terça-feira, março 04, 2008

A Rebelião das Massas

José Ortega Y Gasset

“A Europa ficou sem moral. Não é que o homem-massa menospreze uma antiquada em favor de outra emergente, mas é que o centro do regime vital consiste precisamente na aspiração de viver sem se submeter a qualquer moral. (...) O imoralismo chegou a uma vulgaridade extrema e qualquer um se vangloria em exercita-lo (...) Se deixarmos de lado __ como já fizemos neste ensaio __ todos os grupos que representam a sobrevivência do passado __ os cristãos, os “idealistas”, os velhos liberais etc. __ não se achará entre os representantes da época atual uma única pessoa cuja atitude diante da vida não se reduza a crer que tem todos os direitos e nenhuma obrigação”.


É impossível fazer uma resenha rápida sobre esta obra monumental do filósofo espanhol José Ortega Y Gasset. Escrita nas décadas de 20 e 30, é de uma atualidade impressionante. Previu para os tempos futuros a União Européia, o consumismo, a ditadura de legalidade, o caos da descolonização da África, a explosão da violência.

No centro de todo este processo o novo tipo de homem que surgia na virada do século XIX para XX, o Homem-massa. Gasset o apresenta com todas as suas características. É um homem satisfeito consigo mesmo, que não reconhece nenhuma instância superior a ele, que acha-se no direito de impor sua opinião, de exercer a violência. Possui idéias mas é incapaz de formá-las, é um recipiente de opiniões alheias. Não reconhece uma moral a que deva se submeter; tem todos os direitos mas nenhum dever.

A rebelião desta massa conduz a um mundo sem moral, onde a Europa deixava de exercer o papel de mando provocando uma rebelião de pequenas nações incapazes de conduzir seus próprios destinos. O mundo ficou sem mando, e diante deste vácuo a explosão da violência era uma questão de tempo.

O homem-massa não pode ser confundido com uma classe social ou econômica específica. Está em todas as camadas da sociedade, desde o desempregado até os mais ricos. É antes de tudo uma atitude diante do mundo.

Escrevi uma página especial com o que consegui absorver de principal desta impressionante obra. Recomendo a leitura do livro, mostra o porque de muitos dos nossos problemas atuais. Lendo o livro pensei em Kosovo, na África, no socialismo, nazismo, ONU e tantas atualidades.

Esta atualidade é justamente o que tem de mais assustador na pintura de Gasset. Não é um livro de política, é muito mais profundo. É da formação de uma sociedade, é da própria vida humana.

Link:
A Rebelião das Massas - Resenha Completa

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