terça-feira, dezembro 25, 2007

Como Vencer um Debate sem Precisar Ter Razão

(Dialética Erística)
Arthur Schopenhauer

"Daí vem que, em regra geral, aquele que entabula uma discussão não se bate pela verdade mas por sua própria tese pro ara et focis (no interesse próprio) e procede per fas et per nefas e, como acabamos de demonstrar, não poderia fazê-lo de outra maneira."
Schopenhauer escreveu este texto curto sobre a Dialética Erística, como forma de se opor a Hegel e sua dialética como a própria evolução da humanidade. Trata-se de um texto inacabado, que reduz a dialética a uma disputa de indivíduos que desejam apenas vencer o adversário no campo da discussão, independente da verdade.

O filósofo Olavo de Carvalho apresenta uma introdução que explica como o texto se coloca em relação a dialética de Aristóteles, que Schopenhauer pretendeu estender, e os erros na interpretação desta base filosófica.

Dentro da pobreza da discussão intelectual no Brasil, Olavo coloca a edição deste livro como 'um empreendimento de saúde pública'. Acrescenta:

"Privado de debates sérios há quase meio século, nosso público se tornou vítima inerme de sofistas e charlatães, que hoje imperam não somente na política __ onde sua presença é mal sem remédio __, como também nos altos postos da vida intelectual, de onde deveriam ser banidos a pontapés."

Olavo seleciona exemplos atuais para mostrar a aplicação dos estratagemas apresentados por Schopenhauer, mostrando a importância de reconhecer a falsidade intelectual de muitos pensadores brasileiros.

Um dos estratagemas apresentados, que achei bastante interessante, é a manipulação semântica, uma das principais armas utilizadas pelo discurso de esquerda. Trata-se de escolher palavras ou expressões pejorativas para designar opiniões que quer refutar. Muito do politicamente correto encontra-se ali. Aliás, explica o obsessão dos socialistas em controlarem o uso da linguagem e definir palavras e seus significados.

É um livro para ser lido várias vezes e ser colocado na estante na parte de consulta freqüente. É uma obra fundamental para aqueles que lutam contra a impostura intelectual existente no debate atual, uma vacina para não ser surpreendido em discussões em que o objetivo do adversário é um embate pela vitória, independente do surgimento de uma verdade.

A introdução escrita por Olavo chama atenção para a função da dialética como um instrumento investigativo, que se completa com a utilização da lógica. A perversão de seu significado leva ao abismo entre o mundo real e o conhecimento, uma das raízes do grande mal que é a ideologia.

Embora Schopenhauer tenha se equivocado enormemente na interpretação do discurso aristotélico, mostrou grande senso de observação e escreveu um texto que não perdeu sua força pela passagem do tempo, ao contrário, só ganhou importância devido a cada vez maior manipulação intelectual, um dos males da modernidade.

Um comentário:

soren disse...

Schopenhauer abre o coração na mente