terça-feira, janeiro 15, 2008

Anjos e Demônios

Angels & Demons
Dan Brown (2000)


Já tinha lido "O Código Da Vinci" em 2005, parece que é unânime que este romance seria melhor do que o que tornou Dan Brown famoso.

Não achei nem melhor, nem pior. O motivo é simples: os dois livros são o mesmo! O paralelo entre as duas obras é impressionante: um velho estudioso é morto no início por um assassino excêntrico, em seu corpo ficam símbolos, Robert Langdon é chamado, faz parceria com uma jovem parente, é envolvido em uma busca frenética para impedir uma grande conspiração, a Igreja Católica está envolvida, A Igreja é aquela que impede o avanço da humanidade, etc...

Dan Brown realmente sabe escrever um best seller, explorar bem uma boa teoria da conspiração, colocar obras de arte e religião para conferir um grande mistério ao romance. É um livro de aventura, ritmo acelerado, mas que poderia desenvolver melhor os personagens, sair um pouco da superfície. Gente como Stephen King já mostrou que é possível fazer um best seller com um pouco mais de psicologia. Seus enigmas podem impressionar muitos leitores, mas neste item, Maurice Leblanc era insuperável.

O que achei curioso, é que a despeito da semelhança de ambas as obras, o efeito produzido foi bem diferente em minha pessoa. A razão talvez seja que de 2005 para cá eu tenha feito muita leitura séria, de gente grande, e tenha ganho um pouco mais de cultura neste processo. E isso se reflete na forma como encaro o conflito ciência X religião.

Hoje em dia questiono a forma como a ciência se tornou absoluta, avançando rapidamente e mantendo qualquer reflexão moral em segundo plano, estática no tempo. Conforme este ponto de vista, a bomba atômica foi um sucesso, uma experiência científica perfeita! Já sobre o ponto de vista moral e humano, a estória é outra. Talvez aí esteja uma questão da mais séria de nossos tempos, o que é a ciência sem a filosofia? Sem o questionamento? Sem pensar no problema ético?

Alguns argumentam que a moral independe da religião. Pode até ser, mas este projeto de moral apenas pela razão não me convence, nem um pouco. O iluminismo foi isso, e para mim o seu resultado foi as duas guerras mundiais. A religião, seja qual for, prega valores morais em termos de semelhança com um ser perfeito, um absoluto. Algumas chamam este ser absoluto de Deus, outras dão outro nome, não importa, mas é um sistema que tem uma raiz consistente. A era moderna gerou sistemas voláteis, baseados em verdades relativas sempre em qüestionamento. Foi o caminho que levou ao nazismo, ao comunismo, e tantas ideologias que sobre o pretexto de criar uma nova humanidade nada mais fez que destruí-la.

Muito já se matou em nome de Deus, mas nem se compara com o que se matou por sua ausência. A religião não é o vilão da modernidade, mas a sua falta me incomoda profundamente. Querem uma prova da existência de Deus. Acho que a resposta que tenho para esta pergunta é simples: por que? Não basta acreditar? Por que a necessidade de se provar a Sua existência? Os mesmo que dizem que somos irracionais em acreditar sem provas, são os mesmos que acham o máximo da razão dizer que ele não existe, mesmo sem ter provas da sua não existência. Quem é o obscurantista? Não é uma prova de fé afirmar que Deus não existe?

O livro de Dan Brown é interessante, funciona, é entretenimento. Só lamento que tenha colocado as reflexões mais interessantes, mais profundas, nas palavras do vilão do livro, que no final se mostra um desequilibrado e megalomaníaco. E tenha colocado com seu expositor, um cientista que é o exemplo de tudo que expus de meus pensamentos: um homem para quem o progresso não pode esperar pela reflexão ética.

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