domingo, março 30, 2008

Descobrindo uma nova velha banda


Existem bandas famosas que são completamente ignoradas aqui no Brasil. É o caso do Grateful Dead, banda americana surgida nos anos 60 em meio a psicodelia que marcou a geração "flower power". Talvez por isso nunca tenha me interessado em escutá-los, não sou particularmente fã de folk music.

Mas na minha pesquisa sobre Ann Coulter (ver post abaixo), deparei-me com uma entrevista dela que girou praticamente sobre esta banda. O próprio entrevistador ficou surpreso, não imaginava que uma colunista conservadora fosse uma ''deadhead" e mesmo que se mostrasse uma pessoa agradável.

Enfim, li a entrevista e interessei-me pela banda e baixei um best of na net. E adorei! Ao contrário do que imaginava, não se trata de folk music, mas de uma mistura do próprio folk com rock, blues e country. As harmonias vocais são excelentes, e o baixo de Phill Lesh __ que conhecia de uma gravação com o Gov't Mule __ é um show.

Por mais tempo que se tenha de rock'n'roll sempre nos deparamos com novidades, e muitas delas podem ser classificadas de tudo, menos novidade!

If Democrats Had Any Brains, They'd Be Republicans


Por Ann Coulter(2007)

Our Country had just been hit by the greatest terrorist attack in the history of the world. Naturally, liberals immediately turned to the most important business at hand: making sure Ann Coulter didn't hurt terrorists' feelings with harsh language. In liberals' defense, I could hava proposed converting the littel darlings to anything but Christianity __ cannibalism, communism, scrapbooking __ and liberals would not have been so testy.

Nunca tinha ouvido falar de Ann Coulter; comprei este livro pelo título e pela citações da contra-capa. Pelo que pesquisei na internet (bom e ficando velho google) trata-se de uma colunista conservadora, odiada por 10 em cada 10 liberais americanos. Só este fato justifica porque nunca se ouviu falar dela aqui ao sul do equador. Existe uma barreira editorial contra o pensamento conservador americano. Podemos encontrar livros de Michael Moore, Al Gore, Hilary Clinton, Barak Obama, mas não sabemos nem quem são os conservadores! A imagem é que mercado editorial americano só publica livro de autores liberais.

O livro é perfeito para conhecer Ann Coulter, tendo em visto que é sobre ela mesma. A autora separou por assunto várias citações suas de livros anteriores, colunas e entrevistas, mostrando seu ponto de vista sobre quase tudo de relevante nos Estados Unidos.

Fica fácil ver por que é odiada pelos liberais, ela simplesmente não faz concessões. Seu pensamento é claro, incisivo e sem o receio de usar palavras que possam soar ofensivas. Talvez seja o maior mérito deste livro e da própria Coulter, ela simplesmente ignora o politicamente correto e suas amarras de linguagem.

Fala de praticamente tudo. Defende Bush, Reagan (seu ídolo), McCarthy, a Guerra do Iraque, posse de armas, patriotismo e acima de tudo o cristianismo. Condena os Clintons, Kennedy, o partido democrata inteiro, aborto, politicamente correto, ambientalismo, New York Times, imigração, pacifismo e etc.

Agora começo a fazer a diferenciação programática entre os partidos republicano e democrata. Descobri que minha discordância com o primeiro é bastante pontual, como no caso da pena de morte (sou absolutamente contra). No resto estou mais ou menos de acordo. Só não dá para torcer muito por John McCain, considerado meio que um democrata infiltrado. Como diz Ann: entre Obama, Clinton e McCain, não há muita diferença entre quem vai ganhar.

sábado, março 29, 2008

Justiça em Aristóteles

Terminei esta semana o livro 5 de Ética a Nicômaco, de Aristóteles. Estava lendo a edição da Martin Claret, mas depois de ler algumas críticas sobre a tradução (ou não tradução) da editora acabei comprando uma edição britânica tradução de Harris Rackham, esta já consagrada. Estou descobrindo que existe um problema sério de tradução de obras filosóficas no Brasil. No que se refere aos gregos, poucas são as diretas e o plágio corre solto. Mas voltando à obra.

Dois sentidos para Justiça

A primeira distinção que o filósofo faz é sobre a existência de duas naturezas para a palavra justiça, uma geral e outra particular.

A justiça seria a aptidão moral do homem que o torna apto para realizar coisas justas, e realizar atos justos e desejar o que é justo. O termo justo refere-se tanto ao legal quanto ao igual e o injusto refere-se ao ilegal e ao desigual. Desta forma, o homem injusto seria aquele que pega uma parte maior do que mereceria em uma divisão de um bem.

Normalmente pensa-se no bem no sentido absoluto, mas nem sempre o que é bom no sentido absoluto o é no particular. Esse é o bem que o homem deseja e persegue; embora não devesse fazê-lo; ao invés de escolher o que seria bom para ele, deveria rezar para o que é bom em um sentido absoluto também fosse bom no particular. É uma passagem interessante que mostra que não sabemos realmente o que é bom para nós.

As coisas legais são justas em um sentido da palavra, pois o legal é decidido por uma legislatura e as decisões da legislatura são chamadas regras da justiça. A lei prescreve condutas, estas relacionadas com a virtude. A conduta de um homem bravo, por exemplo, é não desertar do seu posto.

Neste sentido a justiça é a virtude perfeita e desta forma é considerada a maior de todas as virtudes. Segundo o provérbio:

Na justiça todas as virtudes são encontradas somadas.

Este é o primeiro sentido das justiça, onde não é parte da virtude, mas é a virtude por inteiro.

Justiça no sentido particular

A justiça no sentido particular refere-se ao ganho, não só econômico, mas de honra, segurança ou qualquer outro termo. Para exemplificar Aristóteles utiliza duas situações referentes ao adultério. Na primeira o adúltero é movido por alguma situação de lucro, obtendo ganho pelo ato; na segunda, o motor é o desejo e tendo de pagar, se perdendo no ato. Este último incorreu no vício da intemperância, mas não no da injustiça enquanto que o primeiro cometeu um ato injusto, mas não intemperante. A justiça envolvida neste ato é no sentido particular, é o vício da injustiça.

A justiça no sentido particular é dividida em dois casos. Um é a distribuição da honra, saúde, e outros aspectos divisíveis da comunidade, que é alocado para seus cidadãos em partes iguais ou desiguais. O outro caso é a do princípio da correção nas transações privadas.

Justiça Distributiva e Justiça Corretiva

A justiça distributiva envolve pelo menos quatro termos: as duas pessoas para quem é justo e as duas partes que são justas. Se as pessoas não são iguais, não terão partes iguais. A justiça seria uma forma de proporção. Segundo Aristóteles, distribuir partes iguais para pessoas desiguais seria uma injustiça da mesma forma que distribuir partes desiguais para pessoas iguais.

A justiça neste sentido é a proporção, e o injusto é aquele que viola a proporção.

Na justiça corretiva o princípio é diferente. Não há diferença se um homem bom defrauda um homem ruim ou um ruim defrauda o bom, nem se um homem bom ou um homem mau comete adultério; a lei apenas considera a natureza do dano, tratando as partes como iguais. É onde entra o juiz que julgará a questão pois ir ao juiz é procurar a justiça, o ideal do juiz é falar como a justiça personificada. Considerando a justiça como uma espécie de média, o juiz é a média entre os litigantes.

A justiça política

No que se refere à comunidade, Aristóteles utiliza o termo justiça política para tratar da relação entre as pessoas.

Justiça política significa a justiça média entre as pessoas livres e (exatamente ou proporcionalmente) iguais, vivendo uma vida comum para o propósito da satisfação de suas necessidades.

O filósofo afirma que o homem não deve governar, mas sim a lei, porque o homem governa em seu próprio interesse e se torna um tirano; mas a função do governante é ser um guardião da justiça, e se da justiça, então da igualdade.

Justiça e Responsabilidade

Aristóteles afirma também que para que haja responsabilidade no ato, é necessário que seja cometido voluntariamente, desta forma é possível que um ato seja injusto sem que seja um ato de injustiça, se não há a qualificação da voluntariedade.

Um ato involuntário é cometido na ignorância, ou fora do controle do agente, ou ainda sobre a forma de compulsão. Alguns destes atos são perdoáveis, outros não. Os cometidos na ignorância causados pela ignorância são perdoáveis, mas os cometidos na ignorância causados por vícios não-naturais e desumanos são imperdoáveis.

Eqüidade

Existe uma dificuldade na separação da eqüidade e da justiça tendo em vista que o primeiro, apesar de justo, não é a justiça legal, mas a retificação da justiça legal. A lei é generalista, surgem casos que não podem ser analisados de forma geral. É a retificação da lei onde a lei é defeituosa por sua generalidade.

O homem eqüitativo é aquele que por escolha ou hábito faz o que é eqüitativo, e que não fica parado em seus direitos sem fazer nada, mas o que se contenta em receber uma parte menor apesar de ter a lei ao seu lado.

Sem dúvida uma mensagem aos legalistas de hoje e a todos aqueles que se escoram na lei. Estes buscam não a justiça, mas o que podem ganhar com ela.

O homem não pode cometer injustiça contra si mesmo

Um ponto importante da filosofia de Aristóteles é que a justiça e injustiça envolve necessariamente duas ou mais pessoas e portanto não se pode agir injustamente contra si mesmo.

Ninguém é culpado de injustiça sem cometer um um ato injusto particular; mas o homem não pode cometer adultério contra sua própria esposa, ou assaltar sua própria residência, ou roubar suas posses.

quinta-feira, março 27, 2008

Flamengo 4 x 1 Friburguense

Em mais um jogo em ritmo de treino, o Flamengo conseguiu manter o 100% de aproveitamento contra os pequenos (ou como prefere o narrador da sportv, "médios"). O Campeonato Carioca com todos os jogos do grande em casa não teve a menor graça, e a média de público ridícula está sendo a maior prova. Tudo porque os grandes aceitaram o inchaço da competição em troca de não precisar jogar fora. O resultado foi sofrível, o melhor a fazer é esquecer e voltar atrás. Campeonato regional com poucos clubes e regras simples, foi assim que o carioca andou desbancando o paulistão nos últimos anos. Em 2008, perdeu feio.

Sobre o jogo nada a comentar. Preocupa-me a queda de Bruno nas saídas de bola aérea, estava muito mais firme na época das finais da Taça Guanabara. Foi um dos maiores ou o maior fator para o título conquistado. Depois falhou no jogo contra o Nacional e parece que está receoso, e pior, soltando demais a bola. É o único jogador do Flamengo que não tem reserva, é bom ter bastante atenção.

quarta-feira, março 26, 2008

Moondog Matinee(1973)



Moondog Matinee é considerado uma espécie de obra menor do The Band por muitos críticos. Tudo porque depois de Rock of Ages, um album ao vivo daqueles obrigatórios, a banda deu uma parada. Ao invés de voltar com material próprio, resolveram gravar um disco de covers, dando início a boatos que Robbie Robertson não estava mais conseguindo compor.

De minha parte estou cada vez mais convencido que a banda não conseguiu fazer uma "album menor". Existem uns melhores que os outros, mas todos são incríveis. Tudo porque a banda era formado por 5 músicos completos, capazes de trocar de instrumentos e inovar a cada canção.

É interessante notar que os covers escolhidos são relativamente desconhecidos, exceto por uma linda versão de The Great Pretender. Mesmo quando escolheram uma música de Chuck Berry optaram por uma lado B do lado B, Promissed Land. Diz a lenda que o guitarrista adorou.

Destaques para a voz magistral de Richard Manuel em Share Your Love, as duas baterias (Manuel e Billy Mundi) em Mystery Train, a interessantíssima Ain't Got No Home e o fecho de ouro com A Change Is Gonna Come de Sam Cooke.

Mais uma obra única de uma banda única.

segunda-feira, março 24, 2008

A Felicidade não se Compra

It´s a Wonderful Life (1946)

Direção: Frank Capra
Roteiro: Philip Van Doren Stern, Frances Goodrich
Elenco: James Stewart (George Bailey),Thomas Mitchell (Tio Billy), Donna Reed(Mary Hatch Bailey, Lionel Barrymore (Sr. Potter), Henry Travers (Clarence)



Sinopse:

Em Bedford Falls, no Natal, George Bailey (James Stewart), que sempre ajudou a todos, pensa em se suicidar saltando de uma ponte, em razão das maquinações de Henry Potter (Lionel Barrymore), o homem mais rico da região. Mas tantas pessoas oram por ele que Clarence (Henry Travers), um anjo que espera há 220 anos para ganhar asas, é mandado à Terra, para tentar fazer George mudar de idéia, demonstrando sua importância através de flashbacks. (Fonte: www.adorocinema.com.br)

Comento:


É inegavelmente uma das estórias mais belas já contada no cinema. Um filme edificante, que nos faz pensar muito sobre o sentido de muitas coisas que passamos na vida e refletir sobre nossos conceitos de felicidade.

George Bailey é um homem que nunca se conformou com o abandono de seus sonhos. Devido ao bom coração e seu senso de responsabilidade coloca os interesses das pessoas acima do seu. Seria um tipo de personagem comum no cinema, o bonzinho, mas Capra foge do estereotipo. George não se conforma e luta contra seus próprios bons instintos o tempo todo; gostaria de ser capaz de recusar este papel, mas não pode.

Uma das mais belas cenas do filme é quando trata Mary de forma cruel ao encontrá-la pela primeira vez após o baile de formatura do irmão. Devido a morte do pai, tinha deixado sua vaga na universidade para este, passando a tocar os negócios da família. Harry retorna casado e o sogro lhe fez uma proposta excelente para trabalhar em pesquisa. Harry garante que cumprirá sua parte no acordo pois sente-se em dívida com o irmão mais velho. George sabe que abrirá mão desta dívida e começa a se revoltar.

Mais tarde trata Mary de modo cruel; mais do que descontar sua raiva, sabe que ligar sua vida à dela é ligar-se para sempre à pequena cidade que odeia. Um telefonema o obriga a ficar perto da moça e não consegue se conter, seu amor por ela é maior do que seu sonho de partida. A agonia que mostra ao tentar resistir a este amor é comovente.

Sua caminhada não é fácil. Não são as dificuldades que o atingem, mas justamente o contrário, as diversas possibilidades que são lhe colocadas para trocar seu destino por seu sonho. Primeiro através de um amigo de infância que usa sua idéia e fica milionário, depois por uma proposta aparentemente irrecusável de Mr Potter. Recusa as duas, mas a angústia de ter passado estas oportunidades o persegue.

A despeito de toda sua capacidade e bem que fez ao longo da vida, encontra-se na véspera de natal diante da falência e a ameaça de prisão. Um seguro de vida no bolso lhe mostra a salvação, vale mais morto do que vivo. Em uma noite em que tudo dá errado e encontra-se em completo desespero é visitado por um anjo que lhe mostra o que seria do mundo a sua volta se nunca tivesse nascido.

Algumas situações são óbvias. Quando garoto salvo a vida do irmão, o que lhe custou a audição de um ouvido. Sem ele, Harry teria morrido aos 9 anos de idade e pior, toda tripulação de um navio transporte na II Guerra teria perecido pois o irmão não estaria lá para abater o kamikase inimigo. Mary seria um biblioteca solterona, a cidade estaria transformada sob comando do inescrupuloso sr Potter, as pessoas que ajudara com sua firma de construção e empréstimos estariam morando em barracos.

A situação mais interessante é a do barman Nick. Sem ele no mundo Nick torna-se dono do bar, o que poderia mostrar uma pessoa que ficou melhor sem sua existência. Mas é um Nick mudado, insensível, cruel. Não é apenas através dos atos que ajudara as pessoas, mas também por seu exemplo. Pessoas se tornaram melhores pela convivência com ele. O anjo Clarence diz a grande frase do filme: não sabemos até que ponto nossos pequenos atos tocam as pessoas. Quando somos retirados o que surge é um buraco na existência de cada uma delas.

George compreende que a felicidade já estava a alcance de sua mão, faltava-lhe entendê-la. Volta para casa radiante, já não lhe importa a falência, mesmo a prisão. Só quer ficar com sua família, partilhar sua alegria.

Então Capra dá seu último toque na sua obra. Nada do que George fez foi perdido, semeou amigos. Amigos que estavam prontos a se sacrificar por aquele que por eles abrira mão de seus sonhos. Quem possui amigos verdadeiros possui a chave para a felicidade.

Li em algum lugar que este filme fez mais pelas pessoas desesperadas do que todos os CVVs juntos. Pode ser exagero, quem vai saber? O fato é que trata-se de um filme belíssimo com mensagens sublimes. Sem dúvida um dos mais belos já filmados.

Nota 10


Quotes:

George Bailey: Just a minute - just a minute. Now, hold on, Mr. Potter. You're right when you say my father was no businessman. I know that. Why he ever started this cheap, penny-ante Building and Loan, I'll never know. But neither you nor anyone else can say anything against his character, because his whole life was - why, in the twenty-five years since he and Uncle Billy started this thing, he never once thought of himself. Isn't that right, Uncle Billy? He didn't save enough money to send Harry to school, let alone me. But he did help a few people get out of your slums, Mr. Potter, and what's wrong with that? Why - here, you're all businessmen here. Doesn't it make them better citizens? Doesn't it make them better customers? You - you said - what'd you say a minute ago? They had to wait and save their money before they even ought to think of a decent home. Wait? Wait for what? Until their children grow up and leave them? Until they're so old and broken down that they... Do you know how long it takes a working man to save five thousand dollars? Just remember this, Mr. Potter, that this rabble you're talking about... they do most of the working and paying and living and dying in this community. Well, is it too much to have them work and pay and live and die in a couple of decent rooms and a bath? Anyway, my father didn't think so. People were human beings to him. But to you, a warped, frustrated old man, they're cattle. Well, in my book he died a much richer man than you'll ever be.

Nick: [ringing the cash register repeatedly] Get me. I'm givin' out wings.

[George has discovered his brother Harry's tombstone]
Clarence: [explaining] Your brother, Harry Bailey, broke through the ice and was drowned at the age of nine.
George Bailey: That's a lie! Harry Bailey went to war - he got the Congressional Medal of Honor, he saved the lives of every man on that transport.
Clarence: Every man on that transport died! Harry wasn't there to save them, because you weren't there to save Harry.

Clarence: Strange, isn't it? Each man's life touches so many other lives. When he isn't around he leaves an awful hole, doesn't he?

Man on Porch: Why don't you kiss her instead of talking her to death?
George Bailey: You want me to kiss her, huh?
Man on Porch: Ah, youth is wasted on the wrong people.

George Bailey: Isn't it wonderful? I'm going to jail!

Clarence: Ohh, there must be some easier way for me to get my wings.

George Bailey: Now, you listen to me! I don't want any plastics, and I don't want any ground floors, and I don't want to get married - ever - to anyone! You understand that? I want to do what I want to do. And you're... and you're...
[runs out of words, sees her crying]
George Bailey: Oh, Mary, Mary...
Mary: George... George... George...
George Bailey: [kisses her intensely] Mary... Would you?... Would you?...

George Bailey: [the staff celebrates closing the building and loan company with only two dollars remaining, to stay in business] Get a tray for these two great big important simoleans here.
Uncle Billy: We'll save 'em for seed.
George Bailey: A toast! A toast! A toast to Mama Dollar and to Papa Dollar, and if you want to keep this old Building and Loan in business, you better have a family real quick.
Cousin Tilly: I wish they were rabbits.

domingo, março 23, 2008

Morte em Veneza

Thomas Mann (1912)

Aschenbach, de sua posição alta, reconheceu-o antes mesmo de vê-lo propriamente, e ia pensar algo como: 'Tadzio, aí também está você de novo!' Mas no momento sentiu como esta saudação negligente desfalecia e silenciava perante a verdade de seu coração __ sentiu o entusiasmo de seu sangue, a alegria, a dor de sua alma, e reconheceu que por causa de Tadzio a despedida se tornara tão pesada para ele.


Morte em Veneza é um destes livros que possuem camadas.

A primeira camada é a estória de um velho escritor que resolve viajar e deixa Munique com destino à Veneza. No hotel em que está hospedado existe um jovem polonês de 14 anos que personifica seu ideal de beleza e aos poucos vai se apaixonando. Praticamente não há diálogos, tudo é mostrado do ponto de vista do escritor (Aschenbach), o máximo que acontece de concreto são discretas trocas de olhar. Quem leu esta camada deparou-se com um livro chato, nada acontece.

Mas existe uma segunda camada. Esta camada mostra um conflito entre um homem vivido, burguês, conservador, escritor famoso. Um homem que reprova comportamentos que mostram a degradação do europeu. Primeiro um viajante que vê em Berlin e depois um velho que encontra-se no mesmo navio que ele na viajem à Veneza. O comportamento deste último, que procura parecer mais jovem do que é o revolta. "Mas era nojento de se ver em que estado, na falsa comunidade com a juventude, tinha ficado o velho janota". A descrição de sua viagem até encontrar o jovem Tadzio é sombria, assim como suas próprias reflexões.

É instigante sua chegada à Veneza. Depara-se com um portal que atravessa de gôndola. "Estava quente ali no porto, com um toque morno do sopro do siroco (...) 'A viagem será curta', pensou ele; 'gostaria que durasse para sempre!'". Percebe que o gondoleiro é uma figura sinistra, passa a supor que poderia ter caído nas mãos de um criminoso. O diálogo é bastante significativo, quando pergunta o preço da viagem o gondoleiro apenas responde: "o senhor pagará". Quando chega aos destino e vai trocar dinheiro em um hotel e volta para a gôndola não encontra-a mais. Um velho avisa "Ele deu o fora. Um homem mau, um homem sem concessão, prezado senhor. É um único gondoleiro que não tem concessão".

O que queria dizer? Seria este gondoleiro uma alegoria de Creonte, o barqueiro do inferno? Seria o portal uma representação da entrada no reino inferior? O fato é que o escritor nunca mais sairia de Veneza apesar de uma tentativa neste sentido. Tudo aparece como uma premonição.

No hotel Aschenbach conhece Tadzio, na verdade nunca chegaram a ser apresentados ou mesmo se falar. No início admira a beleza do rapaz, compara com o belo que sempre procurara em seus escritos. As referências do classicismo são constante, o velho se apaixona. Mann narra sua queda, a perda de sua própria individualidade. Torna-se o mesmo velho que lhe causara repulsa no navio ao procurar parecer mais jovem. A beleza o cega para tudo a sua volta e passa a viver para sua paixão. A narração deixa de ser sombria e o sol passa a ser uma constante. É o retrato de um homem que se apaixona e passa a viver um outro mundo.

O leitor que enxerga esta camada vê uma obra rica e sensível. Um retrato da paixão humana.

Há ainda uma terceira camada (teriam mais?). Mann escreveu este romance quando a Alemanha caminhava para o que viria a ser a I Guerra Mundial. O mundo estava inebriado pela beleza de uma Europa que dominava o globo, o niilismo tomava conta dos corações europeus.

Aschenbach percebe fatos estranhos. Turistas passam a deixar Veneza, autoridades e comerciantes passam a desconversar. Percebe que há um problema sério de saúde pública e acaba descobrindo. Há uma epidemia de cólera, recomendam que deixe a cidade o quanto antes. Inebriado por sua paixão o escritor reluta e acaba por ficar. Fecha seus olhos para a realidade e mergulha em sua paixão.

Não seria uma alegoria da Europa do seu tempo? Já haviam homens que previam que uma guerra estava a caminho, mas o europeu esta apaixonado por este destino. Os jovens ansiavam para mostrar sua bravura nos campos de batalha, não viam na guerra uma doença, mas uma forma de afirmação. O sonho do escritor já no fim do romance é bastante significativo.

Quem leu esta camada, leu um clássico.

Fugindo do Inferno

The Great Escape (1963)

Direção: John Sturges Elenco: Steve McQueen (Capitão Virgil Hilts) James Garner (Tenente Bob Anthony Hendley) Richard Attenborough (Roger Bartlett) James Donald (Capitão Rupert Ramsey) Charles Bronson (Tenente Danny Willinski) Donald Pleasence (Tenente Colin Blythe) James Coburn (Oficial Louis Sedgwick)

Sinopse:

Em 1943 os nazistas decidem transferir os prisioneiros de guerra militares, que têm maior incidência em tentativas de fugas, para o mesmo campo, que foi projetado para impedir qualquer tipo de evasão. Mas isto foi um erro, pois apesar dos prisioneiros gozarem de certos privilégios, cada um era o melhor na sua "especialidade" e não pretendiam ficar presos até o final da guerra. Logo idealizam um audacioso plano de fuga, que previa a construção de três túneis, mas a idéia não era retirar do campo alguns prisioneiros mas sim duzentos e cinqüenta. "Big X" Bartlett (Richard Attenborough) é um soldado britânico que habilmente elabora todo o plano. Ele é auxiliado por Danny Willinski (Charles Bronson), um polonês que é especialista em fazer trincheiras. Há também dois americanos: Hendley (James Marsden), que tem talento para roubar, e Hilts (Steve McQueen), que tem um jeito rebelde, além de ter idéias próprias de como fugir e ser um recordista na tentativa de fugas. Há ainda Blythe (Donald Pleasence), um mestre na falsificação. A idéia de fazerem três túneis é que se um deles for descoberto os outros ainda servirão para a evasão. Além da fuga propriamente dita há um esquema para, após saírem do campo, chegarem até a Inglaterra ou qualquer outro país neutro. (Fonte: www.adorocinema.com)

Comento (com spoiler):

Li algumas críticas espalhadas pela internet sobre este filme; muitos perderam o principal ao analisá-lo como um filme de ação. Chegam até a dizer que o filme é longo demais e se perde um pouco no longo preparativo da fuga. Como dizem os ingleses: they missed the point.

Não é um filme de ação, embora tenha cenas de ação. É um filme sobre perseverança e, mais do que isso, sobre encontrar uma razão para continuar vivendo. É isso que fazem os prisioneiros sob liderança de Roger, encontram na fuga um objetivo, uma forma de se manter na luta, uma forma de seguir adiante, mesmo que cercados por guardas de todos os lados.

A primeira diferença deste filme para tantos outros que abordam o mesmo tema é que a fuga não termina ao se passar dos portões, ela continua, e se torna dramática à medida que os 76 prisioneiros que escaparam chegam mais perto das fronteiras. É onde a maioria é capturada.

Ao contrário do que se poderia imaginar, os principais personagens não conseguem atravessá-la. Os poucos que conseguiram eram secundários, justo aqueles que não se imaginava que conseguissem.

As palavras de Roger resumem bem o filme. Após ter sido recapturado por um erro infantil de seu colega, comenta que os anos de preparativos e execução do plano o mantiveram vivo, que nunca fora tão feliz. É quando nota uma metralhadora sendo montada pelos nazistas, é o fim de 50 homens que tinham desafiado a polícia alemã.

Uma das cenas mais expressivas é quando o Von Luger informa à Ramsey prisioneiro que os 50 haviam sido mortos durante a fuga. Está visivelmente constrangido, sabe que o fuzilamento não se justifica. É, acima de tudo, um soldado e soldados não matam homens desarmados. Em um olhar os dois homens se entendem. Pouco depois seria substituído do comando do campo, era uma época em que soldados não podiam ser soldados.

A maioria dos fatos narrados no filme foram reais e alguns dos atores estiveram presos em campos na II Guerra Mundial. Pode-se prender um homem, tirar sua liberdade de ir e vir, mas enquanto tiver liberdade para sonhar e pensar estará livre. Como estiveram os homens que durante mais de três anos planejaram e executaram um plano minucioso que visava a libertação de 250 prisioneiros.

No último diálogo, o americano Hendley, dentro do seu pragmatismo, pergunta à Ramsey, teria valido a pena? Ele responde: depende de seu ponto de vista.

Nota 9,5

Quotes:

Hilts: How many you taking out?
Bartlett: Two hundred and fifty.
Hilts: Two hundred and fifty?
Bartlett: Yeh.
Hilts: You're crazy. You oughta be locked up. You, too. Two hundred and fifty guys just walkin' down the road, just like that?


Ramsey: Roger's idea was to get back at the enemy the hardest way he could, mess up the works. From what we've heard here, I think he did exactly that.
Hendley: Do you think it was worth the price?
Ramsey: Depends on your point of view, Hendley.

sexta-feira, março 21, 2008

Livraria Cultura em Brasília

Ontem fui pela primeira vez na livraria Cultura em Brasília. Já é a minha favorita não só na cidade como no Brasil, não conheço uma melhor.

Existem lugares que você realmente se sente admirado. Gostei de tudo, do ambiente, da arquitetura, da disposição, do acervo. Estou escutando um cd que comprei lá, trata-se de Moondog Matinee do The Band, importado, 32 reais. Mais uma disco maravilhoso, mas em se tratando desta banda sou suspeitíssimo para falar, adoro tudo que estes caras fizeram. Mas desviei-me do assunto.

As prateleiras de filosofia, sociologia, história são as melhores que já vi pelo Brasil. Muitos livros em inglês e até alguns em espanhol. Normalmente só se encontra pockets por aqui, não é o caso da Cultura. Comprei uma edição de "The Nicomachean Ethics", de Aristóteles, para confrontar com a minha em português.

Tive que me controlar e muito para não comprar a caixa do Last Waltz, estava até com um preço razoável para Brasil, mas ainda salgado para meus padrões, 250 reais. E também para não comprar uma caixa dos irmãos Marx. Não estou tendo muito tempo para ver filmes ultimamente; preciso primeiro ver os que estão na minha prateleira. Fica para uma outra oportunidade.

Amanhã quero levar a família lá. Felizmente casei com uma mulher que gosta de ler, o que nos leva, naturalmente, a ter dois filhos que gostam de livros. Acredito que a literatura é a maior fonte de cultura para uma família; não posso deixar de incentivar o hábito.

Enfim, agora tenho uma casa em Brasília! He he he. É bom reservar uma parte do salário mensalmente...

quinta-feira, março 20, 2008

Um soneto de Gregório de Matos

A JESUS CRISTO NOSSO SENHOR

Pequei, Senhor; mas não porque hei pecado,
Da vossa alta clemência me despido;
Porque quanto mais tenho delinqüido,
Vos tenho a perdoar mais empenhado.

Se basta a vois irar tanto pecado,
A abrandar-vos sobeja um só gemido:
Que a mesma culpa, que vos há ofendido,
Vos tem para o perdão lisonjeado.

Se uma ovelha perdida e já cobrada
Glória tal e prazer tão repentino
Vos deu, como afirmais na sacra história

Eu sou , Senhor, a ovelha desgarrada,
Cobrai-a, e não queirais, pastor divino,
Perder na vossa ovelha a vossa glória.

Flamengo 2 x 0 Nacional

Vitória mais do que necessária

Não havia outro resultado possível, era vencer ou vencer. A responsabilidade pela vitória era maior até que o adversário de ontem no Maracanã, mas o time entrou concentrado e conseguiu fazer o dever de casa. Com 2 gols de Marcinho, em momentos que o time não estava bem, o Flamengo venceu o Nacional e respirou um pouco melhor na Libertadores.

A situação ainda é de extrema cautela, tudo porque o Cienciano ainda joga contra o Coronel Bolognesi para completar a rodada na semana que vem. Caso vença, o time da gávea não poderá nem pensar em perder na altitude de Cuzco sob risco de jogar a última partida sem depender de si mesmo para se classificar. Caso o Cienciano perca, poderá até abrir mão do jogo na altitude e jogar todas as suas fichas no Maracanã. Toda essa confusão porque deixou de vencer o primeiro jogo diante do Bolognesi. Na época o resultado foi considerado bom, sempre discordei, era jogo para vitória.

Agora é preciso correr atrás.

quarta-feira, março 19, 2008

Juca vê demais coisa demais em um lance e de menos em outro

É curiosa a postura de Juca Kfouri.

Há dois domingos não viu agressão do goleiro Marcos. Aliás viu, mas disse que era justificada por causa de seu passado de contusões. Não tinha sido uma agressão, apenas um biquinho. Até aí tudo bem, o lance permite diferentes interpretações mesmo, o próprio colunista reconheceu que muita gente boa discordava de sua análise.

Marcos foi absolvido no tribunal. Também tudo bem, tudo dentro das regras do jogo. Mas Juca resolveu publicar um post que reclama do árbitro não ser punido por colocar na súmula que havia tido agressão. Confesso que não entendi. Se era uma questão polêmica, se muitos analistas depois de rever o lance inúmeras vezes ainda continuaram com a opinião que houve agressão, por que condenar o árbitro por uma interpretação de algo que viu durante menos de 1 segundo?

Para minha surpresa, hoje ele tratou da declaração de Toró. É claro que não concordo com sua frase, mas é uma das mais comuns no futebol, dita por 99,99% dos jogadores e treinadores do Brasil. "Futebol é esporte para macho". Pode se discordar, com bons motivos, da frase, mas é inegável que é um lugar-comum no esporte. Toró apenas externou o que todos os seus companheiros, independente de clube, pensam. O que escreveu Juca?

Toró acha valentia bater em gandula criança e chutar cabeça de goleiro no chão. Toró é uma tempestade de imbecilidades.


Se no caso de Marcos o colunista não viu nada, agora viu demais. Toró não agrediu gandula criança, empurrou-o para tomar a bola de sua mão, o que é bem diferente. Foi merecidamente expulso, mas não é uma agressão. O lance de Toró com Castilho caído foi praticamente igual ao de Marcos com o atacante que não lembro o nome. Parece que no último caso, o goleiro foi absolvido por seu passado.

Menos Juca, passado não absolve ninguém, no máximo atenua. As torturas mentais que utilizou para justificar Marcos foram invertidas para condenar Toró. Primeiro o colunista classificou os personagens, depois julgou os fatos.

Não era melhor inverter a ordem?

terça-feira, março 18, 2008

Laços

Eu ainda não tinha visto este vídeo muito interessante do youtube. É brasileiro e ganhou o primeiro prêmio do site, não sei do que. Chama-se Laços. Não posso falar mais nada senão estraga a surpresa. Vale a pena conferir aqui.

Botafogo 3 x 2 Flamengo

Jogando melhor a maior parte do tempo, o Botafogo venceu o Flamengo no domingo. Foi um jogo muito bom onde não faltaram momentos de emoção.

Curiosamente, mesmo criando boas chances, foram as falhas da defesa rubro-negra que decidiram o jogo. Em dois gols a bola estava nos pés de jogadores do Flamengo que se afobaram ao tentar se livrar dela. Mesmo jogando pior, o jogo nunca esteve decidido, mesmo quando esteve com 9. Aliás a expulsão constante de jogadores, principalmente quando em desvantagem, já começa a ficar preocupante. Estão perdendo o controle emocional muito fácil. Joel precisa dar um bom puxão de orelhas.

Se o resultado foi ruim, a classificação não. É preciso continuar ganhando dos pequenos para não depender dos clássicos e, ao mesmo tempo, preparar o time reserva. Em caso de classificação para as finais da Taça Rio, podem ser eles que decidirão o título. E pelo que mostraram ontem, possuem condições. Basta colocar a cabeça no lugar e ganhar mais ritmo de jogo.

segunda-feira, março 17, 2008

The Commitments


De Alan Parker (1991)

Este fim de semana revi, depois de muito tempo, este que é sem dúvida um dos melhores filmes da década de 90.

Trata-se da trajetória meteórica de um grupo de jovens inexperientes que formam uma banda para tocar soul em um subúrbio pobre da Irlanda. Na verdade é um filme universal, pois transcende ao próprio soul, agradando a todos que realmente gostam de música. As cenas da banda tocando são memoráveis, a química entre os atores é perfeita e a voz de Andrew Strong é simplesmente marcante; e olha que o ator/cantor só tinha 17 anos!

A banda possuía um genuíno talento, justamente o antipático vocalista principal, Deco. Ao mesmo tempo que os colegas reconhecem seu talento passam a desenvolver verdadeiro ódio por ele, o que levaria ao fim do sonho.

Além de Deco, outro personagem fundamental é Joey Fagan, o único músico experiente da banda e o "guru" da banda. O papel do empresário, Jimmi Rabbit é do condutor de todo o processo. É ele que apara as arestas, resolve os conflitos e persegue com tenacidade o sonho do sucesso. Quando se mostra incapaz de conter os egos aflorados é o fim.

Como Joey comenta no final: o sucesso da banda era irrelevante. O importante foi que aquela aventura expandiu os horizontes de todos eles. Estava certo, ao fazer parte de algo maior do que suas individualidades experimentaram um crescimento genuíno, que marcaria a vida deles para sempre, mesmo seguindo carreiras bem longe da música.

Nota 10


Diálogos:

Jimmy Rabbitte: What do you play?
Failed Drug Buyer: I used to play football in school.
Jimmy Rabbitte: I mean, what instrument?
Failed Drug Buyer: I don't.
Jimmy Rabbitte: What are you doing here, then?
Failed Drug Buyer: Well, I saw everyone else lining up, so, uh - I thought you were selling drugs.

Jimmy Rabbitte: Do you not get it, lads? The Irish are the blacks of Europe. And Dubliners are the blacks of Ireland. And the Northside Dubliners are the blacks of Dublin. So say it once, say it loud: I'm black and I'm proud.

Jimmy Rabbitte: Soul is the music people understand. Sure it's basic and it's simple. But it's something else 'cause, 'cause, 'cause it's honest, that's it. Its honest. There's no fuckin' bullshit. It sticks its neck out and says it straight from the heart. Sure there's a lot of different music you can get off on but soul is more than that. It takes you somewhere else. It grabs you by the balls and lifts you above the shite.

Jimmy Rabbitte: I'd like to introduce you to the hardest-workin' band in the world. On bass, Derek "Meatman" Scully. On piano, Steven "Soul Surgeon" Clifford. Dean "Mr Nipple" Fay on sax. Joey "The Lips" Fagan on trumpet. Our gorgeous chanteuses are Bernie, Imelda, and Natalie. Deco "Deep Throat" Cuffe on vocals. On lead guitar, Outspan "Fender bender" Foster. Finally, on drums, Mickah "Don't Fuck With Me" Wallace. Ladies and gentlemen, The Commitments.

[learning the band will be called "The Commitments"]
Billy: The Commitments?
Jimmy Rabbitte: It's a "the".
Deco: How do you spell it?
Jimmy Rabbitte: T-H-E.

Steve Clifford: [in confessional] Used to, when I studied I would sing hymns, but now all I can sing is "When A Man Loves A Woman" by Marvin Gaye
Father Molloy: Percy Sledge.
Steve Clifford: What?
Father Molloy: It was Percy Sledge did that particular song. I have the album.
Steve Clifford: Oh...

Joey: Look, I know you're hurtin' now, but in time you'll realize what you've achieved.
Jimmy Rabbitte: I've achieved nothing!
Joey: You're missin' the point. The success of the band was irrelevant - you raised their expectations of life, you lifted their horizons. Sure we could have been famous and made albums and stuff, but that would have been predictable. This way it's poetry.

sábado, março 15, 2008

O menino do pijama listrado


John Boyne (2006)


"Bruno pôs o rosto junto ao vidro e olhou o que estava do lado de fora, e desta vez quando seus olhos se arregalaram e a boca fez o formato de um O, as mãos ficaram bem juntas ao corpo, porque havia algo que o fez se sentir muito inseguro e com frio."

Existem livros que ao serem recomendados não pode se contar a estória. Não se trata de enganar o amigo, mas de preservar o sentimento de descoberta e lembrança que a obra trás. Este é o caso de O menino do pijama listrado. Quanto menos souber sobre o enredo melhor, acredite.

É um livro que dá muito o que pensar. É impressionante como uma coisa se liga à outra. Na quinta feira ouvi alguém dizer "o esquecimento é uma forma de traição." Tem tudo a ver com o que li. Existem certas coisas que devem ser constantemente relembradas, por mais dolorosas que sejam. Temos que saber até que ponto pode ir um homem contra seu semelhante.

Boyne apresenta um quadro inicialmente típico de uma família como qualquer outra, tudo sob a ótica de um menino de 9 anos. Tudo é visto por seus olhos e assim vamos recebendo peça por peça um quebra cabeças que vais mostrando a realidade do que estava presenciando. A cada capítulo vê mais um pouco, mas não compreende, nem pode, a inocência pode ser uma defesa contra o horror, mesmo que o custo seja altíssimo.

Não posso falar mais nada sobre o livro, apenas aconselho. Leiam. Não há como arrepender.

sexta-feira, março 14, 2008

Navegar é preciso, Viver não é preciso

Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa:
"Navegar é preciso; viver não é preciso."

Quero para mim o espirito desta frase, transformada
A forma para a casar com o que eu sou: Viver não
É necessario; o que é necessario é criar.

Nao conto gozar a minha vida; nem em goza-la penso.
Só quero torna-la grande, ainda que para isso
Tenha de ser o meu corpo e a minha alma a lenha desse fogo.

Só quero torna-la de toda a humanidade; ainda que para isso
Tenha de a perder como minha.

Cada vez mais assim penso. Cada vez mais ponho
Na essencia animica do meu sangue o propósito
Impessoal de engrandecer a pátria e contribuir
Para a evolução da humanidade.

É a forma que em mim tomou o misticismo da nossa Raça.



Fernando Pessoa



Até hoje nunca se chegou, e nunca se chegará, a um consenso sobre o significado que Fernando Pessoa deu a esta antiga frase que inicia seu poema. Basicamente existem duas linhas: uma com precisão no sentido de necessidade e outra no sentido de precisão, exatidão.

A frase original é atribuída à Pompeu, que teria afirmado "Navigare necesse; vivere non est necesse". Uma argumentação é recorrer ao original para mostrar que Pessoa se referia à necessidade, o que parece ser confirmado quando afirma no poema que viver não é necessário.

Pois é justamente nestes pontos que me pego para interpretá-la diferentemente. Por que Pessoa não usou a tradução mais fiel da frase em latim "Navegar é necessário; viver não é necessário"? Por que usou de forma ambígua a palavra "preciso"?

Quando alguém afirma que viver não é preciso, está diminuindo a importância da vida, algo difícil de imaginar em um cristão como Pessoa. A confusão é proposital, logo depois afirma "viver não é necessário; o que é necessário é criar". Há uma contradição aparente neste verso: como criar se não estiver vivo? Parece-me que Pessoa quis ressaltar que a vida ia além de uma simples sobrevivência, era preciso ter uma atitude ativa diante dela, o que se manifesta pela criação.

Portanto o sentido do verso inicial seria de que a navegação se tornava uma ciência precisa, no sentido de exata, graças ao avanço tecnológico da Escola de Sagres. A vida não tinha, e nunca terá, esta exatidão. Quando Pessoa se refere ao fogo, está se referindo à criação; o homem participa de corpo e alma do viver. A vida se torna grande quando se cria, quando se participa de ideais grandiosos, quando se integra à humanidade.

Pelo menos esta é minha visão. E você? O que pensa?

quinta-feira, março 13, 2008

Politicamente Correto

Um dos melhores blocos do programa de ontem foi a discussão sobre o politicamente correto, principalmente nas intervenções de Diogo Mainardi e Márcia Tiburi.

Mainardi argumentou contra lembrando que toda forma de coibir a expressão é uma forma de coibir o pensamento e as idéias. O lugar-comum é uma das formas de impedir o debate à medida que certas coisas são tidas como verdades inquestionáveis.

Márcia colocou-se como um contraponto defendendo que o próprio pensamento de Mainardi poderia ser considerado politicamente incorreto e também funcionava, mesmo que em polo oposto, como uma limitação da linguagem.

Duas questão relevantes tomaram o espaço do debate.

A primeira era a existência de pensamentos pré-estabelecidos. O lugar comum, o politicamente correto, leva aos estabelecimento de uma forma definida de pensamento em que o indivíduo se "encaixa" em uma destas formas.

Ortega Y Gasset abordou muito bem esta tema. O homem contemporâneo é incapaz de pensar, mas possui mais idéias do que em qualquer época da humanidade. Na verdade escolhe as que mais lhe agradam e passa a defendê-las. Um exemplo citado por Mainardi é a frase "é necessário distribuir renda". É um pensamento que se coloca como uma verdade e não pode ser discutido. Defender qualquer outro ponto de vista é ser contra a humanidade.

O politicamente correto surgiu em uma determinada época histórica como instrumento de defesa e de afirmação de minorias. Parece-me que hoje foi-se para outro extremo. Hoje se exige de uma pessoa que se posicione dentro da minoria que pertence. Se é negro, é preciso que afirme sempre que é negro, e assim por diante. Será que ser negro, índio, homossexual, ou outro grupo qualquer, tornou-se mais importante do que ser humano?

No Brasil a coisa é ainda mais complicada. Tornou-se impossível, por exemplo, qualquer discussão sobre as cotas raciais nas universidades. Ser contra é confundido como ser contra os negros.

Lembraram que o uso de certas expressões assumiram caráter pejorativo que ofendem as pessoas, por isso a necessidade do politicamente correto. Aí surgiu um dos melhores argumentos da noite. Há tempos atrás, a palavra "judeu" tinha um sentimento pejorativo e de ódio brutais. Sem o politicamente correto, através dos próprios méritos, os judeus viraram este jogo e a palavra hoje pode ser usada sem qualquer sem se constituir forma de ofensa. Não seria este o caminho para os negros? Ou homossexuais?

Em um segundo ponto, discutiu-se, sem chegar à resposta, se o que é falado pelos formadores de opinião é levado ou não em conta pela população em geral. Márcia diz que sim, que eles devem ter sempre em mente que a opinião expressado em programas como estes formam a cabeça da população. Marnardi e Amorim refutam que não, as pessoas já possuem suas opiniões e apenas filtram o que está de acordo e descartam o que seria contra; e mais, muitas vezes distorcem o que foi dito para caber dentro de suas próprias idéias.

Tudo desagua em um ponto importante: a capacidade de formar idéias próprias. Não estaríamos hoje cada vez mais sem capacidade de pensar? A cultura do consumismo não teria chegado às idéias? Para quer formular um pensamento se já temos a nossa disposição vários prontos?

Cada vez mais me convenço de uma coisa: a verdadeira liberdade está no pensamento. O homem que consegue pensar, refletir, analisar, decidir, é mais livre que um que só repete idéias pré-estabelecidas.

Uma das melhores frases do programa foi dita por Ricardo Amorim, é preciso que se tenha liberdade para questionar tudo. Colocar os argumentos e contra-argumentos, confrontá-los, e então chegar à conclusões.

Não há nada de novo aí, é o pensamento que Aristóteles deixou escrito, mais atual do que nunca, é a verdadeira dialética. A busca da verdade partido de argumentos em oposição. Daí a importância da liberdade de manifestação, de escutarmos idéias opostas às nossas.

Um bom ponto para se refletir longamente.

15 anos de Manhattan Connection

Contrariando um lugar-comum que está se criando de que a televisão só tem lixo, o programa Manhattan Connection é uma das boas opções da rede. Tendo o jornalista Lucas Mendes como âncora, o programa conta ainda com um outro membro original, Caio Blinder, o economista Ricardo Amorim, Lúcia Guimarães e o Diogo Mainardi.

Esta semana o programa completou 15 anos de existência e a equipe reuniu-se no programa Saia Justa para um especial. A reunião é inédita pois Mainardi participa do programa de um estúdio no Rio. Os demais moram em Nova Iorque.

É um bom programa para aqueles que desejam ficar por dentro do que acontece de importante nos Estados Unidos e no mundo. O programa não é voltado apenas para política, mas também economia, cultura, sociedade, etc.

O programa especial, que foi ao ar ontem, foi muito bom. Trataram de temas como o politicamente correto, deportação de brasileiros na Espanha, governador de Nova Iorque, eleições americanas e outros menos cotados.

Posteriormente volto para comentar alguma coisa sobre este programa, especialmente da discussão sobre o politicamente correto.

segunda-feira, março 10, 2008

Flamengo 3 x 1 Americano

Em ritmo de treino o Flamengo não encontrou muita dificuldade para superar o fraquíssimo time de Campos que mais uma vez mostra que sem o Caixa D'água não tem mais o que ameaçar. De positivo o zagueiro Tiago Sales e as atuações de Jonatas e Max que mostram estarem começando a entrar em forma. Serão muito úteis durante a temporada.

Nova Aquisição

Trata-se do primeiro disco lançado do AC/DC nos Estados Unidos, uma compilação dos dois primeiros albuns que foram lançados apenas na Austrália. Os primeiros clássicos da banda estão presentes: High Voltage, The Jack, T.N.T.

sábado, março 08, 2008

Nacional 3 x 0 Flamengo

Deu tudo errado quinta feira em Montevidéu. Os times brasileiros, desta vez, em especial, o Flamengo, precisam perder esta mania de tratar jogo da Libertadores como guerra. Este tal espírito "guerreiro" que volta e meia alguns times resolve se transverstir para jogar o maior torneio das Américas sempre acaba com derrota.

Não foi diferente desta vez. O jogo era de poucas faltas, nenhuma violência e uma torcida extremamente comportada. Jogo equilibrado, o Flamengo leva um gol em saída errada de bola. Um minuto depois, ainda no primeiro tempo, Toró resolve tirar a bola das mãos de um gandula de forma intepestiva. Resultado: expulso. Um pouco de exagero do árbitro __ o gandula fez uma cena danada e depois ainda sorriu para as câmeras __ mas uma estupidez do jogador.

Mesmo com 10 o Flamengo ainda dava mostras que dava para reagir, aí foi a vez de Leo Moura ser expulso. Já tinha cartão amarelo, não precisava entrar daquele jeito na bola. Daí para o desastre foi um pulo.

Se o Flamengo quer realmente disputar os dois principais títulos da temporada, o Brasileiro e a Libertadores-Mundial, precisa reaprender a jogar fora de casa e urgente. Faz um bom tempo que seu desempenho fora do Maracanã é medíocre. Jogar bem fora de casa foi o grande trunfo do São Paulo ano passado.

quinta-feira, março 06, 2008

Top 5: AC/DC

Estes dias andei escutando muito AC/DC. Fazia tempo que não curtia o som da banda australiana dos irmãos Young. Para não fazer injustiça com Bon Scott e Brian Johnson tenho ouvido igualmente as duas fases da banda. Escutei os fantásticos ao vivos Live (1992) e If You Wan't Blood (1978). Depois o Let There Be Rock (1976) e Fly On The Wall (1985). Este último é um caso interessante, é considerado um dos patinhos feios da trajetória do grupo, mas eu o adoro.

Na década de 80 a banda era considerada como Heavy Metal. Nada mais falso. O som da banda é puro rock'n'roll, com muita energia e bastante vigoroso, mas mesmo assim rock'n'roll. A minha lista das 5 melhores músicas:

5. Heatseaker (1988)
Foi uma das primeiras músicas que escutei da banda. A fase não era das melhores, o disco razoável, mas esta música pegou bem o espírito e a tradicão de rocks poderosos da banda. Para ouvir no volume máximo.

4. Sin City (1978)
O primeiro cd que comprei na vida foi o Powerage. Além de Rock'n'roll Damation e Riff Raff, Sin City era um dos destaques do album. O ritmo é contagiante e a voz cavernosa de Bon Scott estava perfeita. I'm gonna win... in sin city...

3. Hells Bells (1980)
O que falar desta verdadeira obra prima? A introdução desta música é uma das melhores da histórica do rock. Angus simplesmente fantástico.

2. You Shook me all Night Long (1980)
O que dizer, no mesmo disco que Hells Bells havia também este marco. De certa forma foi a música mais "comercial" da banda, a catapulta para o sucesso internacional. O riff de Angus é memorável (e tem gente que prefere o Slash...)

1. Highway to Hell (1979)
Não há como não pensar em Bon Scott nesta música. Foi uma das suas últimas gravações, o álcool acabaria por levá-lo lego em seguida cobrando o preço da vida sem limites. É um verdadeiro símbolo da banda e acabou colocando outro rótulo imbecil no ACDC, o de satanista. Erraram feio nesta. O negócio dos rapazes australianos era o velho e bom rock'n'roll. Vida longa ao ACDC!

terça-feira, março 04, 2008

A Rebelião das Massas

José Ortega Y Gasset

“A Europa ficou sem moral. Não é que o homem-massa menospreze uma antiquada em favor de outra emergente, mas é que o centro do regime vital consiste precisamente na aspiração de viver sem se submeter a qualquer moral. (...) O imoralismo chegou a uma vulgaridade extrema e qualquer um se vangloria em exercita-lo (...) Se deixarmos de lado __ como já fizemos neste ensaio __ todos os grupos que representam a sobrevivência do passado __ os cristãos, os “idealistas”, os velhos liberais etc. __ não se achará entre os representantes da época atual uma única pessoa cuja atitude diante da vida não se reduza a crer que tem todos os direitos e nenhuma obrigação”.


É impossível fazer uma resenha rápida sobre esta obra monumental do filósofo espanhol José Ortega Y Gasset. Escrita nas décadas de 20 e 30, é de uma atualidade impressionante. Previu para os tempos futuros a União Européia, o consumismo, a ditadura de legalidade, o caos da descolonização da África, a explosão da violência.

No centro de todo este processo o novo tipo de homem que surgia na virada do século XIX para XX, o Homem-massa. Gasset o apresenta com todas as suas características. É um homem satisfeito consigo mesmo, que não reconhece nenhuma instância superior a ele, que acha-se no direito de impor sua opinião, de exercer a violência. Possui idéias mas é incapaz de formá-las, é um recipiente de opiniões alheias. Não reconhece uma moral a que deva se submeter; tem todos os direitos mas nenhum dever.

A rebelião desta massa conduz a um mundo sem moral, onde a Europa deixava de exercer o papel de mando provocando uma rebelião de pequenas nações incapazes de conduzir seus próprios destinos. O mundo ficou sem mando, e diante deste vácuo a explosão da violência era uma questão de tempo.

O homem-massa não pode ser confundido com uma classe social ou econômica específica. Está em todas as camadas da sociedade, desde o desempregado até os mais ricos. É antes de tudo uma atitude diante do mundo.

Escrevi uma página especial com o que consegui absorver de principal desta impressionante obra. Recomendo a leitura do livro, mostra o porque de muitos dos nossos problemas atuais. Lendo o livro pensei em Kosovo, na África, no socialismo, nazismo, ONU e tantas atualidades.

Esta atualidade é justamente o que tem de mais assustador na pintura de Gasset. Não é um livro de política, é muito mais profundo. É da formação de uma sociedade, é da própria vida humana.

Link:
A Rebelião das Massas - Resenha Completa

Um pouco sobre valores

Assisti hoje um episódio muito interessante da série "Everybody Loves Raymond". Para quem não conhece é um sitcom que fala de uma família típica de classe média e o personagem principal é vizinho dos próprios pais, gerando a maioria das situações abordadas.

Ray possui três filhos e o episódio começou com a família reunindo-se para ir à Igreja no domingo. Todos menos Ray. Os pais e os irmãos aparecem, repreendem-no por sua atitude. Acabam por ir enquanto Ray fica com seus sucrilhos assistindo televisão.

Logo fica claro que o principal conflito que se estabelece é com seu pai, Frank, que em termos enérgicos tenta incitá-lo a ir a Igreja. Os dois discutem, em dado momento Frank pergunta:
__ Por que você não quer ir à missa?
__ Por que não tenho vontade!
__ Esse é o problema com vocês! Por que não tenho vontade! Vocês só querem fazer o que têm vontade! Acha que nós tínhamos vontade na II Guerra mundial? Acha que eu tinha vontade de lutar na Coréia?

Este foi o primeiro ponto que me chamou a atenção. O homem de hoje quer fazer apenas o que lhe dá vontade, o que lhe é prazeroso. Não aceita que existam coisas que é seu dever fazer, gostando ou não. Diminuem as coisas que fazem por obrigação, como algo a ser superado rapidamente para poder voltar ao gozo do aprazível. Não poderiam estar nas obrigações ditadas pelo dever justamente as coisas mais sublimes de nossa existência? Aristóteles dizia que havia virtude em se fazer por obrigação o que achava correto, era um reforço para que com o tempo esta obrigação se tornasse natural e se passasse realmente a desejar o que é bom. Daí a importância em superar suas próprias resistências.

Em seguida teve outro diálogo com a esposa, esta uma conversa e não uma discussão. Ela faz a mesma pergunta de Frank: por que ele não queria ir à Igreja? Ray responde que achava que ao ir à missa deveria pensar em Deus, se concentrar na mensagem. Ao invés disso ficava divagando, pensando no trabalho, nas pessoas que estavam ao seu lado. Ficava apenas repetindo gestos, sua mente estava em todo o lugar.

É algo que acontece com todo mundo; acontece comigo. Por mais que tente me concentrar quando vou à uma reunião espírita acabo, volta e meia, divagando. Seria este um motivo válido para deixar de ir à missa ou qualquer culto?

Ray pergunta à esposa: por que ela ia à missa. Ela fica meio perdida, parece que não tinha pensado nisso ainda, mas por fim encontra seus motivos. Fazia isso para agradecer a Deus e conseguir energia para passar a semana com os filhos e o marido. Ia à Igreja para se sentir parte de algo muito maior do que seus pequenos problemas domésticos. Gostava de fazer parte de uma comunidade e acima de tudo, de uma tradição. Argumenta que talvez estivesse ai o problema com o pai de Raymond, ao se recusar a ir à missa estava virando as costas para algo que ele queria lhe passar, a fé.

Ray acaba por ir à Igreja e se comprometer a fazê-lo todos os domingos. Lá descobre que seu pai ficava o tempo todo em uma sala à prova de som e só entrava para realizar a coleta. Aproveitava para ver e depois criticar as pessoas que assistiam ao culto. Faziam apostas e piadas sobre as oferendas. O pai ia à missa, mas não participava, apenas considerava fazer sua obrigação. Ray condena a atitude do pai, mas ao mesmo tempo pede para participar do grupo. Riem dele, a fila de espera era gigantesca, levava mais de 20 anos.

Este é um retrato de muitas pessoas que vão à Igreja, talvez até a maioria. Fazem uma obrigação, procuram não pensar muito no que estão fazendo e no que significa aquela reunião. A Igreja, que deveria ser uma ponte de contato com a divindade, torna-se uma convenção social. Seria melhor que não fossem? Talvez não, talvez o hábito um dia despertasse para o verdadeiro sentido da fé, mas para isso seria necessário um esforço neste sentido. Eu posso divagar bastante quando estou em uma reunião, mas procuro sempre trazer meu pensamento de volta e tentar me concentrar na mensagem que estou ouvindo.

Vejam a quantidade de reflexões que podem trazer um simples episódio de um seriado cômico americano. Nós brasileiros gostamos de chamá-los de enlatados, de lixo comercial. O bom mesmo são nosso programas de moral torta. Particularmente prefiro ver meus filhos assistindo este "lixo comercial" do que nossa "expressão cultural popular", as novelas.

Acho lamentável que em um sitcom americano, oriundo de uma sociedade que abraçou o pragmatismo utilitarista, saia discussões de valores enquanto toda nossa produção cultural televisiva seja voltada para o tripé sexo, dinheiro e poder.

Qual é o verdadeiro lixo comercial?

segunda-feira, março 03, 2008

Tonio Kroeger

Thomas Mann, 1903


"Trabalha-se mal na primavera, é certo, e por quê? Porque se sente. E porque é ignorante aquele que acredita que o criador pode sentir. Todo verdadeiro e sincero artista sorri da ingenuidade deste engano charlatão; melancólico, talvez, mas sorri. (...) Se der demasiado valor aquilo que tem a dizer, se o seu coração bater com calor demasiado por isso, pode estar certa de um completo fiasco. Você torna-se sentimental, algo de pesado, de sério-desajeitado, sem ironia, desgovernado, sem tempero, monótono, banal se forma sob suas mãos, e o fim é nada mais que a indiferença por parte das pessoas (...) Morre o artista quando se torna homem e começa a sentir.”


Esta é uma das obras da juventude de Thomas Mann; escreveu-a quando tinha 25 anos. Conta fragmentos da vida de um homem, filho de um comerciante e uma artista sul-americana, divide sua alma nestas duas faces: o burguês e o escritor.

Acredita que o artista deve se afastar do mundo para poder escrever sobre ele. O sentimento atrapalha a criação, deve-se estar fora da humanidade para analisá-la. No entanto é apaixonado pela vida e seus valores burgueses.

Este confronto permanente o torna desajeitado, angustiado, deslocado da realidade a que pertence. Os primeiros fragmentos são dos dois amores de sua juventude, o colega Hans e a bela Inge. São pessoas sem profundidade, populares, que vivem na superfície.

Após a fama, já adulto, Kroeger faz uma viagem à sua cidade natal e descobre que nada mudou. Tão deslocado quanto antes, tão angustiado quanto antes. O pendor para a literatura não é uma profissão, mas uma maldição que o afasta da felicidade. “Estou entre dois mundos; não me sinto à vontade em nenhum dos dois e por isso tenho um pouco de dificuldade. Vocês, artistas, me chamam de burguês, e os burgueses sentem-se tentados a prender-me... não sei qual dos dois me magoa mais.”

Mesmo sabendo que é capaz de reflexões inacessíveis aos homens comuns, é apaixonado por estas pessoas. “o meu amor mais sentido e concreto pertence aos louros e de olhos azuis, aos vivos claros, aos felizes, gentis e comuns.”

É um livro de poucas páginas, na fronteira com um conto e mostra com muita sutileza os dilemas existenciais de um escritor que para dar vazão a sua arte renuncia à própria humanidade.

domingo, março 02, 2008

Flamengo 4 x 2 Resende

O Flamengo saiu perdendo de 2 x 0 mas conseguiu virar o jogo e vencer a partida. Atuando com a 8 reservas, além da vitória o jogo serviu para dar ritmo a alguns jogadores que serão importantes ao longo da temporada como Jonatas, Obina, Diego Tardelli, Marcinho, Gavilan e Max. Ao contrário do que acreditam alguns exagerados ele não tem dois times, como nenhum clube tem no Brasil. Possui um bom número de bons substitutos, principalmente os citados acima. Ficou patente também que não possui substitutos para a zaga e goleiro. Os laterais, apesar de estar em nível inferior, não chegam a comprometer tanto.

Estes 3 pontos são importantes para tentar vencer a Taça Rio e evitar a coincidência de jogos na fase mais aguda da Libertadores.