segunda-feira, fevereiro 04, 2008

Carnaval

Há tempos que meu programa ideal de carnaval é fugir de qualquer coisa que lembre carnaval. Simplesmente aproveito o feriado para ficar com a família, a festa em si fica quase que totalmente para escanteio. O quase é por conta das crianças... e assim fui numa matinê hoje em Brasília.

Foi bom rever velhos amigos e ver a Lorena brincar. Vou a uma festa destas para cumprir uma obrigação contratual quando se resolve ter filhos. Confesso que me é uma tortura. Não suporto as músicas, as marchinhas, as músicas baianas e a aglomeração de gente. Fico doido para cair fora o mais rápido possível.

Sempre achei que o carnaval é uma festa para solteiro; um bom motivo para cair na farra. O casamento é uma libertação da festa. Não tenho mais nada para fazer lá. Beber e jogar conversa fora eu faço em qualquer outro lugar e com um som bem mais agradável.

O Brasil que me perdoe, mas esta festa não me significa nada. É vendida como uma expressão cultural do brasileiro. Se um desfile de escolas de samba é nossa maior expressão cultural, muita coisa se explica. Segundo a constituição, é. Ela define a cultura como qualquer manifestação que trate do brasil, da nacionalidade. Curioso que se um autor brasileiro fizer um tratado sobre uma questão universal e fizer uma contribuição para o avanço do pensamento da humanidade, não será, por aqui, considerado como cultura. Aristóteles não seria cultura na Grécia!

O que temos é um motivo para esquecer os problemas e dissabores da vida e cair na folia. Com muita cerveja, é claro. Sempre há efeitos colaterais, como acidentes de trânsito e gravidez indesejada, mas são ossos do ofício. O ministro Temporão está preocupado com este último e já tem a solução: a pílula do dia seguinte. Mais incentivo à folia irresponsável, impossível.

O governo também está preocupado com o primeiro, está proibindo a venda de bebida alcóolica nas estradas. Se o motorista levar sua cerveja no banco do lado não há problema. O fato de uma série de países ter índices de acidentes bem menores do que o Brasil, sem proibir a prática não é significativo. O de criminalizar o motorista que coloca a vida, sua e dos outros, em risco nem pensar. Assim temos uma Paris Hilton cumprindo pena por dirigir embrigada, mesmo sem provocar um acidente, nos EUA. No Brasil? Temos gente condenada, com três mortes nas costas, jogando futebol após passar 1 dia na prisão.

Mas viva o carnaval!

Um comentário:

guerson disse...

Engraçado vc falar sobre isso. Eu estava falando sobre isso com o Dirani esse fim de semana. Eu adorava pular carnaval quando criança e curtia bastante acompanhar o desfile das escolas de samba pela tv. Mas nunca gostei da festa depois de adulta. Nunca fui de beber pra cair e portanto pra mim a festa nunca teve muita graça pois ser a única pessoa sóbria numa multidão de bêbados não é muito divertido. Principalmente se a maioria dos bêbados são homens e vc é mulher...

Depois que saí do Brasil, eu só lembro que é carnaval quando ligo pra casa e o pai comenta que está indo pra Lins passar o carnaval ou quando abro um calendário e vejo dizendo "ash wednesday", apesar de que não é feriado por aqui.

Conversando com alguns brasileiros expatriados o tópico era como aproveitar o carnaval por aqui. Minha resposta: carnaval? o que é isso? De uma certa forma, quando se espressa esse tipo de sentimento, você corre o risco de ser visto como um brasileiro que renegou a própria cultura. Um absurdo, é claro.

Nesse ponto, eu gostei MUITO mais das festas culturais na Espanha, onde celebravam a cultura local e onde vários eventos importantes dos festivais (como o desfile dos gigantes, os castellers - torres humanas -, e os correfocs - grupos que saem jogando faíscas nos outros) requerem não só que os participantes estejam sóbrios mas incluem pessoas de todas as idades no mesmo grupo. Os castellers precisam de participantes de 6 anos de idade até 80 anos... São eventos onde a comunidade toda participa junta.

E era isso que eu gostava no carnaval em Leopoldina. Íamos todos para o clube juntos e pulávamos juntos até altas horas da madrugada...

Quanto a beber embriagado, é uma coisa que sempre me choca quando vou ao Brasil. A campanha aqui é tão séria que mesmo os jovens não dirigem depois de ter bebido. E mesmo se só tenham bebido umas duas cervejinhas, eles não dirigem. Todo grupo tem um "designated driver", responsável por beber refrigerante a noite toda pra poder levar o pessoal pra casa. E na época das festas de fim de ano existe um serviço gratuito, organizado por voluntários, que levam vc e seu carro em casa se vc tiver bebido e não puder dirigir.

é claro que de vez em quando alguem se envolve em um acidente ou coisa assim. E é isso mesmo que aconteceu com a Paris Hilton - vc perde sua carteira e se persistir, cadeia...