuação. Só se é humano sendo verdadeiramente livre.

A liberdade tem 4 planos que se sobrepõem, que se interlaçam.

Liberdade constitutiva

É a liberdade interior, a que existe no nível mais profundo do homem. É a que o faz ser dono de si mesmo, é interior a própria consciência. Nem um cativeiro pode suprimi-la: é a liberdade de sonhar, de desejar, de ter uma opinião, de imaginar. Para tirá-la é necessário destruir o homem. É por isso que a lavagem cerebral é destrutiva, quer se agir na liberdade interior do homem. Filmes como "Sob o domínio do mal" e "Laranja Mecânica" mostram a tentativa de retirar esta liberdade, e a principal conseqüência desta ação: a desumanização do homem.

Fica evidente também o mal de uma sociedade totalitária, que não quer apenas aprisionar o homem, quer eliminar a liberdade de pensamento do homem, sua liberdade interior; é antinatural e violento.

Liberdade de escolha

É o livre arbítrio. Refere-se a poder realizar uma escolha. É o contrário do que prega o determinismo, segundo o qual nossas escolhas são apenas aparentes. Uma série de fatores anteriores como a cultura e os valores impostos por uma sociedade já nos levam a uma decisão, ficamos apenas com a sensação de estar escolhendo.

O que existe, na verdade, é um conjunto de valores, que nos servem de base, mas não definem nossas decisões. Estas podem ser certas ou erradas, porque podemos escolher bem, melhorando nossa condição, ou mal, nos enganando sobre o que nos convém.

Liberdade moral

Quando utilizamos nossa liberdade de escolha, se realizamos um ato bom, este ato reforça a possibilidade de repeti-lo, é a virtude. Se por outro lado, escolhermos um ato ruim, reforçamos nossos vícios.

A virtude é o fortalecimento da vontade, e permite ao homem aspirar a bens árduos e distantes. A liberdade moral é um ganho de liberdade que permite ao homem realizar coisas que antes não podia, é a realização da liberdade fundamental ao longo do tempo. É o delineamento da própria vida. Viver é a capacidade de criar projetos e realizá-los. A liberdade moral é viver a própria vida, completar a própria biografia.

As metas mais elevadas para um homem consistem em seus ideais, a liberdade moral se relaciona com a liberdade que o homem tem de realizar esses ideais.

Liberdade Social

É a liberdade da pessoa realizar seus ideais dentro da sociedade. Por exemplo, para se adquirir uma moradia é necessário que na sociedade haja moradias disponíveis, e que esta moradia tenha um preço que se possa pagar. Para ter liberdade social é necessário, em primeiro lugar, que exista um ambiente onde se encoraje o exercício da iniciativa na equação dos próprios ideais.

Dentro deste contexto, surge a miséria. É a situação em que o homem fica preso a um mecanicismo em que não consegue fugir e, principalmente, crescer. Vai além da pobreza e, por isso, não pode ser vencida pela esmola.

A miséria é a forma mais grade de ausência de liberdade, porque reflete na ausência de bens necessários para a realização da vida humana na sociedade. A conquista das liberdades acontece paralela à libertação da miséria, liberdade significa, antes de tudo, educação. Proporcionar meios para que a pessoa possa guiar sua própria vida.

É preciso dar ao homem liberdade para que realize o melhor de si mesmo.

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