quinta-feira, janeiro 17, 2008

Em trânsito

Amanhã estou seguindo para Brasília, com uma parada tática em Uberaba. Não sei quanto tempo vai levar para ter internet disponível full-time novamente. Durante este tempo, o rádio estará em silêncio. Até!

quarta-feira, janeiro 16, 2008

Quem é o obscurantista?

O Globo fez uma matéria hoje sobre o cancelamento da visita do Papa Bento XVI à Universidade La Sapienza, a mais prestigiada de Roma. Tudo começou com um abaixo-assinado de 67 professores que transformou-se em um protesto de estudante. Eles acusam o papa de ser um "teólogo retrógrado" que coloca a religião antes da ciência. Referem-se, especificamente, a uma citação de Ratzinger, em 1990, de um filósofo que defendeu a racionalidade do processo contra Galileu.

Isto não é a postura de um cientista de verdade, e sim do seguidor de uma nova religião, cujo Deus seria Galileu, ou qualquer outro grande cientista. Mas é claro que Ratzinger coloca a religião antes da ciência, eles queriam o que? Que um chefe religioso agisse contra sua própria fé? Na última encíclica, o papa "dialogou" com diversos filósofos do passado, inclusive Marx. É um homem de extraordinária erudição, capaz de discutir assuntos da razão com qualquer um, inclusive com um monte de cientistas que acha que seu mundo diminuto dos átomos seja a expressão da verdade universal. Talvez esteja aí a raiz da intolerância.

Um cientista de verdade, na tradição inaugurada por Aristóteles, escutaria o papa. Analisaria cada argumento apresentado, a através de um processo dialético estabeleceria premissas mais prováveis, fruto do confronto das duas idéias. O que estes professores querem é silenciar a voz dissonante, evitar qualquer conflito de pensamento. A ciência é a verdade e pronto.

Só que existe uma grande confusão aí. A lógica científica, o método, é uma coisa. Outra completamente diferente são as conclusões de uma pesquisa. Do estudo de cágados se chegar a uma lei sobre a evolução de toda a vida na terra é uma extrapolação, que pode estar certa, mas pode estar errada também. Aristóteles também mostrou que os processos lógicos dependiam de premissas tidas como verdadeiras, a grande questão era como se chegar a estas premissas? O estagirita não via outro caminho que não fosse a dialética, o confronto de idéias opostas em busca de um consenso sobre a mais provável.

Estes professores estão apegados a suas verdades, não querem discuti-las. Seria curioso um debate entre um homem como Ratzinger com estes cientistas. O papa é dono de uma cultura universal, fala com facilidade sobre as mais importantes correntes de pensamento surgidas na humanidade desde os mais remotos tempos. Teriam estes cientistas cultura suficiente para debater suas idéias com ele? Duvido, eles acreditam que a cultura e o estudo do passado é inútil, a menos que se relacione com seu objeto de pesquisa, um objeto cada vez mais diminuto e particular.

Sobre os estudantes nem perco meu tempo. Existe uma crença que o estudante, principalmente o universitário, seja um rebelde, uma espécie de vanguarda que busca romper com a tradição e dar início a pensamentos novos. Bobagem. Eles não possuem maturidade suficiente, nem cultura, para julgar com propriedade. O que fazem é se agarrar a uma corrente já existente e se fechar sobre ela, basta uma boa alma para conduzi-la. Não existe rebanho mais fácil de se tocar do que uma manada de universitários.

Acusam o papa de ser obscurantista. O papa é o chefe de uma Igreja. Suas palavras são dirigidas para seus fiéis, procura mostrar-lhes o caminho da salvação, um norte moral. Cada vez mais aparecem pessoas querendo tolher sua liberdade de expressão. Se não acreditam no que diz, por que não o ignoram? Por que a necessidade de calá-lo? Quem é o obscurantista?

terça-feira, janeiro 15, 2008

Anjos e Demônios

Angels & Demons
Dan Brown (2000)


Já tinha lido "O Código Da Vinci" em 2005, parece que é unânime que este romance seria melhor do que o que tornou Dan Brown famoso.

Não achei nem melhor, nem pior. O motivo é simples: os dois livros são o mesmo! O paralelo entre as duas obras é impressionante: um velho estudioso é morto no início por um assassino excêntrico, em seu corpo ficam símbolos, Robert Langdon é chamado, faz parceria com uma jovem parente, é envolvido em uma busca frenética para impedir uma grande conspiração, a Igreja Católica está envolvida, A Igreja é aquela que impede o avanço da humanidade, etc...

Dan Brown realmente sabe escrever um best seller, explorar bem uma boa teoria da conspiração, colocar obras de arte e religião para conferir um grande mistério ao romance. É um livro de aventura, ritmo acelerado, mas que poderia desenvolver melhor os personagens, sair um pouco da superfície. Gente como Stephen King já mostrou que é possível fazer um best seller com um pouco mais de psicologia. Seus enigmas podem impressionar muitos leitores, mas neste item, Maurice Leblanc era insuperável.

O que achei curioso, é que a despeito da semelhança de ambas as obras, o efeito produzido foi bem diferente em minha pessoa. A razão talvez seja que de 2005 para cá eu tenha feito muita leitura séria, de gente grande, e tenha ganho um pouco mais de cultura neste processo. E isso se reflete na forma como encaro o conflito ciência X religião.

Hoje em dia questiono a forma como a ciência se tornou absoluta, avançando rapidamente e mantendo qualquer reflexão moral em segundo plano, estática no tempo. Conforme este ponto de vista, a bomba atômica foi um sucesso, uma experiência científica perfeita! Já sobre o ponto de vista moral e humano, a estória é outra. Talvez aí esteja uma questão da mais séria de nossos tempos, o que é a ciência sem a filosofia? Sem o questionamento? Sem pensar no problema ético?

Alguns argumentam que a moral independe da religião. Pode até ser, mas este projeto de moral apenas pela razão não me convence, nem um pouco. O iluminismo foi isso, e para mim o seu resultado foi as duas guerras mundiais. A religião, seja qual for, prega valores morais em termos de semelhança com um ser perfeito, um absoluto. Algumas chamam este ser absoluto de Deus, outras dão outro nome, não importa, mas é um sistema que tem uma raiz consistente. A era moderna gerou sistemas voláteis, baseados em verdades relativas sempre em qüestionamento. Foi o caminho que levou ao nazismo, ao comunismo, e tantas ideologias que sobre o pretexto de criar uma nova humanidade nada mais fez que destruí-la.

Muito já se matou em nome de Deus, mas nem se compara com o que se matou por sua ausência. A religião não é o vilão da modernidade, mas a sua falta me incomoda profundamente. Querem uma prova da existência de Deus. Acho que a resposta que tenho para esta pergunta é simples: por que? Não basta acreditar? Por que a necessidade de se provar a Sua existência? Os mesmo que dizem que somos irracionais em acreditar sem provas, são os mesmos que acham o máximo da razão dizer que ele não existe, mesmo sem ter provas da sua não existência. Quem é o obscurantista? Não é uma prova de fé afirmar que Deus não existe?

O livro de Dan Brown é interessante, funciona, é entretenimento. Só lamento que tenha colocado as reflexões mais interessantes, mais profundas, nas palavras do vilão do livro, que no final se mostra um desequilibrado e megalomaníaco. E tenha colocado com seu expositor, um cientista que é o exemplo de tudo que expus de meus pensamentos: um homem para quem o progresso não pode esperar pela reflexão ética.

domingo, janeiro 13, 2008

Concurso Público

O Globo de hoje trouxe uma reportagem sobre concurso público no Brasil e a imensa indústria que se criou ao seu redor. Nada contra, ela surgiu para atender a uma necessidade de mercado, e emprega muita gente, até eu de vez em quando. Mas acho que o tema merece um pouco mais de reflexão.

Para entender o corrida para o concurso público é melhor iniciar por um livro escrito na década de 30. Trata-se de "Raízes do Brasil" de Sérgio Buarque de Holanda. O autor defende que a grande contribuição sociológica do Brasil ao mundo foi o que denominou de "homem cordial". Parece, mas não é um elogio. Sérgio referia-se à necessidade do brasileiro de criar laços afetivos no trato do bem público, o que levava à confusão entre o público e o privado. O Brasil teria sido construído com leis baseadas na impessoalidade, mas administrado de forma absolutamente pessoal. Estava aí a semente do nepotismo.

No mesmo livro, o autor fala de outro traço do brasileiro. A desvalorização do trabalho. No Brasil, o trabalho foi associado como uma tarefa menor. Grande era quem conseguia escrever, compor, governar, falar. Segundo Yepes e Echevarría:

O homem precisa de algo mais que subsistir: precisa aperfeiçoar-se, e aperfeiçoar o mundo e a sociedade e isso se consegue trabalhando (...) Entender que o trabalho é o caminho para a realização humana foi um descobrimento extraordinário...


É exatamente o que não se criou no Brasil. Não existe uma identificação do brasileiro com a sua profissão, Sérgio Buarque já alertava para isso na década de 30. Seja formado em engenharia, direito, administração, o foco principal é o ganho. Por um salário maior se troca de profissão sem maiores reflexões, não existe a determinação de conseguir seu crescimento pessoal dentro da carreira que um dia abraçou por vocação. O fato da maioria dos brasileiros sonhar com o prêmio da loteria como uma forma de nunca mais precisar trabalhar já é um indicativo que há algo de errado em nossa sociedade.

Lendo a reportagem do Globo a idéia fica ainda mais clara. A corrida para o serviço público foi motivada pela estabilidade no emprego, aposentadoria antecipada, salários maiores que na iniciativa privada, não exigência de experiência anterior e a menor exigência no próprio trabalho. Ou seja, trabalha-se menos, em quantidade e qualidade, ganha-se mais, aposenta-se mais cedo.

A conseqüência é nefasta. Não são admitidos serviço público os melhores, e sim os que passam em concurso, o que é bem diferente. Para passar, a maioria faz um grande esforço, inclusive financeiro. A média é a aprovação em torno da décima tentativa. Muitos afastam-se do trabalho e gastam seus recursos em cursos preparatórios. A reportagem traz um desempregado que gastou mais de R$ 10 mil no sonho de ser fiscal da receita (e receber o salário de R$ 12 mil).

O problema mesmo vem depois da aprovação. O que se vê é a crescente acomodação fruto da estabilidade alcançada. Cursos de atualização? Muitas vezes nem pago pela administração. Trabalho fora do expediente? Nem pensar. Trabalho com qualidade? Por que? Para se indispor com os colegas por estar colocando-os em um efeito comparativo desagradável? Tudo conspira contra a eficiência, o que se quer é ver a marcha do tempo, lenta mas segura, em direção ao oásis da aposentadoria integral.

É claro que tudo isso tem um custo, e incide sobre toda a sociedade. O estado, inchado e patriarcal, pesado e ineficiente, retira dos brasileiros metade do que se produz. A sociedade civil, muito mais capaz de gerar riquezas, se encontra competindo com o estado, e de maneira desigual.

Argumentam que o salário é maior justamente para valorizar o serviço público, para atrair os melhores profissionais, para servir melhor à população. Este modelo não está dando certo. O concurso não seleciona os melhores e sim quem foi melhor em uma prova, que via de regra não reflete os atributos necessários à função. A grande maioria dos aprovados não está preocupada com servir, e sim obter todos os benefícios anunciados. E quando acontece de conseguir bons profissionais, estes são anulados por um ambiente nocivo a qualquer manifestação de eficiência, é preciso nivelar por baixo.

Colocam a culpa nas empresas privadas por não pagarem salários melhores. Não entendem que os custos da empresa dependem do valor de mercado de seus produtos, o processo é invertido. A partir da receita, monta-se as despesas. O que resultar da diferença é o lucro. Se não houver, fecha-se. Se o mercado tem poder aquisitivo baixo, muito pela pesada carga tributária para manter o elefante estatal, os preços ficam restritos, mantendo a média salarial baixa. Além disso, os encargos sociais são pesados e irreais. E como cereja do bolo, nossos profissionais são frutos de um sistema de ensino fracassado, muitos constituindo-se de verdadeiros analfabetos funcionais.

Qual a solução? Uma das causas da eficiência de uma empresa é a qualidade de seus recursos humanos. Não por acaso, as melhores investem neles. Nenhuma delas contrata por concurso, mas por uma criteriosa análise de currículo, uma entrevista. Se o selecionado não produzir o que se espera, haverá outros para seu lugar. Funcionaria no serviço público?

Aí entra o homem cordial. O concurso é utilizado porque é o único meio de se selecionar recursos humanos de forma impessoal. O fim da estabilidade também seria uma grande arma na mãos dos principais administradores públicos, que são comicionados no aparelhamento político do estado. Estamos em um sistema viciado, que não funciona.

A única saída, a meu ver, era a destruição do homem cordial. O que só é possível através de um esforço educativo profundo, não só em termos de ensino mas também da difusão de valores éticos universais. Trabalho de gerações. Além de eficiência em uma política educacional, é preciso vencer a crise moral que existe não só no Brasil, mas em todo mundo. Uma crise que tem origem na negação da existência desses próprios valores, no relativismo, no niilismo. Quanto Nietzsche afirmou que Deus está morto, e nós o matamos, estava prevendo os problemas que teríamos hoje. O filósofo considerava este diagnóstico um sinal de progresso do homem. O que se viu foi destruição, a depressão, a crise existencial.

A corrida para o concurso público é mais do que um mal em si, é um reflexo de uma sociedade que aprendeu que a educação não é importante e que os valores morais não existem.

Deus morreu, em seu lugar nasceu o estado. Que o antigo nos ajude, porque o novo vai nos devorar a alma.

sexta-feira, janeiro 11, 2008

Harry Potter e as Relíquias da Morte

Harry Potter and the Deathly Hallows (2007)
J. K. Rowling


Chega ao final a mais popular série de livros da história, a saga do bruxo Harry Potter .

É uma série que gostei bastante, voltada sem dúvida para o público adolescente, cumpre muito bem seu papel. Constrói um mundo mágico, com uma série enorme de personagens e situações, ao mesmo tempo que narra a passagem da infância ao mundo adulto. É a luta do bem contra o mal com uma roupagem moderna, onde magia e tecnologia se cruzam em uma Inglaterra ao mesmo tempo nova e antiga.

Neste último livro os fios soltos são amarrados, conflitos são resolvidos e a trama chega ao fim. Personagens morrem a cada capítulo, a guerra chega a uma batalha final, com o conflito final entre Valdemort e Potter.

Qualquer comparação com O Senhor dos Anéis é absurda. Uma obra literária é escrita para um determinado público em potencial, Rowling escreveu para os jovens, e tratou de assuntos comuns a todo adolescente no mundo, como a amizade, o primeiro amor, a rejeição, a vida escolar. Pode-se dizer que foi extremamente feliz.

Neste último livro achei que poderia ter aproveitado melhor alguns personagens. Severo Snape era por demais interessante para passar quase como coadjuvante, o próprio Valdemort merecia um espaço maior. Alguns personagens apareceram apenas para morrer, como Olho-tonto ou Rabicho. A escritora também mostrou muita dificuldade nos romances da trama. Enfim, alguns senões.

O principal é que trata-se de uma série que despertou em muitas pessoas o desejo para a leitura, o que é de extrema importância. Lembra o efeito que os livros de Júlio Verne tinha sobre mim quando mais jovem, ou os da Coleção Vaga-Lume. A literatura fantástica é uma porta magnífica para começar a compreender os problemas reais.

quinta-feira, janeiro 10, 2008

O Imbecil Coletivo

O Imbecil Coletivo - Atualidades Inculturais Brasileiras
Olavo de Carvalho(1996)

Sim, do mesmo modo que a Alemanha havia encontrado a sua máxima vocação literária na prosa filosófica, a Inglaterra na poesia lírica, a Itália no verso épico, a Espanha na narrativa picaresca, a Rússia no romance, a França no jornalismo de idéias, o Brasil encontrara a expressão perfeita da sua personalidade intelectual no jornalismo da falta de idéias.


Olavo de Carvalho é um filósofo brasileiro, estudioso de Aristóteles, que escreve regularmente em sites e jornais. Seus detratores o chamaram de filósofo "auto-entitulado", por não ter um diploma de filosofia, como se fosse preciso um para filosofar. É uma rara expressão dos valores conservadores e cristãos, motivo suficiente para ser visto como um câncer a ser retirado da vida intelectual brasileira.

"Imbecil Coletivo" é o terceiro livro de uma série, iniciada por "A nova era e a revolução cultural" e prosseguida com "O jardim das aflições". Segundo o próprio autor, "cada um deles pode ser compreendido sem os outros dois. Mas difícil é, por um só deles, captar a fundo o pensamento geral que orienta a trilogia inteira".

Dentro da trilogia, este livro descreve, através de exemplos, "a extensão e a gravidade de um estado de coisas _ atual e brasileiro", junto com os outros dois procura situar a cultura brasileira na história das idéias do ocidente.

É uma reunião de notas, retiradas do noticiário cultural brasileiro, entre 1992 e 1996, ligadas por um tema único: "a alienação da nossa elite intelectual, arrebatada por modas e paixões que a impedem de enxergar as coisas mais óbvias".

E com grande maestria, e argumentos sólidos, Olavo coloca a nú a intelectualidade brasileira, mostrando suas contradições e a falta de reflexão das próprias idéias que processam. Mostra também como a redução da vida intelectual ao jornalismo serve para limitá-la profundamente e empobrecê-la. O jornalismo tornou-se a régua para adequar o pensamento brasileiro, e os resultados são tenebrosos.

Através desta obra, Olavo mostra seu próprio pensamento, e antecipa muitas discussões que estão sendo travadas nos dias atuais, 10 anos depois.

A leniência e, principalmente, a responsabilidade dos intelectuais no aumento da violência no Rio de Janeiro, através da glamourização do banditismo, é discutida anos antes de "Tropa de Elite" gerar debates parecidos através dos jornais.

De Capitães da Areia até a novela Guerra sem Fim, passando pelas obras de Amando Fontes, Marques Rebelo, João Antônio, Lêdo Ivo, pelo teatro de Nelson Rodrigues e Chico Buarque, pelos filmes de Roberto Farias, Nelson Pereira dos Santos, Carlos Diegues, Rogério Sganzerla e não-sei-mais-quantos, a palavra-de-ordem é uma só, repetida em coro de geração em geração: ladrões e assassinos são essencialmente bons ou pelo menos neutros, a polícia e as classes superiores a que ela serve são essencialmente más.


O entranhamento do intelectual no estado brasileiro, e sua conseqüente subserviência também é retratado. Em busca da segurança dos cargos públicos, como funcionário públicos, eles param de pensar e tratam de repetir banalidades pelos canais da imprensa escrita.

A principal causa deste estado de coisas para Olavo é o efeito nocivo das idéias marxistas, principalmente pela adesão da classe intelectual às idéias de Antônio Gramsci. Qualquer exame de idéias é feito por eles de forma a priori, antes de ler os argumentos. É o que alertava o próprio Partido Comunista Brasileiro, na época em que se podia pensar:

Trata-se do hábito de raciocinar dentre de esquemas fixos. Este "método" de raciocínio se limita a apanhar os fatos e enquadrá-los dentro do esquema pré-determinado. Exemplo é o esquema "revolucionário x reacionário". Segundo este esquema, tudo o que temos a fazer é classifica as pessoas, os atos e os fatos em "revolucionários" ou "reacionários" (...) Como poderemos compreender a realidade, mantendo esta atitude? (1962)


Hoje, o esquema se divide em "progressista x reacionário", tendo em vista que a revolução socialista agora segue a pregação de Antônio Gramsci em que a revolução deve ser feita por vias democráticas, com conquista do aparelho cultural e do estado, sem explicitar os objetivos. Foi assim, aderindo a este "método", que um Caio Prado Jr, comunista de inegáveis qualidades, se transformou em um Emir Sáder. O próprio pensamento marxista se empobreceu.

Um livro para ser lido com calma, são quase 600 páginas, de muita riqueza argumentativa e no próprio uso da linguagem. Olavo mostra tudo que nossos intelectuais parecem não ter, cultura, uso correto do idioma, capacidade de refletir. Por isso o livro incomodou muita gente. E foi nos protestos contra a obra que Olavo demonstrou sua própria tese, nenhum de seus argumentos foi contrastado ou combatido, o coro foi na direção da classificação de sua pessoa em reacionário, e o uso de termos que ele próprio adiantou, a título irônico de sugestão, na contra-capa do livro.

Realmente, algo vai muito mal no pensamento intelectual brasileiro.

terça-feira, janeiro 08, 2008

Suporte técnico

Prezados Técnicos ,

Há um ano e meio troquei o programa [Noiva 1.0] pelo
[Esposa 1.0] e verifiquei que o Programa gerou um
aplicativo inesperado chamado [Bebê.exe] que ocupa
muito espaço no HD.

Por outro lado, o [Esposa1.0 ] se auto-instala em
todos os outros programas e é carregado
automaticamente assim que eu abro qualquer
aplicativo.

Aplicativos como [Cerveja_Com_ A_Turma 0.3],
Noite_De_Farra 2.5] ou [Domingo_De_ Futebol 2.8],
não funcionam mais, e o sistema trava assim que eu
tento carregá-los novamente.

Além disso, de tempos em tempos um executável oculto
(vírus) chamado [Sogra 1.0] aparece, encerrando
abruptamente a execução de um comando.

Não consigo desinstalar este programa. Também não
consigo diminuir o espaço ocupado pelo [Esposa 1.0]
quando estou rodando meus aplicativos preferidos.

Sem falar também que o programa [Sexo 5.1] sumiu do HD.

Eu gostaria de voltar ao programa que eu usava
antes, o [Noiva 1.0], mas o comando [Uninstall.exe]
não funciona adequadamente.

Poderia ajudar-me? Por favor!

Ass: Usuário Arrependido


RESPOSTA:

Prezado Usuário,

Sua queixa é muito comum entre os usuários, mas é
devido, na maioria das vezes, a um erro básico de
conceito: muitos usuários migram de qualquer versão
[Noiva x.0] para [Esposa 1.0] com a falsa idéia de
que se trata de um aplicativo de entretenimento e
utilitário.

Entretanto, o [Esposa 1.0] é muito mais do que isso:
é um sistema operacional completo, criado para
controlar todo o sistema!

É quase impossível desinstalar [Esposa 1.0] e voltar
para uma versão [Noiva x.0], porque há aplicativos
criados pelo [Esposa 1..0], como o [ Filhos.dll], que
não poderiam ser deletados, também ocupam muito
espaço, e não rodam sem o [Esposa 1.0].

É impossível desinstalar, deletar ou esvaziar os
arquivos dos programas depois de instalados. Você
não pode voltar ao [Noiva x.0] porque [Esposa 1.0]
não foi programado para isso.

Alguns usuários tentaram formatar todo o sistema
para em seguida instalar a [Noiva Plus] ou o [ Esposa
2.0], mas passaram a ter mais problemas do que antes
(leia os capítulos 'Cuidados Gerais' referente a
' Pensões Alimentícias' e ' Guarda das crianças' do
software [CASAMENTO].

Uma das melhores soluções é o comando
[DESCULPAR.EXE/ flores/all] assim que aparecer o
menor problema ou se travar o micro. Evite o uso
excessivo da tecla [ESC] (escapar). Para melhorar a
rentabilidade do [Esposa 1.0 ], aconselho o uso de
[Flores 5.1], [Férias_No_Caribe 3.2] ou [Jóias 3.3].

Os resultados são bem interessantes!
Mas nunca instale [Secretária_De_ Minissaia 3.3],
[Antiga_Namorada 2.6] ou [Turma_Do_Chopp 4.6], pois
não funcionam depois de ter sido instalado o [Esposa 1.0]
e podem causar problemas irreparáveis no sistema.

Com relação ao programa [Sexo 5.1] esquece! Esse roda quando quer.

Se você tivesse procurado o suporte técnico antes de
instalar o [Esposa1.0] a orientação seria: NUNCA
INSTALE O [ESPOSA 1.0] sem ter a certeza de que é
capaz de usá-lo!

Agora.... Boa sorte

segunda-feira, janeiro 07, 2008

Destino: Brasília

Agora começou a correria, já recebi a informação de que o apartamento em Brasília está disponível. Nada que já não tenha passado antes, muitas vezes. Transportadora, pintura, malas, etc. Um complicador a mais: tenho coisas no Rio e em Resende.

Avante!

domingo, janeiro 06, 2008

Visconde Mauá

Já tinha estado em Mauá uma vez há 13 anos. Lembrava pouca coisa, estrada ruim, fomos em grupo, fizemos um churrasco à beira de um riacho, e voltamos no mesmo dia. Em resumo, nada de extraordinário.

Por causa desta viagem, acabei ficando com uma idéia de Mauá que na verdade se mostrou um preconceito, tendo em vista que não cheguei a visitar realmente seu potencial turístico, e acabei julgando o todo por uma parte. Por causa disso, morei os cinco últimos anos em Resende, a 40 km da localidade, e só agora, no apagar das luzes, fugi com minha esposa para passar dois dias lá.

Foi bem diferente do que imaginava. Sim, a estrada ruim ainda está lá, mas nada de outro mundo. A idéia que eu tinha de uma lugar sem nenhuma estrutura, habitada por hippies perdidos em pleno século XXI, mostrou-se para lá de errada. O que vi foi um conjunto de pousadas e restaurantes pitorescos e extremamente agradáveis.

Aqui cabe uma confissão. Desde que colocamos os pés em Resende, Eliene tem me cobrado uma ida à região. Fiz pouco, refutei, ignorei. No fim descobri que perdi a oportunidade de ter ido lá mais vezes. Mais uma para a minha galeria de arrependimentos e uma importante lição: nunca ignore os desejos de sua esposa! Afinal, mulheres possuem intuições melhores do que as nossas.

Chegamos no sábado, almoçamos em um restaurante japonês, que também é uma pousada. O proprietário é casado com uma nissei, que preparara os pratos. Já saiu em alguns jornais do Rio, como observamos em quadros na parede do estabelecimento. Chama-se Warabi.

Ficamos em uma pousada chamada Rio-Minas, fica bem no centro de Maringá, a principal vila da região e em frente de um barzinho muito legal, o Casebre. Ficamos a noite lá, comendo petiscos, tomando uma cervejinha e escutando MPB. A decoração e o ambiente eram um show a parte.

Visitamos lojinhas, compramos bugigangas, no dia seguinte voltamos. Demos uma parada na vila de Mauá, o que se revelou meio decepcionante. Nada demais por lá, o bom mesmo está em Maringá, conforme já tinham me avisado.

Vamos tentar ir uma outra vez antes de nos mudarmos, desta vez levando as crianças. Por mais que precisássemos de um tempo para nós dois, ficamos o tempo todo lembrando do Luan e Lorena. Não tem jeito, somos uma família; estamos sempre pensando nos ausentes. Aproveitar tanta beleza sem dividir com nossos dois pequenos é injusto. Devemos a eles uma nova visita.

Foi uma viagem bastante curta mas muito boa. Prometo que da próxima vez vou escutar melhor minha metade em suas intuições.

MPB no Casebre

sexta-feira, janeiro 04, 2008

Mau exemplo

Estava vindo do Rio ontem quanto, nas imediações de Barra do Piraí, o trânsito simplesmente parou. A passagem de ambulâncias indicavam que era grave, e sempre é quando interditam a rodovia.

A despeito disso tudo, vários motoristas insistiam em transitar pelo acostamento, como se fossem ganhar muito tempo com isso. O acostamento, em um caso destes, é fundamental para as operações de socorro e até mesmo para liberar o tráfego. Mas querer que estes motoristas pensem nisso já é demais. Fica o registro de mais um exemplo de gente que não tem a menor consciência de comunidade, de assumir sua responsabilidade para construir uma sociedade mais justa.

Vendo aqueles carros passando fica claro como é longo o caminho a ser percorrido para atingir um nível mínimo de civilidade.

Se é que estamos percorrendo este caminho.

quarta-feira, janeiro 02, 2008

Artigo do Kanitz

O artigo de Stephen Kanitz na Veja da semana passada é daqueles imperdíveis. Fala sobre a distinção de brasileiros e brasilianos. Comentei sobre ele aqui.