segunda-feira, novembro 19, 2007

Redentor

Um grande desperdício

O primeiro problema de Redentor é definir que tipo de filme ele é. Uma comédia? Drama? Crítica social? Aparentemente é uma mistura de tudo, com resultado que simplesmente não convence.

Como comédia é um fracasso. Possui uma ou outra cena que arranca um sorriso e mais nada. A presença da dupla Pedro Cardoso e Miguel Falabella parecia apontar nessa direção, mas nenhuma situação potencial se desenvolve nesse sentido.

Como drama um outro problema. A duração do filme. Com vários personagens secundários, alguns interessantes, o filme é muito curto para desenvolvê-los. Até o personagem de Falabella (Otávio Saboya), um dos protagonista é mostrado com um grau mínimo de profundidade.Personagens aparecem e desaparecem da tela sem dizer a que veio e para onde vão. Apenas Célio (Cardoso) apresenta alguma coisa de substância.

Crítica social? O problema aqui é que todos os personagens são completamente caricaturais, o banqueiro boliviano, o advogado desonesto, o chefe de redação irritado, o ministro, o líder do presídio flamenguista, o fotógrafo socialista, a mãe pobre. Não sobra nada. Para piorar a verossimilhança foi jogada às favas.

Ou querem que acreditemos que um pai de família compra um apartamento numa fronteira imobiliária para atender o capricho de um filho de 5 anos? E ainda se sente culpado! Que um corrupto empresário coloca toda sua fortuna nas mãos de um jornalista, e um que o odeia. Que para atender o pedido da esposa um ministro coloca todo seu dinheiro em um empreendimento fajuto. Que Célio entre em desespero e sofra mais pela morte de um preso que acabou de conhecer do que pela de seu próprio pai.

Na verdade o que resta é proselitismo vagabundo, da pior espécie. Todos os personagens com algum dinheiro são corruptos ou amorais. E todos os pobres, sem excessão, são a expressão da bondade, até mesmo os que estão cumprindo pena.

A mão de Célio ao dar a notícia da morte do pai afirma veemente: "a polícia matou seu pai". Na verdade ele teve um ataque cardíaco quando a polícia desalojava os habitantes ilegais do condomínio Paraíso. A propriedade privada é vista como o grande mal, a "entrevista" de Célio com morador do 808 é prova. O discurso pelo direito de quem pagou morar no apartamento é visto como o de um histérico, de um insensível. Já o do invasor é mostrado com simpatia, como um direito.

A redenção mística é ainda pior. Deus não pede que Célio faça Otávio se arrepender do que fez. Quer que o empresário, de espontânea vontade, doe todo seu dinheiro aos pobres. O arrependimento é colocado em último plano, tanto que só vem no último minuto, mas não é sincero, é o desespero de um homem que vai ser jogado do alto de um edifício. Não existe conversão ou reforma íntima para Otávio. Nem doação espontânea. Pedro se limita a seqüestrar e roubar o colega de infância. E pior que no fim a imagem que fica é que Deus queria exatamente isso. Ou seja, que o roubo, nessas circunstâncias, é justificado.

É a grande mensagem que fica nas entrelinhas. Se a causa for considerada justa, não existe lei, pode tudo para conseguir o que se deseja. O que fica é a sensação de que mais uma vez Deus foi usado para justificar a violência dos oprimidos.

Para fechar com chave de ouro, a cena simplesmente ridícula de Otávio Saboya na prisão, na mesma cela que Célio tinha sido preso. Um filme para esquecer. Nota 3.

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