segunda-feira, março 03, 2008

Tonio Kroeger

Thomas Mann, 1903


"Trabalha-se mal na primavera, é certo, e por quê? Porque se sente. E porque é ignorante aquele que acredita que o criador pode sentir. Todo verdadeiro e sincero artista sorri da ingenuidade deste engano charlatão; melancólico, talvez, mas sorri. (...) Se der demasiado valor aquilo que tem a dizer, se o seu coração bater com calor demasiado por isso, pode estar certa de um completo fiasco. Você torna-se sentimental, algo de pesado, de sério-desajeitado, sem ironia, desgovernado, sem tempero, monótono, banal se forma sob suas mãos, e o fim é nada mais que a indiferença por parte das pessoas (...) Morre o artista quando se torna homem e começa a sentir.”


Esta é uma das obras da juventude de Thomas Mann; escreveu-a quando tinha 25 anos. Conta fragmentos da vida de um homem, filho de um comerciante e uma artista sul-americana, divide sua alma nestas duas faces: o burguês e o escritor.

Acredita que o artista deve se afastar do mundo para poder escrever sobre ele. O sentimento atrapalha a criação, deve-se estar fora da humanidade para analisá-la. No entanto é apaixonado pela vida e seus valores burgueses.

Este confronto permanente o torna desajeitado, angustiado, deslocado da realidade a que pertence. Os primeiros fragmentos são dos dois amores de sua juventude, o colega Hans e a bela Inge. São pessoas sem profundidade, populares, que vivem na superfície.

Após a fama, já adulto, Kroeger faz uma viagem à sua cidade natal e descobre que nada mudou. Tão deslocado quanto antes, tão angustiado quanto antes. O pendor para a literatura não é uma profissão, mas uma maldição que o afasta da felicidade. “Estou entre dois mundos; não me sinto à vontade em nenhum dos dois e por isso tenho um pouco de dificuldade. Vocês, artistas, me chamam de burguês, e os burgueses sentem-se tentados a prender-me... não sei qual dos dois me magoa mais.”

Mesmo sabendo que é capaz de reflexões inacessíveis aos homens comuns, é apaixonado por estas pessoas. “o meu amor mais sentido e concreto pertence aos louros e de olhos azuis, aos vivos claros, aos felizes, gentis e comuns.”

É um livro de poucas páginas, na fronteira com um conto e mostra com muita sutileza os dilemas existenciais de um escritor que para dar vazão a sua arte renuncia à própria humanidade.

Um comentário:

Tiago Souza disse...

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