segunda-feira, fevereiro 04, 2008

Columbo

Sempre adorei estórias policiais, minha iniciação no mundo da literatura foi através de Agatha Christie. Um dos aspectos que acho fascinante é a psicologia dos detetives, seus métodos. A força da criação dos autores estão justamente na força de seus protagonistas; falar de Connan Doyle é falar de Sherlock Holmes; de Christie é falar de Poirot (meu favorito) e Miss Marple. Esta escritora chegou a colocar o detetive belga competindo com Holmes (na figura de Giraud em "Assassinato no Campo de Golfe", chegando a ironicamente emprestar o Capitão Hastings para fazer o papel de Watson).

Na televisão surgiram um profusão de detetives , normalmente em séries televisionadas. Nos dias de hoje temos dois protótipos, Monk e House. Sim, este último também é um detetive pois também investiga um medo mais real para o americano, as doenças.

De modo geral são pessoas inteligentíssimas, que resolvem casos, que nós mortais consideramos quase impossíveis, em deduçõs magníficas. Ultimamente me deparei com dois investigadores que fogem a esta regra. São pessoas comuns, que resolvem crimes comuns, muitas vezes óbvios. A seu favor a determinação de investigar cada aspecto do problema, afastar as hipóteses inconsistentes e chegar, com muito esforço à verdade. O primeiro é a criação de George Simenon, o inspetor Maigret; o segundo é o assunto deste post, o Tenente Columbo da polícia de Los Angeles.

Nos episódios do seriado, sabe-se de início quem é o assassino, uma inovação no gênero. Detalhadamente é mostrado o crime, tenta-se passar para o espectador a idéia de que sua realização foi um sucesso. O criminoso prepara um alibi perfeito, ou uma encenação, para desviar a atenção dos investigadores para outro caminho. Então chega Columbo. E o criminoso agradece aos céus...

Sim, porque a primeira imagem de Columbo é péssima. É atrapalhado, parece ter dificuldade para entender o que está acontecendo, mostra uma reverência exagerada para o criminoso, muitas vezes declara-se um fã. Estabelece-se uma oposição, pois o assassino é uma pessoa metódica,fina, uma personalidade. Diante de Columbo, não pode deixar de escapar um sorriso, será mais fácil do que imaginava. Então o detetive, já de saída, solta sua última frase "just one more thing..."

Pronto. É uma pergunta simples, muitas vezes um breve comentário, que mostra que Columbo percebeu algo de errado. Uma pequena falha do plano. O assassino não chega a ficar com medo, mas começa a ficar alerta. Percebe que talvez tenha substimado demais, mas fica tranqüilo, aquilo ainda não é nada. Mas para Columbo é o fio de uma investigação, e a ele se agarra. Aos poucos vai desenrolando o novelo, contando para isso com a própria soberba do criminoso. Nessa altura já sabe quem é o culpado, falta-lhe provar. Seu método é deixá-lo falar. Estimulá-lo, levá-lo a falar sobre questões triviais, e então vem de novo "one more thing..."

O criminoso começa a se sentir cercado. É uma perseguição. Onde quer que vá, lá está Columbo, cada vez mais perto. Então vem o erro fatal, a improvisação. E ele se perde completamente. Foi vencido por um detetive cujo grande mérito está na atenção aos pequenos detalhes, no julgamento de caráter, e na compreensão da personalidade humana. O criminoso é um vaidoso, tem orgulho de seu plano, e acaba por se trair.

Columbo foi uma série fascinante, estrelada por Peter Falk, que deu vida a um personagem bastante original, contrário a tudo que se via na época. Entre os criminosos, participações mais do que especiais. O médico vivido por Leonard Nimoy ou os gêmios por Martin Landau, por exemplo, são impagáveis. Pode-se ver o DNA de Columbo em personagens como Monk. Ah, Columbo também tinha um problema, uma dificuldade absurda para se concentrar. Hoje seria diagnosticado como hiperativo. Na mesma conversa mudava de assunto, para as maiores banalidades, deixando o seu interlocutor, geralmente o criminoso, totalmente perdido e irritado.

A série está disponível em DVD no Brasil. Vale cada centavo.

Um comentário:

Marcos Guerson disse...

Eu tinha certeza de que você iria gostar. Quando eu era mais jovem e você era um garoto, eu era fã dessa série.
Comparando-a com as atuais, passamos a admirá-la mais porque, afinal, Columbo tinha a sua intuição como arma infalível, mas não tinha os recursos científicos que os detetives modernos possuem para solucionar os seus crimes.