quarta-feira, abril 30, 2008

Laços

Vídeo brasileiro que ganhou prêmio no Youtube, bom para meditar e para ganhar forças em momentos difíceis.

terça-feira, abril 29, 2008

O Niilismo, raiz dos males do homem de hoje

Niilismo, falta o fim; falta a resposta ao "por quê?"; o que significa niilismo? __ que os valores supremos se desvalorizam.


F. Nietzsche

Retomo aqui o prólogo do livro de Giovanni Reale, Saber dos Antigos.

Nietzsche, profeta e teórico do niilismo

Reale defende que os males espirituais que afligem o homem de hoje possuem uma raiz comum: "a cultura contemporânea perdeu o sentido daqueles grandes valores que, na era antiga e medieval e também nos primeiros séculos da era moderna, constituíam pontos de referência essenciais, e em ampla medida irrenunciáveis, no pensamento e na vida."

Nietzsche foi o primeiro filósofo que compreendeu a fundo este ponto e o sintetizou com o termo "niilismo", posteriormente procurou um resultado positivo para esta constatação com sua doutrina da "vontade de potência" mas chegou a um beco sem saída.

O filósofo o fez na forma de um profeta que antevia um futuro próximo que já se mostrava no presente.

Descrevo aquilo que virá: o advento do niilismo (...) O homem moderno crê experimentalmente ora neste, ora naquele valor, para depois abandoná-lo; o círculo de valores superados e abandonados está sempre se ampliando; cada vez mais é possível perceber o vazio e a pobreza de valores; o movimento é irrefreável (...) A história que estou relatando é a dos dois próximos séculos..."


A essência do niilismo

Os pressupostos do niilismo são: "Que não exista uma verdade; que não exista uma constituição absoluta das coisas, uma 'coisa em si'". O niilismo leva à desvalorização e negação dos seguintes princípios:
  1. princípio primeiro, Deus;
  2. fim último;
  3. ser;
  4. bem;
  5. verdade.
A morte de Deus

No livro A Gaia Ciência, Nietzsche traz uma de suas passagens mais eloqüentes sob o título "O insensato".


Não ouviste falar desse louco que acendia uma lanterna em pleno dia e se punha a correr pela praça pública a gritar sem parar: ‘Procuro Deus! Procuro Deus!’ Mas, como havia ali muitos daqueles que não acreditavam em Deus, o seu grito provocou uma imensa gargalhada. Perdeu-se como uma criança?, disse um. Esconde-se? Tem medo de nós? Embarcou? Emigrou? Assim gritavam e riam confusamente. O louco saltou para o meio deles e trespassou-os com o olhar. ‘Onde foi Deus? – gritou. – Vou dizer-vos. Nós o matamos... vocês e eu! Somos nós, todos nós, que somos os seus assassinos! Mas como fizemos isso? Como pudemos esvaziar o mar? Quem nos deu uma esponja para apagar o horizonte? Que fizemos quando separámos a cadeia que ligava esta terra ao sol? Onde vai ela, agora? Nós próprios, onde vamos? Para longe de todos os sóis? não caimos sem parar? Para a frente, para trás, de lado, de todos os lados? Ainda existe um em cima, um em baixo? Não seremos errantes, como que um nada infinito? Não sentimos o sopro vazio sobre o nosso rosto? Não faz mais frio? Não virão sempre noites, cada vez mais noites? Não é preciso acender lanternas desde manhã? Ainda não ouvimos nada do barulho que fazem os coveiros ao enterrar Deus? Ainda não sentimos nada da decomposição divina?... Os deuses também se decompõem! Deus está morto! Deus continua morto! E fomos nós que o matamos! (...) Nunca houve ação mais grandiosa e, quaisquer que sejam, aqueles que vieram a nascer depois de nós pertencerão, por causa dela, a uma história mais alta que, até aqui, nunca foi história alguma!’ O insensato calou-se com estas palavras e olhou outra vez para os seus interlocutores: também eles se calavam, como ele, e olhavam-no com espanto. Por fim, atirou a sua lanterna ao chão, de maneira que ela se partiu em pedaços e se apagou. ‘Chego demasiado cedo’, disse então, ‘o meu tempo ainda não chegou. Esse acontecimento enorme ainda está a caminho, caminha, e ainda não chegou ao ouvido dos homens. É preciso tempo para o relâmpago e para a tempestade, é preciso tempo para a luz dos astros, é preciso tempo para as acções, mesmo quando são cumpridas, para serem vistas e ouvidas. Esta acção continua--lhes ainda a mais longínqua das constelações; e, no entanto, foram eles que a realizaram!’ Conta-se ainda que este louco entrou, no mesmo dia, em diversas igrejas e aí entoou o seu Requiem ‘Aeternam Deo’. Expulso e interrogado, ele não teria deixado de responder a mesma coisa: ‘O que são, pois, as igrejas senão os túmulos e os monumentos fúnebres de Deus?»


É preciso ter em mente que a expressão Deus é usado pelo filósofo para indicar o mundo supra-sensível em geral. Significa que o mundo supra-sensível não tem força real, não envolve nenhum tipo de vida.

Segundo Heidegger, o niilismo é um pensamento fundamental na história do ocidente, "que seu desenvolvimento só poderá determinar catástrofes mundiais". Não começa só onde o Deus cristão é negado, o cristianismo é combatido, ou onde se prega um ateísmo vulgar baseado no livre-pensamento. A "morte de Deus" significa o desaparecimento da dimensão da transcendência, a anulação total dos valores ligados a ela, a perda de todos os ideais.

A vontade de potência

Para solucionar o problema do desaparecimento dos valores e do mundo transcendente, Nietzsche elaborou a doutrina da vontade de potência.

Os valores passavam a estar relacionados com o aumento da potência daquele que os defende. Deve haver uma transvaloração dos valores, através da sua inversão e o deslocamento dos antigos valores da esfera da transcedência para a esfera da vontade de potência.

A metafísica, a moral, a religião e a ciência são diferentes formas de mentira. O super-homem de Nietzsche renega a todas e coloca em sua própria vontade a base para as estruturas de sua moralidade. A verdade é aquela que o homem consegue impor por sua vontade de potência.

Assim, perdem-se os valores supremos que são transvalorados da esfera transcedente para a esfera imanente da vontade de poder.

O niilismo incompleto

Com a morte de Deus, o lugar que ocupava fica vazio, mas o lugar continua existindo, apenas fica vazio. Esta região do mundo supra-sensível e do mundo ideal pode ser mantida. Desta forma novos ideais são instituídos. Segundo Nietzsche, "isso acontece com as doutrinas da felicidade universal e com o socialismo, com a música wagneriana, ou seja, onde quer que o 'cristianismo dogmático' seja reduzido aos extremos".

Segundo Reale, o estado intermediário do niilismo caracteriza o mal estar de nossa civilização.

Os valores são substituídos pelas máscaras do niilismo assim descritas por Nietzsche: "em nada diferem dos disfarces niilistas dos antigos valores substituídos por novas máscaras multicoloridas, os quais, bem mais do que com o fugaz brilho dourado do ventre da serpente vida, se apresentam como sereias que encantam, e que, vangloriando-se de ser portadoras da salvação ou pelo menos de segurança, representam o perigo de arrastar de forma irreversível para o abismo do nada."

As causas profundas dos males do homem de hoje seriam justamente estes disfarces niilistas dos valores supremos que caíram no esquecimento, que podem ser resumidos nos seguintes itens:
  1. o cientificismo e o redimensionamento da razão do homem em sentido tecnológico;
  2. o ideologismo absolutizado e o esquecimento do ideal verdadeiro;
  3. o praxismo, com sua exaltação da ação pela ação e o esquecimento do ideal de contemplação;
  4. a proclamação do bem-estar material como sucedâneo da felicidade;
  5. a difusão da violência;
  6. a perda do sentido da forma;
  7. a redução do Eros à dimensão do físico e o esquecimento da "escala do amor" platônica (e do verdadeiro amor);
  8. a redução do homem a uma única dimensão e o individualismo levado ao extremo;
  9. a perda do sentido do cosmos e da finalidade de todas as coisas;
  10. o materialismo em todas as suas formas e o esquecimento do ser, a ele vinculado.


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Now playing: Blood, Sweat & Tears - God Bless The Child
via FoxyTunes

segunda-feira, abril 28, 2008

Behind Blue Eyes

The Who - Behind Blue Eyes

Os mais moderninhos conhecem apenas a versão do Limp Bizkit. Esta é a original do Who, inigualável.

"No one know what is like,
to be a bad man,
to be a sad man,
behind blue eyes"

Time misto pintando

Deu no blog do Juca:

Joel Santana admite a hipótese de não jogar com força máxima contra o América, na Cidade do México, nesta quarta-feira.


Parece que as minhas preces podem ser atendidas. Sei que é um risco, mas não vejo outra solução. É preciso fazer o revezamento.

A verdadeira escolha era entre duas possibilidades: jogar com um time titular ou reserva nas duas partidas ou jogar com time misto nas duas. A melhor parece ser a segunda.

A Libertadores é muito mais importante do que o Carioca, embora este último tenha aumentado de importância com a possibilidade de igualar o Fluminense em número de conquistas. Mas não se deve esquecer que o título carioca é uma realidade muito maior que a Libertadores...

Vai fundo Joel! Coragem!



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Now playing: The Allman Brothers Band - Ramblin' Man
via FoxyTunes

It Makes No Difference

Rádio do Jota

Quem quiser escutar a rádio da last.fm com as músicas mais escutadas por este blog, é só clicar aqui.

Só para ter uma idéia, a imagem abaixo mostra o que tem por lá.

Outras decisões

Em Minas tudo decidido. O título é do Cruzeiro e o máximo que o galo pode almejar agora é ganhar a última partida para colocar um pouco de água no chopp cruzeirense, como o rival fez no ano passado. Só e será muito.

No Rio Grande do Sul, o Juventude fez o mesmo papel do Flamengo, ganhou mas o favorito é o rival. Ao seu favor o extraordinário desempenho contra o colorado. Contra, um Beira Rio lotado e um time superior e motivado do outro lado.

No Paraná a vantagem do Coxa é considerável. É muito difícil reverter dois gols quando as duas equipes são rivais tradicionais e de mesmo nível. É uma vez em 20, e olhe lá.

O resto me interessa pouco. Ou nada.



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Now playing: The Allman Brothers Band - Instumental Illness
via FoxyTunes

Flamengo 1 x 0 Botafogo


Vitória importante

O Flamengo conseguiu uma importante vitória no jogo de ontem, aliás era fundamental. Não houve superioridade entre as equipes durante praticamente toda partida, o que torna o resultado ainda mais importante.

Depois de um primeiro tempo muito ruim de ambas as equipes, Joel Santana colocou o time para frente na segunda etapa e assumiu os riscos. O empate era um excelente resultado para o alvinegro que conta com o desgaste do rival para a segunda partida. Para o Flamengo era importante uma vantagem para obrigar o adversário a sair para o jogo no domingo que vem, o que anularia o ponto forte do Botafogo: os rápidos contra-ataques.

O rubro-negro continua pagando pela má fase de alguns dos seus principais jogadores, notadamente Ibson, Kléberson e Léo Moura. Sem criatividade, o time fica sem jogadas para os atacantes. Existe uma melhora evidente com Marcinho mais recuado, coisa que Joel tem que pensar com mais carinho.

O título está totalmente aberto, o Flamengo tem a vantagem no placar e o Botafogo terá a física. Faz parte do esporte, não adianta reclamar depois. A diretoria contratou um elenco para disputar as duas competições, se não está havendo uma maior utilização deste elenco a responsabilidade é do treinador.

Que saiba o que está fazendo.

No mais discordo de boa parte do noticiário esportivo que coloca o título como mais próximo do Flamengo, ainda acho o Botafogo favorito. Caso o jogo de ontem tivesse empatado estaria com a mão na taça, o Flamengo garantiu sua sobrevivência na disputa e não um favoritismo.

sexta-feira, abril 25, 2008

Não aprenderam

Parece que não aprenderam a lição na Gávea. O Flamengo vai com o mesmo time para os dois confrontos, Botafogo e América. Tomara que eu esteja errado, mas acho que acabamos de jogar o título do Campeonato Carioca pela janela. O Flamengo desgastado não tem condições de vencer o Botafogo.

Espero que esteja sinceramente enganado.

Coisas do futebol brasileiro

Uol:

O torcedor 'comum' do Palmeiras não vai poder comprar ingresso em São Paulo para a primeira final do Campeonato Paulista. A diretoria do clube alviverde disponibilizou a carga que recebeu da mandante Ponte Preta para torcedores de organizadas, conselheiros e convidados.


Acho extremamente lamentável uma decisão destas. Alguns argumentam que é justo já que este é o tipo de torcedor que vai em todos os jogos, mesmo os fora da capital e do estado. Só que entre eles estão os torcedores pit-bulls, os que vão aos jogos para beber e arranjar confusão, de preferência uma briga.

A raiz do problema de violência nos estádios está na condescendência dos próprios clubes com as torcidas organizadas. Argumentam que são elas que trazem a alegria nos estádios, como se fosse necessárias a violência para animar um espetáculos. Por isso assistimos um jogo de futebol como se estivéssemos em uma arena romana com grade, fosso, polícia à beira do campo, etc.

Quando vejo um jogo na Inglaterra, sem separação entre torcida e jogadores, em um país que na década de 80 era o grande foco de violência de torcidas, vejo o quanto avançaram e o quanto decaímos.

Não fui aos estádios nas décadas de 50 e 60, ainda nem era nascido. Mas os que foram me contaram que era um verdadeiro espetáculo. As charangas, a animação, os cantos __ sim, eles existiam sem os vândalos organizados!

Mas isto é passado. Claro que é. Mas a pergunta que deveríamos fazer é: era melhor assim ou o que temos hoje?

The Nicomachean Ethics: Livro VII

O livro VII de Ética a Nicômaco trata da temperança e é um dos temas de Aristóteles que mais tem a ver com os dias de hoje. É uma das virtudes cardeais descritas pelo estagirita, as outras seriam justiça, prudência e fortaleza.

O capítulo é uma extensa discussão à respeito da temperança, sua natureza e seus limites, vou tentar resumir o que entendi.

Temperança

Let us next begin a flesh part of the subject by laying down that the states of moral character to be avoided are of three kings - vice, unrestraint, and bestiality. The opposite dispositions in the case of two of the three are obvius: one we call virtue, the other self-restraint. As the opposite of bestiality it will be most suitable to speak of superhuman virtue, or godness on a heroic or divine scale.


Os estados morais de caráter a serem evitados são de três tipos __ vício, intemperança e bestialidade. A virtude seria oposta ao vício, a temperança à intemperança e a virtude sobre-humana, heróica ou divina à bestialidade.

Pelo que entendi desta introdução, temperança não seria exatamente uma virtude, teria outra natureza.

Para Aristóteles, temperança seria a capacidade do homem de evitar se deixar dominar pelas paixões agindo no sentido contrário ao que aponta sua razão. O intemperante é aquele que abandona o caminho correto por não conseguir resistir ao apetite concupiscente.

Segundo Sócrates, a intemperança não existe pois o homem só é mal pela ignorância. Dispondo do conhecimento do que é correto, seria impossível agir de outra forma. Se a intemperança é causada pela ignorância, esta só poderia ser entendida de uma forma diferente de Sócrates. Aristóteles resolve pela distinção entre conhecimento e opinião. O intemperante age não contra o conhecimento, mas contra sua opiniões. Este homem pode ser perdoado por abandonar suas opiniões pelos desejos, mas seria condenado pelos vícios apresentados.

Aqui vejo uma sutil diferença da temperança para a virtude. A intemperança não seria um vício, mas levaria ao vício já que o homem se entregaria às paixões e falharia pelo excesso, o que na definição de Aristóteles configuraria o vício. Assim o homem que comete adultério pelo desejo sexual por outra mulher é intemperante, mas o vício que incorre é justamente o de se deixar levar pelo prazer sexual.

O conhecimento que está presente quando o homem falha na temperança não é o conhecimento no sentido verdadeiro, mas o conhecimento da percepção sensível. Aquele fruto das sensações.

Intemperante pelo ódio.

Para Aristóteles o homem que se torna intemperante pelo ódio é menos condenável do que o que age pelos prazeres, tendo em vista que o primeiro tem sua razão comprometida pelo forte sentimento.

O ato intemperança motivada pelo ódio causa a dor e não o prazer.

Again, a wanton outrage gives pleasure to the doer, never pain, whereas an act done in anger always causes him a feeling of pain.


Relação com a prudência

Aristóteles deixa claro que a temperança refere-se a escolhas. O homem é intemperante quando escolhe o prazer sobre a reta razão. A prudência é a virtude que refere-se a reta razão no agir, portanto não é possível para um homem prudente ser intemperante.

A confusão muitas vezes acontece pela confusão entre habilidade e prudência. Os dois referem-se a capacidade do homem em realizar determinadas tarefas a que se propôs; a prudência, entretanto, tem um faceta a mais do que a habilidade, ela está relacionada com a moral.

Um ladrão que consegue grandes golpes é um homem habilidoso, mas não é prudente. É possível para um homem ser habilidoso e intemperante, mas não prudente e intemperante, pois a prudência refere-se ao conhecimento do que é bom e não a opiniões.

Outro ponto interessante é que o homem temperante sofre ação dos prazeres, só que ele é capaz de controlar seu apetite concupiscente. Não é sinal de fraqueza ter desejos que contrariem nossas opiniões, mas sim de ceder a eles.

Prazeres

Na última parte do livro VII, Aristóteles trata dos prazeres.

Trata das seguintes opiniões:
  1. Nenhum prazer é bom, seja acidental ou essencial.
  2. Alguns prazeres são bons, a maioria não.
  3. Todos os prazeres são bons, entretanto o prazer não pode ser o bem supremo.
Argumenta que existe o bem absoluto e aquele que é bem para alguém, o relativo. Da mesma forma, alguns males absolutos podem não ser mal para uma determinada pessoa ou em uma determinada circunstância. Ninguém gosta de tomar injeção, mas para uma determinada pessoa em uma determinada situação ela é um bem, por exemplo ao aliviar a dor.

Existem prazeres que não envolvem dor ou desejo, como por exemplo o da contemplação; estes não implicariam em deficiência na normalidade.

Aristóteles refuta a primeira e terceira opiniões, e defende a segunda. Alguns prazeres, aqueles que não implicam em dor ou desejo, são bons e podem estar relacionados ao bem supremo tais como a leitura, a contemplação. Outros, que relacionam-se principalmente com os prazeres do corpo devem ser evitados pelos excessos que provocam. O homem prudente busca libertar-se dos prazeres para libertar-se da dor a eles associado.

Um último alerta do filósofo: nada pode continuar a nos dar prazer sempre pois nossa natureza não é simples pois contém um segundo elemento (a alma?) e estes dois devem estar balanceados. Ao se privilegiar um, negligencia-se o outro.

Música do dia

Música gravada em 1970 pelo Free com um baixo que fez história de Andy Frasier. É uma pena que a banda tenha se perdido com os excessos e o fim trágico de Kossoff, mas deixou grandes pérolas para a história do rock'n'roll.

Mr Big

quinta-feira, abril 24, 2008

Mais um brinquedo: mp3tube!

Não conhecia, mas existe um similar do Youtube próprio para compartilhar músicas, trata-se do mp3tube, muito prático e fácil de usar!

Para testar abri uma conta e coloquei duas músicas.

A primeira é do The Band, gravação do show The Last Waltz. A música é maravilhosa, com um solo lindo de Robertson e um sax matador no final de Garth Hudson.

A segunda é do grupo holandês (anos 60/70) Shocking Blue, que tinha em sua vocalista Mariska um diferencial e tanto.

Seguem os links:

It's Make No Difference - The Band

Send Me a Post Card - Shocking Blue

Libertadores: Hora de verdade


O Flamengo precisou de um gol de falta do goleiro Bruno para garantir a primeira colocação do grupo e a segunda geral. Obina ainda ampliou no fim, quando o jogo estava decidido. Mas foi a derrota do Audax que complicou a vida do Flamengo e o colocou para jogar no México na semana que vem.

É bom que a diretoria tenha aprendido com a semi-final da Taça Rio. Não dá para vencer os dois confrontos, Botafogo e América, com o mesmo time. Vai ser necessário usar o elenco, não é para isso que ele foi construído? Ainda mais porque o Botafogo não joga na semana que vem.

O melhor seria fazer um revezamento. O goleiro e a zaga podem ser mantidos para os dois confrontos sem muitos problemas. Os laterais devem ser revezados, de preferência não os dois de uma vez. Pode jogar Leo Moura e Egídio no domingo, Juan e Luiziho na quarta, ou vice-versa. Dois ataques também podem jogar. Souza e Renato Augusto em uma partida, Marcinho e Obina na outra, e assim por diante. O importante é compreender que não dá para optar para usar o mesmo time nos quatro jogos.

Por causa do desastre do Audax, o Flamengo só poderia escapar do América pegando o São Paulo. Por pior que seja jogar no México, o tricolor deve ser sempre respeitado, apesar das partidas horrorosas que vem fazendo. Não dava para escolher resultado, o time fez bem em ganhar a partida.

Agora entendi porque existe um sorteio na Copa dos Campeões para o mata-mata. Uma das piores coisas no futebol e ficar em uma situação em que perder pode ser melhor do que vencer, isto mata o esporte. Não deveria ter isso. Acabava a fase de grupos e sorteavam-se os confrontos. Não dá para saber quem foi o melhor quando os clubes jogam em grupos diferentes, a colocação geral se transforma em uma grande bobagem.

quarta-feira, abril 23, 2008

Top 5 - The Band


The Band é realmente "a" banda. Depois de devorar praticamente todos os seus discos (falta apenas Islands) já posso fazer uma lista de top 5, o que me faz bater a cabeça um bocado. Gosto de tudo que a banda fez, não tem uma música que me faça querer pulá-la. O botão forward é proibido quando se trata do The Band...


1. The Weight

Tudo funciona nesta música, as harmonias, a letra, os vocais. Ainda quebro a cabeça até hoje para entender o que Robertson quis dizer com sua saga caipira-mística sobre esta tal carga. Gosto especialmente do verso cantado por Danko. O grande problema é descobrir qual a versão da música é a melhor!


2. The Night They Drove Old Dixie Down

É possível sentir toda a tristeza dos sulistas na Guerra de Secção em mais esta composição de Robertson. É uma música que toca fundo, que emociona. Simplesmente brilhante.


3. It Make's no Difference

Este para mim é o grande momento de Danko, sua voz é perfeita nesta música. Robertson também nos entrega um solo maravilhoso, assim como o solo de sax de Hudson. É a banda madura, com domínio completo sobre sua obra.


4. Up On Cripple Creek

Mais uma paisagem do interior americano narrado com maestria por Robertson. Um dos clássicos da banda e um arranjo para lá de diferente, o instrumento principal é um som de berimbau que Hudson tira dos teclados.


5. Tears of Rage

Faltava um grande momento de Manuel na lista. Agora não falta mais. Sua interpretação nesta música é maravilhosa e a música de abertura do primeiro disco. Uma inovação na época abrir um disco de rock com a música mais lenta do disco. Coisas de uma banda que não tinha medo de ousar. Ainda bem.

terça-feira, abril 22, 2008

Mar Português

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.

Fernando Pessoa

Muitas vezes nos perguntamos se alguma coisa valeu a pena ou não. Pessoa apresenta uma boa indicação para a resposta em seu poderoso verso: "tudo vale a pena se a alma não é pequena".

Quais eram nossas intenções? O que buscávamos? O que aprendemos em nossa jornada? Crescemos? Nos tornamos melhores?

São perguntas que devem nos guiar sempre antes de nos arrependermos de algo que fizemos. No filme "Fugindo do Inferno", depois da fracassada tentativa de fuga de um campo de prisioneiros nazistas, onde a maioria dos fugitivos foram sumariamente executados, um dos sobreviventes pergunta ao seu comandante: teria valido a pena? O comandante responde na última fala do filme: depende de seu ponto de vista.

Mais uma vez a resposta está em cada um de nós, "tudo vale a pena se a alma não é pequena". O problema é encontrar este resposta. O problema é nos conhecermos.


segunda-feira, abril 21, 2008

Visita ao Zoológico

Aproveitamos o feriado para passear no zoológico. Não sou particularmente fã de bichos em geral, mas de vez em quando gosto de observá-los. Recentemente li sobre a importância de dedicar atenção para algumas coisas que resolvemos fazer para nós mesmos, e foi com este espírito que levei a família ao zoo de Brasília.

Não sei se foi pelo espírito de atenção ou não, mas diante de todos aqueles animais interessantes como elefantes, girafas, zebras, leões, onças e tantos outros, foi as borboletas que chamaram-me a atenção.

O zoológico tem um borboletário onde podemos circular entre as mariposas e borboletas e acabei lembrando do que tinha lido. Sentei um uma banco e fiquei concentrado por alguns minutos observando algumas delas se alimentando. Confesso que foi uma experiência muito interessante, até porque fiquei sozinho ali, Eliene e as crianças tinham se adiantado, mergulhado em um sentimento de tranqüilidade e paz.

Fiquei pensando naquela figura tão diminuta e lembrei que dependendo do referencial nós também somos diminutos. Talvez o mundo inteiro seja apenas um borboletário em que vivemos em limites que não conseguimos perceber. Somos apenas uma pequena parte do universo.

No fim perguntamos para a Lorena do que ela tinha gostado mais. Ela disse que tinha sido da tartaruga. Diante de nosso espanto, e até decepção, ela corrigiu depois. Tinha gostado da onça pintada. Na verdade ela anda apaixonada por uma oncinha de pelúcia e acabou se influenciando.

O que ela gostou de verdade foi do catavento. A partir do momento que comprei um, todo o zoológico ficou em segundo plano para ela, tudo se resumia em assoprar e fazer o catavento girar.
É interessante como as crianças se ligam em coisas que para nós parecem tão insignificantes. Lembrei de Jesus falando que para chegarmos ao reino dos céus teríamos que ser como as crianças. Seria este um dos motivos?

Foi bom para conhecer e descobrir que é um ótimo lugar para levar uma toalha e ficar por lá um dia inteiro, fazer um pic-nic; um dos hábitos que perdemos ao longo dos tempos, remete à minha infância. É hora de dar este prazer aos filhos. O que me leva a refletir até onde vai nossa própria culpa pelo abandono das coisas mais simples?

domingo, abril 20, 2008

Que venha o Botafogo

O Botafogo mereceu a vitória hoje diante do Fluminense. Em um clássico muito disputado foi um time melhor organizado e mais focado em vencer a partida. O Fluminense cometeu alguns pecados, como deixar Washington bater o penalti no primeiro tempo, a demora de Renato em mexer no time após ficar com um homem a mais na partida e a própria dispersão de seu principal jogador, Tiago Neves. O Botafogo superou suas dificuldades, principalmente a injusta expulsão de Alessandro e a contusão de Castilho que terminou o jogo saltando em uma perna só.

O Flamengo leva um favoritismo para a primeira partida em função dos desfalques importantes do alvinegro e o período de descanso. A situação pode mudar para o segundo jogo, já que haverá um jogo ainda pela Libertadores na semana entre as duas partidas que pode até ser contra o América do México. Portanto, é fundamental para o Flamengo vencer este primeiro jogo, se possível com diferença de gols.

sábado, abril 19, 2008

Reflexões Autobiográficas

Eric Voegelin

Segundo seu editor, este livro pode ser encarado como uma introdução à gigantesca obra do filósofo alemão, naturalizado americano, Eric Voegelin. E realmente é. Voegelin conta as principais passagens de sua vida e o surgimento de suas idéias nos mais diversos campos.

Só posso ficar sinceramente admirado pelo esforço deste homem em busca da sabedoria, no sentido descrito pelos clássicos. Voegelin dedicou-se durante toda sua vida para estudar, pensar e reformular pensamentos. Sua erudição é espantosa, suas análises profundas. Morreu em 1985, aos 84 anos.

Estados Unidos

Voegelin emigrou para os Estados Unidos em 1938 fugindo do nazismo na Áustria. Admirado pelo espírito de liberdade que vigorava nas Universidades Americanas, terminou por naturalizar-se. Comparando o estudante americano com o europeu, considerava que este possuía formação intelectual mais sólida, com domínio de vários idiomas. O americano possuía o espírito mais aberto para as idéias e uma ligação mais forte com a realidade dos fatos.

Afirmava que um estudante alemão diante de um fato que contrariasse suas próprias idéias, tornava-se agressivo e não admitia a discussão. Mesmos os ideólogos americanos reconheciam a veracidade de um fato, mesmo que contrariados.

A principal qualidade filosófica americana, herdada dos ingleses, era o senso comum, que se traduzia por uma compreensão concreta da realidade, o que muitas vezes é confundido com o pragmatismo. Este bom senso fugia à compreensão clássica de que só seria possível pela elaboração técnica e analítica do homem.

Ideologias

Voegelin foi talvez a principal voz contrária às ideologias, como apresentei neste post. Considerava que uma ideologia só se sustentava pelo divórcio com a realidade através da construção de uma segunda realidade.

A ideologia e seus males ainda seria uma característica dos dias de hoje e sua principal crítica estava na total supressão da relação do homem com o plano divino em suas formulações. Desta forma elas ficavam moralmente livres de qualquer sanção e origem das mais variadas formas de violência. Era o eclipse da dignidade humana em proveito de uma "causa".

Considerava a ideologia incompatível coma a ciência entendida no sentido racional de análise crítica. "Até hoje sustento que não se pode, em hipótese nenhuma, ser ao mesmo tempo um ideólogo e um cientista social competente".

Consciência

Voegelin investigou também quais seriam as experiências formadoras da consciência humana, o que fez através de uma anamnese, uma recordação das experiências da infância. Considerava que a consciência do homem se formava através da participação em diversas áreas da realidade que formariam a existência no mundo. Através do mergulho no próprio passado o homem se abriria para o plano divino da existência.

A experiência não estaria nem no sujeito nem nos objetos, mas no que chamou de Intermediário, um lugar entre a psique e a realidade que circula o homem.

Filosofia da História

Voegelin rejeitava a linearidade da história que a coloca como uma sucessão de eventos lineares entre o surgimento das idéias na antiguidade clássica e o mundo contemporâneo. Rejeitava a comparação da história com um grande rio de idéias, conforme defendido por Hegel. O que se constituía em uma crítica não só a Hegel, mas também à Marx com seu materialismo histórico e a descrição da sociedade como uma luta de classes constante.

O mundo atual era produto de uma série de acontecimentos e idéias que surgiram em diversos pontos do globo simultaneamente e que mantinha paralelos e diferenças.

Refutava também a idéia de que as civilizações eram unidades fundamentais do estudo da história. Estas seriam produtos de processos históricos.

Escreveu sobre a chamada Era Ecumênica, um período da história que se estenderia da época de Zoroastro até a queda do Império Romano. Foi um período em que a compreensão cosmológica da realidade foi substituída por um novo modelo de compreensão, centrado na diferenciação da verdade da existência, por meio da filosofia helênica e, posteriormente, das experiências ligadas à revelação cristã. Esta era caracterizava-se por três fenômenos: (1) arroubos espirituais; (2) arroubos imperiais de concupiscência; e (3) começo da atividade historiográfica.

Entender este período seria essencial para entender o próprio mundo contemporâneo , assim como o período que veio depois, o dos impérios ortodoxos.

Podemos descrever a deformação moderna como uma ortodoxia da alienação que exclui da consciência a esfera mais importante da realidade __ a relação do homem com o plano divino.


Voegelin faz uma descrição do mecanismo psicológico e intelectual da idéia que infesta o meio intelectual: a do Governo Internacional. As ONGs, a Globalização e principalmente a ONU seriam terminologias que escondem o eclipse da realidade; a idéia do ecumenismo é apenas mais uma maneira do homem exercer o domínio sobre o seu semelhante sem se preocupar com as conseqüências morais de seus atos. Motivados pelo desejo altruísta de "um mundo melhor", os mensageiros de ecumenismo vivem somente de uma distração que oculta o terror da existência diante da morte.

Seja por Alexandre, César, Robespierre, Napoleão, Hitler, ou mesmo a ONU, a era ecumênica é uma máscara para solidificação de um Império e para o ilusório poder que o ser humano acredita ter para salvar sua própria alma. Apesar das mudanças nas instituições e regimes políticos existe uma linha constante na história: o Poder sempre aumentou sua força e sofisticou seus meios para escravizar o espírito humano.

Revolução e antiamericanismo

Afirmava que o antiamericanismo dos intelectuais franceses e alemães tinha origem no sucesso da Revolução Americana. Esta tinha caráter conservador e procurou preservar a estrutura cultural da civilização ocidental. Foi uma revolução que trouxe uma sociedade mais aberta, lançando mão do mínimo de violência. Os intelectuais europeus desejam empreender uma revolução própria, inserida na tradição francesa da destruição da ordem cultural.

Voegelin descreve como a maioria dos intelectuais americanos são na verdade antiamericanos, o que não pode ser confundido por comunismo pois em sua grande maioria seriam incapazes de ler e entender pensadores da estatura de Hegel e Marx.

O que de fato houve foi o surgimento de um movimento intelectual desorientado, em parte iletrado, que criou inadvertidamente uma polarização alheia à realidade social americana, e agora deve pagar o preço por sua indiferença às coisas como são.


Argumenta como a grande mídia e os intelectuais americanos influenciaram decisivamente no conflito do Vietnã. Segundo ele, uma vez iniciada a guerra teria que ter um algum desfecho; "abandoná-la simplesmente não era a solução".

Chama a atenção que o principal problema do conflito foi que era uma guerra contra um país totalitário, um grupo firme em suas convicções e disposto a sacrificar até a última gota de sangue em benefício de sua dominação, o que só pode acabar em horrores de destruição física (...)
O governo do Vietnã do Norte não hesitou por um momento sequer em expor o povo vietnamita à destruição da guerra; e, do lado americano, especialmente por meio dos noticiários televisivos, a destruição chegou ao povo como uma destruição perpetrada pelo exército americano.


Voegelin lembra dos bombardeios às cidades alemãs na segunda guerra e foto de serem encaradas com tranqüilidade. A mesma destruição, se perpetrada em um país subdesenvolvido, ainda que em menor escala, despertava horror. "Que esses horrores fosse praticados por ideólogos sectários, e não pelo governo americano, era objeto de indiferença".

Como último pensamento desta resenha deixo este, bastante atual:

Seguramente, hoje nos confrontamos com o poder social arrasador da desonestidade intelectual, que permeia o mundo acadêmico e outros setores da sociedade.

quinta-feira, abril 17, 2008

Quando um liberal se trai

Volta e meia eles se traem e mostram o que realmente pensam.

O papa encontra-se em visita aos Estados Unidos e o senado preparava uma resolução em homenagem a Bento XVI. Uma senadora democrata, Barbara Boxer, bloqueou a resolução por causa da seguinte passagem:
Whereas Pope Benedict XVI has spoken out for the weak and vulnerable, witnessing to the value of each and every human life;

O problema para Boxer foi a citação de "cada e toda vida humana". Sendo uma abortista ela não pode deixar passar esta frase. Esta é a idéia de pluralidade de opiniões de um liberal. Segundo ela o papa deveria defender apenas "algumas" vidas humanas. Mas há uma incoerência na atitude da senadora.

Os abortistas não vivem defendendo que o feto não é vida humana? Se assim for, não há porque restringir a referência pois quando o papa diz cada vida humana, na concepção deles, não estariam incluídos os fetos, já que estes não seriam vidas humanas.

Ao que parece, a senadora considera que o feto é sim uma vida humana, tanto que se sentiu atingida pelo papa. Se considera o feto como vida humana, então defende um assassinato.
Outro que se traiu outro dia foi Husseim Obama. Falando sobre o aborto disse que não gostaria de ver um dia uma filha sua castigada com um bebê. Pode dar quantas voltas quiser para tentar justificar sua frase, mas não vai conseguir. Espero que os americanos não eleja um homem que considera um bebê um castigo.

O próprio Obama disse em discurso esta semana que a crise econômica tinha como conseqüência levar as pessoas para as armas, aos atos hostis contra imigrantes ou à religião. Parece que é preciso que a economia vá bem para evitar que as pessoas recorram à Deus.

Por isso não acredito nos democratas. A impressão é que estão sempre tentando esconder o que realmente pensam, mas algumas vezes se traem e os verdadeiros motivos e idéias surgem. Para desespero de seus relações públicas que precisam consertar a "gafe".

Atualização dos discos do jota

Depois de um bom tempo atualizei minha coleção de cds.

Discos do Jota

quarta-feira, abril 16, 2008

Louco (Hora do Delírio)

Estou lendo o livro 100 poemas essenciais da língua portuguesa, organizado por Carlos Figueiredo. Este é dos que mais gostei até aqui, de Junqueira Freire (1832-1855).

Não, não é louco. O espírito somente
É que quebrou-lhe um elo da matéria.
Pensa melhor que vós, pensa mais livre,
Aproxima-se mais à essência etérea.

Achou pequeno o cérebro que o tinha:
Suas idéias não cabiam nele;
Seu corpo é que lutou contra sua alma,
E nessa luta foi vencido aquele.

Foi uma repulsão de dois contrários;
Foi um duelo, na verdade insano:
Foi um choque de agentes poderosos:
Foi o divino a combater com o humano.

Agora está mais livre. Algum atilho
Soltou-se-lhe do nó da inteligência;
Quebrou-se o anel dessa prisão de carne,
Entrou agora em sua própria essência.

Agora é mais espírito que corpo:
Agora é mais um ente lá de cima;
É mais, é mais que um homem vão de barro:
É um anjo de Deus, que Deus anima.

Agora, sim - o espírito mais livre
Pode subir às regiões supernas:
Pode, ao descer, anunciar aos homens
As palavras de Deus, também eternas.

E vós, almas terrenas, que a matéria
Ou sufocou ou reduziu a pouco,
Não lhe entendeis, por isso, as frases santas,
E zombando o chamais, portanto: - um louco!

Não, não é louco. O espírito somente
É que quebrou-lhe um elo da matéria.
Pensa melhor que vós, pensa mais livre,
aproxima-se mais à essência etérea.

terça-feira, abril 15, 2008

Pensamento

Ora, a ti, filho do homem, te pus como sentinela para a casa de Israel. Assim, quando ouvires uma palavra da minha boca, hás de avisá-los de minha parte. Quando eu disser ao ímpio: "Ímpio, certamente hás de morrer" e tu não o desviares do caminho ímpio, o ímpio morrerá por causa da iniqüidade, mas o seu sangue o requererei de ti. Por outra parte, se procurares desviar o ímpio do seu caminho, para que se converta, e ele não se converter no seu caminho, ele morrerá por sua iniqüidade, mas tu terás salvo tua vida.


Ezequiel, 33: 7-9

Esta foi a citação de Eric Voegelin usou no fim de um ensaio em 1966 sobre a corrupção moral e intelectual das universidades alemãs. Segundo Ellis Sandoz, seu editor e colaborador, deveria ser uma profissão de fé para todo homem dedicado a vida do espírito. Um pensamento para ler e saber de cor.

Eric Voegelin e as ideologias

Estou lendo Reflexões Autobiográficas de Eric Voegelin, filósofo austríaco, talvez o maior do século XX. Aqui no Brasil é quase totalmente desconhecido, e o seu pensamento sobre as ideologias mostram a razão.

Eric Voegelin não precisou ver as conseqüências das ideologias para entender o quanto são perniciosas. Ainda na década de 20 escreveu o mal que representava o nacional-socialismo alemão, o comunismo soviético e o positivismo.

Conta que em um jantar na casa de um colega, marxista, a esposa deste perguntou o motivo por qual tinha fugido da Áustria em 1938. Não era judeu, nem marxista, por que então tinha se oposto ao nacional-socialismo? É um ponto importante para Voegelin entender por que só poderia se opor ano nazismo se fosse judeu ou comunista, que a resistência à uma ideologia pudesse passar por razões não partidárias.

A primeira razão para sua crítica seria a questão da honestidade intelectual. Voegelin acreditava que não havia nenhuma razão para escolher as ciências sociais como área de atuação sem uma intenção honesta de examinar a realidade. As ideologias seriam edifícios intelectuais insustentáveis e só passíveis de crença através de estados de alienação. Sustentava que não era possível ser um ideólogo e um cientista social competente.

A segunda razão para seu ódio às ideologias era bastante primitiva, tinha repulsa ao que chamava de morticínio de seres humanos por diversão. Os ideólogos conquistavam uma pseudo-identidade com a afirmação do próprio poder, o que se fazia preferencialmente matando alguém, e esta pseudo-identidade “passa a servir de substituta ao ego humano que se perdeu”.

A terceira razão era a de um homem a quem agradava usar a linguagem claramente. “Se há algo característico das ideologias e dos ideólogos é a destruição da linguagem, ora no nível do jargão intelectual de alto grau de complexidade, ora no nível vulgar”. Cita que conheceu muitos homens que optaram por Hegel em relação a Marx apenas pelo primeiro pela “dificuldade sedutora dos seus escritos”. Um hegeliano passa a vida explorando as possibilidades de interpretação da realidade a partir de seus sistema, mas não aceita tocar em suas premissas, que estão erradas.

A questão é que se as premissas estão erradas, tudo o que delas se segue também está errado, e é por isso que um bom ideólogo precisa impedir que sejam discutidas. No caso de Hegel isso é relativamente fácil, porque ele era um pensador de primeira classe e conhecia muito bem a história da filosofia. Então, para atacar as premissas de Hegel, é preciso conhecer seus antecedentes em Plotino e no misticismo neoplatônico do século XVII.


No caso do marxismo, a falsidade das premissas seriam ainda mais evidente. A origem estaria na distorção deliberada de Marx sobre Hegel ao transformar os predicados da idéia deste último em enunciados sobre fatos.

Com este meu jeito selvagem de homem que não gosta de matar pessoas para divertir a intelectualidade, afirmo categoricamente que Marx era um charlatão intelectual deliberado. Com isso pretendia sustentar uma ideologia que lhe permitisse apoiar a violência contra seres humanos afetando indignação moral (...) O charlatanismo marxista reside na terminante recusa em dialogar com o argumento etiológico de Aristóteles, isto é, com o problema de que a existência humana não provém dele mesmo, mas do plano divino da realidade.


Voegelin condenava a degradação cultural do universo acadêmico e intelectual, o que seria comprovado pela ignorância dos estudiosos do hegelianismo e do marxismo em Aristóteles e Plotino.

Eis o principal motivo para o meu ódio das ideologias: elas vulgarizam as discussões intelectuais e conferem ao debate público uma coloração nitidamente oclocrática, tanto que hoje se chega ao ponto de considerar fascista ou autoritária uma simples referência a fatos da história política ou intelectual cujo conhecimento é absolutamente necessário para discutir os problemas que surgem no debate político.


Foi desta forma que Voegelin estruturou seu estudo e sua crítica às ideologias, isto em uma época em que praticamente todos estavam fascinados por elas. Afirmava que a reflexão filosófica profunda era necessária para retomar as camadas da relidade que haviam se perdido pela influência da alienação característica dos pensadores ideológicos.

segunda-feira, abril 14, 2008

Botafogo 3 x 0 Flamengo

Perdendo quando pode

O Flamengo tinha uma chance no jogo de ontem. Jogar fechado e explorar o contra-ataque. O gol de Wellington Paulista no fim do primeiro tempo acabou com a tática e com as possibilidades de vitória. O time não tinha pernas para correr atrás do placar.

Houve apenas um momento em que a sorte poderia ter mudado. Logo no início do segundo tempo Juan foi lançado e ficou, junto com Souza, em excelentes condições de chegarem a frente de Castilho. O bandeirinha se equivocou e deu impedimento.

Para sorte do juiz, péssimo diga-se de passagem, quando marcou um penalti que só ele viu o jogo já estava decidido. Mas é bom abrir o olho, a choradeira dos botafoguenses começou a influenciar a arbitragem.

No todo uma vitória justíssima do Botafogo, que jogou melhor o tempo todo. Para o Flamengo ficam 10 dias de preparação para o jogo contra o Bolognesi e, em seguida, as finais do Carioca.

domingo, abril 13, 2008

The Nicomachean Ethics, book 6 (parte 2)

Prudência

A prudência relaciona-se com a ciência política, no entanto sua essência é diferente. Quando a prudência refere-se ao Estado, trata-se da ciência legislativa; quando relaciona-se com ocorrências particulares é denominada ciência política. Esta segunda relaciona-se com a ação e a deliberação e é o motivo porque apenas as pessoas que tratam de fatos em particular que tomam parte em política. Neste sentido, a prudência é entendida como a sabedoria que relaciona-se a própria essência, a indivudualidade.

Interessante também é que Aristóteles considerava a experiência fundamental para a prudência:

The reason is that prudence includes a knowledge of particular facts, and thiEss is derived form experience, which a young man does not possess; for experience is the fruit of years.


Variedades da prudência

Excelência deliberativa: envolve um cálculo consciente. É a correção no pensar, para aqueles que não atingiram o estágio da afirmação. É possível chegar a uma boa conclusão, assim como a uma ruim, por um processo falso de uso da razão. Desta forma, o fato de chegar a uma conclusão correta não implica que os argumentos sejam verdadeiros. A correta deliberação é uma característica do homem prudente o envolve o expediente como um meio para o fim, "a true conception of which constitutes prudence".
Compreensão: a qualidade na virtude dos "homens de compreensão", não é a mesma coisa de conhecimento científico. Relaciona-se com as coisas que existem dúvidas e deve-se deliberar. É através da compreensão que de faz o julgamento para decidir o que fazer.
Consideração: é a faculdade de julgar corretamente o que é eqüitativo.

Aristóteles afirmava que todas estas qualidades e a prudência relacionavam-se com as mesmas coisas. Um homem teria compreensão e consideração, ou consideração pelos outros, quando ele é um bom juiz sobre os assuntos relativos à prudência; porque a ação equitativa é comum a todos os homens bons em seu comportamento em relação aos outros, enquanto, por outro lado, todas as formas de conduta relacionam-se a coisas particulares ou últimas, e compreensão e consideração tratam das formas de conduta últimas.

Sabedoria e prudência

Na parte final do capítulo, Aristóteles trata da relação entre sabedoria e prudência. Segundo ele, a sabedoria produz a felicidade. Através de sua posse, ou preferencialmente por seu exercício, resulta em um homem feliz. A prudência assegura a correção nos meios que o homem escolhe para atingir os seus fins. Considerando que o fim último dos atos dos homens é a felicidade, a prudência seria a forma de se alcançar a sabedoria, e com ela a felicidade.

Afirmava também que a prudência era uma característica do homem bom, pois apenas ele é capaz de enxergar as coisas boas como boas.

The supreme good only appears good to the good man: vice perverts the mind and causes it to hold false views about the first principles of conduct.


Mais adiante afirma que não é possível ser bom sem a prudência, e não é possível ser prudente sem as virtudes morais.

These considerations therefor show that it is not possible to be good in the true sense without prudence, nor to be prudent without moral virtue.


As virtudes definem-se por seus fins, pelos seus princípios corretos. O princípio correto é o princípio determinado pela prudência. Aristóteles conclui o capítulo com a idéia de que um homem prudente teria também todas as virtudes morais com ele.

sábado, abril 12, 2008

Passado, presente, futuro

Quem controla o passado controla o futuro; quem controla o presente controla o passado.


Uma das grandes questões que Orwell levanta em 1984 era a obsessão do Partido em controlar todos os registros do passado. O personagem principal do livro, Winston Smith, trabalhava alterando registros passados na minúcia. Se o Grande Irmão afirmava que haveria um aumento na produção agrícola de 2% e fosse 1,9% o registro era alterado para mostrar que acertou a previsão no detalhe.

O Stalinismo mostrou esta preocupação quando o ditador soviético "varreu" da história da revolução a participação de Trotsky, dando ao colega carniceiro uma participação bem menor do que a realidade.

Por que? Por que esta preocupação com o passado?

O inquisitor responde ao pobre Smith. A chave para o controle do futuro, ou seja da perpetuação no poder, era convencer o povo que a situação nunca tinha sido tão boa. Para isso era preciso eliminar qualquer comparação possível de modo que a realidade fosse entendida como a melhor forma possível. Era preciso que o mundo antes da revolução fosse não só esquecido, mas alterado de moto a reforçar a crença que o presente era uma conquista da sociedade.

Gustavo Corção e o aborto

Este é um nome que foi jogado no ostracismo pela intelectualidade esquerdista brasileria que controla o mercado editorial. Fui descobri-lo ano passado, no curso que fiz de Filosofia do Homem. Seus livros apenas são encontrados em sebos, e mesmo assim com muita dificuldade. Era um pensador que pode-se chamar de conservador e católico. Tinha uma opinião bastante firme sobre o aborto e coloco abaixo um artigo escrito por ele em 1957 sobre o assunto.

Digo-te eu, leitor, que foste tu que perdeste o siso. E acrescento: o mundo está como está, e o nosso Brasil chegou onde sabemos que chegou, porque as pessoas (a começar pelas da melhor sociedade) não têm mais ouvidos para ouvir e entender a linguagem dos fetos. Fuzilam-se inocentes, aos milhões, sem remorsos, dada a circunstância supersônica de seus protestos. Vou explicar-te, amigo, mais uma vez, como se pode ouvir o que não fala, e consultar o que não tem a idade da razão. É muito simples: ouvindo e consultando a lei que está gravada na natureza das coisas, a lei que qualquer consciência desobstruída de chás e chapéus pode ouvir e consultar. Uma boa lavadeira, uma honesta cozinheira, sem procurar psicólogos e sociólogos, têm ouvidos para a voz da Inocência perfeita, para a voz que condena o aborto, o divórcio, e outras acrobacias feitas com carne de gente.

link: Os que não foram consultados.

sexta-feira, abril 11, 2008

Crime de uma civilização

Volta e meia uma civilização comete um crime que pesará sobre ela por muito tempo. Não estou falando da justiça humana, esta tem alcance muito limitado. Estou falando de uma outra justiça, que vai além deste mundo. Não acho que os atos praticados neste mundo fiquem impunes, sempre haverá um acerto de contas, mais cedo ou mais tarde.

Estou lendo Reflexões Autobiográficas de Eric Voegelin. O filósofo trata um pouco de sua própria vida, suas influências, seus estudos. Ainda estou no início, no ambiente universitário que se formou em Viena, ainda na década de 20.

Diz ele sobre Hitler:

O fenômeno de Hitler não se esgota em sua pessoa. Seu sucesso deve ser situado no quadro geral de uma sociedade arruinada intelectualmente ou moralmente, no qual figuras que em outros tempos seriam grotescas e marginais podem ascender ao poder público por representarem formidavelmente o povo que as admira.

O nazismo é um dos maiores exemplos quando se fala de crimes coletivos. Voegelin acreditava que a responsabilidade não poderia ser jogada apenas no colo de Hitler. Deveria ser dividida, não só entre seus seguidores mas também entre seus entusiastas, admiradores e mesmo aqueles que apenas o aceitaram. O nazismo foi um crime que deve ser dividido por grande parte do povo alemão de sua época.

Hoje vejo um outro crime na civilização ocidental, principalmente nas nações progressistas da União Européia, Estados Unidos e Canadá. Este crime é o aborto. Existem dezenas de argumentos para defendê-los, pois escolham; depois assumam suas responsabilidades. Pois é um crime que será cobrado de cada um e da civilização como um tudo.

Estou sendo duro, eu sei. Mas existem momentos que temos que ser duros em nossos princípios. Hoje li um texto de um colunista que desprezo, o mensaleiro da ditadura Carlos Heitor Cony, que mostra a extensão da selvageria que está sendo cometido sob o eufemismo macabro de "direito de escolha". Cony comenta um livro lançado recentemente na Inglaterra por dois jornalistas que investigaram o comércio de fetos. Cita um trecho do livro que reproduzo aqui no blog:


Contam os jornalistas: "Quando nos encontramos em seu consultório, o ginecologista pediu à sua secretária que saísse da sala. Sentou-se ao lado de Litchfield, o que melhorou a gravação, pois o microfone estava dentro da sua maleta. O médico mostrou uma carta:
- "Este é um aviso do Ministério da Saúde", disse, com cara de enfado. "As autoridades obrigam a incineração dos fetos... não devemos vendê-los para nada... nem mesmo para a pesquisa cientifica... Este é o problema...."
- "Mas eu sei que o senhor vende fetos para uma fábrica de cosméticos e... e estou interessado em fazer uma oferta... também quero comprá-los para a minha indústria..."
- "Eu quero colaborar com o senhor, mas há problemas... Temos de observar a lei... As pessoas que moram nas vizinhanças estão se queixando do cheiro de carne humana queimada que sai do nosso incinerador. Dizem que cheira como um campo de extermínio nazista durante a guerra."
E continuou: "Oficialmente, não sei o que se passa com os fetos. Eles são preparados para serem incinerados e depois desaparecem. Não sei o que acontece com eles. Desaparecem. É tudo."
- "Por quanto o senhor está vendendo?"
- "Bem, tenho bebês muito grandes. É uma pena jogá-los no incinerador. Há uso melhor para eles. Fazemos muitos abortos tardios, somos especialistas nisso. Faço abortos que outros médicos não fazem. Fetos de sete meses. A lei estipula que o aborto pode ser feito quando o feto tem até 28 semanas. É o limite legal. Se a mãe está pronta para correr o risco, eu estou pronto para fazer a curetagem. Muitos dos bebês que tiro já estão totalmente formados e vivem um pouco antes de serem mortos.
Houve uma manhã em que havia quatro deles, um ao lado do outro, chorando como desesperados. Era uma pena jogá-los no incinerador porque tinham muita gordura que poderia ser comercializada. Se tivessem sido colocadas numa incubadeira poderiam sobreviver mas isso aqui não é berçário.
Não sou uma pessoa cruel, mas realista. Sou pago para livrar uma mulher de um bebê indesejado e não estaria desempenhando meu oficio se deixasse um bebê viver. E eles vivem, apesar disso, meia hora depois da curetagem. Tenho tido problemas com as enfermeiras, algumas desmaiam nos primeiros dias."


Que cada um assuma sua posição, mas que assuma também sua responsabilidade. Esta é a maior chaga da atual civilização e parte da degeneração moral de nossa época. Volto à Voegelin que afirmava que Hitler foi um produto da miséria intelectual do povo alemão. Não seria o aborto a maior demonstração da miséria moral a que chegamos?

Sempre que se fala em aborto aparece alguém para falar que não podemos julgar. Há uma confusão nesta frase que tem sua origem em Jesus Cristo. Referia-se à condenar. Cristo dizia que ninguém poderia condenar uma mulher pecadora se compartilhavam do pecado. O julgamento é outra coisa. Não somos ninguém para julgar os outros, mas estamos a todo momento julgando atos, queiramos ou não.

Querem nos convencer que a liberação do aborto é uma conquista da humanidade, um sinal de progresso e a prova seria que a maioria dos países desenvolvidos o adotam. Poderiam dizer que a maioria dos países que se afastaram de Deus para refugiar-se no ateísmo também. E consideram ainda que o religioso é um obscurantista! Que o ateísmo é sinal de iluminação!

Pois que fiquem com o progressismo, a iluminação e todas as razões juntas. E com a responsabilidade de estarem fazendo parte deste mal que a humanidade padece. Eu prefiro minha fé, meu senso moral, minha razão. Todos eles apontam para a mesma verdade, e estou disposta a ir com ela quando partir desta vida.

Quantos abortistas estão dispostos a defender a sua quando chegar a hora?

Brigando com as mulheres

Sei que vou comprar uma briga com as mulheres, mas fazer o que? Tem horas que temos que dar lugar à polêmica! rsrss. Deixo o link para um artigo que recebi por e-mail, do Arnaldo Jabor, que trata da natureza dos homens. Se você acha que homens e mulheres são todos iguais, nem perca seu tempo. Mas se acha que eles possuem natureza diferente... pode encontrar algumas respostas.

Ah, sobre o artigo não sou louco de dar minha opinião. Qualquer coisa que eu disser poderá ser usado contra mim em um tribunal!!

Entendendo Definitivamente os Homens

quinta-feira, abril 10, 2008

1984 (final)

Começava, por fim, começava! Nada podiam fazer, exceto se olhar, olhos nos olhos. Correr, fugir da casa antes que fosse tarde demais __ essa idéia não lhes ocorreu. Impossível desobedecer à voz de ferro da parede. Houve um estalido, como se tivesse corrido um ferrolho e um tilintar de vidro quebrado. O quadro caíra ao chão, revelando um televisor.


Prisão

A prisão de Winston e Júlia mostra todo o horror de um estado totalitário. Não há acusação, não precisa pois não existem leis. Não há direitos individuais pois o estado não reconhece o indivíduo. Não há limites para a tortura, física ou psicológica.

Os dois são separados e é através de Winston que se descobre o verdadeiro terror do Ministério do amor. Para grande surpresa dele é O'Brien que faz o papel de inquisitor. Estava sendo observado há 7 anos, pequenos gestos dele haviam despertado no Partido a desconfiança sobre sua lealdade, tudo não passara de uma armadilha para testá-lo.

Os métodos clássicos de tortura estão todos lá. A quebra da dignidade do indivíduo, a privação de alimentação e noção do tempo, as confissões verdadeiras, as falsas. Winston não sabia nada sobre qualquer movimento de contestação, nem mesmo se existiam, mas a tortura continuava, por que? O que poderiam ainda querer saber?

O'Brien

Não te preocupes, Winston; estás sob minha guarda. Há sete anos te vigio. Agora chegou o grande momento. Eu te salvarei, eu te farei perfeito.


Com estas palavras O'Brien deixa claro qual é o objetivo do Partido. Reformá-lo. Tomar posse de sua mente e curá-lo da doença que é a contestação ao regime. Na verdade é mais do que isso, fazê-lo entender que deve acreditar em tudo que o Partido diz, mas não da boca para fora, intimamente, mentalmente.

O inquisitor lembra ao preso: "quem controla o passado controla o futuro; quem controla o presente controla o passado".

O que O'Brien deixa claro que é um erro querer controlar o futuro olhando para ele, é preciso controlar o passado, o que é feito através do presente. O passado não existe como realidade objetiva, ele já passou, não é mais concreto. Permanece nos registros e na memória dos homens. "Nós, o Partido controlamos todos os registros e controlamos todas as memórias. Nesse caso, controlamos o passado, não é verdade?"

A realidade só existe no espírito, e em nenhuma outra parte. Não na mente do indivíduo, que pode se enganar, e que logo perece. Só na mente do Partido, que é coletivo e imortal. O que quer que o Partido afirme que é verdade é verdade. É impossível ver a realidade exceto pelos olhos do Partido.


Enfim O'Brien explica por que Winston está ali. Não é pela confissão, o Parido não se interessa pelos crimes cometidos, pelos atos físicos. A preocupação é com os pensamentos. "Não destruímos os nossos inimigos; nós os modificamos." Deixa claro que Winston não se salvará, mesmo que se submeta completamente:

Vão te acontecer coisas das quais não poderás te recuperar nem que vivesses mil anos. Nunca mais poderás sentir sensações humanas comuns. Tudo estará morto dentro de ti. Nunca mais serás capaz de amor, ou amizade, ou alegria de viver, riso, curiosidade, coragem, ou integridade. Serás oco. Havemos de te espremer, te deixar vazio, e então saberemos como te encher.

O poder

A primeira etapa da reintegração é aprender. Depois seguem compreender e aceitar. No início da segunda etapa o inquisitor deixa claro. O Partido não quer o bem comum, não se importa com isso. O Partido quer o poder pelo amor ao poder, o poder puro. Isto seria a grande diferença para as oligarquias do passado, não havia interesse em riqueza, luxo, prazeres, apenas no exercício do poder. "O poder não é um meio, é um fim em si".

É a manifestação da vontade de poder descrita por Nietzche. Uma vontade que exige a destruição de todos os valores morais de uma sociedade, só assim o homem seria livre para perseguir o poder absoluto. A sociedade de 1984 não possuem valores, estes são combatidos pelo Partido com toda a energia possível. Só assim é possível a sobrevivência do Partido.

Aceitação

Por fim Winston cede completamente e aceita o Partido. Ao trair Júlia anula-se completamente como indivíduo e passa a fazer parte do Partido, a entidade coletiva que rege o destino da Oceania.

A narração de Orwell da vida de Winston após sair da prisão é desalentador. É a angústia de ver a derrota completa da individualidade diante do coletivo. Não há liberdade, inclusive de pensar. Este é o principal alvo do estado de 1984, o pensamento.

Winston se torna uma célula da nova ordem e deixa de existir como pessoa.

Orwell mostra em sua fábula futurista a anulação do indivíduo diante de uma nova ordem onde o que vigora é o coletivo. Podemos estar distantes do nível de violência e domínio descritos na obra, mas de maneira nenhuma estamos em caminho oposto.

A cada dia vejo os governos tomando mais medidas para vigiar os cidadãos. Câmeras em lugares públicos são cada vez mais comuns, existe uma idéia de que a vigilância é necessária para garantir a segurança. Quanto tempo se levará para estendê-la ao particular? O pensamento individual é cada vez mais combatido por grupos organizados, basta ver a ferocidade como que os cientistas céticos em relação ao aquecimento global são combativos.

Não vejo a remoção de leis que diminuam o poder do estado sobre o indivíduo, mas estão sempre em votação leis que os aprofundam. Onde isto nos levará?

Este é um dos motivos da minha total desconfiança dos partidos sociais-democratas. Estão sempre colocando mais responsabilidades no estado na condução de nossos destinos. O homem, o indivíduo, é imperfeito, isto é inegável. Mas não vejo com bons olhos trocar sua liberdade pela solução de seus problemas.

Prefiro um mundo injusto com liberdade a um justo sem liberdade. Até porque não acredito em justiça sem liberdade. É uma utopia, talvez a mais perigosa que já tenha surgido na humanidade.

Termino com uma significativa frase de O'Brien:

Se queres uma imagem do futuro, pensa numa bota pisando um rosto humano, para sempre.

Olha a lua

__ Olha lá pai, é a lua?
__ A lua?
__ É.
__ Eu acho que é o sol disfarçado de lua.
__ Ah.. pai. Claro que não.
__ Eu acho que é. De noite o sol coloca a fantasia de lua.
__ Deixa de bobeira pai. O sol é redondo. A lua é igual a um pedaço de unha, toda tortinha...

Cinciano 0 X 3 Flamengo


Foi, viu e venceu

O Flamengo fez uma das partidas mais inteligentes de sua história recente.Jogando na altitude e Cuzco, o time fez um primeiro tempo com todo cuidado do mundo para evitar a correria e conseguiu. Ganhou tempo nas saídas de bola, evitou desgastes desnecessários e jogou uma excelente partida defensiva, praticamente não correu riscos.

No segundo tempo o panorama mudou. O time se soltou e partiu para cima dos peruanos e conseguiu abrir o marcador com Renato Augusto. Logo em seguida perdeu duas excelentes oportunidades para ampliar enquanto o adversário estava completamente perdido em campo. Logo o cienciano perdeu um homem e o Flamengo assumiu o controle definitivo do jogo, fez mais dois gols e venceu com autoridade uma partida que parecia mais difícil do que realmente foi. Méritos do time que fez realmente uma grande partida.

Agora, classificado na Libertadores, e hora de voltar os olhos para o carioca. Que venha o Botafogo!

quarta-feira, abril 09, 2008

Nova regra

Lauro Jardim

O custo para a Globo adaptar sua programação aos fusos horários regionais, conforme exigência do Ministério da Justiça, foi de 5 milhões de dólares. Dentro deste total, o valor que pesou mais foi o aluguel de uma nova rede exclusiva para transmissão via satélite. As novas regras estão em vigor desde ontem e alteram a programação em sete estados das regiões Norte e Centro-Oeste (Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Amazonas, Pará, Acre, Rondônia e Roraima). Na prática, funciona assim: a novela Duas Caras, que a Globo começa a transmitir às 21h em rede nacional, ia ao ar às 20h ou às 19h, no caso do Acre. Agora, o país inteiro verá a novela às 21h - e assim por diante.


É o tipo de coisa que mostra o estado se metendo em tudo.

Ontem estava passando de canal na televisão quando me deparei com um programa americano na FX, o "Man Show". Trata de dois apresentadores mostrando sua visão "masculina" do mundo dentro daquele estereótipo do macho americano (cerveja + mulher).

Um deles falou sobre o excesso de leis nos Estados Unidos. Um deles defendeu que não havia mais espaço para mais leis. Uma lei proibindo fumar em bares? Então tem que liberar outra, tipo "masturbar no ônibus". Sim, o tom é jocoso, mas as vezes as coisas têm que ser vistas por uma lente de aumento.

Um deles brincou com o ditado. Dê um peixe a um homem e ele se alimentará por um dia. De a ele uma vara de pescar e ele não poderá comer, pois precisa de uma licença para poder pescar. E depois pagar taxas. Também não poderá comer o peixe que pescou, precisa de uma autorização especial. Precisa ascender uma fogueira? Precisa de licença. E assim por diante.

No fundo é a concepção que o homem é um completo inútil sem o estado. Voltando ao Brasil, parece que os pais são completamente incapazes de controlar a programação que os filhos assistem. Besteira. Sou pai, já morei na Amazônia com fuso horário diferente. Sempre há uma forma para evitar a dependência da televisão, a mais tradicional e passar o tempo com eles. Simples, não?

Ah, mas dá trabalho. Sabem como é. No fim do dia está todo mundo cansado, ter que dar atenção ao filho? Basta ligar a televisão! Sei que tem pais com dificuldades para ficar com os filhos, chegam em casa tarde e etc, mas acreditem, o estado não é solução e não resolve o problema.

O Ministério da Justiça está sempre muito preocupado com o que está passando na Globo, mas ignora solenemente o baixo nível apresentado por suas concorrentes ao longo do dia inteiro. Por que?

Aliás, faço outra pergunta, quantos pais estão preocupados com o que realmente os filhos estão assistindo na televisão? Mais uma vez o estado se mete e sempre que isso acontece alguém paga. As emissoras, principalmente a Globo, passa a ter um custo maior. Quem paga este custo? Com certeza o consumidor que perde em qualidade. Existe a mania de achar que o lucro da empresa é um fundo infinito que tudo pode ser tirado de lá. Não pode. Aumentou os custos de uma televisão aberta ele tem que ser repassado. Como não pode ser para quem assiste teria de ser para o anunciante, mas o que este paga é função do mercado. Então se diminui os custos. Algumas demissões aqui, alguns cortes ali e está tudo resolvido.

E o demitido ainda sai reclamando do capitalismo ou do neo-liberalismo. No fundo da questão está o estado, sempre querendo coletivizar tudo e reduzir o indivíduo à nada.

Em 1984, O'Brien diz à Smith durante uma seção de tortura:
"Se queres uma imagem do futuro, pensa numa bota pisando um rosto humano, para sempre".


Esta bota é o estado.

O Senhor das Armas


Lord of War, 2005

Estrelando: Nicolas Cage, Jared Leto, Bridget Moynahan, Ian Holm, Eamonn Walker, Sammi Rotibi, Ethan Hawke.
Dirigido por: Andrew Niccol


Sinopse:

Nicolas Cage é Yuri Orlov, um negociante de armas que nunca viu sua prática profissional com olhos éticos. Apesar de fornecer armas para países pobres, imersos em conflitos civis, entre outros compradores, Yuri sempre encarou muito bem seu trabalho, que o deixou extremamente rico e poderoso. No entanto, começa a pensar melhor em sua vida quando é perseguido por Jack Valentine (Ethan Hawke), um agente da Interpol. (Fonte: cinema.yahoo.com.br)

Comento:

Comecei a ver este filme antes de dormir e não consegui parar. É uma imagem de como a degradação humana e o sucesso pessoal podem conviver passo a passo ao lado de um homem. Orlov se torna rico e poderoso à medida que vai decaindo moralmente em uma viagem sem volta.

Mais do que um retrato um tanto espetaculoso do contrabando de armas, o filme mostra a dura realidade africana, onde ditadores vivem em "ilhas" isoladas de seu povo. O presidente da libéria é um sanguinário assassino que procura passar uma imagem de sofisticação.

Vic, o irmão de Yuri, é sua consciência que se torna impotente para tentar fazê-lo refletir sobre a extensão de seu modo de ganhar a vida. Sua degradação é a própria degradação moral de Yuri.

Não é um filme brilhante, longe disso, mas extremamente eficiente. A desilusão do agente Valentine ao finalmente conseguir as provas que poderiam condenar Yuri e descobrir que seu trabalho de uma vida foi em vão é um dos pontos altos do filme.

Nota 7,5

terça-feira, abril 08, 2008

1984 (2a parte)

Compreendo COMO: não compreendo por quê.


Assim Winston se posiciona sobre o mundo de 1984. Ele compreende como foi organizado aquela realidade, o que não consegue compreender é por que foi construída daquela forma. Começa a questionar sua própria sanidade; seu diário é seu escape. Nele escreve seus pensamentos e imagina que um dia poderia passar sua mensagem, seu grito por socorro, para alguém que pense como ele.

Estava escrevendo um diário para O'Brien _ a O'Brien; era uma espécie de carta interminável, que ninguém leria, mas que era dirigida a uma certa pessoa e por isso adquiria vibração.


Diante da falta de respostas dentro do partido, não lhe é permitido perguntar, volta-se para as proles. Busca nela as respostas mas sua jornada pelos subúrbios de Londres não o levam a lugar nenhum. As pessoas mais velhas já não conseguem recordar o passado, perderam suas memórias.

O que Orwell sugere é que a memória deve ser constantemente alimentada por fatos do dia a dia que nos remetem a acontecimentos do passado. A referências nos jornais, nas artes, na mídia. Como o partido controlava toda manifestação escrita, visual, a memória era desintegrada junto. Não era apenas os integrantes do partido que perdiam o contato com a história, mas a própria prole, mesmo não sendo submetido ao mesmo controle. A constatação mais assustadoras é que em breve não haveriam mais remanescentes da época antes da revolução, o último elo possível se perderia. Seria o fim da tradição e da cultura.

Julia

Um dia esbarra em uma fanática da liga anti-sexo, uma mulher por quem tinha verdadeira aversão. Ela coloca em suas mãos uma nota que mudaria sua vida, estava escrita simplesmente "Eu te amo".

No mundo de 1984 o amor é condenado. As relações sexuais são toleradas como uma forma de perpetuar a espécie, mas não pode haver prazer envolvidos. Os casamentos são autorizados baseados na total incompatibilidade do casal. Os laços de família são constantemente desencorajados e o amor um mal a ser combatido.

Com Júlia Winston encontra não o amor, mas um relacionamento honesto. Passa a ter uma pessoa para conversar, expor suas idéias, suas angústias. Júlia não quer mudar o mundo, na verdade não se importa. Quer apenas sobreviver como pessoa fugindo da vigilância do partido. Quer ser mulher, quer ser humana.

Em certo momento ela lhe diz:

__ Quando amas, gastas energia; depois, ficas contente, satisfeito, e não te importas com coisa alguma. Eles não gostam que te sintas assim. Querem que estoures de energia o tempo todo. (...) Se estás contente contigo mesmo, por que havias de admirar o Grande Irmão, os Planos Trienais e os Dois Minutos de Ódio e todo o resto da maldita burrice?


A Fraternidade

Winston toma coragem e se aproxima de O'Brien. Leva Júlia consigo. Ele os recebe como conspiradores e pergunta até que ponto estariam dispostos a ir pela fraternidade. Fariam de tudo, assassinatos, seqüestros, de inocentes ou culpados, tudo, menos a separação.

O'Brien conta que pouco saberão da fraternidade, serão células independentes que receberão tarefas de tempos e tempos. Receberiam um livro que esclareceria o mundo em que vivem e mostraria o caminho a seguir.

O Livro

O livro denominado "Teoria e Prática do Coletivismo Oligárquico" é o cerne da utopia imaginada por Orwell. Explica o lema do partido e sua própria representação.

Guerra é Paz

O mundo era composta por três superpotências que estavam em guerra constante. Esta guerra tinha algumas características básicas, era impossível de vencer e fazia um número de baixas muito reduzidos, periféricas ao centro das potências. Foi a forma como se conseguir eliminar o consumo advindo do avanço da civilização. Desta forma tudo que era produzido era destinado à destruição e não haveria nunca a elevação do nível histórico das nações.

Sem a melhoria das condições da civilização não surgiam conflitos históricos e a paz era mantida. Neste sentido, guerra é paz.

Ignorância é Força

Depois dos conflitos que ocorreram no mundo nas décadas de 30 e 40 ascenderam ao controle do mundo uma nova classe formada por burocratas, cientistas, técnicos, líderes sindicais, peritos em publicidade, sociólogos, professores, jornalistas e políticos profissionais. Era gente cuja origem estava na classe média assalariada e nos escalões superiores do sindicalismo. Gente moldada pelo mundo estéril da indústria monopolista e do governo centralizado. Imaginaram uma tirania perfeita, com a eliminação total de qualquer possibilidade de oposição.

Haviam muito tempo se perceberam que a única base segura da oligarquia é o coletivismo. A riqueza e o privilégio são mais fáceis de defender quando possuídos em conjunto (...) Individualmente nenhum membro do Partido possui coisa alguma, exceto ninharias pessoais. Coletivamente, o Partido é dono de tudo na Oceania, porque tudo controla(...)


O mais fascinante da utopia de Orwell, assim como a de Huxley, é que a base que trabalha é real e de uma atualidade desconcertante. Os elementos que usa para construir 1984 estão presentes nos dias de hoje. A censura, a novalíngua, o esquecimento do passado. É assustador.

O fim

Winston nunca chegou a ler o fim do livro. Estava com Júlia, lendo para ela, quando a censura os alcançou. Não havia possibilidade de resistência, foram capturados. Agora conheceriam o Ministério do Amor...

segunda-feira, abril 07, 2008

Ética a Nicômaco, Livro VI (1a parte)

Terminei de ler o livro VI de Ética a Nicômaco de Aristóteles. Trata das virtudes intelectuais.

Divisões da virtude

Aristóteles considerava que a alma possuía duas partes, uma racional e outra irracional. A segunda relaciona-se com as virtudes morais e com a busca do justo meio com a finalidade de evitar excesso e deficiência. Este meio é definido pelo princípio da reta razão. E é a primeira parte da alma que trata de identificar qual é esta reta razão.

A parte racional da alma também se divide em duas partes. Aquelas coisas cujos princípios primeiros são invariáveis (faculdade científica) e aquelas que são variáveis (faculdade calculativa ou deliberação).

Existem três elementos na alma que controlam a ação e a busca pela verdade: sensação, razão e desejo. Destes, a sensação é a única que não origina ação refletida. Busca e repulsa na esfera do desejo correspondem à afirmação e negação na esfera da razão.

Hence inasmuch as moral virtue is a disposition of the mind in regard to choise, and choise is deliberative desire, it follows that, if the choise is to be good, both the principle must be true and the desire right, ad the desire must pursue the same thing as principle affirms.


Para Aristóteles, o desejo deliberado e o desejo deveriam ser buscar as mesmas coisas. O homem deve desejar o que é bom.

As cinco qualidades da busca da verdade

O filosofo apontava cinco qualidades através das quais a mente atinge a verdade através da afirmacão ou negação:

  • ciência: trata das coisas que não variam; as coisas que variam estão fora do alcance de nossa observação, não sabemos se existem ou não. Todo aprendizado inicia com fatos previamente conhecidos e prosseguem pela indução ou dedução. Um homem atinge um conhecimento científico quando possui convicção atingida de alguma forma, e quando os princípios primeiros cuja convicção se apoia são conhecidos por ele com certeza;
  • artes: relaciona-se com trazer alguma coisa para a existência e perseguir uma arte significa estudar como trazer para a existência alguma coisa que pode existir ou não, e a causa eficiente que relaciona-se com o fazedor e não com a coisa feita;
  • prudência ou sabedoria prática: o homem prudente é aquele que é capaz de deliberar bem sobre as coisas que são boas e vantajosas para si mesmo de uma maneira geral. É uma qualidade relacionada com a busca de verdade;
  • inteligência ou intuição racional: é a qualidade que nos possibilitar compreender os princípios primeiros que servirão de base para o conhecimento científico, a arte ou a prudência;
  • sabedoria: é a mais perfeita das formas de conhecimento. O sábio não apenas sabe as conclusões que seguem dos princípios primeiros, mas também tem uma concepção verdadeira sobre os próprios princípios primeiros. É conhecimento científico e inteligência intuitiva.

Notas esportivas

GP Bahrain

Massa não tinha outra alternativa, apenas a vitória poderia afastar a desconfiança que se abateu sobre ele depois dos abandonos nas duas corridas iniciais. Mostrou mais uma vez que é um piloto que suporta pressão, o que precisa é ser mais consistente. O campeonato este ano parece mais equilibrado e o grande assunto parece ser a confusão de Max Moseley. Infelizmente.

Campeonato Carioca

Já há algum tempo não escrevia sobre o Carioca. Não dava para aguentar a baba que estava rolando. O regulamento deste ano realmente acabou com qualquer chance de surpresas. Mais uma vez os quatro grandes se encontram nas semi-finais.

Apenas estranhei o placar de Madureira e Fluminense. O time do subúrbio vinha com boa campanha, não tinha perdido para nenhum dos grandes e diante do reserva do tricolor abriu as pernas. Muito esquisito.

Por melhor que o time do Botafogo seja em relação ao Vasco, não dá para escolher adversário. O tiro, se é que houve, pode sair pela culatra. Só por causa disso vou torcer para o time da colina no sábado.

Além do mais já estou com saudades de bater o Vasco em finais. He he he.

Campeonato Paulista

Dois grandes e dois pequenos. A polêmica é o local do jogo de volta entre Palmeiras e São Paulo. Mais uma vez bato na mesma tecla, a atitude dos dirigentes palmeirenses de considerar o Morumbi como campo do adversário joga contra a própria história do clube. O dono pode ser o São Paulo, mas na prática o estádio é neutro. O resto é conversa fiada.

Campeonato mineiro

A final será entre Cruzeiro e Atlético. E não se fala mais nisso. O torcedor merece.

Campeonato gaúcho

O Grêmio ficou com o mico do ano. Que coisa, hein?

domingo, abril 06, 2008

1984

Guerra é paz; liberdade é escravidão; ignorância é força


Este é o lema do Partido que Orwell imaginou em 1984. O Partido exerce o poder absoluto em uma Londres futurista situada na Oceania. O país vivem em guerra alternada contra os dois outros países do globo e o Grande Irmão é o líder que tudo vê, "o Grande Irmão zela por ti".

Este é o mundo que Winston Smith, um funcionário do departamento de registros, nos mostra em 1984. Ele é um inconformado, sabe que algo está profundamente errado, mas este é o único mundo que conhece.

A vigilância é constante. Em cada ambiente um televisor que não pode ser desligado, nem abaixado o volume. É o instrumento de propaganda do partido, com um detalhe a mais, o televisor transmite as imagens das pessoas para o controle do partido. E a forma como as pessoas passam o tempo todo sendo observadas e vigiadas.

Todo o seu dia era uma rotina incessante, a solidão era motivo de suspeita, a privacidade um perigo. As pessoas aprendiam a expressar felicidade como forma de defesa, qualquer sinal de contrariedade podia ser motivo para um interrogatório.

Alguns pontos me chamaram a atenção nesta primeira parte do livro.

Primeiro é a novalíngua. O governo totalitário imaginado por Orwell trabalha na construção de uma nova língua, uma simplificação do próprio idioma. Sinônimos desaparecem, é preciso acabar com palavras inúteis e ter um dicionário com o mínimo de palavras possível.

É lindo destruir palavras. Naturalmente, o maior desperdício é nos verbos e adjetivos, mas há centenas de substantivos que podem, perfeitamente, ser eliminados. Não apenas os sinônimos; os antônimos também. Afinal de contas, que justificativa há para a existência de uma palavra que é apenas o contrário da outra? Cada palavra contém em si mesmo o seu contrário. "Bom", por exemplo. Se temos a palavra "bom", para que precisamos de "mau"? "Imbom " faz o mesmo efeito __ e melhor, porque é exatamente oposta, enquanto que o "mau" não é.


O objetivo do Partido é diminuir o vocabulário, e com ele a capacidade de pensar. A língua é um instrumento de pensamento, restringi-la é restringir a próprio pensar.

Outro ponto interessante é a alteração do passado. O trabalho de Winston consistia em re-escrever notícias antigas e destruir as originais. Como ninguém podia possuir nada escrito, nem mesmo escrever, alterava-se a própria história. Pelo passado controla-se o futuro. Por que todo totalitarismo re-escreve a história? Fiquei pensando em Stálin removendo os registros de Trotsky da revolução bolchevique, inclusive nas fotos.

É um mundo pertubador, uma ordem no meio do caos de constante bombardeios. Existem os membros do partido e a prole. E nesta última que Winston coloca suas esperanças de mudança pois não acredita que nada possa ser feito de dentro do partido.

Agora Winston descobre o amor...

E assim continuo minha leitura.