quarta-feira, março 19, 2008

Juca vê demais coisa demais em um lance e de menos em outro

É curiosa a postura de Juca Kfouri.

Há dois domingos não viu agressão do goleiro Marcos. Aliás viu, mas disse que era justificada por causa de seu passado de contusões. Não tinha sido uma agressão, apenas um biquinho. Até aí tudo bem, o lance permite diferentes interpretações mesmo, o próprio colunista reconheceu que muita gente boa discordava de sua análise.

Marcos foi absolvido no tribunal. Também tudo bem, tudo dentro das regras do jogo. Mas Juca resolveu publicar um post que reclama do árbitro não ser punido por colocar na súmula que havia tido agressão. Confesso que não entendi. Se era uma questão polêmica, se muitos analistas depois de rever o lance inúmeras vezes ainda continuaram com a opinião que houve agressão, por que condenar o árbitro por uma interpretação de algo que viu durante menos de 1 segundo?

Para minha surpresa, hoje ele tratou da declaração de Toró. É claro que não concordo com sua frase, mas é uma das mais comuns no futebol, dita por 99,99% dos jogadores e treinadores do Brasil. "Futebol é esporte para macho". Pode se discordar, com bons motivos, da frase, mas é inegável que é um lugar-comum no esporte. Toró apenas externou o que todos os seus companheiros, independente de clube, pensam. O que escreveu Juca?

Toró acha valentia bater em gandula criança e chutar cabeça de goleiro no chão. Toró é uma tempestade de imbecilidades.


Se no caso de Marcos o colunista não viu nada, agora viu demais. Toró não agrediu gandula criança, empurrou-o para tomar a bola de sua mão, o que é bem diferente. Foi merecidamente expulso, mas não é uma agressão. O lance de Toró com Castilho caído foi praticamente igual ao de Marcos com o atacante que não lembro o nome. Parece que no último caso, o goleiro foi absolvido por seu passado.

Menos Juca, passado não absolve ninguém, no máximo atenua. As torturas mentais que utilizou para justificar Marcos foram invertidas para condenar Toró. Primeiro o colunista classificou os personagens, depois julgou os fatos.

Não era melhor inverter a ordem?

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