quinta-feira, fevereiro 28, 2008

Que pesadelo

Do blog do Torero:

Que jogo, torcida brasileira, que jogo!

Somente os péssimos entre os péssimos estavam em campo! As duas mais vergonhosas seleções brasileiras de todos os tempos finalmente se encontraram para ver qual era a pior.

De um lado, o time de 1990, a seleção dos prêmios fora de hora e dos empresários na concentração, aquela que primou pelo futebol feio e pelo estilo Dunga.

Do outro, o time de 2006, a seleção das vaidades pessoais, com seus gordos atacantes e seu futebol sem personalidade.

Nas arquibancadas, além dos torcedores (que reclamaram do preço do ingresso, pois receberam apenas 100 dólares cada um para assistir ao jogo) estavam as seleções de 74 e 66, que foram convidadas para assistir à final nas tribunas de honra. Um castigo merecido.

O primeiro momento de emoção foi quando tocou o Hino Nacional. O segundo também. A surpresa foi que os jogadores quase não erraram na letra, pois assim que o Hino começou a ser tocado, eles correram para um monitor da Globo na beira do gramado, a fim de seguir a letra que passava nas legendas. Um karaokê canarinho.

Curiosamente, durante a execução do Hino, Roberto Carlos cobriu com a mão o logo da Nike em sua camisa (exigência de seu patrocinador, as meias Lupo).

A partida teve um atraso de quinze minutos porque Gornaldo pediu para mudar de time, pois o slogan da seleção de 90 era "Papa essa, Brasil!", e papar é com ele mesmo! Infelizmente, depois de consultadas as regras da Copa dos Pesadelos, não permitiram a mudança.

Como em todas as finais das Copas dos Pesadelos, o trio de arbitragem foi formado pelo matemático Armando Marques, pelo artilheiro José de Assis Aragão e pelo bicampeão Márcio Rezende de Freitas.

Antes do jogo começar, uma autêntica demonstração de fairplay: os dois técnicos apertaram as mãos e disseram em uníssono: "Que empate o melhor".

Mas chega de conversa e vamos ao jogo!

01': Na arquibancada, Leão reclama que a partida está muito ruim.

10': Cafu sobe para o ataque.

13': Robinho para Cicinho. Cicinho para Robinho. Robinho devolve no Cicinho. Cicinho retorna para Robinho. Robinho para Cicinho com efeito. Cicinho para Robinho com força. Partida emocionante de tênis de mesa no banco!

15': GOOOOOOOL! Branco cruza na pequena área, a bola bate em Montinho Artilheiro e encobre Dida. 1 a 0 para a seleção de 90. E olheiros do Real Madri pensam em contratar Montinho.

21': Dunga olha para as tribunas e lágrimas rolam de seus olhos quando ele vê seus ídolos dos tempos de carrinho de rolimã: Luiz Chevrolet e Ademir Karmann Guia.

23': Lúcio dribla um. Lúcio chapela o segundo. Lúcio dá uma canetinha no terceiro. Lúcio dá um lençol no quarto. Lúcio encobre o goleiro! Lúcio desliga o Playstation e volta para a partida.

25': Dunga chuta Ronaldo pensando que ele é a bola.

26': Dunga chuta Adriano pensando que ele é a bola.

27': O árbitro dá cartão amarelo para Dunga por ele ter chutado a bola. É que o juiz achou que se tratava de Ronaldo.

29': Falta (de classe) para o Brasil de 90. Branco solta a bomba, a bola vai direto na pança de Ronaldo que estava na barreira e volta com toda força. A bola atravessa todo o campo e entra no ângulo de Taffarel. GOOOOOOOL! 1 a 1.

32': Galvão Bueno termina de pronunciar a frase “Gol de Rrrrrrrrrrrronaldo!”

33': Muller prega em campo. Kaka reza.

34': Roberto Carlos sai de campo para atender o celular. É seu empresário dizendo que as meias Kendall querem cobrir a oferta da Lupo. Ele volta a campo de meia-calça por baixo do uniforme.

43' O árbitro encerra o primeiro tempo. "Pelo bem do espetáculo, dei acréscimo negativo!" A torcida aplaude a atitude do árbitro.

Os jogadores aproveitam o intervalo para tomar alguma coisa: Ronaldinho Gaúcho toma uma Pepsi, Cafu toma o remédio da pressão, Romário toma um preparado para a calvície e Roberto Carlos toma uma meia-de-seda.

46': O segundo tempo começa quente, com Müller provocando Ronaldo: "Eu perco gols, mas você não perde nem peso".

47'01”: Ronaldinho acerta a trave. 47'03”: Ronaldinho acerta a trave. 47'05”: Ronaldinho acerta a trave. 47´07”: Ronaldinho acerta a trave. 47’09” A trave quebra com tanta pancada e o jogo pára para que seja feita a substituição (da trave e de Ronaldinho).

50': Dunga tenta uma bela jogada, mas a bola enrosca em seu suspensório.

53': A seleção de 90 no ataque (de nervos). Dunga dá um carrinho em Ronaldo. Falta (de talento). Dunga sai lesionado. Ronaldo, rebocado.

54': Cafu toca na bola dentro da área, mas o juiz não marca o pênalti, por interpetar "bola-na-bengala" e não "bengala-na-bola".

57': Adriano plantado na área.

58': Um foguete de Rosenery atinge Dida na área. Júlio César protesta do banco de reservas: “Até tu, bruta?”.

59': Um casal de passarinho constrói seu ninho no ombro do Adriano.

62': Robinho dá pedaladas ergométricas em Alemão, ou seja, pedala, pedala e não sai do lugar.

66´: Kaká começa um papo religioso com Muller, e chegam à conclusão de que Silas com a 10 só pode mesmo ser coisa do Demo.

70': O jogo está tão monótono que Parreira decide pintar um quadro de Adriano e Ronaldo fazendo uma tabelinha.

72': Acaba a tinta de Parreira.

75': A torcida tenta deixar o Maracanã, mas é cercada pela polícia.

76': A torcida começa a fazer cordas com canudo de refrigerante para tentar escapar do estádio.

78': Ronaldo come a bola na partida. O gandula pega a bola reserva.

79': Zé Roberto cruza bola na área a meia-altura. Ronaldo se atira de baleia-jubarte, digo, de peixinho para tentar alcançar a bola, mas não consegue. Seu impacto no chão é tão impressionante que um setor da arquibancada desaba. Tremores de terra acontecem no Chile e no México, e um tsunami atinge a Nova Guiné.

80': Zé Roberto toca no ponto futuro para Ronaldo.

82': Ronaldo chega no ponto futuro, que agora já é passado.

83': Rosenery solta outro foguete. Ele dribla Lúcio, chapela Ronaldo, dá um autógrafo para Robinho, mas chuta para fora.

85': Cafu retorna daquela subida que deu aos 10´ da 1ª etapa.

88': Lance de conto de fadas! Dunga dribla os três porquinhos Adriano, Ronaldo e Ronaldinho Gaúcho, depois dá um chapeuzinho vermelho em Roberto Carlos e chuta em direção ao gol de Dida, que estava meio adormecido. Quando a bola ia entrando, Branco de Neve salva em cima da linha e manda a bola para um reino muito, muito distante.

89': Lúcio dá uma bicuda que atravessa o campo. Seria uma defesa fácil para Taffarel, mas ele vê duas bolas vindo em sua direção e acaba abraçando Ronaldo enquanto a bola rola mansamente para dentro das redes. É GOOOOOOOOOOL! E da seleção de 2006! 2 a 1 para o time de Parreira.

90': O juiz apita fim de jogo. O time de Lazaroni ganha o título de pior seleção de todos os tempos. E Galvão Bueno encerra a transmissão gritando: “É treta!, é treta!”

Um comentário:

guerson disse...

eu tô me acabando de rir! muito bom mesmo...