domingo, fevereiro 17, 2008

A vitória de Tropa de Elite

Esta semana muito vai se falar do Urso de Ouro conquistado pelo filme de José Padilha em Berlim. É uma vitória e tanto, e um baita sopapo na burocracia cultural brasileira que esnobou o filme para a disputa do Oscar. Tudo porque o filme ia na direção contrária ao que sempre se mostrou nas telas brasileiras; foi um desafio ao "progressismo" que impera na elite cultural brasilera. Pela primeira vez o bandido foi mostrado como bandido, sem justificativas, sem uma estória triste para mostrar seu lado "humano". Mas isto é estória velha, o importante é que o seu reconhecimento internacional pode levar a duas boas conseqüências.

O primeiro é forçar esta elite, principalmente a burocrática, a debater seus princípios. Nas últimas décadas se manteve intocável, donos da verdade. Olavo de Carvalho ousou desafiá-la em "O Imbecil Coletivo", e foi o que se viu na não escolha de "Tropa de Elite" para representar o Brasil no Oscar. Está mais do que na hora de se debater as teses do progressismo, do politicamente correto.

O segundo é estimular que surjam outras produções que rompam com a mesmice do cinema nacional, não só falando de violência urbana, mas tratando de outros temas semelhantes. Que tal um filme sobre o período militar sem cair no romantismo socialista que não existiu? Que tal falar de nossa história sem se basear na teoria da dependência? Que tal mostrar um sujeito rico e honesto? Tem muito campo aí, e público também.

Que essa caminhada do filme seja um divisor de águas, um início de uma nova era, que longe de implantar uma nova forma de ver as coisas, provoque um debate verdadeiro entre várias formas de ver o mundo. O público só teria a ganhar com uma verdadeira pluralidade e o questionamento dos lugares comuns frutos da mediocridade da maior parte dos pensadores brasileiros.

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